::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


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domingo, 22 de novembro de 2009

Conservadorismo ou Facebook a mais?



#1::lata de conserva::
[devo esclarecer, antes de mais, que é o único
tipo de conservadorismo que considero::o resto é treta]


Este post fez algum eco na minha cabeça. Pedro Rolo Duarte. Pois, como em tudo na vida, não gosto de algumas ideias, não desgosto de outras. Nunca me é indiferente, o que já não é mau. Pior seria não surtir efeito algum.

Construimos ideias sobre os outros e concebemos juízos de valor a partir daquilo que nos dão. PRD assume-se como conservador. Seja!, ele é que sabe; cada um sabe o que é e como gosta de se assumir perante terceiros. Em oposição a isto, a tudo isto, não me assumo de outra forma como a óbvia e clara como a de um ser humano normal que nasceu na década de 70, pós 25 de Abril, e que não se considera como liberal ou conservadora, de esquerda ou de direita. Tenho ideias muito próprias e concretas, umas mais de pedra e cal, outras mais de areia movediça, e isso não se define num protótipo ou estereótipo. São de ponderar, as ideias que PRD deixa patentes no seu claro perfil, que me deixa um profundo ponto de interrogação na cabeça, sem lâmpada de desenho animado sobre mim mesma. Ora dado que já passei a fase dos porquês (ou devia ter passado), a idade do armário, a idade da revolta, a idade da auto-afirmação, e todo um conjunto de idades que nos distinguem em diversas fases da vida, e dado que cheguei à idade adulta com dias complicados que vão desde os porquês ao armário, do gugu-dada à parvoíce auto-induzida como forma de sobrevivência, isso faz de mim menos bem sucedida? Decerto menos preto no branco, mas penso que ninguém o é, embora toda a gente queira parecer ser. Num mundo onde toda a gente quer parecer muito adulta, bem, inteligente, atraente, com QI's e QE's acima da média, e onde ninguém é o que realmente é sem que pareça um atrasado mental ou um desgraçadinho ou um abandonado de merda com quem ninguém queira ter uma relação minimamente aceitável, dentro dos padrões da normalidade ditada pela sociedade de consumo, os meus dias de merda e de dúvidas, os tais dias cinzentos farão de mim o quê?


Afinal o conservadorismo da espécie baseia-se em quê? Traduz-se na quantidade de coisas novas que o indivíduo é capaz de assimilar, seja em atitudes ou costumes? É gostar mais de cozido à portuguesa do que de sushi? É curtir mais os Buraka Som Sistema do que o Rui Veloso? Burro velho não aprende línguas, já dizia a minha avó, e acho que é um bocado óbvio que quanto mais novo se é, mais aberto se está às mudanças, ao mesmo tempo que quanto mais velho se fica, menor será o grau de adaptabilidade a novas circunstâncias.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

Como em tudo, é uma questão de educação, de re-educação, de adaptabilidade. Só os burros também não mudam de opinião. Oh pra mim que votei na Manuela e já estou eu tão arrependida de ter votado na Manuela! (Devia ter votado no Portas) Oh pra mim que adoro cozido à portuguesa e não morro de amores por sushi! Oh pra mim que gosto de tudo o que é novo, de conhecer novos sítios, novas cidades, gosto de moda, gosto de música (também gosto de clássicos), gosto de novos autores (mas também gosto do Eça), gosto de experimentar coisas novas! Oh pra mim que não gostava de arroz doce e agora gosto! Oh pra mim que não gostava de feijão verde, de pêra-rocha, do Mark Kozelek, de me vestir às cores, que não gostava de gatos e agora gosto disto tudo! Oh pra mim que era viciada num belo maço de cigarros diário e agora o cheiro dá-me náuseas! Sim, vómitos! Isto são os contrasensos do ser humano que não nos permite (ou não deveria permitir) equacionar-nos, encaixotar-nos e reduzir-nos a perfis tão simplistas. Já agora, e para enriquecer o meu "perfil", devo afirmar que sou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo e muito, mas muito mais ainda a favor da adopção por parte dos casais homossexuais. PRD diz-se a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas "vacila" perante a hipótese da adopção. Ele chama-lhe conservadorismo; eu chamo-lhe hipocrisia.


