::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


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domingo, 9 de maio de 2010

This world is full of SHIT!

Actualmente passo muito tempo sem vir ao Blog (não é falta de tempo, apenas equacionei prioridades e o Blog tem ficado para trás), e confesso que é uma parte da minha vida da qual tenho algumas saudades. Um dos meus leitores mais cáusticos é o HL aka Metamorphosis e, também, um dos meus preferidos (entre muitos, que já me habituei a ter por aqui e que são parte da minha vida real, como a Sofia ou o Nuno). Não é meu amigo pessoal, nunca nos vimos pessoalmente, mas é alguém que, como eu, é do Contra e volta e meia diz-me aquilo que eu estou a precisar de ouvir. Como ultimamente me disse que estou a ficar mole, que já não escrevo, "já não espalho o terror". Estou armada em "conas".

Este Blog, para além de ser parte de mim, ganha vida própria quando quer. Não faço moderação de comentários, não apago comentários, nunca o fiz e penso que não o farei. Não vejo necessidade disso, pois considero que quando alguém é deselegante (no mínimo) e diz uma ou outra coisa menos simpática, para mais se se esconder por detrás de um nickname, é porque não tem a dignidade suficiente para mo dizer na cara ou enviar um mail. Falta de coragem, maturidade e infantilidade. Acho engraçada a dinâmica das caixas de comentários. Diverte-me. Não é mais do que o feedback daquilo que se escreve. Já me disseram tanta, tanta coisa nessas caixas. Comecei a escrever em Blogs fará este ano em Setembro, cinco anos.

Aqui, fiz bons amigos, e soltei boas gargalhadas. Também conheci pessoas "estranhas". Ainda as vou conhecendo. Este Blog sou eu, mas não apenas eu. Sou o reduto daquilo que acho que os outros gostariam (ou não) de ouvir, tal como se faz nos consultórios de psicólogos e psiquiatras. Quem faz terapia há-de saber melhor do que eu. Não sou psicóloga nem psiquiatra, e nunca fiz terapia ou tive depressões. Noutras palavras, posso até ser uma grande maluca doida varrida, mas não estou diagnosticada.  Nunca tive distúrbios mentais de ordem alguma, não mais do que a grande maioria das pessoas ditas normais, até porque gosto de pensar que sou normal. Conheço muitas pessoas com esses distúrbios e, por norma, aborrecem-me um bocado e não lhes chamo amigos. Há quem seja racista, há quem seja xenófobo, há quem seja comunista, há quem não goste de comunistas... eu simplesmente não simpatizo com gente de "distúrbios". Não se pode gostar de toda a gente.

Isto sou apenas eu e as minhas opiniões, um lugar de lugares-comuns, um lugar de polémicas, de diz-que-disse. Há pessoas que vêm aqui parar cheias de opiniões, outras cheias de ódios, cheias de muita coisa boa e má que não conseguem extravasar nas suas vidas reais. Só assim eu explico a quantidade de comentários que aqui escrevem A METRO, que me fazem pensar "ok, isto é só gente maluca mesmo". 


Na caixa de comentários do post abaixo li algumas coisas que me fizeram pensar que provavelmente passo a imagem de ser uma gaja fútil, cheia de tretas, cheia de hipocrisias socialmente aceites. Não sou e sei que não sou. Não entendam isto como explicação do que quer que seja; quero que entendam o que se segue como o DEDO NA FERIDA, ou os DENTES NA JUGULAR. Juntei dinheiro para fazer uma viagem na Páscoa para um sítio quente, onde não morresse de paludismo e a paisagem fosse bonita, onde se comesse BEM, COM A PESSOA QUE AMO, porque sinceramente trabalho para isso e porque nos APETECEU. Também não precisava de ir para lá pois vivo no PARAÍSO e podia perfeitamente fazer férias em CASA, onde tenho a vida que escolhi e gosto. Cada um vai para onde QUER, e eu entendo que se não critico as escolhas de vida dos outros, não aceito que critiquem as minhas. Parece inveja, sinceramente parece, desculpem lá. Dor de corno ou de cotovelo. Depois li isto: cliquem aqui por favor. E percebo uma data de coisas. Percebo onde mora a frustração, a raiva e uma data de coisas que as pessoas sentem e demonstram da pior maneira possível. Vêm parar a blogs e acham-se no direito de deixar nas caixas a merda que lhes vai na cabeça. Sim, a MERDA dos preconceitos e dos moralismos apenas porque foram enganados e traídos e acham que toda a gente que comete um erro é alguém muito mau, que não tem princípios. Em suma, são pessoas muito desconfiadas que vêem a vida a preto e branco, e calculo o Inferno que fazem às pessoas que têm de partilhar casa e cama convosco. 


Às Malus e outros que habitam espaços reais connosco no Mundo, mas não têm os cojones (vá, colhões) para encarar a vida de frente, e para aceitar outras experiências de vida e, sei lá, crescer com isso, ter outra perspectiva e acham que as suas opções é que são muito correctas e cheias de virtude, eu tenho algumas coisas a dizer: graças a Deus EU ANDEI COM UM HOMEM CASADO, pois assim pude errar, sofrer, cometer erros e crescer com eles, mas acima de tudo, porque tinha essa opção. Tentar a minha sorte, arriscar. Porquê? Chamem-lhe piegas, mas porque me apaixonei. Não, não tinha 30 e tal anos, tinha mesmo 20 e poucos. Se pudesse voltar atrás faria o mesmo? Não, se eu pudesse voltar atrás iria à procura da pessoa com quem estou hoje, e já agora, SE a minha avó tivesse rodas era um camião.

Pasmem-se: tenho amigas que caíram no mesmo erro. AHHHHHH PECADORAS!!!!! Olhem uma delas até andou com um gajo casado e que tem um filho! Pois é. Pecadoraaaaa!!!!!! PUTAAAAA!!!!!! Quem mais sofreu no meio destas histórias de amor e desengano? A mais das vezes, são as pessoas envolvidas, os pecadores, os enganadores, precisamente porque a vida não nos dá fórmulas para resolver as coisas que encontramos pelo caminho. Com filhos ou sem eles. Às vezes as pessoas separam-se, às vezes não, às vezes ficam juntas, e outras ficam com as "amantes". Ou com os "amantes". As "outras" ou os "outros". Às vezes ficam todos sozinhos, e às vezes quando acordam e vêem que escolheram a pessoa errada é tarde demais. 
É a vida. Shit happens.

