:: imagem retirada do Acatar::Não sou pessoa de fazer fretes e não sou gaja para andar a bater o coiro a ninguém. Não o faço na vida real, muito menos o faria aqui. Não digo o meu nome e não digo o que faço. Não digo onde vivo nem em quantas cidades já vivi. Subentendo muita coisa e opino muito, mas não estou aqui para fazer amigos. Às vezes irrito-me um bocado com certas merdas que leio "por esses Blogs fora", como já aconteceu esta semana, mas faço-me depressa à estrada e passo à frente num instante. Gosto de me surpreender e gosto muito, muito mesmo, de me rir com algumas coisas que leio nos Blogs.
Isto para dizer que tenho lido um Blog de um gajo que bem pode ser o tipo mais mal-disposto do mundo e ter muito mau feitio, mas há extremo humor em tudo o que ele escreve. Tal como a beleza, o humor reside no olhar que o observa. Pessoalmente, farto-me de rir.
Não preciso que ele venha aqui ao meu tasco visitar-me ou agradecer-me e dar as tais palmadinhas nas costas, mas quando estou mal-disposta gosto de lá ir e perceber que ainda há coisas que mereciam que pagássemos para as poder ler; ainda por cima, são de borla e tudo.
O post sobre as crónicas do José Quitério no Expresso devia ter sido eu a escrevê-lo, e as crónicas sobre taxistas de Lisboa davam um livro, ah pois davam.
Aqui fica uma dessas crónicas. Lobo Antunes, cuida-te!
Bandeiradas
Aqui há dias apanho um taxi e o homem começa-me a contar a vida dele, mais propriamente as histórias sobre a amante, a quem trata carinhosamente por "a gaja".
Eis os contornos do caso:
"A gaja tem 45 anos, e pensa que tenho 49. Tenho mais dez, mas a gaja nem desconfia..."
"Eh pá, mas é uma gaja boa, pá. Mêmo boa..."
"O que a gaja quer sei eu, mas não caio nessa. Tenho de me pôr a pau com estas gajas. Eu dia já tive as malas à porta de casa."
"A gaja é maluca. Outro dia disse-me que tinha três mil euros em casa."
"Outro dia ligou-me, estava com um cliente e tudo. Nhe-nhe-nhe, nhe-nhe-nhe... Dizia-me ela... Queres ver...? Tive de ir lá a casa tratar dela, pá, que a gaja não se calava com o nhe-nhe-nhe, nhe-nhe-nhe..."
"Esta nem sabe que sou casado. Mandei-lhe uma peta que estava separado, mas que a minha mulher ficou a viver lá em casa."
"A gaja agora anda com outro ao mesmo tempo. A gaja diz que foi o gajo que a inaugurou, isto há muito anos, ainda ela trabalhava na fábrica do gajo, depois engravidou doutro, foi-se embora, agora voltaram-se a ver e diz que o gajo anda atrás dela. Outro dia ligou-me a dizer que o gajo lhe bateu à porta, entrou lá para casa sem ela querer e a gaja deu-lhe um estalo. O gajo subiu por umas escadas, que dão para a porta dela. Eh pá, mas se a gaja não quer nada com o gajo porque é que o deixou entrar? Eu tou cá fisgado que isto foi mas é conversa para me ligar. A gaja queria era nhe-nhe-nhe..."
O post sobre as crónicas do José Quitério no Expresso devia ter sido eu a escrevê-lo, e as crónicas sobre taxistas de Lisboa davam um livro, ah pois davam.
Aqui fica uma dessas crónicas. Lobo Antunes, cuida-te!
Bandeiradas
Aqui há dias apanho um taxi e o homem começa-me a contar a vida dele, mais propriamente as histórias sobre a amante, a quem trata carinhosamente por "a gaja".
Eis os contornos do caso:
"A gaja tem 45 anos, e pensa que tenho 49. Tenho mais dez, mas a gaja nem desconfia..."
"Eh pá, mas é uma gaja boa, pá. Mêmo boa..."
"O que a gaja quer sei eu, mas não caio nessa. Tenho de me pôr a pau com estas gajas. Eu dia já tive as malas à porta de casa."
"A gaja é maluca. Outro dia disse-me que tinha três mil euros em casa."
"Outro dia ligou-me, estava com um cliente e tudo. Nhe-nhe-nhe, nhe-nhe-nhe... Dizia-me ela... Queres ver...? Tive de ir lá a casa tratar dela, pá, que a gaja não se calava com o nhe-nhe-nhe, nhe-nhe-nhe..."
"Esta nem sabe que sou casado. Mandei-lhe uma peta que estava separado, mas que a minha mulher ficou a viver lá em casa."
"A gaja agora anda com outro ao mesmo tempo. A gaja diz que foi o gajo que a inaugurou, isto há muito anos, ainda ela trabalhava na fábrica do gajo, depois engravidou doutro, foi-se embora, agora voltaram-se a ver e diz que o gajo anda atrás dela. Outro dia ligou-me a dizer que o gajo lhe bateu à porta, entrou lá para casa sem ela querer e a gaja deu-lhe um estalo. O gajo subiu por umas escadas, que dão para a porta dela. Eh pá, mas se a gaja não quer nada com o gajo porque é que o deixou entrar? Eu tou cá fisgado que isto foi mas é conversa para me ligar. A gaja queria era nhe-nhe-nhe..."