O rumo das coisas, a ser alterado, é feito com vigor, com energia, pelos mais novos, e com a paciência e displicência dos mais velhos. O conceito de conservador/liberal é algo que se usa conforme dá mais jeito. Erradamente, a meu ver. O conservadorismo é para "velhos" e o liberalismo tem de ser para os mais "novos". Independentemente da idade. No fundo, e para não confundir as mentes menos brilhantes, apenas pretendo dizer que de conservador, liberal e louco todos temos um pouco. É óbvio que a páginas tantas, a amálgama do que somos pareça um poço de contrasensos se embarcarmos nessa onda preconceituosa daquilo que é ser conservador e ser liberal.

Depois dizer que se gosta mais das músicas, sabores, filmes e cidades que já conhecemos como afirmação de conservadorismo é idiota. Isso é apenas um traço de personalidade. Adaptabilidade a novas coisas todos temos, em maior ou menor grau. E nada tem a ver com conservadorismo. Obviamente se eu disser que gosto mais do Irão do que dos EUA, se calhar a coisa já resvala mais para o conservadorismo. Já agora, para a imbecilidade também, mas cada um gosta do que gosta.

No fim, é de louvar o esforço da escrita e a exposição que este senhor faz de si mesmo, pois o que a muitos dos que lá andam a comentar, lhes soa a genial (porque se identificam, devem ser da mesma década de nascença que PRD), a mim soa-me a auto-promoção descarada, o traçar de um perfil, idêntico ao que vemos no Facebook de tantas pessoas, cheio de auto-promoções, clichés e mais clichés e cenas muito cool.

"Mas sou conservador, tá a ver?"


T.P.C.

La journée de la Jupe
[ou aquilo em que se tornaram os meus dias...]





Protagonizado por Isabelle Adjani, O Dia da Saia é um drama sobre uma professora, Sonia Bergerac, vítima de descontrolo emocional causado pelo stress incutido pela indisciplina dos seus alunos. Um dia descobre na sala de aula uma arma a sair de uma mochila, toma-a e, à falta de melhor solução, usa-a para controlar os alunos e poder tentar dar a matéria. Um drama intenso que nos apresenta um rol de problemas habituais nas escolas francesas, mas também nas portuguesas, como indisciplina, abusos sexuais, racismo e até violência para com os docentes.




Um filme que aborda de uma forma provocativa, de tão realista, os problemas que os professores enfrentam no seu dia-a-dia na formação das nossas gerações futuras.

sábado, 24 de outubro de 2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Descubra as diferenças Especial Autárquicas 2009

[post em construção]



































Numa noite em que todos ganharam, Rui Rio foi o grande vencedor. Ah, e o Benfica também.
Felgueiras esteve muito, muito bem - a cidade, claro - em correr com a outra Felgueiras.
Já Oeiras e Gondomar não estiveram assim tão bem. Moita Flores deveria ter sido o candidato do PSD para Oeiras - ganhava aquilo, de certeza.
Pedro Santana Lopes foi um beautiful loser - o homem tem estilo. Saber perder não é para todos.
Morreu um homem em Mondim de Basto - o autor do tiroteio era do PS.
António Costa é um vendido e a malta do Bloco de Esquerda começa a demonstrar aquilo que é: gente sem escrúpulos, oportunistas, vira-casacas.
Ainda bem que não sou lisboeta.
José Miguel Júdice esteve muito bem em todo o processo.
Pedro Passos Coelho foi eleito para a Assembleia Municipal de Vila Real (?)
Sócrates diz que ganhou, mas daqui a uns meses é capaz de estar desempregado.
Ferreira Leite diz que ganhou, mas daqui a uns meses é capaz de abdicar do lugar de líder.
Os comentadores não dizem nada de jeito.
O Alentejo já não é assim tão moscovita como antigamente.
Macário deixa Tavira nas mãos dos socialistas.
Ponte de Lima é CDS-PP.
Salvaterra de Magos é Bloco de Esquerda - vivam os rodeos!

Num país onde pessoas como Isaltino e Loureiro ganham eleições, algo de muito errado se passa.
Vou ler Nietzsche e pensar que isto não passa duma brincadeira de mau gosto.

