::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


sexta-feira, 28 de março de 2008

Ser ou aparentar? Eis a questão.



Este post fez-me pensar (como quase todos os que ali encontro).


"Não raras vezes ouço a questão, normalmente vinda de pessoas com quem tenho alguma proximidade, na qual estas desconhecem a imagem ou efeito que projectam nos outros. não quer isto dizer que se importem com o que outros possam opinar em confronto com a sua identidade pessoal, mas tão somente a forma como serão vistos. Arrisco que qualquer um de nós talvez já tenha gostado de ser invisível e introduzir-se em local onde o próprio é motivo de conversa. Há, para algumas pessoas, um lado semi-perverso/voyeur, mas existe outro que, em meu ver, se prende com o desejo de saber quem somos, nem que seja por espelho conceptual e necessariamente exógeno. Em suma, quem nos vê, o que verá?

(...)

A verdade é que se o velho clichê está certo, e nenhum homem é uma ilha ( com todo o devido respeito, eremitas e capuchinhos, se não estão doidos, ficarão muito rapidamente. Eu pelo menos ficaria, pronto...), a projecção da nossa personalidade, físico, opiniões, capacidades, forma de nos identificarmos enquanto seres humanos com valores expressos na glóriosa lógica da liberdade pessoal, não pode ser despicienda. Nem que seja para nos conhecermos melhor, para que o papel que afinal queremos escrito para nós seja alvo de uma melhor adaptação."






Este foi um dos melhores posts que já li desde que ando nestas coisas de Blogs, tomadas de opinião, escritas on-line, etc. E porquê? Porque levanta uma série de questões relacionadas com tudo aquilo que é um pouco fútil em nós mesmos e nem por isso assim tão fútil como isso.

As pessoas, na sua grande maioria, dividem-se entre aqueles que dão uma grande importância relativamente àquilo que os outros pensam de si e aqueles que simplesmente se estão a cagar. Sim, porque existem sempre pessoas que se estão com-ple-ta-men-te nas tintas para aquilo que os outros pensam.
Isto, claro, com todas as variações e percentagens entre cada uma das partes de importância que cada núcleo de opinião constitui para cada um. Ou seja: um indivíduo pode ser alguém que se divida 70-30 em percentagem para cada um dos lados; estar em certa medida preocupado com aquilo que os outros pensam de si, mas não é algo determinante na escolha de acção x ou z no seu quotidiano.
Existem duas questões fundamentais que o meu amigo SK não abordou e que julgo serem vitais em toda esta questão de ser a tal mosca que quer saber o que os outros pensam de si:
1ª e mais importante: quem são esses outros? Que importância têm para nós?
2ª: será que a imagem que transmitimos aos outros é sempre a mesma ou variamos conforme quem temos à nossa frente? Será que temos consciência do que somos para cada uma das partes?
Os outros. O Inferno serão mesmo os outros? Se calhar... ou não. Normalmente tendo a discordar desta afirmação, com a máxima "quem boa cama fizer, nela se deitará". Não podemos culpabilizar os "outros" e o mundo pelas nossas acções e escolhas erradas, ou as nossas frustrações. Para cada uma das nossas acções, existe sempre um feedback, sendo mais ou menos visível. Conforme o tipo de acção, boa ou má, alegre ou triste, mais ou menos reflectora daquilo que somos na realidade, terá sempre um feedback. Interessa aqui saber quem são os outros. Conheceremos os outros tal como eles são? Até que ponto falamos aqui de amigos ou conhecidos? Será o nosso companheiro/a ou o chefe? Colegas de trabalho ou familiares? Amigos a quem confessamos tudo ou amigos de beber copos? Já agora, daremos a mesma importância a cada uma destas pessoas ou é tudo farinha do mesmo saco? Provavelmente toda a gente confrontada com esta afirmação dirá que "ah, claro que nem toda a gente é igual!!!" e afirmamos saber fazer a distinção, mas já todos cometemos o pecado da estupidez traiçoeira. Algures na nossa vida, apaixonámo-nos por quem não devíamos, fomos amigos de pessoas que afinal se revelaram nem assim tão amigas, pessoas em quem confiámos e não estiveram à altura das nossas expectativas; por outro lado, quantas vezes deixámos de fazer algo que faria um amigo ou amiga feliz, tendo consciência disso? Quantas vezes deixámos para trás alguém em prol de fazer uma merdice qualquer sem qualquer importância? Quantas vezes dizemos a nós mesmos que não temos tempo ou que não temos paciência para x y ou z? Tudo isto culmina num ponto que toda a gente já causou ou foi vítima: a desilusão.


Cada uma das pessoas encerra um papel diferente na nossa vida e isso equivale dizer que obviamente existem gradações variadas da importância afectiva que damos aos outros. Consequentemente, teremos uma importância diferente para cada uma das partes, importante é que não confundamos os alhos com os bugalhos. Salutar que a importância que eu dê a um colega de trabalho seja a mesma que ele me dê; de igual forma, seria ideal que entre amigos essa confiança fosse primordial e equilibrada, o que nem sempre é fácil. As relações humanas quase nunca o são. Fôssemos todos mais transparentes e honestos, primeiro para connosco, depois com os outros, em igual proporção de veracidade, e o mundo seria um caos. Sim, não seria melhor. Há coisas que não devem ser ditas, principalmente se temos consciência de que vão magoar terceiros e o preço da verdade nem sempre justifica tudo. Às vezes, é demasiado alto.