Portanto, a essas pessoas que acham que têm muita moral, que têm bons valores e os melhores princípios, apenas vos digo que a nódoa cai no melhor pano. Eu pude errar, no alto do meu livre-arbítrio, aos 20 e tais. Provavelmente, não o voltarei a fazer, mas não sei. Ninguém sabe. Sou ateia, portanto não acredito no fogo eterno, não me tira o sono. Vivo a minha vida de forma feliz e descontraída, sou feliz ao lado da pessoa que amo. Acredito na monogamia, é certo. Isso também é ser socialmente aceite. Não teria paciência ou tempo para ter mais do que uma pessoa. Acredito que não se escolhe quem se ama, por isso acho que tive e tenho MUITA sorte, pois não é um cretino cheio de merda e preconceitos na cabeça. Não foi um acidente de percurso e não vivo à espreita da felicidade dos outros. Percebo que isto incomode muita gente, cause grandes transtornos, e suscite muitas más línguas. Já estou habituada. 

Tenho é nojo de pessoas que se acham o supra-sumo da moral, ética e bons costumes. Sabem que mais? Não tenho vergonha absolutamente nenhuma de o dizer, já sofri que chegue e já fiz a minha penitência, já foi há tempo suficiente para não me envergonhar de escrever sobre isso. É pena é que existam pessoas que andem tão cegas que se esqueçam que ainda lhes pode acontecer, não é só aos outros; vivem as suas vidas de forma tão cega que se esquecem que o seu querido ou querida cônjuge traga na bagagem semelhante história de traição; que provavelmente a sua irada opinião sobre as pecadoras e pecadores TRAIDORES!, seja tão cega que o outro tenha MEDO de contar o seu passado. Isso é muito triste, mas sinceramente estou-me a CAGAR. Vivam a vossa vida miseravelmente na sombra dos vossos preconceitos, escudem-se nos filhos que têm aos 28 anos (WTF?!?! Quem é que quer saber disso??) e no facto de terem casado às escondidas (que cena mais parva, sinceramente!!! Isso prova o quê? Que não querem fazer uma festa com os amigos e a família??). Não me venham é com conversas de merda sem me conhecer  de lado nenhum, porque isso eu não admito. 


Foi o meu percurso de erros, casos com pessoas erradas e enganos que me trouxe até aqui, onde estou hoje. E ainda tenho muito pela frente. O que me interessa é o que está cá dentro, e tenho muito orgulho nisso, principalmente porque não faço segredo dos meus pecados. Vir aqui tentar fazer-me sentir culpada é que dá vontade de rir. No mínimo. 

sábado, 1 de maio de 2010

Ataque pessoal, mania da perseguição ou... publicidade meio parva?





Não é a adulta dentro de mim que se revolta ao ler esta merda, é mesmo a adolescente que:

1 - não saía muito à noite
2 - vestia-se de preto, cinzento e bege
3 - nunca gostou de ouvir música muito alto e não teve uma guitarra
4 - não tinha namorado, logo não beijava em público e se beijasse era mais às escondidas
5 - se dormisse ao "relento" (quem é que diz ou escreve "relento"??? Os brasileiros!?!) o meu pai dava-me uma carga de porrada que havia de ser bonito
6 - achava que não podia, não devia, que tinha vergonha de tudo e de todos

an so on...


Isto reflecte a triste imagem de dois clichés absurdos: um, de que os adolescentes são todos iguais, e o outro, de que os adultos também são todos iguais. Já agora, que somos todos muito espertos e livres e cool quando somos putos e depois crescemos e tornamo-nos uns chatos. A verdade é que quando somos putos, temos borbulhas, maus penteados e ninguém gosta de nós, ninguém nos compreende. Depois crescemos e as coisas nem são assim tão diferentes, mas melhoramos o nosso aspecto e a cultura geral.
Claro que há a malta tipo Morangos Com Açúcar, mas esses são uma minoria.

Ainda bem que eu não compro esta ideia, porque felizmente não me revejo nela. Em nada. Assumo a minha pose de "chata", não apenas como adulta que já não tem paciência nem circunstâncias de vida e sobretudo VONTADE de querer fazer coisas que fazia há uns anos, mas também como de adolescente que nunca se reviu na imagem cool ou era muito popular ou tinha o estilo de vida que se deduz na publicidade em causa.

Sinceramente, não sou a adulta chata que a publicidade descreve, tal como a maioria dos adultos que conheço não o é, mas também não sou a adulta meio tonta que a publicidade sugere no fundo que sejamos, muito "à frente", até porque seria impensável ter o mesmo tipo de vida que tinha quando era uma estudante académica.

Não é uma questão de idade, é somente uma questão de atitude. 
Sobretudo, de saber viver com as opções que se tomaram na vida e de saber aceitar a mudança.


Se eu não gostasse tanto de Sumol de laranja...


sábado, 26 de dezembro de 2009

Ainda acreditas no Pai Natal?





Antes de mais, quero desmistificar uma certa ideia que possa pairar no ar depois de se ler este post: eu até gosto do Natal. Declaradamente "até" porque gosto da tradição de se festejar qualquer coisa, porque gosto de festas, mas confesso que "até" de festas já gostei mais. Sendo este blog um pouco autobiográfico, um pouco pateta e um pouco lamechas, isto não trará qualquer benefício para ninguém nem aqui defenderei acerrimamente uma dama que não é a minha. "Até" porque nestas coisas de fé, crenças e quejandos que tais, tudo se torna demasiado relativo e aqui está uma coisa que, com o tempo, gosto cada vez menos de fazer. Uma questão de definição.

Cheguei, este ano, à conclusão que acreditar no Natal, no pai Natal, em Jesus Cristo, e em Deus são ideias demasiado próximas, para meu grande infortúnio. Claro que entre um frito de Natal, a missa do galo e o desembrulhar de um presente, a coisa confunde-se com o brilho e o barulho das luzes do pinheiro e o brindar de uma bebida qualquer. Porquê? Porque apesar da grande maioria das pessoas não saber porque é que acredita em Deus e em Cristo, porque é que raio é católico ou não, toda a gente gosta deste maravilhoso engodo contra o frio e a depressão que é o Natal. Ou não. Pensa-se demasiado no que se fez e não devia ter feito, no que se alcançou ou no que não se alcançou, pensa-se em família, pensa-se num hipotético futuro que alguém nos disse que seria brilhante e, não sendo, porque falta sempre qualquer coisa dita "perfeita", chora-se e sofre-se porque o Natal é uma bofetada das grandes que nos chama à razão para a nossa imperfeição. Tudo deveria ser perfeito no Natal, não é? Não nos devíamos lembrar dos que já morreram, não nos devíamos lembrar de coisas tristes, que ainda não tivémos dinheiro para oferecer algo melhor aos filhos, e é precisamente nesta altura que se fala mais de amor, amizade, solidariedade e compaixão. É nesta altura que em vez de celebrarmos a alegria do nascimento de Cristo, nos vem à memória toda a infelicidade das nossas vidas e é nesta altura que nos lembramos de quem mais sofre. Ou não. Há sempre aquelas pessoas que não choram por nada e não se lembram de nada, não sofrem, ponto. Andam de cara alegre e apatetada sem derramar uma única lágrima, pois não sabem o que é isso de sofrer.

