::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


segunda-feira, 27 de abril de 2009

Não resisto a um teste/quiz/whatever





Vi isto num Blog aqui ao lado e não resisti...


1)- Nome:a de ana.
2)- Porque lhe deram esse nome? era para ser pedro...
3)- Você faz pedidos às estrelas? sempre.
4)- Quando foi a última vez que chorou? ai o marley, o marley...
5)- Gosta da sua letra? gosto.
6)- Gosta de pão com o quê? com coxinhas. ahahahahaha...
7)- Quantos filhos tem? aí uns 160... e 30 deles são muito complicados.
8)- Se fosse outra pessoa seria seu amigo? depende dessa outra pessoa. não depende de mim. há uma coisa chamada livre-arbítrio...
9)- Saltaria de bungee-jump? nem de trampolins gosto.
10)- Desamarra os sapatos antes de tirá-los? por acaso não desamarro (os atacadores, claro)
11)- Acreditas que és uma pessoa forte? eu não acredito. eu sou.
12)- Gelado favorito? tenho saudades do gelado de noz do lidl.
13)- Vermelho ou preto? vermelho.
14)- O que menos gostas em ti? o rabo.
15)- O que mais gostas em ti? a acutilância.
16)- De quem sentes saudades? dos que estão sempre longe. dos que já morreram. dos que lá ficaram. e do gelado de noz do lidl.
17)- Descreva que roupa e calçado está a usar agora: camisola preta justa, calças largas de bolsos laterais verde tropa tudo a combinar com as pantufas vermelhas fantásticas do Félix, the Cat.
18)- Qual foi a última coisa que comeu hoje? sopa de grão com espinafres; peixe espada frito com arroz de cenoura e malagueta picante; pêra rocha muito verde.
19)- O que está a ouvir agora? o Portugalex AHAHAHAHAH!
20)- A última pessoa com quem falou ao telefone? Foi com a sra do PBX da instituição de ensino onde tirei o curso que anda "à minha procura" há dias...
21)- Bebida favorita? Depende. água, água das pedras, sumo de laranja natural, vinho tinto, café, chá, galão muito muito muito escuro.
22)- Comida? marisco. muito marisco.
23)- Último filme que viu no cinema e com quem? My Best Friend's Girl com o meu marido companheiro camarada palhaço...
24)- Dia favorito do ano? o primeiro dia de férias de Verão. sempre foi e sempre há-de ser!
25)- Inverno ou Verão? Primavera.
26)- Beijos ou abraços? beijos.
27)- Qual a tua sobremesa favorita? mousse de chocolate (com nozes).
28)- Que livro está a ler? comecei ontem o último do josé rodrigues dos santos.
29)- O que tem na parede do seu quarto? duas fotografias tamanho família: uma minha e outra do marido companheiro camarada palhaço... lindas...
30)- Filmes favoritos? muitos. the eternal sunshine of the spotless mind. cinema paradiso. clockwork orange. the shinning. etc etc etc lista interminável.
31)- Onde foi o lugar mais longe que já foi? até ao fundo da minha alma. lol.
32)- Uma música? se tivesse de escolher apenas uma única música seria concerteza de leonard cohen.
33)- Uma frase? Poetry is the evidence of life. If your life is burning well, poetry is just the ash. L.C.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Procuram-se Loucos





