::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Deixar de Fumar MMVIII









Contextualizando os leitores deste tão humilde (ohhhhhh) Blog, houve alguém que veio cá parar (um Anónimo, portanto), a propósito de conservadorismos barra liberalismos barra whatever barra fumar cigarros e maços no diminutivo com cedilhas a mais e outras coisas sobre as quais não vale mesmo a pena debruçar-me neste momento, que me pediu que o elucidasse (muito delicadamente) como é isto de nos passarmos para o outro lado da barricada.

Obviamente a coisa não funciona "assim". Não há nem houve um truque e permitam-me os mais cépticos que possam vir aqui parar através do Google com a deixa desesperada das três palavras "deixar de fumar", que diga o seguinte: ENJOEI. Nem sequer sei como. Fartei-me. Enjoei o tabaco. Não estava grávida, não estava sequer a pensar em deixar de fumar, nem sequer tinha considerado REALMENTE a hipótese de deixar de fumar. Muito menos na altura em que foi. Aconteceu. Como acontece apaixonarmo-nos por alguém, como acontece desapaixonarmo-nos, como acontece termos um acidente de carro, tal como outra coisa qualquer que nos acontece sem darmos por isso. Já tinha tentado muitas vezes deixar de fumar. Umas três ou quatro. Sem efeito.

Em 2008, foi assim que aconteceu. Sem planear. Um bilhete premiado na lotaria, uma viagem que se ganha, um amigo que se reencontra ao fim de muitas décadas, ou um amigo que deixa de o ser, porque talvez nunca o tenha sido, um vómito conquistado à laia de ser anti-dependência. Em suma, uma incógnita.

Assim são as pessoas de atitudes inesperadas, inconstantes e nervosas como eu. Cansam-se e fartam-se. Sem aviso prévio.

domingo, 10 de maio de 2009

"Nada se perde, tudo se transforma"

Porque é que as pessoas (se as pensarmos em abstracto), se desencontram da sua natureza e se tornam feias e azedas, à medida que crescem? Porque, ao contrário da natureza, são escassas as vezes em que aprendem com a experiência. Porque não querem? Não; porque a complexidade dos seus sentimentos e do seu pensamento é grande. E, enquanto a natureza metaboliza as diferenças em ciclos de tempo onde caberiam muitas gerações humanas, é raro que uma pessoa encontre quem transforme, num período circunscrito da sua vida, sofrimentos enquistados, sentimentos por legendar e pensamentos que, simplesmente, se intuíram, sem nunca se terem formulado.

Eduardo Sá




Segundo o que Lavoisier defendia, "na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma." . Há quem prefira citar grandes filósofos, poetas, escritores e, mais recentemente, psicólogos ou sociólogos; eu prefiro citar este grande Químico, que foi Lavoisier.



Concordo com a opinião de Eduardo Sá: o ser humano é, ao contrário do resto da Natureza circundante, complexo. Mais do que complexo, acrescento que o ser humano gosta de complicar, gosta de "inventar", criar situações ambíguas que não o permitem ver para além da sua esfera pessoal, fechada e compacta. Qualquer um tende a ampliar ou a diminuir determinada situação que acha que o separa do resto do mundo, apenas porque cada um de nós teima em não perceber que somos todos muito mais iguais do que imaginamos ou gostaríamos de achar que somos. Não vivemos em esferas separadas, vivemos todos dentro da mesma bolha gigante e todos nos dividimos por entre desejo, medo e sonho. Quem acredita piamente que é um desgraçado separado do resto do mundo, incompreendido pela sociedade, é com certeza alguém amargo, azedo, que não terá muito mais a dar senão o queixume típico de um "velho do Restelo". Existem os velhos amargos e existem os velhos loucos. Infelizmente, começa a existir uma legião enorme de pessoas tremendamente novas e muito amargas.
Será sempre assim? Deverá ser assim?



Há dois anos li um livro por sugestão de uma grande amiga: O Poder da Kaballah. Ofereci a resistência natural de quem acha que aquilo é um livro de auto-ajuda, mas ela explicou-me que não. Eu entendi que não, e de facto não o penso assim, afirmo mesmo que aquilo tem tanto de auto-ajuda como outro livro qualquer, um ensaio ou um romance. Gostei muito do que li, até porque o livro não "vende" soluções nem impinge ninguém a cumprir nada e cheguei à conclusão de que perdemos muito mais se não abrirmos horizontes em determinadas direcções. Seja culturais, seja pessoais, seja profissionais. Acharmos que estamos talhados para determinado objectivo ou que estamos destinados a ser de determinada forma, a conduzir a nossa vida e a seguir determinado rumo apenas porque os outros insistem em achar que sim, (ou porque nos auto-educamos e controlamos nesse sentido), é a forma mais limitativa e castradora de se viver a própria vida, de ter iniciativa, e condenamos a própria existência a um destino ou a um plano que alguém tem para nós.



Sempre me recusei a aceitar isso, tenho vindo a somar mais vitórias do que derrotas ao pensar desta forma; talvez por isso me assuma como ateia, talvez por isso me chamem "louca" muitas vezes. Talvez por isso me recuse a ver o mundo pelos olhos dos que se resignam e aceitam, dos que se conformam em nunca alterar o estado das coisas, em nunca mudar, em não aceitar o outro lado do espelho. Fazer as coisas sempre da m-e-s-m-a m-a-n-e-i-r-a conduz-nos a uma estagnação e a uma atrofia, a um empobrecimento espiritual, à tristeza.



Creio, em última instância, que o Bem vence. Que tudo está bem quando acaba bem. Que por mais que se sofra haverá uma contrapartida, que as diferenças poderão esbater-se se tivermos em atenção tudo o que os pratos da balança contêm. Que para tudo há uma causa, e tudo pode causar um efeito. Que, acima de tudo, nada mas mesmo nada justifica a mentira, a maldade, o Mal que impera e nada se faz para inverter o culminar de um final trágico. Nada se resolve por si. Certos pensamentos e sentimentos podem ser digeridos e metabolizados se assim o quisermos; as razões para procedermos ao esquecimento de alguém ou de alguma atitude são o motivo mais forte para que os danos sejam minimizados, para que as perdoemos ainda que nunca o saibam. Perdoar os outros, e sempre perdoar-se a si mesmo.


