::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


segunda-feira, 26 de maio de 2008

Californication

Isto, não foi, em momento algum, um amor à primeira vista. Confesso que não. Após o primeiro episódio, uma certa náusea terrivelmente estonteante abraçou o meu sentido crítico e pensei "lá vem mais uma série tipo Nip Tuck", uma espécie de O Sexo e a Cidade, mas desta vez, no lugar da minha emblemática NY, colocaram LA, que é a cidade que sempre atribuo a um certo anti-herói de seu nome Lebowski. Mas isso são outras histórias. E um facto que quase mulher nenhuma gosta de admitir: aquela certa impressãozinha em tons de verde após o visionamento de tanto par de mamas e gajas boas num mesmo episódio. Pensei "o Nuno deve estar a brincar comigo, só pode. Este gajo envia-me uma série perfeitamente masturbatória e ainda por cima é só GAJAS?!?" Maus fígados instantâneos. O gajo ao lado só dizia "sim sim amor, tens razão, estas gajas com as mamas de fora enjoam-me, são umas porcas".... Vocês, homens, e esse hábito de nos protegerem de nós mesmas com toda a hipocrisia do mundo nas palavras que imaginam que a nossa melhor amiga nos diria em semelhante situação, quando apenas nos vai uma coisa na cabeça "porque raio não tenho eu um cu daqueles?"





Hesitei entre colocar isto no Beautiful Losers ou aqui, em espaço aberto, porque pode sempre ferir as susceptibilidades de quem ande por aí a vasculhar em motores de busca, coisas designadas por palavras como Amor, Felicidade, Ambição, Sonhos e Perfeição e encontre algo tão cáustico como mamas, sexo e fornicação. No fundo, é um pouco de tudo isto que tratam estes doze episódios. Não gostei dos dois primeiros episódios, pareceu-me algo inconsistente e até inverosímil, não só pela questão do preconceito confessado, mas por uma certa incongruência da própria personagem. Depois, aconteceu aquilo que penso que deva acontecer com a maioria das mulheres que conhecem aquele homem, menino perdido, escritor com bloqueio, apaixonado pela ex-mulher mas completamente fodido daquela cabeça. Sim, eu escrevi completamente fodido. Perdido. Com a sensação de vertigem debaixo dos pés e sonhos toldados pela perda da mulher que sempre estivera lá e deixou de estar.

Somos todos um pouco assim. Somos todos peças de uma grande peça, manobradas por uma força universal superior que parece dizer-nos a todas as horas para darmos os passos errados na nossa vida. O "fazer merda", a prática errante e criticizante contra a correcta e saudável teoria. A perda de oportunidades de se ser feliz. O querer recuperar de uma certa beleza a todas as horas. O inferno não debaixo de chuva, como sempre é suposto (a estética do sofrimento, deus meu!) mas debaixo de sol ardente. Um carro fantástico todo riscado, de farol partido. O humor sarcástico que sai sempre sem ser pedido. O portátil partido contra a parede. O fazer o que lhe apetece. O fumar e beber a todas as horas, a falta de práticas de vida "saudáveis". Os finais infelizes. Muito infelizes. Miseráveis. A esperança de alguma forma, no meio da sarjeta.






E a miúda da série, a filha Becca é a cara da minha grande amiga Sara (muitos risos).

* a cena que me conquistou definitivamente foi a cena de sexo entre o Hank e a amiga quarentona, em que ele parte e vomita a tela do querido Bill (e todos entram no quarto)... hi-la-ri-an-te.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Há blogs que me exasperam por diversos motivos. Aqueles blogs a armar ao pingarelho cheio de palavras muito bonitas que foram retirar de livros e discos que têm lá por casa. Plágios. Assim é fácil ter um Blog. Como se de repente não fôssemos nós todos pessoas crescidas com mais livros e discos em casa. Genuínos, são poucos. Eu posso não escrever nada, nadinha de jeito, mas não faço cópias e assino por baixo o meu nome. Acho indecente. Enfim. Isto sou só eu e os meus maus fígados. Ando a perder a paciência para esta merda toda, hoje é um daqueles dias... exasperantes. Não se lê quase nada de novo. Não há nada de novo, os academismos efernizantes e a puta-que-pariu-o-Ingmar-Bergman-e-artistas-de-década-de-trinta cujos seguidores são os pseudos forinhas (ai que nojo que eu lhes tenho) fizeram com que tudo isto comece a atrofiar. A secar. Os donos da razão intelectualizante. Só apetece beber aguardente por uma palhinha. Mas siga. Siga siga....