Sou uma pessoa revoltada e isto não vai passar com a idade.
Há quem confunda esta minha revolta com insatisfação, e eu não a vejo nem sinto nem muito menos a deixo de pensar com mais fervor, à medida que me refastelo na vidinha e "cresço" e me torno uma pessoa satisfeita. Cresço como todos os que nasceram na década de 70, no pós ou durante 25 de Abril e são portugueses. Isto de se ser revoltado nada tem a ver com insatisfação ou infelicidade. Sou relativamente satisfeita e grata pela vida que tenho (a vidinha) e sou uma pessoa feliz. Sou lírica no que tenho de ser lírica e sou bastante pragmática no que sempre fui. Já mudei de opinião muitas vezes, mas nunca de cor política. Já tive mais fé na própria política do que tenho hoje. Sou de centro-direita, naquilo que todos temos de direita nos dias de hoje e sou mais humana que muita merda de "dita" esquerda. Sou revoltada porque olho para este país e revolto-me. Sou realista e vejo o que os outros também vêem. Não tenho fé no povo. Não tenho fé nos estudantes que têm muito medo e são uns merdas maiores do que eram há dez anos atrás quando acabei o meu primeiro curso superior. Não tenho fé nos diplomados como me chamaram há uns dias. Diplomada. Não tenho fé nos militares. No meio disto tudo tenho relativa fé nos malucos, nos loucos deste país, porque tenho fé de que não vamos lá com cravos, nem com manifestações, nem com revoluções de flor em punho. Só um louco nos pode salvar desta porcaria de democracia às três pancadas, em que tanta gente ainda passa fome em Portugal, em que tanta gente não sabe ainda ler ou escrever, em que tantos milhões gosta de novelas e futebol ao fim do dia, em que há tantos sem-abrigo a morrer de frio nas ruas de Lisboa, em que a podridão da miséria humana é do Terceiro Mundo, em que a corrupção política não é sequer beliscada ou posta em causa, em que nos deitam areia para os olhos todos os dias, em que temos políticos que mentem e roubam todos os dias, que manipulam toda a gente, sondagens e opiniões todos todos os dias.

Nada mudou desde o 25 de Abril de 1974, em que alguns capitães loucos se fizeram à estrada e outros colheram os lucros de tal ousadia. Este ano nem quero ligar a tv ou comprar o jornal. Não para ver a cara de um Primeiro-Ministro de cravo em punho, de um ditador que ignora greves e manifestações todos os dias, que nada faz para melhorar a vida dos portugueses, que é um autista proibidor, inquisidor, um mentiroso que nem Engenheiro é.

Fosse França ou Inglaterra ou outro país evoluído da união Europeia já estava na rua. Mas é Portugal. É 25 de Baril. É "porreiro pá!"

Entretanto, espero um dia destes dar voz à minha revolta. E espero pelos loucos que um dia salvem a pátria.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cão e gato


Este post tinha de ser escrito, mais cedo ou mais tarde, e hoje parece-me um bom dia, aliás noite, para o fazer. E porquê? Por diversas razões:



- por estar sozinha em casa neste momento;

- pelo facto de ter tido uma ENORME discussão com aquele que se diz "ah e tal, eu amo-te muito", tipo "cara-metade" ou "metade da laranja" (devia ser espanhola e eu sou a parte podre);

- pela soma das duas razões anteriores, somando ao facto do gajo ser o fã número zero de tudo o que é felino aqui do bairro e arredores;

- porque escrevi há pouco tempo sobre cães e por me ter afirmado como "dog person";

- porque me apetece e sabe sempre bem dizer "porque me apetece".



Não gosto de gatos. Não gosto do seu ar arrogante, frio e distante. Não gosto da falsidade implícita dos gatos meio loucos que se atiram com as unhacas e não medem o perigo das suas acções. Não gosto daquele egoísmo pedante. Não gosto da suposta independência. Não gosto da ausência de entrega. Não gosto da elegância e sobretudo, mas mesmo acima de tudo, não gosto do cheiro dos gatos. Não gosto dos pêlos que os gatos deixam pela casa. Não gosto de partilhar espaços com gatos.





Gosto de cães. Gosto de tudo nos cães. Gosto mais de cães (oh muito mais!!!) do que de gatos. Os cães têm sentidos apurados, esperteza e "respondem-nos", falam connosco. Eu não sei falar para um gato, ou com um gato. A mais das vezes que falei com gatos, eles responderam-me com olhares à Garfield, olhos vazios de afecto.