Nada se esquece, quando nos magoa, mas pode ser compreendido, pode ser dissecado, pode ser assimilado, à semelhança de um prato indigesto que nos caíu mal ou de uma chama de fogo pela qual passámos a nossa mão. Ninguém gosta de comer o que sabe que lhe vai fazer mal, se sabe que é alérgico, se sabe à priori que pode vomitar ou até morrer. Tal como ninguém coloca a mão na chama ao saber que se vai queimar. Vivemos condicionados pela aprendizagem que da vida fazemos, que da vida retiramos, dos erros que cometemos. Aceitar isso é importante, para não se voltar a um caminho por onde já se passou, para não voltar a magoar terceiros se já os magoámos antes. Transformamo-nos, todos os dias.



Ter a consciência de que é um mundo imenso, cheio de experiências e erros a cometer, é uma dádiva que devemos abraçar, na certeza que nem tudo é mau e que pode ser uma mais-valia queimarmo-nos de vez em quando. Uma e outra vez. Porque tudo se transforma, mas há chamas que nunca se extinguem.



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domingo, 3 de maio de 2009

Reinvenções








Independentemente de gostar ou não dos The Gift (que não gosto), este projecto "Amália Hoje" suscita profunda desconfiança da minha parte, logo à partida, porque para mim, tal como para a grande maioria dos portugueses, Amália não é de ontem, hoje ou de amanhã. Amália é de Sempre.




Gosto do chamado "Fado Novo" e do "Novo Fado", em que surgem nomes como Deolinda ou Camané. Gosto do fado vadio de Lisboa e do fado cantado nas ruas de Coimbra. Gosto mais do fado cantado pela voz masculina do que feminina e, para mim, mulher que canta fado, o nosso fado, é a grande Amália. Gosto de fadistas como a Mariza, a Cristina Branco, gosto. Gosto imenso da Dulce Pontes e daquele álbum que fez com o Ennio. Gosto da sua versão do Povo Que Lavas no Rio. Gosto da vertente nova e da roupagem que dão ao fado sob uma vertente pop ou electrónica, não me choca nada a adaptação. Pode existir em tudo isto alma, pode em tudo isto haver autenticidade. O que se segue não é nenhuma contrariedade de alma com aquilo que é a reinvenção do fado. Gosto de reinvenções. Gosto de covers, quando eles de facto acrescentam algo de novo. Ao menos, quando são genuínos.




Do que eu não gosto é que me atirem areia para os olhos, e à sombra de um nome tão grande como o da Amália, façam discos deste género, que mais não servem do que promover as próprias bandas, neste caso declaradamente dos Gift. Falo pois, do novo álbum do Projecto Hoje, "Amália Hoje". Não gosto mesmo nada, para além de não gostar nada daquele som, daquela interpretação tão desprovida de alma, tão sem nada de novo, tudo tão forçado. Não acrescenta nada ao que já existia. Não reinventa nada, não traz uma nova pulsação, são apenas covers de temas cantados pela vocalista dos The Gift. Ouvir aquilo é como ouvir os The Gift: the same old. A questão não é se conseguiram reinventar o fado de Amália transformando-o em música pop, a questão é que os The Gift não se conseguem reinventar a eles próprios, nem com as letras que Amália cantava, nem com arranjos musicais à la Arcade Fire.






Não gosto de criticar tão acerrimamente um "projecto" (tudo em Portugal é projecto, ex-projecto, projecto do ex-projecto, futuro projecto a partir de um projecto passado), e gosto ainda menos de falar sobre música - porque gosto muito de música e de muitos géneros e muitas bandas - mas detesto sobranceria e a soberba de quem se insurge como iluminado ou acha que fez algo de muito diferente do que lhe é já tão habitual. Obviamente haverá quem goste. Eu não gostei.
É apenas mais do mesmo. É pena.



Em paralelo e porque nem tudo é um pseudo-projecto, porque mais difícil é reinventar-se pop a partir de pop, gostei bastante do "projecto Humanos" (mais um, mas este é dos bons) a partir de temas do António Variações. Manuela Azevedo, Camané e David Fonseca como nunca ninguém os vira antes em temas do nosso Variações. Bem hajam!
A imagem da Amália foi "reinventada" por mim.
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sexta-feira, 17 de abril de 2009




O problema de se crescer não é deixar algumas coisas para trás, crenças, opiniões, juventude, inocência, vigor, saúde ou impaciência própria da tenra idade. O problema de se crescer não está no peso, nos vícios que se ganham e que se perdem, de ver o mundo com outros olhos, no ganhar rugas, responsabilidades e problemas. O problema de se crescer não é a soma de demónios (muitos desaparecem com o acumular de experiências, e alguns até desaparecem com a memória do tempo).



Isso são tudo tretas pseudo-filosóficas para quem tem tempo para se preocupar com elas.



O problema de se crescer, seja aos oito ou aos oitenta, é estar-se mais perto da morte. Apenas isso, seguir a ordem natural das coisas. O tempo que escasseia até se fazer tudo o que nos faz dizer no leito de morte que se "teve uma boa vida" e estar-se grato pelo que se construiu.


Entretanto vou ali brincar com a minha Barbie Elegance (nova!) e já volto. ahahahahahaha.



