::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


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domingo, 15 de novembro de 2009

ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah ah (ou "lol" no meu magalhães)

Carta aberta ao primeiro-ministro José Sócrates


Autor: João Miguel Tavares

Excelentíssimo senhor primeiro-ministro: Sensibilizado com o que tudo indica ser mais uma triste confusão envolvendo o senhor e o seu grande amigo Armando Vara, venho desde já solidarizar-me com a sua pessoa, vítima de uma nova e terrível injustiça. Quererem agora pô-lo numa telenovela - perdoe-me o neologismo - digna do horário nobre da TVI é mais um sintoma do atraso a que chegámos e da falta de atenção das pessoas para as palavras que tão sabiamente proferiu aquando do último congresso do PS:”Em democracia, quem governa é quem o povo escolhe, e não um qualquer director de jornal ou uma qualquer estação de televisão.” O senhor acabou de ser reeleito, o tal director de jornal já se foi embora, a referida estação de televisão mudou de gerência, e mesmo assim continuam a importuná-lo. Que vergonha.

Embora no momento em que escrevo estas linhas não sejam ainda claros todos os contornos das suas amigáveis conversas, parece-me desde já evidente que este caso só pode estar baseado num enorme mal-entendido, provocado pelo facto de o senhor ter a infelicidade de estar para as trapalhadas como o pólen para as abelhas - há aí uma química azarada que não se explica. Os meses passam, as legislaturas sucedem-se, os primos revezam-se e o senhor engenheiro continua a ser alvo de campanhas negras, cabalas, urdiduras e toda a espécie de maldades que podem ser orquestradas contra um primeiro-ministro. Nem um mineiro de carvão tem tanto negrume à sua volta. Depois da licenciatura na Independente, depois dos projectos de engenharia da Guarda, depois do apartamento da Rua Braamcamp, depois do processo Cova da Beira, depois do caso Freeport, eis que a “Face Oculta”, essa investigação com nome de bar de alterne, tinha de vir incomodar uma pessoa tão ocupada. Jesus Cristo nas mãos dos romanos foi mais poupado do que o senhor engenheiro tem sido pela joint venture investigação criminal/comunicação social. Uma infâmia.

Mas eu não tenho a menor dúvida, senhor engenheiro, de que vossa excelência é uma pessoa tão impoluta como as águas do Tejo, tirando aquela parte onde desagua o Trancão. E não duvido por um momento que aquilo que mais deseja é o bem do Pais. É isso que Portugal teima em não perceber: quando uma pessoa quer o melhor para o País e está simultaneamente convencida de que ela própria é a melhor coisa que o País tem, é natural que haja um certo entusiasmo na resolução de problemas, incluindo um ou outro que possa sair fora da sua alçada. Desde quando o excesso de voluntarismo é pecado? Mas eu estou consigo, caro senhor engenheiro. E, com alguma sorte, o procurador-geral da República também. Atentamente, JMT.

domingo, 25 de outubro de 2009

What da Hell happened to Frederico, padre Frederico?

Ainda a propósito de religiões, Igrejas, hipocrisias, crenças, Deus que é designado por filho da pê, etc e tal, li isto no DN e lembrei-me do equivalente tuga, de seu nome Frederico. Mais aqui.




Falência de diocese adia o julgamento de padres pedófilos

O bispo de Wilmington declarou a bancarrota para evitar a indemnização exigida pelas vítimas. Advogado diz que a Igreja está a esconder a verdade


Ainda não foi desta que Francis de Luca, padre católico americano, respondeu pelos seus pecados em tribunal. O mediático julgamento por abusos sexuais de menores nos EUA estava agendado para ontem, mas foi adiado após a sua diocese declarar bancarrota.


A diocese de Wilmington, no Delaware, avançou com a declaração de falência no último momento – tarde de domingo – quando se tornou claro que ia ser condenada a pagar indemnizações chorudas às vítimas. A decisão adiou automaticamente o julgamento do primeiro dos oito casos de abuso sexual que comprometem De Luca.“

 


Resta saber qual dos dois tem maior direito à cidadania portuguesa: se o padre Frederico, se José Saramago... hmmmm.....