O Natal é das crianças, claro que é. Óbvio que é. Os melhores Natais da minha vida foram os idos, em que era uma criança inocente, em que ninguém ainda tinha morrido, não havia doenças e só havia fome em África e o raio do bacalhau cozido era limpo do prato à força de ouvir a minha mãe dizer "com tanta fome que há em África...". Não havia tantos brinquedos, por isso não se notava a grande diferença entre meninos ricos e meninos pobres. Havia sempre o ricaço que tinha computador e havia sempre o cigano que vivia da caridade dos colegas. Hoje em dia... bem, hoje em dia os putos são abalroados por popotas, computadores xpto, consolas etc etc etc etc... hoje em dia não existe a vergonha de outros tempos de se dizer a um colega que se teve mais prendas que ele. Hoje em dia os putos já sabem o que é a palavra status. No entanto, quero acreditar que há putos com valores, porque os há. Hoje em dia, e na parte que me toca, eu não acredito no Pai Natal, não acredito em Deus, e sinceramente, estou a começar a deixar de acreditar na solidariedade, na amizade, no amor fraterno entre os homens. Ninguém quer realmente saber de ninguém. Toda a gente manda uma merda duma mensagem pelo telemóvel, e é se mandar, ou uma mensagem pela Internet que sempre fica mais barato. Escrevi postais a algumas (vinte) pessoas e mandei-os pelo correio. Recebi, em minha casa, dois postais. Dois. Os meus pais já me disseram que tenho lá mais dois, dado que um deles deve ser do Partido, estou curiosa por saber quem será a alma caridosa que me escreve ainda para casa dos meus pais. Tenho o cuidado de fazer um PowerPoint personalizado que normalmente dá alguma coisinha mais sobre a minha vida, uma espécie de actualização do ano que passou. Tive cinco respostas. Isto apenas para dizer que o número tem vindo a decrescer bastante nos últimos anos. Claro que sms são aos pontapés, mas há quem não se digne sequer a fazê-lo. Telefonar, ligaram alguns. Poucos, muito poucos.

Já são alguns anos e eu sinceramente cultivo uma certa tradição que, ironicamente, não me diz quase nada, a bem dizer do meu ateísmo profundo. Não me choca, como nunca me chocou fazer férias num sítio quente, onde não se ouve falar de Natal, onde o cheiro é de óleo de côco e não de óleo de fritar rabanadas. Cultivo algo que já ninguém cultiva e desconfio que a partir de agora, vou deixar de fazê-lo, pois se o fazia, era por acreditar que as pessoas gostavam. Sinceramente? Que tinha amigos. Pelos vistos, enganei-me. Há quem se desculpe com a falta de tempo, o que me irrita ainda mais, pois é como se eu das duas uma: ou não tivesse vida e não tivesse também eu mais que fazer, ou tivesse uma fórmula mágica que me permitisse ser e fazer aquilo que mais ninguém faz ou é. Aposto totalmente na primeira. Ainda há quem faça o papel melodramático de quem não tem nada para festejar, que morreu alguém, ou que tem alguém doente na família, que o Natal não faz sentido. Pois, devem pensar que a minha vida é só alegrias. No fundo, algumas pessoas estão demasiado habituadas a receber e a verdade é que só se lembram dos outros quando esses mesmos outros desaparecem de "cena".
Este, talvez tenha sido o Natal mais calmo da minha vida, em todos os sentidos. Abriu-me os olhos para uma realidade que a dada altura, nos apanha a todos: não temos vinte amigos. Ter cinco já é uma sorte!

Para o ano, quando me perguntarem porque é que não liguei, mandei postal de cartão ou virtual, vou responder: "ainda acreditas no Pai Natal?"


sábado, 5 de dezembro de 2009

Descubra as diferenças XX

Se a malta fizer uma pesquisa no Google pela palavra "vampiro" aparece-nos estes dois belos exemplares.

Curioso...










quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Pingo Doce





A primeira vez que vi o novo anúncio do Pingo Doce pensei "isto é mesmo mau, a tipa desafina que se farta!"


Cheguei a pensar também que podia apenas ser uma questão de maus fígados, mau dia, mau feitio habitual, pouca pachorra para a televisão, podia até ser de mim. Mas não. Aquilo é mesmo mau.


O Pingo Doce merecia melhor.


domingo, 22 de novembro de 2009

Conservadorismo ou Facebook a mais?



#1::lata de conserva::
[devo esclarecer, antes de mais, que é o único
tipo de conservadorismo que considero::o resto é treta]


Este post fez algum eco na minha cabeça. Pedro Rolo Duarte. Pois, como em tudo na vida, não gosto de algumas ideias, não desgosto de outras. Nunca me é indiferente, o que já não é mau. Pior seria não surtir efeito algum.

Construimos ideias sobre os outros e concebemos juízos de valor a partir daquilo que nos dão. PRD assume-se como conservador. Seja!, ele é que sabe; cada um sabe o que é e como gosta de se assumir perante terceiros. Em oposição a isto, a tudo isto, não me assumo de outra forma como a óbvia e clara como a de um ser humano normal que nasceu na década de 70, pós 25 de Abril, e que não se considera como liberal ou conservadora, de esquerda ou de direita. Tenho ideias muito próprias e concretas, umas mais de pedra e cal, outras mais de areia movediça, e isso não se define num protótipo ou estereótipo. São de ponderar, as ideias que PRD deixa patentes no seu claro perfil, que me deixa um profundo ponto de interrogação na cabeça, sem lâmpada de desenho animado sobre mim mesma. Ora dado que já passei a fase dos porquês (ou devia ter passado), a idade do armário, a idade da revolta, a idade da auto-afirmação, e todo um conjunto de idades que nos distinguem em diversas fases da vida, e dado que cheguei à idade adulta com dias complicados que vão desde os porquês ao armário, do gugu-dada à parvoíce auto-induzida como forma de sobrevivência, isso faz de mim menos bem sucedida? Decerto menos preto no branco, mas penso que ninguém o é, embora toda a gente queira parecer ser. Num mundo onde toda a gente quer parecer muito adulta, bem, inteligente, atraente, com QI's e QE's acima da média, e onde ninguém é o que realmente é sem que pareça um atrasado mental ou um desgraçadinho ou um abandonado de merda com quem ninguém queira ter uma relação minimamente aceitável, dentro dos padrões da normalidade ditada pela sociedade de consumo, os meus dias de merda e de dúvidas, os tais dias cinzentos farão de mim o quê?


