::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Deixar de Fumar MMVIII









Contextualizando os leitores deste tão humilde (ohhhhhh) Blog, houve alguém que veio cá parar (um Anónimo, portanto), a propósito de conservadorismos barra liberalismos barra whatever barra fumar cigarros e maços no diminutivo com cedilhas a mais e outras coisas sobre as quais não vale mesmo a pena debruçar-me neste momento, que me pediu que o elucidasse (muito delicadamente) como é isto de nos passarmos para o outro lado da barricada.

Obviamente a coisa não funciona "assim". Não há nem houve um truque e permitam-me os mais cépticos que possam vir aqui parar através do Google com a deixa desesperada das três palavras "deixar de fumar", que diga o seguinte: ENJOEI. Nem sequer sei como. Fartei-me. Enjoei o tabaco. Não estava grávida, não estava sequer a pensar em deixar de fumar, nem sequer tinha considerado REALMENTE a hipótese de deixar de fumar. Muito menos na altura em que foi. Aconteceu. Como acontece apaixonarmo-nos por alguém, como acontece desapaixonarmo-nos, como acontece termos um acidente de carro, tal como outra coisa qualquer que nos acontece sem darmos por isso. Já tinha tentado muitas vezes deixar de fumar. Umas três ou quatro. Sem efeito.

Em 2008, foi assim que aconteceu. Sem planear. Um bilhete premiado na lotaria, uma viagem que se ganha, um amigo que se reencontra ao fim de muitas décadas, ou um amigo que deixa de o ser, porque talvez nunca o tenha sido, um vómito conquistado à laia de ser anti-dependência. Em suma, uma incógnita.

Assim são as pessoas de atitudes inesperadas, inconstantes e nervosas como eu. Cansam-se e fartam-se. Sem aviso prévio.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Ah e tal as férias..."



Muito se fala acerca das férias dos professores. Isto numa altura em que se discutem votos, eleições, escutas telefónicas, o presidente que escuta o primeiro-ministro, o primeiro-ministro que não escuta ninguém ou se anda a espiar o presidente, neste país onde se cumpre a máxima da "galinha da minha vizinha é melhor do que a minha", chego à conclusão de que há muito tempo que não "tiro férias". A ver se é no próximo ano que consigo cumprir o sonho antigo de sair para bem longe, ao máximo do dinheiro que andei a poupar nos últimos meses, desligar o telemóvel e deixar de me preocupar a curto, médio e longo prazo com actividades didácticas.

Não somos aquilo que fazemos, mas é uma escolha que diz, com certeza, muito daquilo que somos.
Fica uma cópia dum mail que recebi, para todos aqueles que enchem a boca para "dizer mal dos professores", que têm muitas férias. Graças a Deus que não tenho um trabalho das nove às cinco entre quatro paredes, já teria dado em doida. Ou a falar mal dos professores...

Não sei quem é o autor, mas a verdade é mesmo esta. Pessoalmente, não me queixo daquilo que tenho para fazer, há situações no meu local de trabalho que me têm proporcionado momentos hilariantes (no mínimo, e nem sempre no bom sentido), mas não me vejo a ganhar dinheiro de outra forma, não para já. Uma coisa é certa: não me importava de ganhar um pouco mais; mais 500 euros ao fim do mês e já achava um ordenado justo... não custa nada pedir, não é? E há professores que ganham bem mais do que isto...



Caro anónimo indignado com a indignação dos professores,

Homens (e as mulheres) não se medem aos palmos, medem-se, entre outras coisas, por aquilo que afirmam, isto é, por saberem ou não saberem o que dizem e do que falam.
O caro anónimo mostra-se indignado (apesar de não aceitar que os professores também se possam indignar! Dualidade de critérios deste nosso estimado anónimo... Mas passemos à frente) com o excesso de descanso dos professores: afirma que descansamos no Natal, no Carnaval, na Páscoa e no Verão, (esqueceu-se de mencionar que também descansamos aos fins-de-semana). E o nosso prezado anónimo insurge-se veementemente contra tão desmesurada dose de descanso de que os professores usufruem e de que, ao que parece, ninguém mais usufrui.
Ora vamos lá ver se o nosso atento e sagaz anónimo tem razão. Vai perdoar-me, mas, nestas coisas, só lá vamos com contas.
O horário semanal de trabalho do professor é 35 horas. Dessas trinta e cinco, 11 horas (em alguns casos até são apenas dez) são destinadas ao seu trabalho individual, que cada um gere como entende. As outras 24 horas são passadas na escola, a leccionar, a dar apoio, em reuniões, em aulas de substituição, em funções de direcção de turma, de coordenação pedagógica, etc., etc.
Bom, centremo-nos naquelas 11 horas que estão destinadas ao trabalho que é realizado pelo professor fora da escola (já que na escola não há quaisquer condições de o realizar): preparação de aulas, elaboração de testes, correcção de testes, correcção de trabalhos de casa, correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo, investigação e formação contínua. Agora, vamos imaginar que um professor, a quem podemos passar a chamar de Simplício, tem 5 turmas, 3 níveis de ensino, e que cada turma tem 25 alunos (há casos de professores com mais turmas, mais alunos e mais níveis de ensino e há casos com menos - ficamos por uma situação média, se não se importar). Para sabermos o quanto este professor trabalha ou descansa, temos de contar as suas horas de trabalho.
Vamos lá, então, contar:
1. Preparação de aulas: considerando que tem duas vezes por semana cada uma dessas turmas e que tem três níveis diferentes de ensino, o professor Simplício precisa de preparar, no mínimo, 6 aulas por semana (estou a considerar, hipoteticamente, que as turmas do mesmo nível são exactamente iguais -- o que não acontece -- e que, por isso, quando prepara para uma turma também já está a preparar para a outra turma do mesmo nível). Vamos considerar que a preparação de cada aula demora 1 hora. Significa que, por semana, despende 6 horas para esse trabalho. Se o período tiver 14 semanas, como é o caso do 1.º período do presente ano lectivo, o professor gasta um total de 84 horas nesta tarefa.
2. Elaboração de testes: imaginemos que o prof. Simplício realiza, por período, dois testes em cada turma. Significa que tem de elaborar dez testes. Vamos imaginar que ele consegue gastar apenas 1 hora para preparar, escrever e fotocopiar o teste (estou a ser muito poupado, acredite), quer dizer que consome, num período, 10 horas neste trabalho.
3. Correcção de testes: o prof. Simplício tem, como vimos, 125 alunos, isto implica que ele corrige, por período, 250 testes. Vamos imaginar que ele consegue corrigir cada teste em 25 minutos (o que, em muitas disciplinas, seria um milagre, mas vamos admitir que sim, que é possível corrigir em tão pouco tempo), demora mais de 104 horas para conseguir corrigir todos os testes, durante um período.
4. Correcção de trabalhos de casa: consideremos que o prof. Simplício só manda realizar trabalhos para casa uma vez por semana e que corrige cada um em 10 minutos. No total são mais de 20 horas (isto é, 125 alunos x 10 minutos) por semana. Como o período tem 14 semanas, temos um resultado final de mais de 280 horas.




5. Correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo: vamos pensar que o prof. Simplício manda realizar apenas um trabalho de grupo, por período, e que cada grupo é composto por 3 alunos; terá de corrigir cerca de 41 trabalhos. Vamos também imaginar que demora apenas 1 hora a corrigir cada um deles (os meus colegas até gargalham, ao verem estes números tão minguados), dá um total de 41 horas.




6. Investigação: consideremos que o professor dedica apenas 2 horas por semana a investigar, dá, no período, 28 horas (2h x 14 semanas).




7. Acções de formação contínua: para não atrapalhar as contas, nem vou considerar este tempo.




Vamos, então, somar isto tudo:




84h+10h+104h+280h+41h+28h=547 horas.




Multipliquemos, agora, as 11horas semanais que o professor tem para estes trabalhos pelas 14 semanas do período: 11hx14= 154 horas.




Ora 547h-154h=393 horas. Significa isto que o professor trabalhou, no período, 393 horas a mais do que aquelas que lhe tinham sido destinadas para o efeito.




Vamos ver, de seguida, quantos dias úteis de descanso tem o professor no Natal.




