
Certas coisas exasperam-me, tais como a inveja mal digerida no feminino, que se traduz de duas formas: uma delas, é a crítica descabida do corpo da outra. Aquela criticazinha venenosa, com uma pontinha de azedume muito verde, da língua viperina sobre qualquer aspecto menos favorável do corpo de um outro espécime do mesmo sexo, faz-me revirar os olhos.
Fica mal, mesmo muito mal, a uma tipa absurdamente obesa ou absurdamente feia ou absurdamente desproporcionada atacar ferozmente o "nariz torto da Rita Pereira", as "ancas largas da JLo", o cabelo "tratado - e vê-se logo que está cheio de químicos! - da Beyoncé" ou as "rugas (é que tá cheia de rugas!!) da Bárbara Guimarães". Isto, meus senhores, é pura inveja. Se transferida para uma amiga ou uma colega de trabalho, pior ainda. É a p... da má-língua a reinar.
A outra forma, é abordar o assunto indirectamente, pelo ataque gratuito à publicidade, alegando que se faz uso abusivo/exploração do corpo da mulher para fins publicitários. "Coitadinhas das raparigas, ali assim tão expostas a vender um produto qualquer, com as mamas e o rabo e tudo e tudo de fora!" Pois é, coitadinhas das raparigas que ganharam um balúrdio, talvez tanto numa sessão fotográfica como eu ganho num ano! No fundo, esta é uma crítica menos directa, o ataque não se faz às gajas que são podres de boas, mas "à publicidade NOJENTA e MACHISTA!" Sim, porque aquelas coisas saíram todas da cabeça de um homem! E machista, olha o patife...!
Depois, para cúmulo dos cúmulos, são as mesmas pessoas (leia-se gajas) que afirmam que "o corpo feminino é MUITO mais bonito do que o corpo masculino". Há aqui um contrasenso, não? Ora se é bonito, é natural que seja utilizado! Não?!? Esta raça de feministas meio loucas que não pode ver mais do que dois centímetros de pele dá-me a volta ao cérebro, juro. Por acaso eu discordo em absoluto. Porque raio há-de ser o corpo feminino mais bonito? Eu gosto muito mais do corpo masculino, conotações sexuais à parte. Tal como aprecio uma obra de arte, uma escultura, uma tela, um automóvel ou um edifício, também aprecio o corpo humano ou o corpo de um animal. Para mim, o homem é mais passível de ser elogiado e apreciado do que o da mulher. Mas isso sou eu.
Eu? Só tenho pena de não ter o corpinho Danone da Cláudia Vieira, mas não tenho qualquer escrúpulo em atacar a MINHA própria inveja e assumir abertamente um valente "cabra!" quando vejo uma dessas moças na publicidade que nos entra olhos adentro.
Assumo, já agora, que era agradável ver mais homens sem ser no anúncio da Gillette (que já não têm o calibre de outros tempos). Veja-se o caso do Jude Law para a Casa Dior. Aí, provavelmente, as ditas senhoras invejosas já não dirão que é "exploração do corpo masculino". Ah pois não.
Fica a campanha publicitária dos sapatos Eram, que mais do que focar a questão machista/feminista da exploração do corpo feminino, faz uma sátira daquilo que é o tema em si, com grande dose de humor. Pelo menos, é essa a leitura que faço dos anúncios publicitários.
Já agora, fica isto também, que encontrei aquando da minha busca incessante sobre a exploração do corpo masculino no Google.
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