Afinal o conservadorismo da espécie baseia-se em quê? Traduz-se na quantidade de coisas novas que o indivíduo é capaz de assimilar, seja em atitudes ou costumes? É gostar mais de cozido à portuguesa do que de sushi? É curtir mais os Buraka Som Sistema do que o Rui Veloso? Burro velho não aprende línguas, já dizia a minha avó, e acho que é um bocado óbvio que quanto mais novo se é, mais aberto se está às mudanças, ao mesmo tempo que quanto mais velho se fica, menor será o grau de adaptabilidade a novas circunstâncias.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

Como em tudo, é uma questão de educação, de re-educação, de adaptabilidade. Só os burros também não mudam de opinião. Oh pra mim que votei na Manuela e já estou eu tão arrependida de ter votado na Manuela! (Devia ter votado no Portas) Oh pra mim que adoro cozido à portuguesa e não morro de amores por sushi! Oh pra mim que gosto de tudo o que é novo, de conhecer novos sítios, novas cidades, gosto de moda, gosto de música (também gosto de clássicos), gosto de novos autores (mas também gosto do Eça), gosto de experimentar coisas novas! Oh pra mim que não gostava de arroz doce e agora gosto! Oh pra mim que não gostava de feijão verde, de pêra-rocha, do Mark Kozelek, de me vestir às cores, que não gostava de gatos e agora gosto disto tudo! Oh pra mim que era viciada num belo maço de cigarros diário e agora o cheiro dá-me náuseas! Sim, vómitos! Isto são os contrasensos do ser humano que não nos permite (ou não deveria permitir) equacionar-nos, encaixotar-nos e reduzir-nos a perfis tão simplistas. Já agora, e para enriquecer o meu "perfil", devo afirmar que sou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo e muito, mas muito mais ainda a favor da adopção por parte dos casais homossexuais. PRD diz-se a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas "vacila" perante a hipótese da adopção. Ele chama-lhe conservadorismo; eu chamo-lhe hipocrisia.


O rumo das coisas, a ser alterado, é feito com vigor, com energia, pelos mais novos, e com a paciência e displicência dos mais velhos. O conceito de conservador/liberal é algo que se usa conforme dá mais jeito. Erradamente, a meu ver. O conservadorismo é para "velhos" e o liberalismo tem de ser para os mais "novos". Independentemente da idade. No fundo, e para não confundir as mentes menos brilhantes, apenas pretendo dizer que de conservador, liberal e louco todos temos um pouco. É óbvio que a páginas tantas, a amálgama do que somos pareça um poço de contrasensos se embarcarmos nessa onda preconceituosa daquilo que é ser conservador e ser liberal.

Depois dizer que se gosta mais das músicas, sabores, filmes e cidades que já conhecemos como afirmação de conservadorismo é idiota. Isso é apenas um traço de personalidade. Adaptabilidade a novas coisas todos temos, em maior ou menor grau. E nada tem a ver com conservadorismo. Obviamente se eu disser que gosto mais do Irão do que dos EUA, se calhar a coisa já resvala mais para o conservadorismo. Já agora, para a imbecilidade também, mas cada um gosta do que gosta.

No fim, é de louvar o esforço da escrita e a exposição que este senhor faz de si mesmo, pois o que a muitos dos que lá andam a comentar, lhes soa a genial (porque se identificam, devem ser da mesma década de nascença que PRD), a mim soa-me a auto-promoção descarada, o traçar de um perfil, idêntico ao que vemos no Facebook de tantas pessoas, cheio de auto-promoções, clichés e mais clichés e cenas muito cool.

"Mas sou conservador, tá a ver?"


domingo, 15 de novembro de 2009

ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah (ou "lol" no meu magalhães)

Carta aberta ao primeiro-ministro José Sócrates


Autor: João Miguel Tavares

Excelentíssimo senhor primeiro-ministro: Sensibilizado com o que tudo indica ser mais uma triste confusão envolvendo o senhor e o seu grande amigo Armando Vara, venho desde já solidarizar-me com a sua pessoa, vítima de uma nova e terrível injustiça. Quererem agora pô-lo numa telenovela - perdoe-me o neologismo - digna do horário nobre da TVI é mais um sintoma do atraso a que chegámos e da falta de atenção das pessoas para as palavras que tão sabiamente proferiu aquando do último congresso do PS:”Em democracia, quem governa é quem o povo escolhe, e não um qualquer director de jornal ou uma qualquer estação de televisão.” O senhor acabou de ser reeleito, o tal director de jornal já se foi embora, a referida estação de televisão mudou de gerência, e mesmo assim continuam a importuná-lo. Que vergonha.

Embora no momento em que escrevo estas linhas não sejam ainda claros todos os contornos das suas amigáveis conversas, parece-me desde já evidente que este caso só pode estar baseado num enorme mal-entendido, provocado pelo facto de o senhor ter a infelicidade de estar para as trapalhadas como o pólen para as abelhas - há aí uma química azarada que não se explica. Os meses passam, as legislaturas sucedem-se, os primos revezam-se e o senhor engenheiro continua a ser alvo de campanhas negras, cabalas, urdiduras e toda a espécie de maldades que podem ser orquestradas contra um primeiro-ministro. Nem um mineiro de carvão tem tanto negrume à sua volta. Depois da licenciatura na Independente, depois dos projectos de engenharia da Guarda, depois do apartamento da Rua Braamcamp, depois do processo Cova da Beira, depois do caso Freeport, eis que a “Face Oculta”, essa investigação com nome de bar de alterne, tinha de vir incomodar uma pessoa tão ocupada. Jesus Cristo nas mãos dos romanos foi mais poupado do que o senhor engenheiro tem sido pela joint venture investigação criminal/comunicação social. Uma infâmia.

Mas eu não tenho a menor dúvida, senhor engenheiro, de que vossa excelência é uma pessoa tão impoluta como as águas do Tejo, tirando aquela parte onde desagua o Trancão. E não duvido por um momento que aquilo que mais deseja é o bem do Pais. É isso que Portugal teima em não perceber: quando uma pessoa quer o melhor para o País e está simultaneamente convencida de que ela própria é a melhor coisa que o País tem, é natural que haja um certo entusiasmo na resolução de problemas, incluindo um ou outro que possa sair fora da sua alçada. Desde quando o excesso de voluntarismo é pecado? Mas eu estou consigo, caro senhor engenheiro. E, com alguma sorte, o procurador-geral da República também. Atentamente, JMT.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Coisas fantásticas deste não menos fantástico país

[post em construção]

Ora vejamos: entre o novo historiador português chamado Mário Soares que afirma que Portugal teve duas Repúblicas (ainda eu pensava que o José Hermano Saraiva era aldrabão), a grandessíssima seca que têm sido as entrevistas do Ricardo Araújo Pereira (já nem as vejo), entre um país que só se lembra de homenagear as pessoas quando elas morrem ou de lembrar os aniversários da morte dos artistas (como é o caso de Amália Rodrigues), entre Primeiro-Ministro e Presidente da República amuados em dia de comemorações e festejos desta maravilhosa República, o mais interessante no meio disto tudo são os cartazes de campanha para as autárquicas que tenho visto por aí (lindos, deveras lindos) e que me fazem sorrir.