Um gato responde à nossa voz e vem ter connosco quando o chamamos, apenas quando lhe apetece, o que resulta ser quase nunca. Isto está conotado como "independência". Um gato que não vem até nós quando o chamamos é porque tem vontade própria, é independente. Uma mula faz o mesmo e é burra. Uma girafa faz o mesmo e é estúpida. Mas o gato é independente. À semelhança das criancinhas mimadas (raio que as parta), que também têm vontade própria quando não querem comer o prato de sopa que têm pela frente, e que têm "personalidade e carácter forte". Ya, com os gatos passa-se o mesmo. Generalizou-se que os gatos são inteligentes e ponto. Independentes.





Enfim, era só mesmo isto: não gosto de gatos.








segunda-feira, 20 de abril de 2009

Marley & Me







A dog has no use for fancy cars, big homes, or designer clothes. A water log stick will do just fine. A dog doesn't care if your rich or poor, clever or dull, smart or dumb. Give him your heart and he'll give you his. How many people can you say that about? How many people can make you feel rare and pure and special? How many people can make you feel extraordinary?













Desenganem-se os que pensam que Marley & Me é "apenas uma comédia", ou "mais uma comédia". Não é apenas nem mais uma. Desenganem-se aqueles que pensam que o melhor deste filme é arrancar umas boas gargalhadas às custas de todo o Inferno causado pelo Marley aos donos. O "pior cão do mundo", ou "cão em saldos", como eles próprios o designaram, é portador de toda a desgraça inconveniente no pior lugar e na pior altura. Tudo isto acontece durante o filme e certo é que a gargalhada fácil surge, tal como o reconhecimento de uma relação e de uma vida que gira em redor de sonhos e planos por cumprir e realizar, tal como na casa e na vida de todos nós. Desenganem-se os que julgam que o Marley é especial, um cão especial, um cão excepcional, um amigo sem igual.

O Marley é apenas uma peça de um puzzle por vezes complicado, por vezes delicioso, ora fácil, ora infernal, chamado vida e, muito particularmente, este Marley lembrou-me todo o amor que senti e sinto e sempre irei sentir pelo meu "melhor/pior cão do mundo". O Marley lembrou-me que todos os cães são especiais e excepcionais e parte fundamental da nossa vida quando os amamos, pois são da família.

Para além de não ser apenas uma comédia, este filme obedece a um rigor de ternura inigualável, pois não é apenas um filme sobre cães ou apenas uma comédia, como disse no início. Eu nem sequer gosto de filmes com cães, acho-os sempre um exercício de ridicularização do animal em si.

É um retrato de toda a saudade e amor que um ser humano é capaz de sentir por um companheiro de quatro patas. É a demonstração inquestionável que existem laços fortíssimos entre um homem e um cão e a prova de que as relações interpessoais são sobrevalorizadas.

Acima de tudo, este filme fez-me lembrar porque gosto tanto de cães, porque sou "a dog person". Lembrou-me todos os motivos pelos quais sonho ainda em ter um cão e toda a vontade do mundo de ir buscar um cachorro e ensiná-lo, mas também, porque tenho tanta relutância em voltar a ter um, e não me refiro à destruição da mobília da casa.


Mais não digo.

O filme é excelente. Desenganei-me bastante com este Marley & Me. E fartei-me de chorar.


sexta-feira, 17 de abril de 2009




O problema de se crescer não é deixar algumas coisas para trás, crenças, opiniões, juventude, inocência, vigor, saúde ou impaciência própria da tenra idade. O problema de se crescer não está no peso, nos vícios que se ganham e que se perdem, de ver o mundo com outros olhos, no ganhar rugas, responsabilidades e problemas. O problema de se crescer não é a soma de demónios (muitos desaparecem com o acumular de experiências, e alguns até desaparecem com a memória do tempo).



Isso são tudo tretas pseudo-filosóficas para quem tem tempo para se preocupar com elas.



