::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


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terça-feira, 11 de maio de 2010

Da Hipocrisia...




Lembro-me sempre do triste episódio ocorrido numa Feira do Livro em Braga, aquando da apreensão dos livros que tinham na capa esta imagem de Courbet, sempre que alguma espécie de hipocrisia me chega aos ouvidos ou "bate à porta".

As pessoas falam de Educação, sem no entanto perceber muito bem afinal o que é o conceito de Educação. Apontam o dedo acusatório e atiram a primeira flecha sem que os contornos do pecado sejam muito claros, e em última instância, o "culpado" é sempre aquele que se limita a fazer o seu papel de agente da Educação, e nada mais do que isso. Tanto pais como professores erram nas suas funções; ninguém é perfeito e nada nestas palavras deve ser lido unilateralmente. O papel de professor não se finda na leccionação, tal como o papel de pai não se finda na gestão de afectos ou disciplina. Todos ensinam algo um pouco fora do seu âmbito. E é aqui que se entra em terreno perigoso.

Existem pais que exigem dos professores tudo aquilo que eles não lhes podem dar em casa; existem pais que apenas se lembram que são pais na altura em que (raras vezes) se dirigem à escola; existem pais que acham que educar um filho é somente alimentá-lo, vesti-lo, fazer-lhe uma festinha antes de se deitar e comprar-lhe as tretas que ele quiser. Concluindo, existem pais que se demitem da sua função de Educadores. Tal como os professores, a família tem um papel como agente da educação. A mais importante. O pai que falha como pai é sempre o que se dirige à escola para insultar o professor. Hoje em dia, infelizmente, é assim. Existem, contudo, professores que pensam que ser professor é usar do autoritarismo próprio de quem sabe que tem o poder, e fazer disso a sua melhor ferramenta no auxílio do processo ensino-aprendizagem; por outro lado, também existe o reverso da medalha: professores que deixam de ser professores, o veículo máximo de transmissão de conhecimento, para passar a ser o "melhor amigo" ou confidente, e imiscuem-se na vida dos alunos, sem pudor ou bom-senso.


Acredito (e isto é a minha opinião pessoal) que não cabe ao professor educar no âmbito da SEXUALIDADE, mas a ele cabe-lhe desmistificar alguns conceitos e promover acções informativas. Educar para os Afectos. Educar para o Respeito e promover a Igualdade entre raças e sexos. Não cabe ao professor catequizar (sorrisos) qualquer CONFISSÃO RELIGIOSA - vivemos num Estado Livre e Leigo, embora com fortes influências judaico-cristãs. Finalmente, não compete ao professor instigar pensamentos de cariz POLÍTICO aos seus alunos. Cada um, portanto, deverá ser LIVRE, usufruir da Liberdade que lhe é dada no Estado Português e definir o seu caminho, dentro da liberdade de escolha que lhe assiste, como Ser crítico, que teve a sorte de nascer num país ocidental que lhe confere plenos poderes para pensar, agir e sentir como bem lhe aprouver.


Os papéis subvertem-se quando pais fazem tristes figuras como as que aconteceram em Braga, e quando professores fazem tristes figuras como a da professora de História de Espinho. Tudo errado e tudo ao contrário, na minha perspectiva. Infelizmente, estamos ainda muito longe do caminho certo, em que Família e Escola deveriam ser entendidos como fundamentais nesse fantástico processo que é o da Educação. Vivemos o nacional-porreirismo da permissividade em que alguns pais "compram" os filhos com gadgets tecnológicos e, ou porque, não têm TEMPO para eles, bem como o do ensino para a mediocridade promovida por alguns professores, porque afinal não era bem aquilo que queriam ser e foram apar ao Ensino de pára-quedas. 

Afinal de contas, é muito mais "fixe" ser amigo do que ser pai ou professor. Pelo menos, agradar e ser complacente não dá tanto trabalho como ensinar.


Nota: no dia em que quase toda a nação portuguesa olhar para esta pintura de Courbet e conseguir ver mais do que uma "barbaridade", "obscenidade" ou "falta de princípios morais", e entendê-la como uma obra de Arte, talvez estejamos no caminho certo...



terça-feira, 20 de outubro de 2009

A melhor série de sempre desde House M.D.: Dexter





Para começar, tem o melhor genérico de sempre.
A seguir, tem uma fotografia de EXCELENTE qualidade. Impecável.
É de uma cadência saudável e ritmada, ou seja, é convidativa a ser desfrutada com calma, com tempo. Dexter dá-nos tempo suficiente para pensar no que estamos a ver, e cada temporada é um todo bem marcado. Existe um objectivo, existe um propósito, nada é deixado ao acaso. Nota-se que é uma série feita com algum "amor". Não existem peças soltas, não existe desleixo, é metódica, tal como a personagem.

Tem uma particularidade única em relação a outras séries: é subversiva, ainda que não declaradamente. Sim, a personagem de House também é subversiva, mas pensemos bem: existirá algum médico com a genialidade de House? Existirá alguém assim tão brilhante, e ao mesmo tempo tão cheio de peculiaridades, tão desprezível como House? Existirá algum médico anti-herói, de ego tão grande a ponto de se comparar a Deus, que afirme que faz o que faz apenas pela ciência? Eu acho que não. Aliás, tenho quase a certeza. É irreal, e ao fim de algum tempo, aquela personagem cansa um pouco. Confesso-me cansada de House. Mesmo depois de sair da ala psiquiátrica do Hospital. Mas basta de House, foquemo-nos em Dexter. Uma personagem que desejamos não existir, mas que ao mesmo tempo desejamos que existisse. No fim, alguém que sabemos poder existir, mas bem longe de nós. Confunde-nos. Afinal, quem é Dexter Morgan? Um analista forense, um perito em sangue, no tratamento de crimes passionais (ou não), alguém que sabe o efeito de um salpico de sangue de uma perna quando retalhado por uma lâmina ou uma moto-serra eléctrica, alguém que sabe o quão terrível pode ser a mente criminosa, ou não tivesse ele... uma mente criminosa. Sim, é um psicopata que nos faz ter simpatia por um psicopata, daí a subversão. Simpatia, sim, simpatia a sério, gostamos dele, achamo-lo um justiceiro, alguém de quem teríamos medo, se não conhecêssemos a sua história. Porquê um justiceiro? O rótulo é-se-lhe colado pela nossa sempre presente necessidade de justificar tudo o que é mau, e que queremos fazer parecer bom. Dexter mata, mas não à toa: ele mata criminosos, ele limpa Miami dos homicidas que fugiram à Justiça, ele corrige os erros que o Sistema não conseguiu eliminar da sociedade. A verdade é que existe uma verdade por trás do código de conduta de Dexter: ele tem realmente uma necessidade de matar. Ponto. Um serial killer, como aqueles que vemos noutras séries (Criminal Minds ou Profiler) e que não nos detemos a achar que são doentes mentais, peças dispensáveis na sociedade.

Esta série centra-se no pensamento da personagem principal; a toda a hora ouvimo-lo, os seus desejos, os seus medos (um serial killer tem muitos medos), os seus demónios, estamos dentro da sua cabeça e antecipamo-lo nas acções (às vezes, não de todo!) e, por fim, justificamos o hediondo que Dexter consegue ser. Não há termos científicos caros, não há teorias estranhas, não existe estranheza, tudo é estranhamente "normal" em Dexter. Podia até mesmo ser o vizinho simpático que nos carrega o saco de compras ou o colega de trabalho simpático que nos abre a porta com delicadeza, alguém que consegue ser agradável, educado, que nos dá os bons dias, alguém que luta por ser "normal", mas que em nada é "normal". Cada detalhe, cada pormenor, cada hora do seu dia, cada gesto e cada "sentimento" por cada pessoa que da sua vida faz parte, tudo é forjado, tudo é calculado e ensaiado. Tudo, mas mesmo tudo, em prol de proteger a única coisa que o faz vibrar e viver: matar.


sábado, 5 de setembro de 2009

É esquisito, não é?







Não gosto do Primeiro-Ministro em funções, não oiço nada do que ele diz pois não acredito nas suas delicadezas, em NADA das suas afirmações, nem sequer no curso que tirou.


Acho que ainda posso acreditar no que eu quiser; não sendo uma insinuação, é uma afirmação que diz somente respeito à minha liberdade e escolha pessoal. Não vejo nem nunca vi o Jornal Nacional, pois não gosto da estação em si desde que abriu. Não sou socialista. Se fosse, não obedeceria com certeza a uma política de voto. Iria votar noutro qualquer, menos neste senhor José Sócrates e nos seus candidatos a deputados. Nunca este país foi tão enxovalhado, passando por cada um dos seus ministros e ilustres atitudes e afirmações, desde o senhor Almeida Santos, passando pelo senhor Mário Lino, ou até mesmo à figura triste do senhor Manuel Pinho em plena Assembleia da República, já para não falar da desgraçada figura de Maria de Lurdes Rodrigues. Tudo a pobre herança de Mário Soares e seus jogos fracos de bastidores. Dignificar a vida política desta forma e honrar a imagem de Portugal lá fora, assim, com este governo, é impossível. Quando um povo é privado da Liberdade de Expressão que o coloca na lista de países democráticos, então algo de muito esquisito se passa no nosso canto à beira-mar plantado.

