::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Oh oh oh it's Christmas yeahhh!!!!!




Há coisas que fazem parte do imaginário de todos nós, enquanto crianças, enquanto adultos, enquanto adolescentes, enquanto seres humanos. Vivemos porque sim, recordamos o que vivemos, e temos dentro de nós imagens, sons e cheiros (não necessariamente por esta ordem) que despoletam vivências que nos fazem sorrir ou deitar uma lágrima quando expostos a uma imagem, um som ou a um cheiro familiar. Um clique que acontece e ainda bem que assim o é.

Este foi, muito provavelmente, um dos melhores vídeos, senão o melhor, de 2009. A trazer um certo imaginário de volta daquilo que constitui, para mim, uma das melhores músicas de sempre, os melhores "bonecos" de sempre, associados à minha infância, e claro, associados ao meu Natal.

Agora sim, cheira a Natal.


Fica também o original, claro.




Descubra as diferenças XVIII




"Too fast to live, too young to die"




Pergunta: o que é que aconteceu a este rapaz, durante toda uma madrugada, em Almancil, essa terra de sobejamente conhecidos machos, para estar com as calcinhas em baixo? "Alguém o tentou ajudar"?? Ajudar?

Destaque para a mensagem linda que o rapaz tinha na camisola. Há coisas fantásticas, não há?


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Deixar de Fumar MMVIII









Contextualizando os leitores deste tão humilde (ohhhhhh) Blog, houve alguém que veio cá parar (um Anónimo, portanto), a propósito de conservadorismos barra liberalismos barra whatever barra fumar cigarros e maços no diminutivo com cedilhas a mais e outras coisas sobre as quais não vale mesmo a pena debruçar-me neste momento, que me pediu que o elucidasse (muito delicadamente) como é isto de nos passarmos para o outro lado da barricada.

Obviamente a coisa não funciona "assim". Não há nem houve um truque e permitam-me os mais cépticos que possam vir aqui parar através do Google com a deixa desesperada das três palavras "deixar de fumar", que diga o seguinte: ENJOEI. Nem sequer sei como. Fartei-me. Enjoei o tabaco. Não estava grávida, não estava sequer a pensar em deixar de fumar, nem sequer tinha considerado REALMENTE a hipótese de deixar de fumar. Muito menos na altura em que foi. Aconteceu. Como acontece apaixonarmo-nos por alguém, como acontece desapaixonarmo-nos, como acontece termos um acidente de carro, tal como outra coisa qualquer que nos acontece sem darmos por isso. Já tinha tentado muitas vezes deixar de fumar. Umas três ou quatro. Sem efeito.

Em 2008, foi assim que aconteceu. Sem planear. Um bilhete premiado na lotaria, uma viagem que se ganha, um amigo que se reencontra ao fim de muitas décadas, ou um amigo que deixa de o ser, porque talvez nunca o tenha sido, um vómito conquistado à laia de ser anti-dependência. Em suma, uma incógnita.

Assim são as pessoas de atitudes inesperadas, inconstantes e nervosas como eu. Cansam-se e fartam-se. Sem aviso prévio.

Coisas





Uma coisa leva a outra coisa e a outra e a mais uma e outra coisa que entretanto já deixou de ser a primeira para ser uma coisa completamente diferente.

Existem coisas que nos resgatam outras coisas que não têm nada a ver com as coisas que lembram a outros, outras coisas, embora sejam as mesmas coisas que nos lembram coisas diferentes.

Dentro de nós temos coisas que dadas a outros, tornam-se as suas coisas (as coisas deles) e deixam de ser só nossas para passar a ser as NOSSAS coisas e uma coisa que era apenas uma coisa só, passa a ser uma coisa que pode ser outra coisa qualquer.

As coisas que me lembrei de escrever.
As minhas e as tuas. Coisas...

Pingo Doce





A primeira vez que vi o novo anúncio do Pingo Doce pensei "isto é mesmo mau, a tipa desafina que se farta!"


Cheguei a pensar também que podia apenas ser uma questão de maus fígados, mau dia, mau feitio habitual, pouca pachorra para a televisão, podia até ser de mim. Mas não. Aquilo é mesmo mau.


O Pingo Doce merecia melhor.


domingo, 22 de novembro de 2009

Conservadorismo ou Facebook a mais?



