::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


sexta-feira, 15 de maio de 2009

Ajustar contas






O governo governa com a maioria e não com as manifestações da Rua,
diz o Sr. Primeiro Ministro.
É verdade, se o PS não tivesse a maioria, o Governo nunca
teria tido a coragem de insultar os professores, nem de aprovar o novo estatuto da carreira docente, que é um insulto a quem presta tão nobre serviço à Nação.

Já foi votada no Parlamente por três vezes a suspensão do novo estatuto da carreira docente e das três o PS votou contra suspensão.
As maiorias só favorecem os poderosos, as classes trabalhadoras que produzem riqueza saem sempre a perder. É fácil para quem tem vencimentos chorudos vir à televisão pedir para que apertemos o cinto.

Chegou o momento de ajustar contas com o PS. Se este partido tivesse menos de 1% dos votos expressos nas últimas eleições, não teria a maioria e nunca teria tido a coragem de promover esta enorme afronta aos professores. Somos 150.000, o equivalente a 3% dos votos nacionais expressos. Se nas próximas eleições, que são dentro de um ano, todos os professores votarem em massa em todos os partidos excepto no PS, este partido nunca mais volta a ter a maioria e será a oportunidade soberana de devolver ao Sr. Sócrates as amêndoas amargas que ofereceu aos professores.

Colegas, quem foi capaz de ir do Minho, Trás-os-Montes, Algarve, Madeira e
Açores a Lisboa, também consegue nas próximas legislativas dirigir-se à sua assembleia de voto e votar a derrota do PS.
Em Portugal há partidos para todos os gostos, quer à direita quer à esquerda do PS, é só escolher, maiorias nunca mais.

Os professores, para além de terem a capacidade de retirarem a maioria ao PS, têm a capacidade de o derrotar, basta para isso que os professores convençam metade dos maridos ou mulheres, metade dos seus filhos maiores, metade dos seus pais e um vizinho a não votar PS, e já são mais de 500.000, foram os votos que o PS teve a mais que a oposição.
Os professores estão pela primeira vez unidos, esta união é para continuar, e têm uma ferramenta poderosa ao seu alcance, a Internet, que nos põe em
contacto permanente uns com os outros.



Façamos contas:
Esta mensagem vai ser enviada a cinco colegas. Se cada um dos colegas enviar a mais cinco dá 25.
Se estes enviarem a mais cinco dá 125.
Se estes enviarem a mais cinco dá 625.
Se estes enviarem a mais cinco dá 3.125.
Se estes enviarem a mais cinco dá 15.625.
Se estes enviarem a mais cinco dá 78.125. se estes enviarem a mais cinco dá 390.625... isto é, o dobro dos professores que há em Portugal.
À sétima vez que esta mensagem for reenviada todos os colegas ficarão a saber a informação que ela contém.

Começou oficialmente
a campanha eleitoral dos Professores
contra o PS
Não votes PS




Não é de certeza absoluta o único motivo pelo qual não votarei PS, mas este, é um motivo bastante válido.



25 de Abril? Foi você que pediu?



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quinta-feira, 14 de maio de 2009

"Ar de poucos amigos"








Confesso que não sou uma pessoa de ir em "aparências". Quase nunca gosto das pessoas com "ar feliz" (embora o meu, seja o "ar" mais estúpido do mundo), preferindo sempre as carrancudas e com "ar de poucos amigos". Toda a gente deve ser agradável, bem educada, polida e convenientemente silenciosa, até porque o contrário a esta adjectivação é algo de insuportável. Certo é, e pasmem-se aqueles que acham que tiveram alguma vez o privilégio de me conhecer, que eu sei ser insuportável. Alguns comportamentos levam-me a isso. Reconheço totalmente. Admito, assumo, tenho plena consciência disso. Daí até ao arrependimento é um caminho difícil, já para não dizer impossível ou irreversível. Chego a gostar de ser insuportável, tenho prazer em ser insuportável.


Porquê? Porque nem tudo o que parece é. Todos os comportamentos (e não pessoas) que provocam o animal que há em mim, são fruto de coisas que, na minha escala de valores, são inconcebíveis, intoleráveis. Tal como eu, o resto do mundo. Voltemos ao princípio: e se essas pessoas que têm "ar de poucos amigos", tiverem boas razões para o ter? E se tivermos julgado mal essas pessoas? E se afinal a história não era bem como se contava por aí? E se afinal o louco que todos julgavam louco, era o mais lúcido de todos?


Muitas vezes aquilo que se ouve por aí, os boatos, as histórias mal contadas, os comportamentos desajustados atribuídos a alguns e retirados a outros, são apenas pedaços de mentiras mal metidas e os factos não estão nem são muito claros. Tudo parte desse princípio errado: a mentira. Todas as mentiras acabam por se descobrir e tudo o que alguns julgavam estar encoberto porque afinal souberam mentir muito bem, acaba por vir ao de cima.


As máscaras sempre acabam por cair. E ainda bem. Começo a não ter paciência nenhuma para as milhentas histórias de homens que, no final de uma relação, ou porque querem precipitar o final de algo, mas não têm os tomates para assumir o que querem (ou não querem), justifiquem toda a trampa que fazem com a frase "ela é louca". Ou algo equivalente a isto: a loucura da mulher, namorada, companheira. Como provavelmente ela até anda sempre com cara de caso (ou "ar de poucos amigos") porque deve estar farta de alguma situação limite a que está sujeita com o gajo, ou tem comportamentos desajustados, é fácil assumir que ela é que é a "louca da história". Quase sempre é a mulher a "louca da história".


Qualquer um de nós conhece alguma história inexplicável entre um homem e uma mulher e quase sempre nessa história a louca é ela. Dá que pensar, não?


