::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


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sábado, 26 de dezembro de 2009

Ainda acreditas no Pai Natal?





Antes de mais, quero desmistificar uma certa ideia que possa pairar no ar depois de se ler este post: eu até gosto do Natal. Declaradamente "até" porque gosto da tradição de se festejar qualquer coisa, porque gosto de festas, mas confesso que "até" de festas já gostei mais. Sendo este blog um pouco autobiográfico, um pouco pateta e um pouco lamechas, isto não trará qualquer benefício para ninguém nem aqui defenderei acerrimamente uma dama que não é a minha. "Até" porque nestas coisas de fé, crenças e quejandos que tais, tudo se torna demasiado relativo e aqui está uma coisa que, com o tempo, gosto cada vez menos de fazer. Uma questão de definição.

Cheguei, este ano, à conclusão que acreditar no Natal, no pai Natal, em Jesus Cristo, e em Deus são ideias demasiado próximas, para meu grande infortúnio. Claro que entre um frito de Natal, a missa do galo e o desembrulhar de um presente, a coisa confunde-se com o brilho e o barulho das luzes do pinheiro e o brindar de uma bebida qualquer. Porquê? Porque apesar da grande maioria das pessoas não saber porque é que acredita em Deus e em Cristo, porque é que raio é católico ou não, toda a gente gosta deste maravilhoso engodo contra o frio e a depressão que é o Natal. Ou não. Pensa-se demasiado no que se fez e não devia ter feito, no que se alcançou ou no que não se alcançou, pensa-se em família, pensa-se num hipotético futuro que alguém nos disse que seria brilhante e, não sendo, porque falta sempre qualquer coisa dita "perfeita", chora-se e sofre-se porque o Natal é uma bofetada das grandes que nos chama à razão para a nossa imperfeição. Tudo deveria ser perfeito no Natal, não é? Não nos devíamos lembrar dos que já morreram, não nos devíamos lembrar de coisas tristes, que ainda não tivémos dinheiro para oferecer algo melhor aos filhos, e é precisamente nesta altura que se fala mais de amor, amizade, solidariedade e compaixão. É nesta altura que em vez de celebrarmos a alegria do nascimento de Cristo, nos vem à memória toda a infelicidade das nossas vidas e é nesta altura que nos lembramos de quem mais sofre. Ou não. Há sempre aquelas pessoas que não choram por nada e não se lembram de nada, não sofrem, ponto. Andam de cara alegre e apatetada sem derramar uma única lágrima, pois não sabem o que é isso de sofrer.

O Natal é das crianças, claro que é. Óbvio que é. Os melhores Natais da minha vida foram os idos, em que era uma criança inocente, em que ninguém ainda tinha morrido, não havia doenças e só havia fome em África e o raio do bacalhau cozido era limpo do prato à força de ouvir a minha mãe dizer "com tanta fome que há em África...". Não havia tantos brinquedos, por isso não se notava a grande diferença entre meninos ricos e meninos pobres. Havia sempre o ricaço que tinha computador e havia sempre o cigano que vivia da caridade dos colegas. Hoje em dia... bem, hoje em dia os putos são abalroados por popotas, computadores xpto, consolas etc etc etc etc... hoje em dia não existe a vergonha de outros tempos de se dizer a um colega que se teve mais prendas que ele. Hoje em dia os putos já sabem o que é a palavra status. No entanto, quero acreditar que há putos com valores, porque os há. Hoje em dia, e na parte que me toca, eu não acredito no Pai Natal, não acredito em Deus, e sinceramente, estou a começar a deixar de acreditar na solidariedade, na amizade, no amor fraterno entre os homens. Ninguém quer realmente saber de ninguém. Toda a gente manda uma merda duma mensagem pelo telemóvel, e é se mandar, ou uma mensagem pela Internet que sempre fica mais barato. Escrevi postais a algumas (vinte) pessoas e mandei-os pelo correio. Recebi, em minha casa, dois postais. Dois. Os meus pais já me disseram que tenho lá mais dois, dado que um deles deve ser do Partido, estou curiosa por saber quem será a alma caridosa que me escreve ainda para casa dos meus pais. Tenho o cuidado de fazer um PowerPoint personalizado que normalmente dá alguma coisinha mais sobre a minha vida, uma espécie de actualização do ano que passou. Tive cinco respostas. Isto apenas para dizer que o número tem vindo a decrescer bastante nos últimos anos. Claro que sms são aos pontapés, mas há quem não se digne sequer a fazê-lo. Telefonar, ligaram alguns. Poucos, muito poucos.