No próximo Natal, por exemplo, as aulas terminam no dia 18 de Dezembro. Os dias 19, 22 e 23 serão para realizar Conselhos de Turma, portanto, terá descanso nos seguintes dias úteis: 24, 26, 29 30 e 31 de Dezembro e dia 2 de Janeiro. Total de 6 dias úteis. Ora 6 dias vezes 7 horas de trabalho por dia dá 42 horas. Então, vamos subtrair às 393 horas a mais que o professor trabalhou as 42 horas de descanso que teve no Natal, ficam a sobrar 351 horas. Quer dizer, o professor trabalhou a mais 351 horas!! Isto em dias de trabalho, de 7 horas diárias, corresponde a 50 dias!!! O professor Simplício tem um crédito sobre o Estado de 50 dias de trabalho. Por outras palavras, o Estado tem um calote de 50 dias para com o prof. Simplício.




Pois é, não parecia, pois não, caro anónimo? Mas é isso que o Estado deve, em média, a cada professor no final de cada período escolar.




Ora, como o Estado somos todos nós, onde se inclui, naturalmente, o nosso prezado anónimo, (pressupondo que, como nós, tem os impostos em dia) significa que o estimado anónimo, afinal, está em dívida para com o prof. Simplício. E ao contrário daquilo que o nosso simpático anónimo afirmava, os professores não descansam muito, descansam pouco!




Veja lá os trabalhos que arranjou: sai daqui a dever dinheiro a um professor. Mas, não se incomode, pode ser que um dia se encontrem e, nessa altura, o amigo paga o que deve.

sábado, 9 de maio de 2009

Post do mês (passado, que este já tem campeão)

[ainda da importância dos aniversários]

Sou daquelas pessoas que não se farta de fazer anos, nem de receber chamadas telefónicas (ainda bem que foram mais as chamadas do que as sms'), e de continuar a somar as voltas de 365 dias (366 em anos bissextos) do calendário.

Do que eu me farto é daquelas mensagens escritas, muitas delas, de pessoas que não constam no raio da agenda e é um sarilho descortinar a proveniência das ditas cujas.

Quase podia adivinhar o cheirinho a Natal e suas múltiplas mensagens "tipo" com blablablas do tipo "és uma pessoa especial que merece tudo de bom na vida, admiro-te muito" e blablabla.... whatever... as pessoas que mais o afirmam são precisamente aquelas que menos o sentem. Têm dúvidas?


O Alvim compreende-me. E o Garfield também.










Fiz anos este Domingo e de novo senti o que já venho a suspeitar há algum tempo. O nosso dia de anos está cada vez mais parecido com o Natal. E foram muitas as sms que terei recebido que me lembraram isso. De tal modo, que recebi uma que dizia precisamente: " Feliz Natal e Bom ano novo!".





Irritam-me as mensagens tipo. As pessoas tipo. As empresas tipo. Os comportamentos tipo. Um bom tipo. Um mau tipo. O próprio Fiat tipo. Por mim, prefiro mil vezes uma mensagem que diga simplesmente " Parabéns!" a uma tipificada como: " Espero que este dia seja passado com aqueles que mais amas, na companhia dos teus verdadeiros amigos, e que este dia se repita por muitos e longos anos!" . Não sei explicar-vos, mas explico. Há aqui qualquer coisa de plástico. Ou de cimento armado. Ou tijolo casquinha. É duro perceber que já teremos lido isto em alguma parte. E já lemos. Possivelmente mais do que uma vez. Possivelmente até da mesma pessoa que no ano anterior, nos terá enviado uma mensagem exactamente igual a esta. Por mim, é preferível darem-me um par de meias todos os natais. Essas sempre aquecem.




Aliás de entre todas as mensagens que se enviam em datas como esta, a que terei recebido mais vezes, a recordista de sempre, a rainha das mensagens, a Vanessa Fernandes das sms’s, é sem qualquer pestanejar , a lendária mensagem de natal, a vossa atenção por favor para o festim de risadas que aí vem, o clássico dos clássicos que é: "Boas Festas?! Nós queremos é festas pelo corpo todo!:)".E assim, quando a recebo, possivelmente pela quadragésima quinta vez, é tal o riso que me provoca, que me atiro imediatamente ao chão e bato freneticamente com os pés e as mãos como se tivesse a fazer 100 metros mariposa. Ainda agora por exemplo, quando estava a escrever esta mesma piada, aconteceu-me outra vez e fui às lágrimas. Se não se importam, vou buscar lenços de papel que eu já não aguento emoções destas.




Fiz anos e neste dia há uma espécie de imunidade parlamentar que nos é dada. Isto é, podemos dizer e fazer o que quisermos, sem que nos julguem por isso. E assim, este é o dia perfeito para fazer as pazes com alguém ou, com a quantidade de sms recebidas, recuperar contactos que se encontravam perdidos há muito. Há pessoas que só nos ligam nestas alturas e ainda bem. São pessoas que existem só nestas duas ocasiões e eu não as censuro. Até porque essa é a diferença. E assim, é fácil percebermos que só há duas categorias de pessoas: as que existem durante estes dois dias e as que existem durante todo o ano. Eu gosto particularmente destas últimas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Óscares? Quem é que quer saber dos óscares?

Desde que o Pulp Fiction perdeu para aquela idiotice do Forrest Gump, nunca mais dei grande crédito a estes prémios de cinema americanos. Nem sequer nomearam o nosso "Aquele Querido Mês de Agosto". Who fuckin' cares??


Uma vez que este Blog está a precisar de alguma testosterona, e como a Blogosfera está entupida de modelitos que proliferam a língua viperina do género feminino
"e aquela? que pindérica!!!"
e a admiração (leia-se babadice) masculina pelos referidos modelitos, ficam algumas das melhores imagens das cerimónias dos óscares em Hollywood.

De sempre, no masculino.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Estado da Nação: "Eye of the Street"

Portugal enfrenta, além da crise económica, uma crise de liderança. Quem o diz é o empresário Belmiro de Azevedo.

«Nós temos uma crise de líderes no Governo, nos partidos políticos, nos empresários, nas associações, nos sindicatos», afirmou, num encontro promovido pelo Fórum para a Competitividade.

O fundador do Grupo Sonae, considera existir «falta de liderança a muitos níveis» e defende que «Portugal precisa, mais do que de novos líderes, de bons líderes».

No caso dos sindicatos, Belmiro de Azevedo disse que os mesmos «defendem o emprego para ávida», uma teoria abandonada há décadas e que não pode ser prosseguida na actual conjuntura.

Quanto aos políticos, diz o empresário que «falam do que não sabem e prometem o que não podem cumprir».



Os Gato Fedorento dizem ainda melhor. "Eye of the street" que em espanhol é o mesmo que dizer "riuya". Gosto do Belmiro e gosto dos Gato Fedorento.




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Rótulos, Emos e estados emocionais





Um Eno, eu já sabia o que era, agora um Emo.... fui investigar e descobri este site e de lá retirei esta explicação.



Close enough to punk and rock Emo is now know for it's more emotional state of mind. Instead of the anger hard-core way of expressing one-self , Emo (short for emotional) has taken a new tole on the twentith century of expressing yourself. From the music with strong emotion and feeling, unlike hard rock or this is more of an alternative way to let your feeling be known.Emo is not only a classification or a type of music it's also taken over the way one expresses themself by dressing. It includes the tighter fiting pants to the dyed-black or dark hair with it covering your face. The longer hair in front with the spikes in the back is also a more Emo- or emotional look to dressing. Emo is also being known as for the hot emo guys and emo girls kissing. From pictures all on the web to the music videos. Hot emo girl to girl and well as hot emo guy to guy is becoming more and more adventurous and more open concluding; Emo meaning being comfortable with oneself. Its a more direct way of altering the feelings one has without words, just emotion.

Some say music is not a type of music. That it is more of a fashion and a way of feeling, hence the emotional. Just recently people have been considering emo to be a genre or music.. Taking back Sunday is one of the many bands people consider to be emo.

Wondering why everyone hates emo? Not all emo people are cry babies or sucidial. Many emo kids come from families which are having serious issues whether it being money issues.