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quinta-feira, 16 de abril de 2009



entre o que muda e o que não muda na vida de uma pessoa. lembro-me de um desafio qualquer, ou de qualquer coisa que incluía pormenores do que nos muda e refaz, a cada dia que passa.

em vésperas de cumprir mais um ano de vida e fechar outro ciclo, entre quase três anos o que mudou e o que ficou na mesma. o nove de agora escreve-se assim. o seis de há quase três anos atrás foi o que pode ver abaixo, mais coisa menos coisa.





gosto de mim aos 30. não gosto da recordação de não gostar de mim aos 20. não gosto de me ver ao espelho do elevador. gosto de me ver nas montras das lojas. não gosto de lojas. não gosto de compras. gosto de datas especiais. gosto de aniversários. não gosto de fretes. não gosto de obrigações. gosto de fazer surpresas. não gosto que me façam algumas surpresas. gosto de cães. não gosto de gatos. gosto de gaivotas. não gosto de gaiolas. não gosto de aquários. gosto de peixes. gosto de lagoas. gosto do mar. gosto de água. gosto de fogueiras. gosto de lareiras. gosto do Natal. não gosto da Páscoa. gosto da Académica. não gosto do FCP. gosto da cidade do Porto. não gosto das pessoas da cidade do Porto. gosto de Lisboa. gosto do Alentejo. gosto dos sulistas. gosto do desprendimento. gosto da saudade. não gosto de saudosismos. gosto de ler. gosto de pintar. gosto daquilo que faço. não gosto dos meus colegas de trabalho. gosto de alguns colegas de trabalho. gosto de trabalhar em equipa. gosto de ser competitiva. gosto de ser a melhor. não gosto de ser chata. não gosto de me chatear. não gosto de gente picuinhas. gosto de pormenores. não gosto de fazer tempo. não gosto de esperar. não gosto de fazer esperar. gosto de ser pontual. gosto de fazer aquilo que faço. gosto de ideais. não gosto do que o dinheiro faz às pessoas. gosto de galões muito escuros. gosto de pastéis de belém. gosto de vinho tinto. gosto de vinho verde. gosto da lei do tabaco. gosto de já não fumar. não gosto do primeiro-ministro. não gosto do presidente da república. gosto de democracia. gosto de História. gosto de ficar em casa. gosto de ir ao cinema. gosto de ir ao teatro. gosto de concertos. não gosto de saídas que já não me dizem nada. não gosto de pessoas que "armam ao pingarelho". não gosto de hipocrisia. gosto que me digam as coisas na cara. gosto de reinícios. gosto de segundas oportunidades. gosto de ter objectivos. não gosto de fazer planos. gosto do meu cabelo. gosto do vento no rosto. gosto de ir à praia. não gosto de campo. gosto de rosas. gosto de orquídeas. não gosto de cravos. não gosto de cobardia. gosto de coragem. gosto de apanhar sol. gosto de caminhar. não gosto de correr. gosto do dia dos namorados. não gosto do dia da mulher. gosto de ter esperança. não gosto da miséria e da pobreza e da fome e de todas as desgraças do mundo. gosto de crianças. gosto de velhos. gosto de adolescentes. gosto de cristo. não gosto da Igreja católica. não gosto de gente beata. gosto de azul. gosto de vermelho. gosto de preto. gosto de branco. não gosto de amarelo. gosto de promessas. não gosto de pessoas que fazem promessas e não as cumprem. gosto de café. gosto de chá. gosto de água. gosto de dançar. gosto de perfumes. gosto de cheiros. gosto de fins-de-semana. gosto de canela. gosto de viajar. não gosto de chorar. não gosto de sofrer. gosto de rir. gosto de rir sozinha. gosto de arte. não gosto de ciências exactas. gosto de estudar. gosto de fotografia. gosto de escrever. gosto de música. não gosto da ideia de perder o concerto do cohen. gosto que algumas coisas cheguem ao fim. gosto de começar tudo de novo. gosto de manhãs. gosto da noite. gosto de estar sozinha. gosto de estar com amigos. gosto de silêncio. gosto da ideia de envelhecer. não gosto de doenças. não gosto da morte. não gosto de funerais. gosto de casamentos. gosto de queijo. gosto de abraços. gosto da sensação da areia da praia fina e fria debaixo dos pés. não gosto da sensação de relva debaixo dos pés. não gosto de alturas. gosto de andar de avião. gosto de andar de comboio. não gosto de adrenalina. gosto do Verão. gosto da mudança. gosto de morangos. não gosto de pêras maduras. gosto de perceber o que se passa à minha volta. gosto de árvores. gosto de pratos vegetarianos. gosto de peixe e marisco. gosto do número sete. gosto de conduzir. não gosto de motas. gosto da antecipação. gosto de pontes. gosto de alcançar algo pelo qual lutei. gosto de chegar onde quero chegar.


gosto do amanhã.





















