::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


segunda-feira, 14 de abril de 2008

April is the cruelest month II










Dois grandes autores, dois grandes músicos, homens do seu tempo ou talvez um pouco à frente do mesmo. Música da minha adolescência, e do início da fase da idade adulta jovem (seja lá o que isto quer dizer para cada um de nós). O tempo passa veloz e deixa-nos obras como feridas na alma, de pessoas que partiram demasiado cedo. Lithium ou Smells Like Teen Spirit ou La Decadanse ou Bonnie and Clyde... qualquer uma serve para ressuscitar velhos amigos que tenho em certos fantasmas. Suicídio ou nascimento, tudo faz parte dessa terrível dicotomia que se veste de Vida e Morte e toda ela acontece em Abril. Como não podia deixar de ser.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

April is the cruelest month





Em jeito de despedida. Ou de balanço. Ou que é como quem diz "Estamos fechados" "We're closed". Porque há pedaços de nós que se prendem mais depressa numa porta de comboio mal fechada do que na memória dos outros. Isto já teve melhores dias, de facto. Salve-se Abril. Salve-se a poesia e os dias mundiais de coisíssima nenhuma.

Por lá, está aberto apenas a muito poucos. Desculpem. Estas palavras e esta pérola dos Wilco (velhinha velhinha, mas muito boa) são para vocês, os que tiveram de ficar de fora. Como dizia o "outro"... "aos que lá ficaram!"


Sejam felizes. Até sempre.

Ainda da Arte ou da importância de se Ler as Entrelinhas

Matérias Especiais - Antes De Assinar, Leia As Entrelinhas - O Caso Natividad
por: Carlos Almiron


"Circula pela Internet uma petição contra um artista costarriquenho chamado Guillermo Varga Jiménez (mais conhecido pelo pseudônimo “Habacuc”). Dentre outras reivindicações, a petição pede a exclusão do artista da Bienal Centro-americana que acontecerá no ano que vem em Honduras.





Antes de assinar a petição, resolvi investigar o caso e o resultado é no mínimo interessante.
Em agosto deste ano, a Galeria Códice (localizada em Manágua, capital da Nicarágua) abrigou a instalação “Exposición nº 1” na qual um cão de rua foi exposto. No início de outubro começou a circular a notícia de que o cão havia morrido de fome e sede nesta exposição, fato que se espalhou rapidamente e causou grande repercussão entre os defensores dos animais.
Porém, informações desencontradas põem em dúvida a veracidade e credibilidade dos fatos. Pra isso a Internet é uma ferramenta indispensável para averiguar melhor esse caso.
As imprensas da Nicarágua e da Costa Rica tomaram conhecimento do fato a partir da “denúncia” feita e difundida através de blogs, porém trataram o caso superficialmente. Os principais e mais citados blogs são de Jaime Sancho que reúne todo material até agora divulgado sobre o caso e o blog de Rodrigo Peñalba única fonte que registrou e divulgou as fotos da exposição em questão. Aqui no Brasil a Folha de São Paulo publicou o fato na coluna “Pensata” de João Pereira Coutinho. É possível encontrar outras fontes, mas boa parte apenas traduz ou reproduz as fontes já citadas.
O primeiro apontamento que faço é sobre essas mesmas fontes. É no mínimo constrangedor imaginar que os principais jornais envolvidos nem sequer cobriram a exposição e ainda por cima publicaram opiniões sem nem ao menos saber se o que aconteceu era verdade ou não.
Fonte impar no caso, a jornalista Marta Leonor Gonzalez, editora do caderno cultural “La Prensa Literária” é a única que confirmou a morte do cão. Mas o estranho é que no seu próprio suplemento não há menção alguma da exposição e pra piorar “ela própria não esteve na exposição” como me confirmou Rodrigo Peñalba. Ao blog dele é atribuído o registro fotográfico da exposição. Rodrigo Peñalba, 26, é escritor, artista visual, web editor e neto do renomado artista nicaragüense Rodrigo Peñalba (1908-1980). Outro fato curioso: nem o próprio Peñalba viu o cãozinho Natividad. As fotos no seu blog foram enviadas pela artista Delia Chévez.
Cabe ressaltar aqui o trabalho que Peñalba desempenha na divulgação cultural da América Central. Seu blog tem recebido inúmeras visitas por causa dessa polêmica. “É o mês mais visitado do site e é uma visita que não retornará” lamenta Peñalba. É a real, quem vê as fotos repassa o link e nem sequer se dá ao trabalho de conferir o restante do conteúdo. Curioso em ver as fotos? Para descongestionar e evitar excesso de tráfego, um novo blog foi criado www.elperritovive.blogspot.com.

