::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Siza































Amizade Pronta-a-Usar

O que é que o Facebook tem que o Hi5 não tem?

A pergunta é legítima e impõe-se, pelo seguinte: eu não sei o que é o Facebook (não sei mesmo) e pode até ser por preguiça minha, por sempre esquecer-me dos endereços de mail atribuídos, das passwords, por ter apagado todos os convites de amigos que estavam à minha espera no Facebook (deixa-os estar, pensei eu) mas, acima de tudo, por já ter aderido há mais de três anos ao Hi5 e pensar que seria desnecessário ter duas páginas na Internet com a minha vida lá escarrapachada. A minha vida não é assim tão interessante para o resto do mundo. Para além de tudo isto, ter dois Blogs dá água pela barba e se o Beautiful Losers fosse um tamagotchi, já tinha morrido de sede, de fome, de falta de atenção e de frio. De igual modo, não aderi ao myspace, dado que as minhas telas são muito tímidas e as minhas letras, se dignas de figurar num qualquer espaço virtual, têm aqui o seu lugar no Blog.
Não me considero uma info-excluída, mas não tenho tempo nem pachorra para muito do que diz respeito à Internet. Gosto de ler uns quantos Blogs por aí espalhados, tendo descoberto alguns muito recentemente que fazem parte das minhas leituras matinais e que são uma lufada de ar fresco nos meus dias. Bem-dispostos, cheios de humor, alguns desumores e amores. Bons Blogs. Num deles, descobri isto e daí o mote para este post.
Isto, porque algumas das minhas pessoas preferidas da minha vida supostamente real (às vezes suspeito que estas minhas pessoas preferidas não sejam produto da minha imaginação, confesso) não aderem nem aderiram nunca ao Hi5 por acharem que aquilo tem ambiente de engate, é a palhaçada total, uma orgia virtual. São as mesmas pessoas que aderiram ao Facebook, dizem que é muito mais cool e tal e tal. Eu fiquei na mesma. No Hi5 não existe depravação (a menos que eu queira), não existem convites badalhocos (a menos que eu queira) e ninguém devassa ou faz revelações da minha vida privada (a menos que eu queira).
Por ingenuidade podemos cometer algumas indiscrições da nossa própria vida, num primeiro momento ou num contexto de novidade daquilo que são páginas pessoais, divulgadas na Internet. No entanto, aprendemos. Eu própria aprendi a conhecer os limites daquilo que considero ser do foro público, e aquilo que deve permanecer privado. Seja de que natureza for esse conteúdo. Há tesouros que por considerarmos preciosos, guardamo-los para nós e para aqueles que achamos que os vão, de igual modo, resguardar como seus. Há coisas que não cabem num mundo virtual e há espaços de comunicação que foram ficando para trás, dos dias de antigamente, de um tempo em que atender uma chamada em casa era uma incógnita. Simplesmente, não sabíamos quem estava do outro lado. Uma amizade demorava anos, era uma descoberta a fazer com calma, entre um copo e uma conversa interminável, e os interesses em comum eram uma surpresa muito especial, as músicas e os livros preferidos, onde se tinha tirado o curso ou os pensamentos de cada dia, as angústias e os sonhos de uma vida.



Resta saber se o Hi5 ou o Facebook suprimem toda a solidão da raça humana resumida a fotografias e interesses. Resta saber se o conceito de amizade tal como o conhecíamos irá desaparecer e dar lugar a uma nova geração feita de miúdos que apenas se rotula e se conhece pelo facto de ter os mesmos interesses em comum. Se sou o que sou hoje em dia, a muitos amigos com interesses díspares dos meus o devo, e se fosse apenas relacionar-me com pessoas que tivessem os mesmos que eu, provavelmente hoje seria alguém muito mais pobre, no que teria perdido uma fortuna imensa de pessoas que gostam de coisas que eu detesto, mas que são seres humanos completos naquilo que são por dentro e naquilo que me deram a conhecer e aprender.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Suns and Book Burning







"Tenho 50 anos e sempre vivi em liberdade; deixem-me terminar a minha vida livre; quando morrer, deixem que se diga de mim: 'Ele não pertencia a qualquer escola, a qualquer igreja, a qualquer instituição, a qualquer academia e muito menos a qualquer regime que não fosse o regime da liberdade'", disse Courbet no seu 50º aniversário.


__________________________________________________________________________ pim!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

That's what I call COURAGE

A propósito da modorrenta e bafienta opinião da Igreja, que se alimenta de toda uma máquina homófoba em que até os mais "modernos amigos dos gays" por vezes fazem piadinhas com muito pouca piada, pouco há a acrescentar. Não me choca ou surpreende e já nem sequer enraivece ou entristece como há uns anos. Eu, ateia profundamente convicta, me assumo. Não sei qual seria a opinião de Jesus Cristo sobre a matéria, mas desconfio que seria parecida com a minha.

Não sei o que entendem por "criança normal" ou "relação normal" ou até mesmo "vida normal" ou o que raio é necessário fazer ou dizer para que o Amor seja entendido como algo que não cabe dentro de parâmetros generalizados e estereotipados. Para que algumas mentes se abram e percebam que as ditas "famílias normais" compostas de pilinha e buraquinho foi chão que já deu uvas e muitas são estranguladoras assassinas das próprias crias. Crianças que nascem mal criadas, mal compreendidas e mais grave, mal amadas.

Num mundo onde vejo a cada dia que passa mais e mais hipocrisia, raiva, desprezo, onde palavras como Amizade, Solidariedade e Respeito e Consideração pelo próximo não passam de palavras que cada um defende onde lhe fica melhor: nos edifícios da Igreja, nos escritórios onde trabalham, nos bares onde engatam, nas casas que habitam, nos casamentos acabados que defendem, nas mentiras que contam.

Num mundo que teima e urge em mudar, somos nós que temos a obrigação de o empurrar e empunhamos essa bandeira da mudança para um Mundo melhor, onde não hajam diferenças na construção de algo mais bonito. Na defesa do Amor.