Eu vou levar o meu "ar de poucos amigos" até outras paragens. Até porque tenho mesmo poucos amigos. Mas os que tenho são bons.






quarta-feira, 13 de maio de 2009

Marli, uma Coisa do Outro Mundo

Eu pensava que já tinha visto e ouvido tudo o que de pior o ser humano pode conceber, e ainda assim conseguir chamar-lhe "arte", até à noite passada em que ouvi isto e percebi que há um mundo imenso a descobrir. Ou não.

Há quem lhe chame a Bjork brasileira.








* gosto particularmente da "evanessença"

terça-feira, 12 de maio de 2009

O Filho do "Reculuso"

Hoje criei uma nova etiqueta: tretas do tipo "ri-me tanto que me borrei todo". Acho que isto diz tudo.




Ainda o 1º de Maio















Estes mails que me enviam... comunas duma figa pá! ehehehe...

Teacher






Dá que pensar.
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Discursos com muitas "aspas"

Às vezes esqueço-me porque é que não gosto de determinados Blogs e determinadas opiniões, e regresso em breves visitas para me refrescar a memória. Foi o caso desta noite, em que fiz uma incursão algo demorada ao Abrupto de José Pacheco Pereira.

Então leio "pérolas" como a que se segue e lembro-me porque é que não gosto de determinados Blogs.




Nos blogues, que estão, desde a génese da blogosfera portuguesa, inclinados para uma direita ideológica herdeira, em muito mais do que imagina, do Independente e do PP de Portas e Monteiro (sim dos dois) prolifera uma atitude um pouco enjoada e nefelibata sobre o 25 de Abril. Muitos dos que a têm, até porque está na moda e as modas contam mais para certas gerações do que para outras, nasceram por volta de 1974, mais ano, menos ano e viveram sempre em liberdade. Esse enjoo enjoa-me também um pouco, porque o resultado final do 25 de Abril, não as suas vicissitudes de percurso, pode traduzir-se nesta verdade absoluta: eu posso escrever “o governo do engenheiro Sócrates é medíocre” e antes do 25 de Abril não podia. No fundo, é simples.

in http://abrupto.blogspot.com/



Se por um acaso o senhor José Pacheco Pereira passar por aqui, deixe-me que lhe diga que as pessoas vivem demasiado o passado neste país, para não terem de encarar o futuro. É apenas disso que estamos TODOS fartos e "enjoados", velhos e novos, mais à "Esquerda" ou mais à "Direita" (quem ainda acredita no conceito de Direita vs Esquerda são os comunistas ou mrpp's que agrediram o Gepeto no 1º de Maio, malta que vai ao Avante com t-shirts do Che Guevara e estudantes de 18 anos do Bloco de Esquerda). Avós, pais e filhos vivem "enjoados" com a conversa da treta do 25 de Abril, todos os anos que se lhe seguiram. Não foi mais do que um culminar óbvio de uma porção de coisas que tinham imperativamente de acabar numa Europa em evolução e, ainda por cima, foram mal solucionadas. Basta ler a História e as múltiplas governações que foram autênticas fraudes, um fiasco. De Soares a Cavaco, de Eanes a Spínola, de Guterres a Durão Barroso, todos diferentes, todos iguais. Todos muito "enjoativos".


Eu posso escrever que antes do 25 de Abril tivémos Liberdade, já que antes de Salazar tivémos Liberdade e posso escrever que 35 anos depois do 25 de Abril de '74, continuamos a ter pseudo-intelectuais agarrados a um século XX que não foi nada positivo, aos conceitos nobres do 25 de Abril, defendendo-os na teoria, mas nunca na prática. Muito sábios, cheios de "aspas" e "conhecimento de causa" no discurso, julgam que nos ensinam algo que por si, desconhecemos.
Recriminar jovens nascidos em '74, mais ano, menos ano, por querer algo de maior? Deveríamos quê? Bater no peito e agradecer três vezes? O seu discurso com demasiadas aspas insinua, à laia de quem cresceu num ambiente sem Liberdade, portanto nunca afirmando convictamente, que os jovens que já nasceram em Liberdade são uns "enjoados" felizardos! Permita que o corrija: não somos uns felizardos, vocês, os que nasceram durante o regime ditatorial é que foram uns infelizes, e precisaram do Golpe dos capitães de Abril para virem agora, todos de cravo ao peito, falar-nos do valor da Liberdade, ignorando tudo o resto, ignorando que Portugal deveria estar num outro sítio que não está, a um nível equiparado ao resto da Europa, pela mentalidade medíocre dos governantes dos últimos 35 anos, e não apenas de Sócrates.

Não é uma questão de "modas" Pacheco Pereira: é uma questão de futuro hipotecado e nós a arder neste país (literalmente) porque a sua "fantástica" geração tem muita retórica e pouco mais do que isso.

Mais do que "simples", eu diria que é triste. Sem aspas.
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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Exploração Sexual












Certas coisas exasperam-me, tais como a inveja mal digerida no feminino, que se traduz de duas formas: uma delas, é a crítica descabida do corpo da outra. Aquela criticazinha venenosa, com uma pontinha de azedume muito verde, da língua viperina sobre qualquer aspecto menos favorável do corpo de um outro espécime do mesmo sexo, faz-me revirar os olhos.




Fica mal, mesmo muito mal, a uma tipa absurdamente obesa ou absurdamente feia ou absurdamente desproporcionada atacar ferozmente o "nariz torto da Rita Pereira", as "ancas largas da JLo", o cabelo "tratado - e vê-se logo que está cheio de químicos! - da Beyoncé" ou as "rugas (é que tá cheia de rugas!!) da Bárbara Guimarães". Isto, meus senhores, é pura inveja. Se transferida para uma amiga ou uma colega de trabalho, pior ainda. É a p... da má-língua a reinar.