Viewers Voice

Emo,yes it is short for emotional. But,there is more to emo then hair and looks. Emo is a state of mind. Most people,made them selves appear emo. While in reality,they have to much hope to be emo. Emo is much like goth. But,goth is Darker. Emo is more emotional,harder to fake. Yes,some emos cut themselves,but there is more than that. Emo is one of the hardest things,to explain. People hate emos,b/c they view us as suicidal,cry babies,or just week. That's NOT what emo is. Suicidal yes,at times. But,don't judge me for being emo. It's not what I chose to be. It's just what I am.



Fiquei mais ou menos na mesma.

A questão que levanto com os Emos é a mesma relativamente aos Góticos, que é precisamente a mesma que se prende com a existência de Punks, Betos, Alternativos, etc... porque raio as pessoas precisam tanto de sobreviver à custa de rótulos? Porque raio necessita o Homem de se prender estetica e musical e até mesmo sexualmente a rótulos sociais? Porque necessitamos tão desesperadamente de nos resumir a filosofias e regimes de grupos? O amor e o ódio subjacente a quem está dentro e a quem está fora de um determinado grupo é obscenamente ridículo e sem nexo nenhum. Não seremos nós seres multifacetados? Não seremos mais do que a música que ouvimos ou a maneira como nos vestimos? Uma pessoa que veste preto e pinta o cabelo de vermelho não pode ter um amigo que vista de vermelho e tenha o cabelo preto? Claro que há ideologias completamente adversas e não estou a ver um homofóbico a relacionar-se com um gay, ou um nazi a relacionar-se com um judeu ou um negro. Há coisas que, apesar de não respeitar, como o racismo ou a homofobia, ENTENDO, e não tenho receio algum de dizer que não respeito, pois vivo num país livre, mas há coisas que não entendo de maneira nenhuma, e os rótulos não passam duma fachada "para inglês ver".

Isto estende-se também a religião, política e equipas de desporto.

Os tempos de liceu transformam-se nas vidas das pessoas e os traumas da imbecilidade perseguem as mentes mais fracas sob outras formas nas vidas supostamente adultas, que não as mais frequentes no liceu, como o bullying. A aceitação e pertença (ou não-pertença) a grupos de cariz diverso de forma obssessiva paira na mente de frustrados que não têm mais por onde se agarrar nas suas vidas. Porque sucumbir-se a rótulos e abraçar o ódio ou a obssessão baseados em esquemas sociais destes é a mais pura forma de fraqueza e falta de carácter.

O vídeo que se segue é em espanhol e pode ferir susceptibilidades. Agradeço desde já ao meu amigo não-rotulável Daniel pelos momentos de boa disposição e gargalhadas ao ouvir isto. Acho incrível como pode esta malta pensar ou achar que é mais profunda ou sente mais isto ou aquilo que os demais, os não-rotulados, ou os que se proclamam como outra coisa qualquer. Tenho alguns amigos que se afirmam como góticos, outros como punks, outros como alternativos, outros são surfers, outros acham-se isto ou aquilo, e eu própria acho-me muita coisa... na medida em que gosto de tanta coisa diferente, pertenço a um partido político, sou ateia e tenho as minhas convicções assentes em qualquer coisa, acho que não gosto apenas dos "sensiveizinhos" que a mais das vezes, são muito pouco coerentes nos seus estilos de vida e pessoas muito mais descuidadas com os sentimentos dos outros do que aquilo que querem fazer crer.






Sempre pensei, desde os tempos de adolescente, que as guerrinhas parvas descritas no Blitz, tivessem os dias contados, mas infelizmente esta onda de imbecilidade só teve espaço para crescer e em vez de uma evolução, assistimos a uma regressão, onde o aspecto exterior das pessoas conta cada vez mais em detrimento do que lhes vai verdadeiramente na alma.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Old Shit New Shit (ou o último post natalício deste "ano")

Everyone loves you
Nobody cares
An awful collection
Of enemies and friends
Congratulations to you
With sad regrets
I'm tired of the old shit
Let the new shit begin

The psychic pain
Of living in this world
Is overwhelming me
Again and again
A beautiful afternoon
Inside you in your bed
I'm tired of the old shit
Let the new shit begin

Nobody loves you
Everyone cares
None of them know what's
Coming 'round the bend
Congratulations to me
Many happy returns
I'm tired of the old shit
Let the new shit begin

Eels, "Old Shit New Shit"




De Psicologias da Treta







[post em construção]


Pretendo desmistificar, desde já, a minha relação com a época festiva em que estamos, na qual se celebra o nascimento de Cristo, o Natal, para que não esteja nunca implícita na leitura de alguém menos esclarecido, a ideia de que eu não gosto do Natal. Espírito natalício à parte, sou uma misantropa em partes desiguais durante as diversas estações do ano que se exacerba aquando dos festejos natalícios. Pelos vistos, agora o Natal chega mesmo antes do Halloween ou do São Martinho a terras lusas. Enfim.

Gosto muito do Natal em Dezembro. Dezembro, para mim, equivale a Natal. Embora já muita gente da minha família tenha morrido, eu continuo a gostar muito desta época, e não necessariamente pelas criancinhas. A morte dos que amamos deixa-nos amargurados, deixa-nos inertes, impermeáveis e resistentes a coisas que de outra forma nos fariam sorrir. Tornamo-nos naturalmente cínicos. Tive os meus Natais repleta, genuína e legitimamente cínicos, alcóolicos e amargos e não prescindo do que me trouxeram. Reconheço é que ganho muito mais se absorver de outra forma aquilo que me pode fazer sorrir ao invés de chorar. Porque as lágrimas de saudade continuam a cair, mas eu continuo por cá, pelos meus mortos. Natal é também sinónimo de "pausa estritamente necessária a fim de não enlouquecer", o que sabe mesmo bem, e este ano soube particularmente bem. Adiante.

Da misantropia.
O excesso enjoa-me. A loucura desenfreada. Os automóveis, as filas de espera, o comprar por ter de ser. As obrigações. O Inferno que os outros sempre são. Tudo. Até o comprar pão e o bolo-rei. Provavelmente, até mesmo alguns jantares. Algumas pessoas e algumas "obrigações" ditas de época. O ter de ser porque afinal é Natal e temos de colocar de lado as divergências. Isto sempre soou-me a hipocrisia com prazo de validade. Depois do dia de Reis volta tudo à suposta normalidade. Na minha habitual falta de espírito de pretender ser aquilo que não sou, não dei as boas festas nem desejei um bom ano a ninguém que me cause enjoos ou náuseas. De igual modo, essas pessoas retribuiram-me com o dito silêncio não hipócrita, o que agradeço e considero apanágio daquilo que alguns apelidam de maus fígados.

Quanto aos desejos de "bom ano novo" versus filosofia pessoal de "mais do mesmo", hipocrisia do "ter de ser" versus as minhas contradições pessoais de final de ano 2008, elas resumem-se a muito pouco (até porque o blogger já me fez o favor de apagar meia-hora de escrita e foi tudo para o galheiro): não acredito no facto de termos de ficar muito felizes e eufóricos e bêbedos e contentes apenas porque a última folha do calendário é arrancada, ou porque um gajo qualquer lembrou-se de começar a contar o tempo à maneira dele. Estamos em 2009 porque alguém se lembrou disso, senão estaríamos na hora 45 do dia 80097 do ano 135. O tempo é estranho e o ser humano ainda mais. Por isso, esforço-me por esboçar um sorriso e desejar um feliz ano novo para que não pensem que não tenho pensamentos bonitos e desejos ainda mais bonitos. Não vou remar contra a maré e tenho os meus calcanhares de aquiles, na medida em que já pulei e saltei e bebi muito em passagens de ano.
Desejo sim, a todos aqueles que mais amo, um ano 2009 cheio de razões para se comemorar algo, repleto de dias felizes que bem podem ser o mote de uma verdadeira "passagem de qualquer coisa", como se um dia 13 de Outubro ou 9 de Março fossem o 31 de Dezembro (dia esse que se tornou especial para mim nos dois últimos anos, por razões bem pessoais). Inesperadamente dias especiais, sem data marcada de acontecer. Apenas porque estamos vivos e com razões para sorrir.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Da opinião pública ou da importância de se ser do Contra

"Ainda tenho esperança que os professores queiram ser avaliados e que o problema de facto seja apenas a forma como se decidiu que seria feito!
A verdade é que esta classezinha (sim, ao longo dos tempos esta classe foi ficando "pequenina"!) parece não apresentar alternativas, mas apenas contestar.

