::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::
domingo, 15 de novembro de 2009
ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah (ou "lol" no meu magalhães)
Autor: João Miguel Tavares
Excelentíssimo senhor primeiro-ministro: Sensibilizado com o que tudo indica ser mais uma triste confusão envolvendo o senhor e o seu grande amigo Armando Vara, venho desde já solidarizar-me com a sua pessoa, vítima de uma nova e terrível injustiça. Quererem agora pô-lo numa telenovela - perdoe-me o neologismo - digna do horário nobre da TVI é mais um sintoma do atraso a que chegámos e da falta de atenção das pessoas para as palavras que tão sabiamente proferiu aquando do último congresso do PS:”Em democracia, quem governa é quem o povo escolhe, e não um qualquer director de jornal ou uma qualquer estação de televisão.” O senhor acabou de ser reeleito, o tal director de jornal já se foi embora, a referida estação de televisão mudou de gerência, e mesmo assim continuam a importuná-lo. Que vergonha.
Embora no momento em que escrevo estas linhas não sejam ainda claros todos os contornos das suas amigáveis conversas, parece-me desde já evidente que este caso só pode estar baseado num enorme mal-entendido, provocado pelo facto de o senhor ter a infelicidade de estar para as trapalhadas como o pólen para as abelhas - há aí uma química azarada que não se explica. Os meses passam, as legislaturas sucedem-se, os primos revezam-se e o senhor engenheiro continua a ser alvo de campanhas negras, cabalas, urdiduras e toda a espécie de maldades que podem ser orquestradas contra um primeiro-ministro. Nem um mineiro de carvão tem tanto negrume à sua volta. Depois da licenciatura na Independente, depois dos projectos de engenharia da Guarda, depois do apartamento da Rua Braamcamp, depois do processo Cova da Beira, depois do caso Freeport, eis que a “Face Oculta”, essa investigação com nome de bar de alterne, tinha de vir incomodar uma pessoa tão ocupada. Jesus Cristo nas mãos dos romanos foi mais poupado do que o senhor engenheiro tem sido pela joint venture investigação criminal/comunicação social. Uma infâmia.
Mas eu não tenho a menor dúvida, senhor engenheiro, de que vossa excelência é uma pessoa tão impoluta como as águas do Tejo, tirando aquela parte onde desagua o Trancão. E não duvido por um momento que aquilo que mais deseja é o bem do Pais. É isso que Portugal teima em não perceber: quando uma pessoa quer o melhor para o País e está simultaneamente convencida de que ela própria é a melhor coisa que o País tem, é natural que haja um certo entusiasmo na resolução de problemas, incluindo um ou outro que possa sair fora da sua alçada. Desde quando o excesso de voluntarismo é pecado? Mas eu estou consigo, caro senhor engenheiro. E, com alguma sorte, o procurador-geral da República também. Atentamente, JMT.
sábado, 24 de outubro de 2009
Que hecho yo para merecer esto?
Intérpretes: Penélope Cruz, Lluís Homar, José Luis Gómez, Blanca Portillo, Tamar Novas, Ángela Molina, Lola Dueñas.
por Carlos Boyero
Crítico de cine y columnista de EL PAÍS.
sábado, 3 de outubro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
"Ah e tal as férias..."
Caro anónimo indignado com a indignação dos professores,
Homens (e as mulheres) não se medem aos palmos, medem-se, entre outras coisas, por aquilo que afirmam, isto é, por saberem ou não saberem o que dizem e do que falam.
O caro anónimo mostra-se indignado (apesar de não aceitar que os professores também se possam indignar! Dualidade de critérios deste nosso estimado anónimo... Mas passemos à frente) com o excesso de descanso dos professores: afirma que descansamos no Natal, no Carnaval, na Páscoa e no Verão, (esqueceu-se de mencionar que também descansamos aos fins-de-semana). E o nosso prezado anónimo insurge-se veementemente contra tão desmesurada dose de descanso de que os professores usufruem e de que, ao que parece, ninguém mais usufrui.
Ora vamos lá ver se o nosso atento e sagaz anónimo tem razão. Vai perdoar-me, mas, nestas coisas, só lá vamos com contas.