A outra forma, é abordar o assunto indirectamente, pelo ataque gratuito à publicidade, alegando que se faz uso abusivo/exploração do corpo da mulher para fins publicitários. "Coitadinhas das raparigas, ali assim tão expostas a vender um produto qualquer, com as mamas e o rabo e tudo e tudo de fora!" Pois é, coitadinhas das raparigas que ganharam um balúrdio, talvez tanto numa sessão fotográfica como eu ganho num ano! No fundo, esta é uma crítica menos directa, o ataque não se faz às gajas que são podres de boas, mas "à publicidade NOJENTA e MACHISTA!" Sim, porque aquelas coisas saíram todas da cabeça de um homem! E machista, olha o patife...!

Depois, para cúmulo dos cúmulos, são as mesmas pessoas (leia-se gajas) que afirmam que "o corpo feminino é MUITO mais bonito do que o corpo masculino". Há aqui um contrasenso, não? Ora se é bonito, é natural que seja utilizado! Não?!? Esta raça de feministas meio loucas que não pode ver mais do que dois centímetros de pele dá-me a volta ao cérebro, juro. Por acaso eu discordo em absoluto. Porque raio há-de ser o corpo feminino mais bonito? Eu gosto muito mais do corpo masculino, conotações sexuais à parte. Tal como aprecio uma obra de arte, uma escultura, uma tela, um automóvel ou um edifício, também aprecio o corpo humano ou o corpo de um animal. Para mim, o homem é mais passível de ser elogiado e apreciado do que o da mulher. Mas isso sou eu.



Eu? Só tenho pena de não ter o corpinho Danone da Cláudia Vieira, mas não tenho qualquer escrúpulo em atacar a MINHA própria inveja e assumir abertamente um valente "cabra!" quando vejo uma dessas moças na publicidade que nos entra olhos adentro.
Assumo, já agora, que era agradável ver mais homens sem ser no anúncio da Gillette (que já não têm o calibre de outros tempos). Veja-se o caso do Jude Law para a Casa Dior. Aí, provavelmente, as ditas senhoras invejosas já não dirão que é "exploração do corpo masculino". Ah pois não.




Fica a campanha publicitária dos sapatos Eram, que mais do que focar a questão machista/feminista da exploração do corpo feminino, faz uma sátira daquilo que é o tema em si, com grande dose de humor. Pelo menos, é essa a leitura que faço dos anúncios publicitários.
Já agora, fica
isto também, que encontrei aquando da minha busca incessante sobre a exploração do corpo masculino no Google.




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Uma imagem > mil palavras




Depois de visionar a imagem (cortesia da minha amiga Mónica) riem-se milhentos homens (leia-se gajos) e sorriem milhentas mulheres (leia-se gajas). Toda a minha gente em pleno século XXI teve conhecimento de experiência semelhante, quer por causa própria quer por terceiros. A vulgar história cujo papel de bandido pertence ao homem, e em que a enganada e infeliz da mulher agarra-se ao balde de gelado, faz rir toda a gente, MAS... nem sempre é assim.



Às vezes o bicho terrível e predador é a gaja, e o gajo é que se lixa no fim. Façam uma imagem a retratar essa situação, e vejam quantas pessoas se riem no fim. Muitos gajos podem agora subverter a história, fazer cara de Bambi e dizer que as mulheres hoje em dia são umas modernaças, "são piores que eles!", como dizem as velhas nas soleiras das portas.



De uma forma geral, estamos fartinhos de ver a cena acontecer tal como surge na imagem e é essa a situação mais frequente. E rimo-nos, achamos piada, mesmo que isto nos dê amargos de boca, mesmo que isto mexa com as entranhas, mesmo que a memória seja muito curta e nos tenhamos esquecido que já passámos por lá. Porque é que isto acontece? Porque é que são as mulheres as mais rejeitadas? Porque é que são sempre as mesmas desgraçadas a agarrar-se ao balde de gelado? Porque é que isto nos acontece a nós? Pragmaticamente falando, há mulheres a mais. É isso mesmo: há mulheres a mais, gajas a mais, todas no mesmo filme do "sete cadelas a um osso", dado que elas são as cadelas e eles, o osso. Há um excesso de mulheres neste país e todas numa espécie de corrida em que eles se sentem o troféu. Normalmente, este tipo de "gajo troféu" provoca uma expectativa tão grande que no final da corrida, e bem vistas as coisas, o troféu não passa de lata de qualidade inferior. São vulgares.





O meu conselho a este tipo de mulher enganada (que se deixa enganar pelo brilho do troféu de lata):



- valorizem a vida de solteira.



Não há nada de mais fantástico do que ter uma relação (quase) perfeita, ter alguém ao lado que se descobre todos os dias, partilhar uma vida, construir qualquer coisa juntos, etc etc etc e todas essas coisas lindas e maravilhosas que é ter alguém, mas até que isso aconteça, às vezes é preciso procurar muito bem, na medida em que se acredita no Amor entre dois seres humanos. Preciso mesmo é acreditar. Um dia acontece, mas... até que aconteça, os sapos e os troféus de lata pululam por aí. Existem apenas para podermos valorizar a vida, para se poder dizer que se percorreu um caminho, existem para a diversão minhas amigas. Aproveitem o facto de terem TEMPO LIVRE, e valorizá-lo, dando-lhe utilidade em proveito próprio. Saiam com os sapos, divirtam-se com eles; bebam umas cervejas e uns shot's, whatever; tirem um curso, seja superior, seja de dança, seja de italiano, seja de bricolage. Leiam mais. Vejam mais filmes, aqueles filmes do Manoel de Oliveira e todos os criticáveis. Ou as comédias românticas, se preferirem. Aproveitem para ganhar dinheiro, invistam em vocês. Andem pela casa todas nuas com o corpo coberto de auto-bronzeador, coisa impensável de se fazer com um homem em casa. Viajem, viajem muito. Sozinhas. Com amigos. Com amigas.




