::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


sexta-feira, 28 de setembro de 2007

JOVEM! Tu que...

... tens a mania da perseguição!!!!
.... tens graves problemas psicológicos!!!!
..... andas a chafurdar na miséria e a sentires-te um enganado virtual!!!!
....... não fazes mais do que aturar a cabra da tua namorada aos gritos e só tens sexo uma vez por semana porque ela é uma loira frígida, uma cruel serva do Diabo mascarada de anjo.......
...não esperes mais! Lê este post! Este post é para ti!!!!!!!
Basicamente peço desculpa a quem não entender este post, e como leva mesmo uma carrada de segundas intenções, fica um artigo que considero extremamente interessante para pessoas que:
1 - têm a mania da perseguição;
2 - andam a ler os blogs errados;
3 - andam a foder (epá, disse foder? era "chatear") a cabeça a pessoas que são/eram suas amigas;
4 - não têm uma vida e chafurdam na vida dos outros;
5 - criticam tudo e mais alguma coisa;
6 - têm DE CERTEZA gritantes lacunas na sua vida sexual (vulgo "falta de peso");
7 - acham que o mundo gira à sua volta;
8 - aplicam o costumeiro velho truque para o qual já não há mesmo pachorra do "ninguém gosta de mim!!!" e "vocês divertem-se todos à minha custa!!!";
9 - não aprendem com a porra das cabeçadas que dão na vida;
10 - gostam de levar porrada psicológica e quem sabe, física.
- já agora, estas são as Psicologias da Treta. O Psiquiatrias da Treta é mais adequado ao teu caso, jovem. Já agora, eu se fosse a ti, ia aos Classificados aí da zona (epá, digo ou não?? é melhor não dizer...) não vás tu encontrar o número da gaja naqueles anúncios tipo "menina de ar afectado acompanha senhores com boa condição social e financeira..." Porque aqui não vais encontrar a calúnia e as informações que esperas obter da gaja ok? Se tens dúvidas.... jovem, porque não lhe perguntas a ela?
Bom fim-de-semana.

What Happened to Linda de Suza?


(imagino já estrondosas gargalhadas de alguém aí desse lado)
O facto é que a Linda de Suza, esse baluarte do emigrantismo (?) português em França, está a desaparecer das mentes das pessoas. Já ninguém (com menos de 25 anos de idade) sabe quem foi a grande antecessora de nomes como Tony Carreira ou...? (francamente não me lembro de um outro nome tão acarinhado pelos nossos emigrantes como estes dois).
E eu considero que isso é grave, muito grave. Como falar em expressões referentes à mala de cartão a alguém que faz aquele ar de: "humm?!?", porque simplesmente desconhece esse nome que fez chorar tanta gente com a sua voz em Paris e até se fez uma série de televisão acerca da sua vida?
Fica a recordação, e até mesmo a pergunta... é que nunca mais se ouviu falar dela.

sábado, 22 de setembro de 2007

Games We Play

Post recuperado do antigo Psicologias da Treta. Recordar que foi o mais comentado de sempre. Porque recordar certas coisas, é preciso. Há opiniões que nunca passam de moda, talvez por uma questão de coerência... ou talvez já esteja a entrar naquela fase de vida em que raras serão as vezes que mudarei de opinião.



::imagens de sergio mora::




As queixas fazem-se ouvir um pouco por todo o lado, em conversas de café, em almoços e jantares, em desabafos às horas mais tardias da noite, todas embargadas por uma certa solidão que não podemos continuar a mascarar, como se mulheres novaiorquinas retiradas de séries como o Sexo e a Cidade nos tratássemos ou fôssemos.
Encaremos o facto: não somos.
Os homens, esses, continuam cada vez mais perdidos.
Uma lady na mesa, uma puta na cama...