Gosto de cores. Gosto de preto. Gosto de me vestir de preto. Gosto de me vestir de branco. Gosto de vestidos. Gosto da Primavera. Não gosto de frio. Gosto de rir. Gosto de chorar. Não gosto de sofrer. Gosto de madrugadas. Gosto de manhãs. Gosto da noite . Gosto de me sentir bonita. Gosto de elogios. Não gosto de bajulação. Gosto de personalidades muito fortes. Não gosto de mentiras. Gosto de frontalidade. Não gosto de sorrisos amarelos. Não gosto de caras amuadas. Gosto que me apontem os defeitos. Não gosto de críticas destrutivas. Gosto de conversar. Gosto de política. Não gosto de religião. Gosto de futebol. Gosto de ténis. Gosto de fazer desporto. Não gosto da enorme preguiça que tenho. Gosto de fumar. Gosto da ideia de deixar de fumar. Gosto de rosas vermelhas. Não gosto de cravos. Não gosto de doenças. Gosto de saber ultrapassar as doenças. Gosto de conforto. Gosto de lareiras. Não gosto de ar condicionado. Gosto de pintar. Não gosto de limpar os pincéis. Gosto do cheiro a pão quente. Gosto do cheiro de livros velhos e bibliotecas. Não gosto de centros comerciais. Gosto de segundas e sexta-feiras. Não gosto de domingos. Gosto de inícios. Gosto de ciclos. Não gosto de rupturas. Gosto do cheiro do mar em manhãs de Maio. Gosto do cheiro das laranjeiras em Março. Não gosto de poluição. Gosto de bicicletas. Não gosto de motas. Gosto de velocidade. Gosto do meu carro. Gosto do primeiro mergulho em Abril. Gosto do meu mês. Não gosto do mês de Agosto. Gosto de música. Não gosto de barulho. Gosto de silêncio. Gosto de paz. Gosto de adrenalina. Não gosto que falem comigo de manhã. Gosto de acordar com a voz da pessoa que amo ao meu lado. Gosto de beijos. Gosto de sexo. Gosto de abraços. Não gosto de dependências. Gosto de marisco. Não gosto de fígado. Gosto de vinho tinto. Não gosto de vinho branco. Gosto de cerveja preta. Gosto do Natal. Não gosto do Carnaval. Gosto de dançar. Gosto de me divertir. Gosto de sentir saudades de alguém de quem gosto . Não gosto de estar longe de quem gosto. Gosto de frutos vermelhos. Não gosto de meloa. Gosto de melão. Gosto da Briosa. Gosto de ganhar. Não gosto de perder. Gosto de desafios. Não gosto de pressões. Gosto do campo. Gosto de neve. Gosto de tomar longos banhos. Não gosto de dormir de tarde. Gosto de ler. Não gosto de relógios. Gosto de ser pontual. Não gosto de esperar. Gosto do escuro. Gosto de escrever. Não gosto de usar óculos. Gosto de cozinhar para muita gente. Não gosto de cozinhar só para mim. Gosto de cozinhar apenas para dois. Gosto de cinema. Não gosto de televisão. Gosto de receber cartas e mails. Não gosto que não me respondam a cartas e mails. Gosto de uma boa discussão. Não gosto de pessoas que não sabem explicar as suas razões. Gosto de opiniões. Não gosto de quem não sabe aceitar uma opinião. Gosto do meu cabelo. Gosto dos meus olhos. Não gosto do meu nariz. Gosto de caminhar. Não gosto de correr. Gosto de gaivotas. Não gosto de abutres. Gosto de leões. Não gosto de répteis. Gosto de cães. Não gosto de gatos. Gosto de cavalos. Gosto de observar as estrelas no céu. Gosto de pedir desejos às estrelas cadentes. Gosto de crianças. Não gosto de birras. Gosto de ensinar. Não gosto de gritos. Gosto de conduzir enquanto oiço música. Não gosto de trânsito. Gosto das estradas no Alentejo, da EN 125, da Marginal Cascais-Lisboa, de conduzir em grandes cidades à noite. Não gosto de conduzir no Porto. Gosto da cidade do Porto. Gosto de pontes. Não gosto de parques infantis pequenos. Gosto muito de viajar. Gosto de andar de avião. Não gosto de enjoar em alto mar. Gosto de barcos. Não gosto de ter vertigens. Gosto de sonhar. Não gosto de ter maus pressentimentos. Gosto de surpreender. Gosto que me surpreendam. Gosto de chocolate. Não gosto de rebuçados, pastilhas e pipocas. Gosto de açúcar amarelo. Gosto de chá. Gosto de café. Gosto de especiarias e picantes. Não gosto de fast food. Gosto de peixe grelhado. Gosto de novidades. Gosto de jornais. Gosto de todas as formas de Arte. Não gosto de ler críticas de Arte. Gosto de ser como sou. Não gosto de me irritar com facilidade. Gosto dos meus amigos. Não gosto de agradar a gregos e troianos. Gosto que me contrariem. Não gosto de agressividade gratuita. Gosto de brincar. Gosto de pessoas. Gosto de me sentir a apaixonar por alguém. Gosto de paz. Não gosto de guerras. Gosto do meu país. Não gosto de extremismos. Gosto do cheiro de pinheiros mansos. Não gosto de planear demasiado as coisas. Gosto de aprender. Gosto de ser do contra. Gosto de provocar. Gosto que me provoquem.







terça-feira, 14 de abril de 2009

Atenção: isto não é um post verdadeiramente lamechas




Sempre fui da opinião que se deve dizer às pessoas o que pensamos delas. Melhor, se gostamos delas, se as estimamos, se achamos que temos um papel importante nas suas vidas. Fazer juízos de valor e fundamentá-los, tendo por base um conhecimento real das suas acções e da sua personalidade. Criticar as pessoas é uma forma de as levar ao seu melhor, sempre pensei. Acima de tudo, dizer às pessoas o quanto gostamos delas, o quão importantes são na nossa vida, que as amamos, que fazem de nós melhores seres humanos, etc etc etc. De igual modo, não temer de vez em quando ter de mandar à merda essas pessoas. Assim, sem mais nem menos, quando elas merecem. Acima de tudo, aceitar o mesmo comportamento quando se nos é dirigido.


Sempre fui desta opinião. Depois, veio a vida e ensinou-me que isto não está errado, está até muito bem, mas não é válido para todos. Porque senão vejamos: nem toda a gente gosta de ser criticado e alvo de juízos de valor; nem toda a gente acha que terei (ou outra pessoa qualquer) o direito de criticar seja lá o que for; as pessoas não atribuem a mesma importância que eu lhes dou a elas, independentemente de estarem no top ten da minha preferência. Isto é o que a vida me tem ensinado. A percepção que temos dos outros é algo de inacabado quando esses outros não nos dão a verdade daquilo que são. Desculpabilizar-se aquilo que consideramos errado à luz de um afecto que só existe na nossa cabeça, ou de olhos de carneiro mal morto, é a maior estupidez que se pode cometer em detrimento de nós próprios, e de outros que estimamos, admiramos e valorizamos. Até porque depois o que levamos é um grande chuto no cu à menor contrariedade (leia-se crítica). Adiante.


As camadas de verniz caem sempre, por mais que essas pessoas jurem a pés juntos que gostam de nós, que nos admiram, etc etc etc. Portanto, nem sempre aquilo que parece, é.

Li este post e concordo inteiramente, naquilo que me é dado aceitar interiormente, como pessoa que sou e sabendo aquilo que sou, afirmando aquilo que sei sentir por quem me rodeia. Às vezes também me engano e reconheço que me enganei. Os afectos podem passar por gostar mais de mousse de chocolate do que de baba de camelo, e aquilo que eu pensava que era um afecto incondicional com duas faces, deixa de o ser quando me apercebo que mais do que está em causa, é por vezes, aquilo que fica em jogo quando o outro se sente atacado pois não entende o que foi dito. A grande maioria das pessoas tem uma baixíssima auto-estima, e não quer aceitar uma crítica ao mesmo tempo que grita a plenos pulmões que quer sinceridade e transparência. A amizade para estas pessoas clama por aprovação, nem que andem a comer merda às colheres.

O ser humano é o maior cão do diabo se o pretender ser. Não existem pessoas completamente boas nem completamente más. Existem as chamadas zonas cinzentas por onde juízos de valor e afectos andam de mãos dadas e cruzam-se em escadas rolantes. Por vezes, apenas se cruzam e seguem caminhos opostos.