::dedico este post às minhas amigas que ficaram recentemente solteiras (e não comam baldes de gelado; isso é uma moda à la Bridget Jones ou à la Ally McBeal, que mais não faz do que engordar).

domingo, 10 de maio de 2009

Descubra as diferenças VIII







Gepeto e Vital Moreira.



Com o alto patrocínio do Governo PS.





*Cortesia da JSD e de Bruno Nogueira.

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"Nada se perde, tudo se transforma"

Porque é que as pessoas (se as pensarmos em abstracto), se desencontram da sua natureza e se tornam feias e azedas, à medida que crescem? Porque, ao contrário da natureza, são escassas as vezes em que aprendem com a experiência. Porque não querem? Não; porque a complexidade dos seus sentimentos e do seu pensamento é grande. E, enquanto a natureza metaboliza as diferenças em ciclos de tempo onde caberiam muitas gerações humanas, é raro que uma pessoa encontre quem transforme, num período circunscrito da sua vida, sofrimentos enquistados, sentimentos por legendar e pensamentos que, simplesmente, se intuíram, sem nunca se terem formulado.

Eduardo Sá




Segundo o que Lavoisier defendia, "na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma." . Há quem prefira citar grandes filósofos, poetas, escritores e, mais recentemente, psicólogos ou sociólogos; eu prefiro citar este grande Químico, que foi Lavoisier.



Concordo com a opinião de Eduardo Sá: o ser humano é, ao contrário do resto da Natureza circundante, complexo. Mais do que complexo, acrescento que o ser humano gosta de complicar, gosta de "inventar", criar situações ambíguas que não o permitem ver para além da sua esfera pessoal, fechada e compacta. Qualquer um tende a ampliar ou a diminuir determinada situação que acha que o separa do resto do mundo, apenas porque cada um de nós teima em não perceber que somos todos muito mais iguais do que imaginamos ou gostaríamos de achar que somos. Não vivemos em esferas separadas, vivemos todos dentro da mesma bolha gigante e todos nos dividimos por entre desejo, medo e sonho. Quem acredita piamente que é um desgraçado separado do resto do mundo, incompreendido pela sociedade, é com certeza alguém amargo, azedo, que não terá muito mais a dar senão o queixume típico de um "velho do Restelo". Existem os velhos amargos e existem os velhos loucos. Infelizmente, começa a existir uma legião enorme de pessoas tremendamente novas e muito amargas.
Será sempre assim? Deverá ser assim?



Há dois anos li um livro por sugestão de uma grande amiga: O Poder da Kaballah. Ofereci a resistência natural de quem acha que aquilo é um livro de auto-ajuda, mas ela explicou-me que não. Eu entendi que não, e de facto não o penso assim, afirmo mesmo que aquilo tem tanto de auto-ajuda como outro livro qualquer, um ensaio ou um romance. Gostei muito do que li, até porque o livro não "vende" soluções nem impinge ninguém a cumprir nada e cheguei à conclusão de que perdemos muito mais se não abrirmos horizontes em determinadas direcções. Seja culturais, seja pessoais, seja profissionais. Acharmos que estamos talhados para determinado objectivo ou que estamos destinados a ser de determinada forma, a conduzir a nossa vida e a seguir determinado rumo apenas porque os outros insistem em achar que sim, (ou porque nos auto-educamos e controlamos nesse sentido), é a forma mais limitativa e castradora de se viver a própria vida, de ter iniciativa, e condenamos a própria existência a um destino ou a um plano que alguém tem para nós.



Sempre me recusei a aceitar isso, tenho vindo a somar mais vitórias do que derrotas ao pensar desta forma; talvez por isso me assuma como ateia, talvez por isso me chamem "louca" muitas vezes. Talvez por isso me recuse a ver o mundo pelos olhos dos que se resignam e aceitam, dos que se conformam em nunca alterar o estado das coisas, em nunca mudar, em não aceitar o outro lado do espelho. Fazer as coisas sempre da m-e-s-m-a m-a-n-e-i-r-a conduz-nos a uma estagnação e a uma atrofia, a um empobrecimento espiritual, à tristeza.



Creio, em última instância, que o Bem vence. Que tudo está bem quando acaba bem. Que por mais que se sofra haverá uma contrapartida, que as diferenças poderão esbater-se se tivermos em atenção tudo o que os pratos da balança contêm. Que para tudo há uma causa, e tudo pode causar um efeito. Que, acima de tudo, nada mas mesmo nada justifica a mentira, a maldade, o Mal que impera e nada se faz para inverter o culminar de um final trágico. Nada se resolve por si. Certos pensamentos e sentimentos podem ser digeridos e metabolizados se assim o quisermos; as razões para procedermos ao esquecimento de alguém ou de alguma atitude são o motivo mais forte para que os danos sejam minimizados, para que as perdoemos ainda que nunca o saibam. Perdoar os outros, e sempre perdoar-se a si mesmo.


Nada se esquece, quando nos magoa, mas pode ser compreendido, pode ser dissecado, pode ser assimilado, à semelhança de um prato indigesto que nos caíu mal ou de uma chama de fogo pela qual passámos a nossa mão. Ninguém gosta de comer o que sabe que lhe vai fazer mal, se sabe que é alérgico, se sabe à priori que pode vomitar ou até morrer. Tal como ninguém coloca a mão na chama ao saber que se vai queimar. Vivemos condicionados pela aprendizagem que da vida fazemos, que da vida retiramos, dos erros que cometemos. Aceitar isso é importante, para não se voltar a um caminho por onde já se passou, para não voltar a magoar terceiros se já os magoámos antes. Transformamo-nos, todos os dias.