"Fidelity": Don't Divorce... from Courage Campaign on Vimeo.

Óscares? Quem é que quer saber dos óscares?

Desde que o Pulp Fiction perdeu para aquela idiotice do Forrest Gump, nunca mais dei grande crédito a estes prémios de cinema americanos. Nem sequer nomearam o nosso "Aquele Querido Mês de Agosto". Who fuckin' cares??


Uma vez que este Blog está a precisar de alguma testosterona, e como a Blogosfera está entupida de modelitos que proliferam a língua viperina do género feminino
"e aquela? que pindérica!!!"
e a admiração (leia-se babadice) masculina pelos referidos modelitos, ficam algumas das melhores imagens das cerimónias dos óscares em Hollywood.

De sempre, no masculino.


sábado, 21 de fevereiro de 2009

Hey Vicky Hey!...




Vicky and Cristina decided to spend the summer in Barcelona.

Vicky was completing her master's in Catalan Identity, which she had become interested in through her great affection for the architecture of Gaudí.
Cristina, who spent the last six months writing, directing, and acting in a 12-minute film which she then hated, had just broken up with yet another boyfriend and longed for a change of scenery.

Everything fell into place when a distant relative of Vicky's family who lived in Barcelona offered to put both girls up for July and August. The two best friends had been close since college and shared the same tastes and opinions on most matters, yet when it came to the subject of love, it would be hard to find two more dissimilar viewpoints. Vicky had no tolerance for pain and no lust for combat. She was grounded and realistic. Her requirements in a man were seriousness and stability. She had become engaged to Doug because he was decent and successful and understood the beauty of commitment.
Cristina, on the other hand, expected something very different out of love. She had reluctantly accepted suffering as an inevitable component of deep passion, and was resigned to putting her feelings at risk. If you asked her what it was she was gambling her emotions on to win, she would not have been able to say. She knew what she didn't want, however, and that was exactly what Vicky valued above all else.






Vicky Cristina Barcelona. Ambas na imagem. A Vicky protagonizada por Rebecca Hall, a Cristina, pela Scarlett Johansson. A Penélope Cruz é a ex-mulher louca suicida (Maria Elena) do artista protagonizado por Javier Bardem. Eu teria preferido um Benicio del Toro como pintor excêntrico e uma Kirsten Dunst como Cristina, mas assim também está bom. A Scarlett surge bastante atraente na tela, embora não me tenha convencido como figura sonhadora emocionalmente instável, e os olhos do Javier não são marotos q.b. para o homem apaixonado que se sugere, mas ambos cumprem o seu papel. Este último filme de Woody Allen não será tão bom como o recente Match Point, mas diverte e fala de uma outra forma de vida muito pouco retratada no cinema. É curioso ver como os americanos vivem vidas e relações sensaboronas e esta é, de facto, uma abordagem diferente sobre um mundo sexualmente clandestino de que todos temos conhecimento. Excêntrico para uns, natural para outros, diferente ou ainda louco para a grande maioria da sociedade, que se alimenta das premissas socialmente estabelecidas, de acordo com um convencionalismo que vai de encontro à monogamia, como único meio para alcançar e viver um amor verdadeiro.
Opiniões e vivências à parte, alguns poderão escandalizar-se mais do que outros, tendo por base e ponto assente nos seus (pre)conceitos do que é o Amor, o Sexo e as relações entre seres humanos. Pessoalmente, diverti-me imenso e o filme não me chocou.
Tendo consciência de que tenho muito mais de Cristina do que de Vicky (risos), estas duas personagens intrigaram-me, as suas vidas, a forma como achei que um Verão em Barcelona iria alterar por completo o decurso das suas vidas e no fim, muito naturalmente, a história acaba por tomar contornos feitos de uma realidade assustadora, como uma circunferência que perfaz os 360º e um ciclo que se fecha sobre si mesmo. Este filme lembrou-me imenso a mim própria há uns anos atrás, as minhas histórias, as dos meus amigos, de vidas clandestinas e excêntricas e muito pouco convencionais, e de muito precisamente, de formas de estar na vida que acabam por se complementar em todas as suas diferenças paradoxais.
O que se segue, tem já, três anos e foi retirado do antigo Psicologias da Treta.


porque é que os homens gostam de mulheres com iniciativa mas acham-nas umas putas?

