::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


domingo, 16 de maio de 2010

Falência


::rua 1º de dezembro::lisboa::



terça-feira, 11 de maio de 2010

Da Hipocrisia...




Lembro-me sempre do triste episódio ocorrido numa Feira do Livro em Braga, aquando da apreensão dos livros que tinham na capa esta imagem de Courbet, sempre que alguma espécie de hipocrisia me chega aos ouvidos ou "bate à porta".

As pessoas falam de Educação, sem no entanto perceber muito bem afinal o que é o conceito de Educação. Apontam o dedo acusatório e atiram a primeira flecha sem que os contornos do pecado sejam muito claros, e em última instância, o "culpado" é sempre aquele que se limita a fazer o seu papel de agente da Educação, e nada mais do que isso. Tanto pais como professores erram nas suas funções; ninguém é perfeito e nada nestas palavras deve ser lido unilateralmente. O papel de professor não se finda na leccionação, tal como o papel de pai não se finda na gestão de afectos ou disciplina. Todos ensinam algo um pouco fora do seu âmbito. E é aqui que se entra em terreno perigoso.

Existem pais que exigem dos professores tudo aquilo que eles não lhes podem dar em casa; existem pais que apenas se lembram que são pais na altura em que (raras vezes) se dirigem à escola; existem pais que acham que educar um filho é somente alimentá-lo, vesti-lo, fazer-lhe uma festinha antes de se deitar e comprar-lhe as tretas que ele quiser. Concluindo, existem pais que se demitem da sua função de Educadores. Tal como os professores, a família tem um papel como agente da educação. A mais importante. O pai que falha como pai é sempre o que se dirige à escola para insultar o professor. Hoje em dia, infelizmente, é assim. Existem, contudo, professores que pensam que ser professor é usar do autoritarismo próprio de quem sabe que tem o poder, e fazer disso a sua melhor ferramenta no auxílio do processo ensino-aprendizagem; por outro lado, também existe o reverso da medalha: professores que deixam de ser professores, o veículo máximo de transmissão de conhecimento, para passar a ser o "melhor amigo" ou confidente, e imiscuem-se na vida dos alunos, sem pudor ou bom-senso.


Acredito (e isto é a minha opinião pessoal) que não cabe ao professor educar no âmbito da SEXUALIDADE, mas a ele cabe-lhe desmistificar alguns conceitos e promover acções informativas. Educar para os Afectos. Educar para o Respeito e promover a Igualdade entre raças e sexos. Não cabe ao professor catequizar (sorrisos) qualquer CONFISSÃO RELIGIOSA - vivemos num Estado Livre e Leigo, embora com fortes influências judaico-cristãs. Finalmente, não compete ao professor instigar pensamentos de cariz POLÍTICO aos seus alunos. Cada um, portanto, deverá ser LIVRE, usufruir da Liberdade que lhe é dada no Estado Português e definir o seu caminho, dentro da liberdade de escolha que lhe assiste, como Ser crítico, que teve a sorte de nascer num país ocidental que lhe confere plenos poderes para pensar, agir e sentir como bem lhe aprouver.


Os papéis subvertem-se quando pais fazem tristes figuras como as que aconteceram em Braga, e quando professores fazem tristes figuras como a da professora de História de Espinho. Tudo errado e tudo ao contrário, na minha perspectiva. Infelizmente, estamos ainda muito longe do caminho certo, em que Família e Escola deveriam ser entendidos como fundamentais nesse fantástico processo que é o da Educação. Vivemos o nacional-porreirismo da permissividade em que alguns pais "compram" os filhos com gadgets tecnológicos e, ou porque, não têm TEMPO para eles, bem como o do ensino para a mediocridade promovida por alguns professores, porque afinal não era bem aquilo que queriam ser e foram apar ao Ensino de pára-quedas. 

Afinal de contas, é muito mais "fixe" ser amigo do que ser pai ou professor. Pelo menos, agradar e ser complacente não dá tanto trabalho como ensinar.


