::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


segunda-feira, 9 de março de 2009

Barbie - ou o mito da loira burra








A boneca mais famosa do planeta faz hoje 50 anos.




Nunca tive uma Barbie. Desconheço os motivos pelos quais a minha mãe nunca me presenteou com tal oferenda num qualquer aniversário ou Natal, suspeito talvez por embarcar naquela conversa pro-feminista típica das mulheres emancipadas da década de 60, que a Barbie é uma boneca que apela ao lado fútil da mulher, magrinha com medidas surreais, vestida a matar, maquilhagem comme il faut, qual femme fatale dos sonhos mais húmidos de um Ken presente no precoce imaginário subtilmente erótico da mente de uma criança, demasiado adulta e inteligente para embarcar nestas coisas próprias da feminilidade absurda feita de pó de arroz e saltos agulha. Submissa e muito loira, talvez a Barbie não fosse o estereótipo feminino que a minha mãe desejaria que povoasse a minha ambição e projecção no futuro, ainda que dinheiro não lhe faltasse, bons carros, um namorado giraço, um apartamento, amigas giras como ela (sem dramas e borbulhas como as minhas amigas) e nada que fazer o dia todo, já para não falar do par de protuberantes (pois) sapatos (claro) cor-de-rosa que ela sempre usou. Para além disso, a Barbie era uma miúda toda virada para os desportos com personal trainer, cabeleireiro, equitação e tardes inteiras na piscina e health club.

Querias? Eu também...

Gostava de ter tido uma Barbie. Acho-a uma boneca adorável, bonita, feminina e não vejo mal algum em se gostar de toda aquela futilidade cor de rosa que envolve a nuvem mágica do mundo Barbiesco. Para além disso, uma mulher há-de ser sempre uma mulher, e tal como quase todas, eu adoro cabeleireiros, roupas, cosméticos, maquilhagem, perfumes, e de todas as mariquices que nos fazem gastar uns extras ao fim do mês e que fazem os mais que tudo "abrir bem a pestana" e sorrir frente ao espelho. Tal não interfere nas despesas que fazem de mim um ser mais inteligente; comprar um shampoo da Kérastase é uma felicidade tão maior quanto comprar o último livro do Lobo Antunes (ele diz que é mesmo o último, o ultimozinho) e ambas conseguem coexistir livremente dentro de mim.


Confesso que às vezes apetecia mesmo ter uma vida como a da Barbie. Tudo cor-de-rosa, a começar nos sapatos, um namorado com ar de parvo a rir-se sempre para nós, o dia inteiro sem fazer nenhum, ter uma silhueta de top model e ainda assim comer aqueles doces todos, estar metida no ginásio e no cabeleireiro, ter amigas giras sem borbulhas nem problemas nem dramas nem lágrimas e todas as distâncias e saudades encurtadas por um jacto particular... ((suspiro)) e quem contariar isto está a mentir descaradamente.


What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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