::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Recomeços

Há mais de dois anos foi assim:








...ou o culminar de laços e nós que se querem bem apertados.

é sempre difícil transcrever momentos que acabam por ficar bem marcados nas nossas cabeças, mais não seja porque "até não nos conhecíamos de parte alguma", e de alguma forma, lá nos encontrámos. trocámos olhares, vimos para lá das palavras e dos gestos em forma verbal que discorremos nestas linhas em forma de expressão comunicação sensação... ou porque a amizade também nasce assim.

... estava completamente fora do meu meio, os caos de todas aquelas vidas nada tinham a ver comigo de princípio, eu era simplesmente o peixe fora de água. sem referências. sem o meu ponto de gravidade. a geografia demarca-nos o limite, muitas vezes até mesmo do coração. curiosidade tremenda aliada a uma falta de expectativa, própria de quem tem muito mais à sua espera, própria daquele pequeno nada indicador de último recurso
"terei sempre o resto... as palavras... a vida lá fora"

... os rostos saíram da sombra, da penumbra desenharam-se os contornos feitos de luz, de aura, de encanto, de sorrisos, de gargalhadas, todos abraçados e entrecruzados com nós de gravatas, tentáculos de polvo e sei lá que mais. como em todas as situações, o risco, o limite por vezes até da paciência mortal tão à beira do fim, encontrávamo-nos inexplicavelmente unidos e transportámos a realidade sem rede para o espaço comum. a solidão é algo de tramado e lidarmos com quem não "conhecemos" é termos de passar obrigatoriamente pela nossa própria solidão humana de contacto. por nós próprios, pela nossa coerência, pelo nosso carácter.

... começou à beira do tejo. acabou à beira do tejo. pelo menos, para este peixe que olha o reflexo da água com a saudade própria de quem deixa parte do coração dentro do rio. dentro de cada um daqueles com quem mais se identificou, porque nestas coisas não há, nem tem de haver hipocrisias. basta que todos tenhamos um pouco de cada um dentro de si, filhos dum caos, produtos inacabados da solidão da moderna forma de nos deixarmos prender pelo nó duma gravata. ou de um sorriso.

nota de autor(A): até hoje não sei bem responder à pergunta que alguns fazem agora que regresso ao verbo, que regresso ao sul. como correu? não sei definir nem traduzir o conceito de sucesso ou de fracasso para estas horas, nem sei sequer como é possível que alguém parta com um saco para ficar 3 ou 4 dias e acabe por ficar mais duma semana. foi bom poder estar ali, mas é bom voltar a este lugar de todas as decisões. porque agora sim, há que definir os rumos incontornáveis, continuar a jornada, retirar as conclusões, prosseguir caminho ao sabor da loucura, do momento eterno que trago comigo, encerrado num par de raios de sol que se espelharam nas primeiras horas de madrugadas novas. algo de novo nasce... algo de muito bom.




Dois anos depois............



...das duas uma: ou estou a perder qualidades e o Atlântico fez-me mal à cabeça, ou muito se perdeu pelo caminho. Melhor, se transformou, pois a velha máxima de Lavoisier continua a ser permissa válida neste (e noutros) Blog(s) da minha autoria. Acima de tudo, outras máximas e teorias serão válidas: a do funil, a da demência, ou a de Cohen, aquela em que crescemos velhos e amargos. Seja. Bitterness. Não sei. Tenho saudades de algumas daquelas pessoas que estiveram naquele jantar, de pessoas que estiveram no Incógnito, de outras tantas, nem por isso. Alguns nicks ganharam forma, algumas letras passaram a corresponder a rostos e, até hoje, algumas dessas almas fazem apenas parte da memória daqueles dias em que se blogava, se trocava opiniões, risos e endereços de msn. Algumas caíram na saudade, outras caíram no esquecimento. Algumas ainda talvez passem pelo Psicologias da Treta, outras não. A grande maioria dispersou, como é natural quando as relações não estão cimentadas e naturalmente, seguem o seu curso até à avenida onde não passamos todos de maus vizinhos do mesmo prédio.

Nem tudo fará parte duma vasta maioria, e são essas poucas almas que ficaram e permaneceram na minha vida. É dessas que reza aquilo do qual se continua uma história, que fizeram valer a pena continuar a escrever porque é, muitas vezes, mote de conversas na nossa vida real, e não virtual. Vida real. Daquela em que se pega no telefone sem hora marcada, que se fala sem contrangimentos, e passaram a fazer parte da lista dos necessários, almas sem as quais não consigo passar. O Guronsan chamou-lhes, recentemente num post, "pólos positivos". A Sofia e a Ana são "pólos positivos", sem as quais não imagino a minha vida. São duas irmãs para mim, são duas mulheres que admiro profundamente, de quem gostarei até morrer.

Houve quem, por portas travessas, afirmasse que eu "tenho a mania que sou poeta e que sei escrever" e outras coisas que tais. Reconheço que tenho muitas manias e a maior de todas elas é que não sou (falsa) modesta ou hipócrita. Em suma, sou uma "perfeita convencida de merda". Não tenho objectivo profissional nenhum com a "minha escrita", ou com este blog, isto apenas servirá para mostrar aos meus netos o que o acordo ortográfico fez com a língua e aquilo que a avó deles achava da vida quando era uma miúda à beira de um colapso nervoso. Adiante. Tenho as minhas ideias demasiado cimentadas para me importar com quem não conheço, ou com a opinião de x ou y. Não o faço com aqueles que mais considero, portanto não seria de esperar que fosse pessoa de querer agradar seja lá a quem for. Penso que ninguém pode ser feliz ou sentir-se realizado ou ser mais respeitado quando está mais interessado naquilo que os outros pensam. Talvez a mania que mais tenho é de me ir surpreendendo com as pessoas, seja pela positiva seja pela negativa. Nas últimas semanas, houve quem me tivesse desiludido terrivelmente (quando ainda me conseguem surpreeender pela negativa é bom sinal, como diz a Ana) e houve quem me tivesse surpreendido bastante pela positiva. Ainda que com pequenos gestos, a Iara surpreendeu-me pela positiva. Utilizo o seu nome próprio e não virtual ou fictício de Blog, pois considero-a uma pessoa real, alguém que esteve presente naquela noite, alguém que tem os seus problemas (como toda a gente), tem as suas virtudes e defeitos, alguém que merece ser ouvido, que tropeçou em mim e eu nela, e o nosso início não foi o mais positivo. Pode ser com pequenas coisas, com detalhes, mas eu sou assim mesmo, e a atitude que a Iara teve não é a de qualquer pessoa ou que qualquer um tenha nos dias de hoje: foi humilde, foi humana.

Quase três anos depois daquele primeiro encontro, apostaria mesmo que no próximo Verão talvez nos vejam numa esplanada perto do Tejo, com três ou quatro ou cinco imperiais à frente em dois dedos de boa conversa. Quem sabe, um outro jantar no Gravatas(?)

É que eu tenho esta mania de ainda gostar de me surpreender. E de recomeços.


"Let's Sing Another Song"...

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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