::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


Mostrar mensagens com a etiqueta tretas do outro mundo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tretas do outro mundo. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Músicas e Álbuns da Minha Vida - Sete Mares





"Sete Mares", Sétima Legião, in Mar D'Outubro


::uma nova rubrica, um novo parágrafo, uma história, todas as histórias. falar de música(s) nos dias que correm é um acto indissociável de se pertencer a uma esfera/grupo/estereotipo/patamar intelectual/status whatever. basta para isto constatar páginas e páginas de facebook/hi5/myspace/blogs de tantas pessoas que por meio da arte de outros afirmam a sua própria individualidade e sentido de pertença ao enquadrar-se num estilo e não noutro, ser fã de algo, fazer menção a alguém ou a um grupo.

de todas as músicas que posso afirmar gostar, nem todas me marcaram, e é disso que sempre falo quando digo que gosto ou oiço isto ou aquilo. porque me marcou ou teve algum significado especial para mim. fosse uma fase de vida, de estado, de paixão, de descoberta, de surpresa, de depressão, fosse algo que me abrisse estados de alma, estados de estar, estados até mesmo de ser.

não podia deixar de começar com uma das mais antigas, das primeiras, das de sempre, das do tempo em que tinha uma irmã mais velha que me abria um mundo de canções que não as dos Onda Choc ou dos êxitos antigos em vinyl dos meus pais. o mundo das cassetes, o mundo dos gravadores, aquele em que se gravavam as nossas músicas preferidas a partir da rádio, a fazer pontaria ao momento em que o locutor deixava de falar ou começava a falar, mesmo antes de acabar a música. era o mundo da década de oitenta, das brincadeiras de rádio, que um dia seria a sério, eu é que não sabia...

até hoje, posso afirmar que os sétima legião são a minha banda preferida na língua de camões, e não serão muitas as que operam o milagre de abrir portas dentro duma memória de elefante como a minha. esta música, particularmente, envelheceu com a graça que só a intemporalidade lhe deu, como um bom vinho ou uma peça vintage, o vestido de casamento da mãe, uma jóia. porque só algumas coisas possuem a virtude de permanecer intactas no tempo sem se tornarem cansativas ou vulgares.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

"Too fast to live, too young to die"




Pergunta: o que é que aconteceu a este rapaz, durante toda uma madrugada, em Almancil, essa terra de sobejamente conhecidos machos, para estar com as calcinhas em baixo? "Alguém o tentou ajudar"?? Ajudar?

Destaque para a mensagem linda que o rapaz tinha na camisola. Há coisas fantásticas, não há?


terça-feira, 20 de outubro de 2009

A melhor série de sempre desde House M.D.: Dexter





Para começar, tem o melhor genérico de sempre.
A seguir, tem uma fotografia de EXCELENTE qualidade. Impecável.
É de uma cadência saudável e ritmada, ou seja, é convidativa a ser desfrutada com calma, com tempo. Dexter dá-nos tempo suficiente para pensar no que estamos a ver, e cada temporada é um todo bem marcado. Existe um objectivo, existe um propósito, nada é deixado ao acaso. Nota-se que é uma série feita com algum "amor". Não existem peças soltas, não existe desleixo, é metódica, tal como a personagem.

