
A pedido de algumas famílias, e porque não nos podemos desabituar da causticidade latente a reservar para as questões que realmente a requerem, também eu tenho um ardor no estômago quando se fala nisto e trago-vos aqui um meu antigo ódio de estimação, não querendo, de facto, obter qualquer tipo de reconhecimento nestas palavras ou que isto sirva legitimamente para o que quer que seja. Estas palavras não têm qualquer legitimidade. É um facto. Gostos não se discutem. Outro facto. A questão é que eu não gosto do Saramago: escritor e pessoa. E não gosto porquê? Porque é chato. É chato que se farta. Porque é incoerente. Porque é despropositado. Porque é arrogante. Tem a mania que é bom; sinceramente, eu acho que não é. Li metade de alguns dos seus livros porque não consegui acabá-los. Nunca em Blogs falei de livros ou escritores, tanto portugueses como estrangeiros, mas quem acompanha este (ou o Beautiful Losers) de princípio, sabe que sou uma apaixonada por alguns autores portugueses, nomeadamente o J.L.Peixoto ou o grande Pessoa nos seus variadíssimos heterónimos (com destaque para o Álvaro de Campos). Sim, leio muito, outro facto, mas não gosto de mencionar muitos autores porque acho que é uma medida de "blogger armado ao cagalhão para chamar a atenção" e nunca fiz uma apreciação negativa seja a quem for. Salvo esta, agora.
Antes do Prémio Nobel ter sido atribuído, talvez uma pequena minoria neste país tivesse um real conhecimento da obra literária de Saramago. Depois do Nobel, foi tudo a correr às livrarias comprar o belo do Memorial do Convento and so on, so on... ainda que não o leiam (alguém consegue ler aquilo?!?) dizem que "Saramago é muito bom". E instituíu-se que é. Se é Nobel, é porque é. E pronto. Carimbado com o selo autenticado de garantia de qualidade literária.
Valha-me a ideia de pensar que daqui a cem anos a língua portuguesa é ainda referida como sendo "a língua de Camões" e não a "língua de Saramago".
E adiante... aqui não se fala mais em Saramago.
