::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Coisas fantásticas deste não menos fantástico país

[post em construção]

Ora vejamos: entre o novo historiador português chamado Mário Soares que afirma que Portugal teve duas Repúblicas (ainda eu pensava que o José Hermano Saraiva era aldrabão), a grandessíssima seca que têm sido as entrevistas do Ricardo Araújo Pereira (já nem as vejo), entre um país que só se lembra de homenagear as pessoas quando elas morrem ou de lembrar os aniversários da morte dos artistas (como é o caso de Amália Rodrigues), entre Primeiro-Ministro e Presidente da República amuados em dia de comemorações e festejos desta maravilhosa República, o mais interessante no meio disto tudo são os cartazes de campanha para as autárquicas que tenho visto por aí (lindos, deveras lindos) e que me fazem sorrir.


Aqui ficam alguns dos melhores.












































O Tino...é o Tino!
O Parcídio... É o Cídio do Parce (?!) (Porra, nada se aproveita no nome!)

A Leonor Coutinho...fez um trocadalho do carilho!

A roulotte do CDS...devia ser convertida em barraca de cachorros...

O Pedroso...tem a cara inchada de tanto abusar de criancinhas...

Os do CDS de Câmara de Lobos...pá, aquele amigo da esquerda parece ter saído da Cercis, e a tipa da direita era a última sobrevivente se o mundo acabasse à dentada...

O Carlos Gonçalves...deve ser responsável pela morte da Princesa Diana...

O cartaz do Major...está ou não está na rotunda?! Aquilo é ilusão de óptica!

O Isaltino...devia estar na prisa (e não é a da TVI)

A Fatinha...faz bem em apoiar toxicodependentes sem-abrigo para cargos de eleição. Podia era ter-lhe feito um adiantamento e deixado o rapaz tomar banho, lavar os dentes e fazer a barba...

Com políticos assim, para que precisamos de...porra, nem sei!
 
Spider Pig dixit

domingo, 24 de maio de 2009

À bastonada






O outro vídeo "já era". Obviamente um momento destes, tão lindo, tinha de ficar registado. Fica a etiqueta "youtube".



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terça-feira, 17 de março de 2009

Jornalistas e ministros (e seus assessores)

No sempre fantástico We Have Kaos In The Garden


A polémica toda aqui.

(Talvez seja isto que Sócrates pretendia com o termo "choque tecnológico"... será? Eu estou chocada, é um facto, e tanto magalhães e tempo a mais entre mãos daqueles que deveriam governar, só podia dar nisto.)

Eu não sei deveras quem é o mais despropositado, descortês, obtuso e boçal: se o post, se o comentário, se a jornalista, se o ministro. Não sei quem foi ao mar e perdeu o lugar, quem chegou fora de horas e estava deslocado, quem é que fumou onde não devia e deixou de fumar entretanto (não foi num voo fretado??? Ah não, era mesmo num restaurante, desculpem).

Abstenho-me de todas estas matérias. Numa, sou bastante incisiva: quem lhes pagou a viagem fui eu. Eu e mais uns quantos milhões de portugueses.

Venderam-se mais uns magalhães cheios de erros (com certeza!), fez-se mais uma viagem, uns almocinhos e jantarinhos à maneirex, e tudo a comer com o patrocínio dos contribuintes.

Se depender de mim, para a próxima viagenzinha, fazem o belo do piquenique e comem no chão. Com formigas e tudo. Assim já podem ser todos amigos, sem lugar marcado e diz que disse e parvoíces e queixinhas à maneira da escola primária. "Sra professora, aquele menino bateu-me com o magalhães!!!!!!"






* senhores dirigentes da CGTP: ao invés de passearem pelas ruas da Avenida da Liberdade em Lisboa e depois dizerem "ah e tal, fomos 200 mil na rua", acordem para a realidade e tomem a Bastilha duma vez! Com o sr. Primeiro-Ministro em Cabo Verde e o sr. Presidente da República na Alemanha... era limpinho! Pensem nisso...

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Estado da Nação II: mulheres aka gajas aka censura

Censurem lá este agora.

... mas só depois de resolverem os processozinhos da malta que têm por aí pendentes. Ou o Carnaval tem privilégios acrescidos relativamente ao resto dos T.P.C.'s de V.ªs Exc.ªs, assim uma espécie de triagem de Manchester com direito a pulseirinha verde?


É grave que a celeridade seja feita de raios de um sol que só nasce para alguns, em actos que não servem o bem colectivo mas apenas os caprichos de mentes com muito pouco sentido de humor. Mais grave, com muito pouco sentido de democracia.