Aqui há anos seria fácil para um homem perceber o que era uma lady e o que era uma puta, mas acontece que os tempos voaram até ao dia em que para um homem não será assim tão difícil ter sexo com uma mulher inteligente e boa rapariga (uma lady) e não se sinta obrigado a casar com ela.
Ou seja, tanto melhor... pode até ter muito sexo com muitas raparigas inteligentes e pode até ter o privilégio de escolher.
À mulher foi concedido (também) o privilégio de alguma leviandade sexual, o tal que era já apanágio do sexo forte, o tal vindo de Marte. O facto é que também as mulheres se tornaram predadoras com o tempo novo que veio pousar em terras lusitanas. A factura a pagar agora é a mesma leviandade sentimental e maquiavélica dos homens (dantes, característica da dita e suposta superioridade feminina), pois o tal homem perdido de amores por uma mulher a cantar-lhe a serenata de amor à janela é uma espécie em vias de extinção. O tal homem quetudo faria pela atenção da mulher amada... porque desapareceram. As predadoras fizeram homens assim sentir-se ridículos e o romance deu lugar a um vazio sem precedentes. Um fosso sentimental.

Ou seja: inverteram-se os papéis. As mulheres podem ter o sexo que quiserem com quem quiserem (dizem elas, orgulhosas dos seus novos direitos), e os homens são mais livres de escolher a mulher que querem amar (como se tivessem tempo para uma, quanto mais, para mais de três ao mesmo tempo).
Confundem-se as prioridades, as personalidades e não se chega a conhecer uma quinta parte de um alguém que provavelmente até se daria ao trabalho...
Porque dá, efectivamente, trabalho.
Conhecer alguém até que nos apaixonemos por essa pessoa é uma tarefa árdua que pressupõe imaginação, vontade, entrega e tempo.
O sexo é fácil. E rápido.

Seremos assim, mais felizes? Duvido porque todos os dias se fazem ouvir as tais queixas, tanto no feminino como no masculino. No meio de jogos de bastidores entre duas pessoas não resta quase nenhuma margem à magia, ao encanto, à confiança, à partilha.
Quase nunca se consegue confiar em alguém, saber o que aquela pessoa pretende de nós, seja homem ou mulher, se vai saber segurar a nossa dor, se vai saber partilhar um sorriso, um segredo, uma chamada de atenção, a verdadeira intimidade entre duas pessoas, à partida condenada pelo sexo, sempre um pretexto tão grande para a desmotivação quando finalmente encontrado. E esmagado o desejo, parte-se para outra.

Pasmem-se. Não é de sexo que se trata. Nunca foi. É quando finalmente sabemos que o que nos atrai em alguém é aquelo elo indecifrável e invisível que nos pode tornar mais fáceis no momento da entrega sexual e ao mesmo tempo, inacessíveis na entrega do nosso somatório de vida e de experiência. A compatibilidade, que vai muito mais além do que o cheiro, o toque e o beijo. Acaba por ser secundário, acaba por ser trivial. Igual. Banal.
Foder, qualquer um sabe...

Homens e mulheres estão em lados opostos do tabuleiro. Sempre estiveram e sempre hão-de estar. Mas nem todos sabem acordar as regras do jogo. Porque em tudo, há regras... até para que se saiba que as podemos alterar. Ou quebrar.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

"Excuse Me"

::fotografia de jill greenberg::





"Antes tarde que nunca" é uma verdade aplicável ao arrependimento verdadeiro, mas nem sempre o pedido de desculpas personifica esse mesmo arrependimento.


"As desculpas não se pedem, evitam-se". Penso ser uma verdade ainda maior.




É certo que não gosto de pedidos de desculpa. Nalguns casos (as criancinhas na escola) são perfeitamente justificáveis, mas a verdade é que não gosto (aliás, detesto) de pedidos de desculpa. As pessoas são naturalmente egoístas, e são as mais egoístas que passam a vida a dizer "desculpa". Já agora, as que têm maior défice de inteligência emocional, uma vez que passam a vida a cometer os mesmos erros nas suas relações, e a pedir as tais desculpas, porque cometem s e m p r e o mesmo erro. Ainda há os da vertente orgulhosa estupidificada, "desculpa, mas..." e não há pachorra. Isso, pachorra, porque a paciência esgota-se minutos antes da pachorra.




