::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


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domingo, 16 de maio de 2010

Falência


::rua 1º de dezembro::lisboa::



terça-feira, 11 de maio de 2010

Da Hipocrisia...




Lembro-me sempre do triste episódio ocorrido numa Feira do Livro em Braga, aquando da apreensão dos livros que tinham na capa esta imagem de Courbet, sempre que alguma espécie de hipocrisia me chega aos ouvidos ou "bate à porta".

As pessoas falam de Educação, sem no entanto perceber muito bem afinal o que é o conceito de Educação. Apontam o dedo acusatório e atiram a primeira flecha sem que os contornos do pecado sejam muito claros, e em última instância, o "culpado" é sempre aquele que se limita a fazer o seu papel de agente da Educação, e nada mais do que isso. Tanto pais como professores erram nas suas funções; ninguém é perfeito e nada nestas palavras deve ser lido unilateralmente. O papel de professor não se finda na leccionação, tal como o papel de pai não se finda na gestão de afectos ou disciplina. Todos ensinam algo um pouco fora do seu âmbito. E é aqui que se entra em terreno perigoso.

Existem pais que exigem dos professores tudo aquilo que eles não lhes podem dar em casa; existem pais que apenas se lembram que são pais na altura em que (raras vezes) se dirigem à escola; existem pais que acham que educar um filho é somente alimentá-lo, vesti-lo, fazer-lhe uma festinha antes de se deitar e comprar-lhe as tretas que ele quiser. Concluindo, existem pais que se demitem da sua função de Educadores. Tal como os professores, a família tem um papel como agente da educação. A mais importante. O pai que falha como pai é sempre o que se dirige à escola para insultar o professor. Hoje em dia, infelizmente, é assim. Existem, contudo, professores que pensam que ser professor é usar do autoritarismo próprio de quem sabe que tem o poder, e fazer disso a sua melhor ferramenta no auxílio do processo ensino-aprendizagem; por outro lado, também existe o reverso da medalha: professores que deixam de ser professores, o veículo máximo de transmissão de conhecimento, para passar a ser o "melhor amigo" ou confidente, e imiscuem-se na vida dos alunos, sem pudor ou bom-senso.


Acredito (e isto é a minha opinião pessoal) que não cabe ao professor educar no âmbito da SEXUALIDADE, mas a ele cabe-lhe desmistificar alguns conceitos e promover acções informativas. Educar para os Afectos. Educar para o Respeito e promover a Igualdade entre raças e sexos. Não cabe ao professor catequizar (sorrisos) qualquer CONFISSÃO RELIGIOSA - vivemos num Estado Livre e Leigo, embora com fortes influências judaico-cristãs. Finalmente, não compete ao professor instigar pensamentos de cariz POLÍTICO aos seus alunos. Cada um, portanto, deverá ser LIVRE, usufruir da Liberdade que lhe é dada no Estado Português e definir o seu caminho, dentro da liberdade de escolha que lhe assiste, como Ser crítico, que teve a sorte de nascer num país ocidental que lhe confere plenos poderes para pensar, agir e sentir como bem lhe aprouver.


Os papéis subvertem-se quando pais fazem tristes figuras como as que aconteceram em Braga, e quando professores fazem tristes figuras como a da professora de História de Espinho. Tudo errado e tudo ao contrário, na minha perspectiva. Infelizmente, estamos ainda muito longe do caminho certo, em que Família e Escola deveriam ser entendidos como fundamentais nesse fantástico processo que é o da Educação. Vivemos o nacional-porreirismo da permissividade em que alguns pais "compram" os filhos com gadgets tecnológicos e, ou porque, não têm TEMPO para eles, bem como o do ensino para a mediocridade promovida por alguns professores, porque afinal não era bem aquilo que queriam ser e foram apar ao Ensino de pára-quedas. 

Afinal de contas, é muito mais "fixe" ser amigo do que ser pai ou professor. Pelo menos, agradar e ser complacente não dá tanto trabalho como ensinar.