Este senhor José Sócrates escamoteia a realidade com falsos cenários idílicos de um país das maravilhas que não é este; deixa à míngua quem mais trabalha pelo país e diz que estamos a sair da crise; compra lutas com médicos, enfermeiros, polícias, trabalhadores e sindicatos; comprou uma luta das grandes com os professores, agora compra uma luta com os jornalistas.

Há que lhe reconhecer a loucura corajosa de se lançar para a frente nestes debates televisivos para em todos sair perdedor. Tenta ganhar a simpatia dos que estão "à esquerda", mas até estes não o aceitam. Não existe esquerda ou direita, não existe simpatias ou delicadezas que comprem votos. Existe a REALIDADE em que todos querem uma mudança séria de um país que vive com medo.

Dia 27 eu não voto PS.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Auto-comiseração

Aviso à navegação: se for um sensivelzinho-coitadinho-pobrezinho-desgraçadinho passe à frente. Aqui ninguém é obrigado a ler nem a gostar. Como bom Blog que é, e como o tempo é coisa que escasseia por estes lados, nem me dou ao trabalho de tecer comentários nem discutir opiniões. Este post sim, é para os cínicos empedernidos como eu.



Quem nunca se vitimizou e nunca se sentiu a pior e última pessoa do mundo que atire a primeira pedra, mas (claro que há sempre um mas) não há cu que aguente os ataques de auto-comiseração a tempo inteiro.

Pior, a auto-comiseração daquele que se acha a vítima quando, no fundo, a verdade é que somos todos vítimas das nossas próprias acções. Problemas todos temos e os mais graves não somos nós que os buscamos. Os desígnios infinitamente misteriosos que explicam a maneira como alguns dão "a volta por cima" mais depressa que outros, não têm, para mim, grande explicação nem constituem, na verdade, grande mistério. Trata-se de ter uma medula que aguente relativamente, trata-se de já ter passado por problemas REAIS de forma a conseguir-se perspectivar uma situação dita problemática, trata-se de se ser digno e manter a honra a todo o custo. Acima de tudo, trata-se de racionalizar e perceber o que é estar na pele do outro.

Tenho verificado em situações reais, minhas e de outros, que é fácil perder o controlo, é fácil perder-se a cabeça, é fácil errar, escolher um mau caminho e entrar num labirinto que ninguém escolheu. Errar toda a gente erra, ninguém é perfeito e a vida não é um mar de rosas.

Fazer do queixume uma bandeira, exibindo os nossos ENORMES problemas, cagando-se no resto (sim eu escrevi cagando-se no resto), para se justificar certas atitudes ou ganhar simpatias, é a melhor forma de fugir com as pessoas à sua volta.

Não existem pessoas fortes ou fracas. Pessoas ditas fortes têm o direito a chorar e a gritar, mas infelizmente subsiste a ideia de que as pessoas fracas são as que choram, as que toleram, as que suportam. Para mim, isso não existe. Existe mais dignidade nuns do que noutros, existe o silêncio que por vezes é preferível à ladainha do desgraçadinho, da vítima que auto-proclama como tal.


Tenho um grande amigo que, aos 16 anos me resolveu o problema de auto-comiseração, quando me punha com os queixumes de gaja. Dizia "olha, a tua vida é tão má tão má, que se eu fosse a ti, deitava-me ali na linha do comboio à espera que me passasse por cima". Quando eu lá me punha na choraminguice, ele já só dizia "linha do comboio". Tenho muito a agradecer a esse meu amigo.


Eu não tenho amigos que se armam em vítimas, é bom que se note e faço questão de o dizer. Ironia, é que acabam por ser as reais vítimas dos problemas que nunca procuraram as que menos se queixam. Muito pelo contrário: raras são as vezes em que alguém se queixa da vida que tem (muitas vezes tão difícil), do dinheiro que falta (quando normalmente a quem mais falta, é quem menos se queixa), do namorado que é um cabrão (ou a namorada, vá) and so on. Não são mais "fortes", nem aguentam melhor, e não fazem segredo dos seus problemas, até porque para revelar um problema grave sabem que estou sempre cá para eles, e muito menos vão abrir blogs a dizer que são uns miseráveis e incapazes. São apenas mais dignos. E isto diz tudo.



p.s.: dedico este post ao bruno (a "linha do comboio é já ali!"), à helena (essa cabra fria e cruel de quem tive saudades, confesso, ehehehe), à marisa (que nunca cá põe as patas lol) e sobretudo ao meu amor, que depois de duas semanas tão difíceis, manteve sempre a calma e no final, tudo acabou bem. Sem desesperos.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

"Eu já fui assim como tu"











No espaço de um ano conto pelos dedos das mãos (e dos pés) a quantidade de colegas (todas mulheres) MAIS NOVAS QUE EU que me disseram

"eu já fui assim como tu..."

e eu fico assim com cara de parva, e não sei se é para rir ou chorar, ficar ou fugir, aceitar ou repudiar, não sei se é bom ou se é mau

porque

a afirmação é dita com uma certa pena e admiração do que se foi e se perdeu, mas mistura um certo desdém de alguém muito mais experiente, alguém que já trilhou este errado caminho em que me encontro, tudo a propósito de dizer aquilo que penso, de forma mais ou menos cínica ou mais ou menos directa. Pessoas que pouco sabem da minha vida pessoal e profissional quase a elogiarem-me pela "coragem" que eu tenho, mas que lá no fundo, acham mesmo que é uma doença rara.


Um pouco à laia de "quem avisa teu amigo é" porque o melhor é fazer jogos de bastidores e neste triste espectáculo que é a vida, nunca é bom saber de que lado se está. Nunca se sabe com o que se conta. Importante é saber agradar a todos. Sempre com um sorriso nos lábios.

««««»»»»

Pena peninha daquilo que já tive e já não tenho, só se for a capacidade de ressacar com mais energia e menos dores de cabeça. Só.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Maus fígados e hipocrisias





Tenho-me deparado com diversas situações que dizem respeito ao comportamento das pessoas no trabalho, das quais retiro diversas conclusões:

- a grande maioria dos homens está a perder qualidades de macho e as virtudes pragmáticas que tão bem os definem como homens e galos "donos de capoeira", ou seja: andam armados em "conas", em "galináceos" de terceira categoria, em totós, em maricas, em espécies de gajos armados em "alternadeiras" e instrumentos de coscuvilhice fútil e infantil. Em suma, armados em "gajas".
Não sou do tipo de mulher que defende acerrimamente aquilo que algumas mulheres defendem, que os homens é que são os "bons amigos", bons ombros, bons colegas, etc, que "elas" são umas cabras manipuladoras e invejosas. Nada disto. Ao mesmo tempo, sempre revi mais qualidades nos homens como colegas de equipa, dado que têm uma visão pragmática, "limpa" e imparcial relativamente a alguns pontos. São mais sérios, mais distantes e mais humildes, menos competitivos, mais educados. Tenho verificado que isto está-se mesmo a perder. Não na maioria, mas algo está a ficar pelo caminho.

- da mesma forma, as mulheres mais perigosas não são aquelas que me tiram do sério e fazem perder estribeiras, pela sua falta de humildade e arrogância, pela sua falta de modos e maneiras à camionista, que gritam com toda a gente e têm "falta de peso" e de vida e de amigos. São as que usam de linguagem que rima com hipocrisia, as que agradam a gregos e troianos. As que falam mal de um e de outro nas suas costas e se desviarmos o olhar, no segundo seguinte, estão a confraternizar com toda a gente.

Tanto o primeiro caso como o segundo, denotam falta de carácter. No meio de tudo isto, vejo-me muito perdida, por vezes.


Por estas e por outras, é que cada vez mais, gosto cada vez menos de pessoas.

E siga.




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quinta-feira, 21 de maio de 2009

"That's... like... my opinion, man!"






Penso que é óbvio que o episódio "professora de Espinho" é um caso isolado.
Penso que é óbvio que os professores também são pais.
Acima de tudo, por mais descontextualizado que seja, não consigo conceber que aquela professora é "espectacular". Isto, para mim, é óbvio.
Algumas pessoas apenas não "acham" que assim seja, senão não escreviam o que escrevem, pois se por haver uma professora maluca, logo se levantam as vozes da reacção dos paizinhos ai tão preocupadinhos, e os professores tudo uma cambada de maluquinhos, tomando-se a parte pelo todo (o que denota uma inteligência do caraças!), mote de muito boa verborreia intelectualóide de pseudo-esquerda que tenho lido por aí, então a lógica dedutiva desta malta, a ter a coerência que se pretende no discurso, deverá adequar-se a todos os ramos profissionais. Ou não? Cá me parece aquilo que sempre me pareceu: há uma tentativa desesperada de deitar a carreira docente para a fogueira, não medindo palavras ou consequências. Acto contínuo, o professor é saco de porrada, um pouco à semelhança do que acontece em países como o Brasil. Fosse Portugal um país pertencente a uma Europa evoluída, os paizinhos destes discursos ridículos do contra, oh tão preocupados com a educação exemplar que dão aos seus rebentos, não colocariam em causa a dignidade de toda uma classe, tomando por exemplo uma qualquer professora desequilibrada.