Infelizmente, e com algum desgosto por já ter sido um deles, sei que muitos morrem de medo e perdem o sono só de pensar que possam ser avaliados! É sinal de consciência, conheço uma professora de português que não sabe distinguir entre "há" e "à" - é normal que perca o sono. Era fazer uma razia e passar esta gente a pente fino. Mas podia começar-se por avaliar as Escolas Superiores de Educação de onde saem estes génios (e as universidades também) para percebermos como se forma um professor de Língua Portuguesa que não sabe regras básicas da sua língua materna!
Há aí muito professor que gosta do ensino mas já não quer dar aulas. Ponham esses a candidatar-se a avaliadores apenas e só, para que todos tenham tempo de fazer o seu trabalho.
Antigamente havia inspectores que apareciam nas escolas sem avisar. Parece-me que podia ser uma boa alternativa! Cena de ditadura?... Talvez, se calhar uma ditadurazita fazia melhor a esta cambada que esta democracia!
E já me alonguei muito..."

Nota: este comentário está assinalado e linkado para a gaveta onde normalmente etiqueto e "arrumo" esta malta porreira de pêlo na venta. Sim, eu sou daquelas que rotula. Obrigada.





Acabei de ler este comentário a um post num Blog dum gajo que diz que não sabe muito bem como é que foi avaliado enquanto aluno. Pelo teor do dito post, a mim parece-me que o senhor gajo dono do Blog está de acordo com o método de avaliação imposto por este Governo Sócrates, ainda que reconheça que não está por dentro do assunto.

Este comentário que transcrevi é duma senhora gaja.

Coloquei a etiqueta "este é o meu novo eu" porque o meu "velho eu" já teria mandado àquela partezinha (sim, no diminutivo). Tipo à merda, estão a ver?

Ora bem, a mim, que só me pronuncio passionalmente a favor ou contra algo que conheça a fundo, ou que me diga respeito directa e pessoalmente, faz-me espécie este tipo de comentário furioso, pejado de emoções fortes, bem ao estilo de varina de mercado (depois assumem-se como urbano-depressivos ou coisas assim meio forinhas), incompreensivelmente pueril, na medida em que as pessoas até têm uma certa idade, mas assumem, infelizmente, os ignorantes que são e o quão triste é pertencer a uma geração que fala muito bem de cor e em repeat mode da merda que têm em casa e dos disparates que os papás dizem. Normalmente o que move este tipo de atitude do CONTRA só porque é cool remar contra a maré, é uma profunda frustração em relação aos seus próprios empregos: ou porque ganham mal, não se aguentam com o ordenado ao fim do mês, ou vivem em casa dos paizinhos e não têm jeitinho nenhum para as coisinhas que fazem a que chamam emprego/ocupação/whatever. Uma coisa é certa: existe demasiado ódio neste tipo de discursos e pior: falam em praça pública do que desconhecem.

No outro dia ouvi um comentário de um senhor que dizia que por cada voto de um professor que este Governo PS perde, ganha mais três da população. Dá que pensar: então mas os professores não fazem parte da população? E não seria melhor que fossem ler os estatutos ou, sei lá, ler a legislação(?) assim só naquela de se informarem antes de dizerem disparates? E realmente a fazer as contas, não existirá praticamente mais nenhum partido político a não ser o Socialista em quem votar. Com tanto voto!!! Até porque a única questão com que o povo se debate é estar CONTRA os professores! Mais nada interessa! Sim senhor! Ah valente! Finalmente um partido interessado em varrer essa escória da sociedade, esses bandidos, essa gentinha, esses nojentos professores! Patifes pá...

Uma coisa é certa, e para que se saiba, pois este Blog é público e serve muita gente que, ao contrário das minhas opiniões, pode ter uma opinião errada e infundada por acreditar em parvoíces de gente frustrada e ignorante deste tipo: sempre houve avaliação nas escolas. Os tais inspectores que a rapariguinha cita continuam a visitar as escolas por diversos momentos ao longo do ano lectivo, os quais constituem aquilo que se designa por inspecção pedagógica. Todos os professores sempre foram avaliados. E sempre hão-de ser.

Levanto uma questão: se isto é assim tão errado e se os professores aos olhos de muito boa gente são uns calões do caraças, será que são TODOS??? É que de entre mais de 120 mil que protestam, os que restam são muito poucos... será esta classe assim tão pouco profissional e baldas? Serão assim tão incompetentes?


Já a minha avó dizia: cada um nasce para o que nasce. Importante é gostar daquilo que se faz. Eu faço a minha parte, adoro fazer o que faço, acima de tudo, e gostava de ver toda a gente feliz a fazer aquilo que melhor sabe fazer. Claro que uns há que não têm jeito para fazer nada, nem nasceram com um talento especial, mas claro que esses são aqueles que não sabem sequer o que é que cá andam a fazer.


Há coisas que me fazem sorrir por dentro. A ignorância dos outros, por exemplo. Um pouco como o Toy, no fundo....

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Porque os "ovos são as novas pérolas"... a porcos.

AGORA, ENTRE OS PROFESSORES, NEM A VIDA DE GATO É ESTIMADA. PARA CÃO JÁ BASTA ASSIM…
Dia 15 de Novembro, participe na GRANDE MANIFESTAÇÃO DA INDIGNAÇÃO DOS PROFESSORES, EM LISBOA, para que PORTUGAL ACORDE.
INSCREVA-SE, PELA DIGNIDADE E PELA SANIDADE PROFISSIONAL.




Escola nova


Estás a ouvir Barry White
( é o teu primeiro dia na escola está tudo maravilhoso, os alunos são o máximo, todos muito deseducados e atenciosos...)


depois de 3 meses ...


Estás a ouvir HOUSE Music
(Tens tanto trabalho, a preparar e corrigir testes, que não sabes se ficas ou vais embora, as crianças respondem torto e não obedecem à primeira .....)

Depois de 6 meses ....



Estás a ouvir Moonspell
( O teu dia de trabalho começa as 8h00 e acaba as 20h00, porque além dos testes já tens reuniões -muitas- e fichas de objectivos individuais para preencher e mais fichas, não se sabe bem para quê se amanhã já não são estas....)

depois de 9 meses...



Estás a ouvir Da Weasel
( por causa do stress, engordaste , estás inchada, não sabes bem como vais ter 100% de transições (não são passagens de ano, são transições e retenções)

Depois de 1 ano ...


Estás a ouvir Tupac Shakur
( Esqueceste o que é um 'Bom dia' e vives só da Cafeína, os jovens não obedecem de todo, os objectivos individuais são todos cumpridos, os 100% de transições - nem que fossem 200%- são alcançados, mas tu estás um bocadinho em baixo...)


Finalmente depois de 2 anos ...

Estás a ouvir Techno e
estás completamente louca !!!!!!!!!!!!!!!

sábado, 26 de julho de 2008

Portugal e o Euro 2008

Não escrevi nada antes sobre o Euro ou a minha entusiasta paixão pelo futebol nos relvados europeus, não porque compartilhe da visão desmesuradamente negativa e derrotista dos habituais "velhos do restelo" para estas ocasiões, mas também porque no fundo não dou grande importância a estas questões. O meu coração não vibra descompassadamente ao ritmo das fintas brilhantes dos nossos craques, mas não posso dizer que tenha perdido um único jogo, porque reconheço a importância DESTE jogo.

Sou portuguesa, gosto de beber uns copos, o meu país tem sol em Junho até às nove da noite e por acréscimo, vem um Europeu de futebol conseguir juntar amigos e desconhecidos em mesas redondas, quadradas e até mesmo sem mesa se está em grupo. O futebol, acaba por ser, no fundo, um bom pretexto para se rir, brincar, conversar e beber.