Nota: no dia em que quase toda a nação portuguesa olhar para esta pintura de Courbet e conseguir ver mais do que uma "barbaridade", "obscenidade" ou "falta de princípios morais", e entendê-la como uma obra de Arte, talvez estejamos no caminho certo...



quinta-feira, 25 de março de 2010

A Vida tal e qual ela é

estou aqui sentada no meu sofá com vista para a cidade e luzes e chuva e chuva e chuva e vento etc e lembro-me de mil e uma noites diferentes, noites de um passado ausente, longínquo, recente, de um passado que me trouxe até aqui, a achar que a Vida, sendo tal e qual aquilo que me disseram que seria, não o foi de forma alguma o previsto, o suposto.

existe em mim uma necessidade tremendamente assustadora e perigosamente ridícula de mudança, que me empurra para decisões que amargamente concluo não serem as mais adequadas. e aprendo, obviamente, aprendo. mas sofro. adiante. no entanto, há mudanças saudáveis, projectos desterrados desenterrados de gavetas, as linhas prontas a receber cor, viagens, promessas de sol em dias tão cinzentos como estes que vivo, promessas daquilo que se deve viver na idade adulta, tipo catálogo de vida. a vida que se escolheu.

imagino-me ou recordo-me do que era aos 6 anos de idade e se houvesse um catálogo de vidas, eu teria escolhido algo parecido com o que vivo. não casei aos 25 nem tive o primeiro filho aos 27. não fui uma adolescente popular, gira e cheia de amigos, não tive dentes direitos, usei óculos e tudo, não ingressei numa profissão de sonho, não sou famosa ou rica, não escrevi o tal livro, nem plantei a tal árvore. não era essa a vida com que sonhava. ainda assim, não sucumbi às pressões daquilo que achamos que é melhor para nós, nem dei demasiada importância à opinião dos outros, quando o podia ter feito. dei todos os maus passos, conheci as pessoas mais estranhas, tive comportamentos de risco, quase auto-destrutivos, andei no lado "errado da noite". fiquei do lado de lá das decisões de vida socialmente correcta e bem aceite. e sobrevivi. andei perdida, acho que ainda ando um pouco. miserável o que se acha seguro de si, o que acha que já atingiu tudo. aquele que acha que tem tudo. tão miserável como o que acha que não tem nada. e que se queixa de tudo.

não suporto pessoas que se queixam de tudo. aborrecem-me, sinceramente. aborrecem-me também os presunçosos. aborrecem-me os círculos de pessoas que se relacionam com intenções dúbias ou por questões mal resolvidas, ou porque é conveniente que assim seja. aqui há tempos envolvi-me em algo que achei ser uma boa ideia, mas desisti no início do percurso, porque tal era a presunção, a vaidade, a pseudo-intelectualidade, e o monte de coisas inclassificável, que me encolhi, fechei-me dentro da concha e disse "isto não é para mim". às vezes podemo-nos esquecer de quem somos, mas não a determinado ponto. dei uma desculpa de merda e pronto. e rio-me quando me lembro de algumas afirmações. de coisas que ouvi. alguém fazer-se passar pela família de fulano porque é um nome coiso e tal de importante. alguém dizer "tratem-me como se eu fosse outra pessoa qualquer e não EU"...

não perco tempo a armar-me aos cucos e detesto constatar que as pessoas estão cada vez mais viradas para isso, à medida que o tempo avança e a idade avança. a pressão do sucesso. somos indivíduos "desenhados" para conquistar e vencer, a todo o custo. para alcançar o sucesso. SUCESSO. à conta do sucesso, as pessoas vestem trajes hediondos de medo mascarado de alegria, de frustrações mascaradas de vaidade, de falinhas mansas mascaradas de más intenções. quase todos preferem atacar e destruir e falar mal do que construir, ser amável, ajudar o outro. li algures que somos crianças a brincar às profissões e, a avaliar pela quantidade de papéis desnecessária que envolvem quase todas as profissões, talvez seja das afirmações mais acertadas que já ouvi. de ver algumas atitudes, interrogo-me se estou na profissão certa ou se seremos mesmo adultos infantilizados a jogar ao faz de conta. alguns chegam mesmo a ser ridículos.