Existem os outros. Aqueles que vale a pena ler. Reter. Na alma, no coração. Aqueles que nos prendem com as palavras, com as imagens. Existem os subentendidos que aprendemos a seguir pois deixámo-nos de ler para começar uma amizade ou simplesmente deixá-la a marinar em palavras. Em imagens. O que eu gosto de ler as entrelinhas da minha querida Sofia, aquele sarcasmo inspirado como só ela... as palavras infinitas e a racionalização dos conceitos em espiral do meu querido Nuno... ou a doçura da minha Ana... a dor sentida e por vezes mascarada de alegria e de tudo o que sei que é a alma da minha querida Sara... e sempre o meu amado Paulo que tem as fotografias mais puras e lindas de toda a blogosfera... sei lá. São poucos. Isto não é uma homenagem nem nada do género mas são estes poucos que me fazem voltar sempre a este Blogger. A este espaço. E todos aqueles que leio e não comento. Como este.

Sem palavras.










Lembro-me de naquele tempo não haver sequer vento, de não se agitar uma árvore lá fora e de haver um terraço apenas com roupa estendida e o cheiro do sabão espalhado nos tecidos. Lembro-me apenas de coisas mínimas. Do cheiro das laranjas que apodreciam no chão irisadas na luz que se entornava então sobre a terra. Lembro-me de naquele tempo sentir que cada palavra era uma distância. De sentir as coisas espalhadas no chão do meu quarto e de sofrer por só lentamente me poder aperceber de que tudo estava radicalmente só e dividido. Lembro-me, aliás, de naquele tempo ter dividido pela primeira vez as coisas do mundo: o chão e os frutos, as árvores e o céu, as ondas e o mar. Lembro-me de ter visto pela primeira vez o mundo representado nas asas de uma borboleta: cada asa é uma pessoa, murmurei, e cada borboleta é o pequeno prodígio de haver um mundo. Pensei que as asas de cada borboleta poderiam ser duas pessoas que ora se encontravam ora se perdiam para uma distância que na tensão da presença jamais poderia ser infinita. Pensei que o equílibrio de haver borboletas era justamente este ofício do encontro: no meio da borboleta estava o labirinto de haver um possível, de haver um animal sozinho na viagem das pessoas que o construíam para a sua morte. Não havia vento naquele tempo: as borboletas repousavam sem perturbações nos círculos de água da minha face. Lembro: cada asa tem o seu duplo como cada lábio tem o seu par, disse. Pela areia do sono descia ao fundo do meu coração e lembro-me, recordo-me muito bem de no interior do meu quarto ter construído uma margem de silêncio onde mais tarde entrancei o teu cabelo e casei o movimento dos teus pés descalços na areia das praias. De tudo isto fiz borboletas. Das ondas e do mar, do teu cabelo, dos teus olhos nos meus. Do teu corpo em ti própria. Cada borboleta regressa a si mesma como uma flor ao nascer da luz: fixando o sol, das asas nasce o animal e do animal nascem as casas, as palavras e o amor. Depois a borboleta faz uma escada para trás, para o seu deserto, para o fim do poema, para o fim de todos os poemas. Eu apago os passos: cada borboleta apaga então o que deixou pela areia: uma escama de luz, um pedaço de asa. E se chegou ao céu por voar, regressará a casa porque consegue pisar por amor o coração sem asas nem animal que lhe resta. Naquele tempo era tudo como me lembro hoje: a casa lá fora estava deitada sobre a luz, cá dentro não se agitavam as árvores e as palavras beijavam-se entre o silêncio. As coisas continuavam espalhadas pelo chão do meu quarto. E eu? Recomeçava, eu.


