::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


segunda-feira, 14 de abril de 2008

April is the cruelest month II










Dois grandes autores, dois grandes músicos, homens do seu tempo ou talvez um pouco à frente do mesmo. Música da minha adolescência, e do início da fase da idade adulta jovem (seja lá o que isto quer dizer para cada um de nós). O tempo passa veloz e deixa-nos obras como feridas na alma, de pessoas que partiram demasiado cedo. Lithium ou Smells Like Teen Spirit ou La Decadanse ou Bonnie and Clyde... qualquer uma serve para ressuscitar velhos amigos que tenho em certos fantasmas. Suicídio ou nascimento, tudo faz parte dessa terrível dicotomia que se veste de Vida e Morte e toda ela acontece em Abril. Como não podia deixar de ser.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

April is the cruelest month





Em jeito de despedida. Ou de balanço. Ou que é como quem diz "Estamos fechados" "We're closed". Porque há pedaços de nós que se prendem mais depressa numa porta de comboio mal fechada do que na memória dos outros. Isto já teve melhores dias, de facto. Salve-se Abril. Salve-se a poesia e os dias mundiais de coisíssima nenhuma.

Por lá, está aberto apenas a muito poucos. Desculpem. Estas palavras e esta pérola dos Wilco (velhinha velhinha, mas muito boa) são para vocês, os que tiveram de ficar de fora. Como dizia o "outro"... "aos que lá ficaram!"


Sejam felizes. Até sempre.

Ainda da Arte ou da importância de se Ler as Entrelinhas

Matérias Especiais - Antes De Assinar, Leia As Entrelinhas - O Caso Natividad
por: Carlos Almiron


"Circula pela Internet uma petição contra um artista costarriquenho chamado Guillermo Varga Jiménez (mais conhecido pelo pseudônimo “Habacuc”). Dentre outras reivindicações, a petição pede a exclusão do artista da Bienal Centro-americana que acontecerá no ano que vem em Honduras.





Antes de assinar a petição, resolvi investigar o caso e o resultado é no mínimo interessante.
Em agosto deste ano, a Galeria Códice (localizada em Manágua, capital da Nicarágua) abrigou a instalação “Exposición nº 1” na qual um cão de rua foi exposto. No início de outubro começou a circular a notícia de que o cão havia morrido de fome e sede nesta exposição, fato que se espalhou rapidamente e causou grande repercussão entre os defensores dos animais.
Porém, informações desencontradas põem em dúvida a veracidade e credibilidade dos fatos. Pra isso a Internet é uma ferramenta indispensável para averiguar melhor esse caso.
As imprensas da Nicarágua e da Costa Rica tomaram conhecimento do fato a partir da “denúncia” feita e difundida através de blogs, porém trataram o caso superficialmente. Os principais e mais citados blogs são de Jaime Sancho que reúne todo material até agora divulgado sobre o caso e o blog de Rodrigo Peñalba única fonte que registrou e divulgou as fotos da exposição em questão. Aqui no Brasil a Folha de São Paulo publicou o fato na coluna “Pensata” de João Pereira Coutinho. É possível encontrar outras fontes, mas boa parte apenas traduz ou reproduz as fontes já citadas.
O primeiro apontamento que faço é sobre essas mesmas fontes. É no mínimo constrangedor imaginar que os principais jornais envolvidos nem sequer cobriram a exposição e ainda por cima publicaram opiniões sem nem ao menos saber se o que aconteceu era verdade ou não.
Fonte impar no caso, a jornalista Marta Leonor Gonzalez, editora do caderno cultural “La Prensa Literária” é a única que confirmou a morte do cão. Mas o estranho é que no seu próprio suplemento não há menção alguma da exposição e pra piorar “ela própria não esteve na exposição” como me confirmou Rodrigo Peñalba. Ao blog dele é atribuído o registro fotográfico da exposição. Rodrigo Peñalba, 26, é escritor, artista visual, web editor e neto do renomado artista nicaragüense Rodrigo Peñalba (1908-1980). Outro fato curioso: nem o próprio Peñalba viu o cãozinho Natividad. As fotos no seu blog foram enviadas pela artista Delia Chévez.
Cabe ressaltar aqui o trabalho que Peñalba desempenha na divulgação cultural da América Central. Seu blog tem recebido inúmeras visitas por causa dessa polêmica. “É o mês mais visitado do site e é uma visita que não retornará” lamenta Peñalba. É a real, quem vê as fotos repassa o link e nem sequer se dá ao trabalho de conferir o restante do conteúdo. Curioso em ver as fotos? Para descongestionar e evitar excesso de tráfego, um novo blog foi criado www.elperritovive.blogspot.com.

CASO NATIVIDAD







Antes de ser nome do vira-lata mais falado do momento, Leopoldo Natividad Canda Mairena era um nicaragüense de 25 anos que vivia ilegalmente há 9 anos na Costa Rica. Nati, como era conhecido nos diques de Cartago, saiu da casa dos pais do bairro Modesto Ramón Palma, em Chichigalpa, municipio do Departamento de Chinandega na Nicaraguá para buscar uma vida melhor nas ruas do pais vizinho. Terminou seus dias como mendigo e morando debaixo de uma ponte.
Na madrugada do dia 10 de novembro de 2005, Natividad acompanhado de um amigo saltou o muro da oficina mecânica “Romero” de propriedade de Fernando Zúñiga (localizada em Cartago, Costa Rica) e foi surpreendido e atacado por dois cães de guarda rottweiler. Seu amigo (cujo nome não foi divulgado pela investigação) conseguiu escapar do ataque e colaborou na reconstituição da tragédia. Natividad levou certa de 200 mordidas e teve múltiplas perdas de pele, músculos, tendões, artérias, veias e nervos dos braços e pernas. Conseguiu ser levado ainda com vida para o Hospital Max Peralta, onde passou por cirurgia e transfusão de sangue, ingressando na UTI. Porém horas depois, uma parada cardio-respiratória o levaria a óbito. Mórbida coincidência: “Hunter” era o nome de um dos cães de guarda.
A morte da Natividad trouxe a tona acusações de xenofobia, negligência, omissão de socorro, descumprimento do dever policial e tornou ainda mais tensas as relações diplomáticas entre os dois paises (existe uma disputa na corte Internacional de Haya pelo direito de navegação pelo rio San Juan).
Segundo a investigação feita pelo Organismo de Investigação Judicial, que cuidou do caso, dois agentes da Força Pública tiveram oportunidades de salvar Natividad ao disparar contra os cães de guarda e não o fizeram por oposição do dono da oficina. Os gritos de socorro durante o ataque, que durou aproximadamente 54 minutos, também foram ouvidos e presenciados pelo vigia noturno da oficina, pelos bombeiros e pela cruz vermelha.
Passado o calor do momento, após exaustivas investigações e acuações mútuas, surge a denúncia de que a empresa norte-Americana Bandeco ofereceu uma indenização à família de Natividad para esquecer e dar o caso por encerrado.
O inquérito permanece aberto e é provável que os indiciados fiquem impunes.