Lesões

sábado, 24 de outubro de 2009

"Filho da Pê"

Depois de ver isto, a minha simpatia por Saramago cresceu mais um pouco. E porquê? Porque no seu lugar eu não o teria feito, esta defesa frente às câmaras, frente a um teólogo que por acaso é padre. Pelo menos, na defesa da sua causa, na defesa da sua argumentação (que não tinha de dar), na defesa de um tipo de Liberdade que se perde por terras lusas. Há quem defenda que o homem deveria renunciar à nacionalidade portuguesa. Pergunto eu: o que é que a nacionalidade tem a ver com a crença ou a não-crença num Deus? O que é que este Deus da Igreja Católica Apostólica Romana nos torna mais ou menos portugueses?

Tive de ouvir três vezes para me certificar que o padre disse mesmo "filho da pê" (7'22'') ao invés de dizer "filho da puta". Parecia um puto a fazer queixinhas à professora "ó stôra, aquele menino chamou-me filho da pê"... que triste, isto tudo.

A pergunta do Mário Crespo também é linda:"para quem escreve?" Eu sou ateia e não leio. Não percebi a pergunta. E por mim, era espanhola ou sueca já amanhã, com este tipo de coisas que vejo neste país.




P.S.:Aproveito para dizer que este Natal vou comprar o último do José Rodrigues dos Santos. É de homem, falar mal do Islão! Perder tempo com padres da Igreja Católica é coisa de meninos.
P.S.2: Será que o saramago escreveu mesmo FILHO DA PÊ?!? Afinal é melhor ir comprar o livro...
P.S.3: Gabo a pachorra a Saramago para "esmiuçar" a Bíblia.
P.S.4: Com tanta pocaria que vai no mundo, Deus afinal não é MAU, é um gajo "porreiro pá"!
P.S.5: A Bíblia não é para ser lido no sentido literal, mas simbólico ou metafórico (à excepção das partes que a Igreja considera, sei lá, "imorais", como a homossexualidade, por exemplo, pois a Bíblia criou Adão e Eva e tal e não há cá nada disso de gays) ou como o "checxo com prejerbatibu" que a Igreja condena.
P.S.6: Caim para mim é daquelas coisas que me lembra sempre um cão a ganir.
P.S.7: Eu desisti há muito tempo de tentar entender a Igreja, ou a Bíblia, ou os ensinamentos do catolicismo, porque tal como Saramago, não tenho fé, não acredito em Deus. Prefiro acreditar no Pai Natal.
P.S.8: Momento alto ao minuto 33 e 2 segundos (acho que era Deus que queria falar com o padre Carreira das Neves) quando Saramago NO SEU MELHOR, provocador e incendiário, afirma que a Igreja não entende nada de Deus.
P.S.9: Saramago diz que é "falso como Judas" que algum dia tenha dito que etc etc e tal... ehehehe
P.S.10: Saramago está mais bem conservado aos 86 anos, do que a Maitê Proença aos 51.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Descubra as diferenças XVII







No mínimo a comparação pode ser algo perturbadora, mas não pretende chocar ninguém. Chego à conclusão de que vivemos num país de gente que se choca com enorme facilidade.
Claro que mantenho a opinião dada aqui há uns dias no Blog: a Maitê é uma tonta qualquer armada em engraçada e que foi estupidamente infeliz porque OK pá, já percebemos que estava a brincar, mas humor rasca, sem piada nenhuma, faz rir quem? Cuspir para uma fonte, tipo actriz hardcore? Mas porquê?
Sim, a petição que fizeram foi um exagero, toda a reacção foi um exagero, e se ela esteve mal no que fez (porque esteve) as pessoas que reagiram (com efeito retardador) só conseguiram dar importância a uma coisa que não tem importância nenhuma. Eu quero lá saber se ela pede desculpas ou não, tenho mais que fazer! Não assinei petição nenhuma nem assinaria!
Continuo a achar que o único brasileiro que vale a pena é o Reynaldo e o resto é conversa.

