::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal é...






Cavaco a comer bolo-rei de boca aberta...





A merda do anúncio da popota e do modelo que já não posso ouvir...





O clássico pindérico dos Wham... Last Christmas...











Natal dos Hospitais...



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(pesadelo)






Felizmente há coisas destas que me resgatam o espírito natalício (seja lá o que isso for)...













___________________________________________________ e outras coisas mais que não cabem no Youtube.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Oh oh oh it's Christmas yeahhh!!!!!




Há coisas que fazem parte do imaginário de todos nós, enquanto crianças, enquanto adultos, enquanto adolescentes, enquanto seres humanos. Vivemos porque sim, recordamos o que vivemos, e temos dentro de nós imagens, sons e cheiros (não necessariamente por esta ordem) que despoletam vivências que nos fazem sorrir ou deitar uma lágrima quando expostos a uma imagem, um som ou a um cheiro familiar. Um clique que acontece e ainda bem que assim o é.

Este foi, muito provavelmente, um dos melhores vídeos, senão o melhor, de 2009. A trazer um certo imaginário de volta daquilo que constitui, para mim, uma das melhores músicas de sempre, os melhores "bonecos" de sempre, associados à minha infância, e claro, associados ao meu Natal.

Agora sim, cheira a Natal.


Fica também o original, claro.




quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Coisas





Uma coisa leva a outra coisa e a outra e a mais uma e outra coisa que entretanto já deixou de ser a primeira para ser uma coisa completamente diferente.

Existem coisas que nos resgatam outras coisas que não têm nada a ver com as coisas que lembram a outros, outras coisas, embora sejam as mesmas coisas que nos lembram coisas diferentes.

Dentro de nós temos coisas que dadas a outros, tornam-se as suas coisas (as coisas deles) e deixam de ser só nossas para passar a ser as NOSSAS coisas e uma coisa que era apenas uma coisa só, passa a ser uma coisa que pode ser outra coisa qualquer.

As coisas que me lembrei de escrever.
As minhas e as tuas. Coisas...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os Sótãos Furados ou Crónica da Minha Infância

Gostava de ter mais tempo para escrever mais, aqui no Blog.
Gostava de não ter de escrever apenas quando estou doente (como hoje), ou quando tiro um bocadinho a meio do dia ou da tarde, no trabalho, para ler Blogs dos quais tenho saudades.
Gostava que houvesse mais qualquer coisa que não o portátil e os Blogs (os livros e os filmes dão-me sono) para fazer quando estou doente, porque caio sempre na asneira de escrever coisas como a que vou escrever, coisas que me levam a mundos já perdidos, e que me dão ideias meio parvas como esta: encontrar um livro.

Nunca vos aconteceu estarem na casa-de-banho (ou noutro sítio qualquer, a mim por acaso é na casa-de-banho) e lembrarem-se de algo ou de alguém que não vêem há muito tempo, e que a Internet se calhar até era um bom meio para alcançarem esse fim, o de encontrarem o que pretendem encontrar? Pois, a última vez que o fiz, foi por causa da minha pasta de estudante, a qual perdi há já uns bons pares de anos, e resolvi escrever um mail a todos os meus contactos, com a descrição da dita pasta. Era uma boa pasta, uma pasta respeitável, que teria lá dentro rascunhos de cartas de amor (muitas, mesmo, e triste e patética e irremediavelmente a vários destinatários), listas de supermercado e restos de pastilhas elásticas que sempre aceito mas não mastigo porque não gosto de pastilhas elásticas. Para além disso, postais velhos, algumas fotocópias e as fitas assinadas. Só uma estúpida como eu perde a pasta de estudante e só uma estúpida como eu escreve um mail a descrever a pasta que perdeu. Conclusão: fui gozada por muito boa gente (os tais "amigos") e fiquei na mesma, ou seja, sem pasta.

Hoje, com a doença, uma tarde inteira disponível, por minha conta, sozinha em casa, bateu-me esta espécie de nostalgia. Como sou uma perfeita anormal da info-exclusão e percebo pouco ou nada de computadores ou de encontrar alguma coisa pela net, na vaga esperança de que a cara-metade me pudesse fazer uma surpresa pelo Natal (pois percebe mais disto do que de outra coisa qualquer), falei-lhe no meu livro preferido de SEMPRE, que li vezes sem conta: Os Sótãos Furados.




Devo ter lido este livro umas quatro ou cinco vezes, e confesso não me lembrar muito bem de como foi a mítica "primeira vez". Sempre que saía da escola, lá ía eu à Biblioteca Municipal da cidade, escolher um ou outro livro para ler, ou na própria biblioteca, ou requisitava para ler em casa. Actualmente a biblioteca já não existe como biblioteca, mas como Arquivo Histórico. Devo tê-lo escolhido, no alto da minha sapiência de sete ou oito anos, pela capa, pelas cores da capa, que continuo a achar deliciosa. A história consiste, basicamente, em dois irmãos que vivem num bairro e que se costumam refugiar no sótão do seu prédio. Um dia, acontece um acidente qualquer em que furam o sótão do prédio vizinho e fazem um amigo. Algum tempo depois, as crianças acabam por furar todos os sótãos daquele bairro, perfazendo um grupo inesquecível. No fim de todos os sótãos, está uma surpresa e um amigo muito especial.
Ora isto em meados de anos oitenta, para uma miúda de uma cidade pequena, que vive numa zona em que existem muitos sótãos, era obra! A imaginação fértil da pequena Ana levava-a para um sótão em que possivelmente iria descobrir uma amiga nova ou um grupinho de novos amiguinhos. Mesmo à noite, no meio dos barulhos da noite, das árvores, do vento, da chuva, dos pássaros, lá ía eu para um sótão que acabou por sempre se tornar o meu melhor amigo, o meu confidente, onde escrevia o meu diário (sempre tive diários, muito antes de haver blogs), onde escrevia poemas, onde desenhava, onde pintava, onde cheguei a riscar o chão todo com lápis de cera e tapei a obra-prima com um tapete. Este sótão sempre foi o "meu mundo", um lugar mágico onde os meus pais raras vezes subiam. Curiosamente, o sótão continua a ser meu, mesmo já não vivendo em casa dos meus pais. É lá que mais gosto de estar, é lá que ainda tenho quase todas as telas, todas as fotografias, todos os desenhos e todos os diários, o meu cavalete, o meu estirador, as minhas memórias de infância, a minha velhinha aparelhagem.

Talvez por isso, este livro é parte de mim, o livro que mais vezes li em toda a minha vida. Nem sei quem é a sua autora, mas a ela agradeço parte do meu imaginário infantil. Talvez sem este livro, o meu sótão não fosse ainda tão MEU.


Para quem quiser saber, seria uma excelente prenda de Natal.


P.S.: eu avisei que o post era meio idiota. lol


sexta-feira, 3 de julho de 2009

A nossa TV II (séries das quais ninguém fala)

... "ah e tal" as séries do meu tempo... e vá de falar nas do costume: McGyver, Verão Azul, O Justiceiro, Três Duques, Alf, Uma Coisa do Outro Mundo, já para não falar das séries de desenhos animados e o raio do Dartacão...etc etc etc... então e as outras? Aquelas séries míticas que toda a gente via mas ninguém fala delas? Ah pois é...