Deixo algumas questões a essas mentes brilhantes que tanto questionam a dignidade da classe docente (tenho caixas de comentários abertas a toda a gente, e não faço moderação dos mesmos).



- Lembram-se daquelas gravações de vídeo de actos sexuais de um famoso arquitecto português em pleno local de trabalho? Não é decente nem me parece uma boa conduta no trabalho. Houve boatos que algumas daquelas mulheres envolvidas teriam sido coagidas aos tais actos. Estarão TODOS os arquitectos LÁ DENTRO do mesmo saco?

- Lembram-se de um senhor que, a propósito do segredo de justiça, para o qual ele estava-se, e passo a citar, a "CAGAR"? E das implicações daquele deputado do PS no escândalo sexual Casa Pia? E da autarca que diziam ter um saco azul e fugiu para o Brasil? E das alarvidades do ministro que disse que o Sul era um deserto? Serão, como diz o povo, "os políticos todos iguais"? Serão todos eles corruptos de sacos azuis, pedófilos, inconsequentes, mal educados, incorrectos, etc etc etc? Deveremos acreditar ou não nas gravações que são feitas e apresentadas como prova constituinte de um crime? Já nem vou ao caso Freeport que envolve o nome de alguém, cuja formação como engenheiro foi colocada em causa. Desse estamos todos tão fartos...

- Quando foi posto em causa o bom nome e a reputação de alguns apresentadores de televisão no caso Casa Pia, não me lembro de alguém ter insinuado que as figuras públicas do mundo da televisão ou do espectáculo são todas personalidades com vidas sexuais dúbias, pedófilos e todos deveriam ser escorraçados e interrogados? Já agora, do advogado também metido ao barulho? Serão todos, os advogados portugueses, do Diabo?

- E o mundo do futebol? Terão todos os presidentes de clubes de equipas de futebol um apito dourado?

- O Michael Phelps foi fotografado a fumar um charro. Não me lembro de haver opinião pública e comunicação social a crucificar todos os atletas do mundo.



Isto estende-se a todos os sectores da vida pública que nos afectem. Se eu for mal atendida num hospital, deixarei de ir a todos os hospitais? Se contrair uma doença contagiosa numa piscina deixo de frequentar todas as piscinas? Se for mal atendida num Hotel deixo de fazer férias? Se um polícia me tratar mal deixo de chamar a entidade quando a minha casa for assaltada? Eu sei que não farei nada disso, e antes que venha para o meu Blogzinho privado falar mal de todos os serviços e todas as profissões que existem a prestar mau serviço (público e privado), já fiz o que me compete como cidadã, que é apresentar queixa. Dá trabalho? Dá, mas ao menos não armo em peixeira virtual nem ao pingarelho moral apenas para "expressar a minha opinião".

As opiniões valem apenas o que valem, mas é triste verificar o abuso verbal gratuito de algumas pessoas que se pensassem mais um bocadinho nos assuntos, não diriam tanto disparate e não fizessem os juízos de valor colectivos que fazem. Talvez por isso, haja tanto Blog em que as pessoas se queixam dos CTT à segunda, dos polícias à terça, dos médicos à quarta, dos professores à quinta, dos políticos à sexta, dos hipermercados ao Sábado e no Domingo falam da porcaria que vêm na televisão. Patético.






Meus amigos, a professora bem pode ser maluca, alguns políticos podem ser muito manhosos, existir escândalos de toda a ordem e feitio que afectem a nossa vida, de alguma forma, mas o estado complacente com que as pessoas tratam os assuntos, não faz sentido. Não faz sentido esperar três anos até que alguém faça alguma coisa contra uma situação destas. Existem entidades responsáveis, existem formas de actuar mais condignas do que esperar que a peixeirada rebente e alastre. Não faz sentido condenar toda uma classe por uma pessoa desequilibrada e tomar a parte podre pelo todo. Tantos diplomas superiores disto e daquilo, mas vence a estúpida certeza popular do ditado que diz que pelo pecador paga o justo.


A professora é maluca e tem a vida estragada, muito provavelmente não volta a dar aulas. Os políticos andam por aí à solta, nada lhes acontece.


Conclusão que retiro de tudo isto: vivemos num país que regride constantemente à custa de opiniões feitas e conversas de café. As mentes que mais deveriam fazer a bem da moral e bons costumes, os que nasceram em berços de ouro, os tais pseudo-intelectuais de esquerda, tão cheios de opiniões e tão cheios das suas certezas e dedos apontados "aos professores", they should know better, mas preferem fazer tudo igual ao povão: só muda o tema de discussão, porque em termos de estupidez bruta e opiniões a martelo do "falar mal por falar mal", a crítica parva e gratuita, vai dar ao mesmo que o Zé Povinho. Já dizia o outro que "as opiniões são como as vaginas..."



Siga.



terça-feira, 12 de maio de 2009

Discursos com muitas "aspas"

Às vezes esqueço-me porque é que não gosto de determinados Blogs e determinadas opiniões, e regresso em breves visitas para me refrescar a memória. Foi o caso desta noite, em que fiz uma incursão algo demorada ao Abrupto de José Pacheco Pereira.

Então leio "pérolas" como a que se segue e lembro-me porque é que não gosto de determinados Blogs.




Nos blogues, que estão, desde a génese da blogosfera portuguesa, inclinados para uma direita ideológica herdeira, em muito mais do que imagina, do Independente e do PP de Portas e Monteiro (sim dos dois) prolifera uma atitude um pouco enjoada e nefelibata sobre o 25 de Abril. Muitos dos que a têm, até porque está na moda e as modas contam mais para certas gerações do que para outras, nasceram por volta de 1974, mais ano, menos ano e viveram sempre em liberdade. Esse enjoo enjoa-me também um pouco, porque o resultado final do 25 de Abril, não as suas vicissitudes de percurso, pode traduzir-se nesta verdade absoluta: eu posso escrever “o governo do engenheiro Sócrates é medíocre” e antes do 25 de Abril não podia. No fundo, é simples.

in http://abrupto.blogspot.com/



Se por um acaso o senhor José Pacheco Pereira passar por aqui, deixe-me que lhe diga que as pessoas vivem demasiado o passado neste país, para não terem de encarar o futuro. É apenas disso que estamos TODOS fartos e "enjoados", velhos e novos, mais à "Esquerda" ou mais à "Direita" (quem ainda acredita no conceito de Direita vs Esquerda são os comunistas ou mrpp's que agrediram o Gepeto no 1º de Maio, malta que vai ao Avante com t-shirts do Che Guevara e estudantes de 18 anos do Bloco de Esquerda). Avós, pais e filhos vivem "enjoados" com a conversa da treta do 25 de Abril, todos os anos que se lhe seguiram. Não foi mais do que um culminar óbvio de uma porção de coisas que tinham imperativamente de acabar numa Europa em evolução e, ainda por cima, foram mal solucionadas. Basta ler a História e as múltiplas governações que foram autênticas fraudes, um fiasco. De Soares a Cavaco, de Eanes a Spínola, de Guterres a Durão Barroso, todos diferentes, todos iguais. Todos muito "enjoativos".


Eu posso escrever que antes do 25 de Abril tivémos Liberdade, já que antes de Salazar tivémos Liberdade e posso escrever que 35 anos depois do 25 de Abril de '74, continuamos a ter pseudo-intelectuais agarrados a um século XX que não foi nada positivo, aos conceitos nobres do 25 de Abril, defendendo-os na teoria, mas nunca na prática. Muito sábios, cheios de "aspas" e "conhecimento de causa" no discurso, julgam que nos ensinam algo que por si, desconhecemos.
Recriminar jovens nascidos em '74, mais ano, menos ano, por querer algo de maior? Deveríamos quê? Bater no peito e agradecer três vezes? O seu discurso com demasiadas aspas insinua, à laia de quem cresceu num ambiente sem Liberdade, portanto nunca afirmando convictamente, que os jovens que já nasceram em Liberdade são uns "enjoados" felizardos! Permita que o corrija: não somos uns felizardos, vocês, os que nasceram durante o regime ditatorial é que foram uns infelizes, e precisaram do Golpe dos capitães de Abril para virem agora, todos de cravo ao peito, falar-nos do valor da Liberdade, ignorando tudo o resto, ignorando que Portugal deveria estar num outro sítio que não está, a um nível equiparado ao resto da Europa, pela mentalidade medíocre dos governantes dos últimos 35 anos, e não apenas de Sócrates.

Não é uma questão de "modas" Pacheco Pereira: é uma questão de futuro hipotecado e nós a arder neste país (literalmente) porque a sua "fantástica" geração tem muita retórica e pouco mais do que isso.