O problema de se crescer, seja aos oito ou aos oitenta, é estar-se mais perto da morte. Apenas isso, seguir a ordem natural das coisas. O tempo que escasseia até se fazer tudo o que nos faz dizer no leito de morte que se "teve uma boa vida" e estar-se grato pelo que se construiu.


Entretanto vou ali brincar com a minha Barbie Elegance (nova!) e já volto. ahahahahahaha.



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quinta-feira, 16 de abril de 2009






entre o que muda e o que não muda na vida de uma pessoa. lembro-me de um desafio qualquer, ou de qualquer coisa que incluía pormenores do que nos muda e refaz, a cada dia que passa.

em vésperas de cumprir mais um ano de vida e fechar outro ciclo, entre quase três anos o que mudou e o que ficou na mesma. o nove de agora escreve-se assim. o seis de há quase três anos atrás foi o que pode ver abaixo, mais coisa menos coisa.





gosto de mim aos 30. não gosto da recordação de não gostar de mim aos 20. não gosto de me ver ao espelho do elevador. gosto de me ver nas montras das lojas. não gosto de lojas. não gosto de compras. gosto de datas especiais. gosto de aniversários. não gosto de fretes. não gosto de obrigações. gosto de fazer surpresas. não gosto que me façam algumas surpresas. gosto de cães. não gosto de gatos. gosto de gaivotas. não gosto de gaiolas. não gosto de aquários. gosto de peixes. gosto de lagoas. gosto do mar. gosto de água. gosto de fogueiras. gosto de lareiras. gosto do Natal. não gosto da Páscoa. gosto da Académica. não gosto do FCP. gosto da cidade do Porto. não gosto das pessoas da cidade do Porto. gosto de Lisboa. gosto do Alentejo. gosto dos sulistas. gosto do desprendimento. gosto da saudade. não gosto de saudosismos. gosto de ler. gosto de pintar. gosto daquilo que faço. não gosto dos meus colegas de trabalho. gosto de alguns colegas de trabalho. gosto de trabalhar em equipa. gosto de ser competitiva. gosto de ser a melhor. não gosto de ser chata. não gosto de me chatear. não gosto de gente picuinhas. gosto de pormenores. não gosto de fazer tempo. não gosto de esperar. não gosto de fazer esperar. gosto de ser pontual. gosto de fazer aquilo que faço. gosto de ideais. não gosto do que o dinheiro faz às pessoas. gosto de galões muito escuros. gosto de pastéis de belém. gosto de vinho tinto. gosto de vinho verde. gosto da lei do tabaco. gosto de já não fumar. não gosto do primeiro-ministro. não gosto do presidente da república. gosto de democracia. gosto de História. gosto de ficar em casa. gosto de ir ao cinema. gosto de ir ao teatro. gosto de concertos. não gosto de saídas que já não me dizem nada. não gosto de pessoas que "armam ao pingarelho". não gosto de hipocrisia. gosto que me digam as coisas na cara. gosto de reinícios. gosto de segundas oportunidades. gosto de ter objectivos. não gosto de fazer planos. gosto do meu cabelo. gosto do vento no rosto. gosto de ir à praia. não gosto de campo. gosto de rosas. gosto de orquídeas. não gosto de cravos. não gosto de cobardia. gosto de coragem. gosto de apanhar sol. gosto de caminhar. não gosto de correr. gosto do dia dos namorados. não gosto do dia da mulher. gosto de ter esperança. não gosto da miséria e da pobreza e da fome e de todas as desgraças do mundo. gosto de crianças. gosto de velhos. gosto de adolescentes. gosto de cristo. não gosto da Igreja católica. não gosto de gente beata. gosto de azul. gosto de vermelho. gosto de preto. gosto de branco. não gosto de amarelo. gosto de promessas. não gosto de pessoas que fazem promessas e não as cumprem. gosto de café. gosto de chá. gosto de água. gosto de dançar. gosto de perfumes. gosto de cheiros. gosto de fins-de-semana. gosto de canela. gosto de viajar. não gosto de chorar. não gosto de sofrer. gosto de rir. gosto de rir sozinha. gosto de arte. não gosto de ciências exactas. gosto de estudar. gosto de fotografia. gosto de escrever. gosto de música. não gosto da ideia de perder o concerto do cohen. gosto que algumas coisas cheguem ao fim. gosto de começar tudo de novo. gosto de manhãs. gosto da noite. gosto de estar sozinha. gosto de estar com amigos. gosto de silêncio. gosto da ideia de envelhecer. não gosto de doenças. não gosto da morte. não gosto de funerais. gosto de casamentos. gosto de queijo. gosto de abraços. gosto da sensação da areia da praia fina e fria debaixo dos pés. não gosto da sensação de relva debaixo dos pés. não gosto de alturas. gosto de andar de avião. gosto de andar de comboio. não gosto de adrenalina. gosto do Verão. gosto da mudança. gosto de morangos. não gosto de pêras maduras. gosto de perceber o que se passa à minha volta. gosto de árvores. gosto de pratos vegetarianos. gosto de peixe e marisco. gosto do número sete. gosto de conduzir. não gosto de motas. gosto da antecipação. gosto de pontes. gosto de alcançar algo pelo qual lutei. gosto de chegar onde quero chegar.


