::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


quinta-feira, 8 de maio de 2008

Metrossexualidade vs Futilidade


"Um grupo de cientistas do Uganda descobriu uma bactéria que pode estar na causa na metrossexualidade. Segundo o cientista responsável pela investigação, a bactéria em questão é encontrada em larga escala nos ginásios e health clubes, devido à grande quantidade de suor que normalmente se encontra nestes espaços.

Foram feitos vários estudos a metrossexuais e em diversos ambientes que lhes são familiares, nomeadamente em ginásios, solários, cabeleireiros e lojas de moda.

Chika Kan, responsável adjunto pela pesquisa, afirma: “Os resultados do estudo são claros: qualquer homem, dito “normal”, pode ir sem medos ao solário ou à pedicura que não existe o mínimo risco de se vir a tornar um metrossexual, no entanto, esse mesmo homem “normal” ao deslocar-se uma vez que seja a um ginásio, e por muito macho que seja, pode vir a contrair esta perturbação através da bactéria em estudo. Sabemos de homens que, depois de visitarem um ginásio, cancelaram todo o dia de trabalho e fizeram depilações completas ao corpo. Outros fizeram manicura e pedicura, chegando mesmo a pintar as unhas dos pés com preto glossy.

Este avanço da ciência pode vir brevemente a ter resultados concretos para a cura desta perturbação que afecta cada vez mais homens."







Posto isto, afinal o que é a metrossexualidade? Algo que se transmite como doença contagiosa? Quem a inventou?

Eu defendo que quem inventou a metrossexualidade foi um homem gay de extremo bom gosto*. Os motivos podem ser variados, na realidade, e o primeiro poderá sempre ser o de "virar" o macho, de modo a que a trupe gay aumente. É legítimo que o façam, muito embora não acredite que seja por aí. A verdade é que a grande maioria de homens ligados à moda é gay e depois de décadas a fazer as mulheres a sentir-se mais bonitas, talvez tenha chegado a vez dos homens. Mas vejamos: os tempos mudaram e os cremes de beleza, cosmética e perfumes bem como toda a indústria da moda começou a ver no homem, um potencial consumidor, atento e vaidoso, com elevado poder de compra. É uma natural verificação da evolução e mudança dos tempos.

Mulher que se preze e que goste de andar arranjada, bem vestida, maquilhada e penteada não quer certamente que o seu par ande de qualquer maneira ao seu lado na rua (ou dentro de casa). Longe vão os tempos em que o homem só tinha de fazer a barba e tomar o seu duche com gel de banho. Tudo mudou, quase de uma geração para outra, abruptamente. Hoje em dia um homem usa um hidratante, um creme de contorno de olhos, perfumes diversos e gosta de escolher o que veste, de acordo com um estilo próprio que deve cultivar. Obviamente chegamos também a um extremo (porque existem excessos em tudo) de homens que usam vernizes, e maquilhagem que era apenas destinada a mulheres, é agora também utensílio masculino na arte de bem parecer. Marcas como a Chanel e Jean Paul Gaultier têm maquilhagem específica para homem.


Será um homem menos homem ou menos heterossexual por usar verniz preto? Gostará menos da sua parceira por gostar mais do espelho?


A questão é que todos nós temos um estilo (muitos não têm estilo nenhum, ok, mas a grande maioria tem um estilo definido) e todos nós temos uma relação próxima de amor-ódio com o espelho que, à partida, deveria ser preservada e muito daquilo que é reflectido nesse espelho, não é somente a beleza que a Natureza nos deu, mas fruto de tudo aquilo que fazemos para cuidar da nossa aparência e dos cuidados que temos connosco próprios. A saúde passa por determinados comportamentos, e isso reflecte-se na beleza que exteriorizamos ao mundo. Portanto, não acho nem considero fútil alguém, homem ou mulher, cuidar de si. Cremes, maquilhagem, perfumes, roupas giras, acessórios, etc, e uma panóplia de cuidados alimentares e exercício não fazem mal a ninguém. Muito pelo contrário. Fútil é alguém dar uma imagem daquilo que não é. Ou uma colagem apenas porque é moda. Um gajo gordo de t-shirt rosa justa com verniz preto nas unhas dos pés em sandálias brancas e cabelo em pé é uma visão do Inferno. E de metrossexual nada tem. Existem preconceitos errados, a meu ver, relativamente ao conceito de metrossexualidade, e esse é um deles. Porque nem sempre o que é fashion fica bem a toda a gente. E nem todo o homem que gosta de usar um creme é "paneleiro". Muito gajo armado em macho, com medo dos estereotipos espera que a mulher saia de casa para usar certas coisas. E nada tem a ver com homossexualidade. Tem a ver com curiosidade e coragem de dar um passo em frente na hora de saber e querer agradar. Sem medo do que os outros possam dizer.


Metrossexual não tem de ser sinómo de pindérico e o que mais tenho visto por aí são gajos pindéricos armados em metrossexuais. Obviamente nem toda a gente tem um corpo e uma cara como os do Beckham, mas por isso há que saber encontrar um estilo e saber preservá-lo. Com sensibilidade e bom senso. Eu, como mulher heterossexual que sou, agradeço.


Já agora, que nome aplicar a mulheres que não gostam de se arranjar ou maquilhar, colocar perfume, usar acessórios, ou fazer tudo aquilo que um metrossexual faz e afinal de contas é suposto uma mulher gostar?...



*também há gays de extremo mau gosto.

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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