::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Publicidade e disfunção eréctil




Gosto do ar do gajo... primeiro todo ele é beijinhos e abraços, e de repente, muito friamente, trau!, nada! E ela "boa noite"... é impressão minha ou parece mesmo que eles não se conhecem?



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terça-feira, 26 de maio de 2009

Good girls go to Heaven. Bad girls go EVERYWHERE!

Na minha parca existência de já algumas décadas, constituída pelas aventuras amorosas "normais" e alguns acidentes de percurso, tanto próprias como de amigos e conhecidos, deparo-me com a cruel realidade: os homens são mesmo uns cães.


Esta afirmação assim a seco, prende-se apenas com a constatação de um facto: gostam de "levar no focinho". Quanto mais, melhor. São seres maravilhosos, é certo, toda a mulher que se preze (enquanto ser heterossexual, obviamente) tem de ter e exercer algum fascínio pelo sexo dito forte. É verdade que não passamos sem eles, faz parte da nossa condição. Talvez por isso, custe tanto verificar a premissa anterior, de que quanto pior uma mulher conseguir ser, quão mais afiadas as garras e os dentes, mais valor lhe será dado. Uma "gaja boazinha", sempre disponível e atenta não vai a lado nenhum. Uma lição que se aprende a cada dia que passa. A reter.








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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Exploração Sexual












Certas coisas exasperam-me, tais como a inveja mal digerida no feminino, que se traduz de duas formas: uma delas, é a crítica descabida do corpo da outra. Aquela criticazinha venenosa, com uma pontinha de azedume muito verde, da língua viperina sobre qualquer aspecto menos favorável do corpo de um outro espécime do mesmo sexo, faz-me revirar os olhos.




Fica mal, mesmo muito mal, a uma tipa absurdamente obesa ou absurdamente feia ou absurdamente desproporcionada atacar ferozmente o "nariz torto da Rita Pereira", as "ancas largas da JLo", o cabelo "tratado - e vê-se logo que está cheio de químicos! - da Beyoncé" ou as "rugas (é que tá cheia de rugas!!) da Bárbara Guimarães". Isto, meus senhores, é pura inveja. Se transferida para uma amiga ou uma colega de trabalho, pior ainda. É a p... da má-língua a reinar.



A outra forma, é abordar o assunto indirectamente, pelo ataque gratuito à publicidade, alegando que se faz uso abusivo/exploração do corpo da mulher para fins publicitários. "Coitadinhas das raparigas, ali assim tão expostas a vender um produto qualquer, com as mamas e o rabo e tudo e tudo de fora!" Pois é, coitadinhas das raparigas que ganharam um balúrdio, talvez tanto numa sessão fotográfica como eu ganho num ano! No fundo, esta é uma crítica menos directa, o ataque não se faz às gajas que são podres de boas, mas "à publicidade NOJENTA e MACHISTA!" Sim, porque aquelas coisas saíram todas da cabeça de um homem! E machista, olha o patife...!

Depois, para cúmulo dos cúmulos, são as mesmas pessoas (leia-se gajas) que afirmam que "o corpo feminino é MUITO mais bonito do que o corpo masculino". Há aqui um contrasenso, não? Ora se é bonito, é natural que seja utilizado! Não?!? Esta raça de feministas meio loucas que não pode ver mais do que dois centímetros de pele dá-me a volta ao cérebro, juro. Por acaso eu discordo em absoluto. Porque raio há-de ser o corpo feminino mais bonito? Eu gosto muito mais do corpo masculino, conotações sexuais à parte. Tal como aprecio uma obra de arte, uma escultura, uma tela, um automóvel ou um edifício, também aprecio o corpo humano ou o corpo de um animal. Para mim, o homem é mais passível de ser elogiado e apreciado do que o da mulher. Mas isso sou eu.



Eu? Só tenho pena de não ter o corpinho Danone da Cláudia Vieira, mas não tenho qualquer escrúpulo em atacar a MINHA própria inveja e assumir abertamente um valente "cabra!" quando vejo uma dessas moças na publicidade que nos entra olhos adentro.
Assumo, já agora, que era agradável ver mais homens sem ser no anúncio da Gillette (que já não têm o calibre de outros tempos). Veja-se o caso do Jude Law para a Casa Dior. Aí, provavelmente, as ditas senhoras invejosas já não dirão que é "exploração do corpo masculino". Ah pois não.




Fica a campanha publicitária dos sapatos Eram, que mais do que focar a questão machista/feminista da exploração do corpo feminino, faz uma sátira daquilo que é o tema em si, com grande dose de humor. Pelo menos, é essa a leitura que faço dos anúncios publicitários.
Já agora, fica
isto também, que encontrei aquando da minha busca incessante sobre a exploração do corpo masculino no Google.




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Uma imagem > mil palavras




Depois de visionar a imagem (cortesia da minha amiga Mónica) riem-se milhentos homens (leia-se gajos) e sorriem milhentas mulheres (leia-se gajas). Toda a minha gente em pleno século XXI teve conhecimento de experiência semelhante, quer por causa própria quer por terceiros. A vulgar história cujo papel de bandido pertence ao homem, e em que a enganada e infeliz da mulher agarra-se ao balde de gelado, faz rir toda a gente, MAS... nem sempre é assim.



Às vezes o bicho terrível e predador é a gaja, e o gajo é que se lixa no fim. Façam uma imagem a retratar essa situação, e vejam quantas pessoas se riem no fim. Muitos gajos podem agora subverter a história, fazer cara de Bambi e dizer que as mulheres hoje em dia são umas modernaças, "são piores que eles!", como dizem as velhas nas soleiras das portas.



De uma forma geral, estamos fartinhos de ver a cena acontecer tal como surge na imagem e é essa a situação mais frequente. E rimo-nos, achamos piada, mesmo que isto nos dê amargos de boca, mesmo que isto mexa com as entranhas, mesmo que a memória seja muito curta e nos tenhamos esquecido que já passámos por lá. Porque é que isto acontece? Porque é que são as mulheres as mais rejeitadas? Porque é que são sempre as mesmas desgraçadas a agarrar-se ao balde de gelado? Porque é que isto nos acontece a nós? Pragmaticamente falando, há mulheres a mais. É isso mesmo: há mulheres a mais, gajas a mais, todas no mesmo filme do "sete cadelas a um osso", dado que elas são as cadelas e eles, o osso. Há um excesso de mulheres neste país e todas numa espécie de corrida em que eles se sentem o troféu. Normalmente, este tipo de "gajo troféu" provoca uma expectativa tão grande que no final da corrida, e bem vistas as coisas, o troféu não passa de lata de qualidade inferior. São vulgares.





O meu conselho a este tipo de mulher enganada (que se deixa enganar pelo brilho do troféu de lata):



- valorizem a vida de solteira.



Não há nada de mais fantástico do que ter uma relação (quase) perfeita, ter alguém ao lado que se descobre todos os dias, partilhar uma vida, construir qualquer coisa juntos, etc etc etc e todas essas coisas lindas e maravilhosas que é ter alguém, mas até que isso aconteça, às vezes é preciso procurar muito bem, na medida em que se acredita no Amor entre dois seres humanos. Preciso mesmo é acreditar. Um dia acontece, mas... até que aconteça, os sapos e os troféus de lata pululam por aí. Existem apenas para podermos valorizar a vida, para se poder dizer que se percorreu um caminho, existem para a diversão minhas amigas. Aproveitem o facto de terem TEMPO LIVRE, e valorizá-lo, dando-lhe utilidade em proveito próprio. Saiam com os sapos, divirtam-se com eles; bebam umas cervejas e uns shot's, whatever; tirem um curso, seja superior, seja de dança, seja de italiano, seja de bricolage. Leiam mais. Vejam mais filmes, aqueles filmes do Manoel de Oliveira e todos os criticáveis. Ou as comédias românticas, se preferirem. Aproveitem para ganhar dinheiro, invistam em vocês. Andem pela casa todas nuas com o corpo coberto de auto-bronzeador, coisa impensável de se fazer com um homem em casa. Viajem, viajem muito. Sozinhas. Com amigos. Com amigas.