Nota: no dia em que quase toda a nação portuguesa olhar para esta pintura de Courbet e conseguir ver mais do que uma "barbaridade", "obscenidade" ou "falta de princípios morais", e entendê-la como uma obra de Arte, talvez estejamos no caminho certo...



She's Lost CONTROL

A propósito dos últimos devaneios virtuais.


segunda-feira, 10 de maio de 2010

domingo, 9 de maio de 2010

This world is full of SHIT!

Actualmente passo muito tempo sem vir ao Blog (não é falta de tempo, apenas equacionei prioridades e o Blog tem ficado para trás), e confesso que é uma parte da minha vida da qual tenho algumas saudades. Um dos meus leitores mais cáusticos é o HL aka Metamorphosis e, também, um dos meus preferidos (entre muitos, que já me habituei a ter por aqui e que são parte da minha vida real, como a Sofia ou o Nuno). Não é meu amigo pessoal, nunca nos vimos pessoalmente, mas é alguém que, como eu, é do Contra e volta e meia diz-me aquilo que eu estou a precisar de ouvir. Como ultimamente me disse que estou a ficar mole, que já não escrevo, "já não espalho o terror". Estou armada em "conas".

Este Blog, para além de ser parte de mim, ganha vida própria quando quer. Não faço moderação de comentários, não apago comentários, nunca o fiz e penso que não o farei. Não vejo necessidade disso, pois considero que quando alguém é deselegante (no mínimo) e diz uma ou outra coisa menos simpática, para mais se se esconder por detrás de um nickname, é porque não tem a dignidade suficiente para mo dizer na cara ou enviar um mail. Falta de coragem, maturidade e infantilidade. Acho engraçada a dinâmica das caixas de comentários. Diverte-me. Não é mais do que o feedback daquilo que se escreve. Já me disseram tanta, tanta coisa nessas caixas. Comecei a escrever em Blogs fará este ano em Setembro, cinco anos.

Aqui, fiz bons amigos, e soltei boas gargalhadas. Também conheci pessoas "estranhas". Ainda as vou conhecendo. Este Blog sou eu, mas não apenas eu. Sou o reduto daquilo que acho que os outros gostariam (ou não) de ouvir, tal como se faz nos consultórios de psicólogos e psiquiatras. Quem faz terapia há-de saber melhor do que eu. Não sou psicóloga nem psiquiatra, e nunca fiz terapia ou tive depressões. Noutras palavras, posso até ser uma grande maluca doida varrida, mas não estou diagnosticada.  Nunca tive distúrbios mentais de ordem alguma, não mais do que a grande maioria das pessoas ditas normais, até porque gosto de pensar que sou normal. Conheço muitas pessoas com esses distúrbios e, por norma, aborrecem-me um bocado e não lhes chamo amigos. Há quem seja racista, há quem seja xenófobo, há quem seja comunista, há quem não goste de comunistas... eu simplesmente não simpatizo com gente de "distúrbios". Não se pode gostar de toda a gente.

Isto sou apenas eu e as minhas opiniões, um lugar de lugares-comuns, um lugar de polémicas, de diz-que-disse. Há pessoas que vêm aqui parar cheias de opiniões, outras cheias de ódios, cheias de muita coisa boa e má que não conseguem extravasar nas suas vidas reais. Só assim eu explico a quantidade de comentários que aqui escrevem A METRO, que me fazem pensar "ok, isto é só gente maluca mesmo". 