E isto vem de braço dado com o facto de ter estado a ver o Oprah Winfrey Show. Eu sei que não tenho coração, mas eu abomino tanto o programa como as pessoas que o vêem religiosamente. Tenho dentro de mim uma vontade férrea de vir a ser uma melhor pessoa, mas o facto é que a espada páira sobre a cabeça de alguns dos meus conhecidos e a Justiça normalmente é cega. Passo a explicar: o dito programa (ou parte dele, porque não vi tudo) falava do arrependimento, com direito a lágrimas e tudo, de alguns adolescentes e professores dum liceu dos EUA que se magoaram reciprocamente, fosse por racismo, fosse por homofobia, etc, numa sessão de pedidos de desculpa. Uma professora chorava a pedir perdão aos seus alunos caso algum dia os tivesse magoado. (Nobre, hein?)


Um aluno (gordo que se farta) a pedir perdão ao amigo pelas piadas racistas que costumava mandar ao amigo (que sendo negro, era bem giro e muito mais jeitoso que o puto racista gordo, leitoso e feio que nem um penedo). Um outro, negro, a pedir perdão ao amigo gay porque lhe chamava "maricas", etc, e já agora, a todas as mulheres que eventualmente pudesse ter ofendido, porque todas as mulheres eram lindas e não mereciam... todos a chorar. Alguns convulsivamente. Tudo a soar a falso, efectivamente. Professores a pedir desculpa aos alunos CASO algum dia os tivesse magoado...? De lágrimas nos olhos...?




Mudei de canal.




Pensei "não há pachorra". Tudo isto lembra-me a parva duma suposta amiga que tenho/tinha que assiste a esta bosta de programas (eu escrevi bosta, sim) mas na altura devida em que deve evitar uma data de situações e não perder os amigos, só tem feito porcaria. Metade das pessoas que conhecia já não lhe falam, afastaram-se, devido a situações desagradáveis por ela criadas. Acha que o mundo está contra ela, acha que ninguém a compreende e toda a gente é má e ruim. Bem, eu sei que sou má e ruim, mas considero que com ela nunca apreciei o verdadeiro lado da minha ruindade. O facto é que eu gostava dela. O facto é que nas piores alturas, eu estive lá para ela. O facto é que sempre me interessei, liguei, apareci, tolerei e aceitei. Cheguei mesmo a perdoar situações que por outra pessoa, não o faria. Uma manhã não pude estar a 100%. Estive ao telemóvel com outra pessoa. Meia hora ao telefone. A partir dessa manhã, depois de insultada, deixei de ser considerada Amiga porque estava ao telefone com outra pessoa. Deixou de me falar. Até hoje nem sei bem porquê. Penso que foi a única razão.



Talvez um destes dias ela apareça ou ligue.... "peço-te desculpa".


Ao fim de mais de 8 meses. Não irei desculpar, caso isso aconteça. Não vejo a porra da Oprah Winfrey e não tenho pachorra. Tal como ela, algumas pessoas que páiram por aí. E a culpa não é do mundo, a culpa é minha. Nossa, de nos deixarmos magoar. É simplesmente devido às expectativas que nós temos dos outros, e que nunca são cumpridas por essas determinadas pessoas. Todos temos problemas e todos temos uma vida. Morrem pessoas todos os dias, e quando morrerem, será que é nessa altura que devemos ocupar-nos delas? Será que é depois de se fazer a porcaria e de se magoar e de se ignorar e desprezar pessoas que lhes vamos pedir "desculpa"? Será que depois de não terem cuidado connosco, teremos de ter cuidado com essas pessoas? O egoismo reina e anda tudo demasiado centrado nos seus problemazinhos da treta, e por vezes esquecemo-nos de que tudo isto é efémero. Eu, penso que não aprendi nada de novo. O discurso até poderia ser "ah e tal, as pessoas são assim mesmo, são todos uma cambada de egoistas!..." mas não. Não o faço porque por cada merdoso/a que conheço tenho mais uns quantos que ainda valem a pena. Por isso gosto de pessoas. Por isso gosto de falar com pessoas, estar com elas. Há outras para as quais não tenho mesmo... pachorra. A Amizade também se faz disto. De nivelar. Saber distinguir o trigo do joio. Se eu perder tempo com quem não sei, o que é que eu vou dizer a quem sei?... já dizia a minha A.miga. E siga!