::dedico este post às minhas amigas que ficaram recentemente solteiras (e não comam baldes de gelado; isso é uma moda à la Bridget Jones ou à la Ally McBeal, que mais não faz do que engordar).

sábado, 2 de maio de 2009

em dia de despir



"As pessoas querem um amor como se fora um relicário e usam-no até que se transforma num electrodoméstico estafado que é preciso fazer substituir por outro relicário. Querem um amor para se vestir de julia roberts, richard gere e, aos dias, vesti-los de cinema fácil e aviões particulares. E fazem estudos cheios de dopamina, primeiro, oxcitocina depois, divórcio, ao fim. Esta falta de quotidiano baralha-me. O encanto da mentira é a mentirinha que diz eu estou a mentir, a encenação que denuncia, maliciosa, a inocência. Todo o prazer profundo tem a raiz na verdade do dia a dia que explode com a perfeição de um poema de Ruy Belo: um dia a dia imperfeito e completamente iluminado por esse outro a quem se ama territorialmente na apropriação apaixonada do corpo, do pensamento, da vida, que de a sabermos tão outra a queremos tão nossa! Sou toda quotidiana, o meu circuito neuroquímico é alternado. Eu não quero um amor para o vestir, quero um amor para despi-lo."



in http://matria-minha.blogspot.com/














Ou o Amor-Ready-To-Wear (em inglês fica sempre mais chic). Às vezes também me apetecia olhar o amor - ou o meu amor (vai dar quase ao mesmo, entre o sentimento e o "objecto de afeição") - como algo do qual tivesse uma expectativa diferente daquela que tenho, ou como se visse a paixão duma forma quase absurda que algumas pessoas comportam na sua vida: com prazo de validade. A paixão, diz-se, nada tem a ver com o amor, são sentimentos diferentes, a paixão perde-se com o tempo, o amor cresce e a amizade cresce e o companheirismo cresce e tudo cresce menos aquilo que nos fez despertar para o amor, que é a paixão. Claro que as pessoas quando falam de paixão não estão a falar de paixão, estão subentendidamente a falar de sexo e tesão e tusa. Pode ter tudo a ver com a tradução da paixão, mas paixão tem tudo a ver com a cabeça perdida, com a cabeça à roda, com pensamentos perdidos, com sexo também, muito sexo também, de querermos ver o nosso corpo perdido dentro do outro.


Ou ando muito enganada, ou para mim falar de amor faz todo o sentido falar de paixão, de sexo, de tesão. Tudo se alterna e tudo se transforma. O corpo, a alma, a cabeça perdida, tudo em desalinho mais uns dias que noutros, tudo dentro do lugar quando há que saber estar no lugar, em conformidade com a própria vida que se atropela e evolui e sai do lugar, pois nada se controla por si só e nada se cumpre a si mesmo sem a soma dos dias que sempre são tão diferentes entre si. Às vezes também tão iguais e tão cheios de rotinas, num apetitoso saber afirmar que temos e gostamos de rotinas, que nos são necessárias.


Posso andar muito enganada, mas não sou a única.
Reinventemo-nos ao despirmo-nos um pouco e ao despirmos o outro dentro de nós. De todas as maneiras possíveis e imaginárias.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Tretas do dia





Números:
72 por cento das mulheres inquiridas preferem um homem forte e decidido, que saiba o que quer.

85 por cento afirmaram que as seduz que o homem as beije com paixão e as leve à cama sem hesitar. Preferem um homem que tome a iniciativa na hora da sedução e que as faça sentir desejadas.

60 por cento não gostam que eles demorem mais tempo que elas a arranjar-se. Não se trata de não se cuidarem, mas sim de não passar mais tempo que elas em frente ao espelho.




Acho piada à expressão "as leve à cama". Normalmente quem me "leva à cama" é a bendita da gripe ou alguma dor maldita. Enfim. O "forte e decidido" é extremamente redutor e dúbio. Um homem pode ser forte, determinado, etc etc etc em muitos quadrantes da sua vida, não o sendo necessariamente em todos ou nos mais importantes, no que diz respeito a relações amorosas. Há por aí muito bom rapaz determinado em fazer da sua vida um pântano sentimental. Há as aparências e há a realidade. Há quem pareça ser forte e há quem, de facto, o seja.

Definitivamente, não pertenço à classe dos 85%, principalmente porque já me aconteceu e não gostei nada. Um homem que parte do princípio que a mulher quer ir para a cama com ele apenas porque sim(?) é um homem que não sabe ler os sinais, ou na pior das hipóteses, presunçoso. Os arrebatamentos de paixão assolapada pouco me dizem. Mãos atabalhoadamente mal metidas e beijos feitos de línguas que fazem investidas ao lado, tudo à velocidade de banda larga, só servem para arranhar e pensar se aquele gajo irá acertar no umbigo na hora de acertar... pois.
Há formas e formas de se fazer passar a mensagem da paixão, mas infelizmente há quem confunda tesão com desespero, e paixão com força mal medida. Tudo demasiado, tudo forçado. A malta agradece, mas dispensa.

O incrível destes números e teorias, é que mesmo depois de tantas considerações acerca do comportamento sexual do homem, é inquestionável a postura da mulher no que concerne à iniciativa, e é dado adquirido que a mulher continua a ser um objecto sem vontade própria, um catavento que depende da vontade do senhor seu homem e é "levada à cama" em ápices de donzela resgatada para a alcova, na fúria da paixão sexual do seu Adónis, mais preocupado com a performance do Zezinho e em fazê-la crer que é a personagem principal do Nove Semanas e Meia. Será justo para o próprio homem, que é dissecado e questionado qual cobaia/ratinho de laboratório, que tenha a obrigatoriedade do poder de decisão e iniciativa? Melhor: será justo para a própria mulher não ter uma palavra a dizer, o direito de escolha, o direito a dizer onde quando e com quem? Já agora, a obrigação de saber também o que quer, ser forte e decidida, e ter ela mais qualquer coisa a fazer no processo todo, senão a atitude de "aqui me tens, de pernoca aberta e vamos lá a isto"?

A pressão que antecede o acto sexual em si, a antecipação e a possibilidade de rejeição, tudo isto, é algo que deve ser, tal como o prazer, partilhado pelos dois, dividido pelos dois, e um problema que não se deveria colocar em pleno século XXI. É ridículo, tal como é ridículo pegar em amostras e generalizar desta forma o sexo. Se fosse tão fragmentado e estereotipado e definível a este nível, não seria tão interessante debatê-lo. Ou fazê-lo. Estas estatísticas e estes números não são mais do que a anedota portuguesa do sexo dito "normal". Normalizámos tudo, desde que começaram na fruta.

Os comportamentos das pessoas mudam ao compasso dos seus desejos, dos seus projectos, dos seus diferentes amores e parceiros, o ser muda, transforma-se ao longo do tempo de vida. Há quem ache que foder aos 45 é ou deveria ser o mesmo que "foder"/"fazer amor" aos 35 ou 25 ou aos 15. Está no seu direito, tal como eu penso que o homem não atinge o seu auge sexual aos 18 nem tampouco a mulher aos 30. O sexo e os comportamentos são muito mais do que corpos e hormonas, testosterona e gritos. Acima de tudo, deveria ser muito mais do que números.


Mas isto sou eu, claro.

Este expresso online dá-me cabo da cabeça, por vezes...



terça-feira, 10 de março de 2009

Post da semana



Eu sei que ainda nem sequer é sexta-feira (I wish!) mas lufadas de ar fresco como as que recebo deste Blog, praticamente todos os dias, são dignas de ser gritadas ao mundo. Tudo a propósito de sexo casual (ou lá aquilo que cada um de nós entenda como tal), correspondências entre leitores e autores de Blogs, ideias concebidas e pre-concebidas. Este leva a etiqueta de "tretas sobre sexo e coiso e tal" e tenho imensa pena de não ter sido eu a escrever.



CASUAL,
do Lat. casuale
adj. 2 gén.,
que depende do acaso;
fortuito;
eventual;
acidental.



Vou esperar que o meu querido chegue a casa e, eventualmente, provocar um acidente sexual entre nós. Será sexo causal?...