in http://a-manh-ser.blogspot.com/

quarta-feira, 21 de maio de 2008

my blueberry nights













Há em Elizabeh um sonambulismo, uma atitude de quem observa a vida mais do que participa nela. Por isso, apesar de percorrer a América, são mais os outros que passam por ela. E os outros são personagens americanas - Arnie (David Strathairn), destruído pelo desgosto depois da mulher o ter deixado; Sue Lynne (Rachel Weisz), a mulher que o deixou, fatal (como era fatal a mulher de cabeleira loura de "Chungking Express"), a entrar no bar onde Elizabeth trabalha, para uma última, derradeira, discussão com Arnie, o polícia (como eram polícias duas das personagens de "Chungking..."); Leslie (Natalie Portman), viciada em poker, a viver no risco (como a tal mulher de cabeleira loura vivia no risco). Wong Kar-wai, portanto, mas na América. E na América o realizador de Hong Kong sai dos espaços fechados, dos corredores, galerias, labirintos de casas, lojas, restaurantes, calor, corpos que se cruzam, que se empurram, que esbarram, que passam como traços de luz, que se fecham em quartos minúsculos, e lança-se nos grandes espaços abertos, estradas, paisagens imensas - para, assim que pode, refugiar-se novamente no interior de um bar e na angústia de alguém que não consegue mover-se ou que não consegue parar. Está lá, como em todos os seus filmes, o tempo que passa, para Elizabeth - como um prazo que tem que expirar, como as latas de ananás em conserva que o polícia come em "Chungking Express" - e o tempo parado, para Jeremy (Jude Law), que espera pelo regresso dela, enquanto revê a velha cassete de uma câmara de vigilância. Está lá o momento perdido, as pessoas certas no momento errado, o que podia ter sido, o que fica adiado...


Excerto da crítica de Alexandra Prado Coelho, no "Público", "roubado" no Intruso.


sexta-feira, 16 de maio de 2008

Pensamento do(s) Dia(s)... e esqueletos do ofício



"Senhor, dai-me sabedoria para entender alguns colegas, porque se me dais força, parto-lhes a cara!"




What can I possibly say?...
Há dias assim. Semanas. Interminavelmente aborrecidas e extenuantemente gritantes. O Inferno são mesmo os outros. Colegas de trabalho, neste caso. As noites e finais de tarde a compensar as manhãs. E algumas tardes também absolutamente execráveis (esta palavra lembra-me um colega que me disse certa vez:

"Ana, fui ver ao dicionário aquele termo que usaste no outro dia."
"Qual?" perguntei
"Execráveis"
Silêncio
"És mesmo má..."
"Porquê?..."