são poucas as pessoas que decidiram viver as suas próprias vidas e enfrentar os seus defeitos, os problemas, a tristeza. hoje em dia, ninguém pode estar triste: tem de estar deprimido. hoje em dia ninguém pode escolher estar sozinho: tem de ter amigos (conceito estranho, o de amizade). ninguém pode ficar em casa ao sábado à noite: é um bicho raro. se alguém foge à regra instituída de "vida perfeita do século XXI", é um excluído. carta fora do baralho. anda tudo tão preocupado em ser moderno e diferente (quando alguém vos disser "sou uma pessoa diferente" riam-se e fujam) que de repente tudo se tornou igual. já repararam que as pessoas procuram sempre o mesmo, as mesmas coisas? ser DIFERENTE (já não posso ouvir ninguém achar-se diferente, juro) é sinónimo de ouvir as músicas x, ler os livros w, ver os filmes y, jantar nos sítios da moda, ir aos bares da moda e sempre com um ar negligé. ah, e ter uma vida sexual fantástica. às vezes penso que essas pessoas não VIVEM de facto. vidas reais. vidas com substância. vidas feitas de pequenos acordares em manhãs em que pensamos "nunca mais é Sábado" ou "que se foda esta merda toda, hoje não me apetecia nada ir trabalhar!", porque toda a gente gosta de dizer que gosta de fazer o que faz. aqui há tempos disseram-me, a propósito do meu cansaço e desabafo sobre o mesmo, que "não deves gostar do que fazes, eu adoro o meu trabalho!" e depois é uma gaja que está com uma depressão tão grande e a tomar tanta porcaria, que tão depressa é um zombie como está histérica de riso. dá palpites na vida de toda a gente, mas tem a dela num caco. eu só observo e penso WTF????


cansa. até este texto cansa. não vou sequer reler isto tudo.


era apenas para deixar bem claro que eu nunca quis ser diferente de ninguém nem coisa nenhuma. aliás, nem sequer nunca pensei muito sobre "aquilo que a Vida deve ser, tal e qual ela é". limitei-me a vivê-la. a abraçá-la. às vezes, mesmo a negá-la e a temê-la.

neste momento a minha meta consiste em acabar a semana de trabalho, em ter mais duas reuniões, em começar a tela que está ali desenhada há um mês, em ultrapassar o pânico que é recomeçar a pintar depois de tanto tempo. não se trata de bloqueio de artista, é medo mesmo de falhar. de já não sentir a mesma coisa, porque ideias não falta nem inspiração. falta a coragem. RECOMEÇAR é muito difícil. mas vai ser bom, bom bom bom a valer.

depois ir de viagem para Cabo Verde e não pensar em nada. comer, beber e foder. sol, muito sol. preciso de sol. vai ser bom sair, fugir daqui, parar.

para depois regressar à Vida. tal e qual ela É. e ainda bem que é.






domingo, 6 de dezembro de 2009

Este Natal...

... gostava de oferecer (sim, porque o Natal é tempo de dádiva, é tempo de sonhos, é tempo de altruísmo, é tempo de paz, é tempo de fazer e dizer o que não se disse durante o resto do ano inteiro, inclusivé nos Blogs ahahahaha) as seguintes prendas no "sapatinho" (friso GOSTAVA porque já sei que não as vou poder oferecer):




(e é nestas alturas que gosto realmente que praticamente ninguém saiba que tenho um Blog)







um McLaren F1 ao meu Mais-Que-Tudo.
(Já tens o gato, não faças essa cara!)








O Gerard Butler à minha amiga Ana Rita.
(mas o gajo fica em casa quando formos a Cuba).








Paciência (quilos e mais quilos) à minha amiga Sofia
(para o chefe, para os filhos, para o gajo, para as chatices da vida...) e umas consultas grátis no ortopedista que ela mais quisesse...






Uma temporada no Havai para a minha amiga P. que se tem dedicado tanto ao surf nos últimos anos.





Uma viagem de ida a NY à minha amiga Vera, em que nela estivesse incluída: uma bebedeira descomunal (todos os dias), umas doses de cocaína brutais, latas muitas de Red Bull com muito vodka e uma viagem de NY à California num Chrysler descapotável, sem mapa.
Eu depois ía lá ter, encontrávamo-nos em Las Vegas.
Quem é amiga, quem é?





Uma viagem às Maldivas (durante seis meses) como prenda de casamento àquele casalinho amigo que resolveu fazer uma festa de ajuntamento em 2010.








Um murro a alguns colegas
(sim, que isto de se dar, não interessa o quê, o que conta é a intenção, certo?)