Tem uma particularidade única em relação a outras séries: é subversiva, ainda que não declaradamente. Sim, a personagem de House também é subversiva, mas pensemos bem: existirá algum médico com a genialidade de House? Existirá alguém assim tão brilhante, e ao mesmo tempo tão cheio de peculiaridades, tão desprezível como House? Existirá algum médico anti-herói, de ego tão grande a ponto de se comparar a Deus, que afirme que faz o que faz apenas pela ciência? Eu acho que não. Aliás, tenho quase a certeza. É irreal, e ao fim de algum tempo, aquela personagem cansa um pouco. Confesso-me cansada de House. Mesmo depois de sair da ala psiquiátrica do Hospital. Mas basta de House, foquemo-nos em Dexter. Uma personagem que desejamos não existir, mas que ao mesmo tempo desejamos que existisse. No fim, alguém que sabemos poder existir, mas bem longe de nós. Confunde-nos. Afinal, quem é Dexter Morgan? Um analista forense, um perito em sangue, no tratamento de crimes passionais (ou não), alguém que sabe o efeito de um salpico de sangue de uma perna quando retalhado por uma lâmina ou uma moto-serra eléctrica, alguém que sabe o quão terrível pode ser a mente criminosa, ou não tivesse ele... uma mente criminosa. Sim, é um psicopata que nos faz ter simpatia por um psicopata, daí a subversão. Simpatia, sim, simpatia a sério, gostamos dele, achamo-lo um justiceiro, alguém de quem teríamos medo, se não conhecêssemos a sua história. Porquê um justiceiro? O rótulo é-se-lhe colado pela nossa sempre presente necessidade de justificar tudo o que é mau, e que queremos fazer parecer bom. Dexter mata, mas não à toa: ele mata criminosos, ele limpa Miami dos homicidas que fugiram à Justiça, ele corrige os erros que o Sistema não conseguiu eliminar da sociedade. A verdade é que existe uma verdade por trás do código de conduta de Dexter: ele tem realmente uma necessidade de matar. Ponto. Um serial killer, como aqueles que vemos noutras séries (Criminal Minds ou Profiler) e que não nos detemos a achar que são doentes mentais, peças dispensáveis na sociedade.

Esta série centra-se no pensamento da personagem principal; a toda a hora ouvimo-lo, os seus desejos, os seus medos (um serial killer tem muitos medos), os seus demónios, estamos dentro da sua cabeça e antecipamo-lo nas acções (às vezes, não de todo!) e, por fim, justificamos o hediondo que Dexter consegue ser. Não há termos científicos caros, não há teorias estranhas, não existe estranheza, tudo é estranhamente "normal" em Dexter. Podia até mesmo ser o vizinho simpático que nos carrega o saco de compras ou o colega de trabalho simpático que nos abre a porta com delicadeza, alguém que consegue ser agradável, educado, que nos dá os bons dias, alguém que luta por ser "normal", mas que em nada é "normal". Cada detalhe, cada pormenor, cada hora do seu dia, cada gesto e cada "sentimento" por cada pessoa que da sua vida faz parte, tudo é forjado, tudo é calculado e ensaiado. Tudo, mas mesmo tudo, em prol de proteger a única coisa que o faz vibrar e viver: matar.


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pormenores do meu quotidiano com bastante interesse

Estes gajos fazem-me feliz todos os dias (sempre que tenho hipótese de os ouvir).




O mérito é todo de: Patricia Castanheira com Susana Romana; Fábio Benídio e Alexandre Parreira (textos) e vozes de António Machado e Manuel Marques - os senhores que aparecem no vídeo e que "personificam" as vozes de Cavaco Silva e Francisco Louçã.

Pormenores do meu quotidiano com algum interesse




Gosto disto. E há já muito tempo que não havia algo de que gostasse realmente.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

"a maior super-estrela austríaca depois de Hitler"







Despir Borat e vestir Brüno
por João Antunes, in Jornal de Notícias




O actor britânico Sacha Baron Cohen conseguiu despir a figura de Borat, a que parecia ligado para sempre e em "Brüno" torna-se um jornalista gay austríaco. O filme estreia depois de amanhã em salas de todo o país.

Como o tempo passa. Já foi há três anos que um filme, com o estranho título de "Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan" se tornou um dos grandes sucessos da temporada, permanecendo seguramente como objecto de culto para as próximas gerações.

Como todos se recordam, o filme centrava-se na personagem de Borat Sagdiyev, um repórter daquele novo país asiático, que era enviado para os Estados Unidos, com o intuito de fazer um trabalho sobre o maior país do Mundo, mostrando-se, no entanto, mais interessado em localizar Pamela Anderson, para a pedir em casamento.