O horário semanal de trabalho do professor é 35 horas. Dessas trinta e cinco, 11 horas (em alguns casos até são apenas dez) são destinadas ao seu trabalho individual, que cada um gere como entende. As outras 24 horas são passadas na escola, a leccionar, a dar apoio, em reuniões, em aulas de substituição, em funções de direcção de turma, de coordenação pedagógica, etc., etc.
Bom, centremo-nos naquelas 11 horas que estão destinadas ao trabalho que é realizado pelo professor fora da escola (já que na escola não há quaisquer condições de o realizar): preparação de aulas, elaboração de testes, correcção de testes, correcção de trabalhos de casa, correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo, investigação e formação contínua. Agora, vamos imaginar que um professor, a quem podemos passar a chamar de Simplício, tem 5 turmas, 3 níveis de ensino, e que cada turma tem 25 alunos (há casos de professores com mais turmas, mais alunos e mais níveis de ensino e há casos com menos - ficamos por uma situação média, se não se importar). Para sabermos o quanto este professor trabalha ou descansa, temos de contar as suas horas de trabalho.
Vamos lá, então, contar:
1. Preparação de aulas: considerando que tem duas vezes por semana cada uma dessas turmas e que tem três níveis diferentes de ensino, o professor Simplício precisa de preparar, no mínimo, 6 aulas por semana (estou a considerar, hipoteticamente, que as turmas do mesmo nível são exactamente iguais -- o que não acontece -- e que, por isso, quando prepara para uma turma também já está a preparar para a outra turma do mesmo nível). Vamos considerar que a preparação de cada aula demora 1 hora. Significa que, por semana, despende 6 horas para esse trabalho. Se o período tiver 14 semanas, como é o caso do 1.º período do presente ano lectivo, o professor gasta um total de 84 horas nesta tarefa.
2. Elaboração de testes: imaginemos que o prof. Simplício realiza, por período, dois testes em cada turma. Significa que tem de elaborar dez testes. Vamos imaginar que ele consegue gastar apenas 1 hora para preparar, escrever e fotocopiar o teste (estou a ser muito poupado, acredite), quer dizer que consome, num período, 10 horas neste trabalho.
3. Correcção de testes: o prof. Simplício tem, como vimos, 125 alunos, isto implica que ele corrige, por período, 250 testes. Vamos imaginar que ele consegue corrigir cada teste em 25 minutos (o que, em muitas disciplinas, seria um milagre, mas vamos admitir que sim, que é possível corrigir em tão pouco tempo), demora mais de 104 horas para conseguir corrigir todos os testes, durante um período.
4. Correcção de trabalhos de casa: consideremos que o prof. Simplício só manda realizar trabalhos para casa uma vez por semana e que corrige cada um em 10 minutos. No total são mais de 20 horas (isto é, 125 alunos x 10 minutos) por semana. Como o período tem 14 semanas, temos um resultado final de mais de 280 horas.
5. Correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo: vamos pensar que o prof. Simplício manda realizar apenas um trabalho de grupo, por período, e que cada grupo é composto por 3 alunos; terá de corrigir cerca de 41 trabalhos. Vamos também imaginar que demora apenas 1 hora a corrigir cada um deles (os meus colegas até gargalham, ao verem estes números tão minguados), dá um total de 41 horas.
6. Investigação: consideremos que o professor dedica apenas 2 horas por semana a investigar, dá, no período, 28 horas (2h x 14 semanas).
7. Acções de formação contínua: para não atrapalhar as contas, nem vou considerar este tempo.
Vamos, então, somar isto tudo:
84h+10h+104h+280h+41h+28h=547 horas.
Multipliquemos, agora, as 11horas semanais que o professor tem para estes trabalhos pelas 14 semanas do período: 11hx14= 154 horas.
Ora 547h-154h=393 horas. Significa isto que o professor trabalhou, no período, 393 horas a mais do que aquelas que lhe tinham sido destinadas para o efeito.
Vamos ver, de seguida, quantos dias úteis de descanso tem o professor no Natal.