Já são alguns anos e eu sinceramente cultivo uma certa tradição que, ironicamente, não me diz quase nada, a bem dizer do meu ateísmo profundo. Não me choca, como nunca me chocou fazer férias num sítio quente, onde não se ouve falar de Natal, onde o cheiro é de óleo de côco e não de óleo de fritar rabanadas. Cultivo algo que já ninguém cultiva e desconfio que a partir de agora, vou deixar de fazê-lo, pois se o fazia, era por acreditar que as pessoas gostavam. Sinceramente? Que tinha amigos. Pelos vistos, enganei-me. Há quem se desculpe com a falta de tempo, o que me irrita ainda mais, pois é como se eu das duas uma: ou não tivesse vida e não tivesse também eu mais que fazer, ou tivesse uma fórmula mágica que me permitisse ser e fazer aquilo que mais ninguém faz ou é. Aposto totalmente na primeira. Ainda há quem faça o papel melodramático de quem não tem nada para festejar, que morreu alguém, ou que tem alguém doente na família, que o Natal não faz sentido. Pois, devem pensar que a minha vida é só alegrias. No fundo, algumas pessoas estão demasiado habituadas a receber e a verdade é que só se lembram dos outros quando esses mesmos outros desaparecem de "cena".
Este, talvez tenha sido o Natal mais calmo da minha vida, em todos os sentidos. Abriu-me os olhos para uma realidade que a dada altura, nos apanha a todos: não temos vinte amigos. Ter cinco já é uma sorte!

Para o ano, quando me perguntarem porque é que não liguei, mandei postal de cartão ou virtual, vou responder: "ainda acreditas no Pai Natal?"


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal é...






Cavaco a comer bolo-rei de boca aberta...





A merda do anúncio da popota e do modelo que já não posso ouvir...





O clássico pindérico dos Wham... Last Christmas...











Natal dos Hospitais...



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(pesadelo)






Felizmente há coisas destas que me resgatam o espírito natalício (seja lá o que isso for)...













___________________________________________________ e outras coisas mais que não cabem no Youtube.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Este Natal...

... gostava de oferecer (sim, porque o Natal é tempo de dádiva, é tempo de sonhos, é tempo de altruísmo, é tempo de paz, é tempo de fazer e dizer o que não se disse durante o resto do ano inteiro, inclusivé nos Blogs ahahahaha) as seguintes prendas no "sapatinho" (friso GOSTAVA porque já sei que não as vou poder oferecer):




(e é nestas alturas que gosto realmente que praticamente ninguém saiba que tenho um Blog)







um McLaren F1 ao meu Mais-Que-Tudo.
(Já tens o gato, não faças essa cara!)








O Gerard Butler à minha amiga Ana Rita.
(mas o gajo fica em casa quando formos a Cuba).








Paciência (quilos e mais quilos) à minha amiga Sofia
(para o chefe, para os filhos, para o gajo, para as chatices da vida...) e umas consultas grátis no ortopedista que ela mais quisesse...






Uma temporada no Havai para a minha amiga P. que se tem dedicado tanto ao surf nos últimos anos.





Uma viagem de ida a NY à minha amiga Vera, em que nela estivesse incluída: uma bebedeira descomunal (todos os dias), umas doses de cocaína brutais, latas muitas de Red Bull com muito vodka e uma viagem de NY à California num Chrysler descapotável, sem mapa.
Eu depois ía lá ter, encontrávamo-nos em Las Vegas.
Quem é amiga, quem é?





Uma viagem às Maldivas (durante seis meses) como prenda de casamento àquele casalinho amigo que resolveu fazer uma festa de ajuntamento em 2010.








Um murro a alguns colegas
(sim, que isto de se dar, não interessa o quê, o que conta é a intenção, certo?)





Pronto, ok, talvez em vez do murro (que não é nada simpático), se os mandasse dar umas quecas não era má ideia, uma vez que a origem de muitos conflitos que vejo no local de trabalho, tem a ver com falta de sexo (oral, também, como mostra a figura).






Resmas de gajas boas aos meus melhores amigos
(os solteiros, claro; os outros só olham)









(OK Sérgio, para ti é a Monica Bellucci)










Um jacto a todos os que quisessem vir ter comigo, para matar saudades.







Um telefone que realmente funcione a algumas pessoas que eu conheço (daquelas que nunca têm tempo para nada, mas passam a vida a mandar e-mails de merda sobre a amizade, do tipo se não enviares isto a 50 pessoas vais morrer, ou do tipo cadeia da amizade, daqueles que dizem que não podem viver sem mim, que sou o máximo, etc, as mesmas pessoas que só dão notícias no Natal).