O tipo de humor do filme, "politicamente incorrecto" até à medula, desbragado, inconveniente, baixo - no bom e no mau sentido -, fazendo exactamente aquilo que se esperava que nunca viesse a fazer, era uma pedrada no charco, num género normalmente mais comedido, e que de certa maneira perdera a capacidade de provocar, de abalar consciências, que deveria ser sempre um dos grandes objectivos do humor, no cinema e fora dele.

Perante tamanho sucesso, perguntar-se-ia para onde poderia caminhar o homem por detrás do sucesso do filme, Sacha Baron Cohen. Pois a resposta aí está, para já num cinema perto de si, a partir desta quinta-feira, um dia antes da estreia nos Estados Unidos. A seguir a Borat, temos Bruno, depois de um repórter do Cazaquistão, temos um gay austríaco ligado ao mundo da moda. O humor e o estilo são reconhecíveis: é o mesmo Sacha que nos delicia, nos escandaliza, que nos faz pensar que não é verdade aquilo a que estamos a assistir!

Bruno é o apresentador de um programa televisivo austríaco sobre moda, intitulado "Funkyzeit". Um problema com um dos seus episódios leva-o a ser despedido, fazendo com que parta para os Estados Unidos, perseguindo o sonho de se tornar "a maior super-estrela austríaca depois de Hitler".

Passar por cima de Arnold Schwarzenegger, "conterrâneo" de Bruno e hoje governador da Califórnia, é a primeira provocação do filme, explicada seguramente pelo facto do antigo Terminator se bater arduamente contra o casamento de homossexuais. Naturalmente, que o facto de Bruno ser homossexual não é inocente, no contexto "dramático" do filme, não sendo seguro que a comunidade gay, seja em que país for, possa vir a gostar da forma como é aqui representada. Mas a provocação - no bom sentido - quando chega, é para todos!

No resto, "Bruno" tenta repetir o dispositivo narrativo de "Borat", embora a surpresa, para nós espectadores e para quem ele encontra no filme, não possa ser a mesma, depois dos episódios que aconteceram com a personagem anterior. Mas se dissermos que entre as principais "personagens" do filme se encontram vários acessórios sexuais, já estaremos a revelar muito…

Sacha Baron Cohen não é americano. É inglês, o que explica muita coisa. Foi lançado com a personagem de Ali G, protagonista de uma série de Televisão onde entrevistava várias pessoas ligadas ao combate ao crime, apesar de se mostrar mais favorável aos ladrões e criminosos, e que teria também direito a uma versão cinematográfica. Apesar da especificidade do seu humor, a tradição britânica está naturalmente presente. E fica justificada a sua estranheza no território americano. Estranho, no sentido de estrangeiro. Mas, mais uma vez com Sacha Baron Cohen, o humor não tem fronteiras.

Eu devo ainda acrescentar a este notável artigo de João Antunes que não considero o filme como muitos provavelmente o verão linearmente, como uma anedota ao mundo gay, mas sim precisamente uma enorme sátira à homofobia que subsiste ainda nos países do dito primeiro Mundo, como os EUA. Pessoalmente, foi a primeira vez que me sentei numa sala de cinema e ri-me do primeiro ao último minuto. Se cada minuto tem sessenta segundos, em todos eles houve surpresa, choque e o reconhecer de um génio, não apenas criativo e polémico, mas também um brilhante actor. Isto sim, é sétima arte.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Descubra as diferenças XI

[o momento que se segue é da exclusiva responsabilidade dos intervenientes]



#1





- o que é que aprecias mais numa mulher?
"o sorriso... que tenha os dentes todos..."
"espanholas... brasileiras... as de leste...."



#2





"bata mais dez"
- o que é que aprecias mais numa mulher?
"a vibe..." o que raio é a váibe?
(ele gosta de sinceridade... mandem-lhe a Susan Boyle)
"E-s-t-r-e-m-o-z"


Olhem, como diz o outro do PNR, "do mal o menos", ainda consigo ter uma certa preferência pelo Cristiano Ronaldo, pois consegue ser melhor no que faz, é menos chato, fala menos e é mais humilde (se bem que humildade é coisa rara para aqueles lados).