Por outro lado, não falei da prestação portuguesa neste Europeu, pois como de costume, e tendo vivido já algumas competições, não guardo grandes expectativas, mas acredito sempre que é possível chegar à final. Ou não. Muito se leu e ouviu durante o mês de Junho sobre esta temática e de todos os confrontos de opiniões mais ou menos fervorosas, emocionais ou racionais, esta (de Clara Ferreira Alves, no jornal Expresso e que passarei a transcrever) foi a que me despertou a atenção pois é onde mais me revejo. A acreditar que o Desporto e os ideais de um país que tenta chegar a um objectivo máximo (o qual é trazer a taça para casa) podem estar ligados, a equipa espanhola esteve sempre muito bem. Nós? Jogámos bem, mas estivémos pior. Não há pachorra nem cu que aguente os vedetismos de alguns jogadores, dos seus penteados e roupas fantásticos, os carros e as namoradas, o que comem e onde ... Já para não dizer que se o futebol é um jogo de homens, em Portugal estamos a assistir à ridicularização do sexo masculino. Havendo quem lhe chame metrossexualidade, eu chamo-lhe mariquice. Entre a preocupação de parecer bem, o culto do individualismo e do champô de marca e a camisa cor-de-rosa a dar com o "téne" prateado, entre a publicidade pindérica até à vida familiar de cada um dos "craques", o grande ideal desportista e dever patriótico ficaram para trás. O bem colectivo como meio para se chegar ao único final que seria trazer a tal taça para casa foi substituído pelo freakshow e pela feira de vaidades de cada uma das "marias-amélias" tugas.

Espero que o Mundial de 2010 traga mais homens com sentido de dever, menos contratos publicitários e menos dinheiro, mais camaradagem e menos sede de protagonismo.

Fica a crónica, a meu ver, excelente, da Clara Ferreira Alves. E já agora, o cartoon, de António.








NÃO ME LEMBRO de ver nada assim. A recepção à selecção de Espanha foi a maior festa do país desde a democracia. Milhares e milhares de espanhóis embrulhados em bandeiras e símbolos nacionais, camisetas e gorros, pintalgados com as cores amarela e vermelha, esperaram na Praça Colón de Madrid o autocarro descoberto com os jogadores e o seleccionador. Existe uma Espanha, deixaram de existir várias Espanhas, ao menos por uma semana. E o que o escritor espanhol Javier Marías tinha chamado "um bando de mediocridades" tornou-se um grupo de heróis nacionais, como ele mesmo conta no "El País". Eu vi o jogo num "pub" de Madrid, cheio de ingleses, escoceses, espanhóis, brasileiros e um pequeno grupo de "chicas alemanas" que fumavam cigarros tensos e desesperados com o andamento do jogo. Empoleirada na multidão suada, rodeada de ecrãs gigantes e adrenalina, fui observando como a paixão do futebol e do trabalho bem feito consegue empolgar toda a gente.

No final, todos éramos espanhóis, especialmente os ingleses do lado. No dia seguinte, ouvi a conversa entre os empregados de um restaurante. Primeiro empregado: "E nós que éramos pelos portugueses e acabamos a ganhar o Euro, que bem que isto sabe." Segundo empregado: "Estes rapazes são muito jovens. muito amigos, muito unidos. Os portugueses não tinham bem uma Selecção, muitos contratos, muito dinheiro, muitas vedetas.

Comentadores de bancada cheios de razão. O pior de Portugal nestes campeonatos foi contentar-se com pouco e usar o futebol e as pequenas vitórias para as piores exibições de marialvismo e bacoca exaltação patriótica.

Portugal precisa de uma vitória, e não é de uma pequena vitória. Não precisa do culto da personalidade a que temos assistido. Os "posters" de Ronaldo, as pancartas de Ronaldo, os anúncios de Ronaldo, as revistas detalhando a vida íntima da Ronaldo e das amigas de Ronaldo, a família de Ronaldo, os milhões de Ronaldo. Vencidos à procura de um vencedor. A política, como o futebol, precisa de vitórias e de mobilização, e nada nos últimos tempos parece estar em condições de tirar Portugal da mais funda depressão, nem o Ronaldo e os seus milhões, nem o futebol e a Selecção, nem as prédicas de Sócrates e Ferreira Leite. Muito menos os avisos banais do Presidente da Republica.

Os espanhóis não são muito diferentes dos portugueses, nem de outros povos, no que toca a derrotas e vitórias. A crença na vitória em Espanha, pelo menos no futebol, adoptou um slogan roubado a Obama, "Juntos Podemos". Este "Juntos Podemos" serviu de mantra e de oração, serviu de mote e de poema, e foi repetido como um acto de fé até se tornar uma realidade. Quem ouviu como eu os comentários da população e das televisões, ouvia estas palavras repetidas como se não houvesse outro caminho a não ser este. O colectivo. Em Espanha, país de um individualismo extremo, é um fenómeno novo. Um cínico diria que tudo isto é um disparate, mas estes disparates têm um efeito poderoso nos comportamentos colectivos. Portugal não tem, em nenhuma das suas frentes mobilizadores do orgulho nacional ou da satisfação do trabalho bem feito, um única acção ou frase que o mobilize. Somos um povo quebrado por anos de sacrifícios inúteis. De privações, de malícias e péssimas governações. E quebrado pelo provincianismo que faz com que saudemos como providencial o que é medíocre e como genial o que vem do estrangeiro.

O presidente da TAP dizia há pouco tempo que está cansado e que será muito difícil recuperar a TAP outra vez. Grande frase de derrota. A frase aplica-se a Portugal, estamos cansados. Cansados de dificuldades. Em vez de trabalho colectivo, veneramos o sucesso individual e o dinheiro dos outros. Assim, não vamos lá. Juntos, não pudemos. Num tempo de medo e recessão, de dúvida e lassidão, o país pensa em que vai substituir Scolari, o homem providencial. Não pensa no que o país é capaz de fazer sem Scolaris, sem Mourinhos, sem Ronaldos. Muitos contratos, muito dinheiro, pouco trabalho. Bem dizem os espanhóis, que vivem muito melhor do que nós.

Clara Ferreira Alves in Revista Única (Expresso) de 5 de Julho de 2008

sexta-feira, 2 de maio de 2008

As coisas mais simples da vida





Às vezes tudo se pode resumir a isto: falar ou escrever com o propósito de exorcizar o veneno que vive cá dentro. Eu pratico esse exercício e por vezes não chega. Eu que o diga. Inventei um Blog há uns anos por intermédio de um bom amigo com a intenção de trocar ideias sobre as mais diversas temáticas. Individualistas como somos, aquilo acabou por não ir a lado algum. Simples. Depois inventei um Blog só meu, e à semelhança de um brinquedo novo, aquilo era sentido como sendo mesmo meu. E exorcizei dores do passado. Fez-me bem. Simples.


O tempo avançou até ao dia de hoje, e as coisas simples da minha vida tomaram forma a poderem coexistir umas com as outras. As mudanças ditas naturais da vida tornaram-se parte integrante de uma evolução que tomou relevo numa existência já de si complicada, que é a minha, e que no fundo acabo por nunca abrir nem em Blogs nem em muitos sítios. E todas elas foram bem-vindas. Como essas, algumas pessoas que entraram com mérito de passadeira vermelha e por lá se mantêm até hoje. Simples. Acontecimentos e factos trazem pessoas. Mudanças. Trocas e baldrocas e feitas as contas, depois de mudar muita e tanta coisa, o que é essencial mantém-se. O constatar que, por mais anos que passem por mim, alguns defeitos são irreversivelmente os mesmos. Outros, desaparecem e dou por mim a pensar que estou a amolecer. Já não ligo a muita merda, mas ligo a muita outra. Não gosto que se metam na minha vida, porque a não ser que me peçam, eu não me meto na vidinha de ninguém. E quando não gosto, não gosto mesmo. E quando gosto, é até morrer. Salve-se a capacidade de perdoar quem amo. Quem mais amo. Quem sempre amei e quem prometo todas as honras dentro da minha casa. Continuarei a não ser de meios termos, característica essa que tenho vindo a perder nos últimos meses, e da pior forma, com a mania de "tentar ser mais tolerante". Definitivamente, não há paciência para aquela colega com aquele sotaque irritante com um cu de meio metro aos berros pelos corredores. Nem há paciência para todas as brincadeiras de profundo mau gosto, muito menos provindas de inveja mal digerida de meia dúzia de coisas na nossa vida. Nem tem de haver. E por isso, o mal que se torna generalizado na maioria dos casos com que tomo contacto e vejo na vida de amigos próximos, instiga-nos a que nos "vamos abaixo". E vamos todos ao fundo de quando em vez. E acabamos sempre por nos levantarmos.