[post em construção]

























































A melhor, por fim:



segunda-feira, 29 de junho de 2009

Post da semana, quiçá do mês





[se é um cínico empedernido ou teve um grande desgosto recentemente, passe à frente; este post é verdadeiramente "crente"; felizmente, é a minha realidade.]





O RAIO! DO AMOR FELIZ...

Um amor feliz é uma coisa terrível. Mas há outro amor?, pergunta você que é uma criatura atenta e que não deixa passar uma vírgula - a despropósito, pode corrigir as vírgulas também, eu gosto. Não, claro que não! Essas melotretas do inferno em que, ou se morre de desgosto, ou se mata de ódio, ou se é infeliz para sempre, são da natureza que o próprio nome delas denuncia: desgosto, ódio ou infelicidade. Nenhum deles substantivos, pode ir confirmar com o tio Cândido de Figueiredo, é sinónimo de amor feliz e terrível. E toda a gente sabe que o amor só é amor se vier com a simetria felicidade-terror. São precisos sempre dois apaixonados um pelo outro, antropófagos de se comer um ao outro de beijos, de se querer comer um ao outro de beijos, de pensar em comer-se de beijos, e anda cá que és minha e anda cá que és meu, que stress a falta de títulos de propriedade humana!, cheios até aos olhos e transbordantes de para sempre e nunca mais, e tudo de ti e tudo contigo, mais a vergonha, que lixe!, de todos peganhentos, golinhos enjoativos de cocktail à hora certa, a toda a hora!, de minha querida, querido amor, dizia eu, são precisos apaixonados destes, dois, um pelo outro, muito, para ser amor. A felicidade é esta coisa terrível de se descobrir, afinal, batidas cardíacas siamesas, enquanto cada um malvado coração do outro anda arrumado no seu individual corpinho por onde quer e deve em vez de, ó mistério da ciência!, se ter quatro aurículas e quatro ventrículos todos colados num pavor de Frankenstein e só uma aorta para impedir separações. Ninguém no seu juízo perfeito quer um amor para ser infeliz para sempre, ou infeliz durante um bocadinho, ou mesmo só por agora. Toda essa infelicidade está disponível num monte de sítios diferentes e gratuitamente. Já a felicidade do amor terrível é mais arisca. Para além da questão científica dos corações não virem por junto e juntos, é preciso, em primeiríssimo lugar, que aconteça uma mesma mitológica, mas muito concreta, coisa em três versões. Logo três! Sorte, Fortuna e Fado. Ora isto provoca um abalo de agulhas no Instituto Não Sei das Quantas, aquele que às vezes aparece na televisão, que marca pontos na Escala de Richter, estala Fahrenheits e esfrangalha os nervos a uma pessoa enquanto não se sabe se os danos são recíprocos na coincidência sismológica e calorífica da cidade geminada! Ufa, que Sorte - a tal! - são! Seria, pensa um distraído, a felicidade, mas não!... É a Fortuna: no meio da desordem de mundo ao contrário, só se pensa, olha, ganhei o euromilhões dos beijinhos! Neste exacto momento, entra o sacana do Fado: ai, ai, se se tem pode deixar de se ter, se se é tão feliz pode-se deixar de ser, agora o que é que se faz? Ora eu, ao contrário da Júlia Pinheiro, sei tudo sobre o amor. Faz-se o quê? Nada nadinha! Só os malucos é que medem forças com as forças sobrenaturais, mais ou menos divinas. Depois é preciso que aconteça o resto. Que obviamente também é mito-concreto, mas felizmente numa só versão sincopada e menos aleatória. Qual resto? Ora adeus, os doze trabalhos de Hércules, ou se preferir os quatro de Psique. Pronto os dezasseis trabalhos e não se fala mais nisso! É que por fora temos que continuar crescidos, responsáveis e assins, para trazer a felicidade-terror para onde ela não cabe, que é o único sítio onde ela deve estar: dentro de casa.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Marley & Me







A dog has no use for fancy cars, big homes, or designer clothes. A water log stick will do just fine. A dog doesn't care if your rich or poor, clever or dull, smart or dumb. Give him your heart and he'll give you his. How many people can you say that about? How many people can make you feel rare and pure and special? How many people can make you feel extraordinary?













Desenganem-se os que pensam que Marley & Me é "apenas uma comédia", ou "mais uma comédia". Não é apenas nem mais uma. Desenganem-se aqueles que pensam que o melhor deste filme é arrancar umas boas gargalhadas às custas de todo o Inferno causado pelo Marley aos donos. O "pior cão do mundo", ou "cão em saldos", como eles próprios o designaram, é portador de toda a desgraça inconveniente no pior lugar e na pior altura. Tudo isto acontece durante o filme e certo é que a gargalhada fácil surge, tal como o reconhecimento de uma relação e de uma vida que gira em redor de sonhos e planos por cumprir e realizar, tal como na casa e na vida de todos nós. Desenganem-se os que julgam que o Marley é especial, um cão especial, um cão excepcional, um amigo sem igual.

O Marley é apenas uma peça de um puzzle por vezes complicado, por vezes delicioso, ora fácil, ora infernal, chamado vida e, muito particularmente, este Marley lembrou-me todo o amor que senti e sinto e sempre irei sentir pelo meu "melhor/pior cão do mundo". O Marley lembrou-me que todos os cães são especiais e excepcionais e parte fundamental da nossa vida quando os amamos, pois são da família.

Para além de não ser apenas uma comédia, este filme obedece a um rigor de ternura inigualável, pois não é apenas um filme sobre cães ou apenas uma comédia, como disse no início. Eu nem sequer gosto de filmes com cães, acho-os sempre um exercício de ridicularização do animal em si.

É um retrato de toda a saudade e amor que um ser humano é capaz de sentir por um companheiro de quatro patas. É a demonstração inquestionável que existem laços fortíssimos entre um homem e um cão e a prova de que as relações interpessoais são sobrevalorizadas.

Acima de tudo, este filme fez-me lembrar porque gosto tanto de cães, porque sou "a dog person". Lembrou-me todos os motivos pelos quais sonho ainda em ter um cão e toda a vontade do mundo de ir buscar um cachorro e ensiná-lo, mas também, porque tenho tanta relutância em voltar a ter um, e não me refiro à destruição da mobília da casa.


Mais não digo.

O filme é excelente. Desenganei-me bastante com este Marley & Me. E fartei-me de chorar.


terça-feira, 14 de abril de 2009

Atenção: isto não é um post verdadeiramente lamechas




Sempre fui da opinião que se deve dizer às pessoas o que pensamos delas. Melhor, se gostamos delas, se as estimamos, se achamos que temos um papel importante nas suas vidas. Fazer juízos de valor e fundamentá-los, tendo por base um conhecimento real das suas acções e da sua personalidade. Criticar as pessoas é uma forma de as levar ao seu melhor, sempre pensei. Acima de tudo, dizer às pessoas o quanto gostamos delas, o quão importantes são na nossa vida, que as amamos, que fazem de nós melhores seres humanos, etc etc etc. De igual modo, não temer de vez em quando ter de mandar à merda essas pessoas. Assim, sem mais nem menos, quando elas merecem. Acima de tudo, aceitar o mesmo comportamento quando se nos é dirigido.