E cá está: a bela da meia turca com raquete cruzada e o belo do bibelot (que alguém deu o Natal passado e foi para o armário das prendas pindéricas) para dar àquelas pessoas de quem gosto IMENSO, como sinal da minha enorme amizade por elas. Nunca fiz isto, mas talvez este ano me encha de coragem e gaste o dinheiro nestas tralhas e no sêlo do envelope... vontade não me falta...






Um recado à TMN: este ano não vou oferecer telemóveis a ninguém nem quero que me ofereçam nenhum telemóvel novo, mas se fôr tão bem tratada pela operadora como fui este ano, mudo para a Vodafone e levo uma data de gente comigo.
Espatifo o cartão Mimo num instantinho.
Aproveito para fazer a má publicidade no Blog durante o ano novo de 2010. De borla e tudo!
Fica o recadinho.





Uma longa temporada neste Hotel de cinco estrelas a alguns políticos implicados em casos de polícia, em mentirinhas banais, em tribunais, etc (para descansarem das infâmias a que são sujeitos todos os dias, coitadinhos). A mesma temporada no Hotel implicava um pacote especial de vergonha na cara e uma embalagem de vaselina com areia.






Ora aqui está uma prenda que deixaria seis milhões de pessoas felizes: o Glorioso a ganhar o campeonato! Anda lá Jorge Jesus, estou contigo! Sê o Pai Natal de todos nós no ano novo (lá para coisa de Abril ou Maio...)






Uma VIDA a quem passa demasiado tempo a ler os Blogs dos outros. Já agora, quem passa muito tempo nos Blogs em geral. Eu afirmo que é mais saudável, principalmente para os olhos e para a vida sexual. Acreditem, 'been there...






Já agora, um Blog novo àquelas pessoas que passam a vida a falar do mesmo, e é sempre o mesmo, o mesmo, o mesmo, o mesmo, sempre o mesmo e outra e outra e outra vez.
Ninguém tem a coragem de lhes dizer (ou talvez até digam), mas são Blogs sem sentido de humor absolutamente NENHUM. Chatos. O tema é sempre o mesmo, ou é política ou é a vida sem sentido, ou a vida sem vida, ou a morte dentro da vida, ou poesias de merda... existem milhares de Blogs em Portugal que são uma trampa.
O meu pode não ser melhor, mas ao menos não levo isto tão a sério como esses bloggers.
Do que eu gosto mesmo é dos falsos avisos "vou de férias" ou "este blog vai fechar" e depois as férias duram dois dias ou não fecham o blog.
Não há pachorra...






Uma nova camada de ozono para o planeta em geral e para as pessoas em particular.lol

Para usar com cuidadinho, já que o outro f*******-no a torto e a direito.



segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Oh oh oh it's Christmas yeahhh!!!!!




Há coisas que fazem parte do imaginário de todos nós, enquanto crianças, enquanto adultos, enquanto adolescentes, enquanto seres humanos. Vivemos porque sim, recordamos o que vivemos, e temos dentro de nós imagens, sons e cheiros (não necessariamente por esta ordem) que despoletam vivências que nos fazem sorrir ou deitar uma lágrima quando expostos a uma imagem, um som ou a um cheiro familiar. Um clique que acontece e ainda bem que assim o é.

Este foi, muito provavelmente, um dos melhores vídeos, senão o melhor, de 2009. A trazer um certo imaginário de volta daquilo que constitui, para mim, uma das melhores músicas de sempre, os melhores "bonecos" de sempre, associados à minha infância, e claro, associados ao meu Natal.

Agora sim, cheira a Natal.


Fica também o original, claro.




"Too fast to live, too young to die"




Pergunta: o que é que aconteceu a este rapaz, durante toda uma madrugada, em Almancil, essa terra de sobejamente conhecidos machos, para estar com as calcinhas em baixo? "Alguém o tentou ajudar"?? Ajudar?

Destaque para a mensagem linda que o rapaz tinha na camisola. Há coisas fantásticas, não há?


domingo, 25 de outubro de 2009

What da Hell happened to Frederico, padre Frederico?

Ainda a propósito de religiões, Igrejas, hipocrisias, crenças, Deus que é designado por filho da pê, etc e tal, li isto no DN e lembrei-me do equivalente tuga, de seu nome Frederico. Mais aqui.




