... não há muito mais a dizer.
Fez-se o que tinha de se fazer. Se pessoas há que decidiram ter muita pena dos gajos porque "ah e tal, somos sempre a mesma coisa, um país de racistas e xenófobos" e se as vozes da reacção se fizeram ouvir contra a atitude e acção policial, a mim me parece que a malta cai sempre no erro de misturar coisas que não são passíveis de ser misturadas.
Tenho Portugal como um país de pessoas que são tudo menos racistas. Somos acima de tudo, um povo voltado para a descoberta de novos mundos e novas culturas (não me venham com a história da puta da colonização e de como fomos uns mauzões há umas centens de anos; são o mesmo tipo de malta incoerente que depois vê filmes sobre a colonização inglesa e espanhola e aplaude de pé e verte uma lágrima a meio da fita). Temos um dos melhores serviços de turismo do Mundo inteiro e não há-de ser apenas por causa do clima. Somos hospitaleiros, e nem assim tão broncos.
Somos um país de emigrantes e juro-vos por Deus ou lá a entidade divina que queiram, que a cada Agosto que passo neste país, que prefiro angolanos, moçambicanos, brasileiros, chineses e russos e etc etc etc do que a visão de ter de levar com TODOS os portugueses emigrados.
As vozes da reacção poderão dizer "ah e tal, não gostas de emigrantes". Pois é, também tenho as minhas formas de discriminação-não-generalizada-mas-quase. E tenho esse direito. Porque as excepções existem, pois claro, mas são poucas. Não gosto do mês de Agosto e não gosto de emigrantes. Pior do que isto, é juntar emigrantes no mês de Agosto no Norte, outra prole que abomino cada vez mais. Não gosto do que não gosto e tal como muitas pessoas não gostam do Algarve, e passam a vida a meter lá as patas imundas, eu não gosto do Norte e não tenho saudades nenhumas de lá ir. Quem diz Norte, diz nortenhos e acredito piamente que se devia fazer um ghetto ou um muro para se separar aquela malta do resto, e só haviam de entrar em Lisboa com passaporte. Desculpem lá o parêntesis. Isto é assaz pessoal. Mas reconheço que há boas pessoas e boas coisas no Norte: a excepção, portanto.
Isto para dizer que o que aconteceu não me choca, e se pessoas há que se revoltam contra brasileiros e dizem que a culpa é dos brasileiros, que há muitos brasileiros mauzões, ou que estão ilegais e deixam de estar ilegais, outros dizem que somos racistas e xenófobos, etc etc etc, penso apenas que para se fazer afirmações do tipo, as pessoas terão de estar um pouco mais esclarecidas e menos "emotivas" relativamente às diversas questões. Leio comentários (ou li agora, no Blog do Markl), opiniões de algumas pessoas que se nota claramente que não sabem o que é o trabalho de um snipper. Outros, deixam-me estupefacta e boquiaberta, por não saber nem calcular a grande polémica em que, afinal, o assunto se tornou. Acabam por misturar tudo e até em falar em pena de morte. Por favor!
A grande questão aqui, para mim, é: fossem brasileiros, suecos, espanhóis, australianos ou japoneses, a atitude da polícia foi apenas o ter de fazer o que havia a fazer. Sem falsos moralismos ou penas de maior ou justiças divinas ou lágrimas pelas pessoas que morreram (ou a que morreu). Friamente e porque a justiça é cega, e nunca totalmente justa, pagaram o preço com a vida o erro que cometeram e numa situação limite e em que a acção violenta de uns contra outros coloca a vida desses em perigo, a decisão foi bem tomada.