#1::lata de conserva::
[devo esclarecer, antes de mais, que é o único
tipo de conservadorismo que considero::o resto é treta]


Este post fez algum eco na minha cabeça. Pedro Rolo Duarte. Pois, como em tudo na vida, não gosto de algumas ideias, não desgosto de outras. Nunca me é indiferente, o que já não é mau. Pior seria não surtir efeito algum.

Construimos ideias sobre os outros e concebemos juízos de valor a partir daquilo que nos dão. PRD assume-se como conservador. Seja!, ele é que sabe; cada um sabe o que é e como gosta de se assumir perante terceiros. Em oposição a isto, a tudo isto, não me assumo de outra forma como a óbvia e clara como a de um ser humano normal que nasceu na década de 70, pós 25 de Abril, e que não se considera como liberal ou conservadora, de esquerda ou de direita. Tenho ideias muito próprias e concretas, umas mais de pedra e cal, outras mais de areia movediça, e isso não se define num protótipo ou estereótipo. São de ponderar, as ideias que PRD deixa patentes no seu claro perfil, que me deixa um profundo ponto de interrogação na cabeça, sem lâmpada de desenho animado sobre mim mesma. Ora dado que já passei a fase dos porquês (ou devia ter passado), a idade do armário, a idade da revolta, a idade da auto-afirmação, e todo um conjunto de idades que nos distinguem em diversas fases da vida, e dado que cheguei à idade adulta com dias complicados que vão desde os porquês ao armário, do gugu-dada à parvoíce auto-induzida como forma de sobrevivência, isso faz de mim menos bem sucedida? Decerto menos preto no branco, mas penso que ninguém o é, embora toda a gente queira parecer ser. Num mundo onde toda a gente quer parecer muito adulta, bem, inteligente, atraente, com QI's e QE's acima da média, e onde ninguém é o que realmente é sem que pareça um atrasado mental ou um desgraçadinho ou um abandonado de merda com quem ninguém queira ter uma relação minimamente aceitável, dentro dos padrões da normalidade ditada pela sociedade de consumo, os meus dias de merda e de dúvidas, os tais dias cinzentos farão de mim o quê?


Afinal o conservadorismo da espécie baseia-se em quê? Traduz-se na quantidade de coisas novas que o indivíduo é capaz de assimilar, seja em atitudes ou costumes? É gostar mais de cozido à portuguesa do que de sushi? É curtir mais os Buraka Som Sistema do que o Rui Veloso? Burro velho não aprende línguas, já dizia a minha avó, e acho que é um bocado óbvio que quanto mais novo se é, mais aberto se está às mudanças, ao mesmo tempo que quanto mais velho se fica, menor será o grau de adaptabilidade a novas circunstâncias.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

Como em tudo, é uma questão de educação, de re-educação, de adaptabilidade. Só os burros também não mudam de opinião. Oh pra mim que votei na Manuela e já estou eu tão arrependida de ter votado na Manuela! (Devia ter votado no Portas) Oh pra mim que adoro cozido à portuguesa e não morro de amores por sushi! Oh pra mim que gosto de tudo o que é novo, de conhecer novos sítios, novas cidades, gosto de moda, gosto de música (também gosto de clássicos), gosto de novos autores (mas também gosto do Eça), gosto de experimentar coisas novas! Oh pra mim que não gostava de arroz doce e agora gosto! Oh pra mim que não gostava de feijão verde, de pêra-rocha, do Mark Kozelek, de me vestir às cores, que não gostava de gatos e agora gosto disto tudo! Oh pra mim que era viciada num belo maço de cigarros diário e agora o cheiro dá-me náuseas! Sim, vómitos! Isto são os contrasensos do ser humano que não nos permite (ou não deveria permitir) equacionar-nos, encaixotar-nos e reduzir-nos a perfis tão simplistas. Já agora, e para enriquecer o meu "perfil", devo afirmar que sou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo e muito, mas muito mais ainda a favor da adopção por parte dos casais homossexuais. PRD diz-se a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas "vacila" perante a hipótese da adopção. Ele chama-lhe conservadorismo; eu chamo-lhe hipocrisia.