A HOMENAGEM DE HABACUC






A idéia de Habacuc não era só homenagear Natividad, mas trazer para uma exposição artística um elemento urbano, cotidiano. Causou grande repercussão por se tratar de um vira-lata doente, exposto num ambiente em que se espera encontrar obras de arte. É claro que não foi considerado arte por muitos que assinaram a petição. Crueldade ou manifesto político?
Alguns elementos da instalação remetiam diretamente ao caso Natividad: na entrada lia-se a frase “es o que lês” escrita com ração e culminava com a exposição do cão sarnento. Significados? A frase nada mais é do que isso mesmo: Natividad foi comida pra cachorro e o cão representava o próprio Natividad, que neste momento servia como objeto para revelar a hipocrisia humana: enquanto está na rua, o cão passa despercebido, não sensibiliza ninguém, mas quando está numa galeria de arte ganha o foco das atenções. Talvez isso explicasse as enigmáticas declarações do artista, que se negava a responder se o cão havia sido alimentado, se havia morrido e porque não permitia que o público libertasse o animal. Talvez sua crítica fosse de que assim igualmente ocorreu com Natividad, que nunca fora notado nas ruas e que no momento da sua morte poderia ter sido salvo, mas que ninguém fez nada pra isso, permaneceram como meros expectadores.

DECLARAÇÕES






Mediante a pressão pública e a crescente adesão à petição a Galeria Códice, membros do jurado Bienarte 2007 e o Museu de Arte e Desenho Contemporâneo da Costa Rica (sede da Bienarte 2007 que classificou Habacuc para a Bienal Honduras 2008) divulgaram notas sobre a polêmica.
Coube à Galeria Códice confirmar o período da estadia do cão em suas instalações (3 dias) sendo que ele era alimentado regularmente pela ração que o próprio Habacuc levara.
Inesperadamente, o cão teria fugido da Galeria durante a limpeza do pátio interior, local onde o cão ficava solto enquanto não participava da exposição. É a palavra da Galeria contra a jornalista Marta Leonor.
Já os membros do jurado da Bienarte 2007 acrescentaram esclarecendo que as obras apresentadas por Habacuc eram inéditas e sem relação alguma com a “Exposicion Nº1”. Ainda na nota, rechaçaram a "campanha midiática que se orquestrou pretendendo desqualificar e amedrontar, manipulando a informação e promovendo interesses obscuros, de caráter fascista, incluindo um chamado para a violência e o crime".
Por sua vez, o Museu de Arte e Desenho contemporâneo da Costa Rica aclarou não ter influência na representação da Costa Rica na Bienal Honduras 2008, atuando apenas como "facilitador e sede da seletiva de obras realizada pelo jurado internacional" e que as obras de Habacuc que foram classificadas e que estão expostas no museu são outras. A "Exposicion Nº 1" não participou da seletiva pra Bienal e portanto não está vinculada nestes eventos.
Um ponto em comum nas três declarações, além de não aprofundarem ou quererem levar adiante o caso, é a questão da censura e do próprio limite do que viria a ser arte.
Nesse foco o comunicado do Museu é interessante quando relembra que em 1966, durante a Guerra do Vietnã, Peter Brook estreou em Londres o espetáculo “US”. Nele um ator fazia um monólogo sobre o uso e efeitos do Napalm. Para sensibilizar a platéia, no final da atuação, o ator que tinha uma borboleta viva presa entre o polegar e o indicador, tirou do bolso um isqueiro e tacou fogo nas suas asas. Chocante, não? O ator teve que pedir desculpa diante do protesto e indignação da platéia. Mas antes de deixar a cena, o ator fez notar sua estranheza, já que o mesmo público que se indignava com a sorte da borboleta, até o momento, havia permanecido indiferentes aos vietnamitas queimados pelo Napalm. Na época ninguém ousou por em dúvida se Peter Brook era ou não artista.
O mesmo comunicado do museu também serve para encerrar a discussão sobre o veto da participação do artista na Bienal de 2008, o que frustra uma das reivindicações da petição on-line.

QUAIS CONCLUSÕES PODEMOS TOMAR?

Enquanto o próprio Habacuc não vem a público dar sua versão, nunca se ouvirá falar tanto nos personagens dessa noticia. Se dar o que falar e o que pensar era sua intenção, conseguiu em partes. Mesmo que o artista prossiga normalmente com seu trabalho, utilizando ou não objetos do cotidiano, sempre será lembrado por essa polêmica ou cairá no esquecimento quando outro artista for o mais novo alvo do sensacionalismo.
Tudo isso poderia ter sido evitado se as partes envolvidas dessem maior atenção a sua assessoria de imprensa, evitando declarações infelizes. De certo a galeria Códice não imaginava que daria todo esse reboliço, mas não custava nada explicar ao público visitante que Natividad receberia os devidos cuidados, afastando qualquer hipótese de maus tratos. Pelo menos assim ocorreu com o Museo Oscar Niemeyer (Curitiba/PR) durante a exposição “Revolver” do trio Jum Nakao, Kiko Araújo e Julio Dojcsar, na qual havia a participação de 3 esquilos da Mongólia e deixava claro no realese que tipo de materiais foram utilizados e que tratamento lhes era dado. Essa polêmica também serviu para escancarar ainda mais como a juventude atual nem sequer presta atenção no que lê, muito menos questiona antes de aderir uma causa ou reproduzir uma “notícia”. E por fim, mesmo que a obra da Habacuc tenha ferido artigos da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, o que podemos esperar de um mundo onde não se respeita sequer os Direitos Humanos?"