Mais do que "simples", eu diria que é triste. Sem aspas.
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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Uma imagem > mil palavras




Depois de visionar a imagem (cortesia da minha amiga Mónica) riem-se milhentos homens (leia-se gajos) e sorriem milhentas mulheres (leia-se gajas). Toda a minha gente em pleno século XXI teve conhecimento de experiência semelhante, quer por causa própria quer por terceiros. A vulgar história cujo papel de bandido pertence ao homem, e em que a enganada e infeliz da mulher agarra-se ao balde de gelado, faz rir toda a gente, MAS... nem sempre é assim.



Às vezes o bicho terrível e predador é a gaja, e o gajo é que se lixa no fim. Façam uma imagem a retratar essa situação, e vejam quantas pessoas se riem no fim. Muitos gajos podem agora subverter a história, fazer cara de Bambi e dizer que as mulheres hoje em dia são umas modernaças, "são piores que eles!", como dizem as velhas nas soleiras das portas.



De uma forma geral, estamos fartinhos de ver a cena acontecer tal como surge na imagem e é essa a situação mais frequente. E rimo-nos, achamos piada, mesmo que isto nos dê amargos de boca, mesmo que isto mexa com as entranhas, mesmo que a memória seja muito curta e nos tenhamos esquecido que já passámos por lá. Porque é que isto acontece? Porque é que são as mulheres as mais rejeitadas? Porque é que são sempre as mesmas desgraçadas a agarrar-se ao balde de gelado? Porque é que isto nos acontece a nós? Pragmaticamente falando, há mulheres a mais. É isso mesmo: há mulheres a mais, gajas a mais, todas no mesmo filme do "sete cadelas a um osso", dado que elas são as cadelas e eles, o osso. Há um excesso de mulheres neste país e todas numa espécie de corrida em que eles se sentem o troféu. Normalmente, este tipo de "gajo troféu" provoca uma expectativa tão grande que no final da corrida, e bem vistas as coisas, o troféu não passa de lata de qualidade inferior. São vulgares.





O meu conselho a este tipo de mulher enganada (que se deixa enganar pelo brilho do troféu de lata):



- valorizem a vida de solteira.



Não há nada de mais fantástico do que ter uma relação (quase) perfeita, ter alguém ao lado que se descobre todos os dias, partilhar uma vida, construir qualquer coisa juntos, etc etc etc e todas essas coisas lindas e maravilhosas que é ter alguém, mas até que isso aconteça, às vezes é preciso procurar muito bem, na medida em que se acredita no Amor entre dois seres humanos. Preciso mesmo é acreditar. Um dia acontece, mas... até que aconteça, os sapos e os troféus de lata pululam por aí. Existem apenas para podermos valorizar a vida, para se poder dizer que se percorreu um caminho, existem para a diversão minhas amigas. Aproveitem o facto de terem TEMPO LIVRE, e valorizá-lo, dando-lhe utilidade em proveito próprio. Saiam com os sapos, divirtam-se com eles; bebam umas cervejas e uns shot's, whatever; tirem um curso, seja superior, seja de dança, seja de italiano, seja de bricolage. Leiam mais. Vejam mais filmes, aqueles filmes do Manoel de Oliveira e todos os criticáveis. Ou as comédias românticas, se preferirem. Aproveitem para ganhar dinheiro, invistam em vocês. Andem pela casa todas nuas com o corpo coberto de auto-bronzeador, coisa impensável de se fazer com um homem em casa. Viajem, viajem muito. Sozinhas. Com amigos. Com amigas.




::dedico este post às minhas amigas que ficaram recentemente solteiras (e não comam baldes de gelado; isso é uma moda à la Bridget Jones ou à la Ally McBeal, que mais não faz do que engordar).

terça-feira, 17 de março de 2009

Jornalistas e ministros (e seus assessores)

No sempre fantástico We Have Kaos In The Garden


A polémica toda aqui.

(Talvez seja isto que Sócrates pretendia com o termo "choque tecnológico"... será? Eu estou chocada, é um facto, e tanto magalhães e tempo a mais entre mãos daqueles que deveriam governar, só podia dar nisto.)

Eu não sei deveras quem é o mais despropositado, descortês, obtuso e boçal: se o post, se o comentário, se a jornalista, se o ministro. Não sei quem foi ao mar e perdeu o lugar, quem chegou fora de horas e estava deslocado, quem é que fumou onde não devia e deixou de fumar entretanto (não foi num voo fretado??? Ah não, era mesmo num restaurante, desculpem).

Abstenho-me de todas estas matérias. Numa, sou bastante incisiva: quem lhes pagou a viagem fui eu. Eu e mais uns quantos milhões de portugueses.

Venderam-se mais uns magalhães cheios de erros (com certeza!), fez-se mais uma viagem, uns almocinhos e jantarinhos à maneirex, e tudo a comer com o patrocínio dos contribuintes.

Se depender de mim, para a próxima viagenzinha, fazem o belo do piquenique e comem no chão. Com formigas e tudo. Assim já podem ser todos amigos, sem lugar marcado e diz que disse e parvoíces e queixinhas à maneira da escola primária. "Sra professora, aquele menino bateu-me com o magalhães!!!!!!"






* senhores dirigentes da CGTP: ao invés de passearem pelas ruas da Avenida da Liberdade em Lisboa e depois dizerem "ah e tal, fomos 200 mil na rua", acordem para a realidade e tomem a Bastilha duma vez! Com o sr. Primeiro-Ministro em Cabo Verde e o sr. Presidente da República na Alemanha... era limpinho! Pensem nisso...

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quarta-feira, 11 de março de 2009

Tretas do dia





Números:
72 por cento das mulheres inquiridas preferem um homem forte e decidido, que saiba o que quer.

85 por cento afirmaram que as seduz que o homem as beije com paixão e as leve à cama sem hesitar. Preferem um homem que tome a iniciativa na hora da sedução e que as faça sentir desejadas.

60 por cento não gostam que eles demorem mais tempo que elas a arranjar-se. Não se trata de não se cuidarem, mas sim de não passar mais tempo que elas em frente ao espelho.




Acho piada à expressão "as leve à cama". Normalmente quem me "leva à cama" é a bendita da gripe ou alguma dor maldita. Enfim. O "forte e decidido" é extremamente redutor e dúbio. Um homem pode ser forte, determinado, etc etc etc em muitos quadrantes da sua vida, não o sendo necessariamente em todos ou nos mais importantes, no que diz respeito a relações amorosas. Há por aí muito bom rapaz determinado em fazer da sua vida um pântano sentimental. Há as aparências e há a realidade. Há quem pareça ser forte e há quem, de facto, o seja.

Definitivamente, não pertenço à classe dos 85%, principalmente porque já me aconteceu e não gostei nada. Um homem que parte do princípio que a mulher quer ir para a cama com ele apenas porque sim(?) é um homem que não sabe ler os sinais, ou na pior das hipóteses, presunçoso. Os arrebatamentos de paixão assolapada pouco me dizem. Mãos atabalhoadamente mal metidas e beijos feitos de línguas que fazem investidas ao lado, tudo à velocidade de banda larga, só servem para arranhar e pensar se aquele gajo irá acertar no umbigo na hora de acertar... pois.
Há formas e formas de se fazer passar a mensagem da paixão, mas infelizmente há quem confunda tesão com desespero, e paixão com força mal medida. Tudo demasiado, tudo forçado. A malta agradece, mas dispensa.

O incrível destes números e teorias, é que mesmo depois de tantas considerações acerca do comportamento sexual do homem, é inquestionável a postura da mulher no que concerne à iniciativa, e é dado adquirido que a mulher continua a ser um objecto sem vontade própria, um catavento que depende da vontade do senhor seu homem e é "levada à cama" em ápices de donzela resgatada para a alcova, na fúria da paixão sexual do seu Adónis, mais preocupado com a performance do Zezinho e em fazê-la crer que é a personagem principal do Nove Semanas e Meia. Será justo para o próprio homem, que é dissecado e questionado qual cobaia/ratinho de laboratório, que tenha a obrigatoriedade do poder de decisão e iniciativa? Melhor: será justo para a própria mulher não ter uma palavra a dizer, o direito de escolha, o direito a dizer onde quando e com quem? Já agora, a obrigação de saber também o que quer, ser forte e decidida, e ter ela mais qualquer coisa a fazer no processo todo, senão a atitude de "aqui me tens, de pernoca aberta e vamos lá a isto"?

A pressão que antecede o acto sexual em si, a antecipação e a possibilidade de rejeição, tudo isto, é algo que deve ser, tal como o prazer, partilhado pelos dois, dividido pelos dois, e um problema que não se deveria colocar em pleno século XXI. É ridículo, tal como é ridículo pegar em amostras e generalizar desta forma o sexo. Se fosse tão fragmentado e estereotipado e definível a este nível, não seria tão interessante debatê-lo. Ou fazê-lo. Estas estatísticas e estes números não são mais do que a anedota portuguesa do sexo dito "normal". Normalizámos tudo, desde que começaram na fruta.

Os comportamentos das pessoas mudam ao compasso dos seus desejos, dos seus projectos, dos seus diferentes amores e parceiros, o ser muda, transforma-se ao longo do tempo de vida. Há quem ache que foder aos 45 é ou deveria ser o mesmo que "foder"/"fazer amor" aos 35 ou 25 ou aos 15. Está no seu direito, tal como eu penso que o homem não atinge o seu auge sexual aos 18 nem tampouco a mulher aos 30. O sexo e os comportamentos são muito mais do que corpos e hormonas, testosterona e gritos. Acima de tudo, deveria ser muito mais do que números.