O rumo das coisas, a ser alterado, é feito com vigor, com energia, pelos mais novos, e com a paciência e displicência dos mais velhos. O conceito de conservador/liberal é algo que se usa conforme dá mais jeito. Erradamente, a meu ver. O conservadorismo é para "velhos" e o liberalismo tem de ser para os mais "novos". Independentemente da idade. No fundo, e para não confundir as mentes menos brilhantes, apenas pretendo dizer que de conservador, liberal e louco todos temos um pouco. É óbvio que a páginas tantas, a amálgama do que somos pareça um poço de contrasensos se embarcarmos nessa onda preconceituosa daquilo que é ser conservador e ser liberal.

Depois dizer que se gosta mais das músicas, sabores, filmes e cidades que já conhecemos como afirmação de conservadorismo é idiota. Isso é apenas um traço de personalidade. Adaptabilidade a novas coisas todos temos, em maior ou menor grau. E nada tem a ver com conservadorismo. Obviamente se eu disser que gosto mais do Irão do que dos EUA, se calhar a coisa já resvala mais para o conservadorismo. Já agora, para a imbecilidade também, mas cada um gosta do que gosta.

No fim, é de louvar o esforço da escrita e a exposição que este senhor faz de si mesmo, pois o que a muitos dos que lá andam a comentar, lhes soa a genial (porque se identificam, devem ser da mesma década de nascença que PRD), a mim soa-me a auto-promoção descarada, o traçar de um perfil, idêntico ao que vemos no Facebook de tantas pessoas, cheio de auto-promoções, clichés e mais clichés e cenas muito cool.

"Mas sou conservador, tá a ver?"


T.P.C.

La journée de la Jupe
[ou aquilo em que se tornaram os meus dias...]





Protagonizado por Isabelle Adjani, O Dia da Saia é um drama sobre uma professora, Sonia Bergerac, vítima de descontrolo emocional causado pelo stress incutido pela indisciplina dos seus alunos. Um dia descobre na sala de aula uma arma a sair de uma mochila, toma-a e, à falta de melhor solução, usa-a para controlar os alunos e poder tentar dar a matéria. Um drama intenso que nos apresenta um rol de problemas habituais nas escolas francesas, mas também nas portuguesas, como indisciplina, abusos sexuais, racismo e até violência para com os docentes.




Um filme que aborda de uma forma provocativa, de tão realista, os problemas que os professores enfrentam no seu dia-a-dia na formação das nossas gerações futuras.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O programa segue dentro de momentos

Breve intervalo no Blog, breve interrupção para dizer que, se viver (a sério) dá muito trabalho (o Pedro Paixão terá dito algo do género, que viver todos os dias cansa), então ter dois blogs é completamente insuportável nos dias que correm. Por uma questão de lógica, de circunstâncias e de bom senso resolvi manter o Psicologias da Treta um pouco à semelhança do que era quando surgiu, uma amálgama de muita coisa, generalista, parvo e inconsequente, poético, íntimo, e abandonar o Beautiful Losers. Ou seja, patra além das parvoíces que me dão vontade de rir, ou inspiram, ou às quais acho alguma piada, estarão na berlinda artigos/posts de opinião, coisas pessoais que acho dignas de destaque, whatever, o que me der na real gana de escrever. Ou não fosse isto um Blog de gaja.

Talvez com um Blog apenas, a disciplina surja, e não me sinta tão culpada por tudo o que não pode ser alimentado todos os dias. Não é falta de ideias, falta do que ter de escrever, falta de inspiração; é mesmo falta de tempo, pelo muito que 24 horas rendam, não são, ao mesmo tempo, suficientes para quem não trabalha ao computador todo o dia e, por isso mesmo, não dispende do mesmo para produção de texto para o Blog. Dizem que a manutenção de um Blog depende do grau de solidão de uma pessoa, se não temos uma relação ou alguém, é portanto sinal de que não existe uma "vida", e portanto, vá de criar um Blog. Eu não poderia estar mais em desacordo com essa ideia. Se existe uma vida, ela não depende unica e exclusivamente dos parceiros sexuais, se há ou não uma relação ou até mesmo, várias em simultâneo. O único senão para a manutenção de um Blog é o grau de preenchimento dessa vida, as horas que gastamos no trabalho ou a fazer outra coisa qualquer. Às vezes dá mais gozo fazer outra coisa qualquer. No meu caso, tenho pena de não ter mais tempo. Tenho muitas histórias a contar, coisas a escrever. Veremos como será a partir daqui.


