::diário de bordo, manual de sobrevivência, feito de teorias da conspiração, ideias parvas, conceitos, preconceitos, provocações, alucinações, livro de "receitas" pseudo-afrodisíacas, ora picantes ora agridoces, de alguém que vive num país assim a dar para o esquisito, a que alguém chamou um dia Portugal::


segunda-feira, 26 de maio de 2008

Californication

Isto, não foi, em momento algum, um amor à primeira vista. Confesso que não. Após o primeiro episódio, uma certa náusea terrivelmente estonteante abraçou o meu sentido crítico e pensei "lá vem mais uma série tipo Nip Tuck", uma espécie de O Sexo e a Cidade, mas desta vez, no lugar da minha emblemática NY, colocaram LA, que é a cidade que sempre atribuo a um certo anti-herói de seu nome Lebowski. Mas isso são outras histórias. E um facto que quase mulher nenhuma gosta de admitir: aquela certa impressãozinha em tons de verde após o visionamento de tanto par de mamas e gajas boas num mesmo episódio. Pensei "o Nuno deve estar a brincar comigo, só pode. Este gajo envia-me uma série perfeitamente masturbatória e ainda por cima é só GAJAS?!?" Maus fígados instantâneos. O gajo ao lado só dizia "sim sim amor, tens razão, estas gajas com as mamas de fora enjoam-me, são umas porcas".... Vocês, homens, e esse hábito de nos protegerem de nós mesmas com toda a hipocrisia do mundo nas palavras que imaginam que a nossa melhor amiga nos diria em semelhante situação, quando apenas nos vai uma coisa na cabeça "porque raio não tenho eu um cu daqueles?"





Hesitei entre colocar isto no Beautiful Losers ou aqui, em espaço aberto, porque pode sempre ferir as susceptibilidades de quem ande por aí a vasculhar em motores de busca, coisas designadas por palavras como Amor, Felicidade, Ambição, Sonhos e Perfeição e encontre algo tão cáustico como mamas, sexo e fornicação. No fundo, é um pouco de tudo isto que tratam estes doze episódios. Não gostei dos dois primeiros episódios, pareceu-me algo inconsistente e até inverosímil, não só pela questão do preconceito confessado, mas por uma certa incongruência da própria personagem. Depois, aconteceu aquilo que penso que deva acontecer com a maioria das mulheres que conhecem aquele homem, menino perdido, escritor com bloqueio, apaixonado pela ex-mulher mas completamente fodido daquela cabeça. Sim, eu escrevi completamente fodido. Perdido. Com a sensação de vertigem debaixo dos pés e sonhos toldados pela perda da mulher que sempre estivera lá e deixou de estar.

Somos todos um pouco assim. Somos todos peças de uma grande peça, manobradas por uma força universal superior que parece dizer-nos a todas as horas para darmos os passos errados na nossa vida. O "fazer merda", a prática errante e criticizante contra a correcta e saudável teoria. A perda de oportunidades de se ser feliz. O querer recuperar de uma certa beleza a todas as horas. O inferno não debaixo de chuva, como sempre é suposto (a estética do sofrimento, deus meu!) mas debaixo de sol ardente. Um carro fantástico todo riscado, de farol partido. O humor sarcástico que sai sempre sem ser pedido. O portátil partido contra a parede. O fazer o que lhe apetece. O fumar e beber a todas as horas, a falta de práticas de vida "saudáveis". Os finais infelizes. Muito infelizes. Miseráveis. A esperança de alguma forma, no meio da sarjeta.






E a miúda da série, a filha Becca é a cara da minha grande amiga Sara (muitos risos).

* a cena que me conquistou definitivamente foi a cena de sexo entre o Hank e a amiga quarentona, em que ele parte e vomita a tela do querido Bill (e todos entram no quarto)... hi-la-ri-an-te.

What can I possibly say?...

Conteúdos temáticos de extraordinário interesse para o comum dos mortais

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