Pronto, ok, talvez em vez do murro (que não é nada simpático), se os mandasse dar umas quecas não era má ideia, uma vez que a origem de muitos conflitos que vejo no local de trabalho, tem a ver com falta de sexo (oral, também, como mostra a figura).






Resmas de gajas boas aos meus melhores amigos
(os solteiros, claro; os outros só olham)









(OK Sérgio, para ti é a Monica Bellucci)










Um jacto a todos os que quisessem vir ter comigo, para matar saudades.







Um telefone que realmente funcione a algumas pessoas que eu conheço (daquelas que nunca têm tempo para nada, mas passam a vida a mandar e-mails de merda sobre a amizade, do tipo se não enviares isto a 50 pessoas vais morrer, ou do tipo cadeia da amizade, daqueles que dizem que não podem viver sem mim, que sou o máximo, etc, as mesmas pessoas que só dão notícias no Natal).










E cá está: a bela da meia turca com raquete cruzada e o belo do bibelot (que alguém deu o Natal passado e foi para o armário das prendas pindéricas) para dar àquelas pessoas de quem gosto IMENSO, como sinal da minha enorme amizade por elas. Nunca fiz isto, mas talvez este ano me encha de coragem e gaste o dinheiro nestas tralhas e no sêlo do envelope... vontade não me falta...






Um recado à TMN: este ano não vou oferecer telemóveis a ninguém nem quero que me ofereçam nenhum telemóvel novo, mas se fôr tão bem tratada pela operadora como fui este ano, mudo para a Vodafone e levo uma data de gente comigo.
Espatifo o cartão Mimo num instantinho.
Aproveito para fazer a má publicidade no Blog durante o ano novo de 2010. De borla e tudo!
Fica o recadinho.





Uma longa temporada neste Hotel de cinco estrelas a alguns políticos implicados em casos de polícia, em mentirinhas banais, em tribunais, etc (para descansarem das infâmias a que são sujeitos todos os dias, coitadinhos). A mesma temporada no Hotel implicava um pacote especial de vergonha na cara e uma embalagem de vaselina com areia.






Ora aqui está uma prenda que deixaria seis milhões de pessoas felizes: o Glorioso a ganhar o campeonato! Anda lá Jorge Jesus, estou contigo! Sê o Pai Natal de todos nós no ano novo (lá para coisa de Abril ou Maio...)






Uma VIDA a quem passa demasiado tempo a ler os Blogs dos outros. Já agora, quem passa muito tempo nos Blogs em geral. Eu afirmo que é mais saudável, principalmente para os olhos e para a vida sexual. Acreditem, 'been there...






Já agora, um Blog novo àquelas pessoas que passam a vida a falar do mesmo, e é sempre o mesmo, o mesmo, o mesmo, o mesmo, sempre o mesmo e outra e outra e outra vez.
Ninguém tem a coragem de lhes dizer (ou talvez até digam), mas são Blogs sem sentido de humor absolutamente NENHUM. Chatos. O tema é sempre o mesmo, ou é política ou é a vida sem sentido, ou a vida sem vida, ou a morte dentro da vida, ou poesias de merda... existem milhares de Blogs em Portugal que são uma trampa.
O meu pode não ser melhor, mas ao menos não levo isto tão a sério como esses bloggers.
Do que eu gosto mesmo é dos falsos avisos "vou de férias" ou "este blog vai fechar" e depois as férias duram dois dias ou não fecham o blog.
Não há pachorra...






Uma nova camada de ozono para o planeta em geral e para as pessoas em particular.lol

Para usar com cuidadinho, já que o outro f*******-no a torto e a direito.



sábado, 5 de dezembro de 2009

     There
 Will
Be
            Blood....

Este, é um dos meus maiores fascínios.
Vampiros. Etecetera...



















































































terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os Sótãos Furados ou Crónica da Minha Infância

Gostava de ter mais tempo para escrever mais, aqui no Blog.
Gostava de não ter de escrever apenas quando estou doente (como hoje), ou quando tiro um bocadinho a meio do dia ou da tarde, no trabalho, para ler Blogs dos quais tenho saudades.
Gostava que houvesse mais qualquer coisa que não o portátil e os Blogs (os livros e os filmes dão-me sono) para fazer quando estou doente, porque caio sempre na asneira de escrever coisas como a que vou escrever, coisas que me levam a mundos já perdidos, e que me dão ideias meio parvas como esta: encontrar um livro.