E amanhã é segunda-feira, é dia de trabalho.




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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pormenores do meu quotidiano com bastante interesse

Estes gajos fazem-me feliz todos os dias (sempre que tenho hipótese de os ouvir).




O mérito é todo de: Patricia Castanheira com Susana Romana; Fábio Benídio e Alexandre Parreira (textos) e vozes de António Machado e Manuel Marques - os senhores que aparecem no vídeo e que "personificam" as vozes de Cavaco Silva e Francisco Louçã.

Pormenores do meu quotidiano com relativo interesse

Acho que encontrei a melhor tradução de um título, de inglês para português. Toda a gente sabe que há traduções fantásticas no nosso país, bem visíveis nas salas de cinema, mas esta supera tudo, principalmente porque não tem mesmo NADA a ver.

É de um programa televisivo que costuma dar na Sic Radical - Balls of Steel - traduzido para (suspiro) Homens Temporariamente Sós.

Quem quiser e conseguir, por favor, explique-me qual é a ligação/relação.

Fica o link para uma das melhores cenas.



quinta-feira, 2 de julho de 2009

Descubra as diferenças XII

Nuno Melo


Bernardino Soares





É impressão minha ou estes dois rapazes são mesmo muito parecidos?...




A nossa TV (Fernando Alvim)











Desde já devo desmistificar uma coisa: eu gosto do Fernando Alvim. Gosto do Alvim da rádio, da prova oral da Antena 3, do Alvim do ido Curto-Circuito, do Alvim em parelha com o Unas, do Alvim em entrevista a gajas boas como a Carla Matadinho, do Alvim do Blog (o link está lá em baixo, o Espero Bem Que Não). Gosto muito da voz do Alvim.

Por outro lado, não gosto do Alvim mediático, das festas, não gosto do sorriso falso do Alvim "para a fotografia". Mas isso sou eu e a minha má-língua, e o Alvim não se chateia nada com isso, até porque ele não me passa cartão nenhum. De qualquer forma, gosto imenso dele, acho que é um comunicador nato, sabe entrevistar pessoas sem as "atropelar", em jeito de conversa. É o protótipo da minha geração, do "gajo normal", "the boy next door", o rapaz igual a tantos outros que eu conheço mas que não têm um programa de rádio, os que cresceram a ver o Herman José em pose irreverente, nos idos anos dourados d'O Tal Canal, esse grande programa de humor português.

Como ele, Alvim, o Nuno Markl (se bem que o Markl tem uma genialidade superior à do Alvim, mas isto é a minha má-língua outra vez) e o Rui Unas.





Sobretudo, gosto imenso desta coisa que o Alvim fez chamada Speaky TV. Vejam a entrevista com Emídio Rangel. Vale a pena.



Não vi ainda o 5 Para a Meia-Noite com a apresentação de Fernando Alvim. Vi o programa na segunda-feira, mas... bem isso dá outro post.






quarta-feira, 24 de junho de 2009

Bem bom

Gosto tanto mas tanto deste homem (sempre gostei) que até lhe desculpo o facto de ser do Porto e de ter declarado Morte ao Sul em Faro, há uns anos atrás. Irreverência e bom gosto é com ele.
E covers à maneira.
Se calhar não devia, mas gosto disto.
Bem bom.




sexta-feira, 19 de junho de 2009

O melhor quiz

Este encontrei-o no Blog da Patrícia. É S U P E R L O N G O mas vale a pena porque é mesmo giro. Fabuloso web design.


E se calhar até é verdade. Isto não é apenas uma cena de gaja. Os meninos que façam quando tiverem tempo, as respostas são o máximo!











quarta-feira, 10 de junho de 2009

Isto é tão mau que até dói...

A IRA

Por convites e afins para uma Inútil Revista, andei a rever textos blogosféricos e sinto que estou a perder virtudes no campo do pseudo-pseudónimo irascível e intransmissível. Estarei à altura? As palavras anónimas deixam o seu corpo para adquirir o número do BI ou não?

É que por acaso até tirei o novo cartão de cidadão e custa-me um pouco revelar a minha tão preservada identidade...

