::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Post da semana, quiçá do mês





[se é um cínico empedernido ou teve um grande desgosto recentemente, passe à frente; este post é verdadeiramente "crente"; felizmente, é a minha realidade.]





O RAIO! DO AMOR FELIZ...

Um amor feliz é uma coisa terrível. Mas há outro amor?, pergunta você que é uma criatura atenta e que não deixa passar uma vírgula - a despropósito, pode corrigir as vírgulas também, eu gosto. Não, claro que não! Essas melotretas do inferno em que, ou se morre de desgosto, ou se mata de ódio, ou se é infeliz para sempre, são da natureza que o próprio nome delas denuncia: desgosto, ódio ou infelicidade. Nenhum deles substantivos, pode ir confirmar com o tio Cândido de Figueiredo, é sinónimo de amor feliz e terrível. E toda a gente sabe que o amor só é amor se vier com a simetria felicidade-terror. São precisos sempre dois apaixonados um pelo outro, antropófagos de se comer um ao outro de beijos, de se querer comer um ao outro de beijos, de pensar em comer-se de beijos, e anda cá que és minha e anda cá que és meu, que stress a falta de títulos de propriedade humana!, cheios até aos olhos e transbordantes de para sempre e nunca mais, e tudo de ti e tudo contigo, mais a vergonha, que lixe!, de todos peganhentos, golinhos enjoativos de cocktail à hora certa, a toda a hora!, de minha querida, querido amor, dizia eu, são precisos apaixonados destes, dois, um pelo outro, muito, para ser amor. A felicidade é esta coisa terrível de se descobrir, afinal, batidas cardíacas siamesas, enquanto cada um malvado coração do outro anda arrumado no seu individual corpinho por onde quer e deve em vez de, ó mistério da ciência!, se ter quatro aurículas e quatro ventrículos todos colados num pavor de Frankenstein e só uma aorta para impedir separações. Ninguém no seu juízo perfeito quer um amor para ser infeliz para sempre, ou infeliz durante um bocadinho, ou mesmo só por agora. Toda essa infelicidade está disponível num monte de sítios diferentes e gratuitamente. Já a felicidade do amor terrível é mais arisca. Para além da questão científica dos corações não virem por junto e juntos, é preciso, em primeiríssimo lugar, que aconteça uma mesma mitológica, mas muito concreta, coisa em três versões. Logo três! Sorte, Fortuna e Fado. Ora isto provoca um abalo de agulhas no Instituto Não Sei das Quantas, aquele que às vezes aparece na televisão, que marca pontos na Escala de Richter, estala Fahrenheits e esfrangalha os nervos a uma pessoa enquanto não se sabe se os danos são recíprocos na coincidência sismológica e calorífica da cidade geminada! Ufa, que Sorte - a tal! - são! Seria, pensa um distraído, a felicidade, mas não!... É a Fortuna: no meio da desordem de mundo ao contrário, só se pensa, olha, ganhei o euromilhões dos beijinhos! Neste exacto momento, entra o sacana do Fado: ai, ai, se se tem pode deixar de se ter, se se é tão feliz pode-se deixar de ser, agora o que é que se faz? Ora eu, ao contrário da Júlia Pinheiro, sei tudo sobre o amor. Faz-se o quê? Nada nadinha! Só os malucos é que medem forças com as forças sobrenaturais, mais ou menos divinas. Depois é preciso que aconteça o resto. Que obviamente também é mito-concreto, mas felizmente numa só versão sincopada e menos aleatória. Qual resto? Ora adeus, os doze trabalhos de Hércules, ou se preferir os quatro de Psique. Pronto os dezasseis trabalhos e não se fala mais nisso! É que por fora temos que continuar crescidos, responsáveis e assins, para trazer a felicidade-terror para onde ela não cabe, que é o único sítio onde ela deve estar: dentro de casa.

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

Expresso

Publico.pt Última Hora

Visão

Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...