Exemplos disto temos todos nós nas nossas vidas, todos os dias: os colegas de trabalho que cravam facas nas costas enquanto se riem para toda a gente, amigos que deixam de se relacionar porque não gostam da cara-metade do amigo, amigos que não aceitam críticas, amigos que têm blábláblá mas que na pior hora não nos atendem sequer o telefone, etc etc etc. E a dada altura das suas vidas, acredito piamente que se juraram amizade eterna, ou que disseram que adoravam mesmo trabalhar com aquela pessoa. Eu sei, já me aconteceu a mim, um pouco de todas estas situações. O melhor é seguir caminho, com algum amargo de boca, num sorriso algo forçado. Para além de tudo isto, as pessoas crescem, as pessoas mudam todos os dias, e acompanhar esse crescimento é muitas vezes difícil. Se as pessoas não mudam, as suas vidas com certeza que sim. Talvez por isso, amigos de infância deixam de sê-lo.


Não é fundamental dizer-se a alguém, a um amigo, que o "amamos".


A autenticidade não reside nas palavras, escritas ou ditas, mas sim no valor que sabemos que essa pessoa tem para nós e nós, para essa pessoa. O resto é um big big bullshit. Vivemos dias em que toda a gente quer cultivar a palavra amo-te e adoro-te e acaba por não ser nada daquilo.

O amor anda subvalorizado nos dias que correm, mas as palavras andam na boca de toda a gente. Tenho uma grande amiga que lhe chama leviandade, o "adoro-te" a toda a hora. Tenho uma outra que admite que não é pessoa que goste de ter grandes demonstrações de afecto. Eu gosto de demonstrações físicas de afecto, abraços e tal, mas só os dou a quem os quer receber, e só àqueles de quem realmente gosto. Não sou de dizer "amo-te" e "adoro-te". Se algum dia o disse a alguém, é porque o senti realmente, sabendo que não existem estradas sem retorno. Como disse antes, também eu me engano.


As pessoas, em geral todas, sabem sentir quando são importantes para alguém, ainda que a outra pessoa não o tenha dito, tal como sabem distinguir quando não o são, muito embora a outra pessoa afirme a pés juntos que é uma "grande amiga de x".


Por isso, não é grande pecado amar-se alguém, gostar incondicionalmente de uma pessoa sem nunca lho ter dito. Não existe urgência na demonstração verbal dos afectos. Não quando as pessoas se conhecem verdadeiramente, não quando sabem os demónios interiores que ocupam determinados espaços na vida de cada um.




p.s.: dedico este post aos amigos a quem nunca disse que os amo. ehehehehe. eles sabem quem são.



sexta-feira, 20 de março de 2009

Is it friday already?









Descobri esta semana que sou muito mais apaixonada pelo que faço do que aquilo que julgava.




- Posso fazer-lhe uma pergunta?
- Sim...
- A ......... gosta daquilo que faz?
- Eh... sim, claro, gosto... porquê?
- Ah, nota-se que sim... há pessoas que fazem o mesmo e não gostam... a gente nota. A gente não é estúpida.
- Pois... quer dizer, não é fácil... há dias maus e mesmo cansativos... vocês não são nada fáceis, tu sabes...
(silêncio)
- Sabe... eu não ia nada com a sua cara no início do ano, mas depois fui conhecendo-a melhor e curto-a bué... e tem mesmo jeito pra isto...


(continuámos o trabalho que estávamos a fazer)


Não se trata de reconhecimentos do chefe, nem de promoções, nem de aumento de ordenado. Não se trata de colegas, de darmo-nos bem ou mal ou apenas da única forma que me sei relacionar com colegas e isso implica não haver grande intimidade. Trata-se disto mesmo. E enche a alma.



Ando inchada desde ontem.






terça-feira, 17 de março de 2009

Jornalistas e ministros (e seus assessores)

No sempre fantástico We Have Kaos In The Garden


A polémica toda aqui.

(Talvez seja isto que Sócrates pretendia com o termo "choque tecnológico"... será? Eu estou chocada, é um facto, e tanto magalhães e tempo a mais entre mãos daqueles que deveriam governar, só podia dar nisto.)

Eu não sei deveras quem é o mais despropositado, descortês, obtuso e boçal: se o post, se o comentário, se a jornalista, se o ministro. Não sei quem foi ao mar e perdeu o lugar, quem chegou fora de horas e estava deslocado, quem é que fumou onde não devia e deixou de fumar entretanto (não foi num voo fretado??? Ah não, era mesmo num restaurante, desculpem).

Abstenho-me de todas estas matérias. Numa, sou bastante incisiva: quem lhes pagou a viagem fui eu. Eu e mais uns quantos milhões de portugueses.

Venderam-se mais uns magalhães cheios de erros (com certeza!), fez-se mais uma viagem, uns almocinhos e jantarinhos à maneirex, e tudo a comer com o patrocínio dos contribuintes.

Se depender de mim, para a próxima viagenzinha, fazem o belo do piquenique e comem no chão. Com formigas e tudo. Assim já podem ser todos amigos, sem lugar marcado e diz que disse e parvoíces e queixinhas à maneira da escola primária. "Sra professora, aquele menino bateu-me com o magalhães!!!!!!"






* senhores dirigentes da CGTP: ao invés de passearem pelas ruas da Avenida da Liberdade em Lisboa e depois dizerem "ah e tal, fomos 200 mil na rua", acordem para a realidade e tomem a Bastilha duma vez! Com o sr. Primeiro-Ministro em Cabo Verde e o sr. Presidente da República na Alemanha... era limpinho! Pensem nisso...

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"Descobrir a careca"

Podes enganar alguns durante o tempo todo
Podes enganar todos durante algum tempo
Mas não consegues enganar todos para sempre.


Sempre gostei desta frase, ajuda-me a não perder a fé na justiça e na verdade.
Aqui a palavra fé (e seu conceito) entenda-se como exercício de esperança à descoberta de uma verdade não alheia a todos os que se entendem injustificadamente como seres humanos.
Alguns não são. Têm grandes dedos e grandes frases e grandes pedestais e grandes teorias e grandes vidas e esquecem-se da aplicabilidade das mesmas.