Por outro lado, é fulcral que a imagem residual que temos de nós mesmos seja o mais aproximada possível à imagem que procuramos transmitir. Na senda do não se poder agradar a gregos e troianos, penso mesmo que em última instância, temos de ter a consciência de que nem sempre desempenhamos aquilo que é esperado de nós, e muitas vezes, podemos até ter agradáveis surpresas quando a resposta vinda do outro lado é positiva. As relações humanas constroem-se com tempo, a cimentar estruturas de confiança mútua, no intercâmbio das acções/reacções de cada uma das partes envolvidas. Acho que só esse tempo nos dá a avaliação daquilo que vamos sendo pela vida fora e as transformações que sofremos, a par e passo com os nossos próximos, a desempenhar vários papéis e a sofrer as evoluções de cada relacionamento. Nada é estanque ou definitivo. E esse é o maior desafio, mas também a maravilha de se ser humano.

Afinal... havia outro!

O meu novo amor chama-se J.D. aka Dr.Dorian e passa todos os dias... mesmo no sofá cá de casa.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Nervo cerebral e telemóveis no cinema

Supostamente deveria escrever sobre AQUELE outro post relacionado com o que os outros pensam de nós e do quão bom e maravilhoso seria podermos ser uma mosca apenas para ouvir as conversas paralelas em que o assunto principal é a nossa pessoa, mas... não temos tempo!(eheheh), e esbarrei neste anúncio, também no fantástico blog Different Seasons, e como acho uma certa piada à temática e ainda ontem fui ao cinema, acho por bem complementar o post que seguiu abaixo sobre o western visionado.

Às vezes, o western passa-se na cadeira mesmo ao nosso lado, e poucos de nós acham piada ao facto. Confesso que sou avessa a multidões dentro duma sala de cinema (aliás, sou avessa a multidões, daí não ser grande fã de festivais do género Paredes de Coura ou Sudoeste), tal como não sou propriamente grande apreciadora de pipocas (em ocasião alguma) e ainda menos de gente mal educada, barulhenta, etc. Posso eventualmente cochichar antes do início do filme e se a sala não estiver muito cheia, bem capaz serei de tecer um ou outro comentário com o parceiro do lado. De igual forma, sou incapaz de mandar alguém calar ou de fazer barulho ou ainda, de comer as enervantes pipocas, como se estivesse em casa. Confesso que salvo um ou outro episódio mais chato, em que me aborreço e lanço o olhar surdo e fulminante no escuro, não ligo a essa malta. Passo ao lado. Ignoro.

Um facto curioso é que são as pessoas aparentemente mais calmas que realmente se enxofram com atitudes do género; à semelhança do adepto fervoroso do FCP, calminho e bom chefe de família que é capaz de gritar pela casa toda GOLO ou que o árbitro era filho duma senhora dada a práticas... ok, já perceberam, era uma senhora muito dada, ou ainda, daquele rapaz que é uma jóia de moço, mas que se enerva histericamente ao volante quando assiste àquelas manobras tão bem conhecidas das nossas estradas. São as chamadas transformações do tipo Dr Jekyll e Mr.Hide.

Por mais tolerantes que sejamos, por maior ou menor que seja o grau de paixão que colocamos naquilo que fazemos ou somos, existe uma facção negra ou um lado obscuro na nossa personalidade, que quando accionada, leva-nos a fazer coisas e a tomar atitudes, que de cabeça fria provavelmente não faríamos. É o tal nervo pequenino dentro do nosso cérebro, o frasquinho que se parte quando a coisa não corre bem...

Fica o vídeo. Brilhante.



3:10 to Yuma















domingo, 16 de março de 2008

Perdoai-os Senhor...


Não. Desenganem-se. Não é dos Tokio Hotel a que me refiro. É da maralha que já passou dos vinte e fundam clubes anti-qualquer-coisa-só-porque-não-têm-uma-vida e falam mal. Só por falar mal. Ou porque gostam da mesma banda e dali não passam, ou porque não têm mais nada que fazer, ou porque são muita góticos e vestem-se de preto. Tipo forinhas, mas não bem bem forinhas. Uma espécie de. Diz que é...

Este post vem carregadinho de beneno, por isso... ou aguentam-se à bronca ou mudem de canal (perdão, de blog).





Eu, ainda sou do tempo em que a revista Bravo chegava a este país na sua língua originária; que as adolescentes coleccionavam posters dos New Kids On The Block e Bros e quejandos. Gajos bons. Hormonas aos saltos. Se der um puxão maior à memória, ainda sou dos tempos áureos dos Ministars ou dos Onda Choc. Covers à maneirex das músicas que os irmãos mais velhos ouviam. Tempos das matinés nas discotecas e das cervejas numa terra em que as minis não eram uma moda, mas um velho hábito. Os verdíssimos anos marcados pela risota alimentada pelas guerrilhas verbais entre alfacinhas e tripeiros nas páginas do Blitz. Aquilo não tinha nada a ver com o resto do país e era de delirar. Uma bomba em Lisboa e outra no Porto e viveríamos felizes para sempre. Sou do tempo em que ser diferente não era uma moda, era um fardo; ouvir música diferente não era orgulho, era sinal que podíamos andar metidos na droga. E estes eram e foram tempos em que toda a gente queria ser popular e cor-de-rosa. E eu tinha 12 anos quando ouvi o The End dos Doors, numa cassette da minha irmã mais velha e a minha vida nunca mais foi a mesma. Também ouvia Dire Straits, e hoje em dia não suporto o Mark. Só se for o Kozelek (já estou a divagar...) Adiante.