Minha querida A., vou-te ligar já já. Fica um texto um bocado irado, mas aquém do que será suposto para tamanha responsabilidade, que para mim é uma honra.








A questão é que não mantenho um blog, eu mantenho dois blogs: um para os VIP's e outro para a escumalha. Chego à conclusão de que sou muito mais elitista do que seria suposto, e ao menos a minha trampa fica para os de casa. O resto é para nem prestar atenção. Seja: lá no outro posso ser a pessoa mais chata do mundo, sem fait-divers, e afundar-me na tristeza, no amor e nos lugares-comuns de quem anda perdido pela vida sem ter de chatear ninguém. Um registo da ferida em aberto para um dia mostrar aos netos que a avó até teve uma espécie de vida.


Neste, simplesmente não armo ao cagalhão nem entro em grandes dissertações repletas de conteúdo significativo ou de grande nexo: é mesmo o meu eu raivoso com espuma pelos cantos, e é uma treta. A passagem dos dias da treta, a forma mais simples de dizer que apenas estou aqui sem ter de dizer que fiz uma tatuagem, que sou de esquerda, que sou bué cool, que percebo imenso de arte, que ando a sentir-me miserável porque a vida é uma merda, que ninguém me entende ou que sou um génio da pastilha cósmica. Nem sequer ainda vendi um livro à conta disto, o que me remete irremediavelmente para o baú dos beautiful losers, mas sempre de cara lavada com muita maquilhagem à mistura. Este blog não serve para nada, só me serve a mim e aos quantos poucos que mandam umas bujardas e a gente ri-se toda atrás do pano, como no cinema. Posso garantir que já aqui fiz uns poucos grandes amigos, que já conheci muita farsa dada por amizade (ainda assim, comprei-a e devolvi à proveniência), que já ri, me enervei e chorei, bebi uns copos e troquei imensas impressões.




A grande questão é que já não há simplicidade em lado algum, e a velha máxima do Dr House aplica-se até na porcaria da blogosfera: toda a gente mente. Mentem quando se mostram "melhores" do que aquilo que são e mostram-se "mais tristes" quando na verdade nem a tristeza era assim tão grande afinal. O que resta? Uma certa feira de vaidades em que uns mostram o que lêem e o que ouvem e falam disto e daquilo e nuns bons 90% nem escrever em bom português sabem. São chatos bla bla bla bla... BORING! Outros falseiam diários de uma vida que inventaram para si mesmos: ou a que queriam ou a que é socialmente aceitável. Outros dão as opiniões dos clichés mais que usados (vou começar a pegar nesses lugares-comuns da blogosfera e fazer uns posts enche-chouriços à pala disso).




Tive um professor que dizia que nada é original. Nada. Ele defendia isso com unhas e dentes. E no fundo eu sei mesmo que ele tem razão, concordo inteiramente com ele, embora na altura eu não soubesse da missa a metade e disse "que não".
Contudo, existe um quê de original neste novo conceito de opinião pública, da blogosfera, que assenta numa crença desse princípio de liberdade de expressão. Toda a gente pode dar a sua opinião e mandar a posta de pescada, mas bastar-se-á a si mesmo ou será contraproducente? Acredito que a longo prazo haverá um cansaço e aquilo que não tiver fundamento ou genuinidade, falirá por si só, pois nada que seja falso se basta a si próprio. Não sobrevive, pois existe uma finitude em tudo. Até mesmo naquilo que sendo original, não é eterno, mas intemporal, pois as palavras a serem genuínas são livres e ganham significados aos olhos de outros. E isso é o que as torna realmente belas. Simples.




O resto é treta, e talvez seja eu a única que não mente no meio disto tudo. Basta ler o título: da treta.