(...)
Refiro-me àquelas que sabem o que querem, quando querem, onde querem e porque querem. As tais "putas". Com ou sem aspas. Obviamente, insiro-me nesse grupo das mulheres com iniciativa, que a tanto macho latino faz espécie, umas depravadas, apenas porque se recusam a jogos. Não cedo aos jogos do "se lhe fizer sexo oral na primeira vez ele pensa que sou fácil"... seja!
Não cedo aos jogos de "não o beijo, deixo que ele avance" ou "ele que ligue, há-de sofrer porque não o faço"... o que acontece? Os desgraçados sofrem sem saber o que fazer. Normalmente avanço se me interessa. Ligo. Beijo. Mordo, se possível. Até ao momento solene do altar, muita água corre, e é nesse percurso que me encontro. É aí que temos de saber o que valemos, o que queremos, o que procuramos. Hoje em dia, existe uma geração confundida e confusa pelas patacuadas em que fomos todos educados, os preceitos e brandos costumes. O peso da má língua e o peso que nós próprios lhes damos. Aquilo que somos e aquilo que os outros pensam de nós, que afecta comportamentos mais ou menos cuidados. Ou seja, aquilo que queremos que os outros pensem. A arma duma mulher assim, desprotegida pela ausência de cautelas ou receios motivados pelas más línguas é precisamente a ausência de medo.
Não há a perder, apenas a ganhar quando não se finge aquilo que não se é. Assumir o que se quer, do que se gosta. Quer na cama, quer na mesa da cozinha, no cinema e no bar ou biblioteca. Mulheres que lêem Anais Nin, Charles Bukowski ou Boris Vian não podem ser "boas mulheres"... mulheres que assumem que gostam de sexo são umas loucas, só pode! Mulheres que comem e bebem desalmadamente, que fumam, não pensam no amanhã... mas são mulheres que normalmente não têm aversão a outras mulheres, têm muitas e boas amigas e não se perdem a criticar, a julgar "a vida da outra"em conversas de café. Normalmente, as "santas" são as coitadinhas que se encolhem no seu cantinho, numa postura assumidamente "tímida", de quem tem muito pouco a dizer. E desconfiam das outras, mazonas e absurdas, tão hilariantes e voluntariosas, com tanto a dizer, tanto a inventar...
Se há as que são putas (salvo seja), há a concorrência, manifestamente composta por raparigas "de bem", "de família", que não vão a um concerto, que não bebem em público, que não saltam, não se divertem, não nada. Apenas na preocupação e consideração e zelo do bem estar do "querido" ou ente amado. Coram se alguma sua semelhante diz "uma palavra malcriada" (tipo foda-se) porque acham que em determinado estágio das nossas vidas, já nos deveríamos ter deixado disso. Em suma, parecem as Virgens Marias. As tais muito giras e boas, as tais que se fazem "difíceis", que criticam a podridão que vai na alma pecadora de cada uma das outras, que se dão ares de importância desmedida.
Tipo Carolina do Mónaco.
Não falo de cor. Quantos casos conheço, quantos olhos tristes vejo por aí, os semblantes daqueles que se deixaram arrastar... que ainda hoje arrastam. Dragados pela ideia de virgindade e mulher difícil que rejeita o sexo como algo de natural, espontâneo e ao mesmo tempo, especial e único entre duas pessoas. O amor pode ter a ver. Ou não. Quantas vezes o amor surge depois...
São mulheres inteligentes, estas. Sabem como dominar o idiota que baba a cada passagem, a cada estremecer de lábios que lhes diz "hoje não, querido". São as verdadeiras dominadoras dos que vieram de Marte.
As outras? São umas tolas, umas tontas, que a maior parte das vezes levam mais a fama de loucas do que o proveito propriamente dito. Os homens têm mesmo um problema sério quando chega a hora de definir a mulher com quem sonham partilhar a vida, a cama, os sonhos e os filhos. Mulheres com passados demasiado extensos não são benvindas. Mulheres com demasiada experiência de vida têm erros demais. Mulheres com demasiados homens na sua história são... umas putas.
Tipo Stéphanie do Mónaco.

A ideia de "mulher direita" conseguiu prevalecer até hoje, muito embora "elas" fumem, usem calças e trabalhem "fora de casa". Os tempos mudaram, mas nem por isso as mentes de Marte chegaram ainda à Terra.
Por isso eu apelo ao macho latino que vive dentro de cada um de vós, homens, e mesmo que não assine por baixo, que pense um pouco na questão, que faça uma breve observação à mulher que tem em casa, ou em mira, ou na mente ou no coração neste momento e que me diga porque é que afinal as ditas "virgens" levam a vantagem às tais "putas". Porque é que os discursos que têm com as amigas intelectuais e giras, não coincide com o discurso que usam na sua vida pessoal e intransmissível? Porque é que gostam de se deixar levar apenas porque uma noite de prazer lhes foi negada? Qual o critério de pureza nessa atitude de negação e abstinência se não passa de pureza fria e maquiavélica que cumpre o objectivo de os deixar doidos?




quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Estado da Nação II: mulheres aka gajas aka censura

Censurem lá este agora.

... mas só depois de resolverem os processozinhos da malta que têm por aí pendentes. Ou o Carnaval tem privilégios acrescidos relativamente ao resto dos T.P.C.'s de V.ªs Exc.ªs, assim uma espécie de triagem de Manchester com direito a pulseirinha verde?


É grave que a celeridade seja feita de raios de um sol que só nasce para alguns, em actos que não servem o bem colectivo mas apenas os caprichos de mentes com muito pouco sentido de humor. Mais grave, com muito pouco sentido de democracia.

Foi em Torres Vedras, onde o Carnaval é mais português.








O Estado da Nação: "Eye of the Street"

Portugal enfrenta, além da crise económica, uma crise de liderança. Quem o diz é o empresário Belmiro de Azevedo.

«Nós temos uma crise de líderes no Governo, nos partidos políticos, nos empresários, nas associações, nos sindicatos», afirmou, num encontro promovido pelo Fórum para a Competitividade.

O fundador do Grupo Sonae, considera existir «falta de liderança a muitos níveis» e defende que «Portugal precisa, mais do que de novos líderes, de bons líderes».

No caso dos sindicatos, Belmiro de Azevedo disse que os mesmos «defendem o emprego para ávida», uma teoria abandonada há décadas e que não pode ser prosseguida na actual conjuntura.

Quanto aos políticos, diz o empresário que «falam do que não sabem e prometem o que não podem cumprir».



Os Gato Fedorento dizem ainda melhor. "Eye of the street" que em espanhol é o mesmo que dizer "riuya". Gosto do Belmiro e gosto dos Gato Fedorento.




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Anónimos


Três anos depois de ter iniciado uma viagem blogosférica e o meu percurso algo tenebroso neste mundo virtual, e porque o assunto tem sido abordado nalguns Blogs, impõe-se que escreva umas palavrinhas sobre o assunto. Há que dar relativa importância ao tema, na medida em que os Anónimos andam por aí.


Medo.



