::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


sábado, 2 de maio de 2009

em dia de despir



"As pessoas querem um amor como se fora um relicário e usam-no até que se transforma num electrodoméstico estafado que é preciso fazer substituir por outro relicário. Querem um amor para se vestir de julia roberts, richard gere e, aos dias, vesti-los de cinema fácil e aviões particulares. E fazem estudos cheios de dopamina, primeiro, oxcitocina depois, divórcio, ao fim. Esta falta de quotidiano baralha-me. O encanto da mentira é a mentirinha que diz eu estou a mentir, a encenação que denuncia, maliciosa, a inocência. Todo o prazer profundo tem a raiz na verdade do dia a dia que explode com a perfeição de um poema de Ruy Belo: um dia a dia imperfeito e completamente iluminado por esse outro a quem se ama territorialmente na apropriação apaixonada do corpo, do pensamento, da vida, que de a sabermos tão outra a queremos tão nossa! Sou toda quotidiana, o meu circuito neuroquímico é alternado. Eu não quero um amor para o vestir, quero um amor para despi-lo."



in http://matria-minha.blogspot.com/














Ou o Amor-Ready-To-Wear (em inglês fica sempre mais chic). Às vezes também me apetecia olhar o amor - ou o meu amor (vai dar quase ao mesmo, entre o sentimento e o "objecto de afeição") - como algo do qual tivesse uma expectativa diferente daquela que tenho, ou como se visse a paixão duma forma quase absurda que algumas pessoas comportam na sua vida: com prazo de validade. A paixão, diz-se, nada tem a ver com o amor, são sentimentos diferentes, a paixão perde-se com o tempo, o amor cresce e a amizade cresce e o companheirismo cresce e tudo cresce menos aquilo que nos fez despertar para o amor, que é a paixão. Claro que as pessoas quando falam de paixão não estão a falar de paixão, estão subentendidamente a falar de sexo e tesão e tusa. Pode ter tudo a ver com a tradução da paixão, mas paixão tem tudo a ver com a cabeça perdida, com a cabeça à roda, com pensamentos perdidos, com sexo também, muito sexo também, de querermos ver o nosso corpo perdido dentro do outro.


Ou ando muito enganada, ou para mim falar de amor faz todo o sentido falar de paixão, de sexo, de tesão. Tudo se alterna e tudo se transforma. O corpo, a alma, a cabeça perdida, tudo em desalinho mais uns dias que noutros, tudo dentro do lugar quando há que saber estar no lugar, em conformidade com a própria vida que se atropela e evolui e sai do lugar, pois nada se controla por si só e nada se cumpre a si mesmo sem a soma dos dias que sempre são tão diferentes entre si. Às vezes também tão iguais e tão cheios de rotinas, num apetitoso saber afirmar que temos e gostamos de rotinas, que nos são necessárias.


Posso andar muito enganada, mas não sou a única.
Reinventemo-nos ao despirmo-nos um pouco e ao despirmos o outro dentro de nós. De todas as maneiras possíveis e imaginárias.

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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