Os subentendidos que os entenda quem conseguir lá chegar.
Há profissões tramadas, sobretudo aquelas que têm a componente humana e relacional como sendo parte do seu quotidiano, a todas as horas. Seria incapaz de ter um daqueles trabalhos de gabinete, é certo, mas não coloco de parte acabar assim os meus últimos vinte anos de carreira. Seja ela qual for. Admito que, e isto, sem ponta de regozijo pessoal, a minha profissão é assaz esgotante e desgastante no que concerne a troca de pontos de vista, em que todos julgam ser os máximos conhecedores relativamente a qualquer assunto. Seja uma teoria académica, seja a vida da vizinha do lado. Ou da colega do lado.
Existem os baldas, existem os teimosos, existem os presunçosos, existem os "velhos", máximos doutos e existem os novos, maçaricos armados em campeões. Existem os chatos, aborrecidos, teóricos e líricos, existem os idealistas utópicos e existem os desinteressados. Existem os que não abrem a boca pra nada e existem os que abrem a boca pra tudo. Existem os que se borram de medo das chefias e existem aqueles que, tendo uma posição hierarquicamente mais elevada que o resto dos grupos e demais colegas, assumem cristas de galos empoleirados. Os que têm a mania e os que não têm espírito.
E depois há o pior: as reuniões, que são aqueles momentos lindos em que toda esta gente se reúne a debater coisas como o próprio nome das coisas. Uma hora a falar do mesmo. Uma outra meia hora a divagar sobre meia dúzia de coisas que só interessam ao próprio e outra arrastada meia hora a falar de algo que vai ser alterado, porque as alterações são constantes e ainda nos vêm com as tretas da estabilidade e qualidade etc etc etc num enorme e redondo etecetera a perfazer duas horas de quase nada, que é afinal o que nós temos em excesso nos nossos locais de trabalho: conversa da treta que não resolve nada. Papéis, muitos papéis, quase tantos como os cargos. Burocracia feita pelos amantes do atraso e arrastamento do processo...
Em resumo e porque não há muito mais que falar sobre o assunto, as pessoas cansam. Todos incluídos. Muitas palavras desnecessárias, muitos gestos a denotar que somos muitos ao mesmo. Intromissões e conflitos de personalidade. Falhas no equilíbrio natural da evolução dos relacionamentos. Alguns safam-se, mas a grande maioria começa a desconhecer cada vez mais o significado da palavra "parceria" ou "companheirismo". Em conclusão, posso bem considerar-me uma pessoa de sorte; deixo sempre o meu grandessíssimo mau feitio à porta da instituição de trabalho e tenho encontrado boas pessoas no meu percurso, mas dá sempre uma enorme vontade de rir todas as diferenças gritantes que nos separam logo à partida e são nítidas nas interjeições verbais das pessoas.
O que interessa? É que estamos já à beira do fim-de-semana.
(BIG BIG smile)
*dedico este post à minha colega Mila de quem tenho tantas e boas saudades, como pessoa e como colega.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

the darjeeling limited












Francis: [Francis and Peter are beating each other up] You don't love me!
Peter: Yes I do!
Jack: I love you too, but I'm gonna mace you in the face!











Jack: I wonder if the three of us would've been friends in real life. Not as brothers, but as people.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Metrossexualidade vs Futilidade


"Um grupo de cientistas do Uganda descobriu uma bactéria que pode estar na causa na metrossexualidade. Segundo o cientista responsável pela investigação, a bactéria em questão é encontrada em larga escala nos ginásios e health clubes, devido à grande quantidade de suor que normalmente se encontra nestes espaços.

Foram feitos vários estudos a metrossexuais e em diversos ambientes que lhes são familiares, nomeadamente em ginásios, solários, cabeleireiros e lojas de moda.

Chika Kan, responsável adjunto pela pesquisa, afirma: “Os resultados do estudo são claros: qualquer homem, dito “normal”, pode ir sem medos ao solário ou à pedicura que não existe o mínimo risco de se vir a tornar um metrossexual, no entanto, esse mesmo homem “normal” ao deslocar-se uma vez que seja a um ginásio, e por muito macho que seja, pode vir a contrair esta perturbação através da bactéria em estudo. Sabemos de homens que, depois de visitarem um ginásio, cancelaram todo o dia de trabalho e fizeram depilações completas ao corpo. Outros fizeram manicura e pedicura, chegando mesmo a pintar as unhas dos pés com preto glossy.

Este avanço da ciência pode vir brevemente a ter resultados concretos para a cura desta perturbação que afecta cada vez mais homens."







Posto isto, afinal o que é a metrossexualidade? Algo que se transmite como doença contagiosa? Quem a inventou?

Eu defendo que quem inventou a metrossexualidade foi um homem gay de extremo bom gosto*. Os motivos podem ser variados, na realidade, e o primeiro poderá sempre ser o de "virar" o macho, de modo a que a trupe gay aumente. É legítimo que o façam, muito embora não acredite que seja por aí. A verdade é que a grande maioria de homens ligados à moda é gay e depois de décadas a fazer as mulheres a sentir-se mais bonitas, talvez tenha chegado a vez dos homens. Mas vejamos: os tempos mudaram e os cremes de beleza, cosmética e perfumes bem como toda a indústria da moda começou a ver no homem, um potencial consumidor, atento e vaidoso, com elevado poder de compra. É uma natural verificação da evolução e mudança dos tempos.