Este blog não pretende dar quaisquer respostas. Nem que seja porque não as tenho. Mas reconheço-lhe, outra vez, que a observação, não sendo inócua, é gira. "Numa relação casual esse brincar-se ao que se pode ser e se é não acontece?" - foi um lapso a omissão do sentir? - Tenho cá para mim que ainda o mando à... família! Mas desconfio fortemente que é capaz de a conhecer melhor que eu. Ora, espere para ver.

Quando afirmei, na última CORRESPONDÊNCIA, que era numa relação estável que se tinha a liberdade de brincar ao longo do espectro do que se pode ser e sentir, podendo ser-se tudo e lailailailailai, não estava, obviamente, a fazer qualquer juízo de valor sobre aqueles que escolhem relações casuais ou a diminuir a relação casual. Aceito que para um elevado número de rapazes e meninas sem disponibilidade, ou vontade, ou capacidade, take your pick, de investimento amoroso - e não, não quero dizer emocional!- , sexualmente experientes e explícitos, também, quanto à natureza dos seus objectivos, possa ser um modo de relação muito satisfatório. E sei que alguns desses rapazes e meninas, num outro contexto, dentro de uma relação, são capazes de um compromisso emocional e sexual. Viu? Agora, vamos a factos muito estudadinhos e mais que provados. O desempenho sexual - apenas no sentido da mutualidade do prazer vivido - corresponde à experiência sexual. Até aqui nada de novo. Mas a verdade, verdadinha, é que essa experiência pode ser aprofundada. A confiança no outro, a empatia, a capacidade de aliar o sexo e a ternura, a integração do elemento agressivo despojado de hostilidade, a dependência madura, a activação de uma vida inconsciente de fantasia e a idealização da relação são os constituintes que permitem o desenvolvimento completo do erotismo. Ou se preferir, o investimento completo da pulsão libidinal, espelho da integração da pulsão sexual com a relação de objecto. (Dizem os tios Green e Stoller, a tal da família...) Mas isto são apenas psicologices que só servem para traduzir assepticamente aquilo que todos queremos: que o sexo - que pode ser um profundo prazer físico e emocional - seja também a expressão da intimidade. A coincidência do sentimento com o pensamento e o corpo. Amor. Isto vivido a dois. A três dúzias, temos pena, tanta peninha, ó!, mas não dá!
E como eu sou mais que magnânima, tome lá as palavrinhas deste rapaz a explicar isto tudo melhor dos que os tios todos juntos! Diz que é um link, diz que é...

domingo, 8 de março de 2009

"Abrir a pestana"

Perguntei ao meu querido qual era o tipo de mulher (ou parafraseando-me) ou qual dessas "gajas conhecidas" era assim, a que, de repente, a mais apelativa. Entre um esgar ou outro (e porque o tema entre nós é recorrente) lá acedeu ao meu pedido e disse

- Cláudia Vieira
- Mas ainda agora dizias que a Diana Chaves era mais gira!...
- Não, não... hmmm.... pensando bem, é a Cláudia Vieira...
- A Rita Pereira não, pois não?
- Eh... não... a Cláudia Vieira...
- A Rita Pereira tem um grande defeito, o maior deles todos (ele já a pensar que eu iria dizer a cana do nariz ou os dedos dos pés ou todas aquelas peculiaridades físicas que as mulheres apontam nas outras sob a forma disfarçada de encarar a própria inveja)... o maior defeito da Rita Pereira é o Angélico... uma gaja daquelas com um gajo daqueles não abona muito em seu favor...
(risos)
- Mas diz lá... e estrangeiras?
- Alicia Keys (depois de ter feito de conta que tinha pensado veementemente no assunto)
- Alicia Keys?!? A sério?
- Sim... ou a Scarlett Johansson...
- A Monica Belucci? Não? (eu tenho uma grande pancada com a Monica Belucci)
- Eh... não, nem por isso... quer dizer (ri-se) a Monica Belucci é outra coisa...
- Pois (rio-me) é isso mesmo, é essa coisa que eu quero saber! (tesão)
- Não... também é, mas a Alicia Keys é mais gira... acho-lhe mais piada...
(penso que com muito esforço e dedicação às máquinas de cardiofitness lá do ginásio ainda posso vir a parecer-me mais com a Monica, mas entre mim e a Alicia não há nada que me valha)
- Então e a Charlize? (Theron) e mostro-lhe as imagens no Google
- Eh... prefiro a Scarlett. Essa está meio "acabada".

- Acabada? (ele deve preferi-las mais novinhas)
- Parece que estamos a escolher chocolates...




Pois.



- Então e tu não queres saber qual é o gajo que me diz assim qualquer coisa? (afinal hoje é dia da mulher)
- É lá aquele brasileiro, aquele Reynaldo "Ginecologista"...
- (rio-me)
- De tugas é que não estou a ver quem... não estou a ver quem é que te abre a pestana...
- Abre a pestana?? (risos)



O meu Blog tem vida própria. O Reynaldo, de facto, reúne consensualidade. Confesso que o físico de um homem não me diz grande coisa, nunca disse e nem a prevista idade da parvoeira da meia idade irá afectar isso. A inteligência, sensibilidade e sentido de humor (sem ser do tipo palhácico) continuam a ser os critérios principais que me confundem e trocam as voltas ao espírito.








Ainda assim vejam isto. A cereja em cima do bolo. Para os mais cínicos (leia-se "homens") e pessoas com sentido de humor.