Foi em Torres Vedras, onde o Carnaval é mais português.








O Estado da Nação: "Eye of the Street"

Portugal enfrenta, além da crise económica, uma crise de liderança. Quem o diz é o empresário Belmiro de Azevedo.

«Nós temos uma crise de líderes no Governo, nos partidos políticos, nos empresários, nas associações, nos sindicatos», afirmou, num encontro promovido pelo Fórum para a Competitividade.

O fundador do Grupo Sonae, considera existir «falta de liderança a muitos níveis» e defende que «Portugal precisa, mais do que de novos líderes, de bons líderes».

No caso dos sindicatos, Belmiro de Azevedo disse que os mesmos «defendem o emprego para ávida», uma teoria abandonada há décadas e que não pode ser prosseguida na actual conjuntura.

Quanto aos políticos, diz o empresário que «falam do que não sabem e prometem o que não podem cumprir».



Os Gato Fedorento dizem ainda melhor. "Eye of the street" que em espanhol é o mesmo que dizer "riuya". Gosto do Belmiro e gosto dos Gato Fedorento.




domingo, 14 de dezembro de 2008

Natal V (prenda de Natal)

Finalmente o Pai Natal recebeu a minha carta de natal e atendeu o meu pedido!!! E antes do dia 25!!! E logo no mesmo dia!!!

Bush "apedrejado" (ou será "asapatado"?!) com sapatos iraquianos e Sócrates insultado no Seixal e no Barreiro! Diz ele (Sócrates) que "o insulto é a arma dos fracos". Concordo. Pergunto-me qual será a arma dos fortes...





::o primeiro vídeo é do presidente bush "asapatado"::os outros são momentos lindos do nosso primeiro ministro::





quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Prémio "Alarve Mais Alarve Não Há"

Na semana em que toda a gente anda em órbita e a passar-se completamente com as declarações da Dra Manuela Ferreira Leite relativas à ditadura que se vive no país, eu ainda estou embasbacada com este grandessísimo animal de seu nome Toy. Foi no "Zé Carlos" de Domingo passado e as lágrimas espreitam ainda ao canto do meu olho... resta saber se de histeria alegre se de pena por compartilhar a nacionalidade com a besta. Vejam porque vale a pena. Ou revejam.



quarta-feira, 12 de novembro de 2008

"Explica-me isso da avaliação de desempenho dos professores como se eu fosse muito burro..."

Há várias formas de explicar este processo. (*se não tiver pachorra para ler isto tudo, siga até ao último parágrafo, a preto).



Esta, é a que consta, sinteticamente, no Portal da Educação:



A que melhor qualifica o dito processo elaborado em tempo recorde (na gíria "em cima do joelho") é esta: o facto de haver ou não uma avaliação do desempenho docente deixou de ser uma questão de justiça, bom senso ou inteligência, capacidade analítica de objectivos alcançados no que concerne a sucesso escolar, ou sequer uma ferramenta útil na dignificação da carreira. Passou a ser uma questão política, um "braço-de-ferro" entre Sócrates (bem como na pessoa da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues) e os professores deste país.
É praticamente uma questão de honra, em que os dois descuram o poder altamente significativo e simbólico de 120 mil pessoas na rua a fazer aquilo que não passa somente pela contestação de um processo de avaliação, mas como da própria democracia do país; aquilo que está em causa passou a ser muito mais do que a avaliação de desempenho, e a reacção autista e da suposta "força" desta maioria dita socialista, é de fazer corar um menino outrora chamado Oliveira Salazar.





Se 120.000 pessoas saem à rua a proclamar e a repudiar uma medida do Governo, é porque provavelmente algo está mal. Não será? A atitude de avestruz bem poderá originar uma atitude de pânico se o pior acontecer, ou simplesmente uma atitude de arrependimento na hora dos portugueses irem às urnas.
O ensino em Portugal está a deixar de ser digno, exigente, e acima de tudo, está a deixar de ser JUSTO.

O ensino está a cair na mediocridade, no facilitismo, no "passa toda a gente" ainda que os alunos não saibam escrever o seu nome. Penso que nenhum pai ou nenhuma mãe gosta de ver o seu filho saber menos do que a geração anterior quando era suposto haver uma melhoria e uma evolução nas gerações pós 25 de Abril. Um dos maiores pilares da sociedade É efectivamente a Educação e num país em que se descura e desrespeita a democracia desta forma, em que se protela e promove "os coitadinhos", em que não existe justiça e nivelamento dos alunos, em que ser excelente aluno é igual a ser péssimo aluno, pois toda a gente passa de ano, num país em que os professores são agredidos (física e verbalmente) e constantemente desrespeitados nas suas aulas, é natural que um processo de avaliação como este seja a coisa mais natural do mundo.