No próximo Natal, por exemplo, as aulas terminam no dia 18 de Dezembro. Os dias 19, 22 e 23 serão para realizar Conselhos de Turma, portanto, terá descanso nos seguintes dias úteis: 24, 26, 29 30 e 31 de Dezembro e dia 2 de Janeiro. Total de 6 dias úteis. Ora 6 dias vezes 7 horas de trabalho por dia dá 42 horas. Então, vamos subtrair às 393 horas a mais que o professor trabalhou as 42 horas de descanso que teve no Natal, ficam a sobrar 351 horas. Quer dizer, o professor trabalhou a mais 351 horas!! Isto em dias de trabalho, de 7 horas diárias, corresponde a 50 dias!!! O professor Simplício tem um crédito sobre o Estado de 50 dias de trabalho. Por outras palavras, o Estado tem um calote de 50 dias para com o prof. Simplício.
Pois é, não parecia, pois não, caro anónimo? Mas é isso que o Estado deve, em média, a cada professor no final de cada período escolar.
Ora, como o Estado somos todos nós, onde se inclui, naturalmente, o nosso prezado anónimo, (pressupondo que, como nós, tem os impostos em dia) significa que o estimado anónimo, afinal, está em dívida para com o prof. Simplício. E ao contrário daquilo que o nosso simpático anónimo afirmava, os professores não descansam muito, descansam pouco!
Veja lá os trabalhos que arranjou: sai daqui a dever dinheiro a um professor. Mas, não se incomode, pode ser que um dia se encontrem e, nessa altura, o amigo paga o que deve.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Post da semana, quiçá do mês

sexta-feira, 22 de maio de 2009
Blog do Mês - Acatar Com Estima o Insulto
:: imagem retirada do Acatar::Não sou pessoa de fazer fretes e não sou gaja para andar a bater o coiro a ninguém. Não o faço na vida real, muito menos o faria aqui. Não digo o meu nome e não digo o que faço. Não digo onde vivo nem em quantas cidades já vivi. Subentendo muita coisa e opino muito, mas não estou aqui para fazer amigos. Às vezes irrito-me um bocado com certas merdas que leio "por esses Blogs fora", como já aconteceu esta semana, mas faço-me depressa à estrada e passo à frente num instante. Gosto de me surpreender e gosto muito, muito mesmo, de me rir com algumas coisas que leio nos Blogs.
Isto para dizer que tenho lido um Blog de um gajo que bem pode ser o tipo mais mal-disposto do mundo e ter muito mau feitio, mas há extremo humor em tudo o que ele escreve. Tal como a beleza, o humor reside no olhar que o observa. Pessoalmente, farto-me de rir.
O post sobre as crónicas do José Quitério no Expresso devia ter sido eu a escrevê-lo, e as crónicas sobre taxistas de Lisboa davam um livro, ah pois davam.
Aqui fica uma dessas crónicas. Lobo Antunes, cuida-te!
Bandeiradas
Aqui há dias apanho um taxi e o homem começa-me a contar a vida dele, mais propriamente as histórias sobre a amante, a quem trata carinhosamente por "a gaja".
Eis os contornos do caso:
"A gaja tem 45 anos, e pensa que tenho 49. Tenho mais dez, mas a gaja nem desconfia..."
"Eh pá, mas é uma gaja boa, pá. Mêmo boa..."
"O que a gaja quer sei eu, mas não caio nessa. Tenho de me pôr a pau com estas gajas. Eu dia já tive as malas à porta de casa."
"A gaja é maluca. Outro dia disse-me que tinha três mil euros em casa."
"Outro dia ligou-me, estava com um cliente e tudo. Nhe-nhe-nhe, nhe-nhe-nhe... Dizia-me ela... Queres ver...? Tive de ir lá a casa tratar dela, pá, que a gaja não se calava com o nhe-nhe-nhe, nhe-nhe-nhe..."
"Esta nem sabe que sou casado. Mandei-lhe uma peta que estava separado, mas que a minha mulher ficou a viver lá em casa."