Verdadeiramente nunca há completos e totais Anónimos nestes meios, na medida em que por uma palavra ou outra, pela retórica, por uma expressão mais característica, as pessoas acabam sempre por se trair. Na melhor das hipóteses, pelo próprio conteúdo ou circunstância do post comentado. E isto falando, quando conhecemos as pessoas através da Internet, como Bloggers (o que se torna muito fácil descobrir quem são, na medida em que estamos habituados a essa forma de comunicação), ou quando as conhecemos pessoalmente, pelo que é ainda mais fácil saber quem são. Também há aqueles que fazem das nossas vidas blogosféricas as suas próprias, e delas, obsessões. E esses sim, são os verdadeiros Anónimos. Aqueles que nunca interagiram connosco senão pelo anonimato, aqueles que sabem quem somos (ou que pensam que sabem) mas nós não sabemos quem são, nem como virtuais, muito menos reais. Há aqueles que já podem ter ouvido falar de nós, ter-nos visto na rua, ter-nos uma terrível raiva e dor de corno e ou, no caso dos Bloggers que são figuras públicas, nos meios de comunicação social ou em palcos, e são esses, os alvos mais fáceis. Frequento alguns Blogs de figuras públicas mas raras vezes comentei esses Blogs. Normalmente, são os mais atingidos.

Costumo comentar alguns Blogs anonimamente quando me dá na telha, porque normalmente os Donos do Blog sabem quem sou. Denuncio-me com uma frase ou expressão que sei que a pessoa vai imediatamente perceber que sou eu. Confesso que adoro fazê-lo, pois significa que existe um mundo privado para além dos Blogs, private jokes, algo que é paralelo ao que se pode entender como de "toda a gente". Não me importo, portanto que o façam comigo, no meu Blog. Alguns comentários anónimos são bem melhores que o resto que se acha muito Blogger. Gosto da minha Yang e gosto da minha Amiga da Merdunga e do meu Amigo da Merda e do Anónimo Mais Anónimo Não Há que os Outros Dois Etc e Tal e Coiso. Gosto. Desde que tenha piada, eu posso até nunca vir a saber quem foi que comentou ou as razões porque o fez, mas há sempre uma cortina de fumo. Um contexto. Uma curiosidade. Um Anonimato é sempre um convite à descoberta.


Faço deste espaço um sítio onde me possa divertir, depositário de muito do que são as minhas opiniões, destilação de fúrias próprias e alheias, sarcasmos e maus fígados, conversas de casa de banho, daquelas que ficam escritas nas portas das mesmas, diário de situações mais ou menos sérias, mas nunca levando nada disto a sério. Há quem leve esta porcaria mais a sério do que eu gostaria, mas isso são outros 500.

De vez em quando lá salta qualquer coisa lamechas, mas não muito, para que as pessoas não se habituem mal.

Não gosto de pensar que algum dia terei de colocar aqui moderação de comentários. Se alguém utilizar este espaço para me insultar ou flagelar, está à vontade para fazê-lo, dado que o anonimato só aí se manifesta de forma preocupante se eu CONHECER de facto a pessoa e ela significar algo para mim. Ninguém que eu conheça tem duas caras a esse ponto e muitos dos que me conhecem nem sequer sabem que tenho um Blog.

Portanto, os Anónimos que eu não conheço não me afectam, e os que me conhecerem e utilizarem isto para me dizer algo que não tenham coragem de o fazer in my face, pois... temos pena. Virei sempre a saber quem foi "a jóia".

Não sou figura pública, sou apenas mais uma "indivídua" que faz parte deste delicioso colectivo que é a Blogosfera.

Sempre fiz questão de dizer que gosto dos meus Anónimos e tenho sempre "uma palavra amiga" para lhes dizer. Por norma, sempre foram cordiais ou simpáticos ou meio loucos ou completamente loucos ou javardolas ou críticos ou humorísticos e bem dispostos. Eu gosto disso tudo. Entendo que haja pessoas que se chateiam com o conteúdo de alguns comentários e sei de algumas situações no mínimo ridículas, mas para isso existe a moderação de comentários. Em último caso, manda-se à merda porque a expressão é bonita e foi feita para ser utilizada em determinadas situações.

A vida já é suficientemente chata, por vezes, para termos de nos chatear, às vezes, por tão pouco.





p.s.: eu tenho sitemeeter.


p.s.2: enquanto andava à procura de imagem ilustrativa deste post encontrei este site. Utilidades.



terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

filhos da puta





Ontem tive uma longa conversa com um grande amiga sobre os filhos da puta das nossas vidas. Obviamente isto seria tema para um outro post, e agora não tenho tempo ou disposição, nem capacidade de abstracção para dissertar sobre o assunto. De entre os escombros daquilo que nos resta, de entre a verdade escondida nas patranhas que nos contaram e que tarda sempre mas de forma assaz oportuna, fica sempre uma sensação de missão cumprida, afinal que piada teria a vida sem esses filhos da puta com ausência de escrúpulos? Pessoas que mentem, enganam, sem derramar uma lágrima que seja. Sem uma única que seja.


No meio da conversa, veio à baila aqueles filmes para pessoas inteligentes e dramáticas como nós, e outras coisas tais como balas e bolinhos, ramstein, o scooby doo, o Fernando Ribeiro, o Padrón, a varinha mágica a trabalhar e tudo aquilo que gostaríamos de esquecer que já nos aconteceu, mas que nos dá tema de conversa e risota e algumas lágrimas masoquistas pelo meio, tal como quando tínhamos vinte anos. Surgiu ainda o Bukowski, a lembrar os tais filhos da puta, mote para este post.

Devo-lhes imenso, mais que tudo, por me terem ensinado que filhos da puta destes ficam bem é nos livros e nos filmes que gostamos de ler e ver. Não nas vidas reais, não na nossa cama, não na nossa alma.



"What goes around, comes around". Isn't it?