Aqui ficam alguns dos melhores.












































O Tino...é o Tino!
O Parcídio... É o Cídio do Parce (?!) (Porra, nada se aproveita no nome!)

A Leonor Coutinho...fez um trocadalho do carilho!

A roulotte do CDS...devia ser convertida em barraca de cachorros...

O Pedroso...tem a cara inchada de tanto abusar de criancinhas...

Os do CDS de Câmara de Lobos...pá, aquele amigo da esquerda parece ter saído da Cercis, e a tipa da direita era a última sobrevivente se o mundo acabasse à dentada...

O Carlos Gonçalves...deve ser responsável pela morte da Princesa Diana...

O cartaz do Major...está ou não está na rotunda?! Aquilo é ilusão de óptica!

O Isaltino...devia estar na prisa (e não é a da TVI)

A Fatinha...faz bem em apoiar toxicodependentes sem-abrigo para cargos de eleição. Podia era ter-lhe feito um adiantamento e deixado o rapaz tomar banho, lavar os dentes e fazer a barba...

Com políticos assim, para que precisamos de...porra, nem sei!
 
Spider Pig dixit

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Descubra as diferenças XIV

Digam lá que não é tal e qual????
Ana Gomes e Herman José (na rubrica Cozinho Para o Povo)





Gajas, política e futebol



Sabem o que é que isto me faz lembrar?

Gajas histéricas num estádio de futebol a gritar que o árbitro é um f****da p*** e por aí fora, a mastigar qualquer coisa de boca aberta, de cachecol bem apertado até às goelas. Eu sei porque eu já fui a um estádio de futebol e vi com os meus olhos. Muitas vezes. Limitei-me nessas ocasiões a ver o jogo, de boca fechada. O máximo que fiz num estádio foi gritar Briosa. Limito-me a ser do Benfica e da Académica (mais da Académica, mas acho que é este ano que o Glorioso me vai dar uma alegria razoável).


Uma mulher para poder vencer na política não se pode comportar como algumas se comportam num estádio de futebol. Acho que alguém devia dizer isso a esta senhora.



P.S.: e também me lembra o Herman José vestido de mulher.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Breves confissões sobre coisíssima nenhuma...

Há tanto tempo que não escrevo coisíssima nenhuma sobre assunto algum, tanto tempo que já nem tenho memória sobre a última porcaria que (supostamente) "escrevi". Sim, que eu tenho algum respeito pelo acto em si, o da escrita, e isto de se ter um Blog não é propriamente Literatura. Entendo-o como acto masturbatório de quem o despeja e de quem, num acto voyeur também ele masturbatório, o "engole".

Tenho consciência de que é apenas produto da minha crescente falta de paciência para os outros. Para as pessoas. Anda-me a faltar alguma pachorra e estou mesmo farta de gente que não pensa, de gente incoerente. Em suma, gente estúpida. Esgotei toda a capacidade que tinha para tolerar alguns discursos e as merdas que as pessoas se lembram de atirar cá para fora. Os comportamentos aparentemente aceitáveis, nada saudáveis, de quem não se dá muito ao trabalho de..., nem por quem, nem como, nem por quê, nem por nada. A previsibilidade desses comportamentos cansou-me até não haver uma resposta que considere válida, pois nem sequer considero algumas das coisas que as pessoas acabam por dizer como questões pertinentes ou passíveis de poderem ser consideradas, tal é a falta de informação ou de sensibilidade que manifestam. Sei que também há muita gente com muita falta de jeito, falta de educação, falta de formação, etc e há coisas que são irrelevantes, mas chega um ponto em que realmente começamos a seleccionar. Como um coador. Isto reporta-se, claro está, não a pessoas deste meio, o dos Blogs, mas também. Hoje em dia, é suposto termos muitos amigos. Nos Blogs, no Hi5, no Facebook, etc. Nem que seja por ter lá uma figura que mal conhecemos ou com quem nunca estivémos, mas uma simples ligação ou afinidade torna-nos "amigos", e isto começa a assustar-me. Deveras. Este Verão conheci uma pessoa que me foi apresentada por ter uma relação com alguém que me é muito muito querido e me é muito próximo. Adorei a pessoa em questão, pareceram-me almas gémeas, feitos um para o outro. Algumas semanas depois, vi o meu amigo desfeito, desconsiderado e mal tratado pela outra pessoa em questão. Fico logo sem vontade de conhecer mais ninguém. Fico chocada com as coisas que aconteceram, coisas das quais tive conhecimento, coisas que sinceramente não me passavam sequer pela cabeça que alguém pudesse fazer a outra pessoa! Irremediavelmente, chego à conclusão que algumas pessoas mentem muito bem, e o ser humano é mesmo um cão do Inferno.



Quem por aqui passar não me interprete mal, por favor. Eu continuo a gostar das mesmas pessoas de quem gosto há um raio de dez anos na minha vida, com raras raríssimas excepções, mas isto dos Blogs cansa bastante, é demasiado virtual e se até as pessoas "reais" têm imensos truques nos seus quotidianos, imagine-se os outros, os "virtuais". Conheci pessoas interessantes, outras menos interessantes, e outras de quem já me esqueci provavelmente. Já me interessei muito pela vida de pessoas que não estavam assim tão interessadas em conhecer-me e tive alguns (poucos) desgostos. Hoje em dia, sou desinteressada por pessoas a um nível que nunca pensei chegar. Acaba por ser interessante, este facto em si.


Não havendo obrigatoriedade de visitar quem me visita, parece quase descortêz não fazer a bela da visitinha de volta, ou deixar o belo do comentário. A verdade é que cansa muito, nos últimos tempos dei por mim a pensar "ora porra, mais um/a... bem, vou lá depois quando tiver tempo" mas o tempo é uma desculpa pois a verdade é que deixou de me apetecer e acaba por ser saturante e maçudo. Desinteressante, na maioria das vezes.


O Verão aumenta a tesão para umas coisas e corta noutras.

A maior parte das porcarias que leio nos Blogs são sobre a visão cega que algumas pessoas têm (desde que nasceram) sobre a vida política/actualidade do país. Tanto, que até mete dó. Interiorizam verdades absolutas que alguém lhes contou quando eram pequeninos e enterram-se em clichés que nem sequer no Google questionam. Não há ideias próprias, não há evolução de pensamento, não há questões, só existe um vazio tremendo e um buraco cheio de mentiras em que preferem acreditar. Muito gajo de esquerda que se diz de esquerda porque "é bem", e muito gajo de direita porque tem um pullover por cima dos ombros. Normalmente, gosto dos gajos do contra tudo e contra todos, e do diálogo e confronto de ideias com essas pessoas.