Carlos Almiron, 25, Graduado em História e apresentador do Programa Mundo Caos na PunkRadio.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Quanto mais conheço o Homem...





... mais gosto dos animais.


Em conversa com uma grande amiga aqui há dias, afirmei em fria e pura convicção: há pessoas que não prestam. Pessoas que não prestam... se o fosse dizer em voz alta (a considerar que o afirmaria) há anos atrás, seria de forma absolutamente estridente e passional e, provavelmente, por quem me conhece de outros carnavais, diria que a dita afirmação seria fruto de algum desamor mal digerido ou de franca impulsividade mal medida. E que passaria no mesmo ápice em que tinha chegado. Nos dias que correm, e fora a abundante e afluente maré de acontecimentos políticos e sociais menos felizes que o nosso país enfrenta, a afirmação "existem pessoas que não prestam" sai-me de forma prudente e calculada e fria e seca, e talvez isto seja de uma amargura demasiado crua, mas é a realidade que me rodeia de há uns dois anos para cá. Nos últimos dez anos tive a enorme felicidade de ter conhecido pessoas que são absolutamente fantásticas. Se for aos últimos vinte, então posso considerar-me uma pessoa de sorte, porque a confiança nessas pessoas é inabalável, e não é por discussões de merda que deitamos "pessoas fora". É no confronto de ideias que nasce a verdadeira luz. Falo pois de falta de valores, de pessoas que roubam (sim, roubam), mentem, enganam, traem... homens e mulheres, e se for a bem da verdade, e em bom rigor, mais mulheres que não prestam do que homens.

O engraçado é que estas pessoas acabam por sempre ter um desequilíbrio qualquer muito grande a nível psiquiátrico ou psicológico. São sempre frágeis. "Boas pessoas", que tudo fazem para agradar. Atravessam quase sempre depressões, ou sofrem de distúrbios, ou têm histórias muito tristes para contar. Don't we all?...

Chego à conclusão muito íntima e pessoal de que não gosto de "boas pessoas". Também não gosto de conhecer pessoas pela net. Há pessoas com as quais não pretendo manter qualquer tipo de contacto senão o estritamente necessário, pois a grande maioria de valentes merdas que conheci por este meio tiram-me a vontade de sociabilizar seja por que meio for. Histórias de gente que não interessa, vigarices, putedo, loucos com a mania que vão mudar o mundo, e isto em frentes que vão desde a favela até secretários de estado. Toda a gente pretende ser algo que no fundo não é. Uns têm Blogs para engatar, outros têm Blogs para armar ao pingarelho. Eu tenho um Blog para falar mal desta merda toda (este) e outro para dar azo àquilo que o Vítor Espadinha cantava: e recordar é viver.

Chego à conclusão que não quero conhecer pessoas novas nem estreitar laços, os amigos que tenho chegam-me e confesso que me sobram em dadas alturas. São boas pessoas e valem a pena. Chego à conclusão que a vida não está para perder tempo com quem não o perde connosco.

Chego à conclusão que mais vale divagar sobre o sentido da vida com aqueles que não nos vão julgar, com quem já apanhámos uma valente cardina, com aqueles que erram e a quem confessamos erros, e que mais vale um minuto de silêncio por vezes entre um pires de caracóis e uma imperial, do que trinta minutos de muita conversa fiada.

Sejam felizes.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Arte?...


"A necessidade interior nasce de três causas místicas e está constituída por três necessidades místicas: 1. Todo o artista, como criador tem que expressar o que lhe é próprio (elemento da personalidade). 2. Todo o artista, como filho da sua época tem que expressar o que é próprio dessa época (elemento do estilo, como valor interno, constituído pela linguagem da época mais a linguagem da nação, caso esta exista). 3. Todo o artista como servidor da arte tem que expressar o que é próprio da arte em geral (elemento da pureza e eternidade artística que vive em todos os homens, povos e épocas e se manifesta em obras de arte de cada artista, de cada nação e de cada época e que como elemento principal da arte, não conhece nem o espaço nem o tempo)." Kandinsky


"Nos últimos anos deste século, a arte sofreu uma transformação. Embora a sua própria essência seja a constante mudança, desta vez ela atingiu camadas mais profundas, não se limitando aos aspectos exteriores. O próprio conceito de arte é posto em questão. Não obstante, à primeira vista, esta transformação manifesta-se em numerosos aspectos exteriores. Assim, talvez a arte contemporânea nunca tenha desfrutado de tal popularidade como agora." Klaus Honnef









"Atrasado mental que continua a pensar ser artista...

Como sabes e até deves ter protestado, em 2007,Guillermo Vargas Habacuc, é um suposto artista animalesco que colheu um cão abandonado na rua, atou-o a uma corda na parede de uma galeria de arte e ali o deixou morrer lentamente de fome e de sede.

Durante varios dias, tanto o autor de semelhante crueldade, como os visitantes da galería de arte presenciaram impassiveis à agonia do pobre animal. Até que finalmente morreu de inanação, depois de ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensivel calvario da besta chamado Homem. Se achares por bem empregue consulta os links e tira as tuas conclusões.

[http://img505.imageshack.us/img505/1990/dscn8139vk6.jpg]
[http://img339.imageshack.us/img339/5848/dscn8146pu4.jpg]
[http://img259.imageshack.us/img259/5720/dscn8153yv8.jpg]
[http://img218.imageshack.us/img218/7240/navitividad1cq9.jpg]
[http://img218.imageshack.us/img218/7937/navitividad4so6.jpg]
[http://img218.imageshack.us/img218/5895/perritoho5.jpg]

Parece-te forte?

