::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


sábado, 14 de fevereiro de 2009

Revolutionary Life










John Givings: Hopeless emptiness. Now you've said it. Plenty of people are onto the emptiness, but it takes real guts to see the hopelessness.

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April Wheeler: Tell me the truth Frank remember that? We used to live by it. And you know what's so good about the truth? Everyone knows what it is however long they've lived without it. No one forgets the truth Frank... they just get better at lying.





Mais um filme de Sam Mendes. Mais um belíssimo filme de Sam Mendes. Poderia falar nas semelhanças que este filme tem com American Beauty, na medida em que é mais uma película que fala da (des)ilusão do sonho americano, de americanos que sonham com a Europa, como se nela viessem encontrar a resposta para todos os seus problemas. Poderia perder-me nos mil e um detalhes que o filme tem, nas suas particularidades, da fotografia lindíssima, do fenomenal desempenho da brilhante Kate Winslet, do espalhafatoso miúdo armado em "actor dramático" Leonardo DiCaprio, da fabulosa Kathy Bates e acima de tudo, um Michael Shannon no seu melhor. A surpreender. Poderia falar no poder dramático do filme, em como a visão irónica, dramática e até porque não(?) ingenuamente romântica, usual de Mendes pendeu desta vez para algo mais pesado e difícil de digerir. Poderia estar aqui durante horas. Não o irei fazer.
Hoje é dia dos namorados e este é um filme perfeito para se ver com a cara-metade. Levanta-nos questões pertinentes como a falta de verdade das nossas vidas, quem somos, quem já fomos, as mil e uma formas de "crescermos juntos" e até onde queremos AINDA ir. Reforço a permissa adverbial pois penso ser a questão fulcral do filme e porque não, das nossas vidas supostamente "reais". O caminho que nos leva a algum sítio não é mais importante que o rumo e as escolhas a tomar no caminho que queremos seguir. Nunca é tarde para se seguir por um atalho.
Não tenho a presunção de me achar mais verdadeira do que seja quem for, os meus conselhos no campo amoroso são uma treta e não tenho fórmulas secretas para "vencer na vida", mas penso que cada um de nós encontra a sua fórmula secreta e vê-se ao espelho como vencedor ou perdedor de algo ou de alguém ou de alguma coisa. Todos, a determinada altura da nossa vida, podemos considerar que em todas as escolhas que fizémos, umas foram as mais acertadas e outras as menos acertadas, mas nenhuma foi a CERTA, pois em todas elas perde-se sempre algo pelo caminho. Em última instância, somos todos "perdedores". Definimos prioridades e agimos de acordo com elas. O resto é apenas ilusão, e muitos de nós repetem-se ao espelho que estão no caminho certo, fazem o controlo de danos mas não controlam coisíssima nenhuma enquanto essa gestão de prioridades não estiver bem assente. A carreira? O amor? Qualquer coisa pode ser digna de ser entendida ou vista como uma prioridade. O resto gira em redor disso mesmo.
Quero com isto dizer que não, eu não acredito que toda a falta de verdade deixasse de existir ou todo o amor por ressuscitar surgisse naquela (a do filme) ou noutra relação (que não seja num filme) apenas porque teriam fugido para Paris ou para a China ou para outro sítio qualquer. As merdas feias como a falta de verdade na vida, no amor ou no trabalho, as desilusões acumuladas ou o ódio latente por algo ou alguém perseguem-nos para onde quer que vamos. A geografia não nos muda a mente nem o coração, muito menos a alma se estiver já vendida ao Diabo. Não se pode culpar alguém por querer fazer melhor, por tentar, por ter a ilusão de que se pode salvar algo que esteja de antemão perdido, mas é apenas uma ilusão. Os atalhos que tomamos e decidimos a qualquer altura da vida devrão ser verdadeiros, não ilusórios.
Poderia dizer que o filme acabou mal. Mais importante, é saber que o filme já começou "mal". Não existem finais felizes para histórias perdidas, com tanta fealdade à mistura. Tanta falta de Amor.




****Numa altura em que considerei mudar de profissão, este filme veio mesmo a calhar. Talvez eu tenha muito mais de Frank do que aquilo que gostaria de admitir, mas a April que vive cá dentro impele-me a perseguir sonhos que permanecem por cumprir. Adverbialmente, AINDA por cumprir.
Numa altura em que sinto que já perdi tanta coisa na minha vida, em todos os momentos em que me sinto fraquejar, em que derramo lágrimas de saudade e de frustração e porque nem sempre ter uma relação feliz é sinónimo de "estar tudo bem", dedico este post à minha cara-metade, que sempre me tem feito sentir que vivemos a nossa verdade, quem tanto amo, e que todos os caminhos tortuosos me fizeram chegar até aqui, até ele.

What can I possibly say?...

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