Os outros Blogs, é metade a falar das tristezas da vida (acordem, vivemos todos na mesma pocilga, uns disfarçam melhor que outros, apenas isso) ao mesmo tempo que falam sobre o amor, a poesia e o canto da madrugada quando ela acaba ao nascer do sol; a outra metade, é malta a vender coisas, tralhas, porcarias que faz e algumas dessas porcarias até são bem giras.

Também me falta a pachorra para os Blogs que volta e meia dizem que vão fechar, tipo a ver se a malta vai lá dizer "ah não, não nos deixes por favoooooor!!!!" em tom de desespero, em jeito de ameaça suicida nunca concretizada, à laia de loja em liquidação total. Esses voltam sempre. Depois enviam mails a dizer que voltaram. Ainda bem que os meus leitores inexistentes não chateiam muito, não enviam mails, nem deixam comentários a dizer "volta tás aperdoada". Sem obrigações.

Sinceramente, acabo por preferir ler Blogs que me dão vontade de rir, cheios de disparates, coisas giras que me despertam o sentido de humor, que me dão o sentido de humor de outros, que pode ir de encontro ao meu, ou não. Penso que é o que mais aproxima as pessoas, a capacidade de rir, rir genuinamente, não uma onda cool, de sorriso e tal, manhoso e irónico. Ultimamente gosto mais do nonsense, daquele humor levado ao extremo mau gosto, à inconveniência, ao choque. Talvez porque ande tão farta de verniz e de conversa da tanga, que não há ironia que me resgate o mais leve esgar.


Por enquanto, divirto-me até dia 27 por aqui, a escrever e a postar coisas contra aquilo que considero a maior anedota depois do Herman José, dos Monty Python, dos Gato Fedorento, da Famel, dos Contemporâneos, do Tony Carreira, do programa Ídolos e do Sasha Baron, que é este governo pseudo-socialista de José Sócrates.


Bem hajam aqueles que tiveram pachorra para ler isto tudo até ao fim.

domingo, 3 de maio de 2009

Reinvenções








Independentemente de gostar ou não dos The Gift (que não gosto), este projecto "Amália Hoje" suscita profunda desconfiança da minha parte, logo à partida, porque para mim, tal como para a grande maioria dos portugueses, Amália não é de ontem, hoje ou de amanhã. Amália é de Sempre.




Gosto do chamado "Fado Novo" e do "Novo Fado", em que surgem nomes como Deolinda ou Camané. Gosto do fado vadio de Lisboa e do fado cantado nas ruas de Coimbra. Gosto mais do fado cantado pela voz masculina do que feminina e, para mim, mulher que canta fado, o nosso fado, é a grande Amália. Gosto de fadistas como a Mariza, a Cristina Branco, gosto. Gosto imenso da Dulce Pontes e daquele álbum que fez com o Ennio. Gosto da sua versão do Povo Que Lavas no Rio. Gosto da vertente nova e da roupagem que dão ao fado sob uma vertente pop ou electrónica, não me choca nada a adaptação. Pode existir em tudo isto alma, pode em tudo isto haver autenticidade. O que se segue não é nenhuma contrariedade de alma com aquilo que é a reinvenção do fado. Gosto de reinvenções. Gosto de covers, quando eles de facto acrescentam algo de novo. Ao menos, quando são genuínos.




Do que eu não gosto é que me atirem areia para os olhos, e à sombra de um nome tão grande como o da Amália, façam discos deste género, que mais não servem do que promover as próprias bandas, neste caso declaradamente dos Gift. Falo pois, do novo álbum do Projecto Hoje, "Amália Hoje". Não gosto mesmo nada, para além de não gostar nada daquele som, daquela interpretação tão desprovida de alma, tão sem nada de novo, tudo tão forçado. Não acrescenta nada ao que já existia. Não reinventa nada, não traz uma nova pulsação, são apenas covers de temas cantados pela vocalista dos The Gift. Ouvir aquilo é como ouvir os The Gift: the same old. A questão não é se conseguiram reinventar o fado de Amália transformando-o em música pop, a questão é que os The Gift não se conseguem reinventar a eles próprios, nem com as letras que Amália cantava, nem com arranjos musicais à la Arcade Fire.






Não gosto de criticar tão acerrimamente um "projecto" (tudo em Portugal é projecto, ex-projecto, projecto do ex-projecto, futuro projecto a partir de um projecto passado), e gosto ainda menos de falar sobre música - porque gosto muito de música e de muitos géneros e muitas bandas - mas detesto sobranceria e a soberba de quem se insurge como iluminado ou acha que fez algo de muito diferente do que lhe é já tão habitual. Obviamente haverá quem goste. Eu não gostei.
É apenas mais do mesmo. É pena.



Em paralelo e porque nem tudo é um pseudo-projecto, porque mais difícil é reinventar-se pop a partir de pop, gostei bastante do "projecto Humanos" (mais um, mas este é dos bons) a partir de temas do António Variações. Manuela Azevedo, Camané e David Fonseca como nunca ninguém os vira antes em temas do nosso Variações. Bem hajam!
A imagem da Amália foi "reinventada" por mim.
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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Procuram-se Loucos





Sou uma pessoa revoltada e isto não vai passar com a idade.
Há quem confunda esta minha revolta com insatisfação, e eu não a vejo nem sinto nem muito menos a deixo de pensar com mais fervor, à medida que me refastelo na vidinha e "cresço" e me torno uma pessoa satisfeita. Cresço como todos os que nasceram na década de 70, no pós ou durante 25 de Abril e são portugueses. Isto de se ser revoltado nada tem a ver com insatisfação ou infelicidade. Sou relativamente satisfeita e grata pela vida que tenho (a vidinha) e sou uma pessoa feliz. Sou lírica no que tenho de ser lírica e sou bastante pragmática no que sempre fui. Já mudei de opinião muitas vezes, mas nunca de cor política. Já tive mais fé na própria política do que tenho hoje. Sou de centro-direita, naquilo que todos temos de direita nos dias de hoje e sou mais humana que muita merda de "dita" esquerda. Sou revoltada porque olho para este país e revolto-me. Sou realista e vejo o que os outros também vêem. Não tenho fé no povo. Não tenho fé nos estudantes que têm muito medo e são uns merdas maiores do que eram há dez anos atrás quando acabei o meu primeiro curso superior. Não tenho fé nos diplomados como me chamaram há uns dias. Diplomada. Não tenho fé nos militares. No meio disto tudo tenho relativa fé nos malucos, nos loucos deste país, porque tenho fé de que não vamos lá com cravos, nem com manifestações, nem com revoluções de flor em punho. Só um louco nos pode salvar desta porcaria de democracia às três pancadas, em que tanta gente ainda passa fome em Portugal, em que tanta gente não sabe ainda ler ou escrever, em que tantos milhões gosta de novelas e futebol ao fim do dia, em que há tantos sem-abrigo a morrer de frio nas ruas de Lisboa, em que a podridão da miséria humana é do Terceiro Mundo, em que a corrupção política não é sequer beliscada ou posta em causa, em que nos deitam areia para os olhos todos os dias, em que temos políticos que mentem e roubam todos os dias, que manipulam toda a gente, sondagens e opiniões todos todos os dias.