A ministra pediu desculpa MAS reitera que o processo vai avançar. A bem ou a mal.
A Marcha da Indignação aconteceu dia 8 de Março de 2008. 100.000 professores saíram à rua.
A Marcha da Exigência aconteceu no passado dia 8 de Novembro. 120.000 professores...
Seguir-se-á que Marcha? A da Violência?
Não é com computadores da treta resistentes ao choque e aos líquidos, com nomes ibero-americanos que se melhora o ensino nas escolas portuguesas.
Não é com autoritarismo que se conquista o respeito das pessoas. Não é pela teimosia e pela falsa aparência de querer melhorar a educação que enganam a população portuguesa (querem prestigiar a carreira docente?!? aos olhos da opinião pública?? - que raio de argumento é este? A carreira dignifica-se a si própria quando existem bons resultados e não resultados A MARTELO do tipo passar toda a gente, no matter what). Não é com falsos pedidos de desculpa e mil e uma negociações com os sindicatos que vão conseguir jogar poeira para os olhos dos professores, que estão unidos, e não alinham em jogos políticos de qualquer frente. E não é concerteza com este autismo, esta inflexibilidade e arrogância que vão conseguir conquistar votos nas próximas eleições.





*Para terminar o post e se o caro leitor não teve pachorra de ler o post na íntegra, isto é muito simples: os professores são um dos poucos sectores da função pública com formação superior, o que, no total, custa bastante dinheiro ao Estado (ah e tal, até tirou um curso que agora é posto em causa, mas isso de se ter um curso quer dizer que tem de se pagar mais aos gajos). Se "cortarem"ao máximo a progressão na Carreira Docente, inventa-se um processo de avaliação assim a dar para o lixado: os mais velhos fartam-se de andar a fazer manifs e pôem-se a andar com reformas antecipadas; não chegam ao décimo escalão, o que é bom porque o 10º escalão é uma pipa de massa; corta-se no pessoal contratado porque entretanto uns vão para a rua (são dados como maus professores e tal), outros desistem porque não passaram no exame (o curso por si só não chega, têm de fazer uma prova na qual a nota mínima exigida é 14, senão são inaptos) e torna-se assim mais fácil pagar menos à malta, fica bastante pilim nos cofres $$$$$ Se puderem continuar a facilitar a passagem dos alunos no Ensino Básico como até agora, ainda melhor: passam os putos todos, com nível de exigência zero e qualquer dia, a ministra até se lembra: "Professores para quê? Fazem o Ensino Básico por correspondência pela Internet (com o tal portátil de nome ibero-americano) e não precisam de professores para nada até ao 9º ano!, fazem o 12º ano com as Novas Oportunidades e com este Tratado de Bolonha, tiram um curso em três anos!!!"





***** a Manuel Alegre nas suas críticas a este Governo e àquilo que toda a gente percebe menos o Sr.Diz-que-É-Uma-Espécie-de-Engenheiro Sócrates. O deputado socialista esteve muito bem num período negro do Socialismo português, em que o BPN é a maior anedota do panorama actual. Constâncio torna-se patético. Portas fê-lo com imensa pinta no Parlamento (só por isso leva uma estrela também).

**** a Alberto João Jardim na sua avaliação por portaria. Todos os professores da Região Autónoma da Madeira terão Bom. Contornou o problema da melhor forma até que surja um modelo de avaliação coeso e forte. Um recado audaz ao Presidente da República.

*** à malta de Fafe. "Ganda nóia pá!"Mas...ovos? Que desperdício. Sócrates referiu-se ao ocorrido como uma falta de educação. Concordo. Outro tipo de material seria mais apropriado. Penso que um dia, e pelo decorrer da coisa, veremos tal acontecer. Infelizmente.

Porque os "ovos são as novas pérolas"... a porcos.

AGORA, ENTRE OS PROFESSORES, NEM A VIDA DE GATO É ESTIMADA. PARA CÃO JÁ BASTA ASSIM…
Dia 15 de Novembro, participe na GRANDE MANIFESTAÇÃO DA INDIGNAÇÃO DOS PROFESSORES, EM LISBOA, para que PORTUGAL ACORDE.
INSCREVA-SE, PELA DIGNIDADE E PELA SANIDADE PROFISSIONAL.




Escola nova


Estás a ouvir Barry White
( é o teu primeiro dia na escola está tudo maravilhoso, os alunos são o máximo, todos muito deseducados e atenciosos...)


depois de 3 meses ...