domingo, 1 de março de 2009

Post da semana - Voltando à Vaca Fria





voltando à vaca fria

Lendo a blogoesfera, temos por um lado os que acham que aquilo foi um arremedo de censura bacoca; por outro, os que acham que a PSP não tinha obviamente a obrigação de conhecer Courbet nem de saber que aquilo é "arte", pelo que a sua intervenção foi, digamos, legítima, pois visou evitar uma espécie de mal maior. Neste último caso, quem assim pensa fá-lo com sobranceria, como se tivesse descoberto a pólvora, demonstrando compreensão para com os pobres pais de Braga, coitados, imaginando-os a taparem os olhos esbugalhados dos Carlinhos e dos Manelinhos que, no remanso domingueiro, foram de repente confrontados com a crueza de um pipi no seu estado natural, tão diferente daqueles rapados a cera das brasileiras das casas de alterne que os papás seguramente frequentam. Coitados destes e coitadinha da PSP, que nunca foi ao Museu D´Orsay e que só tentou conter a calamidade pública que se adivinhava. Estes, os que insinuam ter muito mundo e perceber das coisas, e que vêm o Portugal profundo das suas tocas à Lapa e à Graça com vista para o Tejo, os que acham que Sacavém é outro país, são os que não fazem a mais puta ideia da profunda ignorância e estupidez das polícias da província e do modo como condicionam a vida das populações e de como são um factor efectivo de não-progresso. Mas eu entendo que, quando o mundo se resume à internet e à fnac do Chiado, não se saiba que o país é quase todo ele a periferia de uma enorme província, e que mesmo à beirinha de Lisboa haja milhares de pessoas que não sabem ler. É claro que esta gente vê mal a coisa, mas os outros não a vêem melhor. "Censura" coisa nenhuma; não atribuam à nossa pobre polícia tamanho pathos, por favor! Eu explico. Por cada “ocorrência” a que um polícia assiste, ele levanta um auto que fica arquivado na esquadra respectiva, caso não dê origem a um processo, por exemplo crime ou contra -ordenação. Ora, eu já li muitos autos. Quanto a este, e pelo que vislumbrei da imagem que apareceu na tv, nem sequer o nome do livro apreendido souberam escrever: escreveram "Pornografia", em vez de "Pornocracia" - e para ler uma palavra polissilábica não é preciso ter um curso de história da arte, apenas o ensino básico. Estes pequenos pormenores são reveladores e eu adoraria ter lido todo o auto, de certeza que encontraria verdadeiras pérolas. Como já encontrei nos inúmeros autos das várias polícias que ao longo dos anos me foram passando pelas mãos. Desde o cão perigoso que era de raça “rotguilas” (em vez de rottweiller), à arma do crime, um chicote que, na descrição técnica do graduado de serviço era “tipo piça de boi”, pequenos exemplos da mais rematada ignorância e falta de formação das nossas polícias, a todos os níveis. Como polícias de trânsito que escrevem mal as marcas dos carros que nem sequer conhecem, que não sabem o que é um GPS, que confundem um motociclo com um ciclomotor (distinção fundamental para encaixar num ou noutro tipo de crime, por exemplo) e que dizem “iamaia” referindo-se a uma Yamaha. Isto como profissional, porque depois, como cidadã, tenho o reverso da medalha: polícias que me quiseram prender porque eu disse educadamente que não concordava com a autuação de um pai que estacionara mal para ir, num minuto, entregar o filho bebé à escola num dia de chuva; e que, quando eu lhes perguntei “mas o senhor agente vai lavrar isso em auto?”, me responderam, “Eu não lavro nada que não sou lavrador, sou agente da autoridade!”; polícias que mandam parar um carro novo para lhe testarem os faróis, cegos para os tunners que passam ao lado a acelerarem os carros quitados; que mandam parar uma mãe numa familiar às seis da tarde num bairro residencial movimentado e a obrigam a retirar todas as cadeirinhas, sacos, cobertores e restante parafernália toddler só para lhe verem o triângulo. Tudo dentro da legalidade mas tudo profundamente estúpido, mesquinho, um abuso de poder, do poderzinho pequenino que lhes é conferido para, essencialmente, poderem chatear o cidadão pagante. Gente que não tem a menor noção do que é o serviço público, do que é servir o público. É por isso que acho uma desgraça, que um graduado qualquer que caiu de pára-quedas no centro de Braga, mesmo que (naturalmente) nunca tenha ouvido falar em Courbet, não tenha parado um momento para reflectir, não tenha tentado chegar à fala com o comandante, ou com o comandante do comandante, ou com um MP ou um juiz (sim, eu sei: estão vocês a pensar que não é garantia de upgrade na escala evolutiva, mas quanto mais não seja levaram com um curso superior em cima, mais uma data de estágios, por muito pouco mundo que também tenham), e que, cheio de medinho (porque aquilo foi mais medinho que outra coisa: miúfa, é o que vos digo, de que os paizinhos de Braga partissem logo ali para a ignorância: é que ia livros, ia livreiro, ia clientes, ia cona, ia tudo, que aquela gente do norte não é para brincadeiras… vejam lá quantas portagens eles pagam!). E isso é que é triste - que, perante a ignorância, não tivessem tentado informar-se em vez de fazerem de imediato um juízo de valor que descambou no lapsus calami que foi a troca do nome do livro; e que, perante a ameaça de desacato, tivessem preferido apreender o dito, porque assim acabavam-se os problemas. E é esta gente que nos multa, que nos guarda, que supostamente nos protege, que não sabe lidar com as pessoas nem com as situações, que não sabe nada de nada, que não tem a humildade de se informar e de tentar saber, que se verga perante os mais fortes lá da terra (os pais de braga, os padres, os autarcas), e que faz usualmente disparate quando há qualquer tentativa de exercício da mais normal cidadania por parte dos contribuintes. Esta é a questão, e é isto que é trágico. O resto é barulho das luzes e gente a falar do que não sabe.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Amizade Pronta-a-Usar

O que é que o Facebook tem que o Hi5 não tem?

A pergunta é legítima e impõe-se, pelo seguinte: eu não sei o que é o Facebook (não sei mesmo) e pode até ser por preguiça minha, por sempre esquecer-me dos endereços de mail atribuídos, das passwords, por ter apagado todos os convites de amigos que estavam à minha espera no Facebook (deixa-os estar, pensei eu) mas, acima de tudo, por já ter aderido há mais de três anos ao Hi5 e pensar que seria desnecessário ter duas páginas na Internet com a minha vida lá escarrapachada. A minha vida não é assim tão interessante para o resto do mundo. Para além de tudo isto, ter dois Blogs dá água pela barba e se o Beautiful Losers fosse um tamagotchi, já tinha morrido de sede, de fome, de falta de atenção e de frio. De igual modo, não aderi ao myspace, dado que as minhas telas são muito tímidas e as minhas letras, se dignas de figurar num qualquer espaço virtual, têm aqui o seu lugar no Blog.
Não me considero uma info-excluída, mas não tenho tempo nem pachorra para muito do que diz respeito à Internet. Gosto de ler uns quantos Blogs por aí espalhados, tendo descoberto alguns muito recentemente que fazem parte das minhas leituras matinais e que são uma lufada de ar fresco nos meus dias. Bem-dispostos, cheios de humor, alguns desumores e amores. Bons Blogs. Num deles, descobri isto e daí o mote para este post.
Isto, porque algumas das minhas pessoas preferidas da minha vida supostamente real (às vezes suspeito que estas minhas pessoas preferidas não sejam produto da minha imaginação, confesso) não aderem nem aderiram nunca ao Hi5 por acharem que aquilo tem ambiente de engate, é a palhaçada total, uma orgia virtual. São as mesmas pessoas que aderiram ao Facebook, dizem que é muito mais cool e tal e tal. Eu fiquei na mesma. No Hi5 não existe depravação (a menos que eu queira), não existem convites badalhocos (a menos que eu queira) e ninguém devassa ou faz revelações da minha vida privada (a menos que eu queira).
Por ingenuidade podemos cometer algumas indiscrições da nossa própria vida, num primeiro momento ou num contexto de novidade daquilo que são páginas pessoais, divulgadas na Internet. No entanto, aprendemos. Eu própria aprendi a conhecer os limites daquilo que considero ser do foro público, e aquilo que deve permanecer privado. Seja de que natureza for esse conteúdo. Há tesouros que por considerarmos preciosos, guardamo-los para nós e para aqueles que achamos que os vão, de igual modo, resguardar como seus. Há coisas que não cabem num mundo virtual e há espaços de comunicação que foram ficando para trás, dos dias de antigamente, de um tempo em que atender uma chamada em casa era uma incógnita. Simplesmente, não sabíamos quem estava do outro lado. Uma amizade demorava anos, era uma descoberta a fazer com calma, entre um copo e uma conversa interminável, e os interesses em comum eram uma surpresa muito especial, as músicas e os livros preferidos, onde se tinha tirado o curso ou os pensamentos de cada dia, as angústias e os sonhos de uma vida.



Resta saber se o Hi5 ou o Facebook suprimem toda a solidão da raça humana resumida a fotografias e interesses. Resta saber se o conceito de amizade tal como o conhecíamos irá desaparecer e dar lugar a uma nova geração feita de miúdos que apenas se rotula e se conhece pelo facto de ter os mesmos interesses em comum. Se sou o que sou hoje em dia, a muitos amigos com interesses díspares dos meus o devo, e se fosse apenas relacionar-me com pessoas que tivessem os mesmos que eu, provavelmente hoje seria alguém muito mais pobre, no que teria perdido uma fortuna imensa de pessoas que gostam de coisas que eu detesto, mas que são seres humanos completos naquilo que são por dentro e naquilo que me deram a conhecer e aprender.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

That's what I call COURAGE

A propósito da modorrenta e bafienta opinião da Igreja, que se alimenta de toda uma máquina homófoba em que até os mais "modernos amigos dos gays" por vezes fazem piadinhas com muito pouca piada, pouco há a acrescentar. Não me choca ou surpreende e já nem sequer enraivece ou entristece como há uns anos. Eu, ateia profundamente convicta, me assumo. Não sei qual seria a opinião de Jesus Cristo sobre a matéria, mas desconfio que seria parecida com a minha.

Não sei o que entendem por "criança normal" ou "relação normal" ou até mesmo "vida normal" ou o que raio é necessário fazer ou dizer para que o Amor seja entendido como algo que não cabe dentro de parâmetros generalizados e estereotipados. Para que algumas mentes se abram e percebam que as ditas "famílias normais" compostas de pilinha e buraquinho foi chão que já deu uvas e muitas são estranguladoras assassinas das próprias crias. Crianças que nascem mal criadas, mal compreendidas e mais grave, mal amadas.

Num mundo onde vejo a cada dia que passa mais e mais hipocrisia, raiva, desprezo, onde palavras como Amizade, Solidariedade e Respeito e Consideração pelo próximo não passam de palavras que cada um defende onde lhe fica melhor: nos edifícios da Igreja, nos escritórios onde trabalham, nos bares onde engatam, nas casas que habitam, nos casamentos acabados que defendem, nas mentiras que contam.

