
Depois de visionar a imagem (cortesia da minha amiga Mónica) riem-se milhentos homens (leia-se gajos) e sorriem milhentas mulheres (leia-se gajas). Toda a minha gente em pleno século XXI teve conhecimento de experiência semelhante, quer por causa própria quer por terceiros. A vulgar história cujo papel de bandido pertence ao homem, e em que a enganada e infeliz da mulher agarra-se ao balde de gelado, faz rir toda a gente, MAS... nem sempre é assim.
Às vezes o bicho terrível e predador é a gaja, e o gajo é que se lixa no fim. Façam uma imagem a retratar essa situação, e vejam quantas pessoas se riem no fim. Muitos gajos podem agora subverter a história, fazer cara de Bambi e dizer que as mulheres hoje em dia são umas modernaças, "são piores que eles!", como dizem as velhas nas soleiras das portas.
De uma forma geral, estamos fartinhos de ver a cena acontecer tal como surge na imagem e é essa a situação mais frequente. E rimo-nos, achamos piada, mesmo que isto nos dê amargos de boca, mesmo que isto mexa com as entranhas, mesmo que a memória seja muito curta e nos tenhamos esquecido que já passámos por lá. Porque é que isto acontece? Porque é que são as mulheres as mais rejeitadas? Porque é que são sempre as mesmas desgraçadas a agarrar-se ao balde de gelado? Porque é que isto nos acontece a nós? Pragmaticamente falando, há mulheres a mais. É isso mesmo: há mulheres a mais, gajas a mais, todas no mesmo filme do "sete cadelas a um osso", dado que elas são as cadelas e eles, o osso. Há um excesso de mulheres neste país e todas numa espécie de corrida em que eles se sentem o troféu. Normalmente, este tipo de "gajo troféu" provoca uma expectativa tão grande que no final da corrida, e bem vistas as coisas, o troféu não passa de lata de qualidade inferior. São vulgares.
O meu conselho a este tipo de mulher enganada (que se deixa enganar pelo brilho do troféu de lata):
- valorizem a vida de solteira.
Não há nada de mais fantástico do que ter uma relação (quase) perfeita, ter alguém ao lado que se descobre todos os dias, partilhar uma vida, construir qualquer coisa juntos, etc etc etc e todas essas coisas lindas e maravilhosas que é ter alguém, mas até que isso aconteça, às vezes é preciso procurar muito bem, na medida em que se acredita no Amor entre dois seres humanos. Preciso mesmo é acreditar. Um dia acontece, mas... até que aconteça, os sapos e os troféus de lata pululam por aí. Existem apenas para podermos valorizar a vida, para se poder dizer que se percorreu um caminho, existem para a diversão minhas amigas. Aproveitem o facto de terem TEMPO LIVRE, e valorizá-lo, dando-lhe utilidade em proveito próprio. Saiam com os sapos, divirtam-se com eles; bebam umas cervejas e uns shot's, whatever; tirem um curso, seja superior, seja de dança, seja de italiano, seja de bricolage. Leiam mais. Vejam mais filmes, aqueles filmes do Manoel de Oliveira e todos os criticáveis. Ou as comédias românticas, se preferirem. Aproveitem para ganhar dinheiro, invistam em vocês. Andem pela casa todas nuas com o corpo coberto de auto-bronzeador, coisa impensável de se fazer com um homem em casa. Viajem, viajem muito. Sozinhas. Com amigos. Com amigas.
::dedico este post às minhas amigas que ficaram recentemente solteiras (e não comam baldes de gelado; isso é uma moda à la Bridget Jones ou à la Ally McBeal, que mais não faz do que engordar).