Mas nao é tudo: a prestigiada Bienal Centroamericana de Arte decidiu, que a selvageria cometida por esta Besta das artes, Guillermo Vargas Habacuc fosse novamente convidado a repetir a sua cruel acção na dita Bienal en 2008, acto este que podemos impedir, colaborando com a nossa indignação, protesto e assinatura nesta petição:

http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html

(não tem que se pagar, nem registar) para enviar a petição contra o chamado 'artista' por tão cruel acto, por tão ínfima sensibilidade ao desfrutar em prazer com a dor alheia."



Posto isto, levanto a seguinte questão: determinará, o autor de inédita façanha, alguma intenção de criar um fundo de eternidade artística perante o observador? Quererá criar um sentido de pertença dentro de um mundo que se identifica com a suposta "obra"? Será ele um filho do seu tempo, dentro do seu tempo ou à frente do mesmo? Obra de avantgarde? Arte? Contemporaneidade na Arte?
Levanto ainda uma outra questão, que não indo de encontro a nenhuma Lei, irá questionar os próprios princípios da ética e da moral de cada um, tão em desuso nestes dias contemporâneos tão dados a tudo o que é novidade: que terão pensado os transeuntes daquela exposição? Os observadores, os "clientes" deste acto denominado como sendo "artístico"? Nada fizeram? Porquê?

Não pertenço a nenhuma associação defensora de animais, não sou vegetariana, mas ainda sou um ser humano que não entende este conceito de Arte no ano 2008 d.C. Não entendo nem tenho pretensões de entender. O que caracteriza, acima de tudo, uma obra de Arte como tal, é a intemporalidade manifesta nessa obra, e a capacidade que terá de resgatar algo ou alguém no que nos distingue como seres humanos, no que nos faz pensar, agir e sentir.

quinze minutos de fama








In the future everyone will be famous for fifteen minutes.

Andy Warhol








Eu dispenso os meus quinze minutos de fama a outra pessoa. Mesmo no anonimato torna-se muitas vezes complicado gerir uma vida, quanto mais... mas dá que pensar, principalmente porque esta permissa torna-se verdadeira na vida dos demais seres humanos banais e normais, sem grande coisa a acrescentar na vida dos outros. Fundamental acho, é fazermos aquilo que gostamos, já que perdemos tantas horas concentrados nisso mesmo. A não consegui-lo, que tenhamos hobbies que vão de encontro a uma saudável e equilibrada existência. Caso nenhuma destas situações se aplique, a minha dúvida reside basicamente na própria existência em si, que é como quem diz: afinal o que é que essas pessoas andam a fazer por aí? A procriar e a populacionar o planeta? Poupem-se e poupem-nos a isso. O que é que pretendo ao certo com isto, dizer? Que a sociedade formada por pessoas autómatas, mecanizadas, competitivas e desequilibradas pela noção de "grupo" metem-me asco. Ninguém valoriza o ser humano individualizado: há que rotular, estigmatizar e depois, apedrejar se não estiver dentro dos parâmetros ditos normais. Tudo o que já pode ser considerado alternativo, nunca o é de todo, como se houvesse actualmente uma certa obrigação em ser-se diferente, mas a sê-lo realmente, é-nos apontado um dedo.
Já gostei mais de pessoas, de facto. Começo a cansar-me das pequenas idiossincrasias idióticas e patéticas dos outros, quando confrontados com as nossas próprias exclamações de prazer quotidiano. No fundo, a nossa felicidade pode por vezes ser o calcanhar de Aquiles de alguém.
Por isso mesmo, acabo como comecei este post: dispenso os meus quinze minutos de fama a essas pessoas.




sexta-feira, 28 de março de 2008

Ser ou aparentar? Eis a questão.



Este post fez-me pensar (como quase todos os que ali encontro).


"Não raras vezes ouço a questão, normalmente vinda de pessoas com quem tenho alguma proximidade, na qual estas desconhecem a imagem ou efeito que projectam nos outros. não quer isto dizer que se importem com o que outros possam opinar em confronto com a sua identidade pessoal, mas tão somente a forma como serão vistos. Arrisco que qualquer um de nós talvez já tenha gostado de ser invisível e introduzir-se em local onde o próprio é motivo de conversa. Há, para algumas pessoas, um lado semi-perverso/voyeur, mas existe outro que, em meu ver, se prende com o desejo de saber quem somos, nem que seja por espelho conceptual e necessariamente exógeno. Em suma, quem nos vê, o que verá?

(...)

A verdade é que se o velho clichê está certo, e nenhum homem é uma ilha ( com todo o devido respeito, eremitas e capuchinhos, se não estão doidos, ficarão muito rapidamente. Eu pelo menos ficaria, pronto...), a projecção da nossa personalidade, físico, opiniões, capacidades, forma de nos identificarmos enquanto seres humanos com valores expressos na glóriosa lógica da liberdade pessoal, não pode ser despicienda. Nem que seja para nos conhecermos melhor, para que o papel que afinal queremos escrito para nós seja alvo de uma melhor adaptação."






Este foi um dos melhores posts que já li desde que ando nestas coisas de Blogs, tomadas de opinião, escritas on-line, etc. E porquê? Porque levanta uma série de questões relacionadas com tudo aquilo que é um pouco fútil em nós mesmos e nem por isso assim tão fútil como isso.