Há pessoas que precisam desesperadamente de uma palavra, que lhes digamos que estamos lá para elas, no matter what. Há outras que, ao invés de silêncio e/ou desprezo ou que façamos simplesmente de conta que não as vemos e não as ouvimos, precisam de uma abordagem e sacudidela das grandes patente numa frase do género "vai morrer longe" ou um belo testamento escrito a provar por A + B que não andam por cá a fazer nada, e que podem sempre contribuir para a estatística das taxas de suicídio que têm e devem ser actualizadas.
E tudo isto é simples. Basta que o queiramos. Basta que estejamos atentos. O melhor de tudo é soltar umas boas gargalhadas nos piores momentos e há-de haver sempre alguém por perto para se rir connosco. Todos temos bons e maus sentimentos dentro de nós, sem excepção. Resta saber com quem fazer o quê.
O tema torna-se recorrente e vejo-o retratado em diversas formas pelos poucos Blogs que leio ultimamente. Chego à conclusão de que andamos todos um bocadinho fartos do estado de algumas coisas, o sentimento português de que algo poderia sempre estar melhor prevalece em detrimento da fé e da esperança de que tudo pode correr melhor. Em certos casos, trancas à porta e sem hipótese de fuga ou redenção. Noutros, os mais preciosos, é guardá-los como tesouros bem junto ao coração e saber construir para quem nos vai saber retribuir. Nem que seja com um sorriso.


Ontem disse e sinto-o em todas as palavras a alguém, que estou a ficar farta de pessoas. Da grande maioria. Não de todas. Algumas pessoas conseguem fazer com que nunca nos cansemos delas e alternar a paz de espírito com que nos presenteiam com o desafio constante de nos trazer coisas novas à nossa vida, é abraçar um raio de luz e viajar dentro de mundos vastíssimos que no fundo, traduzem as coisas mais simples da vida.


* dedico este post ao NAJ (grande imagem!) que tem sido um grande amigo nestes últimos dez anos, nas condições mais adversas a que uma amizade pode estar sujeita; à Sara, amiga de todas as horas e de sempre, e ao meu maior e melhor amigo, companheiro e confidente, travesseiro a quem conto os mais negros pensamentos, os mais satânicos, com quem choro e sobretudo, rio e sou muito feliz, o Paulo. O meu obrigada por existirem e darem um pouco mais de sentido à minha vida.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Foi você que pediu este Governo de Esquerda?




Eu sei. Já cansa, não é? Mas isto é até que os dedos me doam. Porque está excelente, porque tenho umas ganas de me jogar à jugular da senhora dona ministra da deseducação. Não apenas verbalmente mas literalmente. Porque uma nação não se faz de números nem de pó e areia nos olhos de toda a gente, mas de pessoas. Hajam los cojones en el sitio. O major da aguardente de batata, da pseudo-patente devia era estar caladinho no banco de suplentes, agarrado ao seu apito dourado. Era este que defendia o outro e punha as mãos no fogo pelo menino (seria de ouro, o João Vieira Pinto?) ao AFIRMAR convictamente que nunca agredira o árbitro durante o Mundial. Uma vergonha, tudo isto. Uma vergonha de gente, de governantes, de país, em todos os sectores. Desde o Governo até às futeboladas, estes senhores deveriam ser entregues à Santa Casa. Morrem pessoas nas ruas das cidades do meu país; existe corrupção e sacos azuis e poluição e betão e incêndios; existem polícias a recolher nomes de professores que se manifestam num país supostamente livre; existe medo, até na blogosfera, da parte de cada cidadão fazer, dizer, afirmar e levar avante a sua opinião. Colocam todos, os cravos nas lapelas a 25, mas desconhecem o real significado da palavra. Sorriem hipocritamente mas nem a Lei do Aborto tiveram a coragem de decidir em Assembleia. Com esquerdas destas, esperem pela vitória dos partidos de regime totalitário, louco e desprovido de senso.


Haja Tribunal Europeu.



segunda-feira, 19 de novembro de 2007

"HL, por que no te callas?"

eheheheheheheheheheheheheheehehehehehehehehehehehehehehehehe
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Posições e críticas e políticas à parte, o Chavez irrita-me, como me irritam todos os extremistas e ditadorzecos que habitam o planeta, senhores da razão e da verdade. Portanto, se o Rei o mandou calar fez ele muitíssimo bem. Afinal, um Rei ainda é um Rei, e deu-me um certo gozo ver o Don Juan Carlos ter aquele acto desesperado de fúria verbal. Penso que nem o nosso Dom Duarte se atreveria a tanto. Já o mesmo não poderia dizer do comentador mais assíduo deste Blog, que concerteza saltaria da bancada direitinho ao presidente venezuelano a gritar SANGUEEE!!!!!!!!!! HL, eu sei que és do contra, mas ó homem... ainda o Natal não começou e tu já estás assim? Estás pior que eles... sim, tu sabes quem são ELES.... ihihihihi....


Mais sobre o assunto
aqui. Ou já agora, aqui.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Os Forinhas aka pseudo-intelectuais de esquerda aka"OS"VERDADEIROS alternativos aka groupies aka o raio que os parta






Ora bem... lembram-se da beta alternativa? Pois... de volta ao tema, desta feita para falar dos verdadeiros alternativos. Existe todo um conceito alternativo ao conceito de alternatividade. Ou seja: se a beta é beta porque veste marcas (nem que sejam da feira de Carcavelos), pode ao mesmo tempo ser alternativa, tendo algumas noções básicas de cinema, música, arte and so on so on, essas coisas todas muito bonitas(?)... pode, até porque se está na moda ser-se alternativo, existe todo um mundo de regras e um protocolo muito bem definido sobre isso de se ser alternativo. Ou seja, a teoria antiga de que os betos eram betos porque seguiam as modas, e se moda presentemente é ser-se alternativo (VERDADEIRO INTELECTUAL!!!) e vestido a rigor como um verdadeiro alternativo (já iremos ver de perto como é que eles se vestem), a beta saíu de moda, logo... é a real alternativa! Subvertem-se os papéis, e todos entram neste jogo parvo de se querer pertencer a algo, a um grupo. O discurso pode ser até bastante nihilista e pessimista e o raio que os parta, mas a verdade é que alternativos verdadeiros podem ter tanta merda na cabeça como as betas alternativas.




Então afinal que é isso de se ser um "forinha"aka pseudo-intelectual de esquerda aka"O"VERDADEIRO alternativo aka groupy aka o raio que o parta?


Existem dois tipos: os que acreditam realmente que são (os mete nojo da cena toda) e os que querem acreditar (uns tristes que só vendo).


Os primeiros até percebem realmente da coisa: leram, lêem, ouvem, escutam, vão aos concertos, aos museus, ficam uma hora a olhar para as instalações da CulturGest com verdadeiro prazer, viajam imenso... são pessoas interessadas. Por saberem-no (que sabem) são uns arrogantes daqueles de bradar aos céus. Lêem, mas aquilo pouco lhes diz, na medida em que é um empinanço de tanto autor que pouca margem deixam para a sua própria visão e tudo o que fazem pouco tem de original, dedicando-se ao plágio. São académicos arreigados aos conceitos. Sempre foram e sempre o serão. Oscilam entre os 20 e os 50 anos. Vivem para a profissão, a qual fazem questão de repetir, à exaustão, como se dele dependessem, porque vivem do estatuto que a profissão lhes dá. Obviamente serão toda a panóplia de malta que veio duma classe a oscilar entre a média (o pai ainda ouve o Roberto Carlos) e a alta (o paizinho deu-lhe a conhecer Schubert numa noite de tempestade e finou-se enquanto dissertava sobre?), mas todos conseguem chegar a qualquer rendimento que ultrapassa os €25.000 anuais, o que lhes permite ter acesso a determinado "material cultural". Sim, porque os CD's e os livros e o teatro e a ópera etc custam dinheiro.
Metem mesmo nojo e pode ser realmente enfadonho estar com pessoas destas por mais de 3 ou 4 horas. São normalmente tímidos e têm muitos complexos, principalmente de superioridade. Eles acreditam agora em algo que vão repetir até ao fim das suas vidas e isso significa estar no acontecimento de algo e à frente de tudo o que for mais avantgarde. Alguns alcançam grande sucesso profissional, mas a maioria acaba por sofrer enormes desilusões e frustrações.




