::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


sexta-feira, 13 de junho de 2008

Protecção Solar





CONSELHOS, COMO A JUVENTUDE, SERÃO PROVAVELMENTE DESPERDIÇADOS NOS MAIS JOVENS.
Mary Schmich, 1 de Junho de 1997
(tradução livre)



"Dentro de cada adulto, esconde-se um orador de fórum desejoso de sair, alguém suficientemente convencido de que possui o esclarecimento acerca do mundo em quantidade suficiente para iluminar aspectos da vida a uma audiência que preferia simplesmente passar esse tempo a equilibrar-se em cima de patins em linha. Desgraçadamente, a maioria de nós nunca será convidado para tecer considerações de sabedoria adquirida diante de uma audiência de capas e fitas, mas não existe qualquer razão pela qual não possamos entreter-nos a compor um Guia de Vida para Recém Licenciados.(ou jovens em geral)

Senhoras e senhores da turma de 1997 ( o meu ano curiosamente...)

Usem protector solar.

Se eu pudesse oferecer apenas um único exemplo de conselho, de instrução para enfrentar o futuro, seria o uso de protector solar. Os benefícios a longo prazo dos protectores solares têm sido profusamente comprovados por cientistas, ao passo que o resto dos meus conselhos têm como base nada mais fiável que as minhas calcorreantes experiências. E irei dar esses conselhos agora:

Aproveitem e saboreiem o poder e a beleza da vossa juventude. Oh, deixem lá isso! Nunca entenderão o poder da vossa juventude ou beleza até estas se terem desvanecido. Mas creiam-me, em vinte anos, olharão para fotos vossas dessa altura e recordarão de uma forma que nesta altura nunca conseguiram compreender, quantas possibilidades estavam à vossa disposição e o quão fabulosos realmente aparentavam. Não são nunca tão gordos como imaginam.





Não se preocupem com o futuro. Ou preocupem-se, mas sempre com a noção de que a preocupação antecipada é tão eficaz como resolver uma equação de álgebra usando a mastigação da pastilha elástica. Os verdadeiros problemas na vossa vida serão coisas que nunca vos cruzaram a mente, daquelas que roubam a vossa visão numa calma e serena tarde de terça-feira.

Façam diariamente uma coisa que vos assuste.

Cantem.

Não sejam inconsequentes com o coração das outras pessoas. Não aturem quem seja inconsequente com o vosso.

Usem fio dental.

Não percam tempo com ciúme ou inveja. Por vezes vão à frente, por vezes estão atrás. A corrida é longa, e no fim, é apenas convosco próprios.
Recordem os cumprimentos e elogios que receberam. Esqueçam os insultos. Se forem bem sucedidos nesta tarefa, contem-me como conseguiram.

Guardem as cartas de amor antigas. Rasguem os velhos recibos bancários.

Estiquem-se e flexibilizem o corpo.

Não se sintam culpados se não souberem o que querem fazer com a vossa vida. As pessoas mais interessantes que conheço não sabiam aos vinte e dois o que queriam fazer à vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço, ainda não sabem.

Consumam muito cálcio. Sejam gentis com os vossos joelhos. Sentir-lhes-ão a falta quando eles se forem.

Talvez casem. Talvez não. Talvez tenham filhos, talvez não cheguem a tê-los. Talvez se divorciem aos quarenta, talvez façam a dança da galinha no 75 o aniversário de casamento. Seja o que for que façam, não se parabenizem ou destratem em demasia. As vossas escolhas têm metade das hipóteses de sucesso. Assim como as de toda a gente.

Gozem o vosso corpo. Usem-no de todas as formas que quiserem. Não tenham medo dele, ou do que outras pessoas pensam do mesmo. É o maior e mais fantástico instrumento que alguma vez possuirão.
Dancem, nem que o único local que tenham para o efeito seja a vossa sala de estar.
Leiam as indicações de direcção, mesmo que escolham não seguí-las.

