Há várias formas de explicar este processo. (*se não tiver pachorra para ler isto tudo, siga até ao último parágrafo, a preto).
Esta, é a que consta, sinteticamente, no Portal da Educação:
A que melhor qualifica o dito processo elaborado em tempo recorde (na gíria "em cima do joelho") é esta: o facto de haver ou não uma avaliação do desempenho docente deixou de ser uma questão de justiça, bom senso ou inteligência, capacidade analítica de objectivos alcançados no que concerne a sucesso escolar, ou sequer uma ferramenta útil na dignificação da carreira. Passou a ser uma questão política, um "braço-de-ferro" entre Sócrates (bem como na pessoa da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues) e os professores deste país.
É praticamente uma questão de honra, em que os dois descuram o poder altamente significativo e simbólico de 120 mil pessoas na rua a fazer aquilo que não passa somente pela contestação de um processo de avaliação, mas como da própria democracia do país; aquilo que está em causa passou a ser muito mais do que a avaliação de desempenho, e a reacção autista e da suposta "força" desta maioria dita socialista, é de fazer corar um menino outrora chamado Oliveira Salazar.

Se 120.000 pessoas saem à rua a proclamar e a repudiar uma medida do Governo, é porque provavelmente algo está mal. Não será? A atitude de avestruz bem poderá originar uma atitude de pânico se o pior acontecer, ou simplesmente uma atitude de arrependimento na hora dos portugueses irem às urnas.
O ensino em Portugal está a deixar de ser digno, exigente, e acima de tudo, está a deixar de ser JUSTO.
O ensino está a cair na mediocridade, no facilitismo, no "passa toda a gente" ainda que os alunos não saibam escrever o seu nome. Penso que nenhum pai ou nenhuma mãe gosta de ver o seu filho saber menos do que a geração anterior quando era suposto haver uma melhoria e uma evolução nas gerações pós 25 de Abril. Um dos maiores pilares da sociedade É efectivamente a Educação e num país em que se descura e desrespeita a democracia desta forma, em que se protela e promove "os coitadinhos", em que não existe justiça e nivelamento dos alunos, em que ser excelente aluno é igual a ser péssimo aluno, pois toda a gente passa de ano, num país em que os professores são agredidos (física e verbalmente) e constantemente desrespeitados nas suas aulas, é natural que um processo de avaliação como este seja a coisa mais natural do mundo.
A ministra pediu desculpa MAS reitera que o processo vai avançar. A bem ou a mal.
A Marcha da Indignação aconteceu dia 8 de Março de 2008. 100.000 professores saíram à rua.
A Marcha da Exigência aconteceu no passado dia 8 de Novembro. 120.000 professores...
Seguir-se-á que Marcha? A da Violência?
Não é com computadores da treta resistentes ao choque e aos líquidos, com nomes ibero-americanos que se melhora o ensino nas escolas portuguesas.
Não é com autoritarismo que se conquista o respeito das pessoas. Não é pela teimosia e pela falsa aparência de querer melhorar a educação que enganam a população portuguesa (querem prestigiar a carreira docente?!? aos olhos da opinião pública?? - que raio de argumento é este? A carreira dignifica-se a si própria quando existem bons resultados e não resultados A MARTELO do tipo passar toda a gente, no matter what). Não é com falsos pedidos de desculpa e mil e uma negociações com os sindicatos que vão conseguir jogar poeira para os olhos dos professores, que estão unidos, e não alinham em jogos políticos de qualquer frente. E não é concerteza com este autismo, esta inflexibilidade e arrogância que vão conseguir conquistar votos nas próximas eleições.

*Para terminar o post e se o caro leitor não teve pachorra de ler o post na íntegra, isto é muito simples: os professores são um dos poucos sectores da função pública com formação superior, o que, no total, custa bastante dinheiro ao Estado (ah e tal, até tirou um curso que agora é posto em causa, mas isso de se ter um curso quer dizer que tem de se pagar mais aos gajos). Se "cortarem"ao máximo a progressão na Carreira Docente, inventa-se um processo de avaliação assim a dar para o lixado: os mais velhos fartam-se de andar a fazer manifs e pôem-se a andar com reformas antecipadas; não chegam ao décimo escalão, o que é bom porque o 10º escalão é uma pipa de massa; corta-se no pessoal contratado porque entretanto uns vão para a rua (são dados como maus professores e tal), outros desistem porque não passaram no exame (o curso por si só não chega, têm de fazer uma prova na qual a nota mínima exigida é 14, senão são inaptos) e torna-se assim mais fácil pagar menos à malta, fica bastante pilim nos cofres $$$$$ Se puderem continuar a facilitar a passagem dos alunos no Ensino Básico como até agora, ainda melhor: passam os putos todos, com nível de exigência zero e qualquer dia, a ministra até se lembra: "Professores para quê? Fazem o Ensino Básico por correspondência pela Internet (com o tal portátil de nome ibero-americano) e não precisam de professores para nada até ao 9º ano!, fazem o 12º ano com as Novas Oportunidades e com este Tratado de Bolonha, tiram um curso em três anos!!!"

***** a Manuel Alegre nas suas críticas a este Governo e àquilo que toda a gente percebe menos o Sr.Diz-que-É-Uma-Espécie-de-Engenheiro Sócrates. O deputado socialista esteve muito bem num período negro do Socialismo português, em que o BPN é a maior anedota do panorama actual. Constâncio torna-se patético. Portas fê-lo com imensa pinta no Parlamento (só por isso leva uma estrela também).
**** a Alberto João Jardim na sua avaliação por portaria. Todos os professores da Região Autónoma da Madeira terão Bom. Contornou o problema da melhor forma até que surja um modelo de avaliação coeso e forte. Um recado audaz ao Presidente da República.
*** à malta de Fafe. "Ganda nóia pá!"Mas...ovos? Que desperdício. Sócrates referiu-se ao ocorrido como uma falta de educação. Concordo. Outro tipo de material seria mais apropriado. Penso que um dia, e pelo decorrer da coisa, veremos tal acontecer. Infelizmente.