Nada mudou desde o 25 de Abril de 1974, em que alguns capitães loucos se fizeram à estrada e outros colheram os lucros de tal ousadia. Este ano nem quero ligar a tv ou comprar o jornal. Não para ver a cara de um Primeiro-Ministro de cravo em punho, de um ditador que ignora greves e manifestações todos os dias, que nada faz para melhorar a vida dos portugueses, que é um autista proibidor, inquisidor, um mentiroso que nem Engenheiro é.

Fosse França ou Inglaterra ou outro país evoluído da união Europeia já estava na rua. Mas é Portugal. É 25 de Baril. É "porreiro pá!"

Entretanto, espero um dia destes dar voz à minha revolta. E espero pelos loucos que um dia salvem a pátria.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cão e gato


Este post tinha de ser escrito, mais cedo ou mais tarde, e hoje parece-me um bom dia, aliás noite, para o fazer. E porquê? Por diversas razões:



- por estar sozinha em casa neste momento;

- pelo facto de ter tido uma ENORME discussão com aquele que se diz "ah e tal, eu amo-te muito", tipo "cara-metade" ou "metade da laranja" (devia ser espanhola e eu sou a parte podre);

- pela soma das duas razões anteriores, somando ao facto do gajo ser o fã número zero de tudo o que é felino aqui do bairro e arredores;

- porque escrevi há pouco tempo sobre cães e por me ter afirmado como "dog person";

- porque me apetece e sabe sempre bem dizer "porque me apetece".



Não gosto de gatos. Não gosto do seu ar arrogante, frio e distante. Não gosto da falsidade implícita dos gatos meio loucos que se atiram com as unhacas e não medem o perigo das suas acções. Não gosto daquele egoísmo pedante. Não gosto da suposta independência. Não gosto da ausência de entrega. Não gosto da elegância e sobretudo, mas mesmo acima de tudo, não gosto do cheiro dos gatos. Não gosto dos pêlos que os gatos deixam pela casa. Não gosto de partilhar espaços com gatos.





Gosto de cães. Gosto de tudo nos cães. Gosto mais de cães (oh muito mais!!!) do que de gatos. Os cães têm sentidos apurados, esperteza e "respondem-nos", falam connosco. Eu não sei falar para um gato, ou com um gato. A mais das vezes que falei com gatos, eles responderam-me com olhares à Garfield, olhos vazios de afecto.





Um gato responde à nossa voz e vem ter connosco quando o chamamos, apenas quando lhe apetece, o que resulta ser quase nunca. Isto está conotado como "independência". Um gato que não vem até nós quando o chamamos é porque tem vontade própria, é independente. Uma mula faz o mesmo e é burra. Uma girafa faz o mesmo e é estúpida. Mas o gato é independente. À semelhança das criancinhas mimadas (raio que as parta), que também têm vontade própria quando não querem comer o prato de sopa que têm pela frente, e que têm "personalidade e carácter forte". Ya, com os gatos passa-se o mesmo. Generalizou-se que os gatos são inteligentes e ponto. Independentes.





Enfim, era só mesmo isto: não gosto de gatos.








domingo, 8 de março de 2009

"Abrir a pestana"

Perguntei ao meu querido qual era o tipo de mulher (ou parafraseando-me) ou qual dessas "gajas conhecidas" era assim, a que, de repente, a mais apelativa. Entre um esgar ou outro (e porque o tema entre nós é recorrente) lá acedeu ao meu pedido e disse

- Cláudia Vieira
- Mas ainda agora dizias que a Diana Chaves era mais gira!...
- Não, não... hmmm.... pensando bem, é a Cláudia Vieira...
- A Rita Pereira não, pois não?
- Eh... não... a Cláudia Vieira...
- A Rita Pereira tem um grande defeito, o maior deles todos (ele já a pensar que eu iria dizer a cana do nariz ou os dedos dos pés ou todas aquelas peculiaridades físicas que as mulheres apontam nas outras sob a forma disfarçada de encarar a própria inveja)... o maior defeito da Rita Pereira é o Angélico... uma gaja daquelas com um gajo daqueles não abona muito em seu favor...
(risos)
- Mas diz lá... e estrangeiras?
- Alicia Keys (depois de ter feito de conta que tinha pensado veementemente no assunto)
- Alicia Keys?!? A sério?
- Sim... ou a Scarlett Johansson...
- A Monica Belucci? Não? (eu tenho uma grande pancada com a Monica Belucci)
- Eh... não, nem por isso... quer dizer (ri-se) a Monica Belucci é outra coisa...
- Pois (rio-me) é isso mesmo, é essa coisa que eu quero saber! (tesão)
- Não... também é, mas a Alicia Keys é mais gira... acho-lhe mais piada...
(penso que com muito esforço e dedicação às máquinas de cardiofitness lá do ginásio ainda posso vir a parecer-me mais com a Monica, mas entre mim e a Alicia não há nada que me valha)
- Então e a Charlize? (Theron) e mostro-lhe as imagens no Google
- Eh... prefiro a Scarlett. Essa está meio "acabada".

- Acabada? (ele deve preferi-las mais novinhas)
- Parece que estamos a escolher chocolates...




Pois.



- Então e tu não queres saber qual é o gajo que me diz assim qualquer coisa? (afinal hoje é dia da mulher)
- É lá aquele brasileiro, aquele Reynaldo "Ginecologista"...
- (rio-me)
- De tugas é que não estou a ver quem... não estou a ver quem é que te abre a pestana...
- Abre a pestana?? (risos)



O meu Blog tem vida própria. O Reynaldo, de facto, reúne consensualidade. Confesso que o físico de um homem não me diz grande coisa, nunca disse e nem a prevista idade da parvoeira da meia idade irá afectar isso. A inteligência, sensibilidade e sentido de humor (sem ser do tipo palhácico) continuam a ser os critérios principais que me confundem e trocam as voltas ao espírito.








Ainda assim vejam isto. A cereja em cima do bolo. Para os mais cínicos (leia-se "homens") e pessoas com sentido de humor.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

That's what I call COURAGE

A propósito da modorrenta e bafienta opinião da Igreja, que se alimenta de toda uma máquina homófoba em que até os mais "modernos amigos dos gays" por vezes fazem piadinhas com muito pouca piada, pouco há a acrescentar. Não me choca ou surpreende e já nem sequer enraivece ou entristece como há uns anos. Eu, ateia profundamente convicta, me assumo. Não sei qual seria a opinião de Jesus Cristo sobre a matéria, mas desconfio que seria parecida com a minha.