Agora, o Saramago.
Valha-me Deus (se eu acreditasse em Deus, que não acredito).
O Saramago diz mais umas quantas "opiniões à Saramago" e vem logo a comunidade cair em cima do pobre coitado. Para mim, é técnica de marketing, que isto de ser Nobel é muito giro, mas não paga as contas e o homem gosta de ser polémico.
Toda a gente critica o homem, mas duvido que poucos tenham lido "Caim", o livro que está na base de toda a polémica, logo ele tem de fazer barulho, mexer, arranjar publicidade gratuita. Isso, ou está a ficar meio chéché...
Que seria de nós sem um Saramago do contra?
Brincadeiras à parte, tudo isto se resume a muito pouco: os portugueses, no geral, são um bocado totós e gostam de fazer ondas, mas é só com o que não interessa nada. Ficam ofendidos com muito pouco. O pior é que nem eles próprios (os portugueses que se ofendem) sabem muito bem porquê, pois é um povo com fracas convicções, seja em que matéria fôr. Com a rara excepção do futebol, claro.

Já o Herman dizia que "as opiniões são como as vaginas..." lembram-se?, e cada um tem o direito à sua (opinião).
Mesmo não morrendo de amores pelo homem, reconheço-lhe o direito à opinião, que por sinal é semelhante à minha.

Os outros têm o direito à sua fé e haja quem tenha o direito a não tê-la. Já agora, a expressá-la.



segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Qué frô?

"Viva Lesboa! Viva Lesboa! Viva Lesboa!"


...



Parabéns a António Costa (e pandilha) e os pêsames à cidade de Lisboa.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Esmiuçar os Sufrágios

Não foi um bocadinho forçada aquela cena do "Ricardo" para aqui e para ali? A do 6º apresentador mais (?) do mundo foi completamente ridícula mas a da Clara de Sousa foi mesmo incompreensível. Tirar proveito da situação?

Gostei da questão ao Portas que afinal há mais proveito em ser criminoso do que em ser polícia, pois ao mesmo tempo um criminoso pode concorrer à Assembleia da República e ser deputado. Amei. Foi a melhor pergunta. Boa Gato Fedorento!





sábado, 12 de setembro de 2009

Sócrates em debate: Sei O que Andas a Fazer Há 4 anos







O que esperar de um gajo que cita o Abel? Sim, Salazar para os esquecidos...
O que esperar dum gajo que prometeu tanto e na primeira hipótese aumentou tudo o que havia para aumentar?
O que esperar dum gajo que tem a credibilidade tão comprometida? Cujo apelido é Pinóquio?
O que esperar dum gajo que compra lutas com os professores e agora diz que foi uma falta de "delicadeza"? "Delicadeza"?

sábado, 5 de setembro de 2009

É esquisito, não é?







Não gosto do Primeiro-Ministro em funções, não oiço nada do que ele diz pois não acredito nas suas delicadezas, em NADA das suas afirmações, nem sequer no curso que tirou.


Acho que ainda posso acreditar no que eu quiser; não sendo uma insinuação, é uma afirmação que diz somente respeito à minha liberdade e escolha pessoal. Não vejo nem nunca vi o Jornal Nacional, pois não gosto da estação em si desde que abriu. Não sou socialista. Se fosse, não obedeceria com certeza a uma política de voto. Iria votar noutro qualquer, menos neste senhor José Sócrates e nos seus candidatos a deputados. Nunca este país foi tão enxovalhado, passando por cada um dos seus ministros e ilustres atitudes e afirmações, desde o senhor Almeida Santos, passando pelo senhor Mário Lino, ou até mesmo à figura triste do senhor Manuel Pinho em plena Assembleia da República, já para não falar da desgraçada figura de Maria de Lurdes Rodrigues. Tudo a pobre herança de Mário Soares e seus jogos fracos de bastidores. Dignificar a vida política desta forma e honrar a imagem de Portugal lá fora, assim, com este governo, é impossível. Quando um povo é privado da Liberdade de Expressão que o coloca na lista de países democráticos, então algo de muito esquisito se passa no nosso canto à beira-mar plantado.