CASO NATIVIDAD







Antes de ser nome do vira-lata mais falado do momento, Leopoldo Natividad Canda Mairena era um nicaragüense de 25 anos que vivia ilegalmente há 9 anos na Costa Rica. Nati, como era conhecido nos diques de Cartago, saiu da casa dos pais do bairro Modesto Ramón Palma, em Chichigalpa, municipio do Departamento de Chinandega na Nicaraguá para buscar uma vida melhor nas ruas do pais vizinho. Terminou seus dias como mendigo e morando debaixo de uma ponte.
Na madrugada do dia 10 de novembro de 2005, Natividad acompanhado de um amigo saltou o muro da oficina mecânica “Romero” de propriedade de Fernando Zúñiga (localizada em Cartago, Costa Rica) e foi surpreendido e atacado por dois cães de guarda rottweiler. Seu amigo (cujo nome não foi divulgado pela investigação) conseguiu escapar do ataque e colaborou na reconstituição da tragédia. Natividad levou certa de 200 mordidas e teve múltiplas perdas de pele, músculos, tendões, artérias, veias e nervos dos braços e pernas. Conseguiu ser levado ainda com vida para o Hospital Max Peralta, onde passou por cirurgia e transfusão de sangue, ingressando na UTI. Porém horas depois, uma parada cardio-respiratória o levaria a óbito. Mórbida coincidência: “Hunter” era o nome de um dos cães de guarda.
A morte da Natividad trouxe a tona acusações de xenofobia, negligência, omissão de socorro, descumprimento do dever policial e tornou ainda mais tensas as relações diplomáticas entre os dois paises (existe uma disputa na corte Internacional de Haya pelo direito de navegação pelo rio San Juan).
Segundo a investigação feita pelo Organismo de Investigação Judicial, que cuidou do caso, dois agentes da Força Pública tiveram oportunidades de salvar Natividad ao disparar contra os cães de guarda e não o fizeram por oposição do dono da oficina. Os gritos de socorro durante o ataque, que durou aproximadamente 54 minutos, também foram ouvidos e presenciados pelo vigia noturno da oficina, pelos bombeiros e pela cruz vermelha.
Passado o calor do momento, após exaustivas investigações e acuações mútuas, surge a denúncia de que a empresa norte-Americana Bandeco ofereceu uma indenização à família de Natividad para esquecer e dar o caso por encerrado.
O inquérito permanece aberto e é provável que os indiciados fiquem impunes.

A HOMENAGEM DE HABACUC






A idéia de Habacuc não era só homenagear Natividad, mas trazer para uma exposição artística um elemento urbano, cotidiano. Causou grande repercussão por se tratar de um vira-lata doente, exposto num ambiente em que se espera encontrar obras de arte. É claro que não foi considerado arte por muitos que assinaram a petição. Crueldade ou manifesto político?
Alguns elementos da instalação remetiam diretamente ao caso Natividad: na entrada lia-se a frase “es o que lês” escrita com ração e culminava com a exposição do cão sarnento. Significados? A frase nada mais é do que isso mesmo: Natividad foi comida pra cachorro e o cão representava o próprio Natividad, que neste momento servia como objeto para revelar a hipocrisia humana: enquanto está na rua, o cão passa despercebido, não sensibiliza ninguém, mas quando está numa galeria de arte ganha o foco das atenções. Talvez isso explicasse as enigmáticas declarações do artista, que se negava a responder se o cão havia sido alimentado, se havia morrido e porque não permitia que o público libertasse o animal. Talvez sua crítica fosse de que assim igualmente ocorreu com Natividad, que nunca fora notado nas ruas e que no momento da sua morte poderia ter sido salvo, mas que ninguém fez nada pra isso, permaneceram como meros expectadores.