As pessoas, na sua grande maioria, dividem-se entre aqueles que dão uma grande importância relativamente àquilo que os outros pensam de si e aqueles que simplesmente se estão a cagar. Sim, porque existem sempre pessoas que se estão com-ple-ta-men-te nas tintas para aquilo que os outros pensam.
Isto, claro, com todas as variações e percentagens entre cada uma das partes de importância que cada núcleo de opinião constitui para cada um. Ou seja: um indivíduo pode ser alguém que se divida 70-30 em percentagem para cada um dos lados; estar em certa medida preocupado com aquilo que os outros pensam de si, mas não é algo determinante na escolha de acção x ou z no seu quotidiano.
Existem duas questões fundamentais que o meu amigo SK não abordou e que julgo serem vitais em toda esta questão de ser a tal mosca que quer saber o que os outros pensam de si:
1ª e mais importante: quem são esses outros? Que importância têm para nós?
2ª: será que a imagem que transmitimos aos outros é sempre a mesma ou variamos conforme quem temos à nossa frente? Será que temos consciência do que somos para cada uma das partes?
Os outros. O Inferno serão mesmo os outros? Se calhar... ou não. Normalmente tendo a discordar desta afirmação, com a máxima "quem boa cama fizer, nela se deitará". Não podemos culpabilizar os "outros" e o mundo pelas nossas acções e escolhas erradas, ou as nossas frustrações. Para cada uma das nossas acções, existe sempre um feedback, sendo mais ou menos visível. Conforme o tipo de acção, boa ou má, alegre ou triste, mais ou menos reflectora daquilo que somos na realidade, terá sempre um feedback. Interessa aqui saber quem são os outros. Conheceremos os outros tal como eles são? Até que ponto falamos aqui de amigos ou conhecidos? Será o nosso companheiro/a ou o chefe? Colegas de trabalho ou familiares? Amigos a quem confessamos tudo ou amigos de beber copos? Já agora, daremos a mesma importância a cada uma destas pessoas ou é tudo farinha do mesmo saco? Provavelmente toda a gente confrontada com esta afirmação dirá que "ah, claro que nem toda a gente é igual!!!" e afirmamos saber fazer a distinção, mas já todos cometemos o pecado da estupidez traiçoeira. Algures na nossa vida, apaixonámo-nos por quem não devíamos, fomos amigos de pessoas que afinal se revelaram nem assim tão amigas, pessoas em quem confiámos e não estiveram à altura das nossas expectativas; por outro lado, quantas vezes deixámos de fazer algo que faria um amigo ou amiga feliz, tendo consciência disso? Quantas vezes deixámos para trás alguém em prol de fazer uma merdice qualquer sem qualquer importância? Quantas vezes dizemos a nós mesmos que não temos tempo ou que não temos paciência para x y ou z? Tudo isto culmina num ponto que toda a gente já causou ou foi vítima: a desilusão.


Cada uma das pessoas encerra um papel diferente na nossa vida e isso equivale dizer que obviamente existem gradações variadas da importância afectiva que damos aos outros. Consequentemente, teremos uma importância diferente para cada uma das partes, importante é que não confundamos os alhos com os bugalhos. Salutar que a importância que eu dê a um colega de trabalho seja a mesma que ele me dê; de igual forma, seria ideal que entre amigos essa confiança fosse primordial e equilibrada, o que nem sempre é fácil. As relações humanas quase nunca o são. Fôssemos todos mais transparentes e honestos, primeiro para connosco, depois com os outros, em igual proporção de veracidade, e o mundo seria um caos. Sim, não seria melhor. Há coisas que não devem ser ditas, principalmente se temos consciência de que vão magoar terceiros e o preço da verdade nem sempre justifica tudo. Às vezes, é demasiado alto.


Por outro lado, é fulcral que a imagem residual que temos de nós mesmos seja o mais aproximada possível à imagem que procuramos transmitir. Na senda do não se poder agradar a gregos e troianos, penso mesmo que em última instância, temos de ter a consciência de que nem sempre desempenhamos aquilo que é esperado de nós, e muitas vezes, podemos até ter agradáveis surpresas quando a resposta vinda do outro lado é positiva. As relações humanas constroem-se com tempo, a cimentar estruturas de confiança mútua, no intercâmbio das acções/reacções de cada uma das partes envolvidas. Acho que só esse tempo nos dá a avaliação daquilo que vamos sendo pela vida fora e as transformações que sofremos, a par e passo com os nossos próximos, a desempenhar vários papéis e a sofrer as evoluções de cada relacionamento. Nada é estanque ou definitivo. E esse é o maior desafio, mas também a maravilha de se ser humano.

Afinal... havia outro!

O meu novo amor chama-se J.D. aka Dr.Dorian e passa todos os dias... mesmo no sofá cá de casa.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Nervo cerebral e telemóveis no cinema

Supostamente deveria escrever sobre AQUELE outro post relacionado com o que os outros pensam de nós e do quão bom e maravilhoso seria podermos ser uma mosca apenas para ouvir as conversas paralelas em que o assunto principal é a nossa pessoa, mas... não temos tempo!(eheheh), e esbarrei neste anúncio, também no fantástico blog Different Seasons, e como acho uma certa piada à temática e ainda ontem fui ao cinema, acho por bem complementar o post que seguiu abaixo sobre o western visionado.

Às vezes, o western passa-se na cadeira mesmo ao nosso lado, e poucos de nós acham piada ao facto. Confesso que sou avessa a multidões dentro duma sala de cinema (aliás, sou avessa a multidões, daí não ser grande fã de festivais do género Paredes de Coura ou Sudoeste), tal como não sou propriamente grande apreciadora de pipocas (em ocasião alguma) e ainda menos de gente mal educada, barulhenta, etc. Posso eventualmente cochichar antes do início do filme e se a sala não estiver muito cheia, bem capaz serei de tecer um ou outro comentário com o parceiro do lado. De igual forma, sou incapaz de mandar alguém calar ou de fazer barulho ou ainda, de comer as enervantes pipocas, como se estivesse em casa. Confesso que salvo um ou outro episódio mais chato, em que me aborreço e lanço o olhar surdo e fulminante no escuro, não ligo a essa malta. Passo ao lado. Ignoro.

Um facto curioso é que são as pessoas aparentemente mais calmas que realmente se enxofram com atitudes do género; à semelhança do adepto fervoroso do FCP, calminho e bom chefe de família que é capaz de gritar pela casa toda GOLO ou que o árbitro era filho duma senhora dada a práticas... ok, já perceberam, era uma senhora muito dada, ou ainda, daquele rapaz que é uma jóia de moço, mas que se enerva histericamente ao volante quando assiste àquelas manobras tão bem conhecidas das nossas estradas. São as chamadas transformações do tipo Dr Jekyll e Mr.Hide.

Por mais tolerantes que sejamos, por maior ou menor que seja o grau de paixão que colocamos naquilo que fazemos ou somos, existe uma facção negra ou um lado obscuro na nossa personalidade, que quando accionada, leva-nos a fazer coisas e a tomar atitudes, que de cabeça fria provavelmente não faríamos. É o tal nervo pequenino dentro do nosso cérebro, o frasquinho que se parte quando a coisa não corre bem...