Sempre fui desta opinião. Depois, veio a vida e ensinou-me que isto não está errado, está até muito bem, mas não é válido para todos. Porque senão vejamos: nem toda a gente gosta de ser criticado e alvo de juízos de valor; nem toda a gente acha que terei (ou outra pessoa qualquer) o direito de criticar seja lá o que for; as pessoas não atribuem a mesma importância que eu lhes dou a elas, independentemente de estarem no top ten da minha preferência. Isto é o que a vida me tem ensinado. A percepção que temos dos outros é algo de inacabado quando esses outros não nos dão a verdade daquilo que são. Desculpabilizar-se aquilo que consideramos errado à luz de um afecto que só existe na nossa cabeça, ou de olhos de carneiro mal morto, é a maior estupidez que se pode cometer em detrimento de nós próprios, e de outros que estimamos, admiramos e valorizamos. Até porque depois o que levamos é um grande chuto no cu à menor contrariedade (leia-se crítica). Adiante.


As camadas de verniz caem sempre, por mais que essas pessoas jurem a pés juntos que gostam de nós, que nos admiram, etc etc etc. Portanto, nem sempre aquilo que parece, é.

Li este post e concordo inteiramente, naquilo que me é dado aceitar interiormente, como pessoa que sou e sabendo aquilo que sou, afirmando aquilo que sei sentir por quem me rodeia. Às vezes também me engano e reconheço que me enganei. Os afectos podem passar por gostar mais de mousse de chocolate do que de baba de camelo, e aquilo que eu pensava que era um afecto incondicional com duas faces, deixa de o ser quando me apercebo que mais do que está em causa, é por vezes, aquilo que fica em jogo quando o outro se sente atacado pois não entende o que foi dito. A grande maioria das pessoas tem uma baixíssima auto-estima, e não quer aceitar uma crítica ao mesmo tempo que grita a plenos pulmões que quer sinceridade e transparência. A amizade para estas pessoas clama por aprovação, nem que andem a comer merda às colheres.

O ser humano é o maior cão do diabo se o pretender ser. Não existem pessoas completamente boas nem completamente más. Existem as chamadas zonas cinzentas por onde juízos de valor e afectos andam de mãos dadas e cruzam-se em escadas rolantes. Por vezes, apenas se cruzam e seguem caminhos opostos.


Exemplos disto temos todos nós nas nossas vidas, todos os dias: os colegas de trabalho que cravam facas nas costas enquanto se riem para toda a gente, amigos que deixam de se relacionar porque não gostam da cara-metade do amigo, amigos que não aceitam críticas, amigos que têm blábláblá mas que na pior hora não nos atendem sequer o telefone, etc etc etc. E a dada altura das suas vidas, acredito piamente que se juraram amizade eterna, ou que disseram que adoravam mesmo trabalhar com aquela pessoa. Eu sei, já me aconteceu a mim, um pouco de todas estas situações. O melhor é seguir caminho, com algum amargo de boca, num sorriso algo forçado. Para além de tudo isto, as pessoas crescem, as pessoas mudam todos os dias, e acompanhar esse crescimento é muitas vezes difícil. Se as pessoas não mudam, as suas vidas com certeza que sim. Talvez por isso, amigos de infância deixam de sê-lo.


Não é fundamental dizer-se a alguém, a um amigo, que o "amamos".


A autenticidade não reside nas palavras, escritas ou ditas, mas sim no valor que sabemos que essa pessoa tem para nós e nós, para essa pessoa. O resto é um big big bullshit. Vivemos dias em que toda a gente quer cultivar a palavra amo-te e adoro-te e acaba por não ser nada daquilo.

O amor anda subvalorizado nos dias que correm, mas as palavras andam na boca de toda a gente. Tenho uma grande amiga que lhe chama leviandade, o "adoro-te" a toda a hora. Tenho uma outra que admite que não é pessoa que goste de ter grandes demonstrações de afecto. Eu gosto de demonstrações físicas de afecto, abraços e tal, mas só os dou a quem os quer receber, e só àqueles de quem realmente gosto. Não sou de dizer "amo-te" e "adoro-te". Se algum dia o disse a alguém, é porque o senti realmente, sabendo que não existem estradas sem retorno. Como disse antes, também eu me engano.


As pessoas, em geral todas, sabem sentir quando são importantes para alguém, ainda que a outra pessoa não o tenha dito, tal como sabem distinguir quando não o são, muito embora a outra pessoa afirme a pés juntos que é uma "grande amiga de x".


Por isso, não é grande pecado amar-se alguém, gostar incondicionalmente de uma pessoa sem nunca lho ter dito. Não existe urgência na demonstração verbal dos afectos. Não quando as pessoas se conhecem verdadeiramente, não quando sabem os demónios interiores que ocupam determinados espaços na vida de cada um.




p.s.: dedico este post aos amigos a quem nunca disse que os amo. ehehehehe. eles sabem quem são.



sábado, 28 de março de 2009




Regras Essenciais para uma Boa Amizade


Os homens assemelham-se às crianças, que adquirem maus costumes quando mimadas; por isso, não se deve ser muito condescendente e amável com ninguém. Do mesmo modo como, via de regra, não se perderá um amigo por lhe negar um empréstimo, mas muito facilmente por lhe conceder, também não se perderá nenhum amigo por conta de um tratamento orgulhoso e um pouco negligente, mas amiúde em virtude de excessiva amabilidade e solicitude, que fazem com que ele se torne insuportável, o que então produz a ruptura. Mas é sobretudo o pensamento de que precisamos das pessoas que lhes é absolutamente insuportável: petulância e presunção são as consequências inevitáveis.

Em algumas, tal pensamento origina-se em certo grau já pelo facto de nos relacionarmos ou conversarmos frequentemente com elas de uma maneira confidencial; de imediato, pensarão que nós também devemos ter paciência com eles e tentarão ampliar os limites da polidez. Eis porque tão poucos indivíduos se prestam a uma convivência íntima; desse modo, temos de evitar qualquer familiaridade com naturezas de nível inferior.

Contudo, se esse indivíduo imaginar que é mais necessário a nós do que nós a ele, terá como sensação imediata a impressão de que lhe roubamos algo. Tentará então vingar-se e reaver os seus pertences. O único modo de desenvolver a superioridade na convivência com os outros é não precisar deles de maneira alguma e fazê-los perceber isso. Consequentemente, é aconselhável fazer sentir de tempos em tempos a qualquer um, homem ou mulher, que podemos muito bem passar sem ele. Isso fortalece a amizade.