Charles Bukowski (1920-1994) nasceu na Alemanha em 1920. Aos três anos foi viver para os EUA, tendo residido 15 anos em Los Angeles. Estudou literatura e jornalismo. Começou a escrever muito cedo e publicou os seus primeiros contos em 1944. Apenas terá começado a escrever poesia quando já tinha 35 anos. Trabalhou em bares, nos correios, estações de serviço, levando uma vida boémia à base de álcool, mulheres, apostas em corridas de cavalos e lutas de boxe. Foi várias vezes hospitalizado, devido a problemas relacionados com o consumo excessivo de álcool. De personalidade inconformada e iconoclasta, Bukowski nunca se deixou associar a qualquer movimento literário. Completamente independente, foi construindo uma obra com cerca de 40 títulos publicados. O seu primeiro livro de poesia data de 1959. Na sua campa, deixou o aviso: «Don't Try!»



p.s.: obrigada A. amiga sobejamente versada nestes assuntos da filha da p.... , a imagem ficou mesmo mesmo bem.
Isto ficou um bocado forte mas enfim... às vezes a vida é um bocado forte.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Azares





(ainda a propósito da sexta-feira 13)
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...alguém me pode dizer qual é a diferença entre as superstições antigas do tipo ferradura dentro da mala, não passar debaixo do escadote, o pavor aos gatos pretos que se atravessam à nossa frente, as 13 pessoas à mesa, entrar com o pé direito nalgum sítio para a suposta boa sorte, a moeda dentro do bolso para afastar o Diabo, ver um cão a defecar à nossa frente na rua, e as superstições modernas do tipo cadeias da amizade internéticas ou sms "se não enviares esta mensagem para as 10009887 pessoas que tens nos contactos, vais ter 50 anos de azar", como se qualquer uma destas superstições tivesse poderes sobrenaturais ou influisse naquilo que nos vai acontecendo na vida. Ou justificar os maus dias, inerentes a toda e qualquer existência humana.


A Margarida Rebelo Pinto diz que "não há coincidências".


Eu prefiro pensar "que las hay". As coincidências, claro.

6 + 8 = que é o mesmo que dizer "AH VALENTE!!!"

Tinha tudo para ser uma história feliz, mas está a dividir a América. O parto de oito gémeos, todos vivos, gera ódios à medida que são conhecidos pormenores da vida da mãe dos bebés, já com seis filhos, divorciada e desempregada. Várias ameaças de morte obrigaram Nadya Suleman - a mulher que deu à luz os oito bebés, no final de Janeiro - a esconder-se em "parte incerta", segundo o seu porta-voz.



Li isto e fiquei entre uma gargalhada incrédula e um sentimento (nada agradável) de pena por esta mulher. Poderão as vozes da reacção insurgir-se contra este meu sentimento de pena, alegar que ela teve os bebés porque quis, etc, e até há quem lhe tenha feito ameaças de morte(?), mas a verdade é que deve ser PENOSO ter tantos filhos e não saber como é que vai conseguir sustentá-los. Poderão dizer que Nadya Suleman é inconsciente e aí terei de concordar, porque das duas uma: ou é inconsciência ou é loucura.
A verdade é que as crianças estão cá fora, a verdade é que apesar do desespero, alguém há-de sempre ajudar estas pessoas a criar os seus filhos, nem que seja a pobre da avó.
"Sinto-me mesmo muito cansada por tomar conta das seis crianças e é preciso que ela pense numa forma de resolver isto", afirma, acusando a filha de nunca ter cumprido a promessa de ajudar nas despesas. A avó das crianças ressalva, contudo, que Nadya é uma "boa mãe", embora "obcecada por bebés", e atribui essa obsessão ao facto de ser filha única. Nadya já terá recebido propostas para escrever livros, dar entrevistas pagas, fazer anúncios publicitários e apresentar programas televisivos.
Cada um com as suas obssessões e loucuras. Se é condenável alguém querer ter filhos a este ritmo, e nestas condições, é uma hipótese que considero, obviamente, mas acho que não justifica ameaças de morte por parte de quem não tem nada a ver com o assunto. Ondas de ódio porquê?
Ainda estou a pensar no número... 14 - CA-TOR-ZE é muito.
AH VALENTE!

Pai





Pois. Hoje não é dia do pai nem nada que se pareça. Nem sequer é o dia do seu aniversário, para além de que o meu pai não sabe que tenho um Blog. Talvez por isso saiba ainda melhor esta pequena homenagem clandestina, secreta. Há alguns segredos que apenas se revelam à alma e ao mundo, pois os seus destinatários sabem-no interiormente. Talvez eu seja mesmo uma daquelas pessoas que partilha os seus segredos com estranhos, embora este espaço já tenha sido mais confortável em tempos idos, onde todos éramos, de facto, estranhos. Talvez eu chegue à conclusão que afinal somos todos muito mais estranhos (no inglês strangers) do que pensei, na medida em que as pessoas têm atitudes estranhas e é necessário muito mais do que um Blog para nos conhecermos realmente bem. Existem muitas mensagens escondidas nas entrelinhas deste Blog e talvez as maiores sejam mensagens de Amor e dedicação, e nalgumas, as pessoas nunca chegam a percebê-las ou sequer a lê-las.

Quanto à afirmação explícita na mensagem, eu não sei se ajuda, de facto. Sempre fui daquelas miúdas com uma ideia de pai equivalente a super-herói e depois veio uma adolescência tremendamente complicada que deitou por terra o mito, a comunicação, e instalou-se uma espécie de amor/ódio da qual nada me orgulho. Foram tempos difíceis. O meu pai é um homem do antigamente século passado e tivémos momentos muito difíceis na denominada fase do armário aka parvoíce de adolescente aka rebelde sem causa, a par de uma anormal situação de doença familiar que agravou o estado emocional geral da família. Mortes à mistura. Muita coisa triste.

Sobrevivemos, à custa de algum auto-controlo e muito bom-senso, pelo que superámos o que naturalmente havia a superar. Aproximámo-nos lentamente. Chegámos até ao hoje, e o hoje é de uma amizade muito bonita. Definível por diversas palavras, sendo a maior, confiança. E quem me conhece sabe que não é difícil ganhar a minha confiança, sendo ainda mais fácil perdê-la. Normalmente, não olho para trás se a perco, e se a perco é de vez. Nisso sou mais como a minha mãe, mas isso dava outro post.