Estás a ouvir HOUSE Music
(Tens tanto trabalho, a preparar e corrigir testes, que não sabes se ficas ou vais embora, as crianças respondem torto e não obedecem à primeira .....)

Depois de 6 meses ....



Estás a ouvir Moonspell
( O teu dia de trabalho começa as 8h00 e acaba as 20h00, porque além dos testes já tens reuniões -muitas- e fichas de objectivos individuais para preencher e mais fichas, não se sabe bem para quê se amanhã já não são estas....)

depois de 9 meses...



Estás a ouvir Da Weasel
( por causa do stress, engordaste , estás inchada, não sabes bem como vais ter 100% de transições (não são passagens de ano, são transições e retenções)

Depois de 1 ano ...


Estás a ouvir Tupac Shakur
( Esqueceste o que é um 'Bom dia' e vives só da Cafeína, os jovens não obedecem de todo, os objectivos individuais são todos cumpridos, os 100% de transições - nem que fossem 200%- são alcançados, mas tu estás um bocadinho em baixo...)


Finalmente depois de 2 anos ...

Estás a ouvir Techno e
estás completamente louca !!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

a rentrée

Ainda sobre o caso Carolina Michaelis do "dá-me o telemóvel já!" nessa bela localidade que é o Porto...
... já muito se disse sobre o caso em questão e na altura, optei por não tecer conjecturas sobre este assunto. Sou da opinião que cada professor é livre de levar a cabo as aprendizagens conforme achar adequado, bem como ter as suas próprias estratégias de ensino.

O nosso Primeiro-Ministro, o eng. José Sócrates, ridicularizou o número (100 mil, para quem não se lembra) de professores que protestaram contra o novo sistema de avaliação, recusando-se a ouvir a classe, alegando que por acreditar nesse sistema, não iria voltar atrás no projecto. Depois de toda a polémica gerada por declarações da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, o nosso Primeiro-Ministro manteve a dita senhora no executivo, e contra tudo e contra todos, manteve a sua postura hermética e autista.

Por isso, eu digo: vão à merda mais os vossos cravos vermelhos de Abril e com a porra dos discursos da Liberdade e de "que bom é ser de Esquerda!", porque este povo não tem paz nem pão nem liberdade nem coisíssima nenhuma, e daqui a pouco nem dignidade e ideais temos. Fazem valer uma postura de acordo com as novas tecnologias, os novos recursos e toda a gente pode ter um portátil da TMN ou andar aos saltos com o kanguru e ser muito inteligente e bom profissional, mas o que interessa é ver os Malucos do Riso, ver europeus e mundiais e o campeonato e as telenovelas e contribuir para a estupidificação do povo e fazer a malta acreditar que este Governo é melhor do que o Governo Salazarista que toda a gente critica mas que vai dar ao mesmo. Ou pior.

Mas uma coisa é certa e será sempre: dai ao povo aquilo que o povo quer. Enquanto houver votos para esta gente, eu lavo daqui as minhas mãos, porque nunca votei neles. Não contem comigo para levar porrada de putos mal educados e mal formados. Não me venham com a treta dos cursos e das formações contra bullying e violência nas escolas, quando há professores com baixas metidas e a tomar calmantes, à beira de um ataque de nervos porque não têm (nem têm de ter) estrutura mental e psicológica para serem mal tratados dentro das suas salas, no seu próprio local de trabalho.

A disciplina dentro da sala de aula não se mantém à custa de palavras bonitas do tipo "anda cá, vou falar-te de amor e amizade e compreensão" (muitas vezes os alunos estão "pedrados"), nem teorias da educação baseadas nos pedagogos que já estão a fazer tijolo há muito tempo, e que não sabiam sequer o que era um telemóvel. Há problemas nas escolas porque há problemas nas casas das pessoas. Não há tempo nem há dinheiro e todos sabemos disso. A disciplina mantém-se à custa de um Governo que sabe mediar algumas situações e precaver-se contra outras (e aqui podia falar da Lei do Aborto), mas sobretudo, dando poder real e efectivo aos professores para que estes possam levar a cabo a disciplina necessária nas suas aulas. É estúpido? É mal educado? Então seja expulso porque é o que está previsto na maioria dos regulamentos internos das escolas. "Ah e tal, a escolaridade obrigatória"... orientem esses putos para cursos onde de facto eles aprendam algo de real e decidam o que querem fazer da vida. Vão trabalhar. Carregar baldes de massa. Cultivar a terra. Pescar. Mas este é um país burguês que em nada tem apoiado o que de melhor o país tem para oferecer, que é a Agricultura e as Pescas, portanto estes trabalhos são mal vistos e vivemos num país em que todos querem ser doutores e engenheiros.