É impressionante verificar como a Matadinho pode, sei lá, parecer extraordinariamente atraente (ou não) quando està à conversa com o Angélico Vieira, tal como pode parecer uma idiota quando fala com pessoas que tenham um Q.I. bastante superior ao de uma alface (perceberam a lógica certo?).


Primeiro há que desmistificar isto de "ser atraente": o meu conceito de atraente é diferente do conceito de atraente de outras pessoas, como é evidente, mas é brilhante fazer a comparação quando em causa está aquilo que nos atrai, seja o físico, seja o intelectual. Pessoalmente, sinto-me mais atraída pela Carla Matadinho quando esta está à conversa com o Angélico Vieira (vídeo #2), e sinto uma estúpida repulsa pela modelo quando esta está à conversa com o Fernando Alvim (#3).



Curiosamente, a Matadinho, esse animal sexual de perguntas tão profundas do tipo "gostavas de ser humilhado quando eras pequenino?" pode parecer uma freira quando dá entrevistas como esta. Ora aqui está uma namorada ideal para o Angélico.


Indiscutível é a minha preferência pelo Daniel Oliveira. Mas isso sou eu, que gosto deles "sensíveis" e de olhos bonitos. Desculpa lá Alvim... tu és mau. ahahahah...


#3


quarta-feira, 13 de maio de 2009

Marli, uma Coisa do Outro Mundo

Eu pensava que já tinha visto e ouvido tudo o que de pior o ser humano pode conceber, e ainda assim conseguir chamar-lhe "arte", até à noite passada em que ouvi isto e percebi que há um mundo imenso a descobrir. Ou não.

Há quem lhe chame a Bjork brasileira.








* gosto particularmente da "evanessença"

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Marley & Me







A dog has no use for fancy cars, big homes, or designer clothes. A water log stick will do just fine. A dog doesn't care if your rich or poor, clever or dull, smart or dumb. Give him your heart and he'll give you his. How many people can you say that about? How many people can make you feel rare and pure and special? How many people can make you feel extraordinary?













Desenganem-se os que pensam que Marley & Me é "apenas uma comédia", ou "mais uma comédia". Não é apenas nem mais uma. Desenganem-se aqueles que pensam que o melhor deste filme é arrancar umas boas gargalhadas às custas de todo o Inferno causado pelo Marley aos donos. O "pior cão do mundo", ou "cão em saldos", como eles próprios o designaram, é portador de toda a desgraça inconveniente no pior lugar e na pior altura. Tudo isto acontece durante o filme e certo é que a gargalhada fácil surge, tal como o reconhecimento de uma relação e de uma vida que gira em redor de sonhos e planos por cumprir e realizar, tal como na casa e na vida de todos nós. Desenganem-se os que julgam que o Marley é especial, um cão especial, um cão excepcional, um amigo sem igual.

O Marley é apenas uma peça de um puzzle por vezes complicado, por vezes delicioso, ora fácil, ora infernal, chamado vida e, muito particularmente, este Marley lembrou-me todo o amor que senti e sinto e sempre irei sentir pelo meu "melhor/pior cão do mundo". O Marley lembrou-me que todos os cães são especiais e excepcionais e parte fundamental da nossa vida quando os amamos, pois são da família.

Para além de não ser apenas uma comédia, este filme obedece a um rigor de ternura inigualável, pois não é apenas um filme sobre cães ou apenas uma comédia, como disse no início. Eu nem sequer gosto de filmes com cães, acho-os sempre um exercício de ridicularização do animal em si.

É um retrato de toda a saudade e amor que um ser humano é capaz de sentir por um companheiro de quatro patas. É a demonstração inquestionável que existem laços fortíssimos entre um homem e um cão e a prova de que as relações interpessoais são sobrevalorizadas.

Acima de tudo, este filme fez-me lembrar porque gosto tanto de cães, porque sou "a dog person". Lembrou-me todos os motivos pelos quais sonho ainda em ter um cão e toda a vontade do mundo de ir buscar um cachorro e ensiná-lo, mas também, porque tenho tanta relutância em voltar a ter um, e não me refiro à destruição da mobília da casa.