Para a maioria das pessoas, não é prejudicial se, de vez em quando, adicionarmos uma pitada de desdém na nossa atitude para com elas. Atribuirão tanto mais valor à nossa amizade: Chi non estima vien stimato [Quem não estima é estimado], diz um fino ditado italiano. Se, todavia, alguém nos é de facto muito valioso, devemos ocultar-lhe essa conduta como se fosse um crime. Ora, semelhante atitude não é agradável, mas é verdadeira. Os cães quase não suportam uma amizade excessiva; os homens, menos ainda.


Arthur Schopenhauer, in Aforismos para a Sabedoria de Vida




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Em Coimbra há um velho hábito de ostentar, nas pastas de estudante, oito fitas da cor do respectivo curso superior - não Sara, não vou falar dos anéis de curso (you wish!) - em que cada uma delas corresponde a: pais, irmãos, restante família, namorado/a, professores, colegas e, claro, amigos. Nessas fitas, os quartanistas (alunos do quarto ano do seu curso) deverão dá-las a todas essas pessoas das suas vidas, de forma a deixar umas palavras escritas nas fitas e devolvê-las à proveniência (pasta do estudante). As fitas são presas com uns colchetes e são a insígnia marcante antes da terça-feira do Cortejo da Queima das Fitas, altura em que os quartanistas deixam de usar a pasta para passar a usar a cartola e a bengala da cor do curso.

Tenho uma infinita pena de ter perdido a minha pasta e as respectivas oito fitas, nas quais constavam os vaticínios de familiares e amigos, os juízos, as honras, as palavras bonitas e algumas mais sérias e sentidas. Algumas piadas também, tal como as críticas à personalidade marcante do meu ser, com tudo o que isso tem de bom e de mau. A forma como marquei e o enorme orgulho de tantas assinaturas importantes daquelas pessoas tão maravilhosas que ainda hoje fazem parte da minha vida. Coimbra não me deu apenas um canudo, deu-me a oportunidade de conhecer mundos e pessoas fantásticas. Tive o privilégio de compartilhar espaços e tempo com essas almas, alegrias e tristezas, confidências e, acima de tudo, de me tornar uma pessoa melhor e mais completa. Sem as críticas, sem as observações, sem as chamadas de atenção, sem o olhar reprovador de tantos e bons amigos não me teria tornado quem tornei. Acima de tudo, sem a galhofa, sem os abraços, sem os beijos, sem os elogios, sem a aprovação, não seria a mulher que sou hoje.

O ego fortalecido não impede que demos mais marradas, não impede de nos sentirmos muitas vezes na merda, e não impede de fazermos asneira atrás de asneira, mas impede-nos de fazer o mal gratuitamente e impede-nos de achar que o que está acima transcrito seja, de alguma forma, verdade.

Não foi isso que os meus amigos me ensinaram, não é isso que ainda hoje me ensinam. Bons amigos não são cúmplices nas asneiras e porcarias que fazemos, são antes a voz da nossa consciência razoável, livre e que respeita a liberdade do outro.

Não existe esse conceito de "amizade excessiva".
Não no meu dicionário.


segunda-feira, 2 de março de 2009

Os sonhos e projectos da nossa vida anterior





Faça você também Que
gênio-louco é você?
Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia





É incrível a capacidade que o ser humano tem de se reinventar, separando o trigo do joio. Explico: tudo o que achávamos que sempre nos acompanharia, como um plano secreto e divino, infalível e seguro, pode dar, por vezes, lugar a outro sonho que acompanha a nossa própria mutação/metamorfose ao longo dos dias. A teimosia de nos repetirmos até à exaustão algo que desejamos para nós, mas na certa previsão da impossiblidade de alcançar o "sonho", apenas poderá dar lugar a algo que já não tem razão de existir. Provavelmente, nunca teve. Pode dar lugar ao vazio e à clara percepção de que "it wasn't meant to be", à desistência, ao abandono. A partir daí, pode ser a frustração total ou a tal capacidade de reinvenção. Vermos mais além, vermos o todo, "the all picture".




O comodismo das facilidades do nosso século novo permite-nos, muitas vezes, não discernir o que pode ser uma meta de realização pessoal, pois nunca há tempo para pensar no que fazemos e se nos faz realmente felizes. Muitas vezes, entre a segunda-feira e o domingo passa-se uma semana feita de um quotidiano sem margem para loucuras e a rotina instala-se em semanas todas elas iguais. Pessoas que vivem a mesmíssima história todos os dias da sua vida, sem nunca saírem do seu lugar, sem andarem nos sapatos de outros, sem se darem uma oportunidade real de viverem a plenos pulmões. De fazerem o que querem, de cumprir sonhos, de amar incondicionalmente, de se olharem ao espelho e gostarem do que vêem.




Da capacidade de se conseguir ver algo que esteve sempre presente, mas que nunca foi muito óbvio, apenas depende de cada um. Algo que pode ter estado sempre à nossa frente, mas nunca declarado. Algo oculto apenas permitido num momento de pura lucidez, num rasgo de loucura, numa antítese deliciosa entre o real e o sonho.

É um exercício, ele próprio, de busca, de fé, de se saber um pouco louco e um pouco sábio, de se dar o benefício da dúvida, de conseguir perceber o que se quer, afinal.


Isto pode ser válido para o sonho de uma vida em prol de uma carreira, pode ser válido para uma grande paixão, pode servir para a mudança que se impõe a partir de dada altura, pode ser o motor de arranque de forma a valorizar os aspectos mais importantes da nossa vida, pode ser o encararmo-nos no espelho e gostarmos daquilo que vemos.



E pode acontecer a qualquer momento, a qualquer idade.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Amizade Pronta-a-Usar

O que é que o Facebook tem que o Hi5 não tem?