Quanto a mim, farei como este colega aqui dos States, que não esteve com meias medidas. Para grandes males, grandes remédios. Logo abaixo, segue outro vídeo a ridicularizar a cena toda do caso Carolina Michaelis para descontrair...







sábado, 26 de julho de 2008

Portugal e o Euro 2008

Não escrevi nada antes sobre o Euro ou a minha entusiasta paixão pelo futebol nos relvados europeus, não porque compartilhe da visão desmesuradamente negativa e derrotista dos habituais "velhos do restelo" para estas ocasiões, mas também porque no fundo não dou grande importância a estas questões. O meu coração não vibra descompassadamente ao ritmo das fintas brilhantes dos nossos craques, mas não posso dizer que tenha perdido um único jogo, porque reconheço a importância DESTE jogo.

Sou portuguesa, gosto de beber uns copos, o meu país tem sol em Junho até às nove da noite e por acréscimo, vem um Europeu de futebol conseguir juntar amigos e desconhecidos em mesas redondas, quadradas e até mesmo sem mesa se está em grupo. O futebol, acaba por ser, no fundo, um bom pretexto para se rir, brincar, conversar e beber.

Por outro lado, não falei da prestação portuguesa neste Europeu, pois como de costume, e tendo vivido já algumas competições, não guardo grandes expectativas, mas acredito sempre que é possível chegar à final. Ou não. Muito se leu e ouviu durante o mês de Junho sobre esta temática e de todos os confrontos de opiniões mais ou menos fervorosas, emocionais ou racionais, esta (de Clara Ferreira Alves, no jornal Expresso e que passarei a transcrever) foi a que me despertou a atenção pois é onde mais me revejo. A acreditar que o Desporto e os ideais de um país que tenta chegar a um objectivo máximo (o qual é trazer a taça para casa) podem estar ligados, a equipa espanhola esteve sempre muito bem. Nós? Jogámos bem, mas estivémos pior. Não há pachorra nem cu que aguente os vedetismos de alguns jogadores, dos seus penteados e roupas fantásticos, os carros e as namoradas, o que comem e onde ... Já para não dizer que se o futebol é um jogo de homens, em Portugal estamos a assistir à ridicularização do sexo masculino. Havendo quem lhe chame metrossexualidade, eu chamo-lhe mariquice. Entre a preocupação de parecer bem, o culto do individualismo e do champô de marca e a camisa cor-de-rosa a dar com o "téne" prateado, entre a publicidade pindérica até à vida familiar de cada um dos "craques", o grande ideal desportista e dever patriótico ficaram para trás. O bem colectivo como meio para se chegar ao único final que seria trazer a tal taça para casa foi substituído pelo freakshow e pela feira de vaidades de cada uma das "marias-amélias" tugas.

Espero que o Mundial de 2010 traga mais homens com sentido de dever, menos contratos publicitários e menos dinheiro, mais camaradagem e menos sede de protagonismo.

Fica a crónica, a meu ver, excelente, da Clara Ferreira Alves. E já agora, o cartoon, de António.








NÃO ME LEMBRO de ver nada assim. A recepção à selecção de Espanha foi a maior festa do país desde a democracia. Milhares e milhares de espanhóis embrulhados em bandeiras e símbolos nacionais, camisetas e gorros, pintalgados com as cores amarela e vermelha, esperaram na Praça Colón de Madrid o autocarro descoberto com os jogadores e o seleccionador. Existe uma Espanha, deixaram de existir várias Espanhas, ao menos por uma semana. E o que o escritor espanhol Javier Marías tinha chamado "um bando de mediocridades" tornou-se um grupo de heróis nacionais, como ele mesmo conta no "El País". Eu vi o jogo num "pub" de Madrid, cheio de ingleses, escoceses, espanhóis, brasileiros e um pequeno grupo de "chicas alemanas" que fumavam cigarros tensos e desesperados com o andamento do jogo. Empoleirada na multidão suada, rodeada de ecrãs gigantes e adrenalina, fui observando como a paixão do futebol e do trabalho bem feito consegue empolgar toda a gente.

No final, todos éramos espanhóis, especialmente os ingleses do lado. No dia seguinte, ouvi a conversa entre os empregados de um restaurante. Primeiro empregado: "E nós que éramos pelos portugueses e acabamos a ganhar o Euro, que bem que isto sabe." Segundo empregado: "Estes rapazes são muito jovens. muito amigos, muito unidos. Os portugueses não tinham bem uma Selecção, muitos contratos, muito dinheiro, muitas vedetas.