Falência de diocese adia o julgamento de padres pedófilos

O bispo de Wilmington declarou a bancarrota para evitar a indemnização exigida pelas vítimas. Advogado diz que a Igreja está a esconder a verdade


Ainda não foi desta que Francis de Luca, padre católico americano, respondeu pelos seus pecados em tribunal. O mediático julgamento por abusos sexuais de menores nos EUA estava agendado para ontem, mas foi adiado após a sua diocese declarar bancarrota.


A diocese de Wilmington, no Delaware, avançou com a declaração de falência no último momento – tarde de domingo – quando se tornou claro que ia ser condenada a pagar indemnizações chorudas às vítimas. A decisão adiou automaticamente o julgamento do primeiro dos oito casos de abuso sexual que comprometem De Luca.“

 


Resta saber qual dos dois tem maior direito à cidadania portuguesa: se o padre Frederico, se José Saramago... hmmmm.....



Lesões

sábado, 24 de outubro de 2009

Que hecho yo para merecer esto?

Não, Los Abrazos Rotos não é um mau filme. Pedro Almodóvar é incapaz de fazer maus filmes, em oposição à merda que supostamente me venderam como "filme" a semana passada, na mesma sala de cinema, assinada por Joaquim Leitão "A Esperança Está Onde Menos Se Espera". Pelos vistos, a Esperança vive na Cova da Moura, até mesmo para famílias desfeitas que vivem no Estoril, mas que acabam a estudar na Amadora ou a candidatar-se ao emprego no CEFP de Benfica. Mães que deixam filhos de quinze anos com beijinhos a meio da noite e vão para Angola, rusgas à Monty Python Amadora fora, um pai deprimido cuja barba deprimida cresce da manhã para o dia seguinte tipo barba do pai Natal, puto que só é assaltado uma vez na escola, etc etc é tanta asneira, é mais um filme tuga que não vale nada. Não me falem mal do João César Monteiro nem do Manoel de Oliveira, que esses ao menos têm qualidade. Clichés atrás de clichés. Só faltou uma Soraia Chaves com as mamas de fora. Ou outra qualquer. Enfim, não interessa mesmo nada, não há nada a fazer, adiante. Hoje é de espanhóis que falo.

Eu adoro Almodóvar. O Almodóvar feito de sangue, de vermelho, de facas e alguidar, de dramas, de comédia (as tragicomédias), de muitas lágrimas, de muitas mulheres, de sexo despudorado, de dedos na ferida, das máscaras mil das personagens, dos segredos cabeludos, de situações do quotidiano travestidas, da subversão que só ele sabe, e como sabe, e que ao que parece, se esqueceu. Pelo menos, tem andado muito apagado. As alusões a um certo cinema dito sério andam por ali, há uma Cat Power pelo meio (e eu amo Cat Power), mas que num filme de P.A. fica desfasado com o resto, como se o calor de Madrid ou a aridez de Lanzarote não pedisse menos que uma voz latina e sangue, muito sangue. Penélope convence, mas é a única, e convence mal no papel de imitadora de Hepburn, essa grande, grande diva. A personagem tresanda a mau aspecto, heroin chic, pele mal tratada, maquilhagem a mais. Começa a cheirar mal a cena toda da musa, estou um bocadinho farta da Penélope de Almodóvar, preferi a Penélope de Woody Allen.

Gostei particularmente do cheirinho a velho Almodóvar no final do filme, uma espécie de remake de Mujeres Al Borde de Un Ataque de Nervios. Foi o que nos despertou literalmente a todos, uma chicotada à laia de gozo do próprio Almodóvar, como que a dizer-nos que não se esqueceu do que foi, mas que está a ficar velho para estas andanças. No fundo, deve ser isto envelhecer sem graça.










A seguir, a crítica que melhor traduz o estado de espírito com que saí da sala de cinema.


LOS ABRAZOS ROTOS

Dirección: Pedro Almodóvar.
Intérpretes: Penélope Cruz, Lluís Homar, José Luis Gómez, Blanca Portillo, Tamar Novas, Ángela Molina, Lola Dueñas.
Género: melodrama. España, 2009. Duración: 126 minutos.





Con nula perspicacia e irremediable antipatía pensé ante los primeros largometrajes de Pedro Almodóvar, tan celebrados entonces y añorados ahora por tantos espectadores que se declaraban seducidos por la frescura, la irreverencia, la modernidad, el humor, el posibilismo, la originalidad y el estilo del gurú de aquella cueva de impostura con pretensiones artísticas y lúdicas denominada movida, que la pasión que despertaba su cine entre la vanguardia obedecía a esa cosa tan provisional y epidérmica llamada moda, que sus hilarantes chapuzas fílmicas retratando a una fauna estratégicamente pintoresca y autoconvencida de que los tiempos estaban cambiando serían flor de un día.