gosto do amanhã.





















Gosto de cores. Gosto de preto. Gosto de me vestir de preto. Gosto de me vestir de branco. Gosto de vestidos. Gosto da Primavera. Não gosto de frio. Gosto de rir. Gosto de chorar. Não gosto de sofrer. Gosto de madrugadas. Gosto de manhãs. Gosto da noite . Gosto de me sentir bonita. Gosto de elogios. Não gosto de bajulação. Gosto de personalidades muito fortes. Não gosto de mentiras. Gosto de frontalidade. Não gosto de sorrisos amarelos. Não gosto de caras amuadas. Gosto que me apontem os defeitos. Não gosto de críticas destrutivas. Gosto de conversar. Gosto de política. Não gosto de religião. Gosto de futebol. Gosto de ténis. Gosto de fazer desporto. Não gosto da enorme preguiça que tenho. Gosto de fumar. Gosto da ideia de deixar de fumar. Gosto de rosas vermelhas. Não gosto de cravos. Não gosto de doenças. Gosto de saber ultrapassar as doenças. Gosto de conforto. Gosto de lareiras. Não gosto de ar condicionado. Gosto de pintar. Não gosto de limpar os pincéis. Gosto do cheiro a pão quente. Gosto do cheiro de livros velhos e bibliotecas. Não gosto de centros comerciais. Gosto de segundas e sexta-feiras. Não gosto de domingos. Gosto de inícios. Gosto de ciclos. Não gosto de rupturas. Gosto do cheiro do mar em manhãs de Maio. Gosto do cheiro das laranjeiras em Março. Não gosto de poluição. Gosto de bicicletas. Não gosto de motas. Gosto de velocidade. Gosto do meu carro. Gosto do primeiro mergulho em Abril. Gosto do meu mês. Não gosto do mês de Agosto. Gosto de música. Não gosto de barulho. Gosto de silêncio. Gosto de paz. Gosto de adrenalina. Não gosto que falem comigo de manhã. Gosto de acordar com a voz da pessoa que amo ao meu lado. Gosto de beijos. Gosto de sexo. Gosto de abraços. Não gosto de dependências. Gosto de marisco. Não gosto de fígado. Gosto de vinho tinto. Não gosto de vinho branco. Gosto de cerveja preta. Gosto do Natal. Não gosto do Carnaval. Gosto de dançar. Gosto de me divertir. Gosto de sentir saudades de alguém de quem gosto . Não gosto de estar longe de quem gosto. Gosto de frutos vermelhos. Não gosto de meloa. Gosto de melão. Gosto da Briosa. Gosto de ganhar. Não gosto de perder. Gosto de desafios. Não gosto de pressões. Gosto do campo. Gosto de neve. Gosto de tomar longos banhos. Não gosto de