Não leiam revistas de beleza. Só vos farão sentir feios/as.

Conheçam os vossos pais. Nunca saberão quando eles irão de vez. Sejam bons para com os vossos irmãos. Eles são o vosso melhor elo com o passado, e aqueles que mais provavelmente vos apoiarão no futuro.

Entendam que os amigos vão e vêm, mas alguns (poucos) são tão preciosos que nunca os devem deixar ir. Esforcem-se para preencher as lacunas em termos da vossa geografia e estilo de vida, porque quão mais velhos forem ficando, mais necessitarão das pessoas que conheceram quando eram novos.

Viajem.

Aceitem algumas verdades inalienáveis. Os preços subirão. Os políticos prevaricarão. Vocês também envelhecerão. E quando isso acontecer, fantasiarão que no vosso tempo, os preços eram razoáveis os políticos nobres, e que as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeitem os mais velhos.





Não esperem que alguém vos sustente. Talvez tenham um fundo fiduciário. Talvez tenham um cônjuge rico. Mas nunca se sabe quando qualquer um deles se poderá esgotar.

Não façam muitas diabruras aos vosso cabelo, ou quando tiverem 40 anos aparentarão 85.

Tenham cuidado com os conselhos que interiorizam, mas sejam simpáticos e pacientes com quem os partilha. Dar conselhos é uma forma de pescar o passado, polir o obtido, pintar por cima das partes menos bonitas e reciclar para que acabe por valer mais do que efectivamente valia.

No entanto, confiem em mim.
Usem protector solar.”




O texto é de Mary Schmich. As fotografias foram retiradas daqui e são de Rosalina Afonso; Filipe Pombo e Raul Garcia, respectivamente.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Dor de corno


É verdade, é isso mesmo: o tema é a dor de corno. Não se trata de uma dor de corno qualquer, mas da dor de corno do homem que é trocado por outro ou, na melhor das hipóteses, não é trocado por ninguém a não ser por um vazio porque ainda há quem (justamente) pense que "antes só que mal acompanhada".

Obviamente, homens e mulheres, ninguém gosta de ser trocado e, muito embora as mulheres sofram de um certo síndroma de vingança, má língua junto das amigas e comportamentos explosivos de ressabiamento, os homens na mesma situação padecem de um mal que, a longo prazo, é destrutivo, designado por rancor. É verdade: os homens são muito mais rancoros e orgulhosos e mantêm as aparências no que concerne ao facto duro e cru de terem sido enganados ou rejeitados, mas no fundo... no fundo corroem-se de dor e angústia, nunca encarando bem a situação, negando a sua própria condição de "corno". A sua própria dor.

No que se reflecte, então, este tipo de comportamento?
Na amargura perante o sentimento romântico, na desconfiança do género feminino ("as mulheres são todas umas cabras" ou "não se pode confiar nessas p...." são afirmações recorrentes), no acto de mudar de passeio quando vêem o seu objecto de afeição ou, em actos mais drásticos, furar pneus de automóveis, perseguições pelos sítios habituais de passagem ou frequência e telefonemas anónimos em cabines públicas, apedrejamento aos vidros lá de casa ou as figuras tristes no local de trabalho. Ainda há a clássica bebedeira e consequente torrente de insultos, tanto à ex-namorada como ao respectivo e actual namorado da mesma.

Conclusão: mais vale que digam tudo duma vez, que insultem e chorem e apanhem as bebedeiras de seguida durante um ano, e se curem, do que andar a mastigar a paixão antiga, o passado de forma a conseguir salvar, não uma relação de "amizade" com a suposta ex, mas a relação consigo próprio.



Fica o vídeo que, no fundo, foi o que inspirou o post, bem como a lembrança de tantas e tantas situações conhecidas de pessoas que ainda não conseguiram ultrapassar as suas próprias situações. E lembrem-se: corno, já todos fomos na vida..






quinta-feira, 5 de junho de 2008

"Faz-me um filho!!!"