Prejuicioso y maniqueo, me costó admitir ante la magnífica ¿Qué he hecho yo para merecer esto? que este hombre estaba dotado de un notable talento expresivo, una pasmosa facilidad para introducir el surrealismo en personajes y situaciones cotidianas, para reproducir con tanta gracia como desgarro la realidad, para plasmar el argot de la calle y el ritmo de la vida, para crear una tipología de seres humanos y de historias tragicómicas con el sello de su universo.



También era evidente que su certidumbre de que era un artista estaba afianzada, que su lenguaje, su tono y sus obsesiones conectaban con una masa notable, con la élite y con los intelectuales, los snobs y los experimentalistas, el diseño y las tendencias. Igualmente desarrolló, como Warhol y Dalí, un sentido impresionante de la autopromoción, de vender inmejorablemente y a nivel internacional hasta el mínimo suspiro que exhala su irresistible personalidad.



Consecuentemente, su cine jamás ha conocido el fracaso comercial, el público se siente en el placer o en la obligación de pasar por la taquilla, independientemente de que salten en estado orgásmico o echando espuma por la boca, su prestigio es absoluto en cualquier lugar del mundo supuestamente civilizado, rodeado de halagos y de esa atención masiva que él sabe crear y que pueden elevar el narcisismo a límites de frenopático, trascendente y progresivamente barroco, consciente hasta la náusea de que cualquier cosa que lleve su firma es un acontecimiento cultural y sociológico.



Y en ese prolífico e hiperpublicitado camino hay aciertos espectaculares como los de esa comedia modélica titulada Mujeres al borde de un ataque de nervios o el sentimiento en carne viva de Átame, momentos y secuencias en las que la inteligencia, la sensibilidad, la audacia, el sentido crítico y la mordacidad de este hombre alcanzan el esplendor en la hierba. Y también bastantes y enfáticos disparates, pretenciosas reflexiones, cine tan hinchado como hueco, vampirismo estratégico de todo lo que su olfato intuya que está de moda en el mercado artístico, tormentos y emociones de plástico aunque pretendan ir lujosamente vestidas, control absoluto en la gestación y el lanzamiento de sus criaturas, la molesta sensación de que hay demasiado cálculo en su permanente ambición de crear arte trascendente. Hablo en primera persona, por supuesto. La expectación que desata su cine, los infinitos premios, el boato que rodea a su obra, la condición que le adjudican de cineasta profundo e inimitable pueden rebatir en cantidad y calidad mis innegociables opiniones respecto a este frecuente y magistral vendedor de humo.



Y a veces te sorprende gratamente. Después de aquella insufrible, cursi y seudolírica oda al violador enamorado en Hable con ella y del retorcimiento espeso y sin gracia de los traumas y los fantasmas de infancia en la grotesca La mala educación, Almodovar habló con brillantez, complejidad, fluidez, dramatismo, encanto, de seres y sentimientos que conoce en la espléndida Volver.



Y en función de su anterior película, me asomo a Los abrazos rotos con esperanza, intentando no volverme majara con el alud promocional que están montando el genio de La Mancha y su oscarizada musa, con la certeza de que me voy a encontrar el careto de ambos hasta en la sopa. Se supone que es un intenso tratado sobre la pasión, la pérdida, el recuerdo y la supervivencia. Hay un guionista ciego que alguna vez vio y fue director de cine. Su dolor parece resignado. Le cuidan una eficiente señora y su discotequero hijo. Inicialmente no te provocan demasiado interés, aunque deduces que hay pasado borrascoso, misterios por aclarar, que Godot va a aparecer. La temperatura emocional es tibia, ni lo que dicen ni lo que hacen presagian que el pasado de esta gente te vaya a remover.



Y aparece la femme fatale. Se lía con un tiburón que para no perderla pretende consumar los sueños de ella, hacerla estrella de cine con un director de primera clase. Pero llega el amor en medio del arte, y los cuernos y la atroz venganza del despechado e implacable villano. Y sigo como un témpano, no dando crédito a los forzados diálogos que escucho, sin que me salpique lo más mínimo el supuesto volcán que está acorralando a los amantes, ni las doloridas y metafísicas reflexiones sobre las heridas irreparables del creador cuando manipulan y alteran el montaje de esa obra amada en la que ha volcado su alma.