Até chegarmos aos dias de hoje, as coisas mudaram. Talvez não muito, mas mudaram. Continua a haver música cor-de-rosa, de verniz, música muito down, muito up, muito assim-assim, música pimba, o José Cid e o Jorge Palma, e depois ainda há o Tony Carreira e o filho, o Pedro Abrunhosa e o Vitorino, continua a haver Bravo, Blitz, e o que é mais triste, pessoas que não cresceram, que continuam a dizer/escrever a mesma merda que diziam/escreviam na altura do Blitz, mas em Blogs, porque se acham tremendamente conhecedores de música e no direito de falar mal de bandas pop-rock como estes putos alemães de 17/19 anos como os Tokio Hotel. Eu não os oiço, não porque não goste, mas porque tenho outras coisas para ouvir, e falta-me o tempo para ouvi-las todas. A primeira vez que ouvi falar dos Tokio foi através da filha (13 anos) de uma amiga. Investiguei, fui ao Youtube, à Wikipedia e os putos não me parecem mal de todo. Acho triste, muito triste haver pessoas que não tenham mais nada que fazer do que falar mal gratuitamente de bandas que dão o primeiro passo. Considero ainda mais triste porque há muito piores bandas do que esta. Se as letras isto ou aquilo?!? Epá, não sei nem quero saber! Acho é deplorável como é que num país com tanto problema, com tanta ignorância/arrogância, com tanta analfabetice aguda, ainda se perde tempo a fazer Clubes anti-fãs-dos Tokio Hotel.

Sinceramente, tenho mais que fazer. Mas este post... ai este post tinha mesmo de sair, porque em 2008, a ter 12 ou 13 anos, eu talvez ouvisse os Tokio Hotel. Talvez...




*dedico este post à Inês, filhota da minha amiga Sofia.



Links a reter:
-
quem são os Tokio Hotel
- polémica da treta
aka galinheiro tipo malta à porrada verbal de baixo nível no blitz

terça-feira, 11 de março de 2008









Av. da Liberdade
Lisboa
8 de Março de 2008




Fotografia de Raul Alexandre.




sábado, 8 de março de 2008

100 X 1000 = 100.000 Cem Mil
















"não me obriguem a vir para a rua gritar!
... que é já tempo de embalar a trouxa e zarpar...."


e de cinco em cinco juntaram-se cem mil.
um dia a gente vinga-se.
contra a prepotência, a arrogância e a intransigência dos que pensam que tudo sabem.



as fotos são da lu.

quinta-feira, 6 de março de 2008

o Hi5 (lê-se áifáive)

Ora bem, vou já desmistificar todo o conteúdo deste post antes que venham aí as vozes da contradição ou do contra ou seja lá do que for. Não sou (de todo) moralista nem puritana, sou até, como me chamaram há uns anos atrás, a propósito dumas sardinhas assadas por ocasião das festas dos santos populares, uma rapariga brejeira e popular. Para além disso, pertenço à grande comunidade Hi5. Mais, devo acrescentar que por mais que vasculhem, não vão conseguir encontrar o perfil, e mesmo a encontrá-lo, não vão conseguir lá entrar, pois está interdito. "Ingressei" nessa vasta comunidade por intermédio de vários convites de amigos que me pediam:



... isto, a propósito de eu sempre ser aquela tipa que escrevia umas coisas giras a respeito da malta nos postais de aniversário (sabem, aqueles que vão juntamente com a prendita e tal), e porque até era giro, quem sabe, conhecer pessoas novas e encontrar velhas amizades. O Hi5 dava os seus primeiros passos na minha vida em 2005. Não tinha muito que fazer, andava deprimida e desempregada. Outra amiga deprimida e desempregada empurrou-me para lá definitivamente. A perspectiva de poder vir a ser amiga do Fernando Alvim deixou-me estarrecida (certo é que até hoje, nunca troquei uma palavra com o moço, fiquei-me pela amizade do áifáive) e lá escrevinhei umas coisitas a meu respeito no perfil. Aquilo, depois de lido, parecia um perfil um tanto ou quanto arrogante, com os livros, os filmes e as listas todas que fazem parte do meu quotidiano (só faltava a lista do supermercado), e retirei metade. E lá fui trocando comentários e elogios aos meus amigos, a dizer o quanto são importantes na minha vida, etc. Um bocado lamechas, e como estava deprimida e desempregada, aquilo amaciava-me o ego. Menos mal. Dura até hoje, mais coisa menos coisa, e fora uns quantos que já lá não estão, tenho um total de 135 amigos. Ora, eu posso até conhecer 130 e tal mânfios, mas concerteza não sou amiga de todos. O melhor disto tudo é que nem sequer algumas das minhas melhores e mais "antigas" amizades consta daquela lista. E alguns que lá estão, não fazem sequer questão de me dizer muito mais do que parabéns e feliz natal na altura devida, e o sentimento é recíproco.

Em suma, o Hi5 é "Amizades a Martelo". Este conceito de "Amizade a Martelo" fascina-me, pelo simples facto, de que de repente, todos passámos a ser amigos: aquele colega do escritório que não suportamos, aquela tipa do andar de baixo armada em boa e toda uma resma de pessoas solitárias ou com alguns problemas de auto-estima.