DECLARAÇÕES






Mediante a pressão pública e a crescente adesão à petição a Galeria Códice, membros do jurado Bienarte 2007 e o Museu de Arte e Desenho Contemporâneo da Costa Rica (sede da Bienarte 2007 que classificou Habacuc para a Bienal Honduras 2008) divulgaram notas sobre a polêmica.
Coube à Galeria Códice confirmar o período da estadia do cão em suas instalações (3 dias) sendo que ele era alimentado regularmente pela ração que o próprio Habacuc levara.
Inesperadamente, o cão teria fugido da Galeria durante a limpeza do pátio interior, local onde o cão ficava solto enquanto não participava da exposição. É a palavra da Galeria contra a jornalista Marta Leonor.
Já os membros do jurado da Bienarte 2007 acrescentaram esclarecendo que as obras apresentadas por Habacuc eram inéditas e sem relação alguma com a “Exposicion Nº1”. Ainda na nota, rechaçaram a "campanha midiática que se orquestrou pretendendo desqualificar e amedrontar, manipulando a informação e promovendo interesses obscuros, de caráter fascista, incluindo um chamado para a violência e o crime".
Por sua vez, o Museu de Arte e Desenho contemporâneo da Costa Rica aclarou não ter influência na representação da Costa Rica na Bienal Honduras 2008, atuando apenas como "facilitador e sede da seletiva de obras realizada pelo jurado internacional" e que as obras de Habacuc que foram classificadas e que estão expostas no museu são outras. A "Exposicion Nº 1" não participou da seletiva pra Bienal e portanto não está vinculada nestes eventos.
Um ponto em comum nas três declarações, além de não aprofundarem ou quererem levar adiante o caso, é a questão da censura e do próprio limite do que viria a ser arte.
Nesse foco o comunicado do Museu é interessante quando relembra que em 1966, durante a Guerra do Vietnã, Peter Brook estreou em Londres o espetáculo “US”. Nele um ator fazia um monólogo sobre o uso e efeitos do Napalm. Para sensibilizar a platéia, no final da atuação, o ator que tinha uma borboleta viva presa entre o polegar e o indicador, tirou do bolso um isqueiro e tacou fogo nas suas asas. Chocante, não? O ator teve que pedir desculpa diante do protesto e indignação da platéia. Mas antes de deixar a cena, o ator fez notar sua estranheza, já que o mesmo público que se indignava com a sorte da borboleta, até o momento, havia permanecido indiferentes aos vietnamitas queimados pelo Napalm. Na época ninguém ousou por em dúvida se Peter Brook era ou não artista.
O mesmo comunicado do museu também serve para encerrar a discussão sobre o veto da participação do artista na Bienal de 2008, o que frustra uma das reivindicações da petição on-line.

QUAIS CONCLUSÕES PODEMOS TOMAR?

Enquanto o próprio Habacuc não vem a público dar sua versão, nunca se ouvirá falar tanto nos personagens dessa noticia. Se dar o que falar e o que pensar era sua intenção, conseguiu em partes. Mesmo que o artista prossiga normalmente com seu trabalho, utilizando ou não objetos do cotidiano, sempre será lembrado por essa polêmica ou cairá no esquecimento quando outro artista for o mais novo alvo do sensacionalismo.
Tudo isso poderia ter sido evitado se as partes envolvidas dessem maior atenção a sua assessoria de imprensa, evitando declarações infelizes. De certo a galeria Códice não imaginava que daria todo esse reboliço, mas não custava nada explicar ao público visitante que Natividad receberia os devidos cuidados, afastando qualquer hipótese de maus tratos. Pelo menos assim ocorreu com o Museo Oscar Niemeyer (Curitiba/PR) durante a exposição “Revolver” do trio Jum Nakao, Kiko Araújo e Julio Dojcsar, na qual havia a participação de 3 esquilos da Mongólia e deixava claro no realese que tipo de materiais foram utilizados e que tratamento lhes era dado. Essa polêmica também serviu para escancarar ainda mais como a juventude atual nem sequer presta atenção no que lê, muito menos questiona antes de aderir uma causa ou reproduzir uma “notícia”. E por fim, mesmo que a obra da Habacuc tenha ferido artigos da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, o que podemos esperar de um mundo onde não se respeita sequer os Direitos Humanos?"

Carlos Almiron, 25, Graduado em História e apresentador do Programa Mundo Caos na PunkRadio.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Quanto mais conheço o Homem...





... mais gosto dos animais.