Fica o vídeo. Brilhante.



3:10 to Yuma















domingo, 16 de março de 2008

Perdoai-os Senhor...


Não. Desenganem-se. Não é dos Tokio Hotel a que me refiro. É da maralha que já passou dos vinte e fundam clubes anti-qualquer-coisa-só-porque-não-têm-uma-vida e falam mal. Só por falar mal. Ou porque gostam da mesma banda e dali não passam, ou porque não têm mais nada que fazer, ou porque são muita góticos e vestem-se de preto. Tipo forinhas, mas não bem bem forinhas. Uma espécie de. Diz que é...

Este post vem carregadinho de beneno, por isso... ou aguentam-se à bronca ou mudem de canal (perdão, de blog).





Eu, ainda sou do tempo em que a revista Bravo chegava a este país na sua língua originária; que as adolescentes coleccionavam posters dos New Kids On The Block e Bros e quejandos. Gajos bons. Hormonas aos saltos. Se der um puxão maior à memória, ainda sou dos tempos áureos dos Ministars ou dos Onda Choc. Covers à maneirex das músicas que os irmãos mais velhos ouviam. Tempos das matinés nas discotecas e das cervejas numa terra em que as minis não eram uma moda, mas um velho hábito. Os verdíssimos anos marcados pela risota alimentada pelas guerrilhas verbais entre alfacinhas e tripeiros nas páginas do Blitz. Aquilo não tinha nada a ver com o resto do país e era de delirar. Uma bomba em Lisboa e outra no Porto e viveríamos felizes para sempre. Sou do tempo em que ser diferente não era uma moda, era um fardo; ouvir música diferente não era orgulho, era sinal que podíamos andar metidos na droga. E estes eram e foram tempos em que toda a gente queria ser popular e cor-de-rosa. E eu tinha 12 anos quando ouvi o The End dos Doors, numa cassette da minha irmã mais velha e a minha vida nunca mais foi a mesma. Também ouvia Dire Straits, e hoje em dia não suporto o Mark. Só se for o Kozelek (já estou a divagar...) Adiante.


Até chegarmos aos dias de hoje, as coisas mudaram. Talvez não muito, mas mudaram. Continua a haver música cor-de-rosa, de verniz, música muito down, muito up, muito assim-assim, música pimba, o José Cid e o Jorge Palma, e depois ainda há o Tony Carreira e o filho, o Pedro Abrunhosa e o Vitorino, continua a haver Bravo, Blitz, e o que é mais triste, pessoas que não cresceram, que continuam a dizer/escrever a mesma merda que diziam/escreviam na altura do Blitz, mas em Blogs, porque se acham tremendamente conhecedores de música e no direito de falar mal de bandas pop-rock como estes putos alemães de 17/19 anos como os Tokio Hotel. Eu não os oiço, não porque não goste, mas porque tenho outras coisas para ouvir, e falta-me o tempo para ouvi-las todas. A primeira vez que ouvi falar dos Tokio foi através da filha (13 anos) de uma amiga. Investiguei, fui ao Youtube, à Wikipedia e os putos não me parecem mal de todo. Acho triste, muito triste haver pessoas que não tenham mais nada que fazer do que falar mal gratuitamente de bandas que dão o primeiro passo. Considero ainda mais triste porque há muito piores bandas do que esta. Se as letras isto ou aquilo?!? Epá, não sei nem quero saber! Acho é deplorável como é que num país com tanto problema, com tanta ignorância/arrogância, com tanta analfabetice aguda, ainda se perde tempo a fazer Clubes anti-fãs-dos Tokio Hotel.

Sinceramente, tenho mais que fazer. Mas este post... ai este post tinha mesmo de sair, porque em 2008, a ter 12 ou 13 anos, eu talvez ouvisse os Tokio Hotel. Talvez...




*dedico este post à Inês, filhota da minha amiga Sofia.



Links a reter:
-
quem são os Tokio Hotel
- polémica da treta
aka galinheiro tipo malta à porrada verbal de baixo nível no blitz

terça-feira, 11 de março de 2008









Av. da Liberdade
Lisboa
8 de Março de 2008




Fotografia de Raul Alexandre.




sábado, 8 de março de 2008

100 X 1000 = 100.000 Cem Mil
















"não me obriguem a vir para a rua gritar!
... que é já tempo de embalar a trouxa e zarpar...."


e de cinco em cinco juntaram-se cem mil.
um dia a gente vinga-se.
contra a prepotência, a arrogância e a intransigência dos que pensam que tudo sabem.



as fotos são da lu.

quinta-feira, 6 de março de 2008

o Hi5 (lê-se áifáive)

Ora bem, vou já desmistificar todo o conteúdo deste post antes que venham aí as vozes da contradição ou do contra ou seja lá do que for. Não sou (de todo) moralista nem puritana, sou até, como me chamaram há uns anos atrás, a propósito dumas sardinhas assadas por ocasião das festas dos santos populares, uma rapariga brejeira e popular. Para além disso, pertenço à grande comunidade Hi5. Mais, devo acrescentar que por mais que vasculhem, não vão conseguir encontrar o perfil, e mesmo a encontrá-lo, não vão conseguir lá entrar, pois está interdito. "Ingressei" nessa vasta comunidade por intermédio de vários convites de amigos que me pediam:



... isto, a propósito de eu sempre ser aquela tipa que escrevia umas coisas giras a respeito da malta nos postais de aniversário (sabem, aqueles que vão juntamente com a prendita e tal), e porque até era giro, quem sabe, conhecer pessoas novas e encontrar velhas amizades. O Hi5 dava os seus primeiros passos na minha vida em 2005. Não tinha muito que fazer, andava deprimida e desempregada. Outra amiga deprimida e desempregada empurrou-me para lá definitivamente. A perspectiva de poder vir a ser amiga do Fernando Alvim deixou-me estarrecida (certo é que até hoje, nunca troquei uma palavra com o moço, fiquei-me pela amizade do áifáive) e lá escrevinhei umas coisitas a meu respeito no perfil. Aquilo, depois de lido, parecia um perfil um tanto ou quanto arrogante, com os livros, os filmes e as listas todas que fazem parte do meu quotidiano (só faltava a lista do supermercado), e retirei metade. E lá fui trocando comentários e elogios aos meus amigos, a dizer o quanto são importantes na minha vida, etc. Um bocado lamechas, e como estava deprimida e desempregada, aquilo amaciava-me o ego. Menos mal. Dura até hoje, mais coisa menos coisa, e fora uns quantos que já lá não estão, tenho um total de 135 amigos. Ora, eu posso até conhecer 130 e tal mânfios, mas concerteza não sou amiga de todos. O melhor disto tudo é que nem sequer algumas das minhas melhores e mais "antigas" amizades consta daquela lista. E alguns que lá estão, não fazem sequer questão de me dizer muito mais do que parabéns e feliz natal na altura devida, e o sentimento é recíproco.

Em suma, o Hi5 é "Amizades a Martelo". Este conceito de "Amizade a Martelo" fascina-me, pelo simples facto, de que de repente, todos passámos a ser amigos: aquele colega do escritório que não suportamos, aquela tipa do andar de baixo armada em boa e toda uma resma de pessoas solitárias ou com alguns problemas de auto-estima.

Mas no fundo, não é o ego ou a necessidade de amor, ou o elogio ao nosso bom estilo de vida e/ou a quantidade de cultura que faz parte da nossa vida, ou a quantidade de pessoas a quem queremos desesperadamente incutir na mesma, repetindo-nos que temos muitos e bons amigos e somos o máximo, estimados pelos outros, sem os quais ninguém pode passar e a quantidade de mensagens carinhosas que leva a grande maioria de nós, seres humanos, a inscrever-se no Hi5. No fundo, este espelho de nós e a violação de privacidade que nos permitimos naquelas páginas tem a ver com desejo, com feedback. Ao incluirmos um perfil cheio de qualidades, gostos pessoais e fotografias em poses fantásticas (o nosso melhor perfil) estamos a querer respostas, e desengane-se aquele que disser que não. Numa palavra? Engate, duro e puro, ou se quiserem uma perspectiva soft da coisa, a sedução implícita no acto de se fazer uma página toda ela muito bonita e "cor-de-rosa" de nós mesmos. OK, há uma secção de "defeitos", mas isso já lembra a crónica do RAP da malta que diz que o defeito piorzinho que tem é ser-se "honesto demais" e por lá, no Hi5 é o que não falta. Malta assaz humilde, sincera e se calhar, um bocadinho "teimosa" que isso de se ser teimoso hoje em dia é uma praga. Sedução, engate, pois então. Há que conhecer pessoas novas e propagandear a pessoa linda que se é. A lembrar os velhos anúncios de "Quero conhecer senhora/menina para relacionamento sério..."

Hoje em dia é pindérico e está fora de moda colocar um anúncio desses no jornal, mas o Hi5 é fresco, rápido, muito moderno e eficaz: escolhe-se a tipa ou o tipo pela cor dos olhos (o número ilimitado de fotografias propicia a isso), vê-se bem o corpinho e depois é só mandar um convite acompanhado de mensagens todas elas cheias de significado e poesia. Depois é só esperar pela resposta, como quem espera pelo peixe que mordeu a isca no anzol.

Se há solidão e estas pessoas não devem ser criticadas, é um facto. Toda a gente tem o direito de escolher a cara-metade como bem lhe aprouver, mas não se escudem em dizer que andam à procura de amigos, e na maioria das vezes, não há sequer uma vontade de se ter o tal relacionamento sério do antigo e pindérico anúncio de jornal. O que se quer é sexo puro e duro, o resto é conversa da treta. Com esta brincadeira, já vi algumas pessoas saírem ou magoadas ou defraudadas ou com uma enorme sensação de vazio.

Mas o Hi5 pode ser muito, muito mais. Como isto, por exemplo:








Este post encontra-se em construção (há muito mais a dizer).

Peço desculpa pelas imagens, que são um tanto ou quanto... pois... e dá que pensar como é que num mesmo Blog se fala no estado da nação e logo a seguir é disto. No fundo, uma coisa leva à outra e...

Foi você que pediu este Governo de Esquerda?




Eu sei. Já cansa, não é? Mas isto é até que os dedos me doam. Porque está excelente, porque tenho umas ganas de me jogar à jugular da senhora dona ministra da deseducação. Não apenas verbalmente mas literalmente. Porque uma nação não se faz de números nem de pó e areia nos olhos de toda a gente, mas de pessoas. Hajam los cojones en el sitio. O major da aguardente de batata, da pseudo-patente devia era estar caladinho no banco de suplentes, agarrado ao seu apito dourado. Era este que defendia o outro e punha as mãos no fogo pelo menino (seria de ouro, o João Vieira Pinto?) ao AFIRMAR convictamente que nunca agredira o árbitro durante o Mundial. Uma vergonha, tudo isto. Uma vergonha de gente, de governantes, de país, em todos os sectores. Desde o Governo até às futeboladas, estes senhores deveriam ser entregues à Santa Casa. Morrem pessoas nas ruas das cidades do meu país; existe corrupção e sacos azuis e poluição e betão e incêndios; existem polícias a recolher nomes de professores que se manifestam num país supostamente livre; existe medo, até na blogosfera, da parte de cada cidadão fazer, dizer, afirmar e levar avante a sua opinião. Colocam todos, os cravos nas lapelas a 25, mas desconhecem o real significado da palavra. Sorriem hipocritamente mas nem a Lei do Aborto tiveram a coragem de decidir em Assembleia. Com esquerdas destas, esperem pela vitória dos partidos de regime totalitário, louco e desprovido de senso.


Haja Tribunal Europeu.



terça-feira, 4 de março de 2008

Pensamento do Dia




«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas...»