A pergunta é legítima e impõe-se, pelo seguinte: eu não sei o que é o Facebook (não sei mesmo) e pode até ser por preguiça minha, por sempre esquecer-me dos endereços de mail atribuídos, das passwords, por ter apagado todos os convites de amigos que estavam à minha espera no Facebook (deixa-os estar, pensei eu) mas, acima de tudo, por já ter aderido há mais de três anos ao Hi5 e pensar que seria desnecessário ter duas páginas na Internet com a minha vida lá escarrapachada. A minha vida não é assim tão interessante para o resto do mundo. Para além de tudo isto, ter dois Blogs dá água pela barba e se o Beautiful Losers fosse um tamagotchi, já tinha morrido de sede, de fome, de falta de atenção e de frio. De igual modo, não aderi ao myspace, dado que as minhas telas são muito tímidas e as minhas letras, se dignas de figurar num qualquer espaço virtual, têm aqui o seu lugar no Blog.
Não me considero uma info-excluída, mas não tenho tempo nem pachorra para muito do que diz respeito à Internet. Gosto de ler uns quantos Blogs por aí espalhados, tendo descoberto alguns muito recentemente que fazem parte das minhas leituras matinais e que são uma lufada de ar fresco nos meus dias. Bem-dispostos, cheios de humor, alguns desumores e amores. Bons Blogs. Num deles, descobri isto e daí o mote para este post.
Isto, porque algumas das minhas pessoas preferidas da minha vida supostamente real (às vezes suspeito que estas minhas pessoas preferidas não sejam produto da minha imaginação, confesso) não aderem nem aderiram nunca ao Hi5 por acharem que aquilo tem ambiente de engate, é a palhaçada total, uma orgia virtual. São as mesmas pessoas que aderiram ao Facebook, dizem que é muito mais cool e tal e tal. Eu fiquei na mesma. No Hi5 não existe depravação (a menos que eu queira), não existem convites badalhocos (a menos que eu queira) e ninguém devassa ou faz revelações da minha vida privada (a menos que eu queira).
Por ingenuidade podemos cometer algumas indiscrições da nossa própria vida, num primeiro momento ou num contexto de novidade daquilo que são páginas pessoais, divulgadas na Internet. No entanto, aprendemos. Eu própria aprendi a conhecer os limites daquilo que considero ser do foro público, e aquilo que deve permanecer privado. Seja de que natureza for esse conteúdo. Há tesouros que por considerarmos preciosos, guardamo-los para nós e para aqueles que achamos que os vão, de igual modo, resguardar como seus. Há coisas que não cabem num mundo virtual e há espaços de comunicação que foram ficando para trás, dos dias de antigamente, de um tempo em que atender uma chamada em casa era uma incógnita. Simplesmente, não sabíamos quem estava do outro lado. Uma amizade demorava anos, era uma descoberta a fazer com calma, entre um copo e uma conversa interminável, e os interesses em comum eram uma surpresa muito especial, as músicas e os livros preferidos, onde se tinha tirado o curso ou os pensamentos de cada dia, as angústias e os sonhos de uma vida.



Resta saber se o Hi5 ou o Facebook suprimem toda a solidão da raça humana resumida a fotografias e interesses. Resta saber se o conceito de amizade tal como o conhecíamos irá desaparecer e dar lugar a uma nova geração feita de miúdos que apenas se rotula e se conhece pelo facto de ter os mesmos interesses em comum. Se sou o que sou hoje em dia, a muitos amigos com interesses díspares dos meus o devo, e se fosse apenas relacionar-me com pessoas que tivessem os mesmos que eu, provavelmente hoje seria alguém muito mais pobre, no que teria perdido uma fortuna imensa de pessoas que gostam de coisas que eu detesto, mas que são seres humanos completos naquilo que são por dentro e naquilo que me deram a conhecer e aprender.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

That's what I call COURAGE

A propósito da modorrenta e bafienta opinião da Igreja, que se alimenta de toda uma máquina homófoba em que até os mais "modernos amigos dos gays" por vezes fazem piadinhas com muito pouca piada, pouco há a acrescentar. Não me choca ou surpreende e já nem sequer enraivece ou entristece como há uns anos. Eu, ateia profundamente convicta, me assumo. Não sei qual seria a opinião de Jesus Cristo sobre a matéria, mas desconfio que seria parecida com a minha.

Não sei o que entendem por "criança normal" ou "relação normal" ou até mesmo "vida normal" ou o que raio é necessário fazer ou dizer para que o Amor seja entendido como algo que não cabe dentro de parâmetros generalizados e estereotipados. Para que algumas mentes se abram e percebam que as ditas "famílias normais" compostas de pilinha e buraquinho foi chão que já deu uvas e muitas são estranguladoras assassinas das próprias crias. Crianças que nascem mal criadas, mal compreendidas e mais grave, mal amadas.

Num mundo onde vejo a cada dia que passa mais e mais hipocrisia, raiva, desprezo, onde palavras como Amizade, Solidariedade e Respeito e Consideração pelo próximo não passam de palavras que cada um defende onde lhe fica melhor: nos edifícios da Igreja, nos escritórios onde trabalham, nos bares onde engatam, nas casas que habitam, nos casamentos acabados que defendem, nas mentiras que contam.

Num mundo que teima e urge em mudar, somos nós que temos a obrigação de o empurrar e empunhamos essa bandeira da mudança para um Mundo melhor, onde não hajam diferenças na construção de algo mais bonito. Na defesa do Amor.




"Fidelity": Don't Divorce... from Courage Campaign on Vimeo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Pai





Pois. Hoje não é dia do pai nem nada que se pareça. Nem sequer é o dia do seu aniversário, para além de que o meu pai não sabe que tenho um Blog. Talvez por isso saiba ainda melhor esta pequena homenagem clandestina, secreta. Há alguns segredos que apenas se revelam à alma e ao mundo, pois os seus destinatários sabem-no interiormente. Talvez eu seja mesmo uma daquelas pessoas que partilha os seus segredos com estranhos, embora este espaço já tenha sido mais confortável em tempos idos, onde todos éramos, de facto, estranhos. Talvez eu chegue à conclusão que afinal somos todos muito mais estranhos (no inglês strangers) do que pensei, na medida em que as pessoas têm atitudes estranhas e é necessário muito mais do que um Blog para nos conhecermos realmente bem. Existem muitas mensagens escondidas nas entrelinhas deste Blog e talvez as maiores sejam mensagens de Amor e dedicação, e nalgumas, as pessoas nunca chegam a percebê-las ou sequer a lê-las.

Quanto à afirmação explícita na mensagem, eu não sei se ajuda, de facto. Sempre fui daquelas miúdas com uma ideia de pai equivalente a super-herói e depois veio uma adolescência tremendamente complicada que deitou por terra o mito, a comunicação, e instalou-se uma espécie de amor/ódio da qual nada me orgulho. Foram tempos difíceis. O meu pai é um homem do antigamente século passado e tivémos momentos muito difíceis na denominada fase do armário aka parvoíce de adolescente aka rebelde sem causa, a par de uma anormal situação de doença familiar que agravou o estado emocional geral da família. Mortes à mistura. Muita coisa triste.

Sobrevivemos, à custa de algum auto-controlo e muito bom-senso, pelo que superámos o que naturalmente havia a superar. Aproximámo-nos lentamente. Chegámos até ao hoje, e o hoje é de uma amizade muito bonita. Definível por diversas palavras, sendo a maior, confiança. E quem me conhece sabe que não é difícil ganhar a minha confiança, sendo ainda mais fácil perdê-la. Normalmente, não olho para trás se a perco, e se a perco é de vez. Nisso sou mais como a minha mãe, mas isso dava outro post.

Descobri este site no Blog da Ana e confesso que chorei. Chorei muito. Confesso que tive uma tremenda saudade do meu pai naquele momento e confesso que sorri e tenho um profundo orgulho em ser filha daquele pai tão louco e tão severo e tão aventureiro e tão pai que ele é.


Meu pai.




Obrigada, Ana.


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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Revolutionary Life










John Givings: Hopeless emptiness. Now you've said it. Plenty of people are onto the emptiness, but it takes real guts to see the hopelessness.

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April Wheeler: Tell me the truth Frank remember that? We used to live by it. And you know what's so good about the truth? Everyone knows what it is however long they've lived without it. No one forgets the truth Frank... they just get better at lying.