"A gaja agora anda com outro ao mesmo tempo. A gaja diz que foi o gajo que a inaugurou, isto há muito anos, ainda ela trabalhava na fábrica do gajo, depois engravidou doutro, foi-se embora, agora voltaram-se a ver e diz que o gajo anda atrás dela. Outro dia ligou-me a dizer que o gajo lhe bateu à porta, entrou lá para casa sem ela querer e a gaja deu-lhe um estalo. O gajo subiu por umas escadas, que dão para a porta dela. Eh pá, mas se a gaja não quer nada com o gajo porque é que o deixou entrar? Eu tou cá fisgado que isto foi mas é conversa para me ligar. A gaja queria era nhe-nhe-nhe..."
terça-feira, 5 de maio de 2009
Post do mês
É disto às vezes que se trata. Apenas e somente. Gosto tanto tanto deste Blog que nunca o comento. É bom que se farta.
Porque é que não tenho escrito sobre cinema? Porque não tenho ido ao cinema. É simples. É a esse nível de merdice que a minha vida anda - tão grande tão grande tão grande que nem faço a única coisa que me preenche. Nem sequer vejo as centenas de filmes que tenho em casa, contam-se meses desde a última vez que peguei num dvd. Claro que tenho ouvido música - é a minha epiderme, não preciso de seguir-lhe o encalço. Mas, por exemplo, dançar. Não danço desde a passagem de ano. Não vou a concertos, muito menos nem aos do Mercado Negro. Este mês não li nada. Andava a ler a um ritmo tão bom, para o nível miserável dos últimos três anos e entretanto fui-me abaixo. É isso, fui-me abaixo, e não me apetece nada dizer que estou lá em cima. Este blogue anda a irritar-me. Anda muito levezinho. Foda-se, mas eu estou na merda ou não estou? Claro que estou. Como sempre. Então que se foda esta porra toda e vocês também, já agora. Entretanto, rio-me. Já não resisto à minha própria palhaçada, é o que é. Vai-se a ver e isto continua tudo muito triste. Óptimo. Manifesto desde já a minha intenção de repor o tom a que este blogue tem direito e obrigação: rasteirinho, rasteirinho, fodidinho, todinho. Nem a propósito, grita agora mesmo um guna na minha rua olhá, ámanhá, até te bou matare. Fixe, por mim podia ser já hoje. Mas antes queria mandar um beijinho lá para casa, para as pessoas que me estão a ver. Em especial, para o Zé, que não conheço pessoalmente e que no outro dia me fez um filho em sonhos, e eu em sonhos tinha namorado, que era o Pedro. Qual deles? Olhem, vão ver se chove, que pode ser que sim. O relato do sonho fica para depois, merece um tempo de antena exclusivo, como tudo o que é macabro e perturbador. Sinto-me mal. Se calhar não ajuda estar enterrada num puff preto enquanto escrevo - é como escrever sobre a escuridão da perspectiva de um buraco negro. Não saio de casa há dias seguidos. Demasiadas vezes dizem-me «és uma complicadinha», como quem diz «não há quem te ature». Mas é que não há mesmo. Estou sozinha há anos ou não estou? Ou vocês achavam que isto era tudo literatura? Desculpem lá se o discurso hoje é o inverso. Isto de falar para 400 pessoas diariamente não só é completamente contrário à minha vida real como às vezes me atrofia um bocado a tola.
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terça-feira, 14 de abril de 2009
Atenção: isto não é um post verdadeiramente lamechas
sexta-feira, 13 de março de 2009
Isto sim é um Blog
Underwater Photography by Bruce Mozertom
Vou lá todos os dias, ando dum lado para o outro, rebusco a casa toda e gosto de tudo, o que é raro.
domingo, 1 de março de 2009
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
filhos da puta

Ontem tive uma longa conversa com um grande amiga sobre os filhos da puta das nossas vidas. Obviamente isto seria tema para um outro post, e agora não tenho tempo ou disposição, nem capacidade de abstracção para dissertar sobre o assunto. De entre os escombros daquilo que nos resta, de entre a verdade escondida nas patranhas que nos contaram e que tarda sempre mas de forma assaz oportuna, fica sempre uma sensação de missão cumprida, afinal que piada teria a vida sem esses filhos da puta com ausência de escrúpulos? Pessoas que mentem, enganam, sem derramar uma lágrima que seja. Sem uma única que seja.