O segundo grupo lê os mesmos livros, ouve e vê os mesmos filmes e músicas, compra as mesmíssimas coisas, frequenta os mesmos sítios, mas... no fundo no fundo aquilo não lhes diz grande coisa. Ainda assim, ficam especados perante a instalação a detestar aquilo ("mas deve ser Arte, é Arte!"), têm imensos preconceitos (de todo o género e feitio: racistas, sexistas, homófobos, etc) mas adoptam uma atitude muito cool e vão aos sítios da moda (isso normalmente inclui gays, o que por si constitui um sacrifício), e são o tipo de pessoas que rema contra a maré, mesmo tendo conhecimento de causa de tudo o que exploram exaustivamente, apenas porque sim. Normalmente pertencem ao PC ou ao Bloco de Esquerda, mas também não sabem muito bem porquê... ao contrário da beta que gosta de Joy Division mas não sabe quem é o Ian Curtis, o forinha que quer desesperadamente ser um forinha, sabe a vida do Ian de trás para a frente, mas não entende as letras. Tem todos os livros e discos, mas não entende o desespero. Não entende a essência daquilo. Devem pensar que no fundo, no fundo, o Ian até curtia mesmo ser um forinha, escrevia aquelas coisas porque era um intelectual do camandro!...



E porquê? Porquê tudo isto, então? Porque é uma MODA. Todos estes forinhas aka pseudo-intelectuais de esquerda aka"OS"VERDADEIROS alternativos aka groupies aka o raio que os parta, têm em comum o facto de se vestirem todos de igual. Quase todos de preto. Preto preto preto. Ou cores muito garridas e fluorescentes, no caso dos designers e arquitectos. Ou casaquinhos alemães do tempo da 2ª Guerra Mundial. E t-shirts do Che por baixo. Óculos de aros grossos (pó estilo) em massa preta (ou laranja/verde fluorescente). Écharpes de lã. Malinhas a tiracolo. À medida que o tempo avança, a indústria da Moda começa a estar bastante virada para este tipo de público, desde que se apercebeu que afinal o tempo em que as pessoas que se vestiam de preto significava luto já vai longe, e bem atrás. É foleiro dizer-se que se é de Direita, mas é muito muito cool andar a beber copos no Bairro Alto, a falar de poesia, de política e de música, dissertar e divagar, mas "chega-te pralá que está aqui um sem-abrigo" e vá de dar beijinhos na língua dos cães, porque os animais são nossos amigos...




É que no mundo das aparências, entre betas alternativas e forinhas descompensados, a porcaria é a mesma, e toda a gente quer evidenciar algo que muitas vezes não é, mas apenas o que faz. Porque não é cool. Porque não é in. Porque fica mal estar fora dum grupo e não se pertencer a lado nenhum. Cultiva-se o ar negligé de incompreendido e coiso e tal, da solidão e das coisas malditas, mas as reacções são quase todas iguais e toda a gente copia identidades e estilos. No fundo, errar e ser humano é também isso. Ou pode ser também isso. E no meio de tudo o que se pretende evidenciar e/ou esconder, o mais importante fica de fora: aceitar que por vezes podemos ser um somatório de muitos desejos, ainda que contraditórios. Digo eu. Sei lá...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Clichés III






A pedido de algumas famílias, e porque não nos podemos desabituar da causticidade latente a reservar para as questões que realmente a requerem, também eu tenho um ardor no estômago quando se fala nisto e trago-vos aqui um meu antigo ódio de estimação, não querendo, de facto, obter qualquer tipo de reconhecimento nestas palavras ou que isto sirva legitimamente para o que quer que seja. Estas palavras não têm qualquer legitimidade. É um facto. Gostos não se discutem. Outro facto. A questão é que eu não gosto do Saramago: escritor e pessoa. E não gosto porquê? Porque é chato. É chato que se farta. Porque é incoerente. Porque é despropositado. Porque é arrogante. Tem a mania que é bom; sinceramente, eu acho que não é. Li metade de alguns dos seus livros porque não consegui acabá-los. Nunca em Blogs falei de livros ou escritores, tanto portugueses como estrangeiros, mas quem acompanha este (ou o Beautiful Losers) de princípio, sabe que sou uma apaixonada por alguns autores portugueses, nomeadamente o J.L.Peixoto ou o grande Pessoa nos seus variadíssimos heterónimos (com destaque para o Álvaro de Campos). Sim, leio muito, outro facto, mas não gosto de mencionar muitos autores porque acho que é uma medida de "blogger armado ao cagalhão para chamar a atenção" e nunca fiz uma apreciação negativa seja a quem for. Salvo esta, agora.

Antes do Prémio Nobel ter sido atribuído, talvez uma pequena minoria neste país tivesse um real conhecimento da obra literária de Saramago. Depois do Nobel, foi tudo a correr às livrarias comprar o belo do Memorial do Convento and so on, so on... ainda que não o leiam (alguém consegue ler aquilo?!?) dizem que "Saramago é muito bom". E instituíu-se que é. Se é Nobel, é porque é. E pronto. Carimbado com o selo autenticado de garantia de qualidade literária.



Valha-me a ideia de pensar que daqui a cem anos a língua portuguesa é ainda referida como sendo "a língua de Camões" e não a "língua de Saramago".


E adiante... aqui não se fala mais em Saramago.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

...and the winner is:

::imagem retirada daqui::




Nos dias que correm é complicado ouvir-se as lógicas da batata do nosso querido primeiro-qualquer-coisa-so they say"ministro", principalmente se se é dotado de alguma massa cinzenta, poder de raciocínio e se se lêem alguns jornais. Se é questionável ou não o seu diploma de engenheiro, sinceramente, I DON'T GIVE A SHIT!!! Mas que tenha ao menos a decência e distinta lata na cara de não vir a um microfone dizer que "temos menos professores, mais alunos, e o insucesso bem como o abandono escolar são os mesmos!" Isto é bom ONDE??? Que temos menos professores, é óbvio que sim (taxas de desemprego a aumentar no país em Setembro); temos mais criancinhas? Será que temos? Duvido, e duvido porque toda a gente tem muito menos filhos do que há vinte anos atrás e isto qualquer pessoa percebe (não é preciso ser-se doutor ou engenheiro) e será que é de aplaudir os níveis de iliteracia, analfabetismo, insucesso e abandono escolar? ISTO É BOM??, senhor engenheiro José Sócrates? Ao invés de distribuir processos disciplinares e perseguições ao melhor PIDE style a quem o interrogue, ainda que de forma humorística, responda às questões. Porque é que não fecham os cursos? Porque é que não abrem mais escolas básicas? É que essa fantástica receita que declama com orgulho de "menos professores, menos escolas, mais alunos e o mesmo insucesso"=(igual a)= grande bronca no ensino. Choque tecnológico? Era isto o choque tecnológico? Resultou, estou perfeitamente chocada.
Se complicado é ser-se engenheiro, ou pseudo-engenheiro, já não é assim tão fácil ser-se professor (basta comparar as médias de curso requeridas para o efeito), e muito menos governar-se um país. Não é para todos, de facto. Já ser-se ministra da educação é tarefa bem mais prazenteira: basta cumprir as ordens do master Sócrates e siga, ainda que para o efeito se tenha mais de 45000 docentes a odiar-nos e a desejar-nos morte lenta por atropelamento, asfixia, afogamento ou.... é preciso coragem, pessoal....
Ah sim, o prémio, já me esquecia... o vencedor do prémio "Vai Aonde Te Leva o Ministério da Educação" pode ser um honroso ex-aequo para as duas personagens supracitadas.
Quanto a mim? Não se preocupe, senhor primeiro Ministro... estou a pensar ir tirar um curso de Engenharia ali à Independente e investir numa carreira política... na Ilha da Madeira, para em coro aplaudir as vinganças prometidas do Albert John Garden para com os senhores do Terreiro do Paço...e viva o 11 de Setembro em Portugal!!!