Mais não digo.

O filme é excelente. Desenganei-me bastante com este Marley & Me. E fartei-me de chorar.


terça-feira, 24 de março de 2009

The Watchmen





Rorschach's Journal. November 12th, 1985: Dog carcass in alley this morning, tire tread on burst stomach. This city is afraid of me. I have seen its true face. The streets are extended gutters and the gutters are full of blood and when the drains finally scab over, all the vermin will drown. The accumulated filth of all their sex and murder will foam up about their waists and all the whores and politicians will look up and shout "Save us!"... and I'll whisper "no."











Um filme que considerei não ver devido a todas as circunstâncias e mais algumas, mas uma fã confessada da série Smallville, e depois de O Cavaleiro das Trevas, deixei o meu cepticismo completamente para trás no que concerne a filmes sobre super-heróis. Isto não são apenas filmes sobre super-heróis. Isto é ficção da melhor qualidade, passada sublimemente para o grande ecran. Ainda me sinto esmagada com o poder deste filme.

A banda sonora é irrepreensível e o genérico do filme fez-me pensar que só aquilo já valia o dinheiro do bilhete. A cena do assassinato do Comediante confirmou aquilo que viria a pensar no final de mais de duas horas e meia de filme: que cada segundo e cada minuto seriam saboreados como algo de precioso, digno de ser visto outra e outra vez. Em suma, soube a pouco como só as grandes obras são capazes de fazer sentir este mal estar com um relógio demasiado apressado.

Apenas e não somente isso: poderoso.

Aqui uma das melhores críticas sobre o filme. Aqui, o trailer.
















segunda-feira, 23 de março de 2009

Best Comedy EVER!






... e mais digo: o trailer não faz minimamente jus ao filme.



Brutal. Só mesmo visto, porque contado... quando pensamos que nada daquilo pode acontecer, acontece mesmo. Crescer é por vezes muito, mas muito aborrecido, e este filme lembra-nos isso mesmo.




sexta-feira, 6 de março de 2009

Imaginação do caraças



... quando for grande quero ter um gato kitsch...