No meio da conversa, veio à baila aqueles filmes para pessoas inteligentes e dramáticas como nós, e outras coisas tais como balas e bolinhos, ramstein, o scooby doo, o Fernando Ribeiro, o Padrón, a varinha mágica a trabalhar e tudo aquilo que gostaríamos de esquecer que já nos aconteceu, mas que nos dá tema de conversa e risota e algumas lágrimas masoquistas pelo meio, tal como quando tínhamos vinte anos. Surgiu ainda o Bukowski, a lembrar os tais filhos da puta, mote para este post.
Devo-lhes imenso, mais que tudo, por me terem ensinado que filhos da puta destes ficam bem é nos livros e nos filmes que gostamos de ler e ver. Não nas vidas reais, não na nossa cama, não na nossa alma.
"What goes around, comes around". Isn't it?

Charles Bukowski (1920-1994) nasceu na Alemanha em 1920. Aos três anos foi viver para os EUA, tendo residido 15 anos em Los Angeles. Estudou literatura e jornalismo. Começou a escrever muito cedo e publicou os seus primeiros contos em 1944. Apenas terá começado a escrever poesia quando já tinha 35 anos. Trabalhou em bares, nos correios, estações de serviço, levando uma vida boémia à base de álcool, mulheres, apostas em corridas de cavalos e lutas de boxe. Foi várias vezes hospitalizado, devido a problemas relacionados com o consumo excessivo de álcool. De personalidade inconformada e iconoclasta, Bukowski nunca se deixou associar a qualquer movimento literário. Completamente independente, foi construindo uma obra com cerca de 40 títulos publicados. O seu primeiro livro de poesia data de 1959. Na sua campa, deixou o aviso: «Don't Try!»
p.s.: obrigada A. amiga sobejamente versada nestes assuntos da filha da p.... , a imagem ficou mesmo mesmo bem.
Isto ficou um bocado forte mas enfim... às vezes a vida é um bocado forte.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Pai

Pois. Hoje não é dia do pai nem nada que se pareça. Nem sequer é o dia do seu aniversário, para além de que o meu pai não sabe que tenho um Blog. Talvez por isso saiba ainda melhor esta pequena homenagem clandestina, secreta. Há alguns segredos que apenas se revelam à alma e ao mundo, pois os seus destinatários sabem-no interiormente. Talvez eu seja mesmo uma daquelas pessoas que partilha os seus segredos com estranhos, embora este espaço já tenha sido mais confortável em tempos idos, onde todos éramos, de facto, estranhos. Talvez eu chegue à conclusão que afinal somos todos muito mais estranhos (no inglês strangers) do que pensei, na medida em que as pessoas têm atitudes estranhas e é necessário muito mais do que um Blog para nos conhecermos realmente bem. Existem muitas mensagens escondidas nas entrelinhas deste Blog e talvez as maiores sejam mensagens de Amor e dedicação, e nalgumas, as pessoas nunca chegam a percebê-las ou sequer a lê-las.
Quanto à afirmação explícita na mensagem, eu não sei se ajuda, de facto. Sempre fui daquelas miúdas com uma ideia de pai equivalente a super-herói e depois veio uma adolescência tremendamente complicada que deitou por terra o mito, a comunicação, e instalou-se uma espécie de amor/ódio da qual nada me orgulho. Foram tempos difíceis. O meu pai é um homem do antigamente século passado e tivémos momentos muito difíceis na denominada fase do armário aka parvoíce de adolescente aka rebelde sem causa, a par de uma anormal situação de doença familiar que agravou o estado emocional geral da família. Mortes à mistura. Muita coisa triste.
Sobrevivemos, à custa de algum auto-controlo e muito bom-senso, pelo que superámos o que naturalmente havia a superar. Aproximámo-nos lentamente. Chegámos até ao hoje, e o hoje é de uma amizade muito bonita. Definível por diversas palavras, sendo a maior, confiança. E quem me conhece sabe que não é difícil ganhar a minha confiança, sendo ainda mais fácil perdê-la. Normalmente, não olho para trás se a perco, e se a perco é de vez. Nisso sou mais como a minha mãe, mas isso dava outro post.
Obrigada, Ana.