P.S.: desculpem lá a parte da escumalha. se alguém se reviu nesta intensamelodramáticaesmiufradatristedecadente descrição de blogger, não leve a mal. É assaz abrangente e a tal máxima funciona em muitas frentes: everyone lies... faz parte da condição humana. E a isso ninguém consegue fugir.

terça-feira, 9 de junho de 2009

As Europeias + post da semana + o melhor vídeo do Tempo de Antena

Andei a Leste do Paraíso este fim-de-semana. Literalmente. Retiro idílico que me soube pela vida. Exerci o meu direito ao voto às 18.00 horas. Votei PSD e fui para casa rir-me com algumas das coisas que vi e ouvi. O engenheiro derrotado e o seu amigo Gepeto pseudo-comunista. Os discursos tão previsíveis. Um Paulo Portas emocionado. A histeria parva da JSD. O recado do Nuno Melo ao Vítor Constâncio. Pensar que se a Manelinha não põe as garras de fora voto no Bloco de Esquerda. Nada, mas nada me fez rir tanto como o post que roubei do Acatar e o vídeo que se segue, da autoria do PNR. Estamos neste federalismo europeu, estamos lá dentro, do mal o menos(...), e não vale a pena obedecer a Obama, Obama não é europeu, Turquia não é Europa... isto não é anti-constitucional?!? Mas quem é que vota nestes gajos?







O melhor das Eleições Europeias

Coisas bizarras dos noticiários das 13:

- A SIC exulta de alegria: "Não há incidentes a registar".
- Paulo Rangel atrasou-se e não apareceu nos resumos.
- Nuno Melo está com umas olheiras inacreditáveis.
- Louçã votou num stand de automóveis.
- Ferreira Leite riu-se.
- Paulo Portas deixou a voz de falsete em casa.
- Jerónimo de Sousa votou de boca aberta.
- Maria Cavaco Silva começou a votar antes de Cavaco e acabou depois dele.
- Cavaco Silva foi votar com uma gravata do Chapitô.
- Passa-se algo de estranho com o cabelo de Cavaco Silva.
- Maria Cavaco Silva foi de casaco vermelho a combinar com um vermelho diferente da mala a combinar com um vermelho diferente dos sapatos.
- A jornalista da SIC está a fazer o directo da secção de voto da Lapa, onde votou Cavaco, quando atrás de si passa José Pinto Coelho, líder do PNR. Ninguém lhe liga pevide.
- Sócrates não foi ao Fundão votar. E diz que agora vai ter com os filhos, mas tem pena de não poder ir ao cinema.
- A SIC foi à praia à procura de abstencionistas. Concluiu que não há muitos "porque a água está fria".
- A TVI foi à procura de abstencionistas no Algarve e a repórter concluiu que "estavam de férias".
- O país suspirou de alívio quando o tipo da SIC de Bragança diz que "não há incidentes em Bragança".
- Durão Barroso veio cá dizer que "foi em 1989 que caiu o Muro de Berlim e que foi em 1974 que tivemos democracia".
- Vital Moreira votou sem dar nenhum saltinho.
- Finalmente Paulo Rangel foi votar e aproveitou a deixa para dizer que "o tempo no Porto está bom".
- Ilda Figueiredo levou uma camisola dos chineses. Ninguém percebeu o que disse à saída.
- Notícia do dia: Populares bloquearam a secção de voto de Castanheira do Vouga "por causa do Magalhães e de outros computadores que não conseguem ligar à Internet e até a caixa do multibanco não liga" (diz o repórter da RTP). "As pessoas têm falta destes equipamentos, que hoje em dia são como o lápis e a borracha" (diz um popular). "A GNR visitou o local..." (diz a RTP). "A população está revoltada" (diz o presidente da câmara).
- A TVI diz que "o grosso" dos 375 milhões de europeus vota hoje. A minha parte do "grosso" vai agora depois do almoço.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Descubra as diferenças X


Robert Smith (The Cure) e Jack White (White Stripes).

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Vício cinéfilo

Há muito tempo que não escrevo sobre um dos meus maiores vícios de sempre: o cinema. O que não equivale a que não gaste compulsivamente o meu tempo dentro de uma sala partilhada com outras pessoas, a fim de visionar uma boa fita. Por semana, chegam, por vezes, a ser dois filmes, os que me levam a uma sala de cinema. De louvar a iniciativa das salas Lusomundo, que nos dão um bilhete grátis, na compra de outro. Em tempo de crise, as promoções são significativas, de forma a podermos manter certos vícios.