Descobri este site no Blog da Ana e confesso que chorei. Chorei muito. Confesso que tive uma tremenda saudade do meu pai naquele momento e confesso que sorri e tenho um profundo orgulho em ser filha daquele pai tão louco e tão severo e tão aventureiro e tão pai que ele é.


Meu pai.




Obrigada, Ana.


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Animais como Nós

Há coisas inexplicáveis, coisas que nos fazem ver a vida através de outro olhar que não o nosso, e no entanto, somos nós que vivemos dentro da pele dessa outra pessoa que pensávamos que não existia.

Coisas como este quiz, esta insónia e esta música "Street Lights". Logo eu, que não gosto do Kanye West. Não me sai da cabeça, esta música. A culpa é da Anatomia de Grey.

Amanhã é segunda-feira.
Amanhã é dia de trabalho.









You're The Animals!

You're just a soul whose intentions are good. You are praying for
some understanding, but somehow you seem to know already that it's not going to come
through. You wouldn't have thought that a mere house could ruin your life, but now
you don't even look forward to the sunrise anymore. With all this ruin, you think it
might be time to go on some sort of tour. You've got to get out of this place, if
it's the last thing you ever do.



Take the Animal Quiz
at the Blue Pyramid.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Isto Sim É Sétima Arte


Não sou grande fã de comédias. Acaba por ser estranho em si, pelo facto de ser uma pessoa de riso fácil, mas a verdade é que não gosto de comédias, e se for pensar nas comédias da minha vida, elas cabem-me nas palmas das mãos. O que de si já não é mau.
Penso que é mesmo o género mais difícil de agradar, de interpretar, de fazer.

Um mau drama passa despercebido, mas uma má comédia nunca passa.

Nunca apreciei muito os Monty Phyton, ao contrário de quase toda a gente que conheço, e não faço daquilo enciclopédia do humor ou referência no que implica uma boa gargalhada. Não interfere no meu sistema nervoso de riso. Até mesmo os Gato Fedorento (de que gosto muito), têm sketches que não me fazem sorrir sequer, ou porque são demasiado nonsense, ou demasiado pretensiosos, ou demasiado qualquer coisa e quando assim é, a aplicar em demasia, é como um prato que levou demasiado sal ou pimenta ou picante.

A comédia é, efectivamente, uma fórmula difícil de obter e deve alcançar o maior número possível de pessoas, senão seria uma private joke.

Não sei definir ao certo o que é que me faz rir ou qual o meu "tipo de humor", e muitos dos que vou referir nem estarão etiquetados como comédias, mas foram os filmes que mais me fizeram rir até hoje. Não se pode comparar um Jack Black a um Woody Allen, ou um Emir Kusturica a um Wes Anderson, mas todos são incomparáveis e todos me fizeram rir.



Aleatoriamente, são estes os da minha hilariante eleição. Sem ordem de preferência ou de chegada. Muito do que depende uma boa gargalhada depende da altura da nossa vida em que vemos determinado filme. Não necessariamente do estado de espírito, mas, acima de tudo, a capacidade de nos vermos em cada um daqueles papéis.





The Darjeeling Limited (2007), de Wes Anderson





Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan (2006), de Larry Charles





Little Miss Sunshine (2006), de Jonathan Dayton/Valerie Faris





The Big Lebowski (1998), de Joel Coen/Ethan Coen





Nacho Libre (2006), de Jared Hess





The Big White (2005), de Mark Mylod




Shrek (2001), de Andrew Adamson/Vicky Jenson





Delicatessen (1991), de Marc Caro/Jean-Pierre Jeunet




Zoolander (2001), de Ben Stiller





High Fidelity (2000), de Stephen Frears





Crna macka, beli macor aka Gato Preto Gato Branco(1998), de Emir Kusturica




Mujeres al borde de un ataque de nervios (1988), de Pedro Almodóvar






Everything You Always Wanted to Know About Sex (1972), de Woody Allen

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Revolutionary Life










John Givings: Hopeless emptiness. Now you've said it. Plenty of people are onto the emptiness, but it takes real guts to see the hopelessness.

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April Wheeler: Tell me the truth Frank remember that? We used to live by it. And you know what's so good about the truth? Everyone knows what it is however long they've lived without it. No one forgets the truth Frank... they just get better at lying.





