
Às vezes tudo se pode resumir a isto: falar ou escrever com o propósito de exorcizar o veneno que vive cá dentro. Eu pratico esse exercício e por vezes não chega. Eu que o diga. Inventei um Blog há uns anos por intermédio de um bom amigo com a intenção de trocar ideias sobre as mais diversas temáticas. Individualistas como somos, aquilo acabou por não ir a lado algum. Simples. Depois inventei um Blog só meu, e à semelhança de um brinquedo novo, aquilo era sentido como sendo mesmo meu. E exorcizei dores do passado. Fez-me bem. Simples.
O tempo avançou até ao dia de hoje, e as coisas simples da minha vida tomaram forma a poderem coexistir umas com as outras. As mudanças ditas naturais da vida tornaram-se parte integrante de uma evolução que tomou relevo numa existência já de si complicada, que é a minha, e que no fundo acabo por nunca abrir nem em Blogs nem em muitos sítios. E todas elas foram bem-vindas. Como essas, algumas pessoas que entraram com mérito de passadeira vermelha e por lá se mantêm até hoje. Simples. Acontecimentos e factos trazem pessoas. Mudanças. Trocas e baldrocas e feitas as contas, depois de mudar muita e tanta coisa, o que é essencial mantém-se. O constatar que, por mais anos que passem por mim, alguns defeitos são irreversivelmente os mesmos. Outros, desaparecem e dou por mim a pensar que estou a amolecer. Já não ligo a muita merda, mas ligo a muita outra. Não gosto que se metam na minha vida, porque a não ser que me peçam, eu não me meto na vidinha de ninguém. E quando não gosto, não gosto mesmo. E quando gosto, é até morrer. Salve-se a capacidade de perdoar quem amo. Quem mais amo. Quem sempre amei e quem prometo todas as honras dentro da minha casa. Continuarei a não ser de meios termos, característica essa que tenho vindo a perder nos últimos meses, e da pior forma, com a mania de "tentar ser mais tolerante". Definitivamente, não há paciência para aquela colega com aquele sotaque irritante com um cu de meio metro aos berros pelos corredores. Nem há paciência para todas as brincadeiras de profundo mau gosto, muito menos provindas de inveja mal digerida de meia dúzia de coisas na nossa vida. Nem tem de haver. E por isso, o mal que se torna generalizado na maioria dos casos com que tomo contacto e vejo na vida de amigos próximos, instiga-nos a que nos "vamos abaixo". E vamos todos ao fundo de quando em vez. E acabamos sempre por nos levantarmos.
Há pessoas que precisam desesperadamente de uma palavra, que lhes digamos que estamos lá para elas, no matter what. Há outras que, ao invés de silêncio e/ou desprezo ou que façamos simplesmente de conta que não as vemos e não as ouvimos, precisam de uma abordagem e sacudidela das grandes patente numa frase do género "vai morrer longe" ou um belo testamento escrito a provar por A + B que não andam por cá a fazer nada, e que podem sempre contribuir para a estatística das taxas de suicídio que têm e devem ser actualizadas.
E tudo isto é simples. Basta que o queiramos. Basta que estejamos atentos. O melhor de tudo é soltar umas boas gargalhadas nos piores momentos e há-de haver sempre alguém por perto para se rir connosco. Todos temos bons e maus sentimentos dentro de nós, sem excepção. Resta saber com quem fazer o quê.
O tema torna-se recorrente e vejo-o retratado em diversas formas pelos poucos Blogs que leio ultimamente. Chego à conclusão de que andamos todos um bocadinho fartos do estado de algumas coisas, o sentimento português de que algo poderia sempre estar melhor prevalece em detrimento da fé e da esperança de que tudo pode correr melhor. Em certos casos, trancas à porta e sem hipótese de fuga ou redenção. Noutros, os mais preciosos, é guardá-los como tesouros bem junto ao coração e saber construir para quem nos vai saber retribuir. Nem que seja com um sorriso.
Ontem disse e sinto-o em todas as palavras a alguém, que estou a ficar farta de pessoas. Da grande maioria. Não de todas. Algumas pessoas conseguem fazer com que nunca nos cansemos delas e alternar a paz de espírito com que nos presenteiam com o desafio constante de nos trazer coisas novas à nossa vida, é abraçar um raio de luz e viajar dentro de mundos vastíssimos que no fundo, traduzem as coisas mais simples da vida.
* dedico este post ao NAJ (grande imagem!) que tem sido um grande amigo nestes últimos dez anos, nas condições mais adversas a que uma amizade pode estar sujeita; à Sara, amiga de todas as horas e de sempre, e ao meu maior e melhor amigo, companheiro e confidente, travesseiro a quem conto os mais negros pensamentos, os mais satânicos, com quem choro e sobretudo, rio e sou muito feliz, o Paulo. O meu obrigada por existirem e darem um pouco mais de sentido à minha vida.