No fundo, segue apenas a lógica daquilo que é um Blog: despretencioso, com carácter de "meu querido diário", masturbatório e aberto à comunidade. O ideal seria juntá-los, mas tal não é possível... pois não?

domingo, 15 de novembro de 2009

Vida de gato

Agora já posso escrever isto, fazer este post.

Nem sei por onde começar. Talvez pelo início. Há muitos, muitos anos atrás, era eu uma miúda, tive gatos. Depois, tive cães. Desde então, prefiro os cães. I'm a dog person. Numa altura em que vivia numa casa com quintal e um pequeno jardim, era fácil ter animais, ter cães era a loucura. Tive dois cães. Sofri e chorei muito quando (um morreu e o outro desapareceu) saíram da minha vida.

Actualmente, e muitos anos depois, vivo num apartamento, com um gajo que adoro. Esse gajo adora gatos. He's a cat person. Esse gajo esteve fora durante 15 dias. Nessa ausência, arranjei-lhe um gato. No fundo, arranjei-nos um gato, pois adoro o bicho, estou apaixonada pelo bicho e não hesitei em chamar-lhe Dylan. Não sei se é gato ou gata.

Chama-se Dylan, e neste momento estamos os dois à espera do "dono".





ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah (ou "lol" no meu magalhães)

Carta aberta ao primeiro-ministro José Sócrates


Autor: João Miguel Tavares

Excelentíssimo senhor primeiro-ministro: Sensibilizado com o que tudo indica ser mais uma triste confusão envolvendo o senhor e o seu grande amigo Armando Vara, venho desde já solidarizar-me com a sua pessoa, vítima de uma nova e terrível injustiça. Quererem agora pô-lo numa telenovela - perdoe-me o neologismo - digna do horário nobre da TVI é mais um sintoma do atraso a que chegámos e da falta de atenção das pessoas para as palavras que tão sabiamente proferiu aquando do último congresso do PS:”Em democracia, quem governa é quem o povo escolhe, e não um qualquer director de jornal ou uma qualquer estação de televisão.” O senhor acabou de ser reeleito, o tal director de jornal já se foi embora, a referida estação de televisão mudou de gerência, e mesmo assim continuam a importuná-lo. Que vergonha.

Embora no momento em que escrevo estas linhas não sejam ainda claros todos os contornos das suas amigáveis conversas, parece-me desde já evidente que este caso só pode estar baseado num enorme mal-entendido, provocado pelo facto de o senhor ter a infelicidade de estar para as trapalhadas como o pólen para as abelhas - há aí uma química azarada que não se explica. Os meses passam, as legislaturas sucedem-se, os primos revezam-se e o senhor engenheiro continua a ser alvo de campanhas negras, cabalas, urdiduras e toda a espécie de maldades que podem ser orquestradas contra um primeiro-ministro. Nem um mineiro de carvão tem tanto negrume à sua volta. Depois da licenciatura na Independente, depois dos projectos de engenharia da Guarda, depois do apartamento da Rua Braamcamp, depois do processo Cova da Beira, depois do caso Freeport, eis que a “Face Oculta”, essa investigação com nome de bar de alterne, tinha de vir incomodar uma pessoa tão ocupada. Jesus Cristo nas mãos dos romanos foi mais poupado do que o senhor engenheiro tem sido pela joint venture investigação criminal/comunicação social. Uma infâmia.

Mas eu não tenho a menor dúvida, senhor engenheiro, de que vossa excelência é uma pessoa tão impoluta como as águas do Tejo, tirando aquela parte onde desagua o Trancão. E não duvido por um momento que aquilo que mais deseja é o bem do Pais. É isso que Portugal teima em não perceber: quando uma pessoa quer o melhor para o País e está simultaneamente convencida de que ela própria é a melhor coisa que o País tem, é natural que haja um certo entusiasmo na resolução de problemas, incluindo um ou outro que possa sair fora da sua alçada. Desde quando o excesso de voluntarismo é pecado? Mas eu estou consigo, caro senhor engenheiro. E, com alguma sorte, o procurador-geral da República também. Atentamente, JMT.

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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