::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


sexta-feira, 16 de maio de 2008

Pensamento do(s) Dia(s)... e esqueletos do ofício



"Senhor, dai-me sabedoria para entender alguns colegas, porque se me dais força, parto-lhes a cara!"




What can I possibly say?...
Há dias assim. Semanas. Interminavelmente aborrecidas e extenuantemente gritantes. O Inferno são mesmo os outros. Colegas de trabalho, neste caso. As noites e finais de tarde a compensar as manhãs. E algumas tardes também absolutamente execráveis (esta palavra lembra-me um colega que me disse certa vez:

"Ana, fui ver ao dicionário aquele termo que usaste no outro dia."
"Qual?" perguntei
"Execráveis"
Silêncio
"És mesmo má..."
"Porquê?..."



Os subentendidos que os entenda quem conseguir lá chegar.
Há profissões tramadas, sobretudo aquelas que têm a componente humana e relacional como sendo parte do seu quotidiano, a todas as horas. Seria incapaz de ter um daqueles trabalhos de gabinete, é certo, mas não coloco de parte acabar assim os meus últimos vinte anos de carreira. Seja ela qual for. Admito que, e isto, sem ponta de regozijo pessoal, a minha profissão é assaz esgotante e desgastante no que concerne a troca de pontos de vista, em que todos julgam ser os máximos conhecedores relativamente a qualquer assunto. Seja uma teoria académica, seja a vida da vizinha do lado. Ou da colega do lado.
Existem os baldas, existem os teimosos, existem os presunçosos, existem os "velhos", máximos doutos e existem os novos, maçaricos armados em campeões. Existem os chatos, aborrecidos, teóricos e líricos, existem os idealistas utópicos e existem os desinteressados. Existem os que não abrem a boca pra nada e existem os que abrem a boca pra tudo. Existem os que se borram de medo das chefias e existem aqueles que, tendo uma posição hierarquicamente mais elevada que o resto dos grupos e demais colegas, assumem cristas de galos empoleirados. Os que têm a mania e os que não têm espírito.
E depois há o pior: as reuniões, que são aqueles momentos lindos em que toda esta gente se reúne a debater coisas como o próprio nome das coisas. Uma hora a falar do mesmo. Uma outra meia hora a divagar sobre meia dúzia de coisas que só interessam ao próprio e outra arrastada meia hora a falar de algo que vai ser alterado, porque as alterações são constantes e ainda nos vêm com as tretas da estabilidade e qualidade etc etc etc num enorme e redondo etecetera a perfazer duas horas de quase nada, que é afinal o que nós temos em excesso nos nossos locais de trabalho: conversa da treta que não resolve nada. Papéis, muitos papéis, quase tantos como os cargos. Burocracia feita pelos amantes do atraso e arrastamento do processo...
Em resumo e porque não há muito mais que falar sobre o assunto, as pessoas cansam. Todos incluídos. Muitas palavras desnecessárias, muitos gestos a denotar que somos muitos ao mesmo. Intromissões e conflitos de personalidade. Falhas no equilíbrio natural da evolução dos relacionamentos. Alguns safam-se, mas a grande maioria começa a desconhecer cada vez mais o significado da palavra "parceria" ou "companheirismo". Em conclusão, posso bem considerar-me uma pessoa de sorte; deixo sempre o meu grandessíssimo mau feitio à porta da instituição de trabalho e tenho encontrado boas pessoas no meu percurso, mas dá sempre uma enorme vontade de rir todas as diferenças gritantes que nos separam logo à partida e são nítidas nas interjeições verbais das pessoas.
O que interessa? É que estamos já à beira do fim-de-semana.
(BIG BIG smile)
*dedico este post à minha colega Mila de quem tenho tantas e boas saudades, como pessoa e como colega.

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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