Este senhor José Sócrates escamoteia a realidade com falsos cenários idílicos de um país das maravilhas que não é este; deixa à míngua quem mais trabalha pelo país e diz que estamos a sair da crise; compra lutas com médicos, enfermeiros, polícias, trabalhadores e sindicatos; comprou uma luta das grandes com os professores, agora compra uma luta com os jornalistas.

Há que lhe reconhecer a loucura corajosa de se lançar para a frente nestes debates televisivos para em todos sair perdedor. Tenta ganhar a simpatia dos que estão "à esquerda", mas até estes não o aceitam. Não existe esquerda ou direita, não existe simpatias ou delicadezas que comprem votos. Existe a REALIDADE em que todos querem uma mudança séria de um país que vive com medo.

Dia 27 eu não voto PS.


Descubra as diferenças XIII - "Ninguém Gosta de Mim! É uma injustiça!"






quarta-feira, 2 de setembro de 2009

La Rentrée

O D E I O

... gente inclassificável quanto ao seu grau de burrice barra estupidez barra atrasadice mental auto-induzida.






Engenheiro Sócrates... mais um tiro no pé, certo? (faltam 25 dias).

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A nossa TV (Fernando Alvim)











Desde já devo desmistificar uma coisa: eu gosto do Fernando Alvim. Gosto do Alvim da rádio, da prova oral da Antena 3, do Alvim do ido Curto-Circuito, do Alvim em parelha com o Unas, do Alvim em entrevista a gajas boas como a Carla Matadinho, do Alvim do Blog (o link está lá em baixo, o Espero Bem Que Não). Gosto muito da voz do Alvim.

Por outro lado, não gosto do Alvim mediático, das festas, não gosto do sorriso falso do Alvim "para a fotografia". Mas isso sou eu e a minha má-língua, e o Alvim não se chateia nada com isso, até porque ele não me passa cartão nenhum. De qualquer forma, gosto imenso dele, acho que é um comunicador nato, sabe entrevistar pessoas sem as "atropelar", em jeito de conversa. É o protótipo da minha geração, do "gajo normal", "the boy next door", o rapaz igual a tantos outros que eu conheço mas que não têm um programa de rádio, os que cresceram a ver o Herman José em pose irreverente, nos idos anos dourados d'O Tal Canal, esse grande programa de humor português.

Como ele, Alvim, o Nuno Markl (se bem que o Markl tem uma genialidade superior à do Alvim, mas isto é a minha má-língua outra vez) e o Rui Unas.





Sobretudo, gosto imenso desta coisa que o Alvim fez chamada Speaky TV. Vejam a entrevista com Emídio Rangel. Vale a pena.



Não vi ainda o 5 Para a Meia-Noite com a apresentação de Fernando Alvim. Vi o programa na segunda-feira, mas... bem isso dá outro post.






domingo, 24 de maio de 2009

"És a maior lá do teu bairro!"

Nota: pensei em intitular este post "És a maior lá do bairro 'pá'!" porque o "pá" é notoriamente corporativista, mas acho que assim até fica melhor. É de exemplos histéricos como este que se faz uma escola melhor, onde professores e pais "lutam" (a luta é sempre corporativista) por uma sociedade mais justa. Generalizemos, pois então. Segue-se o vídeo ilustrativo da "coisa". De rir, apenas isso (o tamanho da letra é pequenino para não chatear muito).




"Fora eu mãe das crianças, alunas da professora Josefina da escola de Espinho e teria feito o mesmo que fizeram as mães das alunas da professora Josefina. Nome da náusea, do nojo que me entrou casa dentro. Esconderia um, dois, três, vinte gravadores que me servissem para ouvir, à clara luz da mais abjecta e inequívoca verdade, a voz da violência despejada em cima de crianças pois este é o assunto e não outro. E espero que este caso suscite as mais amplas «reflexões» críticas sobre aquilo de que são capazes os professores, tal e qual assim generalizado, na simetria rigorosa do caudaloso «pensar» sobre a indisciplina de alunos, crianças ou «criancinhas» conforme se pretende criar o efeito da meia suja. Espero pelas poderosas «teorias» do caos, «retórica» superior nascida da clínica atenção dos Barretos, Cratos, Mónicas, Castilhos, Fiolhais a que se colará o inefável Mário Nogueira mas, ah sim, sem esquecer a dona Fátima do Prós e Contras mas, desta vez, sob o tema: professores que nunca deveriam ser professores mas são professores porque o sistema o permite e a corporação os defende com unhas e dentes, pudera, olha que espanto! Bem sei que espero sentada e aqui estou a coser mantas de quatro por cinco metros. Importante: bem podem escrever-me os professores do costume com os insultos do costume e os erros ortográficos habituais que tudo irá para o lixo. Illico.
"


por Fátima Rolo Duarte (não, não me dei ao trabalho de linkar)