aqui







domingo, 1 de março de 2009

Post da semana - Voltando à Vaca Fria





voltando à vaca fria

Lendo a blogoesfera, temos por um lado os que acham que aquilo foi um arremedo de censura bacoca; por outro, os que acham que a PSP não tinha obviamente a obrigação de conhecer Courbet nem de saber que aquilo é "arte", pelo que a sua intervenção foi, digamos, legítima, pois visou evitar uma espécie de mal maior. Neste último caso, quem assim pensa fá-lo com sobranceria, como se tivesse descoberto a pólvora, demonstrando compreensão para com os pobres pais de Braga, coitados, imaginando-os a taparem os olhos esbugalhados dos Carlinhos e dos Manelinhos que, no remanso domingueiro, foram de repente confrontados com a crueza de um pipi no seu estado natural, tão diferente daqueles rapados a cera das brasileiras das casas de alterne que os papás seguramente frequentam. Coitados destes e coitadinha da PSP, que nunca foi ao Museu D´Orsay e que só tentou conter a calamidade pública que se adivinhava. Estes, os que insinuam ter muito mundo e perceber das coisas, e que vêm o Portugal profundo das suas tocas à Lapa e à Graça com vista para o Tejo, os que acham que Sacavém é outro país, são os que não fazem a mais puta ideia da profunda ignorância e estupidez das polícias da província e do modo como condicionam a vida das populações e de como são um factor efectivo de não-progresso. Mas eu entendo que, quando o mundo se resume à internet e à fnac do Chiado, não se saiba que o país é quase todo ele a periferia de uma enorme província, e que mesmo à beirinha de Lisboa haja milhares de pessoas que não sabem ler. É claro que esta gente vê mal a coisa, mas os outros não a vêem melhor. "Censura" coisa nenhuma; não atribuam à nossa pobre polícia tamanho pathos, por favor! Eu explico. Por cada “ocorrência” a que um polícia assiste, ele levanta um auto que fica arquivado na esquadra respectiva, caso não dê origem a um processo, por exemplo crime ou contra -ordenação. Ora, eu já li muitos autos. Quanto a este, e pelo que vislumbrei da imagem que apareceu na tv, nem sequer o nome do livro apreendido souberam escrever: escreveram "Pornografia", em vez de "Pornocracia" - e para ler uma palavra polissilábica não é preciso ter um curso de história da arte, apenas o ensino básico. Estes pequenos pormenores são reveladores e eu adoraria ter lido todo o auto, de certeza que encontraria verdadeiras pérolas. Como já encontrei nos inúmeros autos das várias polícias que ao longo dos anos me foram passando pelas mãos. Desde o cão perigoso que era de raça “rotguilas” (em vez de rottweiller), à arma do crime, um chicote que, na descrição técnica do graduado de serviço era “tipo piça de boi”, pequenos exemplos da mais rematada ignorância e falta de formação das nossas polícias, a todos os níveis. Como polícias de trânsito que escrevem mal as marcas dos carros que nem sequer conhecem, que não sabem o que é um GPS, que confundem um motociclo com um ciclomotor (distinção fundamental para encaixar num ou noutro tipo de crime, por exemplo) e que dizem “iamaia” referindo-se a uma Yamaha. Isto como profissional, porque depois, como cidadã, tenho o reverso da medalha: polícias que me quiseram prender porque eu disse educadamente que não concordava com a autuação de um pai que estacionara mal para ir, num minuto, entregar o filho bebé à escola num dia de chuva; e que, quando eu lhes perguntei “mas o senhor agente vai lavrar isso em auto?”, me responderam, “Eu não lavro nada que não sou lavrador, sou agente da autoridade!”; polícias que mandam parar um carro novo para lhe testarem os faróis, cegos para os tunners que passam ao lado a acelerarem os carros quitados; que mandam parar uma mãe numa familiar às seis da tarde num bairro residencial movimentado e a obrigam a retirar todas as cadeirinhas, sacos, cobertores e restante parafernália toddler só para lhe verem o triângulo. Tudo dentro da legalidade mas tudo profundamente estúpido, mesquinho, um abuso de poder, do poderzinho pequenino que lhes é conferido para, essencialmente, poderem chatear o cidadão pagante. Gente que não tem a menor noção do que é o serviço público, do que é servir o público. É por isso que acho uma desgraça, que um graduado qualquer que caiu de pára-quedas no centro de Braga, mesmo que (naturalmente) nunca tenha ouvido falar em Courbet, não tenha parado um momento para reflectir, não tenha tentado chegar à fala com o comandante, ou com o comandante do comandante, ou com um MP ou um juiz (sim, eu sei: estão vocês a pensar que não é garantia de upgrade na escala evolutiva, mas quanto mais não seja levaram com um curso superior em cima, mais uma data de estágios, por muito pouco mundo que também tenham), e que, cheio de medinho (porque aquilo foi mais medinho que outra coisa: miúfa, é o que vos digo, de que os paizinhos de Braga partissem logo ali para a ignorância: é que ia livros, ia livreiro, ia clientes, ia cona, ia tudo, que aquela gente do norte não é para brincadeiras… vejam lá quantas portagens eles pagam!). E isso é que é triste - que, perante a ignorância, não tivessem tentado informar-se em vez de fazerem de imediato um juízo de valor que descambou no lapsus calami que foi a troca do nome do livro; e que, perante a ameaça de desacato, tivessem preferido apreender o dito, porque assim acabavam-se os problemas. E é esta gente que nos multa, que nos guarda, que supostamente nos protege, que não sabe lidar com as pessoas nem com as situações, que não sabe nada de nada, que não tem a humildade de se informar e de tentar saber, que se verga perante os mais fortes lá da terra (os pais de braga, os padres, os autarcas), e que faz usualmente disparate quando há qualquer tentativa de exercício da mais normal cidadania por parte dos contribuintes. Esta é a questão, e é isto que é trágico. O resto é barulho das luzes e gente a falar do que não sabe.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

6 + 8 = que é o mesmo que dizer "AH VALENTE!!!"