Comentadores de bancada cheios de razão. O pior de Portugal nestes campeonatos foi contentar-se com pouco e usar o futebol e as pequenas vitórias para as piores exibições de marialvismo e bacoca exaltação patriótica.

Portugal precisa de uma vitória, e não é de uma pequena vitória. Não precisa do culto da personalidade a que temos assistido. Os "posters" de Ronaldo, as pancartas de Ronaldo, os anúncios de Ronaldo, as revistas detalhando a vida íntima da Ronaldo e das amigas de Ronaldo, a família de Ronaldo, os milhões de Ronaldo. Vencidos à procura de um vencedor. A política, como o futebol, precisa de vitórias e de mobilização, e nada nos últimos tempos parece estar em condições de tirar Portugal da mais funda depressão, nem o Ronaldo e os seus milhões, nem o futebol e a Selecção, nem as prédicas de Sócrates e Ferreira Leite. Muito menos os avisos banais do Presidente da Republica.

Os espanhóis não são muito diferentes dos portugueses, nem de outros povos, no que toca a derrotas e vitórias. A crença na vitória em Espanha, pelo menos no futebol, adoptou um slogan roubado a Obama, "Juntos Podemos". Este "Juntos Podemos" serviu de mantra e de oração, serviu de mote e de poema, e foi repetido como um acto de fé até se tornar uma realidade. Quem ouviu como eu os comentários da população e das televisões, ouvia estas palavras repetidas como se não houvesse outro caminho a não ser este. O colectivo. Em Espanha, país de um individualismo extremo, é um fenómeno novo. Um cínico diria que tudo isto é um disparate, mas estes disparates têm um efeito poderoso nos comportamentos colectivos. Portugal não tem, em nenhuma das suas frentes mobilizadores do orgulho nacional ou da satisfação do trabalho bem feito, um única acção ou frase que o mobilize. Somos um povo quebrado por anos de sacrifícios inúteis. De privações, de malícias e péssimas governações. E quebrado pelo provincianismo que faz com que saudemos como providencial o que é medíocre e como genial o que vem do estrangeiro.

O presidente da TAP dizia há pouco tempo que está cansado e que será muito difícil recuperar a TAP outra vez. Grande frase de derrota. A frase aplica-se a Portugal, estamos cansados. Cansados de dificuldades. Em vez de trabalho colectivo, veneramos o sucesso individual e o dinheiro dos outros. Assim, não vamos lá. Juntos, não pudemos. Num tempo de medo e recessão, de dúvida e lassidão, o país pensa em que vai substituir Scolari, o homem providencial. Não pensa no que o país é capaz de fazer sem Scolaris, sem Mourinhos, sem Ronaldos. Muitos contratos, muito dinheiro, pouco trabalho. Bem dizem os espanhóis, que vivem muito melhor do que nós.

Clara Ferreira Alves in Revista Única (Expresso) de 5 de Julho de 2008

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Pensamento do(s) Dia(s)... e esqueletos do ofício



"Senhor, dai-me sabedoria para entender alguns colegas, porque se me dais força, parto-lhes a cara!"




What can I possibly say?...
Há dias assim. Semanas. Interminavelmente aborrecidas e extenuantemente gritantes. O Inferno são mesmo os outros. Colegas de trabalho, neste caso. As noites e finais de tarde a compensar as manhãs. E algumas tardes também absolutamente execráveis (esta palavra lembra-me um colega que me disse certa vez:

"Ana, fui ver ao dicionário aquele termo que usaste no outro dia."
"Qual?" perguntei
"Execráveis"
Silêncio
"És mesmo má..."
"Porquê?..."



