


Contextualizando os leitores deste tão humilde (ohhhhhh) Blog, houve alguém que veio cá parar (um Anónimo, portanto), a propósito de conservadorismos barra liberalismos barra whatever barra fumar cigarros e maços no diminutivo com cedilhas a mais e outras coisas sobre as quais não vale mesmo a pena debruçar-me neste momento, que me pediu que o elucidasse (muito delicadamente) como é isto de nos passarmos para o outro lado da barricada.
Obviamente a coisa não funciona "assim". Não há nem houve um truque e permitam-me os mais cépticos que possam vir aqui parar através do Google com a deixa desesperada das três palavras "deixar de fumar", que diga o seguinte: ENJOEI. Nem sequer sei como. Fartei-me. Enjoei o tabaco. Não estava grávida, não estava sequer a pensar em deixar de fumar, nem sequer tinha considerado REALMENTE a hipótese de deixar de fumar. Muito menos na altura em que foi. Aconteceu. Como acontece apaixonarmo-nos por alguém, como acontece desapaixonarmo-nos, como acontece termos um acidente de carro, tal como outra coisa qualquer que nos acontece sem darmos por isso. Já tinha tentado muitas vezes deixar de fumar. Umas três ou quatro. Sem efeito.
Em 2008, foi assim que aconteceu. Sem planear. Um bilhete premiado na lotaria, uma viagem que se ganha, um amigo que se reencontra ao fim de muitas décadas, ou um amigo que deixa de o ser, porque talvez nunca o tenha sido, um vómito conquistado à laia de ser anti-dependência. Em suma, uma incógnita.
Assim são as pessoas de atitudes inesperadas, inconstantes e nervosas como eu. Cansam-se e fartam-se. Sem aviso prévio.