Como disse no início, eu detesto pedidos de desculpa (a mágoa ou a tristeza incutidas ou a maldade deliberadas não têm desculpa)... quanto às lágrimas, hei-de me lembrar sempre das palavras dum grande amigo meu... "chorou? ai chorou?? pois olha, isso são lágrimas de crocodilo, e o crocodilo só fica bem em sapatos ou malas... ou naqueles polos muito giros da Lacoste"....

domingo, 16 de setembro de 2007

A beta alternativa (isto é quase um cliché)





Imagino a cara de felicidade e o sorriso rasgado no rosto de alguns de vós, na senda da recordação de uma qualquer beta alternativa que tenha passado pelas vossas vidas. Mas adiante.



Afinal, o que é uma beta alternativa? Uma beta alternativa, tal como o nome indica, é uma tipa (a rondar os trinta/trinta e sete anos) vestida à "beta", com graves problemas de auto-afirmação, que tenta à força pertencer a um grupo que não é o seu, ou seja, o grupo dos alternativos, aqueles que gostam de cinema, música, literatura e tudo o que tenha a ver com qualquer expressão de arte alternativa. Ou já agora, de arte. Está na moda ser-se alternativo, e está na moda gostar-se de arte pela arte. Um Rembrandt ou um Pollock? Não interessa, coloca-se o Pollock na cozinha para dar com os azulejos e o Rembrandt na sala porque "diz que é mais caro e tal".


Há dois tipos distintos de beta alternativa: a pobrezinha dos subúrbios e a ricaça de boas famílias, tanto de grandes como de pequenas urbes.


Normalmente a beta alternativa ricaça tem dinheiro, bastante dinheiro, veste-se a rigor na Loja das Meias, compra tudo o que apanha na Fnac, gosta de encher a boca para dizer "o quê? lá porque me visto bem, não posso ouvir o que eles ouvem??" e é loira e gira e sente que tem de provar ao mundo que não é estúpida. Efectivamente, é um poço sentimental sem fundo no que concerne a auto-estima, embora seja bonita. Não se dá muito valor e na gaveta escondida lá do seu quartinho tem a colecção inteira da Christina Aguilera, com a qual chora noites inteiras ao som de "I am beautiful no matter what they say..." (perguntam vocês: ah e tal, ó Psicóloga da Treta, tu conheces essa da Aguilera!! (Pois, é que tenho muitos amigos gays).

A beta alternativa pobrezinha dos subúrbios é ainda mais patética do que a anterior, porque efectivamente acaba por nem ser uma BETA a sério (compra as roupas tipo beto na feira de Carcavelos), e tal como a outra, quer também à força entrar num grupo com o qual não se identifica minimamente, mas como é tão estúpida e tem problemas de relacionamento, e já agora, não tem dinheiro, acaba por nem ser aceite pelos betos (mestres na arte de identificar bainhas e botões das verdadeiras marcas e griffes), nem pelos alternativos (mestres na arte de identificar uma fajuta destas, que desbobina a carreira do Ian Curtis e a seguir pergunta quem são os Joy Division). Ainda assim, é de se louvar o esforço patente nestes dois tipos que lutam contra a maré da tal sociedade a que querem ascender e pertencer, embarcando num conceito que tem de tudo, menos de alternativo: que é seguir-se uma moda em voga, que é ser-se alternativo. Nunca ser-se alternativo foi tão pouco uma alternativa como agora. Caso para dizer que já não existe nada de alternativo. Desculpem a redundância.