Ter a consciência de que é um mundo imenso, cheio de experiências e erros a cometer, é uma dádiva que devemos abraçar, na certeza que nem tudo é mau e que pode ser uma mais-valia queimarmo-nos de vez em quando. Uma e outra vez. Porque tudo se transforma, mas há chamas que nunca se extinguem.



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sábado, 9 de maio de 2009

Post do mês (passado, que este já tem campeão)

[ainda da importância dos aniversários]

Sou daquelas pessoas que não se farta de fazer anos, nem de receber chamadas telefónicas (ainda bem que foram mais as chamadas do que as sms'), e de continuar a somar as voltas de 365 dias (366 em anos bissextos) do calendário.

Do que eu me farto é daquelas mensagens escritas, muitas delas, de pessoas que não constam no raio da agenda e é um sarilho descortinar a proveniência das ditas cujas.

Quase podia adivinhar o cheirinho a Natal e suas múltiplas mensagens "tipo" com blablablas do tipo "és uma pessoa especial que merece tudo de bom na vida, admiro-te muito" e blablabla.... whatever... as pessoas que mais o afirmam são precisamente aquelas que menos o sentem. Têm dúvidas?


O Alvim compreende-me. E o Garfield também.










Fiz anos este Domingo e de novo senti o que já venho a suspeitar há algum tempo. O nosso dia de anos está cada vez mais parecido com o Natal. E foram muitas as sms que terei recebido que me lembraram isso. De tal modo, que recebi uma que dizia precisamente: " Feliz Natal e Bom ano novo!".





Irritam-me as mensagens tipo. As pessoas tipo. As empresas tipo. Os comportamentos tipo. Um bom tipo. Um mau tipo. O próprio Fiat tipo. Por mim, prefiro mil vezes uma mensagem que diga simplesmente " Parabéns!" a uma tipificada como: " Espero que este dia seja passado com aqueles que mais amas, na companhia dos teus verdadeiros amigos, e que este dia se repita por muitos e longos anos!" . Não sei explicar-vos, mas explico. Há aqui qualquer coisa de plástico. Ou de cimento armado. Ou tijolo casquinha. É duro perceber que já teremos lido isto em alguma parte. E já lemos. Possivelmente mais do que uma vez. Possivelmente até da mesma pessoa que no ano anterior, nos terá enviado uma mensagem exactamente igual a esta. Por mim, é preferível darem-me um par de meias todos os natais. Essas sempre aquecem.




Aliás de entre todas as mensagens que se enviam em datas como esta, a que terei recebido mais vezes, a recordista de sempre, a rainha das mensagens, a Vanessa Fernandes das sms’s, é sem qualquer pestanejar , a lendária mensagem de natal, a vossa atenção por favor para o festim de risadas que aí vem, o clássico dos clássicos que é: "Boas Festas?! Nós queremos é festas pelo corpo todo!:)".E assim, quando a recebo, possivelmente pela quadragésima quinta vez, é tal o riso que me provoca, que me atiro imediatamente ao chão e bato freneticamente com os pés e as mãos como se tivesse a fazer 100 metros mariposa. Ainda agora por exemplo, quando estava a escrever esta mesma piada, aconteceu-me outra vez e fui às lágrimas. Se não se importam, vou buscar lenços de papel que eu já não aguento emoções destas.




Fiz anos e neste dia há uma espécie de imunidade parlamentar que nos é dada. Isto é, podemos dizer e fazer o que quisermos, sem que nos julguem por isso. E assim, este é o dia perfeito para fazer as pazes com alguém ou, com a quantidade de sms recebidas, recuperar contactos que se encontravam perdidos há muito. Há pessoas que só nos ligam nestas alturas e ainda bem. São pessoas que existem só nestas duas ocasiões e eu não as censuro. Até porque essa é a diferença. E assim, é fácil percebermos que só há duas categorias de pessoas: as que existem durante estes dois dias e as que existem durante todo o ano. Eu gosto particularmente destas últimas.

Portugal na CEE

A propósito da data de hoje, alguém é capaz de me elucidar sobre a data de adesão de Portugal às comunidades europeias? Supostamente terá sido em 1986, mas algumas fontes alegam ter sido em 1985.





Esta música é de 1981. Formação inicial dos GNR com Alexandre Soares.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Desmistificações

... e começar assim o fim-de-semana. Porque esta foi, sem dúvida, uma semana BEM cheia!





*dedicado aos meus amigos da Terceira e em homenagem às "touradas à corda" que começaram esta semana. Bem hajam!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Estranha Forma de "BlogoViver" III