Em conversa com uma grande amiga aqui há dias, afirmei em fria e pura convicção: há pessoas que não prestam. Pessoas que não prestam... se o fosse dizer em voz alta (a considerar que o afirmaria) há anos atrás, seria de forma absolutamente estridente e passional e, provavelmente, por quem me conhece de outros carnavais, diria que a dita afirmação seria fruto de algum desamor mal digerido ou de franca impulsividade mal medida. E que passaria no mesmo ápice em que tinha chegado. Nos dias que correm, e fora a abundante e afluente maré de acontecimentos políticos e sociais menos felizes que o nosso país enfrenta, a afirmação "existem pessoas que não prestam" sai-me de forma prudente e calculada e fria e seca, e talvez isto seja de uma amargura demasiado crua, mas é a realidade que me rodeia de há uns dois anos para cá. Nos últimos dez anos tive a enorme felicidade de ter conhecido pessoas que são absolutamente fantásticas. Se for aos últimos vinte, então posso considerar-me uma pessoa de sorte, porque a confiança nessas pessoas é inabalável, e não é por discussões de merda que deitamos "pessoas fora". É no confronto de ideias que nasce a verdadeira luz. Falo pois de falta de valores, de pessoas que roubam (sim, roubam), mentem, enganam, traem... homens e mulheres, e se for a bem da verdade, e em bom rigor, mais mulheres que não prestam do que homens.

O engraçado é que estas pessoas acabam por sempre ter um desequilíbrio qualquer muito grande a nível psiquiátrico ou psicológico. São sempre frágeis. "Boas pessoas", que tudo fazem para agradar. Atravessam quase sempre depressões, ou sofrem de distúrbios, ou têm histórias muito tristes para contar. Don't we all?...

Chego à conclusão muito íntima e pessoal de que não gosto de "boas pessoas". Também não gosto de conhecer pessoas pela net. Há pessoas com as quais não pretendo manter qualquer tipo de contacto senão o estritamente necessário, pois a grande maioria de valentes merdas que conheci por este meio tiram-me a vontade de sociabilizar seja por que meio for. Histórias de gente que não interessa, vigarices, putedo, loucos com a mania que vão mudar o mundo, e isto em frentes que vão desde a favela até secretários de estado. Toda a gente pretende ser algo que no fundo não é. Uns têm Blogs para engatar, outros têm Blogs para armar ao pingarelho. Eu tenho um Blog para falar mal desta merda toda (este) e outro para dar azo àquilo que o Vítor Espadinha cantava: e recordar é viver.

Chego à conclusão que não quero conhecer pessoas novas nem estreitar laços, os amigos que tenho chegam-me e confesso que me sobram em dadas alturas. São boas pessoas e valem a pena. Chego à conclusão que a vida não está para perder tempo com quem não o perde connosco.

Chego à conclusão que mais vale divagar sobre o sentido da vida com aqueles que não nos vão julgar, com quem já apanhámos uma valente cardina, com aqueles que erram e a quem confessamos erros, e que mais vale um minuto de silêncio por vezes entre um pires de caracóis e uma imperial, do que trinta minutos de muita conversa fiada.

Sejam felizes.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Arte?...


"A necessidade interior nasce de três causas místicas e está constituída por três necessidades místicas: 1. Todo o artista, como criador tem que expressar o que lhe é próprio (elemento da personalidade). 2. Todo o artista, como filho da sua época tem que expressar o que é próprio dessa época (elemento do estilo, como valor interno, constituído pela linguagem da época mais a linguagem da nação, caso esta exista). 3. Todo o artista como servidor da arte tem que expressar o que é próprio da arte em geral (elemento da pureza e eternidade artística que vive em todos os homens, povos e épocas e se manifesta em obras de arte de cada artista, de cada nação e de cada época e que como elemento principal da arte, não conhece nem o espaço nem o tempo)." Kandinsky


"Nos últimos anos deste século, a arte sofreu uma transformação. Embora a sua própria essência seja a constante mudança, desta vez ela atingiu camadas mais profundas, não se limitando aos aspectos exteriores. O próprio conceito de arte é posto em questão. Não obstante, à primeira vista, esta transformação manifesta-se em numerosos aspectos exteriores. Assim, talvez a arte contemporânea nunca tenha desfrutado de tal popularidade como agora." Klaus Honnef









"Atrasado mental que continua a pensar ser artista...

Como sabes e até deves ter protestado, em 2007,Guillermo Vargas Habacuc, é um suposto artista animalesco que colheu um cão abandonado na rua, atou-o a uma corda na parede de uma galeria de arte e ali o deixou morrer lentamente de fome e de sede.

