
Pimba Art::acabo de inventar um novo termo para designar aquela que é a Arte do nosso povão. Passo a explicar o termo::"povão": aquele que gosta dos Malucos do Riso e papa os noticiários da TVI, aquele que delira com o Benfica, aquele que vota Sócrates e dá as maiorias absolutas que nos fazem regozijar de prazer com a vida política do país, aquele que cospe para o chão depois de arrotar ruidosamente o seu belo almoço composto de pezinhos de coentrada e tintol, aquele que apita por tudo e por nada e faz manobras perigosas nas estradas, aquele que adora
(repito a d o r a )
ir ao chópingue aos fins-de-semana, que diz "destorce" e "prontos" e "quaisqueres"... Em suma, também aquele que ganha o ordenado mínimo e faz o que pode pela vidinha, ou na melhor das hipóteses, não faz nenhum e recebe o subsídio de desemprego... pessoas "simples". Daquelas que dizem "eu cá não percebo nada de política" e mesmo assim saem de casa pra irem votar nos gajos que governam e desgovernam este país, com a boca cheia de bolo-rei, inventam leis anti-tabaco mas que não se coibem de acender um cigarrinho no avião, para no dia seguinte pedirem desculpa aos portugueses e dizerem que estão a deixar de fumar...Estão a ver?
Ora isto de se falar de Arte tem mais que se lhe diga. Há conceitos e designações e definições muito próprias, e cada um tem/não tem o seu próprio... ora e o que será isto de Pimba Art? É português, e é pimba. Desengane-se quem pensava que o termo havia nascido com a música do tal senhor Emanuel ou com a tal senhora Ágata. Nasceu com este quadro (o do Menino que Chora) e depressa se multiplicou nas marquises das casas dos portugueses. Estão a ver a bela da marquise? E o quadro? A luz nos traços, as formas, os volumes, a textura, a cor... existem vários modelos, mas também essa é uma das particularidades deste novo conceito de Arte: é para todos e por uma módica quantia.
É um movimento que teve a sua origem na década de setenta/oitenta do séc.XX e atingiu o seu apogeu aquando do governo de Cavaco Silva, esse senhor que agora é Presidente da República do mesmo Reino do Povão.
Não há casa portuguesa que se preze que não tenha um destes exemplares pendurados na parede (atente-se: na marquise). Alguns poderão considerá-la exemplo de Kitsch Art (a lembrar um certo Ar de Kitchenete) mas não confundir o Kitchenete com a Marquise. O Pimba Art é um movimento sui generis que tem as suas fundações muito bem demarcadas em todo um certo contexto social no nosso país. Penso mesmo que daqui a cem anos ainda veremos um destes quadros, não tão raros assim, num Louvre ou num Hermitage. Consta que a National Gallery já adquiriu uma destas emblemáticas telas. Em breve, Portugal terá o seu papel preponderante no mundo da Arte, mundo esse sempre tão longínquo, do qual nos sentimos tão arredados. Perto destes meninos que choram, a Gioconda é apenas um foleiro exercício de principiante. Joe Berardo deve ter já adquirido umas quantas réplicas deste "Menino que Chora", tal como quando adquiriu uma réplica da Mona Lisa, pensando tratar-se dum original mas, desta feita, os diversos meninos que Choram têm a vantagem de ser um negócio realmente honesto: sabemos que há muitos e que são todos falsificados. Sim, que um português não engana outro português e aqui é tudo feito às claras!
Claro que para além de haver um "Menino que Chora", fui descobrir também a "Menina que Chora"... ora digam lá que não é lindo?
Quem precisa de medalhas de ouro e motivos de grande orgulho nacional se temos um baluarte destes? Isto sim... é Arte.
::este, é um post recuperado dos ficheiros mais antigos do PT, não porque não ande inspirada para escrever sobre outras coisas "quaisquéres" mas porque esta visão da menina que Chora é inteiramente nova e merecia ser publicada.