Num mundo que teima e urge em mudar, somos nós que temos a obrigação de o empurrar e empunhamos essa bandeira da mudança para um Mundo melhor, onde não hajam diferenças na construção de algo mais bonito. Na defesa do Amor.




"Fidelity": Don't Divorce... from Courage Campaign on Vimeo.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Hey Vicky Hey!...




Vicky and Cristina decided to spend the summer in Barcelona.

Vicky was completing her master's in Catalan Identity, which she had become interested in through her great affection for the architecture of Gaudí.
Cristina, who spent the last six months writing, directing, and acting in a 12-minute film which she then hated, had just broken up with yet another boyfriend and longed for a change of scenery.

Everything fell into place when a distant relative of Vicky's family who lived in Barcelona offered to put both girls up for July and August. The two best friends had been close since college and shared the same tastes and opinions on most matters, yet when it came to the subject of love, it would be hard to find two more dissimilar viewpoints. Vicky had no tolerance for pain and no lust for combat. She was grounded and realistic. Her requirements in a man were seriousness and stability. She had become engaged to Doug because he was decent and successful and understood the beauty of commitment.
Cristina, on the other hand, expected something very different out of love. She had reluctantly accepted suffering as an inevitable component of deep passion, and was resigned to putting her feelings at risk. If you asked her what it was she was gambling her emotions on to win, she would not have been able to say. She knew what she didn't want, however, and that was exactly what Vicky valued above all else.






Vicky Cristina Barcelona. Ambas na imagem. A Vicky protagonizada por Rebecca Hall, a Cristina, pela Scarlett Johansson. A Penélope Cruz é a ex-mulher louca suicida (Maria Elena) do artista protagonizado por Javier Bardem. Eu teria preferido um Benicio del Toro como pintor excêntrico e uma Kirsten Dunst como Cristina, mas assim também está bom. A Scarlett surge bastante atraente na tela, embora não me tenha convencido como figura sonhadora emocionalmente instável, e os olhos do Javier não são marotos q.b. para o homem apaixonado que se sugere, mas ambos cumprem o seu papel. Este último filme de Woody Allen não será tão bom como o recente Match Point, mas diverte e fala de uma outra forma de vida muito pouco retratada no cinema. É curioso ver como os americanos vivem vidas e relações sensaboronas e esta é, de facto, uma abordagem diferente sobre um mundo sexualmente clandestino de que todos temos conhecimento. Excêntrico para uns, natural para outros, diferente ou ainda louco para a grande maioria da sociedade, que se alimenta das premissas socialmente estabelecidas, de acordo com um convencionalismo que vai de encontro à monogamia, como único meio para alcançar e viver um amor verdadeiro.
Opiniões e vivências à parte, alguns poderão escandalizar-se mais do que outros, tendo por base e ponto assente nos seus (pre)conceitos do que é o Amor, o Sexo e as relações entre seres humanos. Pessoalmente, diverti-me imenso e o filme não me chocou.
Tendo consciência de que tenho muito mais de Cristina do que de Vicky (risos), estas duas personagens intrigaram-me, as suas vidas, a forma como achei que um Verão em Barcelona iria alterar por completo o decurso das suas vidas e no fim, muito naturalmente, a história acaba por tomar contornos feitos de uma realidade assustadora, como uma circunferência que perfaz os 360º e um ciclo que se fecha sobre si mesmo. Este filme lembrou-me imenso a mim própria há uns anos atrás, as minhas histórias, as dos meus amigos, de vidas clandestinas e excêntricas e muito pouco convencionais, e de muito precisamente, de formas de estar na vida que acabam por se complementar em todas as suas diferenças paradoxais.
O que se segue, tem já, três anos e foi retirado do antigo Psicologias da Treta.


porque é que os homens gostam de mulheres com iniciativa mas acham-nas umas putas?

(...)
Refiro-me àquelas que sabem o que querem, quando querem, onde querem e porque querem. As tais "putas". Com ou sem aspas. Obviamente, insiro-me nesse grupo das mulheres com iniciativa, que a tanto macho latino faz espécie, umas depravadas, apenas porque se recusam a jogos. Não cedo aos jogos do "se lhe fizer sexo oral na primeira vez ele pensa que sou fácil"... seja!
Não cedo aos jogos de "não o beijo, deixo que ele avance" ou "ele que ligue, há-de sofrer porque não o faço"... o que acontece? Os desgraçados sofrem sem saber o que fazer. Normalmente avanço se me interessa. Ligo. Beijo. Mordo, se possível. Até ao momento solene do altar, muita água corre, e é nesse percurso que me encontro. É aí que temos de saber o que valemos, o que queremos, o que procuramos. Hoje em dia, existe uma geração confundida e confusa pelas patacuadas em que fomos todos educados, os preceitos e brandos costumes. O peso da má língua e o peso que nós próprios lhes damos. Aquilo que somos e aquilo que os outros pensam de nós, que afecta comportamentos mais ou menos cuidados. Ou seja, aquilo que queremos que os outros pensem. A arma duma mulher assim, desprotegida pela ausência de cautelas ou receios motivados pelas más línguas é precisamente a ausência de medo.
Não há a perder, apenas a ganhar quando não se finge aquilo que não se é. Assumir o que se quer, do que se gosta. Quer na cama, quer na mesa da cozinha, no cinema e no bar ou biblioteca. Mulheres que lêem Anais Nin, Charles Bukowski ou Boris Vian não podem ser "boas mulheres"... mulheres que assumem que gostam de sexo são umas loucas, só pode! Mulheres que comem e bebem desalmadamente, que fumam, não pensam no amanhã... mas são mulheres que normalmente não têm aversão a outras mulheres, têm muitas e boas amigas e não se perdem a criticar, a julgar "a vida da outra"em conversas de café. Normalmente, as "santas" são as coitadinhas que se encolhem no seu cantinho, numa postura assumidamente "tímida", de quem tem muito pouco a dizer. E desconfiam das outras, mazonas e absurdas, tão hilariantes e voluntariosas, com tanto a dizer, tanto a inventar...
Se há as que são putas (salvo seja), há a concorrência, manifestamente composta por raparigas "de bem", "de família", que não vão a um concerto, que não bebem em público, que não saltam, não se divertem, não nada. Apenas na preocupação e consideração e zelo do bem estar do "querido" ou ente amado. Coram se alguma sua semelhante diz "uma palavra malcriada" (tipo foda-se) porque acham que em determinado estágio das nossas vidas, já nos deveríamos ter deixado disso. Em suma, parecem as Virgens Marias. As tais muito giras e boas, as tais que se fazem "difíceis", que criticam a podridão que vai na alma pecadora de cada uma das outras, que se dão ares de importância desmedida.
Tipo Carolina do Mónaco.
Não falo de cor. Quantos casos conheço, quantos olhos tristes vejo por aí, os semblantes daqueles que se deixaram arrastar... que ainda hoje arrastam. Dragados pela ideia de virgindade e mulher difícil que rejeita o sexo como algo de natural, espontâneo e ao mesmo tempo, especial e único entre duas pessoas. O amor pode ter a ver. Ou não. Quantas vezes o amor surge depois...
São mulheres inteligentes, estas. Sabem como dominar o idiota que baba a cada passagem, a cada estremecer de lábios que lhes diz "hoje não, querido". São as verdadeiras dominadoras dos que vieram de Marte.
As outras? São umas tolas, umas tontas, que a maior parte das vezes levam mais a fama de loucas do que o proveito propriamente dito. Os homens têm mesmo um problema sério quando chega a hora de definir a mulher com quem sonham partilhar a vida, a cama, os sonhos e os filhos. Mulheres com passados demasiado extensos não são benvindas. Mulheres com demasiada experiência de vida têm erros demais. Mulheres com demasiados homens na sua história são... umas putas.
Tipo Stéphanie do Mónaco.