Mas no fundo, não é o ego ou a necessidade de amor, ou o elogio ao nosso bom estilo de vida e/ou a quantidade de cultura que faz parte da nossa vida, ou a quantidade de pessoas a quem queremos desesperadamente incutir na mesma, repetindo-nos que temos muitos e bons amigos e somos o máximo, estimados pelos outros, sem os quais ninguém pode passar e a quantidade de mensagens carinhosas que leva a grande maioria de nós, seres humanos, a inscrever-se no Hi5. No fundo, este espelho de nós e a violação de privacidade que nos permitimos naquelas páginas tem a ver com desejo, com feedback. Ao incluirmos um perfil cheio de qualidades, gostos pessoais e fotografias em poses fantásticas (o nosso melhor perfil) estamos a querer respostas, e desengane-se aquele que disser que não. Numa palavra? Engate, duro e puro, ou se quiserem uma perspectiva soft da coisa, a sedução implícita no acto de se fazer uma página toda ela muito bonita e "cor-de-rosa" de nós mesmos. OK, há uma secção de "defeitos", mas isso já lembra a crónica do RAP da malta que diz que o defeito piorzinho que tem é ser-se "honesto demais" e por lá, no Hi5 é o que não falta. Malta assaz humilde, sincera e se calhar, um bocadinho "teimosa" que isso de se ser teimoso hoje em dia é uma praga. Sedução, engate, pois então. Há que conhecer pessoas novas e propagandear a pessoa linda que se é. A lembrar os velhos anúncios de "Quero conhecer senhora/menina para relacionamento sério..."

Hoje em dia é pindérico e está fora de moda colocar um anúncio desses no jornal, mas o Hi5 é fresco, rápido, muito moderno e eficaz: escolhe-se a tipa ou o tipo pela cor dos olhos (o número ilimitado de fotografias propicia a isso), vê-se bem o corpinho e depois é só mandar um convite acompanhado de mensagens todas elas cheias de significado e poesia. Depois é só esperar pela resposta, como quem espera pelo peixe que mordeu a isca no anzol.

Se há solidão e estas pessoas não devem ser criticadas, é um facto. Toda a gente tem o direito de escolher a cara-metade como bem lhe aprouver, mas não se escudem em dizer que andam à procura de amigos, e na maioria das vezes, não há sequer uma vontade de se ter o tal relacionamento sério do antigo e pindérico anúncio de jornal. O que se quer é sexo puro e duro, o resto é conversa da treta. Com esta brincadeira, já vi algumas pessoas saírem ou magoadas ou defraudadas ou com uma enorme sensação de vazio.

Mas o Hi5 pode ser muito, muito mais. Como isto, por exemplo:








Este post encontra-se em construção (há muito mais a dizer).

Peço desculpa pelas imagens, que são um tanto ou quanto... pois... e dá que pensar como é que num mesmo Blog se fala no estado da nação e logo a seguir é disto. No fundo, uma coisa leva à outra e...

Foi você que pediu este Governo de Esquerda?




Eu sei. Já cansa, não é? Mas isto é até que os dedos me doam. Porque está excelente, porque tenho umas ganas de me jogar à jugular da senhora dona ministra da deseducação. Não apenas verbalmente mas literalmente. Porque uma nação não se faz de números nem de pó e areia nos olhos de toda a gente, mas de pessoas. Hajam los cojones en el sitio. O major da aguardente de batata, da pseudo-patente devia era estar caladinho no banco de suplentes, agarrado ao seu apito dourado. Era este que defendia o outro e punha as mãos no fogo pelo menino (seria de ouro, o João Vieira Pinto?) ao AFIRMAR convictamente que nunca agredira o árbitro durante o Mundial. Uma vergonha, tudo isto. Uma vergonha de gente, de governantes, de país, em todos os sectores. Desde o Governo até às futeboladas, estes senhores deveriam ser entregues à Santa Casa. Morrem pessoas nas ruas das cidades do meu país; existe corrupção e sacos azuis e poluição e betão e incêndios; existem polícias a recolher nomes de professores que se manifestam num país supostamente livre; existe medo, até na blogosfera, da parte de cada cidadão fazer, dizer, afirmar e levar avante a sua opinião. Colocam todos, os cravos nas lapelas a 25, mas desconhecem o real significado da palavra. Sorriem hipocritamente mas nem a Lei do Aborto tiveram a coragem de decidir em Assembleia. Com esquerdas destas, esperem pela vitória dos partidos de regime totalitário, louco e desprovido de senso.


Haja Tribunal Europeu.



terça-feira, 4 de março de 2008

Pensamento do Dia




«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas...»


Eça de Queiroz

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Cavaco Silva reconhece que existe “um ambiente de alguma tensão no sistema educativo”, e, enquanto Presidente da República, “não posso deixar de estar preocupado. Um Presidente da República não pode dizer muito mais do que aquilo que já disse, porque não deve interferir em matérias que são da competência do Governo, nem tão pouco deve afastar-se do princípio da imparcialidade numa matéria que ganhou contornos de conflitualidade política e partidária”.



Fica o pensamento não assim tão desactualizado do século passado e fica a imagem do sempre fantástico kaos.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Pensamento do Dia

Porque é que eu não votei no Manuel Alegre?...


"O deputado Manuel Alegre, ausente das jornadas socialistas e acusou recentemente o Governo de "insensibilidade social", pediu para ser lida uma mensagem e apelou ao grupo parlamentar do PS para, apoiando "o que deve ser apoiado", não se furtar a "criticar o que deve ser criticado e corrigir o que deve ser corrigido".