Durante varios dias, tanto o autor de semelhante crueldade, como os visitantes da galería de arte presenciaram impassiveis à agonia do pobre animal. Até que finalmente morreu de inanação, depois de ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensivel calvario da besta chamado Homem. Se achares por bem empregue consulta os links e tira as tuas conclusões.

[http://img505.imageshack.us/img505/1990/dscn8139vk6.jpg]
[http://img339.imageshack.us/img339/5848/dscn8146pu4.jpg]
[http://img259.imageshack.us/img259/5720/dscn8153yv8.jpg]
[http://img218.imageshack.us/img218/7240/navitividad1cq9.jpg]
[http://img218.imageshack.us/img218/7937/navitividad4so6.jpg]
[http://img218.imageshack.us/img218/5895/perritoho5.jpg]

Parece-te forte?

Mas nao é tudo: a prestigiada Bienal Centroamericana de Arte decidiu, que a selvageria cometida por esta Besta das artes, Guillermo Vargas Habacuc fosse novamente convidado a repetir a sua cruel acção na dita Bienal en 2008, acto este que podemos impedir, colaborando com a nossa indignação, protesto e assinatura nesta petição:

http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html

(não tem que se pagar, nem registar) para enviar a petição contra o chamado 'artista' por tão cruel acto, por tão ínfima sensibilidade ao desfrutar em prazer com a dor alheia."



Posto isto, levanto a seguinte questão: determinará, o autor de inédita façanha, alguma intenção de criar um fundo de eternidade artística perante o observador? Quererá criar um sentido de pertença dentro de um mundo que se identifica com a suposta "obra"? Será ele um filho do seu tempo, dentro do seu tempo ou à frente do mesmo? Obra de avantgarde? Arte? Contemporaneidade na Arte?
Levanto ainda uma outra questão, que não indo de encontro a nenhuma Lei, irá questionar os próprios princípios da ética e da moral de cada um, tão em desuso nestes dias contemporâneos tão dados a tudo o que é novidade: que terão pensado os transeuntes daquela exposição? Os observadores, os "clientes" deste acto denominado como sendo "artístico"? Nada fizeram? Porquê?

Não pertenço a nenhuma associação defensora de animais, não sou vegetariana, mas ainda sou um ser humano que não entende este conceito de Arte no ano 2008 d.C. Não entendo nem tenho pretensões de entender. O que caracteriza, acima de tudo, uma obra de Arte como tal, é a intemporalidade manifesta nessa obra, e a capacidade que terá de resgatar algo ou alguém no que nos distingue como seres humanos, no que nos faz pensar, agir e sentir.

quinze minutos de fama








In the future everyone will be famous for fifteen minutes.

Andy Warhol








Eu dispenso os meus quinze minutos de fama a outra pessoa. Mesmo no anonimato torna-se muitas vezes complicado gerir uma vida, quanto mais... mas dá que pensar, principalmente porque esta permissa torna-se verdadeira na vida dos demais seres humanos banais e normais, sem grande coisa a acrescentar na vida dos outros. Fundamental acho, é fazermos aquilo que gostamos, já que perdemos tantas horas concentrados nisso mesmo. A não consegui-lo, que tenhamos hobbies que vão de encontro a uma saudável e equilibrada existência. Caso nenhuma destas situações se aplique, a minha dúvida reside basicamente na própria existência em si, que é como quem diz: afinal o que é que essas pessoas andam a fazer por aí? A procriar e a populacionar o planeta? Poupem-se e poupem-nos a isso. O que é que pretendo ao certo com isto, dizer? Que a sociedade formada por pessoas autómatas, mecanizadas, competitivas e desequilibradas pela noção de "grupo" metem-me asco. Ninguém valoriza o ser humano individualizado: há que rotular, estigmatizar e depois, apedrejar se não estiver dentro dos parâmetros ditos normais. Tudo o que já pode ser considerado alternativo, nunca o é de todo, como se houvesse actualmente uma certa obrigação em ser-se diferente, mas a sê-lo realmente, é-nos apontado um dedo.
Já gostei mais de pessoas, de facto. Começo a cansar-me das pequenas idiossincrasias idióticas e patéticas dos outros, quando confrontados com as nossas próprias exclamações de prazer quotidiano. No fundo, a nossa felicidade pode por vezes ser o calcanhar de Aquiles de alguém.
Por isso mesmo, acabo como comecei este post: dispenso os meus quinze minutos de fama a essas pessoas.




What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...