Mulher que se preze e que goste de andar arranjada, bem vestida, maquilhada e penteada não quer certamente que o seu par ande de qualquer maneira ao seu lado na rua (ou dentro de casa). Longe vão os tempos em que o homem só tinha de fazer a barba e tomar o seu duche com gel de banho. Tudo mudou, quase de uma geração para outra, abruptamente. Hoje em dia um homem usa um hidratante, um creme de contorno de olhos, perfumes diversos e gosta de escolher o que veste, de acordo com um estilo próprio que deve cultivar. Obviamente chegamos também a um extremo (porque existem excessos em tudo) de homens que usam vernizes, e maquilhagem que era apenas destinada a mulheres, é agora também utensílio masculino na arte de bem parecer. Marcas como a Chanel e Jean Paul Gaultier têm maquilhagem específica para homem.


Será um homem menos homem ou menos heterossexual por usar verniz preto? Gostará menos da sua parceira por gostar mais do espelho?


A questão é que todos nós temos um estilo (muitos não têm estilo nenhum, ok, mas a grande maioria tem um estilo definido) e todos nós temos uma relação próxima de amor-ódio com o espelho que, à partida, deveria ser preservada e muito daquilo que é reflectido nesse espelho, não é somente a beleza que a Natureza nos deu, mas fruto de tudo aquilo que fazemos para cuidar da nossa aparência e dos cuidados que temos connosco próprios. A saúde passa por determinados comportamentos, e isso reflecte-se na beleza que exteriorizamos ao mundo. Portanto, não acho nem considero fútil alguém, homem ou mulher, cuidar de si. Cremes, maquilhagem, perfumes, roupas giras, acessórios, etc, e uma panóplia de cuidados alimentares e exercício não fazem mal a ninguém. Muito pelo contrário. Fútil é alguém dar uma imagem daquilo que não é. Ou uma colagem apenas porque é moda. Um gajo gordo de t-shirt rosa justa com verniz preto nas unhas dos pés em sandálias brancas e cabelo em pé é uma visão do Inferno. E de metrossexual nada tem. Existem preconceitos errados, a meu ver, relativamente ao conceito de metrossexualidade, e esse é um deles. Porque nem sempre o que é fashion fica bem a toda a gente. E nem todo o homem que gosta de usar um creme é "paneleiro". Muito gajo armado em macho, com medo dos estereotipos espera que a mulher saia de casa para usar certas coisas. E nada tem a ver com homossexualidade. Tem a ver com curiosidade e coragem de dar um passo em frente na hora de saber e querer agradar. Sem medo do que os outros possam dizer.


Metrossexual não tem de ser sinómo de pindérico e o que mais tenho visto por aí são gajos pindéricos armados em metrossexuais. Obviamente nem toda a gente tem um corpo e uma cara como os do Beckham, mas por isso há que saber encontrar um estilo e saber preservá-lo. Com sensibilidade e bom senso. Eu, como mulher heterossexual que sou, agradeço.


Já agora, que nome aplicar a mulheres que não gostam de se arranjar ou maquilhar, colocar perfume, usar acessórios, ou fazer tudo aquilo que um metrossexual faz e afinal de contas é suposto uma mulher gostar?...



*também há gays de extremo mau gosto.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

pessoal do algarve = pessoal fodido






Esta pode ser uma expressão afirmativa com os seus quês e quejandos interrogativos, uma interjeição algo dúbia que nos coloca a seguinte questão: afinal o que é isso de se ser fodido? Sem sombra de dúvida, é um dos comentários mais curtos e mais certeiros que recebi nos últimos tempos, que me colocou um sorriso nos lábios, em grande parte por ser uma algarvia muito isolada e por isso habituada a não ter conterrâneos por perto na hora de "defender a sua terra". Por outro lado, por lembrar velhas e recentes discussões acerca desta temática. O bairrismo. Ou como quem diz "o meu pai é maior que o teu". A meu ver, são estúpidas e desnecessárias, mas isso sou eu que de bairrista pouco tenho.