Do melhor que vi nos últimos tempos, são estes os que mais me marcaram, os que guardarei na memória do que me faz pensar.
























domingo, 24 de maio de 2009

Cansaço


Concordo. A 200%.





in Público,
24 de Maio de 2009
.

sábado, 23 de maio de 2009

Exemplo Maior




Sou professor de português, na Alemanha. Conheço por dentro todo o sistema. Não é maravilhoso, longe disso, mas os resultados estão um "pouco" acima dos das escolas portuguesas. Deixo aqui um resumo muito curto de como funciona:

Primário - 4 anos.
Secundário - os alunos saem da escola primária e são encaminhados para três níveis de escola:
1. Nível geral (9 anos) - dá acesso a escolas profissionais para profissões manuais (operários, agricultores, carpinteiros, canalizadores, etc...)
2. Nível médio (10 anos) - dá acesso a escolas profissionais de serviços, informática, electrotecnia, saúde (enfermeiros), bancários, secretariado...
3. Liceus (13 anos) - acesso às universidades.
Nota: Estes níveis näo são estanques. Ao longo do percurso, os alunos podem mudar de nível, se provarem as suas capacidades.

As escolas escolhem os alunos; só as de nível geral têm de aceitar os alunos do bairro ou da freguesia (são às vezes o "caixote do lixo", mas é preferível assumir a desigualdade a tapá-la ou a construir um sociedade de caranguejos que num balde puxam os que querem trepar).

As escolas privadas concorrem com as públicas: as escolas são pagas pelo número de alunos e recebem prémios de competência dentro de cada nível.

As escolas têm um director nomeado pelo governo.

Os professores são escolhidos pelas próprias escolas; o governo não organiza concursos.

Não há um Ministério da Educação em Berlim, no governo federal; são os Estados que têm o pelouro da Educação.

Os professores dão 28 horas lectivas por semana até aos 50 anos e 27 depois dos 50 até aos 65 anos.

O ano lectivo começou no dia 30 de Agosto de 2004 e termina no dia 22 de Julho de 2005; nestes últimos meses têm estado temperaturas de 35 graus, mas todos trabalhamos!

Observações:
Tenho alunos portugueses, filhos de operários, pedreiros e varredores de rua que frequentam o Liceu; dois frequentam o melhor liceu do Estado da Renânia-Palatinado que é privado - não pagam um centavo!

As criancas säo incentivadas a trabalhar desde a 1ª classe porque sabem que só com bons resultados podem aceder aos níveis superiores;

Este sistema, que já existe desde Bismark, foi aperfeiçoado pela Democracia Cristã de Adenauer.

Quando a esquerda chegou ao poder criou o ensino unificado, que existe a par deste sistema. Estas escolas são acarinhadas pelos Verdes e alguns do SPD. Os alunos de nível médio e alto destas escolas deixam muito a desejar face à média.

Conclusão:
Na Alemanha todos os sistemas são acolhidos, não há um sistema único (se bem que a esquerda queira acabar com os liceus e as escolas de nível médio que às vezes ão melhores que os próprios liceus). Deixa-se liberdade à sociedade civil para optar, escolher, gerir o sistema.

E A ALEMANHA NÃO É UM PAÍS LIBERAL!

Eu não gostaria que em Portugal o liberalismo fosse implementado com todas as suas doutrinas; mas era tão bom que deixasse de ser a Albânia!!!



quarta-feira, 20 de maio de 2009

De génio e de louco...

Antes de mais, devo dizer que ainda não vi o vídeo da professora mais famosa do país, que está a fazer as delícias de quem gosta de falar mal dos professores, portanto não farei considerações sobre o tema. Pelo que sei, a dita senhora será punida pelos termos da Lei Portuguesa. A opinião da grande maioria dos professores com quem falei sobre isto referiu-se ao episódio como "triste", "vergonhoso" e "decadente". A opinião pública pelos vistos também, manda o senso comum que tais reparos dentro da sala de aula não ficam bem a ninguém, muito menos a uma docente. Até aqui tudo bem.

Penso que não é preciso ter um curso superior ou ser muito inteligente para perceber aquilo que até as crinças percebem (e explicam se lhes perguntarem): que os professores não são todos iguais. Melhor: os professores não são todos, nem sequer a maioria, uma cambada de maluquinhos. Estaríamos mal, muito mal.