Na caixa de comentários do post abaixo li algumas coisas que me fizeram pensar que provavelmente passo a imagem de ser uma gaja fútil, cheia de tretas, cheia de hipocrisias socialmente aceites. Não sou e sei que não sou. Não entendam isto como explicação do que quer que seja; quero que entendam o que se segue como o DEDO NA FERIDA, ou os DENTES NA JUGULAR. Juntei dinheiro para fazer uma viagem na Páscoa para um sítio quente, onde não morresse de paludismo e a paisagem fosse bonita, onde se comesse BEM, COM A PESSOA QUE AMO, porque sinceramente trabalho para isso e porque nos APETECEU. Também não precisava de ir para lá pois vivo no PARAÍSO e podia perfeitamente fazer férias em CASA, onde tenho a vida que escolhi e gosto. Cada um vai para onde QUER, e eu entendo que se não critico as escolhas de vida dos outros, não aceito que critiquem as minhas. Parece inveja, sinceramente parece, desculpem lá. Dor de corno ou de cotovelo. Depois li isto: cliquem aqui por favor. E percebo uma data de coisas. Percebo onde mora a frustração, a raiva e uma data de coisas que as pessoas sentem e demonstram da pior maneira possível. Vêm parar a blogs e acham-se no direito de deixar nas caixas a merda que lhes vai na cabeça. Sim, a MERDA dos preconceitos e dos moralismos apenas porque foram enganados e traídos e acham que toda a gente que comete um erro é alguém muito mau, que não tem princípios. Em suma, são pessoas muito desconfiadas que vêem a vida a preto e branco, e calculo o Inferno que fazem às pessoas que têm de partilhar casa e cama convosco. 


Às Malus e outros que habitam espaços reais connosco no Mundo, mas não têm os cojones (vá, colhões) para encarar a vida de frente, e para aceitar outras experiências de vida e, sei lá, crescer com isso, ter outra perspectiva e acham que as suas opções é que são muito correctas e cheias de virtude, eu tenho algumas coisas a dizer: graças a Deus EU ANDEI COM UM HOMEM CASADO, pois assim pude errar, sofrer, cometer erros e crescer com eles, mas acima de tudo, porque tinha essa opção. Tentar a minha sorte, arriscar. Porquê? Chamem-lhe piegas, mas porque me apaixonei. Não, não tinha 30 e tal anos, tinha mesmo 20 e poucos. Se pudesse voltar atrás faria o mesmo? Não, se eu pudesse voltar atrás iria à procura da pessoa com quem estou hoje, e já agora, SE a minha avó tivesse rodas era um camião.

Pasmem-se: tenho amigas que caíram no mesmo erro. AHHHHHH PECADORAS!!!!! Olhem uma delas até andou com um gajo casado e que tem um filho! Pois é. Pecadoraaaaa!!!!!! PUTAAAAA!!!!!! Quem mais sofreu no meio destas histórias de amor e desengano? A mais das vezes, são as pessoas envolvidas, os pecadores, os enganadores, precisamente porque a vida não nos dá fórmulas para resolver as coisas que encontramos pelo caminho. Com filhos ou sem eles. Às vezes as pessoas separam-se, às vezes não, às vezes ficam juntas, e outras ficam com as "amantes". Ou com os "amantes". As "outras" ou os "outros". Às vezes ficam todos sozinhos, e às vezes quando acordam e vêem que escolheram a pessoa errada é tarde demais. 
É a vida. Shit happens.

Portanto, a essas pessoas que acham que têm muita moral, que têm bons valores e os melhores princípios, apenas vos digo que a nódoa cai no melhor pano. Eu pude errar, no alto do meu livre-arbítrio, aos 20 e tais. Provavelmente, não o voltarei a fazer, mas não sei. Ninguém sabe. Sou ateia, portanto não acredito no fogo eterno, não me tira o sono. Vivo a minha vida de forma feliz e descontraída, sou feliz ao lado da pessoa que amo. Acredito na monogamia, é certo. Isso também é ser socialmente aceite. Não teria paciência ou tempo para ter mais do que uma pessoa. Acredito que não se escolhe quem se ama, por isso acho que tive e tenho MUITA sorte, pois não é um cretino cheio de merda e preconceitos na cabeça. Não foi um acidente de percurso e não vivo à espreita da felicidade dos outros. Percebo que isto incomode muita gente, cause grandes transtornos, e suscite muitas más línguas. Já estou habituada. 

