Não. Desenganem-se. Não é dos Tokio Hotel a que me refiro. É da maralha que já passou dos vinte e fundam clubes anti-qualquer-coisa-só-porque-não-têm-uma-vida e falam mal. Só por falar mal. Ou porque gostam da mesma banda e dali não passam, ou porque não têm mais nada que fazer, ou porque são muita góticos e vestem-se de preto. Tipo forinhas, mas não bem bem forinhas. Uma espécie de. Diz que é...
Este post vem carregadinho de beneno, por isso... ou aguentam-se à bronca ou mudem de canal (perdão, de blog).
Eu, ainda sou do tempo em que a revista Bravo chegava a este país na sua língua originária; que as adolescentes coleccionavam posters dos New Kids On The Block e Bros e quejandos. Gajos bons. Hormonas aos saltos. Se der um puxão maior à memória, ainda sou dos tempos áureos dos Ministars ou dos Onda Choc. Covers à maneirex das músicas que os irmãos mais velhos ouviam. Tempos das matinés nas discotecas e das cervejas numa terra em que as minis não eram uma moda, mas um velho hábito. Os verdíssimos anos marcados pela risota alimentada pelas guerrilhas verbais entre alfacinhas e tripeiros nas páginas do Blitz. Aquilo não tinha nada a ver com o resto do país e era de delirar. Uma bomba em Lisboa e outra no Porto e viveríamos felizes para sempre. Sou do tempo em que ser diferente não era uma moda, era um fardo; ouvir música diferente não era orgulho, era sinal que podíamos andar metidos na droga. E estes eram e foram tempos em que toda a gente queria ser popular e cor-de-rosa. E eu tinha 12 anos quando ouvi o The End dos Doors, numa cassette da minha irmã mais velha e a minha vida nunca mais foi a mesma. Também ouvia Dire Straits, e hoje em dia não suporto o Mark. Só se for o Kozelek (já estou a divagar...) Adiante.
Até chegarmos aos dias de hoje, as coisas mudaram. Talvez não muito, mas mudaram. Continua a haver música cor-de-rosa, de verniz, música muito down, muito up, muito assim-assim, música pimba, o José Cid e o Jorge Palma, e depois ainda há o Tony Carreira e o filho, o Pedro Abrunhosa e o Vitorino, continua a haver Bravo, Blitz, e o que é mais triste, pessoas que não cresceram, que continuam a dizer/escrever a mesma merda que diziam/escreviam na altura do Blitz, mas em Blogs, porque se acham tremendamente conhecedores de música e no direito de falar mal de bandas pop-rock como estes putos alemães de 17/19 anos como os Tokio Hotel. Eu não os oiço, não porque não goste, mas porque tenho outras coisas para ouvir, e falta-me o tempo para ouvi-las todas. A primeira vez que ouvi falar dos Tokio foi através da filha (13 anos) de uma amiga. Investiguei, fui ao Youtube, à Wikipedia e os putos não me parecem mal de todo. Acho triste, muito triste haver pessoas que não tenham mais nada que fazer do que falar mal gratuitamente de bandas que dão o primeiro passo. Considero ainda mais triste porque há muito piores bandas do que esta. Se as letras isto ou aquilo?!? Epá, não sei nem quero saber! Acho é deplorável como é que num país com tanto problema, com tanta ignorância/arrogância, com tanta analfabetice aguda, ainda se perde tempo a fazer Clubes anti-fãs-dos Tokio Hotel.
Sinceramente, tenho mais que fazer. Mas este post... ai este post tinha mesmo de sair, porque em 2008, a ter 12 ou 13 anos, eu talvez ouvisse os Tokio Hotel. Talvez...
*dedico este post à Inês, filhota da minha amiga Sofia.
Links a reter:
- quem são os Tokio Hotel
- polémica da treta aka galinheiro tipo malta à porrada verbal de baixo nível no blitz