Os subentendidos que os entenda quem conseguir lá chegar.
Há profissões tramadas, sobretudo aquelas que têm a componente humana e relacional como sendo parte do seu quotidiano, a todas as horas. Seria incapaz de ter um daqueles trabalhos de gabinete, é certo, mas não coloco de parte acabar assim os meus últimos vinte anos de carreira. Seja ela qual for. Admito que, e isto, sem ponta de regozijo pessoal, a minha profissão é assaz esgotante e desgastante no que concerne a troca de pontos de vista, em que todos julgam ser os máximos conhecedores relativamente a qualquer assunto. Seja uma teoria académica, seja a vida da vizinha do lado. Ou da colega do lado.
Existem os baldas, existem os teimosos, existem os presunçosos, existem os "velhos", máximos doutos e existem os novos, maçaricos armados em campeões. Existem os chatos, aborrecidos, teóricos e líricos, existem os idealistas utópicos e existem os desinteressados. Existem os que não abrem a boca pra nada e existem os que abrem a boca pra tudo. Existem os que se borram de medo das chefias e existem aqueles que, tendo uma posição hierarquicamente mais elevada que o resto dos grupos e demais colegas, assumem cristas de galos empoleirados. Os que têm a mania e os que não têm espírito.
E depois há o pior: as reuniões, que são aqueles momentos lindos em que toda esta gente se reúne a debater coisas como o próprio nome das coisas. Uma hora a falar do mesmo. Uma outra meia hora a divagar sobre meia dúzia de coisas que só interessam ao próprio e outra arrastada meia hora a falar de algo que vai ser alterado, porque as alterações são constantes e ainda nos vêm com as tretas da estabilidade e qualidade etc etc etc num enorme e redondo etecetera a perfazer duas horas de quase nada, que é afinal o que nós temos em excesso nos nossos locais de trabalho: conversa da treta que não resolve nada. Papéis, muitos papéis, quase tantos como os cargos. Burocracia feita pelos amantes do atraso e arrastamento do processo...
Em resumo e porque não há muito mais que falar sobre o assunto, as pessoas cansam. Todos incluídos. Muitas palavras desnecessárias, muitos gestos a denotar que somos muitos ao mesmo. Intromissões e conflitos de personalidade. Falhas no equilíbrio natural da evolução dos relacionamentos. Alguns safam-se, mas a grande maioria começa a desconhecer cada vez mais o significado da palavra "parceria" ou "companheirismo". Em conclusão, posso bem considerar-me uma pessoa de sorte; deixo sempre o meu grandessíssimo mau feitio à porta da instituição de trabalho e tenho encontrado boas pessoas no meu percurso, mas dá sempre uma enorme vontade de rir todas as diferenças gritantes que nos separam logo à partida e são nítidas nas interjeições verbais das pessoas.
O que interessa? É que estamos já à beira do fim-de-semana.
(BIG BIG smile)
*dedico este post à minha colega Mila de quem tenho tantas e boas saudades, como pessoa e como colega.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

pessoal do algarve = pessoal fodido






Esta pode ser uma expressão afirmativa com os seus quês e quejandos interrogativos, uma interjeição algo dúbia que nos coloca a seguinte questão: afinal o que é isso de se ser fodido? Sem sombra de dúvida, é um dos comentários mais curtos e mais certeiros que recebi nos últimos tempos, que me colocou um sorriso nos lábios, em grande parte por ser uma algarvia muito isolada e por isso habituada a não ter conterrâneos por perto na hora de "defender a sua terra". Por outro lado, por lembrar velhas e recentes discussões acerca desta temática. O bairrismo. Ou como quem diz "o meu pai é maior que o teu". A meu ver, são estúpidas e desnecessárias, mas isso sou eu que de bairrista pouco tenho.


O contexto do dito comentário: deixar certas coisas para trás, o amor ou o que nos prometeram ou o que nos fizeram crer ou o que nos roubaram sem pedir licença, sem retaliar pode deixar aquela sensação de que ficou muito por dizer, mas a dada altura pensa-se que foi melhor assim, não fica a névoa do que seria esperado. a isso podes sempre chamar a capacidade de contornar a situação. lembra-te da frase sobre a carne e os ossos. que os comam e que os roam. isso já não te dirá respeito.


A propósito de uma carta sobre o costumeiro assunto do mal de amor ou dor de corno. Mas poderia ser a respeito de muitas outras coisas que isto de se ser “pessoal ou malta do Algarve” tem mais que se lhe diga. Não somos como os outros, dado que os outros não serão todos iguais, mas de entre uns e outros, distinguem-se os “do Norte” e os alentejanos. Os primeiros, têm a mania que são melhores que todos os outros (principalmente em relação aos de Lisboa, alfacinhas na gíria) e os alentejanos são aqueles que estão habituados a ser vistos como os mandriões cá do sítio.

Sinceramente, um algarvio, a sê-lo convictamente, acredita que não tem de se chatear a defender a sua terra, porque está provado por inúmeras razões que esta, é uma das regiões mais belas do mundo. O Algarve é uma região de inúmeras tradições, lendas, onde se come e bebe bem, para além de ter um clima privilegiado pela condição geográfica junto ao mar Mediterrâneo, onde sofre os ventos vindos do Norte de África. Não é só praia, mas não serve o post para descrever as maravilhas do Algarve. A grande questão que se coloca é se afinal, nós, nesse colectivo sempre tão subjectivo, seremos assim tão fodidos?