Nunca vos aconteceu estarem na casa-de-banho (ou noutro sítio qualquer, a mim por acaso é na casa-de-banho) e lembrarem-se de algo ou de alguém que não vêem há muito tempo, e que a Internet se calhar até era um bom meio para alcançarem esse fim, o de encontrarem o que pretendem encontrar? Pois, a última vez que o fiz, foi por causa da minha pasta de estudante, a qual perdi há já uns bons pares de anos, e resolvi escrever um mail a todos os meus contactos, com a descrição da dita pasta. Era uma boa pasta, uma pasta respeitável, que teria lá dentro rascunhos de cartas de amor (muitas, mesmo, e triste e patética e irremediavelmente a vários destinatários), listas de supermercado e restos de pastilhas elásticas que sempre aceito mas não mastigo porque não gosto de pastilhas elásticas. Para além disso, postais velhos, algumas fotocópias e as fitas assinadas. Só uma estúpida como eu perde a pasta de estudante e só uma estúpida como eu escreve um mail a descrever a pasta que perdeu. Conclusão: fui gozada por muito boa gente (os tais "amigos") e fiquei na mesma, ou seja, sem pasta.

Hoje, com a doença, uma tarde inteira disponível, por minha conta, sozinha em casa, bateu-me esta espécie de nostalgia. Como sou uma perfeita anormal da info-exclusão e percebo pouco ou nada de computadores ou de encontrar alguma coisa pela net, na vaga esperança de que a cara-metade me pudesse fazer uma surpresa pelo Natal (pois percebe mais disto do que de outra coisa qualquer), falei-lhe no meu livro preferido de SEMPRE, que li vezes sem conta: Os Sótãos Furados.




Devo ter lido este livro umas quatro ou cinco vezes, e confesso não me lembrar muito bem de como foi a mítica "primeira vez". Sempre que saía da escola, lá ía eu à Biblioteca Municipal da cidade, escolher um ou outro livro para ler, ou na própria biblioteca, ou requisitava para ler em casa. Actualmente a biblioteca já não existe como biblioteca, mas como Arquivo Histórico. Devo tê-lo escolhido, no alto da minha sapiência de sete ou oito anos, pela capa, pelas cores da capa, que continuo a achar deliciosa. A história consiste, basicamente, em dois irmãos que vivem num bairro e que se costumam refugiar no sótão do seu prédio. Um dia, acontece um acidente qualquer em que furam o sótão do prédio vizinho e fazem um amigo. Algum tempo depois, as crianças acabam por furar todos os sótãos daquele bairro, perfazendo um grupo inesquecível. No fim de todos os sótãos, está uma surpresa e um amigo muito especial.
Ora isto em meados de anos oitenta, para uma miúda de uma cidade pequena, que vive numa zona em que existem muitos sótãos, era obra! A imaginação fértil da pequena Ana levava-a para um sótão em que possivelmente iria descobrir uma amiga nova ou um grupinho de novos amiguinhos. Mesmo à noite, no meio dos barulhos da noite, das árvores, do vento, da chuva, dos pássaros, lá ía eu para um sótão que acabou por sempre se tornar o meu melhor amigo, o meu confidente, onde escrevia o meu diário (sempre tive diários, muito antes de haver blogs), onde escrevia poemas, onde desenhava, onde pintava, onde cheguei a riscar o chão todo com lápis de cera e tapei a obra-prima com um tapete. Este sótão sempre foi o "meu mundo", um lugar mágico onde os meus pais raras vezes subiam. Curiosamente, o sótão continua a ser meu, mesmo já não vivendo em casa dos meus pais. É lá que mais gosto de estar, é lá que ainda tenho quase todas as telas, todas as fotografias, todos os desenhos e todos os diários, o meu cavalete, o meu estirador, as minhas memórias de infância, a minha velhinha aparelhagem.

Talvez por isso, este livro é parte de mim, o livro que mais vezes li em toda a minha vida. Nem sei quem é a sua autora, mas a ela agradeço parte do meu imaginário infantil. Talvez sem este livro, o meu sótão não fosse ainda tão MEU.