... deve ter sido o que a rapariga nipónica pensou depois de ter ouvido um dos grandes nomes da música neste "Mercy Seat".
As coisas que uma pessoa descobre por mero acaso...





quarta-feira, 4 de junho de 2008

The Good Night





Mel: "Sometimes I wish that you could just hit the sack and never wake up. If your favorite song never ended, or your best book never closed, if the emotions mustered from these things would just go on and on, who wouldn't want to stay asleep? The guy who discovers that perpetual dream, he's my man. "

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A Arquitectura Portuguesa dos dias de Hoje

::da impossibilidade de crítica da arquitectura::
::memória [in]descritiva::

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É recorrente a queixinha dos arquitectos que
“não me deixam trabalhar”,
“não me deixam criar”,
“só contrariedades”,
“o cliente não quer”,
“o lote tem uma péssima implantação”,
“o promotor não tem orçamento e tem péssimo gosto”,
e por aí além numa espiral de desgraças que impedem o livre curso do disparate.

È verdade que temos maus clientes, tão maus como a mediocridade cultural. É verdade que temos péssima construção, tão má quanto o empenho de toda a equipa no desenvolvimento de um projecto [do trolha ao arquitecto].
A rotina burocrática que ampara a arquitectura corrente [porque é o grau 0 da arquitectura que me interessa e não a excepção género Carrilho da Graça], não é responsabilidade de toda a gente à excepção dos arquitectos. Os pobres arquitectos, colados como lapas ao corporativismo de classe passam a vida a fazer merda e a atirar a água para o capote alheio.

(...)



Como tudo na vida, também a arquitectura está sujeita ao erro e à prova. Os erros acontecem em projecto [mostrem-me um projecto no mundo que exista sem uma gralha que seja!]. Os erros acontecem em execução, por deficiente leitura das peças desenhadas ou por outros milhares de factores.
O trabalho do arquitecto é também aprender e incorporar o erro no próprio objecto arquitectónico. Porque a realidade e a humanidade não é imune à falha. E porque a arquitectura é para a realidade.

#joão amaro correia


































a arte respira e expira e imita a vida. nada existe sem os conceitos tornados reais e qualquer produto da imaginação de alguém reside num espaço próprio inserido neste planeta azul. feito de linhas e volumes e estruturas e realidade subjacente. tal como um vestido, um automóvel, ou uma caneta, uma casa não pode ser um objecto indissociado daquilo que somos. da nossa identidade. a nossa continuação, portanto. o invólucro das nossas vontades, o porto de abrigo para o qual nos refugiamos. onde tudo acaba e começa. o reduto das nossas memórias e cenário das aventuras protagonizadas por cada um de nós. pensar a arquitectura de uma forma séria, em que surja como uma real opção e não mera condição e consequência de tudo aquilo que o dinheiro pode ou não comprar, é pensar em diversos factores que fogem às desculpas do costume da grande maioria dos arquitectos já enumeradas anteriormente por joão amaro correia. a liberdade do criativo. é trampa. partir do princípio que tudo corre sobre rodas, os tais factores podem resumir-se apenas a dois aspectos: o enquadramento urbanístico e paisagístico::e mais importante: a quem se destina. o que o cliente quer e deseja. já tive esta discussão interminável com um arquitecto, na qual ele discordou acerrimamente comigo. penso que um corte de cabelo pode ser arte. um prato gastronómico é arte. um vestido é arte. a dança é arte. um filme. a maioria dos arquitectos tende a negligenciar todos estes aspectos, ignorando que tudo isto é vida. e arte. a perfeição, a beleza e tudo o que produza sentimentos por via de uma exteriorização concreta ainda que fugaz. é arte no século XXI. e tudo isto cabe dentro duma casa e deve coexistir em harmonia. na medida dos desejos de quem lá habita.




What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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