O que é que o Facebook tem que o Hi5 não tem?
A pergunta é legítima e impõe-se, pelo seguinte: eu não sei o que é o Facebook (não sei mesmo) e pode até ser por preguiça minha, por sempre esquecer-me dos endereços de mail atribuídos, das passwords, por ter apagado todos os convites de amigos que estavam à minha espera no Facebook (deixa-os estar, pensei eu) mas, acima de tudo, por já ter aderido há mais de três anos ao Hi5 e pensar que seria desnecessário ter duas páginas na Internet com a minha vida lá escarrapachada. A minha vida não é assim tão interessante para o resto do mundo. Para além de tudo isto, ter dois Blogs dá água pela barba e se o Beautiful Losers fosse um tamagotchi, já tinha morrido de sede, de fome, de falta de atenção e de frio. De igual modo, não aderi ao myspace, dado que as minhas telas são muito tímidas e as minhas letras, se dignas de figurar num qualquer espaço virtual, têm aqui o seu lugar no Blog.
Não me considero uma info-excluída, mas não tenho tempo nem pachorra para muito do que diz respeito à Internet. Gosto de ler uns quantos Blogs por aí espalhados, tendo descoberto alguns muito recentemente que fazem parte das minhas leituras matinais e que são uma lufada de ar fresco nos meus dias. Bem-dispostos, cheios de humor, alguns desumores e amores. Bons Blogs. Num deles, descobri isto e daí o mote para este post.
Isto, porque algumas das minhas pessoas preferidas da minha vida supostamente real (às vezes suspeito que estas minhas pessoas preferidas não sejam produto da minha imaginação, confesso) não aderem nem aderiram nunca ao Hi5 por acharem que aquilo tem ambiente de engate, é a palhaçada total, uma orgia virtual. São as mesmas pessoas que aderiram ao Facebook, dizem que é muito mais cool e tal e tal. Eu fiquei na mesma. No Hi5 não existe depravação (a menos que eu queira), não existem convites badalhocos (a menos que eu queira) e ninguém devassa ou faz revelações da minha vida privada (a menos que eu queira).
Por ingenuidade podemos cometer algumas indiscrições da nossa própria vida, num primeiro momento ou num contexto de novidade daquilo que são páginas pessoais, divulgadas na Internet. No entanto, aprendemos. Eu própria aprendi a conhecer os limites daquilo que considero ser do foro público, e aquilo que deve permanecer privado. Seja de que natureza for esse conteúdo. Há tesouros que por considerarmos preciosos, guardamo-los para nós e para aqueles que achamos que os vão, de igual modo, resguardar como seus. Há coisas que não cabem num mundo virtual e há espaços de comunicação que foram ficando para trás, dos dias de antigamente, de um tempo em que atender uma chamada em casa era uma incógnita. Simplesmente, não sabíamos quem estava do outro lado. Uma amizade demorava anos, era uma descoberta a fazer com calma, entre um copo e uma conversa interminável, e os interesses em comum eram uma surpresa muito especial, as músicas e os livros preferidos, onde se tinha tirado o curso ou os pensamentos de cada dia, as angústias e os sonhos de uma vida.
Resta saber se o Hi5 ou o Facebook suprimem toda a solidão da raça humana resumida a fotografias e interesses. Resta saber se o conceito de amizade tal como o conhecíamos irá desaparecer e dar lugar a uma nova geração feita de miúdos que apenas se rotula e se conhece pelo facto de ter os mesmos interesses em comum. Se sou o que sou hoje em dia, a muitos amigos com interesses díspares dos meus o devo, e se fosse apenas relacionar-me com pessoas que tivessem os mesmos que eu, provavelmente hoje seria alguém muito mais pobre, no que teria perdido uma fortuna imensa de pessoas que gostam de coisas que eu detesto, mas que são seres humanos completos naquilo que são por dentro e naquilo que me deram a conhecer e aprender.