Não há duas sem três, e se parece demasiado andar às voltas sobre o tema e atribuir importância desmesurada sobre isto, penso que dois ou três posts são apenas a ponta do iceberg. Um livro inteiro não chega para descrever aquilo que é o mundo virtual e como funciona isto de se ter um Blog.
Já agora, de fingir que não se tem um Blog.
Anteriormente discorri sobre os estafetas de comentários que fazem dos seus Blogs o seu objectivo de vida, pois normalmente não têm vida. Hoje, debruçar-me-ei sobre os olhares masturbatórios de quem finge não ter um Blog. Faz-se de conta que não se tem, tendo. Ou diz-se mesmo "tenho um Blog mas não digo a ninguém qual é". Classifico esta malta numa palavra: cobardolas. Ou cobardes, se preferirem, mas o termo "cobardolas" é mais engraçado na definição e na gíria.
- Dão tanta ou mais importância aos que afirmam ter um Blog.
- Normalmente chegam a ter mais do que um.
- Têm medo da crítica a que possam estar sujeitos, uma vez que criticam tudo e mais alguma coisa.
- São, por norma, pessoas picuinhas e desconfiadas.
- Têm uma insegurança que não lhes cabe nem na parvoíce de poderem afirmar que têm uma merda dum Blog. Porquê? Porque acham que os outros são como eles, e rir-se-íam das bacoradas que lá metem. Por outro lado, acham que atiçam a curiosidade alheia ao afirmar que têm um Blog mas não dizem qual é, talvez na tentativa desesperada de chamar a atenção e imaginar que o resto do mundo possa ter grande interesse pelo tal Blog fantasma. Nem perco tanto tempo a imaginar o que faço para o jantar, quanto mais...
Tenho conhecimento que algumas pessoas que lêem o meu Blog, têm, de facto, um Blog, mas não o dizem a ninguém. São as mesmas pessoas que acham que congemino uma teoria da conspiração no outro Blog, o tal, o do gostinho especial, o que dá por nome de Beautiful Losers. Bebem estas palavras como se fosse um qualquer vinho de reserva, e fazem visitas diárias.
Estas pessoas acabam por sempre ter uma enorme sensação de poder em relação ao que lêem no blog das outras, porque acham que têm acesso a coisas que, de outra forma, não teriam. Sentem-se, no fundo, felizes por ter acesso a isso, a páginas que julgam ser privadas, sagradas e preciosas para a pessoa que as escreve. No fundo, é uma sensação de falso poder que se impingem a si próprias, no momento em que denunciam a real importância que afinal nós sim, constituímos nas suas vidas. De que me interessa a mim dizerem-me, com ar trocista e imbecil "ah, afinal foste ver o Marley e fartaste-te de chorar... ehehehe".
Tipo: "e...?" Se eu não quisesse que toda a gente soubesse, não o teria escrito, certo? E se eu própria estiver a manipular essa informação? Não se deve acreditar em tudo o que se lê! E se estiver a mentir?, aquilo que toda a gente faz via Internet? O propósito é sempre esse: manipular e/ou informar.
Normalmente tenho as revistas Visão na casa-de-banho. Gosto de ler as crónicas do Lobo Antunes e do Gonçalo M.Tavares enquanto .... enfim... a importância desse momento sou eu que a assimilo e digiro. Gosto muito mais desses momentos de wc do que pegar no livrinho destes senhores e armar-me ao cagalhão numa esplanada qualquer! (Tipo forinhas da pacotilha, os que se vestem de preto e usam óculos de massa e papam tudo o que é alternativo só porque sim) E agora? Devo sentir-me importante por isso? Importantes são eles, os que escrevem, os que me motivam por alguma razão, a que num momento tão importante da minha existência digestiva, pegue numa das suas crónicas e me refugie num sítio em que mais ninguém entra enquanto eu lá estiver! Imagino o ar incrédulo do sr. Lobo Antunes se a ele me dirigisse e dissesse, com ar maroto, a piscar o olho: "ontem foi mesmo bom, aquela sua crónica deu um outro sentido à minha vida..." Se ele tivesse juízo nem me respondia e seguia caminho.
O olhar idiota, cretino e imbecil de quem lê uma porcaria qualquer de outro alguém e se dá o direito de se achar importante apenas porque sabe ler uma porcaria que está online, e não divulga as próprias porcarias que escreve, não é mais do que masturbatório. Já agora, um bocadinho presunçoso. Às vezes, é até mesmo um favor que estas pessoas nos fazem, não nos presentear com os seus demónios de horror, pesadelos, sonhos ou ambições, já para não falar das opiniões. Sabe-se lá o que iríamos ler nesses Blogs fantasmas. Mas é como dizia o outro: as opiniões são como as vaginas... cada um tem a sua... (ou não).

terça-feira, 5 de maio de 2009

Post do mês



É disto às vezes que se trata. Apenas e somente. Gosto tanto tanto deste Blog que nunca o comento. É bom que se farta.






Porque é que não tenho escrito sobre cinema? Porque não tenho ido ao cinema. É simples. É a esse nível de merdice que a minha vida anda - tão grande tão grande tão grande que nem faço a única coisa que me preenche. Nem sequer vejo as centenas de filmes que tenho em casa, contam-se meses desde a última vez que peguei num dvd. Claro que tenho ouvido música - é a minha epiderme, não preciso de seguir-lhe o encalço. Mas, por exemplo, dançar. Não danço desde a passagem de ano. Não vou a concertos, muito menos nem aos do Mercado Negro. Este mês não li nada. Andava a ler a um ritmo tão bom, para o nível miserável dos últimos três anos e entretanto fui-me abaixo. É isso, fui-me abaixo, e não me apetece nada dizer que estou lá em cima. Este blogue anda a irritar-me. Anda muito levezinho. Foda-se, mas eu estou na merda ou não estou? Claro que estou. Como sempre. Então que se foda esta porra toda e vocês também, já agora. Entretanto, rio-me. Já não resisto à minha própria palhaçada, é o que é. Vai-se a ver e isto continua tudo muito triste. Óptimo. Manifesto desde já a minha intenção de repor o tom a que este blogue tem direito e obrigação: rasteirinho, rasteirinho, fodidinho, todinho. Nem a propósito, grita agora mesmo um guna na minha rua olhá, ámanhá, até te bou matare. Fixe, por mim podia ser já hoje. Mas antes queria mandar um beijinho lá para casa, para as pessoas que me estão a ver. Em especial, para o Zé, que não conheço pessoalmente e que no outro dia me fez um filho em sonhos, e eu em sonhos tinha namorado, que era o Pedro. Qual deles? Olhem, vão ver se chove, que pode ser que sim. O relato do sonho fica para depois, merece um tempo de antena exclusivo, como tudo o que é macabro e perturbador. Sinto-me mal. Se calhar não ajuda estar enterrada num puff preto enquanto escrevo - é como escrever sobre a escuridão da perspectiva de um buraco negro. Não saio de casa há dias seguidos. Demasiadas vezes dizem-me «és uma complicadinha», como quem diz «não há quem te ature». Mas é que não há mesmo. Estou sozinha há anos ou não estou? Ou vocês achavam que isto era tudo literatura? Desculpem lá se o discurso hoje é o inverso. Isto de falar para 400 pessoas diariamente não só é completamente contrário à minha vida real como às vezes me atrofia um bocado a tola.