Em suma, são chatos e são os últimos a percebê-lo. Pior, são burros e acham que os outros é que são.

A justiça de que falo constrói-se de raíz, e chega a todos, mesmo àqueles que não têm berço nem chá nem educação nem se esforçam ao menos um pouco por tê-lo.
Permitimos essa falta de verdade na inoperância, no destrato e pior, nas desculpas que vamos fazendo, com alguma compaixão, de tais seres que confundem silêncio com esquecimento.
Verifica-se e aplica-se.

Eu nunca me esqueço.

Nunca.
Não quando há mentiras pelo meio. Pior, tiros no pé.




Depois de carecas a descoberto, passo à frente. Não interessa, porque nunca interessou. Simples.



E alguns de nós havemo-nos sempre de rir bastante desses tiros.

domingo, 15 de março de 2009

My name is Grey, M.Grey

Também se arranja Scrubs
You are most like Carla, the nurse. You are very kind and loyal to your friends and would drop dead before listening to anyone's crap. People view you as a very protective and strong individual.
Elaine!!!!!!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Barbie - ou o mito da loira burra








A boneca mais famosa do planeta faz hoje 50 anos.




Nunca tive uma Barbie. Desconheço os motivos pelos quais a minha mãe nunca me presenteou com tal oferenda num qualquer aniversário ou Natal, suspeito talvez por embarcar naquela conversa pro-feminista típica das mulheres emancipadas da década de 60, que a Barbie é uma boneca que apela ao lado fútil da mulher, magrinha com medidas surreais, vestida a matar, maquilhagem comme il faut, qual femme fatale dos sonhos mais húmidos de um Ken presente no precoce imaginário subtilmente erótico da mente de uma criança, demasiado adulta e inteligente para embarcar nestas coisas próprias da feminilidade absurda feita de pó de arroz e saltos agulha. Submissa e muito loira, talvez a Barbie não fosse o estereótipo feminino que a minha mãe desejaria que povoasse a minha ambição e projecção no futuro, ainda que dinheiro não lhe faltasse, bons carros, um namorado giraço, um apartamento, amigas giras como ela (sem dramas e borbulhas como as minhas amigas) e nada que fazer o dia todo, já para não falar do par de protuberantes (pois) sapatos (claro) cor-de-rosa que ela sempre usou. Para além disso, a Barbie era uma miúda toda virada para os desportos com personal trainer, cabeleireiro, equitação e tardes inteiras na piscina e health club.

Querias? Eu também...

Gostava de ter tido uma Barbie. Acho-a uma boneca adorável, bonita, feminina e não vejo mal algum em se gostar de toda aquela futilidade cor de rosa que envolve a nuvem mágica do mundo Barbiesco. Para além disso, uma mulher há-de ser sempre uma mulher, e tal como quase todas, eu adoro cabeleireiros, roupas, cosméticos, maquilhagem, perfumes, e de todas as mariquices que nos fazem gastar uns extras ao fim do mês e que fazem os mais que tudo "abrir bem a pestana" e sorrir frente ao espelho. Tal não interfere nas despesas que fazem de mim um ser mais inteligente; comprar um shampoo da Kérastase é uma felicidade tão maior quanto comprar o último livro do Lobo Antunes (ele diz que é mesmo o último, o ultimozinho) e ambas conseguem coexistir livremente dentro de mim.


Confesso que às vezes apetecia mesmo ter uma vida como a da Barbie. Tudo cor-de-rosa, a começar nos sapatos, um namorado com ar de parvo a rir-se sempre para nós, o dia inteiro sem fazer nenhum, ter uma silhueta de top model e ainda assim comer aqueles doces todos, estar metida no ginásio e no cabeleireiro, ter amigas giras sem borbulhas nem problemas nem dramas nem lágrimas e todas as distâncias e saudades encurtadas por um jacto particular... ((suspiro)) e quem contariar isto está a mentir descaradamente.


segunda-feira, 2 de março de 2009

Os sonhos e projectos da nossa vida anterior





Faça você também Que
gênio-louco é você?
Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia





É incrível a capacidade que o ser humano tem de se reinventar, separando o trigo do joio. Explico: tudo o que achávamos que sempre nos acompanharia, como um plano secreto e divino, infalível e seguro, pode dar, por vezes, lugar a outro sonho que acompanha a nossa própria mutação/metamorfose ao longo dos dias. A teimosia de nos repetirmos até à exaustão algo que desejamos para nós, mas na certa previsão da impossiblidade de alcançar o "sonho", apenas poderá dar lugar a algo que já não tem razão de existir. Provavelmente, nunca teve. Pode dar lugar ao vazio e à clara percepção de que "it wasn't meant to be", à desistência, ao abandono. A partir daí, pode ser a frustração total ou a tal capacidade de reinvenção. Vermos mais além, vermos o todo, "the all picture".




O comodismo das facilidades do nosso século novo permite-nos, muitas vezes, não discernir o que pode ser uma meta de realização pessoal, pois nunca há tempo para pensar no que fazemos e se nos faz realmente felizes. Muitas vezes, entre a segunda-feira e o domingo passa-se uma semana feita de um quotidiano sem margem para loucuras e a rotina instala-se em semanas todas elas iguais. Pessoas que vivem a mesmíssima história todos os dias da sua vida, sem nunca saírem do seu lugar, sem andarem nos sapatos de outros, sem se darem uma oportunidade real de viverem a plenos pulmões. De fazerem o que querem, de cumprir sonhos, de amar incondicionalmente, de se olharem ao espelho e gostarem do que vêem.




Da capacidade de se conseguir ver algo que esteve sempre presente, mas que nunca foi muito óbvio, apenas depende de cada um. Algo que pode ter estado sempre à nossa frente, mas nunca declarado. Algo oculto apenas permitido num momento de pura lucidez, num rasgo de loucura, numa antítese deliciosa entre o real e o sonho.

É um exercício, ele próprio, de busca, de fé, de se saber um pouco louco e um pouco sábio, de se dar o benefício da dúvida, de conseguir perceber o que se quer, afinal.


