
Três anos depois de ter iniciado uma viagem blogosférica e o meu percurso algo tenebroso neste mundo virtual, e porque o assunto tem sido abordado nalguns Blogs, impõe-se que escreva umas palavrinhas sobre o assunto. Há que dar relativa importância ao tema, na medida em que os Anónimos andam por aí.
Medo.
Verdadeiramente nunca há completos e totais Anónimos nestes meios, na medida em que por uma palavra ou outra, pela retórica, por uma expressão mais característica, as pessoas acabam sempre por se trair. Na melhor das hipóteses, pelo próprio conteúdo ou circunstância do post comentado. E isto falando, quando conhecemos as pessoas através da Internet, como Bloggers (o que se torna muito fácil descobrir quem são, na medida em que estamos habituados a essa forma de comunicação), ou quando as conhecemos pessoalmente, pelo que é ainda mais fácil saber quem são. Também há aqueles que fazem das nossas vidas blogosféricas as suas próprias, e delas, obsessões. E esses sim, são os verdadeiros Anónimos. Aqueles que nunca interagiram connosco senão pelo anonimato, aqueles que sabem quem somos (ou que pensam que sabem) mas nós não sabemos quem são, nem como virtuais, muito menos reais. Há aqueles que já podem ter ouvido falar de nós, ter-nos visto na rua, ter-nos uma terrível raiva e dor de corno e ou, no caso dos Bloggers que são figuras públicas, nos meios de comunicação social ou em palcos, e são esses, os alvos mais fáceis. Frequento alguns Blogs de figuras públicas mas raras vezes comentei esses Blogs. Normalmente, são os mais atingidos.
Costumo comentar alguns Blogs anonimamente quando me dá na telha, porque normalmente os Donos do Blog sabem quem sou. Denuncio-me com uma frase ou expressão que sei que a pessoa vai imediatamente perceber que sou eu. Confesso que adoro fazê-lo, pois significa que existe um mundo privado para além dos Blogs, private jokes, algo que é paralelo ao que se pode entender como de "toda a gente". Não me importo, portanto que o façam comigo, no meu Blog. Alguns comentários anónimos são bem melhores que o resto que se acha muito Blogger. Gosto da minha Yang e gosto da minha Amiga da Merdunga e do meu Amigo da Merda e do Anónimo Mais Anónimo Não Há que os Outros Dois Etc e Tal e Coiso. Gosto. Desde que tenha piada, eu posso até nunca vir a saber quem foi que comentou ou as razões porque o fez, mas há sempre uma cortina de fumo. Um contexto. Uma curiosidade. Um Anonimato é sempre um convite à descoberta.
Faço deste espaço um sítio onde me possa divertir, depositário de muito do que são as minhas opiniões, destilação de fúrias próprias e alheias, sarcasmos e maus fígados, conversas de casa de banho, daquelas que ficam escritas nas portas das mesmas, diário de situações mais ou menos sérias, mas nunca levando nada disto a sério. Há quem leve esta porcaria mais a sério do que eu gostaria, mas isso são outros 500.
De vez em quando lá salta qualquer coisa lamechas, mas não muito, para que as pessoas não se habituem mal.
Não gosto de pensar que algum dia terei de colocar aqui moderação de comentários. Se alguém utilizar este espaço para me insultar ou flagelar, está à vontade para fazê-lo, dado que o anonimato só aí se manifesta de forma preocupante se eu CONHECER de facto a pessoa e ela significar algo para mim. Ninguém que eu conheça tem duas caras a esse ponto e muitos dos que me conhecem nem sequer sabem que tenho um Blog.
Portanto, os Anónimos que eu não conheço não me afectam, e os que me conhecerem e utilizarem isto para me dizer algo que não tenham coragem de o fazer in my face, pois... temos pena. Virei sempre a saber quem foi "a jóia".
Não sou figura pública, sou apenas mais uma "indivídua" que faz parte deste delicioso colectivo que é a Blogosfera.
Sempre fiz questão de dizer que gosto dos meus Anónimos e tenho sempre "uma palavra amiga" para lhes dizer. Por norma, sempre foram cordiais ou simpáticos ou meio loucos ou completamente loucos ou javardolas ou críticos ou humorísticos e bem dispostos. Eu gosto disso tudo. Entendo que haja pessoas que se chateiam com o conteúdo de alguns comentários e sei de algumas situações no mínimo ridículas, mas para isso existe a moderação de comentários. Em último caso, manda-se à merda porque a expressão é bonita e foi feita para ser utilizada em determinadas situações.
A vida já é suficientemente chata, por vezes, para termos de nos chatear, às vezes, por tão pouco.
p.s.: eu tenho sitemeeter.
p.s.2: enquanto andava à procura de imagem ilustrativa deste post encontrei este site. Utilidades.