Hay infinitas referencias y homenajes a varios clásicos del cine para que captemos el compartido y penetrante mensaje sobre la creatividad que plantean Almodóvar y sus colegas del alma. Y los sentimientos pretenden estar en carne viva, pero como si ves llover. Y lo que observas y lo que oyes te suena a satisfecho onanismo mental. Y no te crees nada, aunque el envoltorio del vacío intente ser solemne y de diseño. Y los intérpretes están inanes o lamentables. La única sensación que permanece de principio a fin es la del tedio. Y dices: todo esto, ¿para qué?

por Carlos Boyero
Crítico de cine y columnista de EL PAÍS.

sábado, 10 de outubro de 2009

Gajas ao Poder!

Não deve ser por acaso que a GRANDE maioria de candidatos à presidência das Juntas de Freguesia da cidade de Ponta Delgada se faz no feminino... vejamos:





Gosto particularmente do penteado destas duas senhoras. Questiono-me sempre por que razão as mulheres do Bloco de Esquerda e do PCP têm penteados "esquisitos" (sim, a Joana Amaral Dias é a excepção).












O PS apostou em força nas mulheres...





Esta moça parece prima do Conde Drácula... aquela cruz ao pescoço é muito "gótica". CDS-PP... quem diria?...




Berta Cabral é actualmente a Presidente da Câmara Municipal.







O senhor que se segue, é um dos poucos candidatos (homens, machos, gajos).
É do CDS-PP e deve ser um homem de muita coragem.
Diz que quer "Imortalizar com Visão"... uma espécie de viver para sempre, e actualizado... assim como uma pecinha de roupa ou jóia vintage, velhinha, mas sempre fashion (o slogan deve ter tido uma ajudinha do Paulo Portas, esse grande animal político).





Daqui a uns anos, será de pensar num dentinho de ouro ou assim... se for eleito...



Como disse no início, não deve ser por acaso que a grande maioria dos candidatos são mulheres... é que com homens deste calibre, é evidente que as mulheres dedicam-se mais à política, atraídas pelo charme dos açorianos.

Toma lá ó Alberto João Jardim! Que ainda não chegámos à Madeira!




sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ardi - uma nova descoberta

Afinal parece que o Homem sempre caminhou de pé.



“Ardipithecus é uma forma não especializada que ainda não evoluiu muito em comparação com o Australopithecus”, diz num comunicado Tim White, da Universidade da Califórnia e um dos líderes da equipa de cientistas. “E quando olhamos para [Ardi] da cabeça aos pés, o que vemos é uma criatura-mosaico, que não é nem chimpanzé, nem humana.”


E é aí que começam as surpresas. Acontece que, até agora, os cientistas concordavam em dizer que os chimpanzés, os gorilas e os outros símios africanos modernos tinham conservado muitas das características físicas daquele último antepassado que partilharam com os humanos – ou seja, pensava-se que o antepassado em questão era muito mais parecido com um chimpanzé, ou com um gorila, do que com um homem. Por outras palavras ainda: enquanto nós tínhamos evoluído imenso desde aquela altura, tornando-nos muito diferentes daquele antepassado comum, os símios actuais tinham evoluído pouco desde então. Ardi vem precisamente pôr em causa essa concepção das coisas.


Pensava-se, por exemplo, que o antepassado comum aos homens e aos chimpanzés teria sido um ágil trepador, conseguindo pendurar-se nos ramos das árvores, baloiçar-se e saltar de árvore em árvore tal como os chimpanzés de hoje. E também que, tal como eles, caminhava apoiado nos nós dos dedos das mãos. Mas não foi nada disso que os investigadores descobriram ao examinarem Ardi. Como explica ainda o comunicado acima referido, quando se encontravam no chão, os hominídeos de Ardipithecus caminhavam erguidos, apoiados nas suas duas pernas (isto é sugerido pela anatomia dos pés). Uma outra ideia estabelecida pode, aliás, estar em causa aqui: a que supõe que o bipedismo dos hominídeos nasceu quando eles se lançaram para espaços mais abertos, para a savana e não quando ainda viviam na floresta. Os Ardipithecus eram “bípedes facultativos”, dizem os investigadores.


Se se confirmarem estes dados, isso significa, em particular, que os chimpanzés não são um bom modelo desse misterioso antepassado comum entre eles e nós – e que talvez um melhor modelo sejamos... nós próprios! É o que parece concluir no mesmo artigo sobre as mãos de Ardi a equipa de Owen Lovejoy, da Universidade Estadual do Ohio e também um dos principais investigadores. “Esta descoberta”, escrevem na Science, “põe um ponto final a anos de especulação sobre o decorrer da evolução humana. (...) Foram os símios africanos que evoluíram imenso desde os tempos do nosso último antepassado comum, não os humanos nem os seus antepassados hominídeos mais imediatos. As mãos dos primeiros hominídeos eram menos parecidas com as dos símios do que as nossas (....).”