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domingo, 8 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Protecção Solar

Ao fim de tanto tempo a pairar na Blogosfera (e agora até consta que quer dar em arquitecto e não tem tempo para estas coisas), é que o Blogger se apercebeu que existe um senhor gajo que tem um Blog com conteúdos menos próprios.
Obviamente, a minha escolha é aceitar e ler o que pode ser um "conteúdo adequado para adultos" que é como quem diz "compreendo e pretendo continuar" que é quase fazer um termo de responsabilidade pelo grave acto de poder ver a malta (quiçá!) descascada. Cenas de sexo. Está-se mesmo a ver a quantidade de pessoas que vão clicar no botão da direita. Pais que vêem Blogs com os filhos ao colo e vão ali parar.
"Não não, este não podemos ver, Frederico Marcelo, este não é para a tua idade!"
Não sabia que isto existia. Censura do tipo "tenham cuidado, estão prestes a visualizar algo que é só para adultos". Já agora, o que é um adulto?
Foi um momento de boa disposição.
É caso para dizer que ao Sol está-se bem... mas apenas com protecção solar!
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Conversa [Virtual] da Semana

Isto, obviamente, tem direitos de autor.
Uma conversa entre homens.
Roubada, descaradamente, aqui.
Hank says:
fdx ja me começa a irritar a cena indie raiva contra corgan
handshakefulness. says:
lol
Hank says:
tipo, o corgan podia aparecer com um album do ano e pa pitchfork era uma merda
handshakefulness. says:
começa-me a irritar a cena feminina raiva contra mim
handshakefulness. says:
o corgan é uma merda...
Hank says:
os animal collective podiam aparecer com um album de merda e era bom
Hank says:
esta merda é so preconceitos de tpos pseudo qeer coisa
Hank says:
tipos
handshakefulness. says:
haha
Hank says:
e isto aplicase a imensas mrdas
handshakefulness. says:
iá
handshakefulness. says:
as gajas odeiam-me
Hank says:
e tu percebesme crl
Hank says:
tu ouves hip hop
Hank says:
lol
Hank says:
http://www.pitchforkmedia.com/article/download/48972-smashing-pumpkins-superchrist
Hank says:
essa mrda ta boa
Hank says:
tirando a parte paneleira dos violinos
handshakefulness. says:
lol
handshakefulness. says:
não deve estar
handshakefulness. says:
não gosto dele
handshakefulness. says:
só gosto de uma canção dos pumpkins
Hank says:
sim mas tu n comes gajas
Hank says:
qual?
handshakefulness. says:
pois não
handshakefulness. says:
não digo
Hank says:
lol
Hank says:
diz la
Hank says:
alguma merda paneleira
Hank says:
e tens vergonha
Hank says:
tta merda boa e gostas de uma musica paneleira dos pumpkins
Hank says:
fdx
Hank says:
depois dizes q n comes gajas
Hank says:
e o crl
handshakefulness. says:
adivinha qual é
Hank says:
soma
handshakefulness. says:
não
Hank says:
zero (aqele q n come gajas)
Hank says:
?
handshakefulness. says:
não
Hank says:
sei la crl
Hank says:
os gajos devem ter umas cem musicas
Hank says:
diz
handshakefulness. says:
não digo
Hank says:
fdx
Hank says:
coitado do corgan
handshakefulness. says:
1979
Hank says:
o gajo só nao se matou
handshakefulness. says:
porque tem demasiado amor próprio?
Hank says:
nao faço ideia
Hank says:
se o gajo se tivesse suicidado agora andavam gajos pseudo-cena-underground com tshirts dos smashing
Hank says:
assim, é uma ganda merda
Hank says:
quero que se fodam todos
handshakefulness. says:
não era nada
Hank says:
claro que era
Hank says:
é até demasiado óbvio
Hank says:
se o kobain n se tivesse matado era um corgan ag
Hank says:
se o elliott smith n se tivesse matado nem sequer ninguem o tinha ouvido
Hank says:
estas merdas são tristes
Hank says:
ainda mais tristes são os gajos que as criam
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Sobre o assalto ao BES...