Para quem quiser saber, seria uma excelente prenda de Natal.


P.S.: eu avisei que o post era meio idiota. lol


A melhor série de sempre desde House M.D.: Dexter





Para começar, tem o melhor genérico de sempre.
A seguir, tem uma fotografia de EXCELENTE qualidade. Impecável.
É de uma cadência saudável e ritmada, ou seja, é convidativa a ser desfrutada com calma, com tempo. Dexter dá-nos tempo suficiente para pensar no que estamos a ver, e cada temporada é um todo bem marcado. Existe um objectivo, existe um propósito, nada é deixado ao acaso. Nota-se que é uma série feita com algum "amor". Não existem peças soltas, não existe desleixo, é metódica, tal como a personagem.

Tem uma particularidade única em relação a outras séries: é subversiva, ainda que não declaradamente. Sim, a personagem de House também é subversiva, mas pensemos bem: existirá algum médico com a genialidade de House? Existirá alguém assim tão brilhante, e ao mesmo tempo tão cheio de peculiaridades, tão desprezível como House? Existirá algum médico anti-herói, de ego tão grande a ponto de se comparar a Deus, que afirme que faz o que faz apenas pela ciência? Eu acho que não. Aliás, tenho quase a certeza. É irreal, e ao fim de algum tempo, aquela personagem cansa um pouco. Confesso-me cansada de House. Mesmo depois de sair da ala psiquiátrica do Hospital. Mas basta de House, foquemo-nos em Dexter. Uma personagem que desejamos não existir, mas que ao mesmo tempo desejamos que existisse. No fim, alguém que sabemos poder existir, mas bem longe de nós. Confunde-nos. Afinal, quem é Dexter Morgan? Um analista forense, um perito em sangue, no tratamento de crimes passionais (ou não), alguém que sabe o efeito de um salpico de sangue de uma perna quando retalhado por uma lâmina ou uma moto-serra eléctrica, alguém que sabe o quão terrível pode ser a mente criminosa, ou não tivesse ele... uma mente criminosa. Sim, é um psicopata que nos faz ter simpatia por um psicopata, daí a subversão. Simpatia, sim, simpatia a sério, gostamos dele, achamo-lo um justiceiro, alguém de quem teríamos medo, se não conhecêssemos a sua história. Porquê um justiceiro? O rótulo é-se-lhe colado pela nossa sempre presente necessidade de justificar tudo o que é mau, e que queremos fazer parecer bom. Dexter mata, mas não à toa: ele mata criminosos, ele limpa Miami dos homicidas que fugiram à Justiça, ele corrige os erros que o Sistema não conseguiu eliminar da sociedade. A verdade é que existe uma verdade por trás do código de conduta de Dexter: ele tem realmente uma necessidade de matar. Ponto. Um serial killer, como aqueles que vemos noutras séries (Criminal Minds ou Profiler) e que não nos detemos a achar que são doentes mentais, peças dispensáveis na sociedade.

Esta série centra-se no pensamento da personagem principal; a toda a hora ouvimo-lo, os seus desejos, os seus medos (um serial killer tem muitos medos), os seus demónios, estamos dentro da sua cabeça e antecipamo-lo nas acções (às vezes, não de todo!) e, por fim, justificamos o hediondo que Dexter consegue ser. Não há termos científicos caros, não há teorias estranhas, não existe estranheza, tudo é estranhamente "normal" em Dexter. Podia até mesmo ser o vizinho simpático que nos carrega o saco de compras ou o colega de trabalho simpático que nos abre a porta com delicadeza, alguém que consegue ser agradável, educado, que nos dá os bons dias, alguém que luta por ser "normal", mas que em nada é "normal". Cada detalhe, cada pormenor, cada hora do seu dia, cada gesto e cada "sentimento" por cada pessoa que da sua vida faz parte, tudo é forjado, tudo é calculado e ensaiado. Tudo, mas mesmo tudo, em prol de proteger a única coisa que o faz vibrar e viver: matar.


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ardi - uma nova descoberta

Afinal parece que o Homem sempre caminhou de pé.