Penso que quanto a males de amor, assimilamos tão bem ou melhor que os outros as vicissitudes do sofrimento romântico, até porque há sempre muito que fazer: ir à apanha do tomate ou da laranja, do figo ou da alfarroba, da amêndoa ou simplesmente dedicar-se à pesca. Se curar a dor de corno não passa por trabalhar arduamente nestas culturas, pode-se sempre apanhar uma bebedeira de aguardente de figo ou de medronho (amêndoa amarga é pra malta fraquinha que é do Norte e pensa que cá em baixo só fazemos amarguinha), ou simplesmente deleitar-se numa praia daquelas que só nós, algarvios, conhecemos os atalhos, e apanhar sol até torrar a dor e o sofrimento. Isto, quando se quer esquecer e passar à frente, que há mais marés que marinheiros.





Se se resolver dar asas a pensamentos tenebrosos com requintes de malvadez, é escolher uma paisagem ali para os lados da serra de Monchique e ficar a bater mal durante uns tempos, ao som de Micah P. Wilson ;) e aí sim, talvez um ou outro algarvio possa então ter razões que o levem a afirmar que o pessoal do algarve é pessoal fodido. É que depois disso, é um caminho sem retorno e, muitas vezes, um algarvio quando resolve desaparecer da vida de alguém, é para sempre.



P.S.: este post é dedicado ao mê amigo Jorge que é ali dos lados da terra do bom medronho, e ao mê amigo da merda que acha que a batata doce é dos melhores produtos que o Algarve vê crescer ali para os lados de Aljezur.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Nervo cerebral e telemóveis no cinema

Supostamente deveria escrever sobre AQUELE outro post relacionado com o que os outros pensam de nós e do quão bom e maravilhoso seria podermos ser uma mosca apenas para ouvir as conversas paralelas em que o assunto principal é a nossa pessoa, mas... não temos tempo!(eheheh), e esbarrei neste anúncio, também no fantástico blog Different Seasons, e como acho uma certa piada à temática e ainda ontem fui ao cinema, acho por bem complementar o post que seguiu abaixo sobre o western visionado.

Às vezes, o western passa-se na cadeira mesmo ao nosso lado, e poucos de nós acham piada ao facto. Confesso que sou avessa a multidões dentro duma sala de cinema (aliás, sou avessa a multidões, daí não ser grande fã de festivais do género Paredes de Coura ou Sudoeste), tal como não sou propriamente grande apreciadora de pipocas (em ocasião alguma) e ainda menos de gente mal educada, barulhenta, etc. Posso eventualmente cochichar antes do início do filme e se a sala não estiver muito cheia, bem capaz serei de tecer um ou outro comentário com o parceiro do lado. De igual forma, sou incapaz de mandar alguém calar ou de fazer barulho ou ainda, de comer as enervantes pipocas, como se estivesse em casa. Confesso que salvo um ou outro episódio mais chato, em que me aborreço e lanço o olhar surdo e fulminante no escuro, não ligo a essa malta. Passo ao lado. Ignoro.

Um facto curioso é que são as pessoas aparentemente mais calmas que realmente se enxofram com atitudes do género; à semelhança do adepto fervoroso do FCP, calminho e bom chefe de família que é capaz de gritar pela casa toda GOLO ou que o árbitro era filho duma senhora dada a práticas... ok, já perceberam, era uma senhora muito dada, ou ainda, daquele rapaz que é uma jóia de moço, mas que se enerva histericamente ao volante quando assiste àquelas manobras tão bem conhecidas das nossas estradas. São as chamadas transformações do tipo Dr Jekyll e Mr.Hide.

Por mais tolerantes que sejamos, por maior ou menor que seja o grau de paixão que colocamos naquilo que fazemos ou somos, existe uma facção negra ou um lado obscuro na nossa personalidade, que quando accionada, leva-nos a fazer coisas e a tomar atitudes, que de cabeça fria provavelmente não faríamos. É o tal nervo pequenino dentro do nosso cérebro, o frasquinho que se parte quando a coisa não corre bem...

Fica o vídeo. Brilhante.



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Pensamento do Dia

Porque é que eu não votei no Manuel Alegre?...


"O deputado Manuel Alegre, ausente das jornadas socialistas e acusou recentemente o Governo de "insensibilidade social", pediu para ser lida uma mensagem e apelou ao grupo parlamentar do PS para, apoiando "o que deve ser apoiado", não se furtar a "criticar o que deve ser criticado e corrigir o que deve ser corrigido".









As imagens continuam a ser gentilmente "emprestadas" pelo fantástico Blog We Have Kaos In The Garden.

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...