A ideia de "mulher direita" conseguiu prevalecer até hoje, muito embora "elas" fumem, usem calças e trabalhem "fora de casa". Os tempos mudaram, mas nem por isso as mentes de Marte chegaram ainda à Terra.
Por isso eu apelo ao macho latino que vive dentro de cada um de vós, homens, e mesmo que não assine por baixo, que pense um pouco na questão, que faça uma breve observação à mulher que tem em casa, ou em mira, ou na mente ou no coração neste momento e que me diga porque é que afinal as ditas "virgens" levam a vantagem às tais "putas". Porque é que os discursos que têm com as amigas intelectuais e giras, não coincide com o discurso que usam na sua vida pessoal e intransmissível? Porque é que gostam de se deixar levar apenas porque uma noite de prazer lhes foi negada? Qual o critério de pureza nessa atitude de negação e abstinência se não passa de pureza fria e maquiavélica que cumpre o objectivo de os deixar doidos?




quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Estado da Nação II: mulheres aka gajas aka censura

Censurem lá este agora.

... mas só depois de resolverem os processozinhos da malta que têm por aí pendentes. Ou o Carnaval tem privilégios acrescidos relativamente ao resto dos T.P.C.'s de V.ªs Exc.ªs, assim uma espécie de triagem de Manchester com direito a pulseirinha verde?


É grave que a celeridade seja feita de raios de um sol que só nasce para alguns, em actos que não servem o bem colectivo mas apenas os caprichos de mentes com muito pouco sentido de humor. Mais grave, com muito pouco sentido de democracia.

Foi em Torres Vedras, onde o Carnaval é mais português.








terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

filhos da puta





Ontem tive uma longa conversa com um grande amiga sobre os filhos da puta das nossas vidas. Obviamente isto seria tema para um outro post, e agora não tenho tempo ou disposição, nem capacidade de abstracção para dissertar sobre o assunto. De entre os escombros daquilo que nos resta, de entre a verdade escondida nas patranhas que nos contaram e que tarda sempre mas de forma assaz oportuna, fica sempre uma sensação de missão cumprida, afinal que piada teria a vida sem esses filhos da puta com ausência de escrúpulos? Pessoas que mentem, enganam, sem derramar uma lágrima que seja. Sem uma única que seja.


No meio da conversa, veio à baila aqueles filmes para pessoas inteligentes e dramáticas como nós, e outras coisas tais como balas e bolinhos, ramstein, o scooby doo, o Fernando Ribeiro, o Padrón, a varinha mágica a trabalhar e tudo aquilo que gostaríamos de esquecer que já nos aconteceu, mas que nos dá tema de conversa e risota e algumas lágrimas masoquistas pelo meio, tal como quando tínhamos vinte anos. Surgiu ainda o Bukowski, a lembrar os tais filhos da puta, mote para este post.

Devo-lhes imenso, mais que tudo, por me terem ensinado que filhos da puta destes ficam bem é nos livros e nos filmes que gostamos de ler e ver. Não nas vidas reais, não na nossa cama, não na nossa alma.



"What goes around, comes around". Isn't it?








Charles Bukowski (1920-1994) nasceu na Alemanha em 1920. Aos três anos foi viver para os EUA, tendo residido 15 anos em Los Angeles. Estudou literatura e jornalismo. Começou a escrever muito cedo e publicou os seus primeiros contos em 1944. Apenas terá começado a escrever poesia quando já tinha 35 anos. Trabalhou em bares, nos correios, estações de serviço, levando uma vida boémia à base de álcool, mulheres, apostas em corridas de cavalos e lutas de boxe. Foi várias vezes hospitalizado, devido a problemas relacionados com o consumo excessivo de álcool. De personalidade inconformada e iconoclasta, Bukowski nunca se deixou associar a qualquer movimento literário. Completamente independente, foi construindo uma obra com cerca de 40 títulos publicados. O seu primeiro livro de poesia data de 1959. Na sua campa, deixou o aviso: «Don't Try!»



p.s.: obrigada A. amiga sobejamente versada nestes assuntos da filha da p.... , a imagem ficou mesmo mesmo bem.
Isto ficou um bocado forte mas enfim... às vezes a vida é um bocado forte.

domingo, 23 de novembro de 2008

Coitada da Lucy! (sim, isto É uma ironia)

No outro dia, ouvi uma conversa entre colegas de trabalho em que discutiam as reduzidas vestes da Lucy. Perguntei:

" - quem é a Lucy?"
" - a Luciana Abreu, pá!"
" - A Floribesta?"
" - Essa, sim... agora tem um programa para crianças que mais parece um programa para adultos XXXX..."


Pois eu acho que é uma injustiça! (ironia nº 1) Então a rapariga já não pode usar aqueles vestidinhos que os miúdos até gostam e tudo?!? (ironia nº 2) Aqui há uns anos ninguém criticava a Ana Malhoa naquele programa da Vacareré (ironia nº 3), o Buéreré, que também usava uma indumentária assim a dar para o arejado, e agora arranjam sempre maneira de chatear a pobrezinha (ironia nº 4) da ex-Flor? Sim, que ela é uma flor, uma menina que sustenta a família, não teve um pai rico e famoso como a Ana Malhoa! (ironia nº 5) Até andam a investigar aquilo que a rapariga ganha com o suor do seu trabalho, parece mentira! (ironia nº 6) Logo ela, que até é amiga do nosso Cristiano Ronaldo!...

Ora vejam as imagens (a tragédia, o horror) e descubram as diferenças/semelhanças.









A opinião do Dr House sobre a ex-Floribela, agora Lucy:


sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Puer aeternus... ou os novos "trintões"

Puer Aeternus is Latin for eternal boy , used in mythology to designate a child-god who is forever young; psychologically it refers to an older man whose emotional life has remained at an adolescent level, usually coupled with too great a dependence on the mother. The puer typically leads a provisional life, due to the fear of being caught in a situation from which it might not be possible to escape. He covets independence and freedom, chafes at boundaries and limits, and tends to find any restriction intolerable.






Hoje em dia confunde-se bastante imaturidade com irresponsabilidade, promiscuidade com leviandade, e a verdade anda de mãos dadas com a mentira, ao ponto de já nem sabermos distinguir uma coisa de outra.

A verdade é que as pessoas escondem-se atrás de frases feitas tais como "tenho medo da entrega, da vulnerabilidade que existe numa relação"quando, na verdade, o que se esconde é o medo de ter de enfrentar a parte assustadoramente real que existe numa relação. Como diria um amigo meu, "as cuecas sujas no meio do chão" (Cadete dixit). Quem normalmente proclama que já sofreu muito por amor e reafirma que tem medo de voltar àquele lugar, nega as afirmações anteriores. Diz que isto é treta. A perda da independência, a perda do "seu espaço", o medo (pavor, aliás) da partilha das horas e do tempo escondem muitas vezes, um egoísmo natural de quem ainda não está preparado para enfrentar as tais responsabilidades e imperfeições do mundo real (as cuecas, portanto), e são uma boa desculpa para a manutenção dos ponteiros do relógio numa equação de vida que se quer jovem, bonita e leve.

É natural que presentemente, em pleno século XXI, já todos vivemos concerteza uma grande história de amor que correu mal. Sejamos francos: correu mal... mas passamos à frente. Já ninguém vive vidas quebradas ou estilhaçadas ou interrompidas, e a reputação de uma mulher não fica manchada para sempre, porque teve um namorado e aquilo correu mal. Sim, somos modernos, trintões, solteiros e recusamo-nos a viver aquilo que os nossos pais na geração de 60 ou 70 viveram. Vinte anos depois divorciavam-se e é talvez nessa altura que se dá o fim do medo da ruptura. Hoje em dia já não sofremos rupturas em que o peso da dor era tantas vezes suplantado pelo peso da derrota social. E portanto o nosso medo em acabar uma relação ou ver a nossa relação chegar ao fim é mais baseada na dor que sentimos por ver alguém que amamos partir do que propriamente as convenções sociais e o medo de "ficar para tio/a". É "fácil" acabar uma relação e digo "fácil" porque nunca o é. Depois há a separação lógica dos termos "relação" e "caso", pois mais são os "casos" do que as "relações" (ditas sérias).