Ora eu não posso aceitar que opiniões de pessoas supostamente bem formadas (nem vou às outras, as mal formadas e histéricas) sejam no sentido de caluniar esta classe, e pior, de desinformar aquilo que toda a gente sabe: que os professores, ao contrário do que se quer transmitir ultimamente, são incompetentes, pouco profissionais e desequilibrados!

Tenho lido muito disparate que traduzem, infelizmente, ou uma profunda ignorância perante a realidade escolar dos filhos, ou uma voz acarneirada em coro histérico com a ideia que este governo quer passar, a da descredibilização dos professores, tendo-os como bodes expiatórios e aproveitando episódios tristes como este, para fazer esse insulto global a todos os professores portugueses.


Muita gente já aqui me perguntou se sou psicóloga ou professora. Apenas sorrio e respondo que "de génio, de psicólogo, de professor e de louco, todos temos um pouco".



Mais abaixo, um texto excelente da autoria de Pedro Abrunhosa, que me foi enviado por correio electrónico. E apenas uma de muitas páginas principais dos abusos físicos e psicológicos que abalam concretamente a vida de alguns profissionais do ensino, os professores.










A contínua hostilização aos professores feita por este, e outros governos, vai acabar por levar cada vez mais pais a recorrer ao privado, mais caro e nem sempre tão bem equipado, mas com uma estabilidade garantida ao nível da conflitualidade laboral.

O problema é que esta tendência neo-liberal escamoteada da privatização do bem público, leva a uma abdicação por parte do estado do seu papel moderador entre, precisamente, essa conflitualidade laboral latente, transversal à actividade humana, a desmotivação de uma classe fundamental na construção de princípios e valores, e a formação pura e dura, desafectada de interesses particulares, de gerações articuladas no equilíbrio entre o saber e o ter.

O trabalho dos professores, desde há muito, vem sendo desacreditado pelas sucessivas tutelas, numa incompreensível espiral de má gestão que levará um dia a que os docentes sejam apenas administradores de horários e reprodutores de programas impostos cegamente.

(…)

O que eu gostaria de dizer é que o meu avô, pai do meu pai, era um modesto, mas, segundo rezam as estórias que cruzam gerações, muito bom professor e, sobretudo, um ser humano dotado de rara paciência e bonomia. Leccionava na província, nos anos 30 e 40, tarefa que não deveria ser fácil à altura: Salazar nunca considerou a educação uma prioridade e, muito menos, uma mais-valia, fora dos eixo Estoril-Lisboa, pelo que, para pessoas como o meu avô, dar aulas deveria ser algo entre o místico e o militante.

Pois nessa altura, em que os poucos alunos caminhavam uma, duas horas, descalços, chovesse ou nevasse, para assistir às aulas na vila mais próxima, em que o material escolar era uma lousa e uma pedaço de giz eternamente gasto, o meu avô retirava-se com toda a turma para o monte onde, entre o tojo e rosmaninho, lhes ensinava a posição dos astros, o movimento da terra, a forma variada das folhas, flores e árvores, a sagacidade da raposa ou a rapidez do lagarto. Tudo isto entrecortado por Camões, Eça e Aquilino.

Hoje, chamaríamos a isto ‘aula de campo’. E se as houvesse ainda, não sei a que alínea na avaliação docente corresponderia esta inusitada actividade. O meu avô nunca foi avaliado como deveria. Senão deveria pertencer ao escalão 18 da função pública, o máximo, claro, como aquele senhor Armando Vara que se reformou da CGD e não consta que tivesse tido anos de ‘trabalho de campo’. E o problema é que esta falta de seriedade do estado-novo no reconhecimento daqueles que sustentaram Portugal, é uma história que se repete interminavelmente até que alguém ponha cobro nas urnas a tais abusos de autoridade.

Perante José Sócrates somos todos um número: as polícias as multas que passam, os magistrados os processos que aviam, os professores as notas que dão e os alunos que passam. Os critérios de qualidade foram ultrapassados pelas estatísticas que interessa exibir em missas onde o primeiro-ministro debita e o poviléu absorve.
(…)

Pedro Abrunhosa

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ainda o 1º de Maio















Estes mails que me enviam... comunas duma figa pá! ehehehe...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Tretas do dia





Números:
72 por cento das mulheres inquiridas preferem um homem forte e decidido, que saiba o que quer.