"Leva lá o guiador..."







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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Ainda a Educação...




Quem não se lembra do caso da aluna "dá-me o telemóvel já!!!"? Foi no Porto, há sensivelmente pouco mais de um ano atrás.


Há quem afirme a bom som que, no lugar das "mães de Espinho", teria feito o mesmo.
Há quem diga que a gravação é a prova que faltava.
Há quem jure que fazia trinta por uma linha à professora...



Eu, como mãe, nunca teria feito o mesmo: teria feito o que a minha mãe, professora para que se saiba, me ensinou a fazer que, basicamente, não devemos mentir, trapaçar, enganar e, muito menos, fazer lavagens de roupa suja em praça pública. Existe método e "preceito de se fazer as coisas", diria ela.


A gravação não prova nada, apenas serve para dar audiências ao canal de televisão e fazer a opinião pública indignar-se um pouco com este tipo de "gentalha" que existe no país: professora, alunas, pais e Conselho Executivo. A DRE nada pode fazer quanto à gravação que não é sequer legítima nem constitui prova de nada, mas pode o Conselho Executivo punir as alunas, nos termos previstos pelo Regulamento Interno, neste tipo de situação. A Constituição Portuguesa não prvê todo e qualquer falta de ética e valores, e as mães daquelas meninas não estão a dar bom exemplo em nada. Por mim até pode vir a Maria Cavaco Silva dizer que faria o mesmo, é-me igual. É na afirmação de atitudes destas que eu vejo a falta de nível da maioria das pessoas que se dizem "de bem".


Eu faria apenas a queixa contra a professora nos órgãos competentes para o efeito. Mais: nem quereria sequer conversar com uma professsora dessas, partindo do princípio que uma filha minha não estaria envolvida na "peixeirada", e sabendo que existe uma Directora de Turma para estabelecer a interligação entre as partes envolvidas. A verdade é sempre apurada aquando do processo disciplinar com a abertura de um inquérito que, em tudo, dispensa material electrónico. A veracidade e a palavra das testemunhas vale muito mais do que o que aconteceu.



Convém lembrar que:

1 - não diz respeito a um professor imiscuir-se na vida privada dos seus alunos;
2 - proferir barbaridades como as que foram proferidas àcerca das habilitações literárias dos encarregados de educação é inadequado;
3 - utilizar determinado tipo de linguagem não acrescenta nada à prática pedagógica;
4 - fazer observações do foro sexual e íntimo em comparação com a sua própria experiência é desapropriado;
5 - o professor não deve ameaçar ou fazer represálias com os alunos;
6 - o professor não deve humilhar ou aterrorizar os alunos.


Qualquer professor sabe isto que acabei de enumerar e sabe bem com que linhas se cose; em ocasião alguma um professor se deve deixar manipular por duas(???) miúdas de doze anos de idade e, a ter alguma doença do foro psiquiátrico, a pessoa sabe perfeitamente onde se deve dirigir para se tratar.


Isto levanta outras questões pertinentes, não quanto ao uso de gravadores ou de telemóveis, pois as regras estão claramente definidas relativamente a isso, mas em relação àquilo que é ou deve ser a relação entre professor/aluno. Ali houve uma barreira ilegitimamente ultrapassada, de parte a parte, e o fulcral que convém reter nisto é a distância que não existe e deve existir entre um professor e o seu aluno.

