::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


quinta-feira, 6 de março de 2008

o Hi5 (lê-se áifáive)

Ora bem, vou já desmistificar todo o conteúdo deste post antes que venham aí as vozes da contradição ou do contra ou seja lá do que for. Não sou (de todo) moralista nem puritana, sou até, como me chamaram há uns anos atrás, a propósito dumas sardinhas assadas por ocasião das festas dos santos populares, uma rapariga brejeira e popular. Para além disso, pertenço à grande comunidade Hi5. Mais, devo acrescentar que por mais que vasculhem, não vão conseguir encontrar o perfil, e mesmo a encontrá-lo, não vão conseguir lá entrar, pois está interdito. "Ingressei" nessa vasta comunidade por intermédio de vários convites de amigos que me pediam:



... isto, a propósito de eu sempre ser aquela tipa que escrevia umas coisas giras a respeito da malta nos postais de aniversário (sabem, aqueles que vão juntamente com a prendita e tal), e porque até era giro, quem sabe, conhecer pessoas novas e encontrar velhas amizades. O Hi5 dava os seus primeiros passos na minha vida em 2005. Não tinha muito que fazer, andava deprimida e desempregada. Outra amiga deprimida e desempregada empurrou-me para lá definitivamente. A perspectiva de poder vir a ser amiga do Fernando Alvim deixou-me estarrecida (certo é que até hoje, nunca troquei uma palavra com o moço, fiquei-me pela amizade do áifáive) e lá escrevinhei umas coisitas a meu respeito no perfil. Aquilo, depois de lido, parecia um perfil um tanto ou quanto arrogante, com os livros, os filmes e as listas todas que fazem parte do meu quotidiano (só faltava a lista do supermercado), e retirei metade. E lá fui trocando comentários e elogios aos meus amigos, a dizer o quanto são importantes na minha vida, etc. Um bocado lamechas, e como estava deprimida e desempregada, aquilo amaciava-me o ego. Menos mal. Dura até hoje, mais coisa menos coisa, e fora uns quantos que já lá não estão, tenho um total de 135 amigos. Ora, eu posso até conhecer 130 e tal mânfios, mas concerteza não sou amiga de todos. O melhor disto tudo é que nem sequer algumas das minhas melhores e mais "antigas" amizades consta daquela lista. E alguns que lá estão, não fazem sequer questão de me dizer muito mais do que parabéns e feliz natal na altura devida, e o sentimento é recíproco.

Em suma, o Hi5 é "Amizades a Martelo". Este conceito de "Amizade a Martelo" fascina-me, pelo simples facto, de que de repente, todos passámos a ser amigos: aquele colega do escritório que não suportamos, aquela tipa do andar de baixo armada em boa e toda uma resma de pessoas solitárias ou com alguns problemas de auto-estima.

Mas no fundo, não é o ego ou a necessidade de amor, ou o elogio ao nosso bom estilo de vida e/ou a quantidade de cultura que faz parte da nossa vida, ou a quantidade de pessoas a quem queremos desesperadamente incutir na mesma, repetindo-nos que temos muitos e bons amigos e somos o máximo, estimados pelos outros, sem os quais ninguém pode passar e a quantidade de mensagens carinhosas que leva a grande maioria de nós, seres humanos, a inscrever-se no Hi5. No fundo, este espelho de nós e a violação de privacidade que nos permitimos naquelas páginas tem a ver com desejo, com feedback. Ao incluirmos um perfil cheio de qualidades, gostos pessoais e fotografias em poses fantásticas (o nosso melhor perfil) estamos a querer respostas, e desengane-se aquele que disser que não. Numa palavra? Engate, duro e puro, ou se quiserem uma perspectiva soft da coisa, a sedução implícita no acto de se fazer uma página toda ela muito bonita e "cor-de-rosa" de nós mesmos. OK, há uma secção de "defeitos", mas isso já lembra a crónica do RAP da malta que diz que o defeito piorzinho que tem é ser-se "honesto demais" e por lá, no Hi5 é o que não falta. Malta assaz humilde, sincera e se calhar, um bocadinho "teimosa" que isso de se ser teimoso hoje em dia é uma praga. Sedução, engate, pois então. Há que conhecer pessoas novas e propagandear a pessoa linda que se é. A lembrar os velhos anúncios de "Quero conhecer senhora/menina para relacionamento sério..."

Hoje em dia é pindérico e está fora de moda colocar um anúncio desses no jornal, mas o Hi5 é fresco, rápido, muito moderno e eficaz: escolhe-se a tipa ou o tipo pela cor dos olhos (o número ilimitado de fotografias propicia a isso), vê-se bem o corpinho e depois é só mandar um convite acompanhado de mensagens todas elas cheias de significado e poesia. Depois é só esperar pela resposta, como quem espera pelo peixe que mordeu a isca no anzol.

Se há solidão e estas pessoas não devem ser criticadas, é um facto. Toda a gente tem o direito de escolher a cara-metade como bem lhe aprouver, mas não se escudem em dizer que andam à procura de amigos, e na maioria das vezes, não há sequer uma vontade de se ter o tal relacionamento sério do antigo e pindérico anúncio de jornal. O que se quer é sexo puro e duro, o resto é conversa da treta. Com esta brincadeira, já vi algumas pessoas saírem ou magoadas ou defraudadas ou com uma enorme sensação de vazio.

Mas o Hi5 pode ser muito, muito mais. Como isto, por exemplo:








Este post encontra-se em construção (há muito mais a dizer).

Peço desculpa pelas imagens, que são um tanto ou quanto... pois... e dá que pensar como é que num mesmo Blog se fala no estado da nação e logo a seguir é disto. No fundo, uma coisa leva à outra e...

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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