Claro que nem todos os especialistas concordam com a interpretação dos achados e que alguns dos peritos interrogados por uma jornalista da Science, que acompanha a publicação dos resultados, permanecem cépticos. Mas todos acolheram com grande interesse os novos dados e acham que é agora que o debate vai começar.
 
 
in Público

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"Quando for grande, quero ser Presidente da República Portuguesa"





Declarações do PR "for dummies":


O Presidente da República levou um ultimato do Partido Socialista em Agosto (por Vitalino Canas e José Junqueiro), para que se pronunciasse sobre o caso das escutas. O homem estava de férias nessa bela nação que é o Algarve e não gostou das merdices vindas de Lisboa (esta agora foi à la Alberto João Jardim). Com esse ultimato, o PS tentou condicionar o PR; o PS quis colar o Presidente ao PSD e desviar as atenções das questões importantes da campanha eleitoral e da má governação socialista, já para não falar das alegadas acusações a Sócrates no caso Freeport, entre outras polémicas degradantes que envolvem a figura do Primeiro-Ministro.
O busílis da questão é o facto de um e-mail de há 17 meses ter sido tornado público a uma semana das eleições, o que obviamente prejudicou a imagem do Presidente da República e a candidatura eleitoral do PSD.




Gostei particularmente do algarvio mar'fado a dizer "Madêra" referindo-se à ilha da Madeira, essa mui nobre Região Autónoma. Foi lindo, foi o que mais gostei na declaração do Presidente, já que o resto deu-me uma azia dos Diabos.




Ora toda a gente sabe que Cavaco Silva é um péssimo político e Manuela Ferreira Leite é ainda pior política que Cavaco. Toda a gente sabe que o PSD assiste-lhes como denominador comum, ainda que Cavaco se tenha esquecido disso. Toda a gente sabe que Sócrates é Primeiro-Ministro dum governo sem maioria absoluta e não convém nada incompatibilizar-se agora com Belém. A referida vulnerabilidade dos computadores confirmada pelos mais dignos técnicos nacionais (os únicos que podem atestar da veracidade deste facto referido pelo PR ontem à noite) não é maior que este Governo da treta do PS que aí vem.




Cavaco Silva deveria ter tomado uma atitude há muito mais tempo, não é vir agora com estes discursos encapuçados de recadinhos a Sócrates, de algarvio mar'fado que a mim não me convence. Afirma que foi "forçado". Eu corrijo: foi incapaz, o PR foi estupidamente incapaz, pois ao invés de dissolver a Assembleia e acabar duma vez com a palhaçada Sócrates e sus muchachos, denunciando o que se estava a passar, calou-se bem calado e acabou por demitir uma pessoa que era da sua maior confiança há mais de vinte anos. Cavaco Silva não tem direito a este tom ofendido, dizer que foi "forçado" a tomar medidas destas. A dizer o que disse ontem, já veio tarde e para dizer o que disse, deveria ter ficado calado. Por muito menos alarido, Sampaio dissolveu a Assembleia da República e fez a caminha a Pedro Santana Lopes. Na altura toda a gente se riu de PSL, e agora todos votam Sócrates que sai por cima de toda esta pseudo-telenovela que afinal não é telenovela nenhuma, é mesmo um filme de terror.


Ou acham que é por acaso que a "outra senhora" falava de "asfixia democrática"?




(andei à procura da declaração do PR no Youtube, mas não encontrei; fica este que também é giro, a única alegria que o PSD me dá é sempre pela voz deste senhor lol)



terça-feira, 29 de setembro de 2009

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Legislativas 2009: I LOVE this game!

Em Guimarães, Paulo Portas envolveu-se numa acesa discussão com um cidadão anónimo.

Foi um dos momentos mais difíceis da campanha de Paulo Portas na rua: em Guimarães um homem travou-se de razões com o líder do CDS, por causa dos cortes no rendimento mínimo defendidos pelos centristas.

Logo nesse momento os responsáveis pela campanha do CDS desconfiaram do argumentário daquele cidadão que espontaneamente se tinha atravessado no caminho de Portas. "Cheira a PS", comentavam. Agora, o CDS diz que tem a prova: o mesmo homem aparece em fotos da arruada de José Sócrates em Guimarães, integrado na multidão que seguia o secretário-geral do PS, poucos passos atrás deste e da deputada socialista Sónia Fertuzinhos.

