E devo acrescentar, a Presidente da República.
Não devo nem vou elucidar quem quer que seja sobre o assunto da Educação, por dois motivos: porque considero que quem queira estar informado deva ler jornais ou ao menos interessar-se pelas notícias e debates que fazem parte desta palhaçada de desgoverno que temos, e porque não me apetece fazer humor de um assunto que considero sério e que me é bastante pessoal. Não sei se a alternativa de Menezes e do "seu" PSD farão alguma mossa ou sequer se este PS alguma vez sairá do Poder, uma vez que lá chegou com maioria absoluta. Alguém votou no "sr engenheiro", eu é que não fui. E não sei sequer se ao demitir a ministra, adiantaria algo ao estado das coisas, ou se modificaria mesmo o que quer que fosse. Todos os cancros deixam metástases e este não é excepção.
Considero de louvar como é que a incoerência se pode personificar assim tanto, a incompetência e o autismo de um ministro que antes de tudo, deveria saber dialogar e estar atento às contrapartidas de TODOS os professores. A grande questão aqui nem sequer se trata de qualidade, de uma boa avaliação do corpo docente nem se temos um Ensino digno e capaz em Portugal: a verdadeira razão para aquilo que se está a verificar nas alterações do Estatuto da Carreira Docente é DINHEIRO. Números. Reduzir o número de horas de algumas disciplinas equivale a reduzir emprego e vagas nas escolas = dinheiro nos cofres. A solução é, portanto, cortar nas despesas da Educação. Fácil. Instituir o medo também. Reduzir as hipóteses de progressão na carreira e congelar ordenados com o pretexto da avaliação é fácil, mas não é mais que areia nos olhos. E não é preciso ser-se ministro para se chegar a esta conclusão.
O problema dos professores não é medo de serem avaliados: é medo da humilhação pública a que estão sujeitos com esta avaliação, é medo do desemprego, é a revolta contra alguém que se insurge acima de qualquer democracia, levando em frente políticas nunca antes tão contestadas no país, depois da ditadura. É a raiva contra este Governo e este Primeiro-Ministro que se julga acima de todos, que EXIGE qualificações da parte de todos os trabalhadores deste país, mas continua alheio aos escândalos e às mentiras envoltas nas suas próprias qualificações. Que ainda não explicou todos os últimos acontecimentos relativos às obras que assinou e que continua a ter uma licenciatura entre-aspas.
Este Governo é um cancro que privilegia o facilitismo, a incapacidade de trabalho e a falta de disciplina nos alunos. Basta ler o novo estatuto do aluno, não é necessário recolher nomes de inspectores que obrigam professores a passar os meninos. Reduza-se o número de negativas!, grita o Ministério, para parecer bem à U.E. o número de pessoas tão inteligentes que temos em Portugal, quando sabemos que a maioria dos alunos não sabe fazer contas de dividir ou quem escreveu Os Maias. Não reprovem as crianças pois serão AVALIADOS em função do número de reprovações que fizerem!! Isto é um ultraje, uma vergonha. E temo que isto já não vá lá com demissões de ministros, nem sequer com o que quer que possamos fazer nas ruas ou quantos argumentos e pressões todos os partidos da Oposição tiverem junto da Assembleia da República.
Eu tinha vergonha de exigir aquilo que não tenho. Este Governo e este Primeiro-Ministro lembram-me o autoritarismo de Salazar nas suas políticas, fazendo-se valer da sua maioria absoluta, recusando ouvir seja quem for. Não há esquerdas nem direitas neste país, há sim um grande jogo de interesses, há sacos azuis nas autarquias, há betão por todo o lado, feito a martelo, envelopes de dinheiro debaixo da mesa entre autarcas e construtores civis, há processos deixados para trás, Casas Pias e afins, Apitos Dourados, não há Justiça, não há Saúde digna e igual para todos, a Segurança Social é um buraco, não há emprego, há milhares de licenciados desempregados, há pobreza, há fome, há um povo demasiado ignorante para se preocupar, demasiados jovens sustentados pelos pais a beberem e a drogarem-se demais, há, acima de tudo, como sempre houve neste país, muita desinformação, e muito pouco amor à educação e à cultura. E muita vergonha de se ser português.
Das duas uma: ou o senhor Presidente da República dissolve a Assembleia ou tiramos os cravos das espingardas, porque se isto não é uma República de direito democrata e livre, utilizem-se as medidas extremas. Os estudantes de Coimbra tiraram Salazar do poder e o golpe militar de '74 deu-nos o fim do Estado Novo. Penso que alguns milhares de professores já fariam mossa. E já é altura de mudar o rumo das coisas.