Eça de Queiroz

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Cavaco Silva reconhece que existe “um ambiente de alguma tensão no sistema educativo”, e, enquanto Presidente da República, “não posso deixar de estar preocupado. Um Presidente da República não pode dizer muito mais do que aquilo que já disse, porque não deve interferir em matérias que são da competência do Governo, nem tão pouco deve afastar-se do princípio da imparcialidade numa matéria que ganhou contornos de conflitualidade política e partidária”.



Fica o pensamento não assim tão desactualizado do século passado e fica a imagem do sempre fantástico kaos.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Pensamento do Dia

Porque é que eu não votei no Manuel Alegre?...


"O deputado Manuel Alegre, ausente das jornadas socialistas e acusou recentemente o Governo de "insensibilidade social", pediu para ser lida uma mensagem e apelou ao grupo parlamentar do PS para, apoiando "o que deve ser apoiado", não se furtar a "criticar o que deve ser criticado e corrigir o que deve ser corrigido".









As imagens continuam a ser gentilmente "emprestadas" pelo fantástico Blog We Have Kaos In The Garden.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

"Qualquer um chega a ministro da educação!"






...e já agora a Primeiro Ministro.
E devo acrescentar, a Presidente da República.
Não devo nem vou elucidar quem quer que seja sobre o assunto da Educação, por dois motivos: porque considero que quem queira estar informado deva ler jornais ou ao menos interessar-se pelas notícias e debates que fazem parte desta palhaçada de desgoverno que temos, e porque não me apetece fazer humor de um assunto que considero sério e que me é bastante pessoal. Não sei se a alternativa de Menezes e do "seu" PSD farão alguma mossa ou sequer se este PS alguma vez sairá do Poder, uma vez que lá chegou com maioria absoluta. Alguém votou no "sr engenheiro", eu é que não fui. E não sei sequer se ao demitir a ministra, adiantaria algo ao estado das coisas, ou se modificaria mesmo o que quer que fosse. Todos os cancros deixam metástases e este não é excepção.
Considero de louvar como é que a incoerência se pode personificar assim tanto, a incompetência e o autismo de um ministro que antes de tudo, deveria saber dialogar e estar atento às contrapartidas de TODOS os professores. A grande questão aqui nem sequer se trata de qualidade, de uma boa avaliação do corpo docente nem se temos um Ensino digno e capaz em Portugal: a verdadeira razão para aquilo que se está a verificar nas alterações do Estatuto da Carreira Docente é DINHEIRO. Números. Reduzir o número de horas de algumas disciplinas equivale a reduzir emprego e vagas nas escolas = dinheiro nos cofres. A solução é, portanto, cortar nas despesas da Educação. Fácil. Instituir o medo também. Reduzir as hipóteses de progressão na carreira e congelar ordenados com o pretexto da avaliação é fácil, mas não é mais que areia nos olhos. E não é preciso ser-se ministro para se chegar a esta conclusão.
O problema dos professores não é medo de serem avaliados: é medo da humilhação pública a que estão sujeitos com esta avaliação, é medo do desemprego, é a revolta contra alguém que se insurge acima de qualquer democracia, levando em frente políticas nunca antes tão contestadas no país, depois da ditadura. É a raiva contra este Governo e este Primeiro-Ministro que se julga acima de todos, que EXIGE qualificações da parte de todos os trabalhadores deste país, mas continua alheio aos escândalos e às mentiras envoltas nas suas próprias qualificações. Que ainda não explicou todos os últimos acontecimentos relativos às obras que assinou e que continua a ter uma licenciatura entre-aspas.

Este Governo é um cancro que privilegia o facilitismo, a incapacidade de trabalho e a falta de disciplina nos alunos. Basta ler o novo estatuto do aluno, não é necessário recolher nomes de inspectores que obrigam professores a passar os meninos. Reduza-se o número de negativas!, grita o Ministério, para parecer bem à U.E. o número de pessoas tão inteligentes que temos em Portugal, quando sabemos que a maioria dos alunos não sabe fazer contas de dividir ou quem escreveu Os Maias. Não reprovem as crianças pois serão AVALIADOS em função do número de reprovações que fizerem!! Isto é um ultraje, uma vergonha. E temo que isto já não vá lá com demissões de ministros, nem sequer com o que quer que possamos fazer nas ruas ou quantos argumentos e pressões todos os partidos da Oposição tiverem junto da Assembleia da República.

Eu tinha vergonha de exigir aquilo que não tenho. Este Governo e este Primeiro-Ministro lembram-me o autoritarismo de Salazar nas suas políticas, fazendo-se valer da sua maioria absoluta, recusando ouvir seja quem for. Não há esquerdas nem direitas neste país, há sim um grande jogo de interesses, há sacos azuis nas autarquias, há betão por todo o lado, feito a martelo, envelopes de dinheiro debaixo da mesa entre autarcas e construtores civis, há processos deixados para trás, Casas Pias e afins, Apitos Dourados, não há Justiça, não há Saúde digna e igual para todos, a Segurança Social é um buraco, não há emprego, há milhares de licenciados desempregados, há pobreza, há fome, há um povo demasiado ignorante para se preocupar, demasiados jovens sustentados pelos pais a beberem e a drogarem-se demais, há, acima de tudo, como sempre houve neste país, muita desinformação, e muito pouco amor à educação e à cultura. E muita vergonha de se ser português.
Das duas uma: ou o senhor Presidente da República dissolve a Assembleia ou tiramos os cravos das espingardas, porque se isto não é uma República de direito democrata e livre, utilizem-se as medidas extremas. Os estudantes de Coimbra tiraram Salazar do poder e o golpe militar de '74 deu-nos o fim do Estado Novo. Penso que alguns milhares de professores já fariam mossa. E já é altura de mudar o rumo das coisas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Pronúncias, pensamentos e anedotas do dia






- Filhe, vá dizer à tua mõe, que o pai quer a cona!
O miúdo vai ter com a mãe e diz:
- Mõe, o pai mandu dezer que quer a cona.
- Ah filhe, mas a mõe hoje na pode dar a cona, tou co període...
A criança volta para o pé do pai:
- Olhe pai, a mõe hoje na lhe pode dar a cona, porque tá co període.
- Na é essa cona, estúpedo, é a CONA DE PESCA!...

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...