::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Slumdog Millionaire

Aviso: isto não é bem um post a falar deste filme.
Confesso que tinha uma grande expectativa relativamente a este filme. O que é que Danny Boyle teria feito desta vez para levar os senhores da Academia de Hollywood a atribuir-lhe um óscar? Não o ganhou com Trainspotting, quando na minha modesta opinião, o podia ter feito, uma vez que continuo a considerá-lo o seu melhor filme.
Confesso que apesar de ter gostado relativamente do filme, considero-o um filme menor de Danny Boyle. Comparativamente aos outros nomeados para este ano, The Curious Case of Benjamin Button "abriu-me mais a pestana". Não se trata de discutir qual o melhor ou pior pois são filmes diferentes. Em certa medida, e na minha óptica, o Button foi melhor e mais feliz no seu propósito. Apenas sei o que me tocou mais, o que me emocionou mais, o que me fez vibrar mais. A história de encantar de Button conquistou-me, num tempo em que preciso de histórias de encantar, como aquelas que já não se fazem no cinema do séc.XXI.
Após tantas considerações e confissões (sem ter falado no filme em si), reconheço que gostei medianamente do filme; tal como em contraposição às histórias de encantar, também gosto das histórias do mundo real. Sempre tive um fascínio enorme pela Índia, e apesar de ter sentido um amargo de boca, esse fascínio não foi beliscado. Sabia de antemão para o que ía. São estas histórias que fazem o cinema contemporâneo e isto leva-me a um outro filme que, na mesma base que este Slumdog Millionaire, fala-nos da tragédia e da miséria humana de um povo. Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, é um filme merecedor de todos os prémios quantos pudessem haver, e nem por isso os ganhou.
Há filmes como Slumdog Millionaire, que nos fazem rir e emocionam-nos pelo lado bonito e justo de tudo estar bem quando acaba bem, fruto de um destino que escreve-nos a vida certa nas linhas mais tortas e depois há filmes como Cidade de Deus, que são filmes que nos ficam gravados pela real beleza que não se basta a um destino feliz, a um ganhar a lotaria, a uma vida forçada e finais de dança à desenho animado indiano. A história, a dada altura, tal como num mau livro, faz-nos antever o desfecho, em artes de previsibilidade sonolenta. "Vá, ganha lá o prémio e fica lá com a gaja para irmos para casa" pensa-se a dada altura. E nem sequer existe um mínimo pormenor que nos faça pestanejar. No entanto, é um filme engraçado.
Cidade de Deus é um filme maior, que nos dá a vida como ela realmente é, que nos faz verter lágrimas e soltar gargalhadas genuínas, não nos conta a história de anos do menino coitadinho e ignorante que fica com o dinheiro e a miúda gira no final em segundos. É uma história de luta, algo que se nos remexe as entranhas, digna de ser lembrada, pois essa sim, é a história sobre um ideal que não mistura destino e desgraça, sofrimento e dança, como se tudo aquilo afinal não tivesse passado de uma manobra triste de entretenimento.



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