Tenho é nojo de pessoas que se acham o supra-sumo da moral, ética e bons costumes. Sabem que mais? Não tenho vergonha absolutamente nenhuma de o dizer, já sofri que chegue e já fiz a minha penitência, já foi há tempo suficiente para não me envergonhar de escrever sobre isso. É pena é que existam pessoas que andem tão cegas que se esqueçam que ainda lhes pode acontecer, não é só aos outros; vivem as suas vidas de forma tão cega que se esquecem que o seu querido ou querida cônjuge traga na bagagem semelhante história de traição; que provavelmente a sua irada opinião sobre as pecadoras e pecadores TRAIDORES!, seja tão cega que o outro tenha MEDO de contar o seu passado. Isso é muito triste, mas sinceramente estou-me a CAGAR. Vivam a vossa vida miseravelmente na sombra dos vossos preconceitos, escudem-se nos filhos que têm aos 28 anos (WTF?!?! Quem é que quer saber disso??) e no facto de terem casado às escondidas (que cena mais parva, sinceramente!!! Isso prova o quê? Que não querem fazer uma festa com os amigos e a família??). Não me venham é com conversas de merda sem me conhecer  de lado nenhum, porque isso eu não admito. 


Foi o meu percurso de erros, casos com pessoas erradas e enganos que me trouxe até aqui, onde estou hoje. E ainda tenho muito pela frente. O que me interessa é o que está cá dentro, e tenho muito orgulho nisso, principalmente porque não faço segredo dos meus pecados. Vir aqui tentar fazer-me sentir culpada é que dá vontade de rir. No mínimo. 

sábado, 1 de maio de 2010

Ataque pessoal, mania da perseguição ou... publicidade meio parva?





Não é a adulta dentro de mim que se revolta ao ler esta merda, é mesmo a adolescente que:

1 - não saía muito à noite
2 - vestia-se de preto, cinzento e bege
3 - nunca gostou de ouvir música muito alto e não teve uma guitarra
4 - não tinha namorado, logo não beijava em público e se beijasse era mais às escondidas
5 - se dormisse ao "relento" (quem é que diz ou escreve "relento"??? Os brasileiros!?!) o meu pai dava-me uma carga de porrada que havia de ser bonito
6 - achava que não podia, não devia, que tinha vergonha de tudo e de todos

an so on...


Isto reflecte a triste imagem de dois clichés absurdos: um, de que os adolescentes são todos iguais, e o outro, de que os adultos também são todos iguais. Já agora, que somos todos muito espertos e livres e cool quando somos putos e depois crescemos e tornamo-nos uns chatos. A verdade é que quando somos putos, temos borbulhas, maus penteados e ninguém gosta de nós, ninguém nos compreende. Depois crescemos e as coisas nem são assim tão diferentes, mas melhoramos o nosso aspecto e a cultura geral.
Claro que há a malta tipo Morangos Com Açúcar, mas esses são uma minoria.

Ainda bem que eu não compro esta ideia, porque felizmente não me revejo nela. Em nada. Assumo a minha pose de "chata", não apenas como adulta que já não tem paciência nem circunstâncias de vida e sobretudo VONTADE de querer fazer coisas que fazia há uns anos, mas também como de adolescente que nunca se reviu na imagem cool ou era muito popular ou tinha o estilo de vida que se deduz na publicidade em causa.

Sinceramente, não sou a adulta chata que a publicidade descreve, tal como a maioria dos adultos que conheço não o é, mas também não sou a adulta meio tonta que a publicidade sugere no fundo que sejamos, muito "à frente", até porque seria impensável ter o mesmo tipo de vida que tinha quando era uma estudante académica.

Não é uma questão de idade, é somente uma questão de atitude. 
Sobretudo, de saber viver com as opções que se tomaram na vida e de saber aceitar a mudança.


Se eu não gostasse tanto de Sumol de laranja...


What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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