Mais um filme de Sam Mendes. Mais um belíssimo filme de Sam Mendes. Poderia falar nas semelhanças que este filme tem com American Beauty, na medida em que é mais uma película que fala da (des)ilusão do sonho americano, de americanos que sonham com a Europa, como se nela viessem encontrar a resposta para todos os seus problemas. Poderia perder-me nos mil e um detalhes que o filme tem, nas suas particularidades, da fotografia lindíssima, do fenomenal desempenho da brilhante Kate Winslet, do espalhafatoso miúdo armado em "actor dramático" Leonardo DiCaprio, da fabulosa Kathy Bates e acima de tudo, um Michael Shannon no seu melhor. A surpreender. Poderia falar no poder dramático do filme, em como a visão irónica, dramática e até porque não(?) ingenuamente romântica, usual de Mendes pendeu desta vez para algo mais pesado e difícil de digerir. Poderia estar aqui durante horas. Não o irei fazer.
Hoje é dia dos namorados e este é um filme perfeito para se ver com a cara-metade. Levanta-nos questões pertinentes como a falta de verdade das nossas vidas, quem somos, quem já fomos, as mil e uma formas de "crescermos juntos" e até onde queremos AINDA ir. Reforço a permissa adverbial pois penso ser a questão fulcral do filme e porque não, das nossas vidas supostamente "reais". O caminho que nos leva a algum sítio não é mais importante que o rumo e as escolhas a tomar no caminho que queremos seguir. Nunca é tarde para se seguir por um atalho.
Não tenho a presunção de me achar mais verdadeira do que seja quem for, os meus conselhos no campo amoroso são uma treta e não tenho fórmulas secretas para "vencer na vida", mas penso que cada um de nós encontra a sua fórmula secreta e vê-se ao espelho como vencedor ou perdedor de algo ou de alguém ou de alguma coisa. Todos, a determinada altura da nossa vida, podemos considerar que em todas as escolhas que fizémos, umas foram as mais acertadas e outras as menos acertadas, mas nenhuma foi a CERTA, pois em todas elas perde-se sempre algo pelo caminho. Em última instância, somos todos "perdedores". Definimos prioridades e agimos de acordo com elas. O resto é apenas ilusão, e muitos de nós repetem-se ao espelho que estão no caminho certo, fazem o controlo de danos mas não controlam coisíssima nenhuma enquanto essa gestão de prioridades não estiver bem assente. A carreira? O amor? Qualquer coisa pode ser digna de ser entendida ou vista como uma prioridade. O resto gira em redor disso mesmo.
Quero com isto dizer que não, eu não acredito que toda a falta de verdade deixasse de existir ou todo o amor por ressuscitar surgisse naquela (a do filme) ou noutra relação (que não seja num filme) apenas porque teriam fugido para Paris ou para a China ou para outro sítio qualquer. As merdas feias como a falta de verdade na vida, no amor ou no trabalho, as desilusões acumuladas ou o ódio latente por algo ou alguém perseguem-nos para onde quer que vamos. A geografia não nos muda a mente nem o coração, muito menos a alma se estiver já vendida ao Diabo. Não se pode culpar alguém por querer fazer melhor, por tentar, por ter a ilusão de que se pode salvar algo que esteja de antemão perdido, mas é apenas uma ilusão. Os atalhos que tomamos e decidimos a qualquer altura da vida devrão ser verdadeiros, não ilusórios.
Poderia dizer que o filme acabou mal. Mais importante, é saber que o filme já começou "mal". Não existem finais felizes para histórias perdidas, com tanta fealdade à mistura. Tanta falta de Amor.




****Numa altura em que considerei mudar de profissão, este filme veio mesmo a calhar. Talvez eu tenha muito mais de Frank do que aquilo que gostaria de admitir, mas a April que vive cá dentro impele-me a perseguir sonhos que permanecem por cumprir. Adverbialmente, AINDA por cumprir.
Numa altura em que sinto que já perdi tanta coisa na minha vida, em todos os momentos em que me sinto fraquejar, em que derramo lágrimas de saudade e de frustração e porque nem sempre ter uma relação feliz é sinónimo de "estar tudo bem", dedico este post à minha cara-metade, que sempre me tem feito sentir que vivemos a nossa verdade, quem tanto amo, e que todos os caminhos tortuosos me fizeram chegar até aqui, até ele.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Yesterday Tomorrows




A ideia de ver um concerto de Tindersticks, nesta altura da sua longa carreira, em que se chegou mesmo a pensar que o Stuart "tinha feito as malas", num timming perfeito a par de uma fase estranha na minha vida, em que ainda não "recordo os bons velhos tempos" ou a "música do meu tempo", em que era uma das bandas que mais ouvia em Coimbra, nos meus "verdes anos", das alturas de cor de corno e dos supostos males de amor, faz e dá que pensar que o espectáculo é longo, que tudo isto não passa de uma piada de mau gosto que nos contaram quando nos disseram que "um dia vai ser mais fácil".



Nunca é fácil. Talvez seja para alguns, mas nunca o será para mim.

Ouvir Tindersticks ontem à noite não foi fácil, porque para além de superar todas as expectativas de alguém cínico como eu, sempre à espera da grande falha e da desculpa para a grande desilusão, o murro no estômago foi muito forte.
Não é de música que se trata, é da própria vida a acontecer, e da manifesta premonição de tudo o que é ainda novo, de tudo o que ainda nos faz sofrer. A lembrar-nos que não há espaço para haver um passado enterrado num tempo, e que o amanhã pode bem desenterrar-nos lágrimas ao som destas músicas, que o presente não é nem estará acomodado.


Um concerto que me lembrou que pior do que se ser nostálgico, é viver a vida e a música que a acompanha a cada dia que passa. A cada lágrima que cai. A cada "tiny tear" que se perde.





























then it turned down down my feet
and the buildings and trees live with the wind
left me standing in a courtesy to scream
when i was stranger to everyone
and everyone was a stranger to me

if i could touch you down
and tell you all the things i never said
of how you hid those tears away from me
like i couldn't hear

for i loved you through this wilderness
i loved you through the shit
i loved you through the best times
-----
and from the other side of the world

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Prémio do Euromilhões congelado por zanga de namorados

Em vésperas de Dia dos Namorados...


O Tribunal Cível de Barcelos junta dia 31 de Março um ex-casal de namorados, desavindos por causa da repartição de um prémio do Euromilhões de 15 milhões de euros, na tentativa de encontrar um entendimento.

O advogado Vasco Cardoso adianta que as duas partes não chegaram a acordo na audiência preliminar, realizada quarta-feira, o que levou o tribunal a marcar nova tentativa de conciliação para evitar que o caso chegue a julgamento.

Embora o jurista se recuse a adiantar detalhes sobre o processo, uma fonte ligada ao caso adianta que deverá defender a tese de que a associação de namoro entre os dois jovens e a gestão conjunta dos 15 milhões de euros, saídos quando jogaram "a meias", configuram um caso de sociedade comercial irregular.

Estas sociedades, embora não revistam a forma escrita através de escritura pública, têm validade legal desde que a sua existência seja provada.

Cristina e Luís não se entendem sobre a propriedade do dinheiro ganho em 2007, com o 1.º prémio do Euromilhões, quando ainda namoravam.

Uma outra fonte adianta que a fortuna acabou por motivar divergências entre os dois, vindo a separá-los. Por causa disso, e dado que o dinheiro está bloqueado numa conta bancária, por ordem judicial, os ex-namorados vivem em zonas rurais de Barcelos sem grandes luxos.