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Estranha Forma de "BlogoViver" II

Os meus Blogs preferidos, na sua maioria, não recebem comentários meus, e não os recebem porque acrescentar algo ou comentar aquilo que considero bom ou excelente, acaba por ser um exercício inútil. Se já dizem tudo, para quê acrescentar o que quer que seja? Existem outros que nem sequer caixas de comentários têm e salvo um mail ou outro que acho por bem escrever aos seus "donos", fico-me por aí. Continuo sempre a visitá-los e lê-los diariamente.


Depois há os outros, os das palmadinhas das costas. Ninguém fala do que desconhece e reconheço a minha própria bestialidade nesse estranho mundo e dessa estranha e algo ingénua forma de coexistir virtual e levianamente. Como diz e bem Miguel Sousa Tavares, um mundo de facilidades. Os elogios, as opiniões sempre iguais, o nunca acrescentar nada de novo, um simples "bom dia", apenas uma sugestão daquilo que é uma espécie de amizade. Confunde-se tudo, confundem-se intenções, surgem sentimentos dúbios que não passam de solidões assistidas. Resultado de muito tempo entre mãos e uma imaginação fértil.


Às tantas, começamos a perceber que o propósito de se ter um Blog é apenas o da aceitação, o da retribuição, o do feedback, o cobrar-se qualquer coisa que começa a ser uma obrigação, sentimo-nos obrigados a ter de cumprir um ritual diário de passagem por um blog, à semelhança da passagem pelo café do costume, e não o da necessidade de escrever, pelo exercício puro de escrever.

Outro factor e, não obstante a forma como as pessoas se expressam, a obrigatoriedade passa a ser também o da concordância, para além do da presença. Curioso é constatar que pessoas tão social e política e racionalmente correctas não aceitam críticas ou opiniões divergentes das suas e pela expressão de tais opiniões nas suas caixas de comentários, "correm" connosco de lá numa valente chapada virtual. Como se fazer parte de uma "tribo" em que todos têm de ter as mesmas opiniões e dar as merecidas e previsíveis palmadinhas nas costas é condição obrigatória de um ritual de passagem para se obter uma pertença a qualquer coisa ou a alguém.

As gajas gostam de ouvir que são lindas e maravilhosas e se pudéssemos, formaríamos um Clube Pilinha Não Entra, do tipo Girl Power. Os gajos gostam do elogio fácil e que eles são os nossos Tarzans da opinião generalizada, e quiçá, um dia destes, ganham um Pullitzer ou serão um Nobel.


Voltamos todos à adolescência, no fundo. A adolescência virtual do "se me visitares, eu visito-te a ti". Somos todos tão profundos e coiso e tal. Concordamos e tudo; se discordarmos, temos de o fazer com moderação, contenção e com as palavras certas nas linhas e entrelinhas certas, à boa maneira pidesca e portuguesa. Andamos todos a rir e a chorar pelo mesmo e lemos todos os mesmos livros e ouvimos todos os mesmos discos. Há uma obrigatoriedade de igualdade. Como se fôssemos todos equipas desportivas, e quem está de fora não é aceite. Basta clicar nalguns blogs em que alguns leitores se sentem constragidos até de dizer o que quer que seja do contra, em caixas de comentários, não vá levar chapada da grossa, porque anda tudo por lá a abanar a cabeça ao que o dono do blog diz.


Já fui corrida a pontapé, de muitos Blogs e até mesmo no meu próprio, por escrever sobre determinado assunto ou exprimir determinada opinião.


Perde-se algo neste percurso, neste labirinto imenso que é o mundo dos blogs. Perdemo-nos, se nos deixarmos iludir que aquelas pessoas nos compreendem muito mais do que as "nossas pessoas". Começamos outra tribo que, na realidade, não existe.


Estranha Forma de "BlogoViver"

"Uma sociedade inteira vive mergulhada num mundo de facilidades e aparências, afogada em sms, mails, blogues e redes sociais, onde procura criar uma estranha forma de vida e de relacionamento humano, que garante o contacto e o sucesso imediato e dispensa o incómodo que é enfrentar a vida real, sem ser a coberto do anonimato ou do disfarce hipócrita, e sem ter de assumir as consequências dos seus actos nem o vazio de passar por aqui sem ter feito nada de útil para os outros."




Miguel Sousa Tavares, in Expresso








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domingo, 3 de maio de 2009

Reinvenções








Independentemente de gostar ou não dos The Gift (que não gosto), este projecto "Amália Hoje" suscita profunda desconfiança da minha parte, logo à partida, porque para mim, tal como para a grande maioria dos portugueses, Amália não é de ontem, hoje ou de amanhã. Amália é de Sempre.