Mais um filme de Sam Mendes. Mais um belíssimo filme de Sam Mendes. Poderia falar nas semelhanças que este filme tem com American Beauty, na medida em que é mais uma película que fala da (des)ilusão do sonho americano, de americanos que sonham com a Europa, como se nela viessem encontrar a resposta para todos os seus problemas. Poderia perder-me nos mil e um detalhes que o filme tem, nas suas particularidades, da fotografia lindíssima, do fenomenal desempenho da brilhante Kate Winslet, do espalhafatoso miúdo armado em "actor dramático" Leonardo DiCaprio, da fabulosa Kathy Bates e acima de tudo, um Michael Shannon no seu melhor. A surpreender. Poderia falar no poder dramático do filme, em como a visão irónica, dramática e até porque não(?) ingenuamente romântica, usual de Mendes pendeu desta vez para algo mais pesado e difícil de digerir. Poderia estar aqui durante horas. Não o irei fazer.
Hoje é dia dos namorados e este é um filme perfeito para se ver com a cara-metade. Levanta-nos questões pertinentes como a falta de verdade das nossas vidas, quem somos, quem já fomos, as mil e uma formas de "crescermos juntos" e até onde queremos AINDA ir. Reforço a permissa adverbial pois penso ser a questão fulcral do filme e porque não, das nossas vidas supostamente "reais". O caminho que nos leva a algum sítio não é mais importante que o rumo e as escolhas a tomar no caminho que queremos seguir. Nunca é tarde para se seguir por um atalho.
Não tenho a presunção de me achar mais verdadeira do que seja quem for, os meus conselhos no campo amoroso são uma treta e não tenho fórmulas secretas para "vencer na vida", mas penso que cada um de nós encontra a sua fórmula secreta e vê-se ao espelho como vencedor ou perdedor de algo ou de alguém ou de alguma coisa. Todos, a determinada altura da nossa vida, podemos considerar que em todas as escolhas que fizémos, umas foram as mais acertadas e outras as menos acertadas, mas nenhuma foi a CERTA, pois em todas elas perde-se sempre algo pelo caminho. Em última instância, somos todos "perdedores". Definimos prioridades e agimos de acordo com elas. O resto é apenas ilusão, e muitos de nós repetem-se ao espelho que estão no caminho certo, fazem o controlo de danos mas não controlam coisíssima nenhuma enquanto essa gestão de prioridades não estiver bem assente. A carreira? O amor? Qualquer coisa pode ser digna de ser entendida ou vista como uma prioridade. O resto gira em redor disso mesmo.
Quero com isto dizer que não, eu não acredito que toda a falta de verdade deixasse de existir ou todo o amor por ressuscitar surgisse naquela (a do filme) ou noutra relação (que não seja num filme) apenas porque teriam fugido para Paris ou para a China ou para outro sítio qualquer. As merdas feias como a falta de verdade na vida, no amor ou no trabalho, as desilusões acumuladas ou o ódio latente por algo ou alguém perseguem-nos para onde quer que vamos. A geografia não nos muda a mente nem o coração, muito menos a alma se estiver já vendida ao Diabo. Não se pode culpar alguém por querer fazer melhor, por tentar, por ter a ilusão de que se pode salvar algo que esteja de antemão perdido, mas é apenas uma ilusão. Os atalhos que tomamos e decidimos a qualquer altura da vida devrão ser verdadeiros, não ilusórios.
Poderia dizer que o filme acabou mal. Mais importante, é saber que o filme já começou "mal". Não existem finais felizes para histórias perdidas, com tanta fealdade à mistura. Tanta falta de Amor.




****Numa altura em que considerei mudar de profissão, este filme veio mesmo a calhar. Talvez eu tenha muito mais de Frank do que aquilo que gostaria de admitir, mas a April que vive cá dentro impele-me a perseguir sonhos que permanecem por cumprir. Adverbialmente, AINDA por cumprir.
Numa altura em que sinto que já perdi tanta coisa na minha vida, em todos os momentos em que me sinto fraquejar, em que derramo lágrimas de saudade e de frustração e porque nem sempre ter uma relação feliz é sinónimo de "estar tudo bem", dedico este post à minha cara-metade, que sempre me tem feito sentir que vivemos a nossa verdade, quem tanto amo, e que todos os caminhos tortuosos me fizeram chegar até aqui, até ele.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Yesterday Tomorrows




A ideia de ver um concerto de Tindersticks, nesta altura da sua longa carreira, em que se chegou mesmo a pensar que o Stuart "tinha feito as malas", num timming perfeito a par de uma fase estranha na minha vida, em que ainda não "recordo os bons velhos tempos" ou a "música do meu tempo", em que era uma das bandas que mais ouvia em Coimbra, nos meus "verdes anos", das alturas de cor de corno e dos supostos males de amor, faz e dá que pensar que o espectáculo é longo, que tudo isto não passa de uma piada de mau gosto que nos contaram quando nos disseram que "um dia vai ser mais fácil".



Nunca é fácil. Talvez seja para alguns, mas nunca o será para mim.

Ouvir Tindersticks ontem à noite não foi fácil, porque para além de superar todas as expectativas de alguém cínico como eu, sempre à espera da grande falha e da desculpa para a grande desilusão, o murro no estômago foi muito forte.
Não é de música que se trata, é da própria vida a acontecer, e da manifesta premonição de tudo o que é ainda novo, de tudo o que ainda nos faz sofrer. A lembrar-nos que não há espaço para haver um passado enterrado num tempo, e que o amanhã pode bem desenterrar-nos lágrimas ao som destas músicas, que o presente não é nem estará acomodado.


Um concerto que me lembrou que pior do que se ser nostálgico, é viver a vida e a música que a acompanha a cada dia que passa. A cada lágrima que cai. A cada "tiny tear" que se perde.





























then it turned down down my feet
and the buildings and trees live with the wind
left me standing in a courtesy to scream
when i was stranger to everyone
and everyone was a stranger to me

if i could touch you down
and tell you all the things i never said
of how you hid those tears away from me
like i couldn't hear

for i loved you through this wilderness
i loved you through the shit
i loved you through the best times
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and from the other side of the world

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009










Sempre que me lembro da palavra amizade, lembro-me desta noite, desta imagem, desta amiga. Por tudo o que nela encerra, por todos os ingredientes que dela fizeram parte, por tudo o que somos e podemos ter a liberdade de poder e querer ser, sempre que falamos uma com a outra. Um sentimento que é muito mais do que de confiança, ou de pertença ou até mesmo a partilha de pormenores aparentemente insignificantes das nossas existências por alguém qualificadas de "dramáticas". A nossa vida dava um filme, é certo, e já levamos uns anos disto. Não é apenas por isso que a amizade personificada é esta imagem e esta amiga em concreto. Não é apenas a tal sensação de nos podermos identificar em gostos musicais, literários ou até por termos trocado roupas e maquilhagem quando éramos umas miúdas, até porque nem isso acontece ou aconteceu e as roupas, a maquilhagem, as músicas etc não passam de breves testemunhas do que somos num determinado tempo e espaço e de meros acessórios que perfazem um plural complicadíssimo de se entender em mulheres como nós. Nem sequer temos personalidades iguais ou maneiras de estar na vida parecidas. Os nossos signos são diferentes/complementares numa dicotomia Carneiro/Balança extraordinariamente macabra e rocambolesca e já marrámos de frente muitas vezes. Esta imagem condensa momentos, para mim, menos poéticos de "a tua consciência está mais suja que a água desse balde" ou "escusas de estar com a pose de rebelde sem causa". Agora já nos podemos rir, mas ainda me lembra sempre aquele momento crucial de quando, nos desenhos animados, se abre uma brecha no chão que estala e o coiote tem uma perna em cada lado do precipício que se estende até ao fim, e os olhos muito abertos de frente para a câmara. Aquela já fui eu, e podia ter sido mesmo o fim. Acima de tudo, condensa coisas como cacifos partidos, loiça por lavar, sapatos por passar a ferro, noites míticas em Coimbra, Buraco Negro, ouvir Shakira para não desabar a alma, telefonemas intermináveis e conversas a perder o rumo. Nunca encontrámos a chave da verdade e não sabemos o sentido da vida, talvez por isso os telefonemas sejam ainda tão longos.