As imagens continuam a ser gentilmente "emprestadas" pelo fantástico Blog We Have Kaos In The Garden.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

"Qualquer um chega a ministro da educação!"






...e já agora a Primeiro Ministro.
E devo acrescentar, a Presidente da República.
Não devo nem vou elucidar quem quer que seja sobre o assunto da Educação, por dois motivos: porque considero que quem queira estar informado deva ler jornais ou ao menos interessar-se pelas notícias e debates que fazem parte desta palhaçada de desgoverno que temos, e porque não me apetece fazer humor de um assunto que considero sério e que me é bastante pessoal. Não sei se a alternativa de Menezes e do "seu" PSD farão alguma mossa ou sequer se este PS alguma vez sairá do Poder, uma vez que lá chegou com maioria absoluta. Alguém votou no "sr engenheiro", eu é que não fui. E não sei sequer se ao demitir a ministra, adiantaria algo ao estado das coisas, ou se modificaria mesmo o que quer que fosse. Todos os cancros deixam metástases e este não é excepção.
Considero de louvar como é que a incoerência se pode personificar assim tanto, a incompetência e o autismo de um ministro que antes de tudo, deveria saber dialogar e estar atento às contrapartidas de TODOS os professores. A grande questão aqui nem sequer se trata de qualidade, de uma boa avaliação do corpo docente nem se temos um Ensino digno e capaz em Portugal: a verdadeira razão para aquilo que se está a verificar nas alterações do Estatuto da Carreira Docente é DINHEIRO. Números. Reduzir o número de horas de algumas disciplinas equivale a reduzir emprego e vagas nas escolas = dinheiro nos cofres. A solução é, portanto, cortar nas despesas da Educação. Fácil. Instituir o medo também. Reduzir as hipóteses de progressão na carreira e congelar ordenados com o pretexto da avaliação é fácil, mas não é mais que areia nos olhos. E não é preciso ser-se ministro para se chegar a esta conclusão.
O problema dos professores não é medo de serem avaliados: é medo da humilhação pública a que estão sujeitos com esta avaliação, é medo do desemprego, é a revolta contra alguém que se insurge acima de qualquer democracia, levando em frente políticas nunca antes tão contestadas no país, depois da ditadura. É a raiva contra este Governo e este Primeiro-Ministro que se julga acima de todos, que EXIGE qualificações da parte de todos os trabalhadores deste país, mas continua alheio aos escândalos e às mentiras envoltas nas suas próprias qualificações. Que ainda não explicou todos os últimos acontecimentos relativos às obras que assinou e que continua a ter uma licenciatura entre-aspas.

Este Governo é um cancro que privilegia o facilitismo, a incapacidade de trabalho e a falta de disciplina nos alunos. Basta ler o novo estatuto do aluno, não é necessário recolher nomes de inspectores que obrigam professores a passar os meninos. Reduza-se o número de negativas!, grita o Ministério, para parecer bem à U.E. o número de pessoas tão inteligentes que temos em Portugal, quando sabemos que a maioria dos alunos não sabe fazer contas de dividir ou quem escreveu Os Maias. Não reprovem as crianças pois serão AVALIADOS em função do número de reprovações que fizerem!! Isto é um ultraje, uma vergonha. E temo que isto já não vá lá com demissões de ministros, nem sequer com o que quer que possamos fazer nas ruas ou quantos argumentos e pressões todos os partidos da Oposição tiverem junto da Assembleia da República.

Eu tinha vergonha de exigir aquilo que não tenho. Este Governo e este Primeiro-Ministro lembram-me o autoritarismo de Salazar nas suas políticas, fazendo-se valer da sua maioria absoluta, recusando ouvir seja quem for. Não há esquerdas nem direitas neste país, há sim um grande jogo de interesses, há sacos azuis nas autarquias, há betão por todo o lado, feito a martelo, envelopes de dinheiro debaixo da mesa entre autarcas e construtores civis, há processos deixados para trás, Casas Pias e afins, Apitos Dourados, não há Justiça, não há Saúde digna e igual para todos, a Segurança Social é um buraco, não há emprego, há milhares de licenciados desempregados, há pobreza, há fome, há um povo demasiado ignorante para se preocupar, demasiados jovens sustentados pelos pais a beberem e a drogarem-se demais, há, acima de tudo, como sempre houve neste país, muita desinformação, e muito pouco amor à educação e à cultura. E muita vergonha de se ser português.
Das duas uma: ou o senhor Presidente da República dissolve a Assembleia ou tiramos os cravos das espingardas, porque se isto não é uma República de direito democrata e livre, utilizem-se as medidas extremas. Os estudantes de Coimbra tiraram Salazar do poder e o golpe militar de '74 deu-nos o fim do Estado Novo. Penso que alguns milhares de professores já fariam mossa. E já é altura de mudar o rumo das coisas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Pronúncias, pensamentos e anedotas do dia






- Filhe, vá dizer à tua mõe, que o pai quer a cona!
O miúdo vai ter com a mãe e diz:
- Mõe, o pai mandu dezer que quer a cona.
- Ah filhe, mas a mõe hoje na pode dar a cona, tou co període...
A criança volta para o pé do pai:
- Olhe pai, a mõe hoje na lhe pode dar a cona, porque tá co període.
- Na é essa cona, estúpedo, é a CONA DE PESCA!...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Ele há gajas e gajas...

...que era dar-lhes com um gato morto nas trombas até o gato miar!




