::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


domingo, 25 de novembro de 2007

As "gajas" aka "gajedo aka "moças pequenas do ráisasparta" (gíria algarvia)

::knives::andy warhol::










Aviso à navegação: este "falar mal de" não é por acaso nem gratuito; tem a sua razãozinha de ser e acontecer.




A pedido de várias famílias, os maus fígados estão de volta.


Isto de se "falar mal" é algo que tem, forçosamente, de me corroer as entranhas por inteiro, tem de sair cá de dentro, não pode ser forçado, não pode ser arrancado e puxado a ferros, na na na na na... na senhor.


Passemos então à verborreia: eu não gosto de "gajas". E o que se entende por este tipo de afirmação, para além de elucidar algum leitor mais desatento deste Blog quanto à minha escolha e preferência sexual? Entenda-se pelo termo aplicado "gajas" (entre aspas) ou gajas ou gajedo, aquele grupo absolutamente in-su-por-tá-vel de marias que não passam umas sem as outras, que se cheiram e perseguem e ligam 10000 vezes por dia em tudo quanto é sítio, que querem ter a roupa, o penteado, o perfume e a mobília de casa iguais aos nossos. Em casos mais avançados deste estado (a gajicite aguda), podem até mesmo colocar aos filhos, os mesmos nomes que démos aos nossos próprios... se tolerância ao máximo existir da parte de algumas mais distraídas, ainda nos levam o marido (se ele se deixar levar por este tipo de "colas") ou invadem-nos a casa a meio da noite a pedir consolo porque.... sei lá, uma unha encravada pode bem servir de pretexto para nos inundarem de lágrimas a pedir atenção.




Estas "gajas" distinguem-se acerrimamente pela perseguição que fazem a outras, na esperança de constituir um grupo de "gajas", onde o assunto predominante seja falar mal de alguém. Ou não falar de coisa nenhuma. Se não têm namorado ou marido, então aí é que é a montanha-russa sentimental sem limites, e o assunto torna-se o mesmo: falar mal, mas dos "gajos". Para nos livrarmos de um espécime destes (entenda-se, uma "gaja") é arranjar-lhe imediatamente um "gajo". Na melhor das hipóteses, passar-se-ão meses até que o fulano descubra os problemas mentais que ela tem e nessa altura, manda-lhe um valente chuto e ela regressa à base (volta a querer constituir grupo); mas entretanto, esses meses são um descanso. Atenção, porque elas actuam quase sempre da mesma forma, contudo, distinguem-se em dois grandes grupos elementares: as manipuladoras autoritárias e as fracas de espírito.




As "gajas" manipuladoras autoritárias: estas pensam que sabem mandar e que são grandes líderes, mas o melhor que sabem fazer é: amuar, ser inconveniente, andar de trombas, apregoar aos quatro ventos o quanto se encontram desagradadas por alguma picuinhice, fazer questão de dizer que se é feminista, mas no entanto fazem tudo melhor que ninguém, desde o quarto até à cozinha. Trazem escrito na testa "eu tenho falta de peso" e por alguma razão meteram na cabeça que têm de fazer imensos favores às amigas, os quais terão de ser retribuídos. Passam a vida a cobrar isto e aquilo e se a "amiga gaja do grupo de gajas" não lhe manda um sms a dizer "estou na casa-de-banho" ficam amuadas por tempo indeterminado.




E quem são as amigas destas "gajas"?




As "gajas" fracas de espírito, claro. Muito frágeis e muito carentes e muito hipócritas e muito más línguas. Debaixo de uma aparência e de uma voz esganiçadas a roçar o Julie Andrew's Sound of Music, escondem-se inúmeros traumas de infância e justificações para todo um mau-carácter e uma falta de convicções muito grande. Não têm muitas ambições na vida, gostos e interesses, tanto concordam com tudo como tão depressa não concordam com nada. São as troca-camisas de ocasião. Se x diz amarelo, então a "gaja" fraca de espírito diz amarelo, para logo dizer vermelho ou verde se y ou z assim o afirmarem. Uma "gaja" fraca de espírito idolatra a "gaja" manipuladora e autoritária, quer ser como ela "quando for grande". Detentora de fraca personalidade ou mesmo nenhuma, acaba por cair no erro do outro tipo de "gaja": caem constantemente em velhos clichés feministas, e talvez por isso tenham tantas frustrações nas relações com o sexo oposto.


Suspeito mesmo que nesta condição de dependência entre "gajas", nesta dicotomia de grupo assente numa lógica feita massa uniforme e homogénea de opiniões convergentes/concordantes, muitas delas acabem por descobrir tendências homossexuais (e homófobas, ao mesmo tempo, de tanto preconceito que a grande maioria tem nas cabeças), e levam ali que tempos a desenvolver uma relação nada saudável, ambígua, primeiro para consigo mesma e depois, em relação à outra.




Confesso que, pessoalmente, este gajedo todo irrita-me e enerva-me. Dado à minha situação profissional, sou obrigada a suportar muitos destes comportamentos. O primeiro grupo tira-me sinceramente do sério porque tenho muito mau feitio, e acho que toda a gente tem direito a ter uma opinião, desde que bem fundamentada, senão mais vale estar caladinha, que é o que eu faço quando alguém fala de algo que desconheça, e eu defendo sempre a minha dama até ao fim, no matter what or who or where. Se as quero mesmo irritar, falo-lhes da importância do sexo nas nossas vidas e, por vezes, até as mando foder sem que se dêm conta.


As outras, entediam-me. São capazes de estar fechadas todas juntas numa cozinha (enquanto os homens bebem a cerveja na sala) a falar de uma receita qualquer ou do penteado não sei de quem ou da vida da cunhada do tio da prima e dos bicos de papagaio e do reumático e da nova técnica de pintura em guardanapos e de um monte de merdas que não interessam a ninguém. Adoram compras. Adoram lojas. Frequentam as lojas chinesas. Falam todas ao mesmo tempo de mil e uma tarefas que suspeito que não chegam nunca a concretizar. Fazem planos que não cumprem. Falam em ir todas juntas para um ginásio, mas é sempre para o mês que vem. Têm sonhos inconcretizáveis, sonham com um príncipe encantado mas não se apercebem de que são elas próprias umas "sapas" que nem um sapinho vão conseguir encontrar.






Aqui há tempos, uma dessas "gajas" disse-me: "tu não gostas de ir às compras?? não gostas de ver lojas?? não és mesmo nada GAJA!!!" - sim, porque elas têm a noção de que existe o conceito de "gajas" - ao que eu respondi..... "pois não, não sou gaja: sou uma mulher. e ao menos não sou alguém que não sabe o que é um homem há mais de 4 anos."




Nunca mais nos falámos.



What can I possibly say?...

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