Conclusão de tudo isto: amar alguém e ter uma relação, viver com essa pessoa nunca foi, nem será, fácil. É um desafio que não está ao alcance de todos, conseguir manter a tal chama acesa. É uma questão de timming, cada hora e cada minuto. Por vezes convencemo-nos de que se já fomos capazes e falhámos, é porque algo está errado connosco, quando na verdade pode ter sido apenas um mau passo, e não era aquela a pessoa que nos completa, nos faz felizes. Ou não. Pode bem ser o sinal, que se não conseguimos ultrapassar a barreira do "tal medo, do pavor" de partilha, é porque talvez a vida não tenha de passar por aí, e somos felizes de outra forma. Sozinhos.

Penso que já é tempo de deixarmo-nos de ilusões e também de preconceitos. Provavelmente quando se tem trinta(s) e não se encontrou ninguém à altura do tal desafio, não há que desesperar. Nem que esperar ("pode ser que seja aos 40..."). Sinceramente, acho que se pensa demais NO problema e menos nas causas DO problema, que é aquilo que cada um de nós é no seu percurso de vida e o que quer realmente nesse percurso. Aparentemente, podemos encontrar imensas pessoas compatíveis connosco, a nível cultural ou sexual, mas as exigências do novo século e dos estilos de vida agitados pedem-nos algo parecido com a perfeição. Idealiza-se a pessoa perfeita que deve estar ao nosso lado. A perfeição não existe, porque ninguém é perfeito e o ser humano muda todos os dias. Mas pode haver perfeição dentro da imperfeição. Há que saber viver aquilo que é uma aprendizagem que se constrói com os erros e cabeçadas que se vão dando. Saber aceitar o que se é e aceitar os defeitos dos outros. Saber aquilo que se é e para onde se vai. Muita gente encontra o amor aos 40, aos 50 e aos 60... e por aí fora, na constância de uma vida que se quer plena, com os seus altos e baixos e sonhos a cada etapa.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

private joke of the day

#$%&%"#$%&&%#$%&?"#$&&$$%&)/)%#%&(?==(/&%$!!!!



- Como é que te chamas?
- Báurebura.
- Inglesa?...
- Não.... mônguolóideeee....





nós só queremos ver o Porto a arder, o Porto a arder, o Porto a arder.....



quinta-feira, 8 de maio de 2008

Metrossexualidade vs Futilidade


"Um grupo de cientistas do Uganda descobriu uma bactéria que pode estar na causa na metrossexualidade. Segundo o cientista responsável pela investigação, a bactéria em questão é encontrada em larga escala nos ginásios e health clubes, devido à grande quantidade de suor que normalmente se encontra nestes espaços.

Foram feitos vários estudos a metrossexuais e em diversos ambientes que lhes são familiares, nomeadamente em ginásios, solários, cabeleireiros e lojas de moda.

Chika Kan, responsável adjunto pela pesquisa, afirma: “Os resultados do estudo são claros: qualquer homem, dito “normal”, pode ir sem medos ao solário ou à pedicura que não existe o mínimo risco de se vir a tornar um metrossexual, no entanto, esse mesmo homem “normal” ao deslocar-se uma vez que seja a um ginásio, e por muito macho que seja, pode vir a contrair esta perturbação através da bactéria em estudo. Sabemos de homens que, depois de visitarem um ginásio, cancelaram todo o dia de trabalho e fizeram depilações completas ao corpo. Outros fizeram manicura e pedicura, chegando mesmo a pintar as unhas dos pés com preto glossy.

Este avanço da ciência pode vir brevemente a ter resultados concretos para a cura desta perturbação que afecta cada vez mais homens."







Posto isto, afinal o que é a metrossexualidade? Algo que se transmite como doença contagiosa? Quem a inventou?

Eu defendo que quem inventou a metrossexualidade foi um homem gay de extremo bom gosto*. Os motivos podem ser variados, na realidade, e o primeiro poderá sempre ser o de "virar" o macho, de modo a que a trupe gay aumente. É legítimo que o façam, muito embora não acredite que seja por aí. A verdade é que a grande maioria de homens ligados à moda é gay e depois de décadas a fazer as mulheres a sentir-se mais bonitas, talvez tenha chegado a vez dos homens. Mas vejamos: os tempos mudaram e os cremes de beleza, cosmética e perfumes bem como toda a indústria da moda começou a ver no homem, um potencial consumidor, atento e vaidoso, com elevado poder de compra. É uma natural verificação da evolução e mudança dos tempos.

Mulher que se preze e que goste de andar arranjada, bem vestida, maquilhada e penteada não quer certamente que o seu par ande de qualquer maneira ao seu lado na rua (ou dentro de casa). Longe vão os tempos em que o homem só tinha de fazer a barba e tomar o seu duche com gel de banho. Tudo mudou, quase de uma geração para outra, abruptamente. Hoje em dia um homem usa um hidratante, um creme de contorno de olhos, perfumes diversos e gosta de escolher o que veste, de acordo com um estilo próprio que deve cultivar. Obviamente chegamos também a um extremo (porque existem excessos em tudo) de homens que usam vernizes, e maquilhagem que era apenas destinada a mulheres, é agora também utensílio masculino na arte de bem parecer. Marcas como a Chanel e Jean Paul Gaultier têm maquilhagem específica para homem.


Será um homem menos homem ou menos heterossexual por usar verniz preto? Gostará menos da sua parceira por gostar mais do espelho?


A questão é que todos nós temos um estilo (muitos não têm estilo nenhum, ok, mas a grande maioria tem um estilo definido) e todos nós temos uma relação próxima de amor-ódio com o espelho que, à partida, deveria ser preservada e muito daquilo que é reflectido nesse espelho, não é somente a beleza que a Natureza nos deu, mas fruto de tudo aquilo que fazemos para cuidar da nossa aparência e dos cuidados que temos connosco próprios. A saúde passa por determinados comportamentos, e isso reflecte-se na beleza que exteriorizamos ao mundo. Portanto, não acho nem considero fútil alguém, homem ou mulher, cuidar de si. Cremes, maquilhagem, perfumes, roupas giras, acessórios, etc, e uma panóplia de cuidados alimentares e exercício não fazem mal a ninguém. Muito pelo contrário. Fútil é alguém dar uma imagem daquilo que não é. Ou uma colagem apenas porque é moda. Um gajo gordo de t-shirt rosa justa com verniz preto nas unhas dos pés em sandálias brancas e cabelo em pé é uma visão do Inferno. E de metrossexual nada tem. Existem preconceitos errados, a meu ver, relativamente ao conceito de metrossexualidade, e esse é um deles. Porque nem sempre o que é fashion fica bem a toda a gente. E nem todo o homem que gosta de usar um creme é "paneleiro". Muito gajo armado em macho, com medo dos estereotipos espera que a mulher saia de casa para usar certas coisas. E nada tem a ver com homossexualidade. Tem a ver com curiosidade e coragem de dar um passo em frente na hora de saber e querer agradar. Sem medo do que os outros possam dizer.


Metrossexual não tem de ser sinómo de pindérico e o que mais tenho visto por aí são gajos pindéricos armados em metrossexuais. Obviamente nem toda a gente tem um corpo e uma cara como os do Beckham, mas por isso há que saber encontrar um estilo e saber preservá-lo. Com sensibilidade e bom senso. Eu, como mulher heterossexual que sou, agradeço.


Já agora, que nome aplicar a mulheres que não gostam de se arranjar ou maquilhar, colocar perfume, usar acessórios, ou fazer tudo aquilo que um metrossexual faz e afinal de contas é suposto uma mulher gostar?...



*também há gays de extremo mau gosto.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Quanto mais conheço o Homem...





... mais gosto dos animais.