Eu já sei que isto vai ser lido/olhado de lado pela Liga Protectora do Quem És Tu Para Julgar pelas Aparências, but I don't give a shit again. Toda a gente julga pelas aparências, e é nas aparências que tudo começa. Haja coerência de estilos. Já agora, não em demasia, porque isto de se ser alternativo tem também o reverso da medalha: existe um outro género ainda mais irritante do que a beta alternativa, que é a forinha alternativa, variante também no masculino (daí ser ainda mais irritante, porque são mais), mas sobre esses falarei numa outra oportunidade. Boa noite.

...das confissões dos dias privados


às vezes apetecia-me ser pássaro

escreveu ela um dia.


... há lições que se aprendem, e uma delas é que nunca podemos deixar de ser claros quando o pretendemos e tampouco deixar de ser vagos quando nos interessa. Não pretende isto, na verdade, ser uma confissão, talvez mais uma confusão mental (afinal isto é ainda um divã; público, mas ainda assim um divã) e uma janela para o mundo.


Passeei pela blogosfera e fora os tais imprescindíveis blogs que considero geniais, existe uma panóplia de trampa pseudo-intelectual-a-armar-em-bom que só dá vontade de meter os dedos pela goela e perguntar bem alto à janela para os gatos ouvirem

porque raio manténs tu um blog a fazer parte do raio do sistema?????????????????????????????????????????????????????

Entenda-se que o "tu" é a voz do meu inconsciente a apoderar-se do meu todo.

A questão é que não mantenho um blog, eu mantenho dois blogs: um para os VIP's e outro para a escumalha. Chego à conclusão de que sou muito mais elitista do que seria suposto, e ao menos a minha trampa fica para os de casa. O resto é para nem prestar atenção. Seja: lá no outro posso ser a pessoa mais chata do mundo, sem fait-divers, e afundar-me na tristeza, no amor e nos lugares-comuns de quem anda perdido pela vida sem ter de chatear ninguém. Um registo da ferida em aberto para um dia mostrar aos netos que a avó até teve uma espécie de vida.

Neste, simplesmente não armo ao cagalhão nem entro em grandes dissertações repletas de conteúdo significativo ou de grande nexo: é mesmo o meu eu raivoso com espuma pelos cantos, e é uma treta. A passagem dos dias da treta, a forma mais simples de dizer que apenas estou aqui sem ter de dizer que fiz uma tatuagem, que sou de esquerda, que sou bué cool, que percebo imenso de arte, que ando a sentir-me miserável porque a vida é uma merda, que ninguém me entende ou que sou um génio da pastilha cósmica. Nem sequer ainda vendi um livro à conta disto, o que me remete irremediavelmente para o baú dos beautiful losers, mas sempre de cara lavada com muita maquilhagem à mistura. Este blog não serve para nada, só me serve a mim e aos quantos poucos que mandam umas bujardas e a gente ri-se toda atrás do pano, como no cinema. Posso garantir que já aqui fiz uns poucos grandes amigos, que já conheci muita farsa dada por amizade (ainda assim, comprei-a e devolvi à proveniência), que já ri, me enervei e chorei, bebi uns copos e troquei imensas impressões.


A grande questão é que já não há simplicidade em lado algum, e a velha máxima do Dr House aplica-se até na porcaria da blogosfera: toda a gente mente. Mentem quando se mostram "melhores" do que aquilo que são e mostram-se "mais tristes" quando na verdade nem a tristeza era assim tão grande afinal. O que resta? Uma certa feira de vaidades em que uns mostram o que lêem e o que ouvem e falam disto e daquilo e nuns bons 90% nem escrever em bom português sabem. São chatos bla bla bla bla... BORING! Outros falseiam diários de uma vida que inventaram para si mesmos: ou a que queriam ou a que é socialmente aceitável. Outros dão as opiniões dos clichés mais que usados (vou começar a pegar nesses lugares-comuns da blogosfera e fazer uns posts enche-chouriços à pala disso).