Gosto do chamado "Fado Novo" e do "Novo Fado", em que surgem nomes como Deolinda ou Camané. Gosto do fado vadio de Lisboa e do fado cantado nas ruas de Coimbra. Gosto mais do fado cantado pela voz masculina do que feminina e, para mim, mulher que canta fado, o nosso fado, é a grande Amália. Gosto de fadistas como a Mariza, a Cristina Branco, gosto. Gosto imenso da Dulce Pontes e daquele álbum que fez com o Ennio. Gosto da sua versão do Povo Que Lavas no Rio. Gosto da vertente nova e da roupagem que dão ao fado sob uma vertente pop ou electrónica, não me choca nada a adaptação. Pode existir em tudo isto alma, pode em tudo isto haver autenticidade. O que se segue não é nenhuma contrariedade de alma com aquilo que é a reinvenção do fado. Gosto de reinvenções. Gosto de covers, quando eles de facto acrescentam algo de novo. Ao menos, quando são genuínos.




Do que eu não gosto é que me atirem areia para os olhos, e à sombra de um nome tão grande como o da Amália, façam discos deste género, que mais não servem do que promover as próprias bandas, neste caso declaradamente dos Gift. Falo pois, do novo álbum do Projecto Hoje, "Amália Hoje". Não gosto mesmo nada, para além de não gostar nada daquele som, daquela interpretação tão desprovida de alma, tão sem nada de novo, tudo tão forçado. Não acrescenta nada ao que já existia. Não reinventa nada, não traz uma nova pulsação, são apenas covers de temas cantados pela vocalista dos The Gift. Ouvir aquilo é como ouvir os The Gift: the same old. A questão não é se conseguiram reinventar o fado de Amália transformando-o em música pop, a questão é que os The Gift não se conseguem reinventar a eles próprios, nem com as letras que Amália cantava, nem com arranjos musicais à la Arcade Fire.






Não gosto de criticar tão acerrimamente um "projecto" (tudo em Portugal é projecto, ex-projecto, projecto do ex-projecto, futuro projecto a partir de um projecto passado), e gosto ainda menos de falar sobre música - porque gosto muito de música e de muitos géneros e muitas bandas - mas detesto sobranceria e a soberba de quem se insurge como iluminado ou acha que fez algo de muito diferente do que lhe é já tão habitual. Obviamente haverá quem goste. Eu não gostei.
É apenas mais do mesmo. É pena.



Em paralelo e porque nem tudo é um pseudo-projecto, porque mais difícil é reinventar-se pop a partir de pop, gostei bastante do "projecto Humanos" (mais um, mas este é dos bons) a partir de temas do António Variações. Manuela Azevedo, Camané e David Fonseca como nunca ninguém os vira antes em temas do nosso Variações. Bem hajam!
A imagem da Amália foi "reinventada" por mim.
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sábado, 2 de maio de 2009

em dia de despir



"As pessoas querem um amor como se fora um relicário e usam-no até que se transforma num electrodoméstico estafado que é preciso fazer substituir por outro relicário. Querem um amor para se vestir de julia roberts, richard gere e, aos dias, vesti-los de cinema fácil e aviões particulares. E fazem estudos cheios de dopamina, primeiro, oxcitocina depois, divórcio, ao fim. Esta falta de quotidiano baralha-me. O encanto da mentira é a mentirinha que diz eu estou a mentir, a encenação que denuncia, maliciosa, a inocência. Todo o prazer profundo tem a raiz na verdade do dia a dia que explode com a perfeição de um poema de Ruy Belo: um dia a dia imperfeito e completamente iluminado por esse outro a quem se ama territorialmente na apropriação apaixonada do corpo, do pensamento, da vida, que de a sabermos tão outra a queremos tão nossa! Sou toda quotidiana, o meu circuito neuroquímico é alternado. Eu não quero um amor para o vestir, quero um amor para despi-lo."



in http://matria-minha.blogspot.com/














Ou o Amor-Ready-To-Wear (em inglês fica sempre mais chic). Às vezes também me apetecia olhar o amor - ou o meu amor (vai dar quase ao mesmo, entre o sentimento e o "objecto de afeição") - como algo do qual tivesse uma expectativa diferente daquela que tenho, ou como se visse a paixão duma forma quase absurda que algumas pessoas comportam na sua vida: com prazo de validade. A paixão, diz-se, nada tem a ver com o amor, são sentimentos diferentes, a paixão perde-se com o tempo, o amor cresce e a amizade cresce e o companheirismo cresce e tudo cresce menos aquilo que nos fez despertar para o amor, que é a paixão. Claro que as pessoas quando falam de paixão não estão a falar de paixão, estão subentendidamente a falar de sexo e tesão e tusa. Pode ter tudo a ver com a tradução da paixão, mas paixão tem tudo a ver com a cabeça perdida, com a cabeça à roda, com pensamentos perdidos, com sexo também, muito sexo também, de querermos ver o nosso corpo perdido dentro do outro.


Ou ando muito enganada, ou para mim falar de amor faz todo o sentido falar de paixão, de sexo, de tesão. Tudo se alterna e tudo se transforma. O corpo, a alma, a cabeça perdida, tudo em desalinho mais uns dias que noutros, tudo dentro do lugar quando há que saber estar no lugar, em conformidade com a própria vida que se atropela e evolui e sai do lugar, pois nada se controla por si só e nada se cumpre a si mesmo sem a soma dos dias que sempre são tão diferentes entre si. Às vezes também tão iguais e tão cheios de rotinas, num apetitoso saber afirmar que temos e gostamos de rotinas, que nos são necessárias.


Posso andar muito enganada, mas não sou a única.
Reinventemo-nos ao despirmo-nos um pouco e ao despirmos o outro dentro de nós. De todas as maneiras possíveis e imaginárias.

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

Expresso

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A Treta Mora ao Lado...