Em conversa com uma grande amiga aqui há dias, afirmei em fria e pura convicção: há pessoas que não prestam. Pessoas que não prestam... se o fosse dizer em voz alta (a considerar que o afirmaria) há anos atrás, seria de forma absolutamente estridente e passional e, provavelmente, por quem me conhece de outros carnavais, diria que a dita afirmação seria fruto de algum desamor mal digerido ou de franca impulsividade mal medida. E que passaria no mesmo ápice em que tinha chegado. Nos dias que correm, e fora a abundante e afluente maré de acontecimentos políticos e sociais menos felizes que o nosso país enfrenta, a afirmação "existem pessoas que não prestam" sai-me de forma prudente e calculada e fria e seca, e talvez isto seja de uma amargura demasiado crua, mas é a realidade que me rodeia de há uns dois anos para cá. Nos últimos dez anos tive a enorme felicidade de ter conhecido pessoas que são absolutamente fantásticas. Se for aos últimos vinte, então posso considerar-me uma pessoa de sorte, porque a confiança nessas pessoas é inabalável, e não é por discussões de merda que deitamos "pessoas fora". É no confronto de ideias que nasce a verdadeira luz. Falo pois de falta de valores, de pessoas que roubam (sim, roubam), mentem, enganam, traem... homens e mulheres, e se for a bem da verdade, e em bom rigor, mais mulheres que não prestam do que homens.

O engraçado é que estas pessoas acabam por sempre ter um desequilíbrio qualquer muito grande a nível psiquiátrico ou psicológico. São sempre frágeis. "Boas pessoas", que tudo fazem para agradar. Atravessam quase sempre depressões, ou sofrem de distúrbios, ou têm histórias muito tristes para contar. Don't we all?...

Chego à conclusão muito íntima e pessoal de que não gosto de "boas pessoas". Também não gosto de conhecer pessoas pela net. Há pessoas com as quais não pretendo manter qualquer tipo de contacto senão o estritamente necessário, pois a grande maioria de valentes merdas que conheci por este meio tiram-me a vontade de sociabilizar seja por que meio for. Histórias de gente que não interessa, vigarices, putedo, loucos com a mania que vão mudar o mundo, e isto em frentes que vão desde a favela até secretários de estado. Toda a gente pretende ser algo que no fundo não é. Uns têm Blogs para engatar, outros têm Blogs para armar ao pingarelho. Eu tenho um Blog para falar mal desta merda toda (este) e outro para dar azo àquilo que o Vítor Espadinha cantava: e recordar é viver.

Chego à conclusão que não quero conhecer pessoas novas nem estreitar laços, os amigos que tenho chegam-me e confesso que me sobram em dadas alturas. São boas pessoas e valem a pena. Chego à conclusão que a vida não está para perder tempo com quem não o perde connosco.

Chego à conclusão que mais vale divagar sobre o sentido da vida com aqueles que não nos vão julgar, com quem já apanhámos uma valente cardina, com aqueles que erram e a quem confessamos erros, e que mais vale um minuto de silêncio por vezes entre um pires de caracóis e uma imperial, do que trinta minutos de muita conversa fiada.

Sejam felizes.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

"Vamos tomar um café?"


Aqui há uns dias tive uma conversa algo sui generis com um amigo meu sobre amizade entre homens e mulheres, sobre tudo aquilo que une e/ou afasta enquanto seres vindos de Marte ou de Vénus e de como as coisas às vezes se confundem na aplicabilidade do conceito de amizade.

Lembro uma outra frase de uma grande amiga minha "não há almoços grátis". Não há não senhor.

Antes de passar a explicar o meu ponto de vista e a teoria que tenho sobre este assunto, importa saber em que circunstâncias a amizade se encontra condicionada, e importa ainda saber até que ponto qualquer ser humano que se preste a uma amizade GOSTA realmente de pessoas. Eu creio que este meu amigo, tal como eu, gosta muito de pessoas. Creio também que já gostou mais, dada a recente unilateralidade do sentimento em causa (eu sei que já gostei mais). É e será sempre de desconfiar de alguém que não goste de pessoas e queira ser nosso amigo e queira ir tomar o tal café. Imediatamente pensamos: a troco de quê?

É fundamental gostar-se de pessoas quando se quer começar uma amizade e já se está na casa dos trintas. A esta altura da vida, as amizades estão já mais que cimentadas e ninguém se sente na predisposição de se submeter à vontade alheia (fazer fretes, querer agradar). Ou seja, já todos temos os nossos grandes amigos da altura do tempo da carochinha e dos verdes anos, em que acreditávamos que realmente podíamos mudar o mundo, em que somos "iguais", mulheres e homens, éramos todos virgens, trocávamos ideias a toda a hora com as borbulhas na cara, e se calhar até era o melhor amigo do namorado, ou o namorado da melhor amiga... got the point?


Vejamos as condicionantes/circunstâncias em que apoio a minha teoria:


- pessoas adultas (com mais de 25 anos de idade - que eu ainda sou do tempo que um gajo com trinta anos já não é jovem);

- estas pessoas são heterossexuais (amigos gays não vale, toda a gente sabe que o melhor amigo duma mulher é gay, sem hipótese);

- não possuem nenhum atraso mental ou doença do foro psiquiátrico.


A minha teoria, baseada na tal frasezinha "não existem almoços grátis", desprovida de qualquer sentimento ligado à ingenuidade (já acreditei que a amizade fosse de outra forma ou pudesse ser de outra forma), ou credulidade impiedosa, nada tem a ver com alguma forma de cinismo tão em voga. Baseio-me no que vejo, no que observo, nas relações que passam pelos outros e por mim própria, ou não fosse eu uma mulher.

Esta teoria assenta num pressuposto que já a minha avó defendia, de que as mulheres "não dão ponto sem nó" e a minha avó bordava e costurava bem que se fartava. Ou seja: há SEMPRE um interesse implícito nessa suposta "amizade" e interesse da parte duma mulher para com um homem. Não vamos em conversas. A não ser que se seja uma freira, todas as mulheres tem todos os seus pecados bem à flor da pele e sabem bem o que fazem quando se aproximam dum homem, fora profissionalmente (já que são "obrigadas" a ter de se relacionar no meio profissional).


Existem três grandes interesses, três grandes grupos em que dividimos objectivos aquando da aproximação de um gajo e até lhe damos "troco".


1 - "amizade de longa data, tipo irmão": sim sim, não há interesse e tal... vejamos: desabafar a toda a hora com o pobre desgraçado, pedir-lhe guarida quando corre mal com o namorado, quando há discussões seja lá com quem for, pedir-lhe cd's, filmes, livros, etc... isto não é interesse macabro? Quem lucra? Pois, pode até ser recíproco, e esse amigo já ter chorado no nosso ombro inúmeras vezes, mas nada comparável com a brutal seca que o pobre apanha cada vez que a vida nos corre mal. Àparte isso, é a única amizade que pode correr bem se as pessoas tiverem bastantes interesses em comum, gostos culturais parecidos, ser do mesmo partido político, gostar muito de algo especificamente. AH!, e zero atracção, para sempre se poder dizer que aquele é um bom amigo. Resulta e existem alguns casos assim, mas muito poucos aqueles que não evoluíram para algo mais (pelo menos em que ambas as partes não tivessem nenhum compromisso com terceiros).


2 - "amizade colorida": não se iludam meninos; nenhuma mulher quer ser apenas vossa amiga. O que elas querem é saltar-vos pra cima. Na melhor das hipóteses, poder ter a oportunidade de constatar se serão ou não o "homem da vida dela". Sim, é sexo mesmo. ou a ver se dá algo mais. Quando elas descobrem que vocês têm namorada, podem até ser muito interessantes, inteligentes, cultos, educados, divertidos, etc, mas a coisa já não tem o mesmo sabor e há que fugir a sete pés. Redutor? Talvez seja, mas o facto é que mais curioso que o gato, só mesmo a mulher.


3 - "amizade que já pode ser amizade porque já foi algo mais": sim, é verdade que pode ficar uma amizade. A curiosidade satisfeita, muito pouco a acrescentar. Para que haja veracidade/genuicidade nesa relação, as coisas têm imperativamente de ter acabado bem. Senão... meninos, não se iludam, pois uma mulher nunca esquece, e o que ela quer não é amizade: ou é vingança e atacar-vos pelo flanco ou é ter alguém ali à mão que satisfaça o ego (e outras coisas) e aí podem bem saltar até à "casa dois" ou seja, para a cueca da já referida amizade colorida.



Caso para cada um pensar bem nas amizades que tem com o sexo oposto. Cada vez que alguém lhe perguntar "vamos tomar um café um dia destes?" a propósito da bela amizade descomprometida que têm... é capaz de ser impulse...


What can I possibly say?...

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