Isto pode ser válido para o sonho de uma vida em prol de uma carreira, pode ser válido para uma grande paixão, pode servir para a mudança que se impõe a partir de dada altura, pode ser o motor de arranque de forma a valorizar os aspectos mais importantes da nossa vida, pode ser o encararmo-nos no espelho e gostarmos daquilo que vemos.



E pode acontecer a qualquer momento, a qualquer idade.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Animais como Nós

Há coisas inexplicáveis, coisas que nos fazem ver a vida através de outro olhar que não o nosso, e no entanto, somos nós que vivemos dentro da pele dessa outra pessoa que pensávamos que não existia.

Coisas como este quiz, esta insónia e esta música "Street Lights". Logo eu, que não gosto do Kanye West. Não me sai da cabeça, esta música. A culpa é da Anatomia de Grey.

Amanhã é segunda-feira.
Amanhã é dia de trabalho.









You're The Animals!

You're just a soul whose intentions are good. You are praying for
some understanding, but somehow you seem to know already that it's not going to come
through. You wouldn't have thought that a mere house could ruin your life, but now
you don't even look forward to the sunrise anymore. With all this ruin, you think it
might be time to go on some sort of tour. You've got to get out of this place, if
it's the last thing you ever do.



Take the Animal Quiz
at the Blue Pyramid.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Post da Semana - Avacalhar o Sistema







Toda a gente sabe que a blogoesfera já não é o que era. Mais política, institucionalizada, demasiado séria, deixou de ser um antro que acoita a selvajaria anónima - ou melhor, esta ainda mexe, mas de uma forma envergonhada, a coberto do barulho das luzes dos jornalistas, cronistas e opinion makers em geral. O que não é necessariamente bom. Porque, se é certo que a blogoesfera se democratizou, alargando-se ao povinho –temos agora o político e a sopeira, a professora e o reformado, a puta e o magistrado - nem por isso é sinónimo de maior e mais desenfreada liberdade de expressão. Se calhar, por sermos hoje menos anónimos do que ontem, acobardamo-nos e abstemo-nos de mandar para a coisa da tia, ao tipo que conhecemos na apresentação de um livro ou à gaja que nos foi apresentada numa festa. Está demasiado bem-educada, a blogoesfera, muito certinha e mainstream; respeita-se sempre a opinião dos outros, por mais cretina que seja; replica-se, treplica-se e dissecam-se imbecilidades. Há até quem ouse criar regras de etiqueta e normas de comportamento, e que pretenda a criação de entidades que cuidem da sua aplicação. Que se fodam. A quantidade de hate mail que recebo decresceu consideravelmente, o que me desgosta: desprezar idiotas era um dos meus passatempos favoritos. No início, isto era uma alegre chafurdice, porque éramos poucos e íamos todos aos mesmos sítios: as sopeiras comentavam os políticos; os jornalistas respondiam a tarados, as doutoradas metiam-se com os trolls – alguns em nome próprio, outros nem tanto. Hoje, as águas estão separadas; há pouca pica, maldadezinha ou veneno puro e a imprensa, quando fala da blogoesfera, limita-se a fazer eco de si própria. Estou de tal modo à míngua que, no outro dia, nos comentários do Blasfémias, uma das poucas bloggers que ainda mantém a tradição dos primórdios em roda livre (saravá, zazie!) chamava-me “aquela barbie monga da maresia” (fartei-me de rir). Ah, que lufada de ar fresco! A blogoesfera precisa disto, de algum descontrolo, de alguma raiva à solta, de não se levar tão a sério (e de que os outros não a levem tão a sério); precisa de vernáculo, de caralhadas, de inimigos jurados, de gente a fingir aquilo que não é, de personagens de ficção, loucas hilariantes, deprimentes, ou apenas que incomodem. Já não há pachorra para a bengalada queiroziana, para o com a sua licença, vossa excelencia é um asno. Acho que vou ali criar um blogue anónimo para avacalhar o sistema e já volto.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009




Anda por aí um desafio na blogosfera muito interessante, que consiste em descrevermos a nossa vida e aquilo que somos através de temas musicais de uma banda apenas. Decidi abraçar o desafio e responder com temas de Morrissey/Smiths. Não é uma banda ou autor demasiado óbvio naquilo que me diz respeito. Não é a escolha lógica, como seria uma Cat Power, mas a vida faz-se de escolhas pouco óbvias.

Right?


1. És homem ou mulher? Girl Afraid


2. Descreve-te. Bigmouth Strikes Again / I Am Two People


3. O que pensam as pessoas de ti? First Of The Gang To Die


4. Como descreves o teu último relacionamento? You Know I Couldn't Last


5. Descreve o estado actual da tua relação. Is It Really So Strange?


6. Onde querias estar agora? Back To The Old House


7. O que pensas a respeito do amor? Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me


8. Como é a tua vida? My Life Is An Endless Succession Of People Saying Goodbye


9. O que pedirias se só pudesses ter um desejo? Please, Please, Please, Let Me Get What I Want


10. Escreve uma frase sábia. The World Is Full Of Crashing Bores



* considerem-se "desafiados" todos os que por aqui passarem. Podem deixar mesmo na caixa de comentários.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Acordar assim a um Domingo...















Tudo por vezes pode ser muito mais do que nada se lhe dermos a importância adequada. Perspectivar situações está apenas na nossa mão, bem como a direcção que queremos seguir.

E há coisas estupidamente anormais e pessoas absolutamente fantásticas. Basta olhar para tudo como se tivéssemos de novo dois anos de idade para que esses contornos sobressaltem de entre tudo o resto que simplesmente está a mais.

Eu diria que há inutilidade dentro de um tempo que se desperdiça se quisermos que assim seja. E felizmente, há também, horas felizes.

sábado, 24 de janeiro de 2009

private joke of the day II

... jÁ diZia o GRAnDE eça...
"é a base, é a basezinha..."