Tive um professor que dizia que nada é original. Nada. Ele defendia isso com unhas e dentes. E no fundo eu sei mesmo que ele tem razão, concordo inteiramente com ele, embora na altura eu não soubesse da missa a metade e disse "que não".
Contudo, existe um quê de original neste novo conceito de opinião pública, da blogosfera, que assenta numa crença desse princípio de liberdade de expressão. Toda a gente pode dar a sua opinião e mandar a posta de pescada, mas bastar-se-á a si mesmo ou será contraproducente? Acredito que a longo prazo haverá um cansaço e aquilo que não tiver fundamento ou genuinidade, falirá por si só, pois nada que seja falso se basta a si próprio. Não sobrevive, pois existe uma finitude em tudo. Até mesmo naquilo que sendo original, não é eterno, mas intemporal, pois as palavras a serem genuínas são livres e ganham significados aos olhos de outros. E isso é o que as torna realmente belas. Simples.


O resto é treta, e talvez seja eu a única que não mente no meio disto tudo. Basta ler o título: da treta.



P.S.: desculpem lá a parte da escumalha. se alguém se reviu nesta intensamelodramáticaesmiufradatristedecadente descrição de blogger, não leve a mal. É assaz abrangente e a tal máxima funciona em muitas frentes: everyone lies... faz parte da condição humana. E a isso ninguém consegue fugir.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Clichés III






A pedido de algumas famílias, e porque não nos podemos desabituar da causticidade latente a reservar para as questões que realmente a requerem, também eu tenho um ardor no estômago quando se fala nisto e trago-vos aqui um meu antigo ódio de estimação, não querendo, de facto, obter qualquer tipo de reconhecimento nestas palavras ou que isto sirva legitimamente para o que quer que seja. Estas palavras não têm qualquer legitimidade. É um facto. Gostos não se discutem. Outro facto. A questão é que eu não gosto do Saramago: escritor e pessoa. E não gosto porquê? Porque é chato. É chato que se farta. Porque é incoerente. Porque é despropositado. Porque é arrogante. Tem a mania que é bom; sinceramente, eu acho que não é. Li metade de alguns dos seus livros porque não consegui acabá-los. Nunca em Blogs falei de livros ou escritores, tanto portugueses como estrangeiros, mas quem acompanha este (ou o Beautiful Losers) de princípio, sabe que sou uma apaixonada por alguns autores portugueses, nomeadamente o J.L.Peixoto ou o grande Pessoa nos seus variadíssimos heterónimos (com destaque para o Álvaro de Campos). Sim, leio muito, outro facto, mas não gosto de mencionar muitos autores porque acho que é uma medida de "blogger armado ao cagalhão para chamar a atenção" e nunca fiz uma apreciação negativa seja a quem for. Salvo esta, agora.

Antes do Prémio Nobel ter sido atribuído, talvez uma pequena minoria neste país tivesse um real conhecimento da obra literária de Saramago. Depois do Nobel, foi tudo a correr às livrarias comprar o belo do Memorial do Convento and so on, so on... ainda que não o leiam (alguém consegue ler aquilo?!?) dizem que "Saramago é muito bom". E instituíu-se que é. Se é Nobel, é porque é. E pronto. Carimbado com o selo autenticado de garantia de qualidade literária.



Valha-me a ideia de pensar que daqui a cem anos a língua portuguesa é ainda referida como sendo "a língua de Camões" e não a "língua de Saramago".