Coitados dos alunos que não têm pais que se preocupam com eles? Que não falam de sexo em casa? Que não têm abertura para falar dos assuntos de alcova? Coitados? Pois são os mesmos alunos que esticam a corda a ver até onde ela chega e parte, é a professora que não tem noção do ridículo, é o respeito que se perde porque ela quer ser "amiguinha" e cool, a confiança que não distingue a barreira entre abuso e amizade. A professora nivelou-se ao mesmo nível de "peixeirada" que era pretendido, rebaixou-se e no fim, dá-se ares de grande arrogância, como se ela própria fosse detentora da boa moral, ética e bons costumes quando diz que "deu o seu primeiro linguado no 12º ano". Que tem um curso superior, dois anos de estágio(??) etc etc etc, que a mãe da outra menina estava 1,70m abaixo dela(?) Nem nunca sequer tinha ouvido tal expressão!


Um professor deve manter-se no alto, dar o melhor exemplo, porque é um modelo que os alunos seguem e admiram. O professor não é pago para discorrer sobre a vida sexual ou académica de cada um. Acima de tudo, deve ignorar muito do que ouve e saber levar a bom porto certos diálogos que, mais não têm outro objectivo, senão o de destabilizar e interromper a aula propriamente dita.


É muito fixe e cool ser um professor bacano e porreiraço, mas é mais fixe e cool poder ter a confiança e o respeito de um aluno, mesmo que isso signifique demarcar limites e impôr a autoridade inerente à profissão. Educação Sexual nas escolas? Sobre isso falarei até que a semana acabe.


A quem me chamou de corporativista e se é que ainda tem dúvidas sobre o que é e o que não é, vá estudar História ou leia o significado de corporativismo e compare. Já agora, eduquem melhor os vossos filhos, ensinem-lhes a ser responsáveis e adultos, a não falar com um professor como quem fala para um cão.

Não defendo todos aqueles que compõem a classe docente do país, cada um tem metodologias de ensino diversas e deve aplicá-las conforme os alunos que tem à sua frente. Portanto, quanto menos confiança a este tipo de gente, melhor; pais e alunos, porque o sistema privilegia o "coitado" e o medíocre neste país.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

"That's... like... my opinion, man!"






Penso que é óbvio que o episódio "professora de Espinho" é um caso isolado.
Penso que é óbvio que os professores também são pais.
Acima de tudo, por mais descontextualizado que seja, não consigo conceber que aquela professora é "espectacular". Isto, para mim, é óbvio.
Algumas pessoas apenas não "acham" que assim seja, senão não escreviam o que escrevem, pois se por haver uma professora maluca, logo se levantam as vozes da reacção dos paizinhos ai tão preocupadinhos, e os professores tudo uma cambada de maluquinhos, tomando-se a parte pelo todo (o que denota uma inteligência do caraças!), mote de muito boa verborreia intelectualóide de pseudo-esquerda que tenho lido por aí, então a lógica dedutiva desta malta, a ter a coerência que se pretende no discurso, deverá adequar-se a todos os ramos profissionais. Ou não? Cá me parece aquilo que sempre me pareceu: há uma tentativa desesperada de deitar a carreira docente para a fogueira, não medindo palavras ou consequências. Acto contínuo, o professor é saco de porrada, um pouco à semelhança do que acontece em países como o Brasil. Fosse Portugal um país pertencente a uma Europa evoluída, os paizinhos destes discursos ridículos do contra, oh tão preocupados com a educação exemplar que dão aos seus rebentos, não colocariam em causa a dignidade de toda uma classe, tomando por exemplo uma qualquer professora desequilibrada.

Deixo algumas questões a essas mentes brilhantes que tanto questionam a dignidade da classe docente (tenho caixas de comentários abertas a toda a gente, e não faço moderação dos mesmos).



- Lembram-se daquelas gravações de vídeo de actos sexuais de um famoso arquitecto português em pleno local de trabalho? Não é decente nem me parece uma boa conduta no trabalho. Houve boatos que algumas daquelas mulheres envolvidas teriam sido coagidas aos tais actos. Estarão TODOS os arquitectos LÁ DENTRO do mesmo saco?