dormir de tarde. Gosto de ler. Não gosto de relógios. Gosto de ser pontual. Não gosto de esperar. Gosto do escuro. Gosto de escrever. Não gosto de usar óculos. Gosto de cozinhar para muita gente. Não gosto de cozinhar só para mim. Gosto de cozinhar apenas para dois. Gosto de cinema. Não gosto de televisão. Gosto de receber cartas e mails. Não gosto que não me respondam a cartas e mails. Gosto de uma boa discussão. Não gosto de pessoas que não sabem explicar as suas razões. Gosto de opiniões. Não gosto de quem não sabe aceitar uma opinião. Gosto do meu cabelo. Gosto dos meus olhos. Não gosto do meu nariz. Gosto de caminhar. Não gosto de correr. Gosto de gaivotas. Não gosto de abutres. Gosto de leões. Não gosto de répteis. Gosto de cães. Não gosto de gatos. Gosto de cavalos. Gosto de observar as estrelas no céu. Gosto de pedir desejos às estrelas cadentes. Gosto de crianças. Não gosto de birras. Gosto de ensinar. Não gosto de gritos. Gosto de conduzir enquanto oiço música. Não gosto de trânsito. Gosto das estradas no Alentejo, da EN 125, da Marginal Cascais-Lisboa, de conduzir em grandes cidades à noite. Não gosto de conduzir no Porto. Gosto da cidade do Porto. Gosto de pontes. Não gosto de parques infantis pequenos. Gosto muito de viajar. Gosto de andar de avião. Não gosto de enjoar em alto mar. Gosto de barcos. Não gosto de ter vertigens. Gosto de sonhar. Não gosto de ter maus pressentimentos. Gosto de surpreender. Gosto que me surpreendam. Gosto de chocolate. Não gosto de rebuçados, pastilhas e pipocas. Gosto de açúcar amarelo. Gosto de chá. Gosto de café. Gosto de especiarias e picantes. Não gosto de fast food. Gosto de peixe grelhado. Gosto de novidades. Gosto de jornais. Gosto de todas as formas de Arte. Não gosto de ler críticas de Arte. Gosto de ser como sou. Não gosto de me irritar com facilidade. Gosto dos meus amigos. Não gosto de agradar a gregos e troianos. Gosto que me contrariem. Não gosto de agressividade gratuita. Gosto de brincar. Gosto de pessoas. Gosto de me sentir a apaixonar por alguém. Gosto de paz. Não gosto de guerras. Gosto do meu país. Não gosto de extremismos. Gosto do cheiro de pinheiros mansos. Não gosto de planear demasiado as coisas. Gosto de aprender. Gosto de ser do contra. Gosto de provocar. Gosto que me provoquem.