Mas isto sou eu, claro.

Este expresso online dá-me cabo da cabeça, por vezes...



terça-feira, 10 de março de 2009

Post da semana



Eu sei que ainda nem sequer é sexta-feira (I wish!) mas lufadas de ar fresco como as que recebo deste Blog, praticamente todos os dias, são dignas de ser gritadas ao mundo. Tudo a propósito de sexo casual (ou lá aquilo que cada um de nós entenda como tal), correspondências entre leitores e autores de Blogs, ideias concebidas e pre-concebidas. Este leva a etiqueta de "tretas sobre sexo e coiso e tal" e tenho imensa pena de não ter sido eu a escrever.



CASUAL,
do Lat. casuale
adj. 2 gén.,
que depende do acaso;
fortuito;
eventual;
acidental.



Vou esperar que o meu querido chegue a casa e, eventualmente, provocar um acidente sexual entre nós. Será sexo causal?...














Este blog não pretende dar quaisquer respostas. Nem que seja porque não as tenho. Mas reconheço-lhe, outra vez, que a observação, não sendo inócua, é gira. "Numa relação casual esse brincar-se ao que se pode ser e se é não acontece?" - foi um lapso a omissão do sentir? - Tenho cá para mim que ainda o mando à... família! Mas desconfio fortemente que é capaz de a conhecer melhor que eu. Ora, espere para ver.

Quando afirmei, na última CORRESPONDÊNCIA, que era numa relação estável que se tinha a liberdade de brincar ao longo do espectro do que se pode ser e sentir, podendo ser-se tudo e lailailailailai, não estava, obviamente, a fazer qualquer juízo de valor sobre aqueles que escolhem relações casuais ou a diminuir a relação casual. Aceito que para um elevado número de rapazes e meninas sem disponibilidade, ou vontade, ou capacidade, take your pick, de investimento amoroso - e não, não quero dizer emocional!- , sexualmente experientes e explícitos, também, quanto à natureza dos seus objectivos, possa ser um modo de relação muito satisfatório. E sei que alguns desses rapazes e meninas, num outro contexto, dentro de uma relação, são capazes de um compromisso emocional e sexual. Viu? Agora, vamos a factos muito estudadinhos e mais que provados. O desempenho sexual - apenas no sentido da mutualidade do prazer vivido - corresponde à experiência sexual. Até aqui nada de novo. Mas a verdade, verdadinha, é que essa experiência pode ser aprofundada. A confiança no outro, a empatia, a capacidade de aliar o sexo e a ternura, a integração do elemento agressivo despojado de hostilidade, a dependência madura, a activação de uma vida inconsciente de fantasia e a idealização da relação são os constituintes que permitem o desenvolvimento completo do erotismo. Ou se preferir, o investimento completo da pulsão libidinal, espelho da integração da pulsão sexual com a relação de objecto. (Dizem os tios Green e Stoller, a tal da família...) Mas isto são apenas psicologices que só servem para traduzir assepticamente aquilo que todos queremos: que o sexo - que pode ser um profundo prazer físico e emocional - seja também a expressão da intimidade. A coincidência do sentimento com o pensamento e o corpo. Amor. Isto vivido a dois. A três dúzias, temos pena, tanta peninha, ó!, mas não dá!
E como eu sou mais que magnânima, tome lá as palavrinhas deste rapaz a explicar isto tudo melhor dos que os tios todos juntos! Diz que é um link, diz que é...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Imaginação do caraças



... quando for grande quero ter um gato kitsch...


aqui







sábado, 10 de janeiro de 2009

Mentir ou Não Mentir: Eis a Questão

De Psicologias da Treta



"Para ser absolutamente honesto, arrependi-me de ter proposto este artigo no momento em que me sentei ao computador para começar a escrevê-lo. Esta é a história de um movimento chamado Honestidade Radical. Segundo o seu fundador, o psicoterapeuta americano Brad Blanton, de 66 anos, "todos seríamos mais felizes se deixássemos de mentir". Como a personagem de Jim Carrey no filme "O Mentiroso Compulsivo" deveríamos contar sempre a verdade, não apenas durante um dia mas por toda a vida. Isso implicaria abandonar mesmo aquelas mentiras mais pequenas e insignificantes, incluindo as "piedosas", as meias verdades que adoptamos para não ferir os egos daqueles com quem nos relacionamos.

(...)

O psicólogo Rui Manuel Carreteiro admite que, do ponto de vista clínico, a teoria tem alguma razão de ser. "A saúde mental só pactua com a verdade. Muitas vezes, a mentira, o delírio ou a negação parecem o melhor caminho, mas os resultados nem sempre são positivos." Carreteiro sublinha, contudo, que a sociedade está instaurada de forma a admitir, e até encorajar, as "pequenas mentirinhas" e que, por isso, há limites e formas de expressar a nossa honestidade. "Muitas vezes, a mentira seria desnecessária se tivéssemos a coragem e o bom senso de expressar a verdade com as devidas maneiras. Entre 'Essa saia fica-te horrível' e 'Fica-te mesmo bem', há espaço para uma sinceridade que nos tornaria mais fiéis, amigos e verdadeiros."

Blanton, claro está, discorda. Se uma amiga mais rechonchuda pergunta como lhe assenta o novo vestido, devemos ser frios como o Dr. House: "Faz-te parecer mais gorda." Se temos fantasias sexuais com a cunhada, devemos não só dizê-lo a ela como confessá-lo à nossa companheira. Teorias como estas talvez expliquem o porquê de este profeta da verdade ir já no quinto casamento (com uma hospedeira sueca 26 anos mais nova que ele) e partilhar detalhes da sua vida sexual como quem fala do que comeu ao almoço: "Dormi com mais de 500 mulheres e meia dúzia de homens. Tive vários trios. Num deles, havia uma prostituta hermafrodita", admitiu à revista "Esquire". Afirmações como esta ajudarão certamente a vender muitos livros, mas imagino como seria o mundo se triunfasse a Honestidade Radical. Resistiriam os casamentos e as amizades? Sobreviveriam os nossos egos? Aumentaria o desemprego? Mudariam os políticos de profissão? "Um mundo onde só existisse honestidade seria um lugar pior e não melhor", conclui Núria Blanco, uma tradutora de 29 anos. "Podemos escolher não contar às pessoas coisas que só as vão magoar. Há coisas que elas não precisam que lhes digam."

(...)

A verdade nua e crua é que todos mentimos, "todos os dias, a todas as horas, na alegria e na tristeza", como escreveu Mark Twain num ensaio sobre a arte de mentir. A maioria de nós não somos mentirosos compulsivos e patológicos como a personagem de Jim Carrey, mas todos soltamos aqui e ali pequenas mentiras para não ferir os sentimentos de alguém ou para fugir a uma situação que não desejamos. Afinal, a mentira e a dissimulação são tão naturais como a própria vida. Não se camuflam várias plantas e animais para conseguir alimento ou enganar os predadores? "Tal engano não se trata de um simples jogo: os animais cujos disfarces não funcionam, não sobrevivem", garante o psiquiatra Rui Coelho. Pois também o Homem, qual camaleão, usa a mentira para sobreviver em sociedade."

in Expresso



Não me considero uma mentirosa compulsiva ou manipuladora ou muito menos alguém que camufla aquilo que pensa ser a sua verdade, ou a verdade dos outros, de forma a tirar proveito próprio e, a bem da verdade, não tenho em grande consideração as fragilidades e susceptibilidades dos outros se me perguntarem algo que queiram realmente saber - ou sobre mim ou sobre a minha opinião relativamente a algo. Não sou uma pessoa que goste de agradar e o meu ego não se alimenta da "graxa" que dou a terceiros, muito embora não me considere uma pessoa que goste de chocar ou provocar, de ferir ou ser cruel para com nenhum ser humano. Sou alguém que gosta da verdade acima de tudo, e procuro evitar magoar os outros, acima de tudo, com os meus actos, porque considero que mais que tudo, são os actos que magoam, não as palavras. Já houve tempos em que consideraria esta teoria da "verdade que traz felicidade" bastante válida e aplicável. Hoje em dia, tenho as minhas dúvidas e quase certezas de que tal não seria possível, a menos que se quisesse provocar a tal guerra civil entre pares. A maioria das pessoas que conheço não aguenta a VERDADE. Como se costuma dizer, "quem não quiser saber, basta não fazer perguntas". Há quem possa dizer que a VERDADE é relativa e multifacetada. Depende do ponto de vista e do conceito de relativo. Onde está a subjectividade em dizer-se que se estava num sítio quando se estava noutro? A apreciação estética de uma mulher muito gorda numa saia de lycra? Será que é verdade que lhe fica bem? As mentiras piedosas partem sempre do ponto de vista de quem as pratica e não do seu alvo. Ou não.