“Ardipithecus é uma forma não especializada que ainda não evoluiu muito em comparação com o Australopithecus”, diz num comunicado Tim White, da Universidade da Califórnia e um dos líderes da equipa de cientistas. “E quando olhamos para [Ardi] da cabeça aos pés, o que vemos é uma criatura-mosaico, que não é nem chimpanzé, nem humana.”


E é aí que começam as surpresas. Acontece que, até agora, os cientistas concordavam em dizer que os chimpanzés, os gorilas e os outros símios africanos modernos tinham conservado muitas das características físicas daquele último antepassado que partilharam com os humanos – ou seja, pensava-se que o antepassado em questão era muito mais parecido com um chimpanzé, ou com um gorila, do que com um homem. Por outras palavras ainda: enquanto nós tínhamos evoluído imenso desde aquela altura, tornando-nos muito diferentes daquele antepassado comum, os símios actuais tinham evoluído pouco desde então. Ardi vem precisamente pôr em causa essa concepção das coisas.


Pensava-se, por exemplo, que o antepassado comum aos homens e aos chimpanzés teria sido um ágil trepador, conseguindo pendurar-se nos ramos das árvores, baloiçar-se e saltar de árvore em árvore tal como os chimpanzés de hoje. E também que, tal como eles, caminhava apoiado nos nós dos dedos das mãos. Mas não foi nada disso que os investigadores descobriram ao examinarem Ardi. Como explica ainda o comunicado acima referido, quando se encontravam no chão, os hominídeos de Ardipithecus caminhavam erguidos, apoiados nas suas duas pernas (isto é sugerido pela anatomia dos pés). Uma outra ideia estabelecida pode, aliás, estar em causa aqui: a que supõe que o bipedismo dos hominídeos nasceu quando eles se lançaram para espaços mais abertos, para a savana e não quando ainda viviam na floresta. Os Ardipithecus eram “bípedes facultativos”, dizem os investigadores.


Se se confirmarem estes dados, isso significa, em particular, que os chimpanzés não são um bom modelo desse misterioso antepassado comum entre eles e nós – e que talvez um melhor modelo sejamos... nós próprios! É o que parece concluir no mesmo artigo sobre as mãos de Ardi a equipa de Owen Lovejoy, da Universidade Estadual do Ohio e também um dos principais investigadores. “Esta descoberta”, escrevem na Science, “põe um ponto final a anos de especulação sobre o decorrer da evolução humana. (...) Foram os símios africanos que evoluíram imenso desde os tempos do nosso último antepassado comum, não os humanos nem os seus antepassados hominídeos mais imediatos. As mãos dos primeiros hominídeos eram menos parecidas com as dos símios do que as nossas (....).”




Claro que nem todos os especialistas concordam com a interpretação dos achados e que alguns dos peritos interrogados por uma jornalista da Science, que acompanha a publicação dos resultados, permanecem cépticos. Mas todos acolheram com grande interesse os novos dados e acham que é agora que o debate vai começar.
 
 
in Público

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

STAR WARS - Quando fôr grande quero ser uma Jedi!



Detesto ter de admiti-lo, mas foi preciso chegar a esta vergonhosa idade, para ver a primeira trilogia Star Wars. A primeira, que acaba por ser a que foi realizada mais recentemente. No fundo de mim, eu sabia que os filmes Star Wars estavam reservados para um grande e especial momento, em que teria de visioná-los por ordem, do primeiro ao último; dado que os três "primeiros" filmes são a segunda trilogia, que ainda não vi (estão reservados para outra maratona), é emocionante ter uma outra visão sobre toda a história, que não a de quem viu os filmes na ordem pela qual eles foram lançados. Ainda estou chocada com o facto do Anakin Skywalker se ter tornado um Sith. As histórias dos vilões sempre me apaixonaram...

Confesso não ser grande apreciadora do estilo Sci-fi, mas isto supera qualquer expectativa. A maratona Star Wars passou num ápice, em duas noites, pelo menos estes três primeiros filmes. Considero os três filmes igualmente magníficos, mas o terceiro (Episode III) é qualquer coisa de espectacular. O George Lucas é realmente um GRANDE senhor.






Star Wars: Episode I - The Phantom Menace (1999)
Star Wars: Episode II - Attack of the Clones (2002)
Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith (2005)

Strokes Through The Tail / Fauno / Cantata

A ver vamos...















What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

Expresso

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Visão

Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...