85 por cento afirmaram que as seduz que o homem as beije com paixão e as leve à cama sem hesitar. Preferem um homem que tome a iniciativa na hora da sedução e que as faça sentir desejadas.

60 por cento não gostam que eles demorem mais tempo que elas a arranjar-se. Não se trata de não se cuidarem, mas sim de não passar mais tempo que elas em frente ao espelho.




Acho piada à expressão "as leve à cama". Normalmente quem me "leva à cama" é a bendita da gripe ou alguma dor maldita. Enfim. O "forte e decidido" é extremamente redutor e dúbio. Um homem pode ser forte, determinado, etc etc etc em muitos quadrantes da sua vida, não o sendo necessariamente em todos ou nos mais importantes, no que diz respeito a relações amorosas. Há por aí muito bom rapaz determinado em fazer da sua vida um pântano sentimental. Há as aparências e há a realidade. Há quem pareça ser forte e há quem, de facto, o seja.

Definitivamente, não pertenço à classe dos 85%, principalmente porque já me aconteceu e não gostei nada. Um homem que parte do princípio que a mulher quer ir para a cama com ele apenas porque sim(?) é um homem que não sabe ler os sinais, ou na pior das hipóteses, presunçoso. Os arrebatamentos de paixão assolapada pouco me dizem. Mãos atabalhoadamente mal metidas e beijos feitos de línguas que fazem investidas ao lado, tudo à velocidade de banda larga, só servem para arranhar e pensar se aquele gajo irá acertar no umbigo na hora de acertar... pois.
Há formas e formas de se fazer passar a mensagem da paixão, mas infelizmente há quem confunda tesão com desespero, e paixão com força mal medida. Tudo demasiado, tudo forçado. A malta agradece, mas dispensa.

O incrível destes números e teorias, é que mesmo depois de tantas considerações acerca do comportamento sexual do homem, é inquestionável a postura da mulher no que concerne à iniciativa, e é dado adquirido que a mulher continua a ser um objecto sem vontade própria, um catavento que depende da vontade do senhor seu homem e é "levada à cama" em ápices de donzela resgatada para a alcova, na fúria da paixão sexual do seu Adónis, mais preocupado com a performance do Zezinho e em fazê-la crer que é a personagem principal do Nove Semanas e Meia. Será justo para o próprio homem, que é dissecado e questionado qual cobaia/ratinho de laboratório, que tenha a obrigatoriedade do poder de decisão e iniciativa? Melhor: será justo para a própria mulher não ter uma palavra a dizer, o direito de escolha, o direito a dizer onde quando e com quem? Já agora, a obrigação de saber também o que quer, ser forte e decidida, e ter ela mais qualquer coisa a fazer no processo todo, senão a atitude de "aqui me tens, de pernoca aberta e vamos lá a isto"?

A pressão que antecede o acto sexual em si, a antecipação e a possibilidade de rejeição, tudo isto, é algo que deve ser, tal como o prazer, partilhado pelos dois, dividido pelos dois, e um problema que não se deveria colocar em pleno século XXI. É ridículo, tal como é ridículo pegar em amostras e generalizar desta forma o sexo. Se fosse tão fragmentado e estereotipado e definível a este nível, não seria tão interessante debatê-lo. Ou fazê-lo. Estas estatísticas e estes números não são mais do que a anedota portuguesa do sexo dito "normal". Normalizámos tudo, desde que começaram na fruta.

Os comportamentos das pessoas mudam ao compasso dos seus desejos, dos seus projectos, dos seus diferentes amores e parceiros, o ser muda, transforma-se ao longo do tempo de vida. Há quem ache que foder aos 45 é ou deveria ser o mesmo que "foder"/"fazer amor" aos 35 ou 25 ou aos 15. Está no seu direito, tal como eu penso que o homem não atinge o seu auge sexual aos 18 nem tampouco a mulher aos 30. O sexo e os comportamentos são muito mais do que corpos e hormonas, testosterona e gritos. Acima de tudo, deveria ser muito mais do que números.


Mas isto sou eu, claro.

Este expresso online dá-me cabo da cabeça, por vezes...



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