Agora, o CDS vem dizer que afinal se tratava de um apoiante do PS
"Bem me parecia que não era um espontâneo. Afinal, era um enviado especial do PS", disse Paulo Portas ao Expresso.
O caso passou-se na sexta-feira passada, durante uma arruada em Guimarães. O homem em causa criticava a proposta de Portas para cortar na verba do rendimento mínimo, defendendo que cada beneficiário recebe um valor muito baixo e que o Estado devia poupar noutras despesas. "Você não pode pedir que a opção de não trabalhar seja paga pelos outros. Se uma pessoa decide não trabalhar, é uma opção dela, não é da comunidade", argumentou Portas, já razoavelmente irritado ao fim de vários minutos de discussão.

 
in Expresso On-line
 
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Paulo Portas soma e segue.
(fotografia de João Pedro Miranda).


sábado, 19 de setembro de 2009

Resumo da semana e Psicologias de "Cara Lavada"




De entre tantas coisas que aconteceram nesta fantástica semana de regresso às aulas, retenho: o escândalo de quem escuta quem (PM escuta PR ou PR escuta PM?); o escândalo da avaliação do juíz Rui Teixeira (ah pensavam que eram só os professores a quem o PS queria "fazer a folha"??) sob a sombra da novela Casa Pia; a fantástica campanha eleitoral a decorrer entre calinadas da tia Manela ("Portugal não é uma província espanhola!") ou as constantes parvoíces do nosso Primeiro (ele é TGV vs aeroporto, ele é "todos os ministros vão ser substituídos", ele é "220 mil idosos que saíram da pobreza com 300 e tal euros por mês", etc), ou até mesmo a última do Louçã que contradisse toda a gente nos debates (só tiros no pé e na Mota-Engil) e élas!, não se mistura com as peixeiras nos mercados por querer fazer uma campanha séria (ahahahaha esta esquerda caviar portuguesa é do melhor), já para não falar da defesa do fim do subsídio de desemprego por parte do CDS-PP tal como o conhecemos em dinheirinho para passar a ser em géneros (e viva a lavoura!); o meu incessante e inefável estudo sobre doenças mentais (isto agora foi très personal); o regresso dos Gato Fedorento a esmiuçar os sufrágios, tudo regado com uma dose de humor que não nos deixa ir ao fundo.

O Psicologias da Treta volta de cara lavada, que é o mesmo que dizer que volta às suas origens de fundo preto. Lá ao fundo podem encontrar títulos interessantes, rss de jornais e um pequeno fórum da Men's Health, bem como os bons e novos blogs da minha lista de eleição.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Esmiuçar os Sufrágios

Não foi um bocadinho forçada aquela cena do "Ricardo" para aqui e para ali? A do 6º apresentador mais (?) do mundo foi completamente ridícula mas a da Clara de Sousa foi mesmo incompreensível. Tirar proveito da situação?

Gostei da questão ao Portas que afinal há mais proveito em ser criminoso do que em ser polícia, pois ao mesmo tempo um criminoso pode concorrer à Assembleia da República e ser deputado. Amei. Foi a melhor pergunta. Boa Gato Fedorento!





quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ó Tia Manela, num habia nexexidade...




Para fazer a folha ao Socas, ainda vá que não vá, insultar o homem nesta fase tão humilde e delicada da sua vivência política, agredi-lo e insinuar não!, afirmar que ele é responsável pelo ambiente de asfixia democrática e tal, com o caso das escutas no Palácio de Belém, ou mandar calar a outra Manela que é uma querida quando não se chateia... agora....




... dizer que a Madeira é um exemplo e tal e coiso da democracia em Portugal... não acho nada bem, Tia Manela, nada bem. Uma coisa é certa: todos no PSD fossem como ele e isso era ver acabar duma vez por todas com os pullovers em cima dos ombros. Ah pois era!
A legitimidade não está em causa, mas daí até ser um exemplo... grande tiro no pé! Pior que isso só se o mandatário para a juventude fosse o Pedro Granger. ahahahahaha ou algum gajo dos Morangos Com Açúcar... ahahahaha
Eu Worto já...

domingo, 28 de junho de 2009

Música "parece que não é, mas é" tuga - Sean Riley & The Slowriders

Perguntaram-me, a propósito de músicas, o que achava sobre "o projecto" (ehehehe, não resisto) dR.Estranho Amor. Eh... disse eu.

Gosto destes. Atente-se que não disse gosto mais.



terça-feira, 12 de maio de 2009

Ainda o 1º de Maio















Estes mails que me enviam... comunas duma figa pá! ehehehe...

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

Expresso

Publico.pt Última Hora

Visão

Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...