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Clichés II

É comovente constatar a dificuldade que a grande maioria dos inquiridos tem para responder à pergunta «Qual é o seu pior defeito?». Não há um único que, de depois de perscrutar as profundezas mais negras da sua alma, consiga encontrar algo mais negro do que «teimosia». Alguns, ainda mais próximos da santidade, nem teimosos conseguem ser. Tenho reparado na emergência de uma nova escola de resposta a esta pergunta em que o inquirido só admite ser imperfeito por ser virtuoso em demasia. Já vi, serem apresentados, como piores defeitos, traços de carácter tais como «ser demasiado sincero», ou «confiar demais nas pessoas».

Ricardo Araújo Pereira, in Visão (02/08/2007), "Inquéritos de Verão: Um Estudo"




::imagem de dominic murphy::liar liar pants on fire::



Este artigo de RAP vem de acordo com uma teoria que venho a desenvolver desde há uns anos a esta parte, sempre que leio entrevistas e inquéritos desta natureza, seja Verão, seja Inverno. O máximo de respostas a dar à laia de teimosia pela teimosia é escabroso e levanta algumas questões. Não sabendo ao certo se por cliché ou por outras razões, invariavelmente o povo português é bastante teimoso... ou talvez se conheça mal... ou talvez se conheça demasiado bem, e tal como a porcaria que se esconde debaixo do tapete, mais vale dizer-se que se é teimoso, do que se dizer coisa pior. O pior de tudo é que a teimosia é de facto um dos defeitos mais irritantes que possa existir quando de facto, existe, e a tendência é que a sociedade tenda a descupabilizar um defeito destes, talvez por consciência que haja outros piores. Senão vejamos: não fica nada bem a uma personagem qualquer da nossa sociedade (seja lá quem for) dizer num inquérito "ah, eu sou um mentiroso compulsivo!", "sou um materialista avarento e invejoso, só penso em dinheiro", "sou ciumento e possessivo e não deixo a minha mulher usar mini-saia" ou "eu sou um hipócrita do caraças!" ou ainda "gosto de frequentar casas de putas e tenho fétiches manhosos com criancinhas"... Get the picture? O facto é que todos conhecemos bem os nossos piores defeitos mas ninguém quer ser o mau da fita. A saída fácil é ser-se teimoso, ou à bom português, vestir a pinta de coitadinho, incompreendido pelo mundo e falar das agruras e dos dissabores de se «ser sincero a mais». Normalmente, este último "tipo", das duas uma: ou convenceu-se mesmo que todos os seus problemas de relacionamento inter-pessoal são culpa de si mesmo e da sua bondade excessiva (tem a mania da perseguição e muito poucos amigos) ou é um pinóquio da melhor espécie, hipócrita até à quinta casa. Na gíria, os tais "sonsos" de algibeira. Eu acrescentaria ainda a estas duas tipologias referidas por RAP, uma outra que também começa a estar muito em voga: é o «ter-se mau feitio». De repente, toda a minha gente neste país começou a ter muito mau feitio, como que em jeito de aviso: «vejam lá, não se metam comigo que eu cá tenho muito mau feitio!!!» Eu diria que quem inventou esta última foi o major Valentim Loureiro. Digo eu... não sei... lembra-me um pouco aquela gritaria pegada a querer assustar meio-mundo ao microfone, quando o nível de decibéis não é mais que o medo voltado para dentro de si mesmo, como que a querer convencer-se de algo que no fundo não é. Ora toda a gente sabe (pelo menos quem sofre desse mal) que o verdadeiro mau feitio é quase como uma bola-gigante de neve a escorregar montanha abaixo, em crescendo. Uma vez despoletado, não se consegue parar e leva tudo à frente. Pessoas que dizem a plenos pulmões que são teimosas nem o preço da bica de 1987 conseguem discutir; pessoas que se dizem sinceras a mais, têm uma auréola e umas asinhas que até mete dó, enquanto fazem a cantiga do bandido; pessoas que se proclamam detentoras de "muito mau feitio", parecem uns cachorrinhos quando lhes fazemos "bu!" ...

No fundo ninguém diz aquilo que é, nem é aquilo que diz.


Só não tomo uma atitude violenta porque tenho este maldito defeito de ser demasiado espectacularmente educado, sensato e bonito. Enfim: a cada um, a sua cruz.



quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Clichés I

Aviso de pré-leitura:
Pois... lembrei-me de mandar cá para fora este post, que por acaso é um dos meus preferidos e tem já quase um ano. Do velho Psicologias da Treta. Sobre clichés, ideias feitas, gostos e charme. Sobre tudo o que anda na boca do povo e que no fim de contas se formos bem bem a ver, não tem validade nenhuma. Ou quase nenhuma. A recordar os bons velhos tempos deste Blog. Não recomendado a pessoas demasiado susceptíveis a algum calão.
charme::palavra arreigada a conceitos tão díspares nas nossas mentes, tão subjectiva e relativa, tão pouco dada a significativas palavras sinónimos que nos indiquem os contornos de alguém que se assume ou que decidimos assumir como tendo... "charme"::não se toca não se sente não se cheira::a palavra charme não consta no dicionário, é um facto::este, um diálogo que pode ter meses ou anos::algo perdido no tempo de conversas entre duas amigas que moram na casa dos verdes anos das duas décadas em cima dos ombros dos olhos dos desejos e dos sonhos::sobre um conceito que anda na boca e na mente da maioria das mulheres dos 8 aos 80::um conceito velho que se faz novo e popular entre camadas jovens::produto talvez da interpretação do 007 de fleming, pelo escocês::o complexo estigmático anti-nacionalista português sean connery::
(...)
- eh pá, mas o gajo é mesmo bom...
- achas???
- se acho? acho pois! olha aqui... e tem uns olhos... bem, isto também é da maquilhagem…
- maquilhagem?
- ah pois, ou julgas tu que eles são MESMO assim?
- sim, realmente... mas não o acho nada de especial, se queres saber.
- não? eu acho…
(após reflexão breve de 5 segundos, o bastante para uma discussão do género)
- ... então e diz-me lá... quem é que tu achas assim... um gajo... diz-me um...
- eh pá, assim de repente... o sean connery! esse sim... o sean connery é demais! o sean connery…
- o QUÊ?!?!... o sean connery??? mas porquê? estou a ficar farta da conversa do sean connery... que a minha mãe me diga isso vá que não vá... mas tu?
- porquê?... então... porque tem charme!…
- charme... ok... ouve lá, eu não te estou a perguntar pelo homem da tua vida, quero lá saber se é especial, tem sentido de humor, é inteligente, culto, interessante, etc... e depois tu não conheces o sean connery... sabes lá se ele tem "charme"??? ele tem é idade pra ser teu avô!
- eh pá, eu acho que tem charme... eu gosto do sean connery... há algum mal em gostar do sean connery?
- como actor e tal... ele foi o 007... nessa altura era novo...é em relação a essa imagem que me estás a dizer isso? é que ele já tem uns anos valentes a mais em cima…
- não!!! é em relação ao presente... ele tem charme é AGORA!!! não naquela altura!... também gosto do luke perry e do george clooney... tu sabes... mas o sean connery tem charme... é o melhor…
- acho que isso já é cliché de "gaja"... institucionalizou-se o sean connery como sendo o "senhor charme"...é como queijo = da serra; férias = algarve; carro = porsche; loira = burra... treta... eh…
- lá estás tu... só porque não concordo contigo... acho o sean connery o melhor deles todos, o homem é demais, atraente e tem charme.
- não. e queres saber porque é que acho que isso é treta? volto a dizer: podes admirá-lo, respeitá-lo, etc, mas não o conheces pessoalmente. e provo-te já que é treta. respondes-me a uma coisa?
- diz lá. pergunta que eu respondo.
- fazias-lhe um broche?
- ... ergh....

::nota de autor(A): que fique bem claro que gosto muito do sir sean connery e respeito-o muitíssimo.



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