De Psicologias da Treta




De Psicologias da Treta




De Psicologias da Treta






a beleza pode ser um estado de leveza de espírito e de forma de apenas saber estar.
diria eu de saber amar. de saber aceitar.
pode ser um estado a transparecer tudo o que vai cá/lá/aí dentro e que se reflecte naquilo que se vê. que vemos. que os outros vêem. que apreciamos. que somos. ou não.

a velhice é somente um estado de alma mais ou menos cagada.
desculpem: CANSADA.



p.s.: ---------------------------------------------------------------------- )))))

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Da opinião pública ou da importância de se ser do Contra

"Ainda tenho esperança que os professores queiram ser avaliados e que o problema de facto seja apenas a forma como se decidiu que seria feito!
A verdade é que esta classezinha (sim, ao longo dos tempos esta classe foi ficando "pequenina"!) parece não apresentar alternativas, mas apenas contestar.

Infelizmente, e com algum desgosto por já ter sido um deles, sei que muitos morrem de medo e perdem o sono só de pensar que possam ser avaliados! É sinal de consciência, conheço uma professora de português que não sabe distinguir entre "há" e "à" - é normal que perca o sono. Era fazer uma razia e passar esta gente a pente fino. Mas podia começar-se por avaliar as Escolas Superiores de Educação de onde saem estes génios (e as universidades também) para percebermos como se forma um professor de Língua Portuguesa que não sabe regras básicas da sua língua materna!
Há aí muito professor que gosta do ensino mas já não quer dar aulas. Ponham esses a candidatar-se a avaliadores apenas e só, para que todos tenham tempo de fazer o seu trabalho.
Antigamente havia inspectores que apareciam nas escolas sem avisar. Parece-me que podia ser uma boa alternativa! Cena de ditadura?... Talvez, se calhar uma ditadurazita fazia melhor a esta cambada que esta democracia!
E já me alonguei muito..."

Nota: este comentário está assinalado e linkado para a gaveta onde normalmente etiqueto e "arrumo" esta malta porreira de pêlo na venta. Sim, eu sou daquelas que rotula. Obrigada.





Acabei de ler este comentário a um post num Blog dum gajo que diz que não sabe muito bem como é que foi avaliado enquanto aluno. Pelo teor do dito post, a mim parece-me que o senhor gajo dono do Blog está de acordo com o método de avaliação imposto por este Governo Sócrates, ainda que reconheça que não está por dentro do assunto.

Este comentário que transcrevi é duma senhora gaja.

Coloquei a etiqueta "este é o meu novo eu" porque o meu "velho eu" já teria mandado àquela partezinha (sim, no diminutivo). Tipo à merda, estão a ver?

Ora bem, a mim, que só me pronuncio passionalmente a favor ou contra algo que conheça a fundo, ou que me diga respeito directa e pessoalmente, faz-me espécie este tipo de comentário furioso, pejado de emoções fortes, bem ao estilo de varina de mercado (depois assumem-se como urbano-depressivos ou coisas assim meio forinhas), incompreensivelmente pueril, na medida em que as pessoas até têm uma certa idade, mas assumem, infelizmente, os ignorantes que são e o quão triste é pertencer a uma geração que fala muito bem de cor e em repeat mode da merda que têm em casa e dos disparates que os papás dizem. Normalmente o que move este tipo de atitude do CONTRA só porque é cool remar contra a maré, é uma profunda frustração em relação aos seus próprios empregos: ou porque ganham mal, não se aguentam com o ordenado ao fim do mês, ou vivem em casa dos paizinhos e não têm jeitinho nenhum para as coisinhas que fazem a que chamam emprego/ocupação/whatever. Uma coisa é certa: existe demasiado ódio neste tipo de discursos e pior: falam em praça pública do que desconhecem.

No outro dia ouvi um comentário de um senhor que dizia que por cada voto de um professor que este Governo PS perde, ganha mais três da população. Dá que pensar: então mas os professores não fazem parte da população? E não seria melhor que fossem ler os estatutos ou, sei lá, ler a legislação(?) assim só naquela de se informarem antes de dizerem disparates? E realmente a fazer as contas, não existirá praticamente mais nenhum partido político a não ser o Socialista em quem votar. Com tanto voto!!! Até porque a única questão com que o povo se debate é estar CONTRA os professores! Mais nada interessa! Sim senhor! Ah valente! Finalmente um partido interessado em varrer essa escória da sociedade, esses bandidos, essa gentinha, esses nojentos professores! Patifes pá...

Uma coisa é certa, e para que se saiba, pois este Blog é público e serve muita gente que, ao contrário das minhas opiniões, pode ter uma opinião errada e infundada por acreditar em parvoíces de gente frustrada e ignorante deste tipo: sempre houve avaliação nas escolas. Os tais inspectores que a rapariguinha cita continuam a visitar as escolas por diversos momentos ao longo do ano lectivo, os quais constituem aquilo que se designa por inspecção pedagógica. Todos os professores sempre foram avaliados. E sempre hão-de ser.

Levanto uma questão: se isto é assim tão errado e se os professores aos olhos de muito boa gente são uns calões do caraças, será que são TODOS??? É que de entre mais de 120 mil que protestam, os que restam são muito poucos... será esta classe assim tão pouco profissional e baldas? Serão assim tão incompetentes?


Já a minha avó dizia: cada um nasce para o que nasce. Importante é gostar daquilo que se faz. Eu faço a minha parte, adoro fazer o que faço, acima de tudo, e gostava de ver toda a gente feliz a fazer aquilo que melhor sabe fazer. Claro que uns há que não têm jeito para fazer nada, nem nasceram com um talento especial, mas claro que esses são aqueles que não sabem sequer o que é que cá andam a fazer.


Há coisas que me fazem sorrir por dentro. A ignorância dos outros, por exemplo. Um pouco como o Toy, no fundo....

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

"malhação"

Ontem foi o meu primeiro dia num ginásio.
Há mais de dois anos que não fazia exercício regular de espécie alguma.
Voltarei ao assunto quando as dores musculares aliviarem e me permitirem articular algo de simpático relativamente a isto.




*paguei três meses adiantados para não cair na tentação de não lá voltar.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

private joke of the day

#$%&%"#$%&&%#$%&?"#$&&$$%&)/)%#%&(?==(/&%$!!!!



- Como é que te chamas?
- Báurebura.
- Inglesa?...
- Não.... mônguolóideeee....





nós só queremos ver o Porto a arder, o Porto a arder, o Porto a arder.....



What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

Expresso

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Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...