"Aquilo que não sabemos não nos pode fazer mal" é uma máxima que adoptei como método de sobrevivência num mundo em que normalmente se sofre muito mais e se faz sofrer muito mais, quando na maioria das vezes, dizer a verdade pode ser apenas um exercício de crueldade.
A não ser que seja para benefício próprio ou maldade ou cobardia, não considero pecado o acto de mentir ou ocultar. Sou e já fui adepta de mentiras piedosas, a fim de proteger alguém ou não fazer sofrer desnecessariamente o outro.

Ao mesmo tempo, sei que no fim, a VERDADE acaba sempre por se saber e acontecer, e muitas vezes, os próprios autores das mentiras piedosas, a praticarem-no por altruísmo, por saberem que essa verdade seria demolidora num período doloroso, acabam sempre por serem os próprios delatores e reveladores das suas próprias mentiras. A bem da verdade.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Lisboa e a soja

Ponto número um: não sou de Lisboa.

Ponto número dois: ainda bem que não sou.











Não serve o presente post para desacreditar os reais vegetarianos que muito respeito têm da minha parte. Não serve tampouco de ataque a todos os lisboetas (a grande maioria de pessoas de que falo nem de Lisboa são, a bem dizer, e tentam a todo o custo negar as suas raízes rurais, abraçando todo um mundo (sub)urbano que vivem de segunda a sexta-feira, com intervalos ao fim-de-semana, que é quando vão à terra). Serve o presente post para desacreditar a corja real que vive num (infelizmente cada vez menos) (sub)mundo lisboeta e que nele se tenta afirmar de alguma forma por hábitos sobejamente modernos e muito alternativos, os quais incluem toda uma nova gastronomia (nada a ver com a nouvelle cuisine, não misturar por favor) apenas porque são in. Ou alternativos.

Enquanto escrevo este post encontro-me a salivar da raiva que tenho a esta gente, que me metem nojo e asco, não porque me relacione directamente com pessoal deste gabarito (normalmente chego àquela fase em que o meu mau feitio me permite mandá-los dar a tal curva ao tal bilhar com mais ou menos elegância que o vernáculo me permitir na altura), mas porque sempre que tenho a ocasião de visitar alguns blogs, saltam-me à vista este espécime que abomino cada vez mais e que se reproduz como cogumelos na blogosfera, os quais já foquei em post anteriormente: os forinhas aka pseudo-intelectuais.

Qualquer assunto serve de pretexto ou ponte para se fazer referência ao facto de se ter comido tofu ou soja ou algo assim muito fora tudo o que é a boa mesa portuguesa. Está completamente fora de questão dizer que se adora uma boa chouriça assada com grelos ou uma sardinha assada com broa. Nem pensar em bife!!! Coitados dos animais!! Não é in. Não é bem. Bem é a soja. Bem é o tofu. Bem é a lasagne al funghi. Bem é o estrangeirismo que se apoderou dos nossos hábitos e a globalização que é sempre uma coisa tão bonita de se ter casa adentro.

Não é raro nos dias de hoje alguém dizer "ontem o jantar foi fantástico!" e em vez de se dizer com quem se esteve, diz-se o que se comeu e bebeu, e os livros que se discutiram, bem como os filmes. Quanto mais fora, melhor. Quanto mais mainstream, melhor. Lêem mais que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa! E quanto mais sensaborona a comida e altamente vegetariana, melhor. Queiram ou não acreditar, isto apenas se passa em Lisboa, talvez de igual forma no Porto, desconheço se tal assim é. Grupos de pseudo-intelectuais se juntam em manada para estes jantarinhos íntimos e a conversa é invariavelmente a mesma. Existe um protocolo e existe uma etiqueta a seguir. Existe muito muito verniz. O que não existe? Gargalhadas sem drogas (não, eu não tenho nada contra as drogas, mas quem não meta uma linha de coca não é bem visto) ou sem muito álcool, são raras. Não existe também um belo bife mal passado ou um simples franguinho assado, comprado à pressão e empurrado com um belo tintinho, apenas para se servir de pretexto a uma boa companhia e conversa genuínas. Há coisas que se estão a perder nesta nossa sociedade portuguesa e tão pseudo-burguesa que tanta soja e tanto tofu come.

*Lembro o meu primeiro contacto com pessoal assim, num jantar assim, numa Lisboa de há dez anos atrás. Jantar com muito muito Martini, muita muita soja, muita roupa estranha e muita conversa da treta com malta da Faculdade de Arquitectura. "A tua mala é incrível!! É Prada?" e eu "não, é da feira mesmo". Por acaso até nem era, mas foi mesmo para escandalizar. Que estas meninas e meninos é tudo muito in e muito design e muito cliché parvo nas cabecinhas, é muita soja e muito tofu e muita amizade aos animais, mas se formos ver as etiquetas, é muita pele de animal morto e atitude muito pouco amiga dos seres de quatro patas.

Ainda bem que eu não sou de Lisboa e o bife que comi ontem estava absolutamente fantástico!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O Inferno é o fumo do cigarro dos Outros

Este Blog informa que passou a ser branco, pois o fumo do cigarro que aqui havia desapareceu. It's GONE.

O Psicologias da Treta não seria realmente da treta se neste novo ano cheio de tanta coisa boa (como a proibição do fumo de cigarro em locais públicos), não fizesse uma breve apreciação sobre os prós e contras da nova lei e, já agora, dar uma achegazinha e uma consideração bastante pessoal sobre o assunto.




Portugal não é, e penso que nunca foi, um país de gente civilizada. Ponto assente. Nível zero em cidadania e boas maneiras. Consideração pelos outros. Respeito pela Liberdade de cada um. Deveria ser proibido, tal como o fumo de cigarro, as pessoas comerem de boca aberta, fazerem ruídos estranhos aquando da degustação, arrotarem, levarem criancinhas aos berros e sobejamente mal educadas e, já agora, dizerem palavrões (tipo "o jogo de ontem foi uma merda, aquele árbitro é um cabrão..." e por aí fora)... isto em locais públicos. Já para não falar do lixo em abundância nas matas do nosso querido país livre, bem como nas praias que nos distinguem como um dos principais pontos turísticos do mundo. Não estou a brincar. Este país é uma vergonha. Você, caro leitor, sabe disso. Pode levar algum tempo a discordar, e mesmo assim, a afirmação de que somos um país de gente incivilizada, como é referido no início do texto, é muito suave. Arrisco mesmo a dizer que somos um país de selvagens. Selvajaria.

Eu concordo com a nova lei. Não tenho de concordar com o facto de termos todos de respirar aquelas coisas todas muito más que vêm no fumo dos cigarros dos outros, e nem sequer tenho de partilhar os malefícios da minha escolha enquanto fumadora suicida com os outros, os que optaram por dizer NÃO naquele momento em que os mais fortes e portatores de grande carácter pessoal e humano, se distinguem dos outros, os fracos, os que sucumbiram ao pecado de fumar um cigarrinho. Faz mal à saúde e isso já todos nós sabíamos. Que a proibição seria um mal necessário, é um facto eminente que mais cedo ou mais tarde, assim teria de ser, e não há volta a dar. Eu sou fumadora e reconheço que nalgum momento (vá, em bastantes) da minha vida, deverei ter acendido algum cigarro perto de muitas criancinhas e sim, fui má cidadã, egoísta e hedonista de pacotilha, coloquei o meu vício antes do bem-estar dos piquenos, mas merecerei o Inferno por isso?... tal como eu, a grande maioria dos fumadores que conheço. É proibido fumar, não se fuma. E ponto. Nem coloco em causa algo que me parece ser do genuíno interesse de todos.

O pior é mesmo o resto. É todo um conjunto de leis que indicam a proibição de algo bem mais precioso que isto, e todos calam, consentem, e daí eu achar que é uma idiotice falar-se nisto e não se falar no resto. O lixo, a poluição, a falta de consciência cívica e ambiental, de animais que se dizem pessoas e não passam de portugueses idiotas, que sujam tudo e não respeitam ninguém, levam os filhos a fazer piqueniques e ensinam-nos a sujar o que é de todos. Para estes não há leis, e estes são a grande maioria daquilo que é chamado de povo português. E o pior é que nem com proibições e leis contra o fumo estas pessoas vão apagar os seus cigarros. O fumo do cigarro é apenas a ponta do iceberg. Não dá trabalho e não custa dinheiro ao Estado chamar um GNR e fazer a denúncia daquele gajo que está ali, armado em estúpido a fumar o seu cigarro do contra (acontece, infelizmente). O que já dá trabalho e custa dinheiro, é colocar mais guardas florestais e polícia marítima a dizer à senhora que não deixe a fraldinha cagada do puto no meio do chão que é de todos. Ou chamar à razão os energúmenos que vão fazer barulho para o cinema, a comer ruidosamente pipocas. Ou mandar calar a criancinha aos berros durante uma refeição em que não tenho simplesmente de sofrer pelos tímpanos. E um sem número de coisas que supostamente são proibidas, mas que não são respeitadas porque dão muito mais trabalho e custam muito mais dinheiro ao mesmo Estado que abre noticiários todos os dias com uma não-notícia. É no fundo, uma falsa questão, ou deveria ser uma falsa questão, que nem em causa deveria ser colocada.