Tenho Portugal como um país de pessoas que são tudo menos racistas. Somos acima de tudo, um povo voltado para a descoberta de novos mundos e novas culturas (não me venham com a história da puta da colonização e de como fomos uns mauzões há umas centens de anos; são o mesmo tipo de malta incoerente que depois vê filmes sobre a colonização inglesa e espanhola e aplaude de pé e verte uma lágrima a meio da fita). Temos um dos melhores serviços de turismo do Mundo inteiro e não há-de ser apenas por causa do clima. Somos hospitaleiros, e nem assim tão broncos.
As vozes da reacção poderão dizer "ah e tal, não gostas de emigrantes". Pois é, também tenho as minhas formas de discriminação-não-generalizada-mas-quase. E tenho esse direito. Porque as excepções existem, pois claro, mas são poucas. Não gosto do mês de Agosto e não gosto de emigrantes. Pior do que isto, é juntar emigrantes no mês de Agosto no Norte, outra prole que abomino cada vez mais. Não gosto do que não gosto e tal como muitas pessoas não gostam do Algarve, e passam a vida a meter lá as patas imundas, eu não gosto do Norte e não tenho saudades nenhumas de lá ir. Quem diz Norte, diz nortenhos e acredito piamente que se devia fazer um ghetto ou um muro para se separar aquela malta do resto, e só haviam de entrar em Lisboa com passaporte. Desculpem lá o parêntesis. Isto é assaz pessoal. Mas reconheço que há boas pessoas e boas coisas no Norte: a excepção, portanto.
Isto para dizer que o que aconteceu não me choca, e se pessoas há que se revoltam contra brasileiros e dizem que a culpa é dos brasileiros, que há muitos brasileiros mauzões, ou que estão ilegais e deixam de estar ilegais, outros dizem que somos racistas e xenófobos, etc etc etc, penso apenas que para se fazer afirmações do tipo, as pessoas terão de estar um pouco mais esclarecidas e menos "emotivas" relativamente às diversas questões. Leio comentários (ou li agora, no Blog do Markl), opiniões de algumas pessoas que se nota claramente que não sabem o que é o trabalho de um snipper. Outros, deixam-me estupefacta e boquiaberta, por não saber nem calcular a grande polémica em que, afinal, o assunto se tornou. Acabam por misturar tudo e até em falar em pena de morte. Por favor!
A grande questão aqui, para mim, é: fossem brasileiros, suecos, espanhóis, australianos ou japoneses, a atitude da polícia foi apenas o ter de fazer o que havia a fazer. Sem falsos moralismos ou penas de maior ou justiças divinas ou lágrimas pelas pessoas que morreram (ou a que morreu). Friamente e porque a justiça é cega, e nunca totalmente justa, pagaram o preço com a vida o erro que cometeram e numa situação limite e em que a acção violenta de uns contra outros coloca a vida desses em perigo, a decisão foi bem tomada.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Protecção Solar

Mary Schmich, 1 de Junho de 1997
(tradução livre)
"Dentro de cada adulto, esconde-se um orador de fórum desejoso de sair, alguém suficientemente convencido de que possui o esclarecimento acerca do mundo em quantidade suficiente para iluminar aspectos da vida a uma audiência que preferia simplesmente passar esse tempo a equilibrar-se em cima de patins em linha. Desgraçadamente, a maioria de nós nunca será convidado para tecer considerações de sabedoria adquirida diante de uma audiência de capas e fitas, mas não existe qualquer razão pela qual não possamos entreter-nos a compor um Guia de Vida para Recém Licenciados.(ou jovens em geral)
Senhoras e senhores da turma de 1997 ( o meu ano curiosamente...)
Usem protector solar.
Se eu pudesse oferecer apenas um único exemplo de conselho, de instrução para enfrentar o futuro, seria o uso de protector solar. Os benefícios a longo prazo dos protectores solares têm sido profusamente comprovados por cientistas, ao passo que o resto dos meus conselhos têm como base nada mais fiável que as minhas calcorreantes experiências. E irei dar esses conselhos agora:
Aproveitem e saboreiem o poder e a beleza da vossa juventude. Oh, deixem lá isso! Nunca entenderão o poder da vossa juventude ou beleza até estas se terem desvanecido. Mas creiam-me, em vinte anos, olharão para fotos vossas dessa altura e recordarão de uma forma que nesta altura nunca conseguiram compreender, quantas possibilidades estavam à vossa disposição e o quão fabulosos realmente aparentavam. Não são nunca tão gordos como imaginam.