Sempre que me lembro da palavra amizade lembro-me automaticamente do seu nome, do seu mau feitio a descasar com o meu e dos anos fantásticos que temos vivido. Acho que chorámos mais do que rimos, a bem dizer da verdade, e tantas foram as vezes que a quis proteger dos filhos da puta que lhe fazem mal como juro que foram ainda mais as que ela quis furar os olhos dos que me fizeram sofrer. A isto se chama Irmandade e não é a dos anéis. Só se for a dos anéis de curso. Sim, que isto de se ser moça brejeira e popular não tem nada a ver com ser-se fã de Moonspell. E foi a única pessoa que nunca perdi de vista no concerto do L.Cohen. A única que não faria perguntas desnecessárias ao ver-me chorar, porque é a única capaz de não me fazer sentir constrangida. "If It Be Your Will"...

Mais do que tudo isto e tudo o que posso colocar a mão no fogo pelo que somos, melhor define aquilo que sinto por ela é o sentimento de poder chamar-lhe Casa, Família e tudo o que nos faz sentir bem e confortáveis. Não há conversas calculadas nem sequer a curiosidade é assim tão grande ao fim de tantos anos, pelo que nos vamos surpreendendo com os tesouros que alguns trazem guardados para nós e limitamo-nos a sorrir na segurança de poder sentir que haverá sempre alguém que olha por nós, ainda que esteja longe.
Na Grey's Anatomy existe uma amizade assim. A Grey e a Yang. Elas dizem uma da outra "she's my person". Por mais que eu critique aquela série, tenho uma relação amor-ódio porque vejo estas coisas e aquilo até sou eu. Nós. Amizade. Ela é "a minha pessoa".


A amizade desta mulher resgatou-me muitas mais vezes do que ela própria calcula e estas palavras não são nada perante tudo aquilo que ela me vai ensinando ao longo do tempo. O seu coração não tem medida e a sua coragem e força são incalculáveis. E é por pessoas assim que tenho o maior orgulho em poder dizer no dia de hoje, que se sou o que sou, é também graças a elas, porque ninguém se faz sozinho, ainda que todos tenhamos a doce ilusão de que nascemos e morremos sós.

Hoje, e porque é Dia das Amigas (já sei, é lamechas e foleiro), a minha homenagem a ela. My person.



terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Recomeços

Há mais de dois anos foi assim:








...ou o culminar de laços e nós que se querem bem apertados.

é sempre difícil transcrever momentos que acabam por ficar bem marcados nas nossas cabeças, mais não seja porque "até não nos conhecíamos de parte alguma", e de alguma forma, lá nos encontrámos. trocámos olhares, vimos para lá das palavras e dos gestos em forma verbal que discorremos nestas linhas em forma de expressão comunicação sensação... ou porque a amizade também nasce assim.

... estava completamente fora do meu meio, os caos de todas aquelas vidas nada tinham a ver comigo de princípio, eu era simplesmente o peixe fora de água. sem referências. sem o meu ponto de gravidade. a geografia demarca-nos o limite, muitas vezes até mesmo do coração. curiosidade tremenda aliada a uma falta de expectativa, própria de quem tem muito mais à sua espera, própria daquele pequeno nada indicador de último recurso
"terei sempre o resto... as palavras... a vida lá fora"

... os rostos saíram da sombra, da penumbra desenharam-se os contornos feitos de luz, de aura, de encanto, de sorrisos, de gargalhadas, todos abraçados e entrecruzados com nós de gravatas, tentáculos de polvo e sei lá que mais. como em todas as situações, o risco, o limite por vezes até da paciência mortal tão à beira do fim, encontrávamo-nos inexplicavelmente unidos e transportámos a realidade sem rede para o espaço comum. a solidão é algo de tramado e lidarmos com quem não "conhecemos" é termos de passar obrigatoriamente pela nossa própria solidão humana de contacto. por nós próprios, pela nossa coerência, pelo nosso carácter.

... começou à beira do tejo. acabou à beira do tejo. pelo menos, para este peixe que olha o reflexo da água com a saudade própria de quem deixa parte do coração dentro do rio. dentro de cada um daqueles com quem mais se identificou, porque nestas coisas não há, nem tem de haver hipocrisias. basta que todos tenhamos um pouco de cada um dentro de si, filhos dum caos, produtos inacabados da solidão da moderna forma de nos deixarmos prender pelo nó duma gravata. ou de um sorriso.

nota de autor(A): até hoje não sei bem responder à pergunta que alguns fazem agora que regresso ao verbo, que regresso ao sul. como correu? não sei definir nem traduzir o conceito de sucesso ou de fracasso para estas horas, nem sei sequer como é possível que alguém parta com um saco para ficar 3 ou 4 dias e acabe por ficar mais duma semana. foi bom poder estar ali, mas é bom voltar a este lugar de todas as decisões. porque agora sim, há que definir os rumos incontornáveis, continuar a jornada, retirar as conclusões, prosseguir caminho ao sabor da loucura, do momento eterno que trago comigo, encerrado num par de raios de sol que se espelharam nas primeiras horas de madrugadas novas. algo de novo nasce... algo de muito bom.




Dois anos depois............



...das duas uma: ou estou a perder qualidades e o Atlântico fez-me mal à cabeça, ou muito se perdeu pelo caminho. Melhor, se transformou, pois a velha máxima de Lavoisier continua a ser permissa válida neste (e noutros) Blog(s) da minha autoria. Acima de tudo, outras máximas e teorias serão válidas: a do funil, a da demência, ou a de Cohen, aquela em que crescemos velhos e amargos. Seja. Bitterness. Não sei. Tenho saudades de algumas daquelas pessoas que estiveram naquele jantar, de pessoas que estiveram no Incógnito, de outras tantas, nem por isso. Alguns nicks ganharam forma, algumas letras passaram a corresponder a rostos e, até hoje, algumas dessas almas fazem apenas parte da memória daqueles dias em que se blogava, se trocava opiniões, risos e endereços de msn. Algumas caíram na saudade, outras caíram no esquecimento. Algumas ainda talvez passem pelo Psicologias da Treta, outras não. A grande maioria dispersou, como é natural quando as relações não estão cimentadas e naturalmente, seguem o seu curso até à avenida onde não passamos todos de maus vizinhos do mesmo prédio.