quarta-feira, 15 de abril de 2009

Slumdog Millionaire

Aviso: isto não é bem um post a falar deste filme.
Confesso que tinha uma grande expectativa relativamente a este filme. O que é que Danny Boyle teria feito desta vez para levar os senhores da Academia de Hollywood a atribuir-lhe um óscar? Não o ganhou com Trainspotting, quando na minha modesta opinião, o podia ter feito, uma vez que continuo a considerá-lo o seu melhor filme.
Confesso que apesar de ter gostado relativamente do filme, considero-o um filme menor de Danny Boyle. Comparativamente aos outros nomeados para este ano, The Curious Case of Benjamin Button "abriu-me mais a pestana". Não se trata de discutir qual o melhor ou pior pois são filmes diferentes. Em certa medida, e na minha óptica, o Button foi melhor e mais feliz no seu propósito. Apenas sei o que me tocou mais, o que me emocionou mais, o que me fez vibrar mais. A história de encantar de Button conquistou-me, num tempo em que preciso de histórias de encantar, como aquelas que já não se fazem no cinema do séc.XXI.
Após tantas considerações e confissões (sem ter falado no filme em si), reconheço que gostei medianamente do filme; tal como em contraposição às histórias de encantar, também gosto das histórias do mundo real. Sempre tive um fascínio enorme pela Índia, e apesar de ter sentido um amargo de boca, esse fascínio não foi beliscado. Sabia de antemão para o que ía. São estas histórias que fazem o cinema contemporâneo e isto leva-me a um outro filme que, na mesma base que este Slumdog Millionaire, fala-nos da tragédia e da miséria humana de um povo. Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, é um filme merecedor de todos os prémios quantos pudessem haver, e nem por isso os ganhou.
Há filmes como Slumdog Millionaire, que nos fazem rir e emocionam-nos pelo lado bonito e justo de tudo estar bem quando acaba bem, fruto de um destino que escreve-nos a vida certa nas linhas mais tortas e depois há filmes como Cidade de Deus, que são filmes que nos ficam gravados pela real beleza que não se basta a um destino feliz, a um ganhar a lotaria, a uma vida forçada e finais de dança à desenho animado indiano. A história, a dada altura, tal como num mau livro, faz-nos antever o desfecho, em artes de previsibilidade sonolenta. "Vá, ganha lá o prémio e fica lá com a gaja para irmos para casa" pensa-se a dada altura. E nem sequer existe um mínimo pormenor que nos faça pestanejar. No entanto, é um filme engraçado.
Cidade de Deus é um filme maior, que nos dá a vida como ela realmente é, que nos faz verter lágrimas e soltar gargalhadas genuínas, não nos conta a história de anos do menino coitadinho e ignorante que fica com o dinheiro e a miúda gira no final em segundos. É uma história de luta, algo que se nos remexe as entranhas, digna de ser lembrada, pois essa sim, é a história sobre um ideal que não mistura destino e desgraça, sofrimento e dança, como se tudo aquilo afinal não tivesse passado de uma manobra triste de entretenimento.



terça-feira, 14 de abril de 2009

Atenção: isto não é um post verdadeiramente lamechas




Sempre fui da opinião que se deve dizer às pessoas o que pensamos delas. Melhor, se gostamos delas, se as estimamos, se achamos que temos um papel importante nas suas vidas. Fazer juízos de valor e fundamentá-los, tendo por base um conhecimento real das suas acções e da sua personalidade. Criticar as pessoas é uma forma de as levar ao seu melhor, sempre pensei. Acima de tudo, dizer às pessoas o quanto gostamos delas, o quão importantes são na nossa vida, que as amamos, que fazem de nós melhores seres humanos, etc etc etc. De igual modo, não temer de vez em quando ter de mandar à merda essas pessoas. Assim, sem mais nem menos, quando elas merecem. Acima de tudo, aceitar o mesmo comportamento quando se nos é dirigido.


Sempre fui desta opinião. Depois, veio a vida e ensinou-me que isto não está errado, está até muito bem, mas não é válido para todos. Porque senão vejamos: nem toda a gente gosta de ser criticado e alvo de juízos de valor; nem toda a gente acha que terei (ou outra pessoa qualquer) o direito de criticar seja lá o que for; as pessoas não atribuem a mesma importância que eu lhes dou a elas, independentemente de estarem no top ten da minha preferência. Isto é o que a vida me tem ensinado. A percepção que temos dos outros é algo de inacabado quando esses outros não nos dão a verdade daquilo que são. Desculpabilizar-se aquilo que consideramos errado à luz de um afecto que só existe na nossa cabeça, ou de olhos de carneiro mal morto, é a maior estupidez que se pode cometer em detrimento de nós próprios, e de outros que estimamos, admiramos e valorizamos. Até porque depois o que levamos é um grande chuto no cu à menor contrariedade (leia-se crítica). Adiante.