Soraia Chaves - só posso deduzir que o A.P.V. ande com uma crise de idade para ter escolhido esta tipa para o papel principal de Call Girl. Boas mamas, bom rabo e coiso e tal, mas não será preciso mais para se ser uma actriz digna desse papel? A gaja é boa todos os dias, até eu própria admito que iria mais depressa com ela do que com o Nicolau Breyner, mas bolas pá! Com tanta actriz neste país e logo havia de calhar esta aspirante a qualquer coisa que "por amor de deus digam à rapariga que nunca há-de fazer papéis em que não tenha de tirar a camisola"?... "Sentes como estou molhada?" é a frase chave. Está tão molhada como eu enquanto escrevo estas linhas... give me a break...




Elsa Raposo (mas também pode ser a Merche Romero) - ou as colunáveis loiras e maravilhosas do mundo faz-de-conta que anda nas páginas da Caras (mas também pode ser a Lux) - a sério. Estava aqui a pensar que vai aqui uma má língua neste Blog e não fica nada bem falar tão mal destas senhoras, por isso não vou mesmo mesmo dizer o que penso da Elsa Raposo MAS se calhar sem estas mulheres não poderíamos valorizar todas as outras, as que têm bastante ou apenas algum valor. A grande questão é: afinal o que é que a Elsa Raposo faz para ganhar a vida?




Maria de Lurdes Rodrigues - será que José Sócrates anda bom da cabeça? Demite-se o gajo da Cultura e o da Saúde e mantém-se esta (piiiiiiiiiiiii) no executivo a troco de quê??? De quê??? É que a Soraia ainda é toda jeitosa e na tela fica gira (caladinha), mas esta... não fica bem nem num alvo de dardos. (Já sei, estavam a pensar que este post era só pra gajas boas)...





Margarida Rebelo Pinto - o nosso caso sério de best-seller em Portugal, tudo aquilo que eu deveria ser neste Blog cheia de bons propósitos a falar ao coração das pessoas (mas não sou). A grande questão não é quem compra, mas sim quem continua a comprar(?) Muita gente, sim, eu sei, já li o Sei Lá e o Não há Coincidências (ficou a meio), mas como é possível gostar-se daquilo? Antes ler MRP do que não ler nada, dizem, mas... eu cá preferia não ler nada... ou ler a necrologia no jornal diário de província... penso que MRP gostaria de ser a nova namoradinha de Portugal, mas raios, a miúda tem azar! Primeiro foi a Catarina Furtado, depois a Bárbara Guimarães, depois a Isabel Figueira, e agora a Floribela... daqui a pouco já tem 50 em cima e lá se vão todas as oportunidades!... "que maçada, sei lá!"




Fátima Lopes - Ninguém é obrigado a gostar ou deixar de gostar da roupa, mas a atitude da mulher é enervante. Tipo MRP, mas com um ego do tamanho do Universo. E aqueles trapos são sempre a mesma coisa. Já alguém lhe disse? Imagem de marca... ya right... Consigo gostar mais da Elsa Raposo do que desta. Ao menos a Elsa tem coração...





Luciana Abreu aka Floribela - nem sei de qual delas goste mais: se da nova imagem de Luciana Abreu se da Floribela... estou em dúvida... (não encontrei nenhuma imagem daquelas da L.A. peço desculpa) Esta miúda faz-me lembrar a Britney Spears: tão virgem e tão pura no início e agora... Luciana, vê lá rapariga, tu não te estragues carago!




José Castelo Branco - definitivamente... sem comentários.



O que é que Soraia Chaves, Elsa Raposo, Maria de Lurdes Rodrigues, Margarida Rebelo Pinto, Fátima Lopes, Luciana Abreu aka Floribela e José Castelo Branco têm em comum? Na minha parca opinião são personalidades, figuras públicas que nunca deveriam ter sido mais do que bordadeiras ou mulheres a dias. Muito mau gosto disfarçado de muita soberba e pose de verniz. Só faltava que viesse a público que a Britney Spears é portuguesa...

Fica o vídeo.






sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

"Vamos tomar um café?"


Aqui há uns dias tive uma conversa algo sui generis com um amigo meu sobre amizade entre homens e mulheres, sobre tudo aquilo que une e/ou afasta enquanto seres vindos de Marte ou de Vénus e de como as coisas às vezes se confundem na aplicabilidade do conceito de amizade.

Lembro uma outra frase de uma grande amiga minha "não há almoços grátis". Não há não senhor.

Antes de passar a explicar o meu ponto de vista e a teoria que tenho sobre este assunto, importa saber em que circunstâncias a amizade se encontra condicionada, e importa ainda saber até que ponto qualquer ser humano que se preste a uma amizade GOSTA realmente de pessoas. Eu creio que este meu amigo, tal como eu, gosta muito de pessoas. Creio também que já gostou mais, dada a recente unilateralidade do sentimento em causa (eu sei que já gostei mais). É e será sempre de desconfiar de alguém que não goste de pessoas e queira ser nosso amigo e queira ir tomar o tal café. Imediatamente pensamos: a troco de quê?

É fundamental gostar-se de pessoas quando se quer começar uma amizade e já se está na casa dos trintas. A esta altura da vida, as amizades estão já mais que cimentadas e ninguém se sente na predisposição de se submeter à vontade alheia (fazer fretes, querer agradar). Ou seja, já todos temos os nossos grandes amigos da altura do tempo da carochinha e dos verdes anos, em que acreditávamos que realmente podíamos mudar o mundo, em que somos "iguais", mulheres e homens, éramos todos virgens, trocávamos ideias a toda a hora com as borbulhas na cara, e se calhar até era o melhor amigo do namorado, ou o namorado da melhor amiga... got the point?