- Lembram-se de um senhor que, a propósito do segredo de justiça, para o qual ele estava-se, e passo a citar, a "CAGAR"? E das implicações daquele deputado do PS no escândalo sexual Casa Pia? E da autarca que diziam ter um saco azul e fugiu para o Brasil? E das alarvidades do ministro que disse que o Sul era um deserto? Serão, como diz o povo, "os políticos todos iguais"? Serão todos eles corruptos de sacos azuis, pedófilos, inconsequentes, mal educados, incorrectos, etc etc etc? Deveremos acreditar ou não nas gravações que são feitas e apresentadas como prova constituinte de um crime? Já nem vou ao caso Freeport que envolve o nome de alguém, cuja formação como engenheiro foi colocada em causa. Desse estamos todos tão fartos...

- Quando foi posto em causa o bom nome e a reputação de alguns apresentadores de televisão no caso Casa Pia, não me lembro de alguém ter insinuado que as figuras públicas do mundo da televisão ou do espectáculo são todas personalidades com vidas sexuais dúbias, pedófilos e todos deveriam ser escorraçados e interrogados? Já agora, do advogado também metido ao barulho? Serão todos, os advogados portugueses, do Diabo?

- E o mundo do futebol? Terão todos os presidentes de clubes de equipas de futebol um apito dourado?

- O Michael Phelps foi fotografado a fumar um charro. Não me lembro de haver opinião pública e comunicação social a crucificar todos os atletas do mundo.



Isto estende-se a todos os sectores da vida pública que nos afectem. Se eu for mal atendida num hospital, deixarei de ir a todos os hospitais? Se contrair uma doença contagiosa numa piscina deixo de frequentar todas as piscinas? Se for mal atendida num Hotel deixo de fazer férias? Se um polícia me tratar mal deixo de chamar a entidade quando a minha casa for assaltada? Eu sei que não farei nada disso, e antes que venha para o meu Blogzinho privado falar mal de todos os serviços e todas as profissões que existem a prestar mau serviço (público e privado), já fiz o que me compete como cidadã, que é apresentar queixa. Dá trabalho? Dá, mas ao menos não armo em peixeira virtual nem ao pingarelho moral apenas para "expressar a minha opinião".

As opiniões valem apenas o que valem, mas é triste verificar o abuso verbal gratuito de algumas pessoas que se pensassem mais um bocadinho nos assuntos, não diriam tanto disparate e não fizessem os juízos de valor colectivos que fazem. Talvez por isso, haja tanto Blog em que as pessoas se queixam dos CTT à segunda, dos polícias à terça, dos médicos à quarta, dos professores à quinta, dos políticos à sexta, dos hipermercados ao Sábado e no Domingo falam da porcaria que vêm na televisão. Patético.






Meus amigos, a professora bem pode ser maluca, alguns políticos podem ser muito manhosos, existir escândalos de toda a ordem e feitio que afectem a nossa vida, de alguma forma, mas o estado complacente com que as pessoas tratam os assuntos, não faz sentido. Não faz sentido esperar três anos até que alguém faça alguma coisa contra uma situação destas. Existem entidades responsáveis, existem formas de actuar mais condignas do que esperar que a peixeirada rebente e alastre. Não faz sentido condenar toda uma classe por uma pessoa desequilibrada e tomar a parte podre pelo todo. Tantos diplomas superiores disto e daquilo, mas vence a estúpida certeza popular do ditado que diz que pelo pecador paga o justo.


A professora é maluca e tem a vida estragada, muito provavelmente não volta a dar aulas. Os políticos andam por aí à solta, nada lhes acontece.


Conclusão que retiro de tudo isto: vivemos num país que regride constantemente à custa de opiniões feitas e conversas de café. As mentes que mais deveriam fazer a bem da moral e bons costumes, os que nasceram em berços de ouro, os tais pseudo-intelectuais de esquerda, tão cheios de opiniões e tão cheios das suas certezas e dedos apontados "aos professores", they should know better, mas preferem fazer tudo igual ao povão: só muda o tema de discussão, porque em termos de estupidez bruta e opiniões a martelo do "falar mal por falar mal", a crítica parva e gratuita, vai dar ao mesmo que o Zé Povinho. Já dizia o outro que "as opiniões são como as vaginas..."



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