Tinha tudo para ser uma história feliz, mas está a dividir a América. O parto de oito gémeos, todos vivos, gera ódios à medida que são conhecidos pormenores da vida da mãe dos bebés, já com seis filhos, divorciada e desempregada. Várias ameaças de morte obrigaram Nadya Suleman - a mulher que deu à luz os oito bebés, no final de Janeiro - a esconder-se em "parte incerta", segundo o seu porta-voz.



Li isto e fiquei entre uma gargalhada incrédula e um sentimento (nada agradável) de pena por esta mulher. Poderão as vozes da reacção insurgir-se contra este meu sentimento de pena, alegar que ela teve os bebés porque quis, etc, e até há quem lhe tenha feito ameaças de morte(?), mas a verdade é que deve ser PENOSO ter tantos filhos e não saber como é que vai conseguir sustentá-los. Poderão dizer que Nadya Suleman é inconsciente e aí terei de concordar, porque das duas uma: ou é inconsciência ou é loucura.
A verdade é que as crianças estão cá fora, a verdade é que apesar do desespero, alguém há-de sempre ajudar estas pessoas a criar os seus filhos, nem que seja a pobre da avó.
"Sinto-me mesmo muito cansada por tomar conta das seis crianças e é preciso que ela pense numa forma de resolver isto", afirma, acusando a filha de nunca ter cumprido a promessa de ajudar nas despesas. A avó das crianças ressalva, contudo, que Nadya é uma "boa mãe", embora "obcecada por bebés", e atribui essa obsessão ao facto de ser filha única. Nadya já terá recebido propostas para escrever livros, dar entrevistas pagas, fazer anúncios publicitários e apresentar programas televisivos.
Cada um com as suas obssessões e loucuras. Se é condenável alguém querer ter filhos a este ritmo, e nestas condições, é uma hipótese que considero, obviamente, mas acho que não justifica ameaças de morte por parte de quem não tem nada a ver com o assunto. Ondas de ódio porquê?
Ainda estou a pensar no número... 14 - CA-TOR-ZE é muito.
AH VALENTE!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Perspectivar


A rapariga na imagem chama-se Katie Kirkpatrick, de 21 anos. Ao lado dela está o noivo, Nick, de 23. A fotografia foi tirada pouco antes da cerimónia de casamento dos dois, realizada a 11 de Janeiro de 2005, nos Estados Unidos. Katie tem cancro em estado terminal e passa horas por dia a receber medicação. Na imagem, Nick aguarda o término de mais uma destas sessões. Apesar de todos os pesares, decidiram levar avante o seu casamento.



















Katie morreu 5 dias após o casamento. Esta história corre pela Internet e as fotografias venceram um concurso americano de jornalismo.
São histórias como esta que fazem parar para perspectivar tudo, porque dão realmente que pensar no que somos, no quão frágil é a vida e na quantidade de vezes que desperdiçamos os momentos que temos ainda pela frente, seja para amar, sofrer e lutar. Para viver.


terça-feira, 9 de dezembro de 2008






::fotografia de kevin carter::1960-1994::


On 27 July 1994 Carter drove to the Braamfonteinspruit river, near the Field and Study Centre, an area where he used to play as a child, and took his own life by taping one end of a hose to his pickup truck’s exhaust pipe and running the other end to the passenger-side window. He died of carbon monoxide poisoning at the age of 33. Portions of Carter's suicide note read:

"I am depressed ... without phone ... money for rent ... money for child support ... money for debts ... money!!! ... I am haunted by the vivid memories of killings and corpses and anger and pain ... of starving or wounded children, of trigger-happy madmen, often police, of killer executioners...I have gone to join Ken if I am that lucky."

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

Expresso

Publico.pt Última Hora

Visão

Tretas que morreram de velhas...

A Treta Mora ao Lado...