Vejamos as condicionantes/circunstâncias em que apoio a minha teoria:


- pessoas adultas (com mais de 25 anos de idade - que eu ainda sou do tempo que um gajo com trinta anos já não é jovem);

- estas pessoas são heterossexuais (amigos gays não vale, toda a gente sabe que o melhor amigo duma mulher é gay, sem hipótese);

- não possuem nenhum atraso mental ou doença do foro psiquiátrico.


A minha teoria, baseada na tal frasezinha "não existem almoços grátis", desprovida de qualquer sentimento ligado à ingenuidade (já acreditei que a amizade fosse de outra forma ou pudesse ser de outra forma), ou credulidade impiedosa, nada tem a ver com alguma forma de cinismo tão em voga. Baseio-me no que vejo, no que observo, nas relações que passam pelos outros e por mim própria, ou não fosse eu uma mulher.

Esta teoria assenta num pressuposto que já a minha avó defendia, de que as mulheres "não dão ponto sem nó" e a minha avó bordava e costurava bem que se fartava. Ou seja: há SEMPRE um interesse implícito nessa suposta "amizade" e interesse da parte duma mulher para com um homem. Não vamos em conversas. A não ser que se seja uma freira, todas as mulheres tem todos os seus pecados bem à flor da pele e sabem bem o que fazem quando se aproximam dum homem, fora profissionalmente (já que são "obrigadas" a ter de se relacionar no meio profissional).


Existem três grandes interesses, três grandes grupos em que dividimos objectivos aquando da aproximação de um gajo e até lhe damos "troco".


1 - "amizade de longa data, tipo irmão": sim sim, não há interesse e tal... vejamos: desabafar a toda a hora com o pobre desgraçado, pedir-lhe guarida quando corre mal com o namorado, quando há discussões seja lá com quem for, pedir-lhe cd's, filmes, livros, etc... isto não é interesse macabro? Quem lucra? Pois, pode até ser recíproco, e esse amigo já ter chorado no nosso ombro inúmeras vezes, mas nada comparável com a brutal seca que o pobre apanha cada vez que a vida nos corre mal. Àparte isso, é a única amizade que pode correr bem se as pessoas tiverem bastantes interesses em comum, gostos culturais parecidos, ser do mesmo partido político, gostar muito de algo especificamente. AH!, e zero atracção, para sempre se poder dizer que aquele é um bom amigo. Resulta e existem alguns casos assim, mas muito poucos aqueles que não evoluíram para algo mais (pelo menos em que ambas as partes não tivessem nenhum compromisso com terceiros).


2 - "amizade colorida": não se iludam meninos; nenhuma mulher quer ser apenas vossa amiga. O que elas querem é saltar-vos pra cima. Na melhor das hipóteses, poder ter a oportunidade de constatar se serão ou não o "homem da vida dela". Sim, é sexo mesmo. ou a ver se dá algo mais. Quando elas descobrem que vocês têm namorada, podem até ser muito interessantes, inteligentes, cultos, educados, divertidos, etc, mas a coisa já não tem o mesmo sabor e há que fugir a sete pés. Redutor? Talvez seja, mas o facto é que mais curioso que o gato, só mesmo a mulher.


3 - "amizade que já pode ser amizade porque já foi algo mais": sim, é verdade que pode ficar uma amizade. A curiosidade satisfeita, muito pouco a acrescentar. Para que haja veracidade/genuicidade nesa relação, as coisas têm imperativamente de ter acabado bem. Senão... meninos, não se iludam, pois uma mulher nunca esquece, e o que ela quer não é amizade: ou é vingança e atacar-vos pelo flanco ou é ter alguém ali à mão que satisfaça o ego (e outras coisas) e aí podem bem saltar até à "casa dois" ou seja, para a cueca da já referida amizade colorida.



Caso para cada um pensar bem nas amizades que tem com o sexo oposto. Cada vez que alguém lhe perguntar "vamos tomar um café um dia destes?" a propósito da bela amizade descomprometida que têm... é capaz de ser impulse...


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Romance (ou uma conspiração comercial)

nota: este post foi recuperado do baú do Psicologias. A razão para a sua publicação é de que se encontra ainda "dentro do prazo".



::romance::cara barer::of words paper and shapes::the book project::




Hoje é dia dos namorados. ponto. dia catorze de fevereiro. para uns, será mais um dia no calendário (com ou sem namorados). para outros... um inferno (com ou sem namorados). pode ser mais um pretexto para se dizer à pessoa que se ama que a amamos, pode ser uma boa desculpa para não cozinhar ou para enviar mais uns sms aos amigos mais especiais, mesmo para quem não tem namorado/a, ou ainda o pretexto para oferecer aquele cd, oferecer aquele livro ou fazer uma loucura, uma surpresa a fim de plantar um sorriso no rosto do dono/a do nosso coração. mais nada. uma saborosa extensão de todos os outros dias do ano. mais um dia no calendário.

o inferno? sim, o inferno para todos aqueles que se sentem obrigados a perfilar com a carneirada em filas para o cinema (para ver aquela estúpida comédia romântica), o inferno para saber o que é que se há-de oferecer à cara-metade (só porque sim) e acaba-se sempre por comprar a coisa mais estúpida e vermelha da loja, cheia de corações e laços, o inferno para se encontrar um restaurante e, na melhor das hipóteses, um lugar perto de outras inúmeras duplas, em que durante o repasto trocam-se olhares de soslaio para esses outros casais que, a mais das vezes, não trocam nem palavras nem olhares entre si. o inferno de se rezar para que acabe bem depressa o dia da comemoração dum gajo que se chamava valentim.