Com o tempo, as proibições serão cada vez maiores e mais pesadas. Fôssemos nós um povo civilizado e nada disto seria necessário. Desde a falta de bom senso até à falta de consideração, os portugueses só entendem a mão da proibição e o delinear de limites bem definidos. E ainda se admiram de ter sido Salazar a figura escolhida pelo povo?




domingo, 6 de janeiro de 2008

Previsão Astrológica Para 2008





Ah sim, cá está a bela da previsãozinha que este Blog não podia de maneira alguma descurar. Podendo ou não acreditar mais nos astros do que alguma vez poderiam vocês supôr, podendo ou não eu ser uma dessas pessoas que jura a pés juntos que a sua única teoria sobre tudo e mais alguma coisa é a do caos ou, em última instância, ser apologista de que o nosso destino está nas nossas mãos, podendo achar que o livre arbítrio será sempre a primeira e última chave para o sucesso ou insucesso nas nossas vidas, é caso para dizer que o indecifrável anda por aí, e a velha história das bruxas (que las hay, las hay...)

Enfim, é melhor ler.




Previsão Astrológica para 2008,
por Professora A, Psicóloga da Treta


Carneiro: 2008, vai ser um ano de mudança e transformação, são de esperar grandes alterações profissionais, e como o Carneiro gosta de mudanças é de prever novidades. Provavelmente para além do emprego, vai mudar de cor de cabelo, fazer dietas, lembrar-se de que comeu e bebeu demais nas festas, mudar de carro, de emprego, tudo vai mudar. Veja lá não se entusiasme e no calor da mudança, não mude de sexo.

Touro: Recebe boas influências do planeta Júpiter, é tempo de colheita de todos os esforços efectuados, solidez e construção são as palavras-chaves para estes nativos. Provavelmente, e sendo algum construtor civil mais afortunado em conhecimentos entre o poder autarca, colherá os frutos do árduo trabalho que elaboraram em conjunto.

Gémeos: será um ano, onde podem esperar por algumas dificuldades, planos podem sair frustrados, assim como poderão ter dificuldades de realização em termos de projectos. Mas nem tudo serão espinhos; para além dos projectos mal realizados, faça uma boa amizade com um nativo de Touro: vai ver que este lhe apresenta alguém lá da Junta ou até mesmo da Câmara, e esses projectos vão correr melhor. Lá para Junho ou assim...

Caranguejo: Outro signo que está a receber boas influências do Céu. Urano representa o progresso e futuro, as suas vidas são ser abençoadas pela sorte. Irá existir muitos casamentos nos nativos deste signo. Se começou a namorar no ano de 2007, então é limpinho: vai CASAR mesmo e constituir família. Deixe finalmente de se armar em durão e assuma que é um romântico incurável: essa carapaça de insensível não o leva a lado nenhum. Todos os Caranguejos anseiam por um bom par de chinelos e um comando de tv na mão, rodeados de filhos.

Leão: Este signo vai ter a oportunidade de renovar, é o renascer das cinzas, os últimos dois anos foram de privações e obstáculos, é um início de um novo ciclo para estes nativos. Também já não era sem tempo! Tenha cuidado com as cinzas, tanto tempo a arder, ainda o confundem com algum arbusto em época de incêndia ou com algum incendiário. Já agora, uns calmantes ajudavam, já que o humor explosivo do Leão é conhecido por ser imprevisível. Os restantes nativos que leiam esta previsão, um conselho: dêm sempre a razão ao Leão; quando contrariado, é insuportável. Deixem-no brilhar.

Virgem: Encontra-se numa posição frágil e de dificuldades. Saturno, o professor da vida entrou nesta constelação a trazer o retorno de tudo aquilo que foi construído nos últimos 7 anos, é um ano de muito trabalho e esforço. Não há bela sem senão. No trabalho é que está o ganho. Conselho para os nativos deste signo: não trabalhe tanto e não seja tão organizado. Pense: 7 anos de tanto gozo e só agora é que paga a factura?... eh... há-de continuar a lucrar. Arrisque mais nos amores e liberte-se de histórias antigas, saia nu/a para a rua, dance mais, ria mais, grite numa falésia, visite os Açores e deixe-se de coisas. A vida é demasiado curta...

Balança: 2008 será um ano para finalmente satisfazer velhos sonhos e acabar com as ansiedades. Não pense tanto se muda a cor do cabelo ou não; não pense tanto se come aquele bolinho ou não; não pense mil vezes antes de mandar o chefe à merda se não; não pense tanto se deva dar AQUELE beijo ou fazer aquele telefonema ou não. Se tiver um amigo Carneiro por perto, não hesite: fale com ele a fim de suprimir o juízo que lhe resta depois de tanto pensar. Vai ver que no arriscar afinal há sempre um petiscar.

Escorpião: Outro Signo que tem uma posição muito vantajosa no Zodíaco em 2008. Após toda a diluição que tiveram em 2007, vem a sorte, o crescimento, e o progresso. Conselho para estes nativos: não contrariar a corrente e acreditar mesmo na Sorte. Seja menos possessivo e mandão, menos cáustico e já agora, menos atento. Faça um bocadinho a vontade aos filhos, sobretudo ao mais novo: não há nada pior que ter uma mãe Escorpião... Viaje mais.


Sagitário: Para os nativos dos últimos dias, será um ano de grandes dificuldades, situações inesperadas poderão alterar radicalmente as suas vidas, não devem tomar iniciativas de expansão. Ou seja: aquilo que mais gostam de fazer, que é viajar, deve ser bem planeado. Boletins metereológicos, passaportes e vacinas, tudo deve ser bem revisto para não haver dissabores de maior.

Capricórnio: Será o grande rei entre os signos, a entrada de Júpiter na constelação já a partir da próxima semana, irá trazer grandes recompensas, êxitos, sorte honras, durante o ano de 2008, tudo irá correr sobre rodas para o Capricórnio. Ou seja: o mar tá de feição, Tóne! Talvez comprar aquele Jaguar, fazer finalmente a piscina, casa sobre o mar, tudo vai ser uma maravilha. Quem sabe, o EuroMilhões?... não seja tão fuinha, tão picuinhas e não teime tanto. Essa sua teimosia sobretudo com aqueles nativos de signos irascíveis, às vezes pode dar faísca... conselho para este ano: não coma tantos doces.

Aquário: A presença do planeta Neptuno, nesta constelação, irá desmoronar alguns sonhos, e objectivos destes nativos. Atenção a projectos grandiosos. Lembre-se: aquilo que não se fizer este ano faz-se no próximo. Não seja tão esquisito, e tão armado em diferente. Apanhe uma bebedeira e chore no ombro dum amigo; é bom ter dentro de si alguma vulnerabilidade, e tanta independência junta faz mal ao fígado. Desabafe. Tal como o Balança, é atreito à ideia de mandar o chefe à merda, muito embora acabe por fazê-lo, mas por palavras caras, que o chefe não entende... mande-o mesmo à merda. Vai ver que faz milagres.

Peixes: Outro signo que está sob as boas graças do céu, é tempo de realização dos sonhos, destes nativos. Mudanças repentinas, mas favoráveis irão trazer grandes concretizações. Nem sempre o Peixes gosta de mudanças, mas se as boas graças vêm dos céus, então é recebê-las de braços abertos. Conselho para este nativo: não pense tanto na perseguição cruel que os outros fazem, que o Mundo faz, nos entraves da vida. Nem tudo é ambíguo e tudo pode ser afinal muito simples.


É de referir que cada pessoa é um mundo, todo o ser humano tem um micro-zodíaco dentro de si, de acordo com a posição dos planetas nos signos.
Assim as previsões acima citadas, são um genérico abrangendo apenas 10% das pessoas de cada signo.

Cada pessoa tem uma missão a cumprir, que depende da posição de cada planeta, e os aspectos que fazem.

As pessoas dos Signos Cardinais, que são Carneiro, Caranguejo, Balança e Capricórnio, que fazem anos nos primeiros dias, vão ter mudanças grandes, nas suas vidas, mas se as mudanças são benéficas ou maléficas, vai depender do mapa Astrológico de cada ser.




* foi o que de mais Zen consegui arranjar, pelo que dentro dos próximos meses, penso que não voltarei a falar de previsões astrológicas. Agradeço à minha querida amiga Cristina Candeias, que me ajudou a elucidar-vos um pouco mais sobre este novo ano fiscal de 2008.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

As Passagens de Ano




Ainda agora este 2008 começou e já eu me sinto uma Cabra Fria e Cruel da pior espécie, mesmo não sabendo o que é que o novo ano me reserva, e mesmo que seja uma data de coisas muito ruinzinhas, fica ao menos este testemunho pessoal e intransmissível de uma porção de coisas que me perturbam sempre que acaba um ano velho e começa um ano novo.


Isto serão apenas algumas considerações e resoluções de quem, como disse anteriormente, acaba um e começa outro. Ano, pois então.


