::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


sábado, 14 de março de 2009

Vale a pena pensar nisto...

... o que é a Blogosfera no seu todo, que impacto tem afinal na sociedade real, o que vale para cada um de nós que tem um Blog e que importância lhe damos?
Este Psicologias da Treta iniciou o seu percurso há sensivelmente três anos, ganhando ao longo do tempo uma dimensão pessoal e demasiado intimista. Cheguei à conclusão de que a exposição era demasiada, comecei a sentir-me incomodada com aquilo que transparecia publicamente e no fundo, não interessava a ninguém. Objectivamente, não descrevo as mundanices e os quotidianos, a cor do cabelo e coisas que possa considerar uma parvoíce. É apenas um somatório dos meus dias, um diário de dor e paixão, de páginas de amor que ficam para trás e se sonham mais além. Nada mais, e nada disto interessa senão a mim. A vida privada de alguém, aquilo que transparece na escrita, não exactamente aquilo que pensa, mas o seu "eu"emocional e as entrelinhas de felicidade e/ou de dor num determinado contexto e circunstâncias de vida num tempo e espaço precisos, é algo que o tempo me ensinou a perceber que não dizia respeito senão a quem o soubesse respeitar. É algo, que a mim, importa somente mostrar a quem acho que o deve ler. Nasceu o meu precioso Beautiful Losers, apanágio de uma morte de infantilidades blogosféricas a dar origem a pensamentos mais meus, fonte de inspiração minha, as minhas musas e os meus demónios, a minha raiva e o meu amor.
O resto é treta e aquilo que é passível de se insultar, enxovalhar, criticar etc etc etc reservo para este Psicologias da Treta, como experiência blogosférica, como janela para o mundo, parte integrante da tal liberdade de expressão, um Blog prestes a poder ser parte de um todo - a Blogosfera - que reconheço também ser uma parte muito verdadeira de mim. Opiniões, críticas, humor e desumor. Com links, com português correcto (ou menos correcto), onde me permito a objectividade que às vezes me falta mas sempre me esforço por atingir.
Reconheço que a Blogosfera não é um "lugar novo", e o pensamento morreu de velho, não existe nada de novo debaixo do sol, apenas a tal grupusculização onde parecemos muitos a dizer o mesmo, numa só voz, esgrimindo com mais ou menos mestria argumentos velhos e teorias feitas, mas é talvez uma janela muito interessante onde se verifica que a condição humana não evoluíu muito desde que se inventou o fogo e uma feira de vaidades onde muitos continuam a abraçar a velha ilusão de poder "ser descobertos", onde se amaciam egos com a expressão "ah e tal, escreves mesmo bem".
Uma base de estudos sociológicos, sem dúvida, e a oportunidade de se escrever cartas a velhos amigos, tal como a possibilidade de um dia se poder reler pensamentos velhos, opiniões de um tempo pré-Magalhães e pré-Twitter. Só os burros não mudam de opiniões, e isso já pude constatar na minha velha infância de três anos blogosféricos em arquivos de meses idos, em que tanto mudou na minha cabeça e no meu coração.







Blogosfera de terceira geração


O recente artigo de José Pacheco Pereira - A bloguização da comunicação social - mete o dedo na ferida de uma degradação continuada do exercício de opinião, tanto nos blogues como na imprensa escrita. Curiosamente, quase ao mesmo tempo, João Lopes publicava um outro artigo de contornos próximos - A infância dos blogs.
Pacheco Pereira e João Lopes têm sido dos poucos autores capazes de produzir sociologia crítica sobre a blogosfera, questionando as especificidades da sua prática em Portugal. Este último afirma que a blogosfera adquiriu uma extensão imensa sem ter passado por um verdadeiro processo de maturação. Talvez isto não seja completamente certo se observado numa perspectiva internacional, mas parece próximo da verdade quando analisado no plano da nossa conjuntura. Entre nós nunca se afirmou uma cultura ou uma ética blog, discussão travada aberta e entusiasticamente na blogosfera ainda no início da década. Em Portugal, a explosão do fenómeno blog ocorre com o aparecimento das grandes plataformas – blogger, wordpress, sapo – ou seja, à blogosfera de segunda geração. E vemos hoje um fenómeno ainda mais surpreendente a que eu chamo de blogosfera de terceira geração: uma apropriação livre e espontânea da ferramenta blog, totalmente desinteressada da sua história e função original, suporte a conteúdos de download ilegal, pornografia barata, notícias de especialidade copiadas sem referenciação ou edição sobre consolas, wrestling, cinema, etc…
A horizontalidade da blogosfera é um prolongamento dessa cultura de relativização absoluta. Num espaço onde tudo vale o mesmo já nada tem valor. O paralelismo dos “temas fracturantes”, espécie de regurgitação compulsiva de questões que estão carregadas de complexidade real, denuncia esse absoluto simplismo de quem não é mais capaz de discutir o que quer que seja, da ausência de uma sombra que seja de reciprocidade.
Nesta opacidade ofusca-se em razão o que se troca por uma mera lógica de rejeição ou colagem, uma dinâmica opinativa que nada já tem de expressão intelectual mas antes de uma mera dissimulação identitária, de “acknowledgement” de grupo. A grupusculização de que fala Pacheco Pereira.
A decadência do exercício da opinião é mais um reflexo dessa devastadora terraplanagem intelectual em que vivemos e em que os blogs participam alegremente. A aparente agitação de conflitos de opinião não é apenas, como diz João Lopes, resultado de uma dimensão totalitária da agressividade sem pensamentos. É também o epitáfio de um domínio de simulação absoluta em que já nada, realmente, tem consequências. Um lugar em que nada acontece. A vitória da idiocracia.
Há quem chame a isto liberdade.



in http://abarrigadeumarquitecto.blogspot.com/



ainda sobre este assunto, as opiniões de pacheco pereira e de joão lopes.

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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A Treta Mora ao Lado...