O contexto do dito comentário: deixar certas coisas para trás, o amor ou o que nos prometeram ou o que nos fizeram crer ou o que nos roubaram sem pedir licença, sem retaliar pode deixar aquela sensação de que ficou muito por dizer, mas a dada altura pensa-se que foi melhor assim, não fica a névoa do que seria esperado. a isso podes sempre chamar a capacidade de contornar a situação. lembra-te da frase sobre a carne e os ossos. que os comam e que os roam. isso já não te dirá respeito.


A propósito de uma carta sobre o costumeiro assunto do mal de amor ou dor de corno. Mas poderia ser a respeito de muitas outras coisas que isto de se ser “pessoal ou malta do Algarve” tem mais que se lhe diga. Não somos como os outros, dado que os outros não serão todos iguais, mas de entre uns e outros, distinguem-se os “do Norte” e os alentejanos. Os primeiros, têm a mania que são melhores que todos os outros (principalmente em relação aos de Lisboa, alfacinhas na gíria) e os alentejanos são aqueles que estão habituados a ser vistos como os mandriões cá do sítio.

Sinceramente, um algarvio, a sê-lo convictamente, acredita que não tem de se chatear a defender a sua terra, porque está provado por inúmeras razões que esta, é uma das regiões mais belas do mundo. O Algarve é uma região de inúmeras tradições, lendas, onde se come e bebe bem, para além de ter um clima privilegiado pela condição geográfica junto ao mar Mediterrâneo, onde sofre os ventos vindos do Norte de África. Não é só praia, mas não serve o post para descrever as maravilhas do Algarve. A grande questão que se coloca é se afinal, nós, nesse colectivo sempre tão subjectivo, seremos assim tão fodidos?


Penso que quanto a males de amor, assimilamos tão bem ou melhor que os outros as vicissitudes do sofrimento romântico, até porque há sempre muito que fazer: ir à apanha do tomate ou da laranja, do figo ou da alfarroba, da amêndoa ou simplesmente dedicar-se à pesca. Se curar a dor de corno não passa por trabalhar arduamente nestas culturas, pode-se sempre apanhar uma bebedeira de aguardente de figo ou de medronho (amêndoa amarga é pra malta fraquinha que é do Norte e pensa que cá em baixo só fazemos amarguinha), ou simplesmente deleitar-se numa praia daquelas que só nós, algarvios, conhecemos os atalhos, e apanhar sol até torrar a dor e o sofrimento. Isto, quando se quer esquecer e passar à frente, que há mais marés que marinheiros.





Se se resolver dar asas a pensamentos tenebrosos com requintes de malvadez, é escolher uma paisagem ali para os lados da serra de Monchique e ficar a bater mal durante uns tempos, ao som de Micah P. Wilson ;) e aí sim, talvez um ou outro algarvio possa então ter razões que o levem a afirmar que o pessoal do algarve é pessoal fodido. É que depois disso, é um caminho sem retorno e, muitas vezes, um algarvio quando resolve desaparecer da vida de alguém, é para sempre.



P.S.: este post é dedicado ao mê amigo Jorge que é ali dos lados da terra do bom medronho, e ao mê amigo da merda que acha que a batata doce é dos melhores produtos que o Algarve vê crescer ali para os lados de Aljezur.

sábado, 3 de maio de 2008

sexta-feira, 2 de maio de 2008

As coisas mais simples da vida





Às vezes tudo se pode resumir a isto: falar ou escrever com o propósito de exorcizar o veneno que vive cá dentro. Eu pratico esse exercício e por vezes não chega. Eu que o diga. Inventei um Blog há uns anos por intermédio de um bom amigo com a intenção de trocar ideias sobre as mais diversas temáticas. Individualistas como somos, aquilo acabou por não ir a lado algum. Simples. Depois inventei um Blog só meu, e à semelhança de um brinquedo novo, aquilo era sentido como sendo mesmo meu. E exorcizei dores do passado. Fez-me bem. Simples.