Não me irei debruçar sobre aspecto nenhum da minha vida nem sequer dizer qual foi o melhor e o pior no internacional de 2007, pois isso seria demasiado óbvio e para isso já há demasiados Blogs a encher páginas. A mim ninguém me paga para fazer críticas e concerteza ninguém está muito interessado em saber qual é o Top 100 das minhas preferências culturais. Quando muito, poderei dizer que, para o ranking das minhas preferências gastronómicas entrou directamente para um merecido (sei lá, deixa ver) sétimo lugarito a alcatra de peixe da Ilha Terceira que é de babar.


Mas onde é que eu ía?


Pois, as Passagens de Ano e as considerações sobre o Velho e o Novo.


Se querem saber, não divido assim tanto o Velho do Novo, acho que acaba por ser tudo a mesma coisa até porque o quebrar de um Ciclo na vida de qualquer pessoa é muito relativo e mal seria se todos começássemos a tal vida nova a cada dia 1 de Janeiro. Ou seja, mais uma vez, pessoal e intransmissível. No fundo, o que temos todos em comum é o facto de termos de fazer o IRS de ano a ano, e disso nem os ministros se escapam, fazendo das finanças deste país um quase denominador comum (sim, porque quem dera que os meus rendimentos fossem iguais aos do tio Belmiro) . "Feliz ano novo fiscal!" vão passar a ser os meus votos nos Dezembros vindouros.

Outra coisa que me irrita um bocadito no calendário é a porcaria dos filmes. Isso, a porcaria dos filmes. Ou dos prémios para filmes. Já agora, dos discos e respectivos prémios também. Quem é que quer saber do filme que foi realizado em Janeiro de 2007 na altura da atribuição do prémio que se passa no ano seguinte??? E o tal disco que tanto se ouviu em 2007 mas que afinal foi de 2006? Será que posso dizer que 2006 foi um grande ano para aquela banda, se afinal só ouvi AQUELE disco no ano a seguir? Daí toda a minha fúria relativamente aos atrasos que afinal o calendário comporta desde os números marcados em cada mês e a realidade subjacente á nossa vida em concreto. No fundo, a questão do IRS também se aplica aqui. Quem é que nunca se auto-flagelou por ter perdido n facturas que afinal são já "do ano passado"?


Bem, do que é que eu gosto na cena toda do Ano Novo?

Gosto do Fogo de Artifício que, tal como o próprio nome indica, simboliza tudo o que aquelas míseras horitas significam, no fundo: um artifício. Gosto da alegria quando é genuína, quando se está na companhia de quem realmente interessa, sinal de que ainda andamos todos por cá e gosto da comida e da bebida.
O que é que me perturba? As semelhanças com o Carnaval, que detesto. Quase tudo, a bem dizer...


E siga que já é 2008.

Bom ano fiscal a todos!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Os Forinhas aka pseudo-intelectuais de esquerda aka"OS"VERDADEIROS alternativos aka groupies aka o raio que os parta






Ora bem... lembram-se da beta alternativa? Pois... de volta ao tema, desta feita para falar dos verdadeiros alternativos. Existe todo um conceito alternativo ao conceito de alternatividade. Ou seja: se a beta é beta porque veste marcas (nem que sejam da feira de Carcavelos), pode ao mesmo tempo ser alternativa, tendo algumas noções básicas de cinema, música, arte and so on so on, essas coisas todas muito bonitas(?)... pode, até porque se está na moda ser-se alternativo, existe todo um mundo de regras e um protocolo muito bem definido sobre isso de se ser alternativo. Ou seja, a teoria antiga de que os betos eram betos porque seguiam as modas, e se moda presentemente é ser-se alternativo (VERDADEIRO INTELECTUAL!!!) e vestido a rigor como um verdadeiro alternativo (já iremos ver de perto como é que eles se vestem), a beta saíu de moda, logo... é a real alternativa! Subvertem-se os papéis, e todos entram neste jogo parvo de se querer pertencer a algo, a um grupo. O discurso pode ser até bastante nihilista e pessimista e o raio que os parta, mas a verdade é que alternativos verdadeiros podem ter tanta merda na cabeça como as betas alternativas.




Então afinal que é isso de se ser um "forinha"aka pseudo-intelectual de esquerda aka"O"VERDADEIRO alternativo aka groupy aka o raio que o parta?


Existem dois tipos: os que acreditam realmente que são (os mete nojo da cena toda) e os que querem acreditar (uns tristes que só vendo).


Os primeiros até percebem realmente da coisa: leram, lêem, ouvem, escutam, vão aos concertos, aos museus, ficam uma hora a olhar para as instalações da CulturGest com verdadeiro prazer, viajam imenso... são pessoas interessadas. Por saberem-no (que sabem) são uns arrogantes daqueles de bradar aos céus. Lêem, mas aquilo pouco lhes diz, na medida em que é um empinanço de tanto autor que pouca margem deixam para a sua própria visão e tudo o que fazem pouco tem de original, dedicando-se ao plágio. São académicos arreigados aos conceitos. Sempre foram e sempre o serão. Oscilam entre os 20 e os 50 anos. Vivem para a profissão, a qual fazem questão de repetir, à exaustão, como se dele dependessem, porque vivem do estatuto que a profissão lhes dá. Obviamente serão toda a panóplia de malta que veio duma classe a oscilar entre a média (o pai ainda ouve o Roberto Carlos) e a alta (o paizinho deu-lhe a conhecer Schubert numa noite de tempestade e finou-se enquanto dissertava sobre?), mas todos conseguem chegar a qualquer rendimento que ultrapassa os €25.000 anuais, o que lhes permite ter acesso a determinado "material cultural". Sim, porque os CD's e os livros e o teatro e a ópera etc custam dinheiro.
Metem mesmo nojo e pode ser realmente enfadonho estar com pessoas destas por mais de 3 ou 4 horas. São normalmente tímidos e têm muitos complexos, principalmente de superioridade. Eles acreditam agora em algo que vão repetir até ao fim das suas vidas e isso significa estar no acontecimento de algo e à frente de tudo o que for mais avantgarde. Alguns alcançam grande sucesso profissional, mas a maioria acaba por sofrer enormes desilusões e frustrações.




O segundo grupo lê os mesmos livros, ouve e vê os mesmos filmes e músicas, compra as mesmíssimas coisas, frequenta os mesmos sítios, mas... no fundo no fundo aquilo não lhes diz grande coisa. Ainda assim, ficam especados perante a instalação a detestar aquilo ("mas deve ser Arte, é Arte!"), têm imensos preconceitos (de todo o género e feitio: racistas, sexistas, homófobos, etc) mas adoptam uma atitude muito cool e vão aos sítios da moda (isso normalmente inclui gays, o que por si constitui um sacrifício), e são o tipo de pessoas que rema contra a maré, mesmo tendo conhecimento de causa de tudo o que exploram exaustivamente, apenas porque sim. Normalmente pertencem ao PC ou ao Bloco de Esquerda, mas também não sabem muito bem porquê... ao contrário da beta que gosta de Joy Division mas não sabe quem é o Ian Curtis, o forinha que quer desesperadamente ser um forinha, sabe a vida do Ian de trás para a frente, mas não entende as letras. Tem todos os livros e discos, mas não entende o desespero. Não entende a essência daquilo. Devem pensar que no fundo, no fundo, o Ian até curtia mesmo ser um forinha, escrevia aquelas coisas porque era um intelectual do camandro!...



E porquê? Porquê tudo isto, então? Porque é uma MODA. Todos estes forinhas aka pseudo-intelectuais de esquerda aka"OS"VERDADEIROS alternativos aka groupies aka o raio que os parta, têm em comum o facto de se vestirem todos de igual. Quase todos de preto. Preto preto preto. Ou cores muito garridas e fluorescentes, no caso dos designers e arquitectos. Ou casaquinhos alemães do tempo da 2ª Guerra Mundial. E t-shirts do Che por baixo. Óculos de aros grossos (pó estilo) em massa preta (ou laranja/verde fluorescente). Écharpes de lã. Malinhas a tiracolo. À medida que o tempo avança, a indústria da Moda começa a estar bastante virada para este tipo de público, desde que se apercebeu que afinal o tempo em que as pessoas que se vestiam de preto significava luto já vai longe, e bem atrás. É foleiro dizer-se que se é de Direita, mas é muito muito cool andar a beber copos no Bairro Alto, a falar de poesia, de política e de música, dissertar e divagar, mas "chega-te pralá que está aqui um sem-abrigo" e vá de dar beijinhos na língua dos cães, porque os animais são nossos amigos...




É que no mundo das aparências, entre betas alternativas e forinhas descompensados, a porcaria é a mesma, e toda a gente quer evidenciar algo que muitas vezes não é, mas apenas o que faz. Porque não é cool. Porque não é in. Porque fica mal estar fora dum grupo e não se pertencer a lado nenhum. Cultiva-se o ar negligé de incompreendido e coiso e tal, da solidão e das coisas malditas, mas as reacções são quase todas iguais e toda a gente copia identidades e estilos. No fundo, errar e ser humano é também isso. Ou pode ser também isso. E no meio de tudo o que se pretende evidenciar e/ou esconder, o mais importante fica de fora: aceitar que por vezes podemos ser um somatório de muitos desejos, ainda que contraditórios. Digo eu. Sei lá...

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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