Aquela fonte afirma que terá sido Luís Ribeiro, na altura estudante e agora com 22 anos, a fazer o registo do boletim do Euromilhões. Sublinha, no entanto, que terá sido Cristina a sugerir um "investimento" de mais dois euros, o qual acabou por conduzir à combinação da sorte.

O par, mais os pais de Cristina Simões, foram a Lisboa levantar o dinheiro e abriram uma conta conjunta, num banco junto à Santa Casa da Misericórdia.

Os primeiros juros da fortuna depositada no banco foram divididos pelos dois ex-namorados, mas as desavenças começaram quando Luís, a residir em Courel, arredores de Barcelos, pediu mais dinheiro da sua parte - 7,5 milhões de euros - para ajudar pais e irmãos.

Na ocasião, terá sido o pai de Cristina Simões, da freguesia de Remelhe, Barcelos, a negar o pedido, defendendo que só depois de se casarem ele poderia ter acesso ao dinheiro.


in Expresso

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Gina

Só porque hoje se falou em revista Maria, e fui FORÇADA a falar na Revista Gina, lembrei-me deste post, agora "ressuscitado". Afinal, sou adepta da filosofia da reciclagem. O Blog tem andado muito movimentado, ultimamente. Demasiado agitado. Fica a história para vos acalmar. É bonita e vale a pena recordar. Porque recordar é viver...



Vasco deixou de falar com Joana porque se fartou da insistência dela
ou
Vasco deixou de falar com Joana porque sofria do complexo de Peter Pan e não disposto a deixar-se apanhar pelas manápulas de um ser do sexo oposto e maquiavélico, com vista a ter um compromisso sério, procurou consolo e ajuda sexual junto de outra pessoa, cujo número de telefone lhe teria ido parar à caixa de correio de forma assaz estranha. Sem remetente e sem morada.
Vasco não podia deixar de se sentir culpado pela forma algo atabalhoada como tinha “despachado” a Joana, que parecia, até uma boa pessoa, mas que mostrou ser uma Cabra Fria E Cruel pela forma como reagiu à sua honestidade. Afinal de contas, raios, ele tinha sido honesto! Fez-lhe o favor de lhe dizer quais eram as intenções dele!
“afinal, o interesse que tenho por ti é apenas sexual”
“o quê??? Só pode estar a gozar comigo… então mas e … as saídas com os teus amigos? As idas ao cinema??... o desenho amoroso que o teu primo me fez??... afnal era tudo pelo sexo??”
“querida… sabes… até tens muita sorte por eu te estar a dizer isto… podia apenas aproveitar-me de ti e…”
“quê???? SEU MONSTRO!!!! És igual a todos os outros!”
Vasco liga a Gina (era esse o seu nome) depois de ver Joana atravessar a esquina… aquele bilhete tinha-lhe despertado interesse… era envolvente e misterioso “liga-me 9X XXXXXXXX” era mesmo muito misterioso.
Após alguns minutos de conversa
“Onde vives mesmo?...”
“……”
Eram vizinhos, afinal de contas… ela houvera reparado nele numa ida ao supermercado.
Gina encontrava-se no apartamento de Vasco. Era linda. Depois de algumas noites tórridas de amor louco e sessões de sexo selvagem, Vasco achava-se o máximo, ciente das suas aptidões e potencialidades e lá bem no fundo, no fundo do seu fosso sentimental, Vasco não se apercebia que ao mesmo tempo que se regozijava por ter mandado a Joana “passear”, sentia que Gina era a mulher, a fêmea que o completava, que estava à sua altura, muito diferente da outra neurótica que já imaginava casar com ele, concerteza.
Vasco apaixonou-se por Gina.
Gina, essa, tinha ambições profissionais, tinha sonhos, não se resignaria a ficar pela metade quando se achava merecedora dum todo, um mundo onde caberia ela e todos os “Vascos” que pudesse encontrar pelo caminho.
Ao fim de duas semanas, fartou-se de Vasco. Farta das suas chamadas telefónicas frequentes e de ele não conseguir perceber que afinal aquela relação não tinha sido mais do que… sexo.
“Gina… então querida? Queres passar cá em casa para provar uma receita nova que ando a experimentar desde há cinco dias, os mesmos dias que estou sem te ver?...”
“Vasco… olha… não vai dar…”
Depois de algumas discussões pouco agradáveis, Gina lá fez o favor de dizer a Vasco que

“afinal, o interesse que tenho por ti é apenas sexual…”
Vasco fez um escândalo e passou a seguir Gina todos os dias, a todas as horas, até que descobriu que Gina andava a encontrar-se com outra pessoa.
Pela insistência, pelo terror, pelas ameaças e pela loucura de Vasco por ela… Gina teve de mudar de casa.


Moral da história: por mais porcaria que se faça na vida, o preço a pagar pelos pecados que se cometem com outros é igual ou de superior valor, e cada um tem aquilo que merece, cada um deita-se na cama que faz e a galinha da vizinha afinal chamava-se Gina.

E perguntam vocês: ah…. E a Joana? Que foi feito dela? Joana tornou-se a Directora de uma conceituada revista, baseada nos percalços que teve na vida com Vasco. E indirectamente… com a Gina.





E como se não bastasse, há precisamente três anos, no Psicologias da Treta, o post era este:


Your Japanese Name Is...
Gina Yamamoto



Há coincidências fantásticas. It was really meant to be... sim, eu tenho uma Gina dentro de mim.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Parvoíce do dia II




Hoje estou assim meio parva. Andei parva o dia todo. Depois ouvi esta música, que já não ouvia há muito muito tempo. Na televisão, numa série qualquer. Ouvi Counting Crows, "'Round Here", na rádio. Calhou. Na TSF. E só faltava ouvir Wilco ou Pavement para me sentir ainda mais parva.

Estou a ficar cada vez mais parva. E a sentir-me cansada de tanta parvoíce.





"Laundry Shop" - fuck



Tenho saudades de certas bandas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

Expresso

Publico.pt Última Hora

Visão

Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...