E adiante... aqui não se fala mais em Saramago.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

...and the winner is:

::imagem retirada daqui::




Nos dias que correm é complicado ouvir-se as lógicas da batata do nosso querido primeiro-qualquer-coisa-so they say"ministro", principalmente se se é dotado de alguma massa cinzenta, poder de raciocínio e se se lêem alguns jornais. Se é questionável ou não o seu diploma de engenheiro, sinceramente, I DON'T GIVE A SHIT!!! Mas que tenha ao menos a decência e distinta lata na cara de não vir a um microfone dizer que "temos menos professores, mais alunos, e o insucesso bem como o abandono escolar são os mesmos!" Isto é bom ONDE??? Que temos menos professores, é óbvio que sim (taxas de desemprego a aumentar no país em Setembro); temos mais criancinhas? Será que temos? Duvido, e duvido porque toda a gente tem muito menos filhos do que há vinte anos atrás e isto qualquer pessoa percebe (não é preciso ser-se doutor ou engenheiro) e será que é de aplaudir os níveis de iliteracia, analfabetismo, insucesso e abandono escolar? ISTO É BOM??, senhor engenheiro José Sócrates? Ao invés de distribuir processos disciplinares e perseguições ao melhor PIDE style a quem o interrogue, ainda que de forma humorística, responda às questões. Porque é que não fecham os cursos? Porque é que não abrem mais escolas básicas? É que essa fantástica receita que declama com orgulho de "menos professores, menos escolas, mais alunos e o mesmo insucesso"=(igual a)= grande bronca no ensino. Choque tecnológico? Era isto o choque tecnológico? Resultou, estou perfeitamente chocada.
Se complicado é ser-se engenheiro, ou pseudo-engenheiro, já não é assim tão fácil ser-se professor (basta comparar as médias de curso requeridas para o efeito), e muito menos governar-se um país. Não é para todos, de facto. Já ser-se ministra da educação é tarefa bem mais prazenteira: basta cumprir as ordens do master Sócrates e siga, ainda que para o efeito se tenha mais de 45000 docentes a odiar-nos e a desejar-nos morte lenta por atropelamento, asfixia, afogamento ou.... é preciso coragem, pessoal....
Ah sim, o prémio, já me esquecia... o vencedor do prémio "Vai Aonde Te Leva o Ministério da Educação" pode ser um honroso ex-aequo para as duas personagens supracitadas.
Quanto a mim? Não se preocupe, senhor primeiro Ministro... estou a pensar ir tirar um curso de Engenharia ali à Independente e investir numa carreira política... na Ilha da Madeira, para em coro aplaudir as vinganças prometidas do Albert John Garden para com os senhores do Terreiro do Paço...e viva o 11 de Setembro em Portugal!!!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

OK Computer: uma década depois




Houve seguramente uma banda que marcou toda uma facção do público que se distingue por se afirmar "alternativo". Foi talvez a banda que mudou mesmo a minha vida e que me ensinou a ver que nem sempre é mau ser-se um bocadinho diferente. Um paranoid android... um wirdo.
OK Computer simbolizou uma viragem, a coincidir com um grande ano na minha vida. A transição de David Bowie, Nirvana, Foo Fighters, Bush, Pearl Jam, The Smashing Pumpkins e Everclear para todos aqueles que vieram depois... Nick Cave, Muse, Cat Power, Bonnie Prince Billy, Wilco, The Strokes, etc... até aos dias de hoje.
Essa banda foram os Radiohead. O álbum foi este (para além do já anterior e não menos fantástico The Bends). Um dos melhores da década de 90. Um dos melhores de sempre, digo eu. Do meu top ten.
Um destes dias sinto-me mesmo velha a ouvir o meu tema preferido (clicar na imagem)... e até podia mesmo ser já amanhã...

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Clichés II

É comovente constatar a dificuldade que a grande maioria dos inquiridos tem para responder à pergunta «Qual é o seu pior defeito?». Não há um único que, de depois de perscrutar as profundezas mais negras da sua alma, consiga encontrar algo mais negro do que «teimosia». Alguns, ainda mais próximos da santidade, nem teimosos conseguem ser. Tenho reparado na emergência de uma nova escola de resposta a esta pergunta em que o inquirido só admite ser imperfeito por ser virtuoso em demasia. Já vi, serem apresentados, como piores defeitos, traços de carácter tais como «ser demasiado sincero», ou «confiar demais nas pessoas».