Não se preocupem com o futuro. Ou preocupem-se, mas sempre com a noção de que a preocupação antecipada é tão eficaz como resolver uma equação de álgebra usando a mastigação da pastilha elástica. Os verdadeiros problemas na vossa vida serão coisas que nunca vos cruzaram a mente, daquelas que roubam a vossa visão numa calma e serena tarde de terça-feira.
Façam diariamente uma coisa que vos assuste.
Cantem.
Não sejam inconsequentes com o coração das outras pessoas. Não aturem quem seja inconsequente com o vosso.
Usem fio dental.
Não percam tempo com ciúme ou inveja. Por vezes vão à frente, por vezes estão atrás. A corrida é longa, e no fim, é apenas convosco próprios.
Recordem os cumprimentos e elogios que receberam. Esqueçam os insultos. Se forem bem sucedidos nesta tarefa, contem-me como conseguiram.
Guardem as cartas de amor antigas. Rasguem os velhos recibos bancários.
Estiquem-se e flexibilizem o corpo.
Não se sintam culpados se não souberem o que querem fazer com a vossa vida. As pessoas mais interessantes que conheço não sabiam aos vinte e dois o que queriam fazer à vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço, ainda não sabem.
Consumam muito cálcio. Sejam gentis com os vossos joelhos. Sentir-lhes-ão a falta quando eles se forem.
Talvez casem. Talvez não. Talvez tenham filhos, talvez não cheguem a tê-los. Talvez se divorciem aos quarenta, talvez façam a dança da galinha no 75 o aniversário de casamento. Seja o que for que façam, não se parabenizem ou destratem em demasia. As vossas escolhas têm metade das hipóteses de sucesso. Assim como as de toda a gente.
Gozem o vosso corpo. Usem-no de todas as formas que quiserem. Não tenham medo dele, ou do que outras pessoas pensam do mesmo. É o maior e mais fantástico instrumento que alguma vez possuirão.
Dancem, nem que o único local que tenham para o efeito seja a vossa sala de estar.
Leiam as indicações de direcção, mesmo que escolham não seguí-las.
Não leiam revistas de beleza. Só vos farão sentir feios/as.
Conheçam os vossos pais. Nunca saberão quando eles irão de vez. Sejam bons para com os vossos irmãos. Eles são o vosso melhor elo com o passado, e aqueles que mais provavelmente vos apoiarão no futuro.
Entendam que os amigos vão e vêm, mas alguns (poucos) são tão preciosos que nunca os devem deixar ir. Esforcem-se para preencher as lacunas em termos da vossa geografia e estilo de vida, porque quão mais velhos forem ficando, mais necessitarão das pessoas que conheceram quando eram novos.
Viajem.
Aceitem algumas verdades inalienáveis. Os preços subirão. Os políticos prevaricarão. Vocês também envelhecerão. E quando isso acontecer, fantasiarão que no vosso tempo, os preços eram razoáveis os políticos nobres, e que as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeitem os mais velhos.

Não esperem que alguém vos sustente. Talvez tenham um fundo fiduciário. Talvez tenham um cônjuge rico. Mas nunca se sabe quando qualquer um deles se poderá esgotar.
Não façam muitas diabruras aos vosso cabelo, ou quando tiverem 40 anos aparentarão 85.
Tenham cuidado com os conselhos que interiorizam, mas sejam simpáticos e pacientes com quem os partilha. Dar conselhos é uma forma de pescar o passado, polir o obtido, pintar por cima das partes menos bonitas e reciclar para que acabe por valer mais do que efectivamente valia.
No entanto, confiem em mim.
Usem protector solar.”
O texto é de Mary Schmich. As fotografias foram retiradas daqui e são de Rosalina Afonso; Filipe Pombo e Raul Garcia, respectivamente.
What can I possibly say?...
Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais
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- tretas da época (57)
- tretas das relações humanas (57)
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receita para alcançar a imortalidade
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