As camadas de verniz caem sempre, por mais que essas pessoas jurem a pés juntos que gostam de nós, que nos admiram, etc etc etc. Portanto, nem sempre aquilo que parece, é.

Li este post e concordo inteiramente, naquilo que me é dado aceitar interiormente, como pessoa que sou e sabendo aquilo que sou, afirmando aquilo que sei sentir por quem me rodeia. Às vezes também me engano e reconheço que me enganei. Os afectos podem passar por gostar mais de mousse de chocolate do que de baba de camelo, e aquilo que eu pensava que era um afecto incondicional com duas faces, deixa de o ser quando me apercebo que mais do que está em causa, é por vezes, aquilo que fica em jogo quando o outro se sente atacado pois não entende o que foi dito. A grande maioria das pessoas tem uma baixíssima auto-estima, e não quer aceitar uma crítica ao mesmo tempo que grita a plenos pulmões que quer sinceridade e transparência. A amizade para estas pessoas clama por aprovação, nem que andem a comer merda às colheres.

O ser humano é o maior cão do diabo se o pretender ser. Não existem pessoas completamente boas nem completamente más. Existem as chamadas zonas cinzentas por onde juízos de valor e afectos andam de mãos dadas e cruzam-se em escadas rolantes. Por vezes, apenas se cruzam e seguem caminhos opostos.


Exemplos disto temos todos nós nas nossas vidas, todos os dias: os colegas de trabalho que cravam facas nas costas enquanto se riem para toda a gente, amigos que deixam de se relacionar porque não gostam da cara-metade do amigo, amigos que não aceitam críticas, amigos que têm blábláblá mas que na pior hora não nos atendem sequer o telefone, etc etc etc. E a dada altura das suas vidas, acredito piamente que se juraram amizade eterna, ou que disseram que adoravam mesmo trabalhar com aquela pessoa. Eu sei, já me aconteceu a mim, um pouco de todas estas situações. O melhor é seguir caminho, com algum amargo de boca, num sorriso algo forçado. Para além de tudo isto, as pessoas crescem, as pessoas mudam todos os dias, e acompanhar esse crescimento é muitas vezes difícil. Se as pessoas não mudam, as suas vidas com certeza que sim. Talvez por isso, amigos de infância deixam de sê-lo.


Não é fundamental dizer-se a alguém, a um amigo, que o "amamos".


A autenticidade não reside nas palavras, escritas ou ditas, mas sim no valor que sabemos que essa pessoa tem para nós e nós, para essa pessoa. O resto é um big big bullshit. Vivemos dias em que toda a gente quer cultivar a palavra amo-te e adoro-te e acaba por não ser nada daquilo.

O amor anda subvalorizado nos dias que correm, mas as palavras andam na boca de toda a gente. Tenho uma grande amiga que lhe chama leviandade, o "adoro-te" a toda a hora. Tenho uma outra que admite que não é pessoa que goste de ter grandes demonstrações de afecto. Eu gosto de demonstrações físicas de afecto, abraços e tal, mas só os dou a quem os quer receber, e só àqueles de quem realmente gosto. Não sou de dizer "amo-te" e "adoro-te". Se algum dia o disse a alguém, é porque o senti realmente, sabendo que não existem estradas sem retorno. Como disse antes, também eu me engano.


As pessoas, em geral todas, sabem sentir quando são importantes para alguém, ainda que a outra pessoa não o tenha dito, tal como sabem distinguir quando não o são, muito embora a outra pessoa afirme a pés juntos que é uma "grande amiga de x".


Por isso, não é grande pecado amar-se alguém, gostar incondicionalmente de uma pessoa sem nunca lho ter dito. Não existe urgência na demonstração verbal dos afectos. Não quando as pessoas se conhecem verdadeiramente, não quando sabem os demónios interiores que ocupam determinados espaços na vida de cada um.




p.s.: dedico este post aos amigos a quem nunca disse que os amo. ehehehehe. eles sabem quem são.



What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...