Ricardo Araújo Pereira, in Visão (02/08/2007), "Inquéritos de Verão: Um Estudo"




::imagem de dominic murphy::liar liar pants on fire::



Este artigo de RAP vem de acordo com uma teoria que venho a desenvolver desde há uns anos a esta parte, sempre que leio entrevistas e inquéritos desta natureza, seja Verão, seja Inverno. O máximo de respostas a dar à laia de teimosia pela teimosia é escabroso e levanta algumas questões. Não sabendo ao certo se por cliché ou por outras razões, invariavelmente o povo português é bastante teimoso... ou talvez se conheça mal... ou talvez se conheça demasiado bem, e tal como a porcaria que se esconde debaixo do tapete, mais vale dizer-se que se é teimoso, do que se dizer coisa pior. O pior de tudo é que a teimosia é de facto um dos defeitos mais irritantes que possa existir quando de facto, existe, e a tendência é que a sociedade tenda a descupabilizar um defeito destes, talvez por consciência que haja outros piores. Senão vejamos: não fica nada bem a uma personagem qualquer da nossa sociedade (seja lá quem for) dizer num inquérito "ah, eu sou um mentiroso compulsivo!", "sou um materialista avarento e invejoso, só penso em dinheiro", "sou ciumento e possessivo e não deixo a minha mulher usar mini-saia" ou "eu sou um hipócrita do caraças!" ou ainda "gosto de frequentar casas de putas e tenho fétiches manhosos com criancinhas"... Get the picture? O facto é que todos conhecemos bem os nossos piores defeitos mas ninguém quer ser o mau da fita. A saída fácil é ser-se teimoso, ou à bom português, vestir a pinta de coitadinho, incompreendido pelo mundo e falar das agruras e dos dissabores de se «ser sincero a mais». Normalmente, este último "tipo", das duas uma: ou convenceu-se mesmo que todos os seus problemas de relacionamento inter-pessoal são culpa de si mesmo e da sua bondade excessiva (tem a mania da perseguição e muito poucos amigos) ou é um pinóquio da melhor espécie, hipócrita até à quinta casa. Na gíria, os tais "sonsos" de algibeira. Eu acrescentaria ainda a estas duas tipologias referidas por RAP, uma outra que também começa a estar muito em voga: é o «ter-se mau feitio». De repente, toda a minha gente neste país começou a ter muito mau feitio, como que em jeito de aviso: «vejam lá, não se metam comigo que eu cá tenho muito mau feitio!!!» Eu diria que quem inventou esta última foi o major Valentim Loureiro. Digo eu... não sei... lembra-me um pouco aquela gritaria pegada a querer assustar meio-mundo ao microfone, quando o nível de decibéis não é mais que o medo voltado para dentro de si mesmo, como que a querer convencer-se de algo que no fundo não é. Ora toda a gente sabe (pelo menos quem sofre desse mal) que o verdadeiro mau feitio é quase como uma bola-gigante de neve a escorregar montanha abaixo, em crescendo. Uma vez despoletado, não se consegue parar e leva tudo à frente. Pessoas que dizem a plenos pulmões que são teimosas nem o preço da bica de 1987 conseguem discutir; pessoas que se dizem sinceras a mais, têm uma auréola e umas asinhas que até mete dó, enquanto fazem a cantiga do bandido; pessoas que se proclamam detentoras de "muito mau feitio", parecem uns cachorrinhos quando lhes fazemos "bu!" ...

No fundo ninguém diz aquilo que é, nem é aquilo que diz.


Só não tomo uma atitude violenta porque tenho este maldito defeito de ser demasiado espectacularmente educado, sensato e bonito. Enfim: a cada um, a sua cruz.



What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

Expresso

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Visão

Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...