Não sei o que entendem por "criança normal" ou "relação normal" ou até mesmo "vida normal" ou o que raio é necessário fazer ou dizer para que o Amor seja entendido como algo que não cabe dentro de parâmetros generalizados e estereotipados. Para que algumas mentes se abram e percebam que as ditas "famílias normais" compostas de pilinha e buraquinho foi chão que já deu uvas e muitas são estranguladoras assassinas das próprias crias. Crianças que nascem mal criadas, mal compreendidas e mais grave, mal amadas.

Num mundo onde vejo a cada dia que passa mais e mais hipocrisia, raiva, desprezo, onde palavras como Amizade, Solidariedade e Respeito e Consideração pelo próximo não passam de palavras que cada um defende onde lhe fica melhor: nos edifícios da Igreja, nos escritórios onde trabalham, nos bares onde engatam, nas casas que habitam, nos casamentos acabados que defendem, nas mentiras que contam.

Num mundo que teima e urge em mudar, somos nós que temos a obrigação de o empurrar e empunhamos essa bandeira da mudança para um Mundo melhor, onde não hajam diferenças na construção de algo mais bonito. Na defesa do Amor.




"Fidelity": Don't Divorce... from Courage Campaign on Vimeo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Estado da Nação II: mulheres aka gajas aka censura

Censurem lá este agora.

... mas só depois de resolverem os processozinhos da malta que têm por aí pendentes. Ou o Carnaval tem privilégios acrescidos relativamente ao resto dos T.P.C.'s de V.ªs Exc.ªs, assim uma espécie de triagem de Manchester com direito a pulseirinha verde?


É grave que a celeridade seja feita de raios de um sol que só nasce para alguns, em actos que não servem o bem colectivo mas apenas os caprichos de mentes com muito pouco sentido de humor. Mais grave, com muito pouco sentido de democracia.

Foi em Torres Vedras, onde o Carnaval é mais português.








terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

filhos da puta





Ontem tive uma longa conversa com um grande amiga sobre os filhos da puta das nossas vidas. Obviamente isto seria tema para um outro post, e agora não tenho tempo ou disposição, nem capacidade de abstracção para dissertar sobre o assunto. De entre os escombros daquilo que nos resta, de entre a verdade escondida nas patranhas que nos contaram e que tarda sempre mas de forma assaz oportuna, fica sempre uma sensação de missão cumprida, afinal que piada teria a vida sem esses filhos da puta com ausência de escrúpulos? Pessoas que mentem, enganam, sem derramar uma lágrima que seja. Sem uma única que seja.


No meio da conversa, veio à baila aqueles filmes para pessoas inteligentes e dramáticas como nós, e outras coisas tais como balas e bolinhos, ramstein, o scooby doo, o Fernando Ribeiro, o Padrón, a varinha mágica a trabalhar e tudo aquilo que gostaríamos de esquecer que já nos aconteceu, mas que nos dá tema de conversa e risota e algumas lágrimas masoquistas pelo meio, tal como quando tínhamos vinte anos. Surgiu ainda o Bukowski, a lembrar os tais filhos da puta, mote para este post.

Devo-lhes imenso, mais que tudo, por me terem ensinado que filhos da puta destes ficam bem é nos livros e nos filmes que gostamos de ler e ver. Não nas vidas reais, não na nossa cama, não na nossa alma.



"What goes around, comes around". Isn't it?








Charles Bukowski (1920-1994) nasceu na Alemanha em 1920. Aos três anos foi viver para os EUA, tendo residido 15 anos em Los Angeles. Estudou literatura e jornalismo. Começou a escrever muito cedo e publicou os seus primeiros contos em 1944. Apenas terá começado a escrever poesia quando já tinha 35 anos. Trabalhou em bares, nos correios, estações de serviço, levando uma vida boémia à base de álcool, mulheres, apostas em corridas de cavalos e lutas de boxe. Foi várias vezes hospitalizado, devido a problemas relacionados com o consumo excessivo de álcool. De personalidade inconformada e iconoclasta, Bukowski nunca se deixou associar a qualquer movimento literário. Completamente independente, foi construindo uma obra com cerca de 40 títulos publicados. O seu primeiro livro de poesia data de 1959. Na sua campa, deixou o aviso: «Don't Try!»



p.s.: obrigada A. amiga sobejamente versada nestes assuntos da filha da p.... , a imagem ficou mesmo mesmo bem.
Isto ficou um bocado forte mas enfim... às vezes a vida é um bocado forte.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Before and After









É desta que o Blogger vai carimbar-me com o "atenção atenção, este Blog contém conteúdos para adultos". É um Blog muito adulto, é sim senhora. Não podia deixar de partilhar com os demais transeuntes estas imagens que deverão ser já do conhecimento de todos, mas que me deixaram boquiaberta. Reparai na pureza da moça de cima, imagem muito crua, muito "em bruto", no seu ar "negligé", a contrastar com a pose artística da segunda imagem.

Anos oitenta versus descoberta da cera depilatória por Madonna Louise Veronica Ciccone. Confesso que até nutro alguma simpatia pela rapariga que já leva cinco décadas disto.~



Like a Virgin...


Ai Sean Penn.... ai Guy Ritchie....

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009




Anda por aí um desafio na blogosfera muito interessante, que consiste em descrevermos a nossa vida e aquilo que somos através de temas musicais de uma banda apenas. Decidi abraçar o desafio e responder com temas de Morrissey/Smiths. Não é uma banda ou autor demasiado óbvio naquilo que me diz respeito. Não é a escolha lógica, como seria uma Cat Power, mas a vida faz-se de escolhas pouco óbvias.

Right?


1. És homem ou mulher? Girl Afraid


2. Descreve-te. Bigmouth Strikes Again / I Am Two People


3. O que pensam as pessoas de ti? First Of The Gang To Die


4. Como descreves o teu último relacionamento? You Know I Couldn't Last


5. Descreve o estado actual da tua relação. Is It Really So Strange?


6. Onde querias estar agora? Back To The Old House


7. O que pensas a respeito do amor? Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me


8. Como é a tua vida? My Life Is An Endless Succession Of People Saying Goodbye


9. O que pedirias se só pudesses ter um desejo? Please, Please, Please, Let Me Get What I Want


10. Escreve uma frase sábia. The World Is Full Of Crashing Bores



* considerem-se "desafiados" todos os que por aqui passarem. Podem deixar mesmo na caixa de comentários.

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

Expresso

Publico.pt Última Hora

Visão

Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...