e claro, ainda há o inferno dos que não têm ninguém com quem partilhar este outro inferno, agarrados a sentimentos de auto-comiseração, pois o mais curioso é que pessoas assim, sofredoras por não ter ninguém, trocam sempre um inferno por outro. como se o mais importante fosse mostrar o sorriso patente (e pateta) do orgulho de ter um apêndice preso pela mão, neste dia.

no fundo, o romance de outras eras, em que não se enfeitava de vermelho-inferno (igual ao que se vê agora também no Natal) as montras das lojas, deu lugar a esta era comerciável em que até o amor é algo de vendável, passível de ser produto ready to wear, ready to feel, ready to use.

no fundo, o amor é algo de muito mais simples e frágil do que nos querem fazer comprar. todos os dias. digo eu... que tenho a mania que sou poeta.

nota: o Divã hoje está à disposição de todas as confissões e lágrimas dos corações solitários ou destroçados. podem sempre ficar no anonimato ou passar à frente... mas também à disposição dos que quiserem deixar a sua declaração de amor e prestar homenagem à tal cara metade. sejam felizes. today seems christmas day!




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Carnaval em Portugal

"É bom que tenhamos agora quatro dias em que não se fala de política para os portugueses não pensarem nisso e os próprios políticos poderem gozar com tranquilidade"


Cavaco Silva (Presidente da República).




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José Sócrates está tramado. Não há forma de sair airosamente deste novo Civilgate, agora descoberto na Guarda. Se a notícia do Público for verdadeira e ele realmente tiver andado a assinar projectos alheios, é uma tragédia ética. Se a notícia for falsa e aquelas moradias tiverem mesmo saído da sua cabecinha, é uma tragédia estética. Entre o bem e o belo, é natural que Sócrates se agarre ao bem, que é qualidade mais apreciada num político, mas quando olhamos para aquelas fotografias de casas de emigrantes horrendas made by José damos todos graças a Deus de o homem ter optado pela política em detrimento da engenharia.

Entalado entre dois desastres, Sócrates reagiu de forma desastrada. Eu começo a desconfiar que quem assina o boletim de militante socialista deve ser inoculado com algum vírus que o leva a gritar "cabala" sempre que confrontado com factos desagradáveis. Eu tinha o nosso primeiro-ministro em melhor conta. Transformar uma notícia perfeitamente legítima, bem fundamentada e assinada por um dos poucos jornalistas que em Portugal ainda fazem investigação a sério, num "ataque pessoal e político" é uma pouca-vergonha. Se Sócrates entende que se trata de uma calúnia, então apresente factos - e não gritinhos histéricos.

Eu, pelo meu lado, o que gostava de saber não é porque é que o Público persegue José Sócrates - é porque é que o Público, tendo uma notícia deste calibre nas mãos, optou na primeira página por a colocar em rodapé. É que convém estar atento aos detalhes. Para quem não reparou, a manchete do Público na sexta- -feira foi "Democracias fecham os olhos aos abusos das ditaduras, denuncia ONG", o que para além da elegância da formulação é algo de tão original quanto dizer que as galinhas têm penas e que os cães fazem ão-ão. Ou seja, aquela primeira página não mostra que Sócrates é perseguido - mostra, pelo contrário, que Sócrates mete demasiado medo a demasiada gente, como depois se comprovou pelo manto de silêncio que caiu sobre as pessoas envolvidas na notícia. E este silêncio, francamente, começa a cheirar muito mal.

É que por muita tolerância que o povo português tenha para com a pequena trapaça - e tem, e muita -, há sempre um momento em que se esgota o espaço debaixo do
tapete: empurra-se o lixo, mas ele já não cabe. Para Sócrates, este pode muito bem vir a ser esse momento. Ao garantir, preto no branco, que todos aqueles projectos são da sua autoria e responsabilidade, ele cometeu um erro estratégico: enterrou-se neste caso até ao pescoço. Agora, se for apanhado, não tem como sair de mansinho. Uma mentira destas nem o padre Melícias consegue absolver.

João Miguel Tavares
Jornalista
jmtavares@dn.pt

::volto a frisar que este post encontra-se em construção::até que me apeteça ou tal como dizia o outro "até que a voz me doa". Caso para perguntar "ó sr. Presidente, afinal quando é que devolve a dignidade ao país?... sr. engenheiro, quando é que se demite?"



Mais imagens das boas aqui.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

A senhora que se segue.

Não, não é a Soraia Chaves, que para essa já não há .. que aguente.
Esta mulher é lindíssima, canta bem que se farta e consta que é a nova primeira dama francesa. O resto? É só má-língua e dor de cotovelo.







segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Kanye West, YOU CAN'T TELL ME NOTHING!

Gostava de ver, a seguir, uma versão de Justin Timberlake por Rufus Wainwright ou, quem sabe, um cover mais arrojado de Cat Power de uma música de Britney Spears...





Aqui fica a dedicatória ao género e o meu particular enjoo tornado público por gajos tipo Kanye West ou o Justin Timberlake. "Ah e tal, são génios da Pop"... yah, também o autor de Billy Jean e Thriller...

POP IS DEAD!

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...