Nem tudo fará parte duma vasta maioria, e são essas poucas almas que ficaram e permaneceram na minha vida. É dessas que reza aquilo do qual se continua uma história, que fizeram valer a pena continuar a escrever porque é, muitas vezes, mote de conversas na nossa vida real, e não virtual. Vida real. Daquela em que se pega no telefone sem hora marcada, que se fala sem contrangimentos, e passaram a fazer parte da lista dos necessários, almas sem as quais não consigo passar. O Guronsan chamou-lhes, recentemente num post, "pólos positivos". A Sofia e a Ana são "pólos positivos", sem as quais não imagino a minha vida. São duas irmãs para mim, são duas mulheres que admiro profundamente, de quem gostarei até morrer.

Houve quem, por portas travessas, afirmasse que eu "tenho a mania que sou poeta e que sei escrever" e outras coisas que tais. Reconheço que tenho muitas manias e a maior de todas elas é que não sou (falsa) modesta ou hipócrita. Em suma, sou uma "perfeita convencida de merda". Não tenho objectivo profissional nenhum com a "minha escrita", ou com este blog, isto apenas servirá para mostrar aos meus netos o que o acordo ortográfico fez com a língua e aquilo que a avó deles achava da vida quando era uma miúda à beira de um colapso nervoso. Adiante. Tenho as minhas ideias demasiado cimentadas para me importar com quem não conheço, ou com a opinião de x ou y. Não o faço com aqueles que mais considero, portanto não seria de esperar que fosse pessoa de querer agradar seja lá a quem for. Penso que ninguém pode ser feliz ou sentir-se realizado ou ser mais respeitado quando está mais interessado naquilo que os outros pensam. Talvez a mania que mais tenho é de me ir surpreendendo com as pessoas, seja pela positiva seja pela negativa. Nas últimas semanas, houve quem me tivesse desiludido terrivelmente (quando ainda me conseguem surpreeender pela negativa é bom sinal, como diz a Ana) e houve quem me tivesse surpreendido bastante pela positiva. Ainda que com pequenos gestos, a Iara surpreendeu-me pela positiva. Utilizo o seu nome próprio e não virtual ou fictício de Blog, pois considero-a uma pessoa real, alguém que esteve presente naquela noite, alguém que tem os seus problemas (como toda a gente), tem as suas virtudes e defeitos, alguém que merece ser ouvido, que tropeçou em mim e eu nela, e o nosso início não foi o mais positivo. Pode ser com pequenas coisas, com detalhes, mas eu sou assim mesmo, e a atitude que a Iara teve não é a de qualquer pessoa ou que qualquer um tenha nos dias de hoje: foi humilde, foi humana.

Quase três anos depois daquele primeiro encontro, apostaria mesmo que no próximo Verão talvez nos vejam numa esplanada perto do Tejo, com três ou quatro ou cinco imperiais à frente em dois dedos de boa conversa. Quem sabe, um outro jantar no Gravatas(?)

É que eu tenho esta mania de ainda gostar de me surpreender. E de recomeços.


"Let's Sing Another Song"...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Alguém falou em Nostalgia?


Na imagem, Cândido Mota, Pedro Rolo Duarte e Joaquim Letria, no programa Canal Aberto.
A fotografia foi roubada daqui.
Corria o ano de 1997 e nas janelas vidradas que davam para a 5 de Outubro, alguém mostrou o rabo, colando-o ao vidro e fazendo jus à expressão "geração rasca".
Bons tempos, esses.
Hoje em dia já ninguém mostra o rabo a ministro nenhum.
Isto, sim, é nostalgia.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

"Dá-me o ideal"







Não, não é uma homenagem à música dos extintos Ban, a banda do então imberbe e muito pró-idealista-artístico-liberal João Loureiro.

É de pessoas ideais. Homens ideais e mulheres ideais. O nosso ideal de mulher e de homem. Existem? Ou serão um produto da nossa imaginação? A resposta já todos a sabemos: não existem. Então se não existem, porque raio vamos todos bater na mesma tecla? Por que raio, já que é um tema recorrente, perseguimos perfis e imagens de um ser que apenas existe no nosso imaginário, mas que nunca se assemelha àquilo que realmente é?

O tema é recorrente e batido e é também aquilo que designo de chacha. Insistimos sempre na velha teoria que o mundo é que está todo ao contrário e nós é que estamos certos, mas levamos a puta da vida toda a morrer de amores por alguém que não está nem aí para nós. Já me aconteceu a mim, a si, que lê este magnífico post e a toda a gente (quase todos, vá) que eu conheço. Será que é o mundo que está ao contrário ou seremos nós e os nossos (pre)conceitos?

Olhamos para alguém, por algum motivo achamos que é mesmo AQUELA pessoa a nossa alma gémea, a outra metade da laranja, o chinelo do nosso pé e a tampa da nossa panela, e se por alguma razão as coisas não se dão, é uma tragédia grega. Levamos que tempos a mentalizar-nos que não, ele (ou ela) é que não nos vêem, que não prestamos, que a vida é madrasta, que o amor não é para nós, que somos uns tristes e por aí fora. Se por outro lado, as coisas derem, mas não corresponder ao ideal que temos e aquilo acabar em três tempos, então a pessoa tem MONTES de defeitos! No fim de contas, aquele ou aquela que parecia perfeito, o amor da nossa vida, acaba por não ser nada do que pensávamos e acabamos por concluir que o amor não é para nós.

Ultimamente apercebo-me, em conversas com algumas das almas em constante desalinho e perturbação solitária, na sua demanda da busca da alma gémea, que as nossas ilusões são muito mais fortes e concretas do que julgamos. Achamos que a outra pessoa tem de gostar das mesmas coisas que nós, de fazer as mesmas coisas que nós gostamos de fazer e já agora, de ter a mesma atitude e forma de estar, quando na realidade, pode bem ser um negativo da imagem que somos.

Há quem persiga um ideal a vida inteira. As mulheres sofrem mais deste síndroma de Príncipe Encantado versus Sapo, choram mais a ausência de um ente amado e perfeito do que os homens, e talvez seja essa a justificação para tanto coração despedaçado no feminino. Os homens também romantizam demais as mulheres e as relações e atribuem-lhes qualidades que apenas existem em filmes, nas suas cabecinhas. Homens e mulheres idealizam demais, sonham demais, almejam demais quando na realidade todos somos demasiado diferentes. Num mundo onde a diferença parece ser um defeito, somos todos demasiado imperfeitos. Talvez fosse hora de nos começarmos a surpreender com aquilo que a vida nos traz, não numa perspectiva de "nos contentarmos com pouco", mas sim de que há riscos que vale a pena viver, abrindo e alargando os horizontes das nossas expectativas face aos outros.

P.S.: dedicado à rapariga que gosta de touros e que gostava de encontrar um príncipe montado num touro.

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...