O tempo avançou até ao dia de hoje, e as coisas simples da minha vida tomaram forma a poderem coexistir umas com as outras. As mudanças ditas naturais da vida tornaram-se parte integrante de uma evolução que tomou relevo numa existência já de si complicada, que é a minha, e que no fundo acabo por nunca abrir nem em Blogs nem em muitos sítios. E todas elas foram bem-vindas. Como essas, algumas pessoas que entraram com mérito de passadeira vermelha e por lá se mantêm até hoje. Simples. Acontecimentos e factos trazem pessoas. Mudanças. Trocas e baldrocas e feitas as contas, depois de mudar muita e tanta coisa, o que é essencial mantém-se. O constatar que, por mais anos que passem por mim, alguns defeitos são irreversivelmente os mesmos. Outros, desaparecem e dou por mim a pensar que estou a amolecer. Já não ligo a muita merda, mas ligo a muita outra. Não gosto que se metam na minha vida, porque a não ser que me peçam, eu não me meto na vidinha de ninguém. E quando não gosto, não gosto mesmo. E quando gosto, é até morrer. Salve-se a capacidade de perdoar quem amo. Quem mais amo. Quem sempre amei e quem prometo todas as honras dentro da minha casa. Continuarei a não ser de meios termos, característica essa que tenho vindo a perder nos últimos meses, e da pior forma, com a mania de "tentar ser mais tolerante". Definitivamente, não há paciência para aquela colega com aquele sotaque irritante com um cu de meio metro aos berros pelos corredores. Nem há paciência para todas as brincadeiras de profundo mau gosto, muito menos provindas de inveja mal digerida de meia dúzia de coisas na nossa vida. Nem tem de haver. E por isso, o mal que se torna generalizado na maioria dos casos com que tomo contacto e vejo na vida de amigos próximos, instiga-nos a que nos "vamos abaixo". E vamos todos ao fundo de quando em vez. E acabamos sempre por nos levantarmos.


Há pessoas que precisam desesperadamente de uma palavra, que lhes digamos que estamos lá para elas, no matter what. Há outras que, ao invés de silêncio e/ou desprezo ou que façamos simplesmente de conta que não as vemos e não as ouvimos, precisam de uma abordagem e sacudidela das grandes patente numa frase do género "vai morrer longe" ou um belo testamento escrito a provar por A + B que não andam por cá a fazer nada, e que podem sempre contribuir para a estatística das taxas de suicídio que têm e devem ser actualizadas.
E tudo isto é simples. Basta que o queiramos. Basta que estejamos atentos. O melhor de tudo é soltar umas boas gargalhadas nos piores momentos e há-de haver sempre alguém por perto para se rir connosco. Todos temos bons e maus sentimentos dentro de nós, sem excepção. Resta saber com quem fazer o quê.
O tema torna-se recorrente e vejo-o retratado em diversas formas pelos poucos Blogs que leio ultimamente. Chego à conclusão de que andamos todos um bocadinho fartos do estado de algumas coisas, o sentimento português de que algo poderia sempre estar melhor prevalece em detrimento da fé e da esperança de que tudo pode correr melhor. Em certos casos, trancas à porta e sem hipótese de fuga ou redenção. Noutros, os mais preciosos, é guardá-los como tesouros bem junto ao coração e saber construir para quem nos vai saber retribuir. Nem que seja com um sorriso.


Ontem disse e sinto-o em todas as palavras a alguém, que estou a ficar farta de pessoas. Da grande maioria. Não de todas. Algumas pessoas conseguem fazer com que nunca nos cansemos delas e alternar a paz de espírito com que nos presenteiam com o desafio constante de nos trazer coisas novas à nossa vida, é abraçar um raio de luz e viajar dentro de mundos vastíssimos que no fundo, traduzem as coisas mais simples da vida.


* dedico este post ao NAJ (grande imagem!) que tem sido um grande amigo nestes últimos dez anos, nas condições mais adversas a que uma amizade pode estar sujeita; à Sara, amiga de todas as horas e de sempre, e ao meu maior e melhor amigo, companheiro e confidente, travesseiro a quem conto os mais negros pensamentos, os mais satânicos, com quem choro e sobretudo, rio e sou muito feliz, o Paulo. O meu obrigada por existirem e darem um pouco mais de sentido à minha vida.

What can I possibly say?...

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