
Dan Burns: What don't I understand, Cara? Please, help me out. What is it? Is it frustrating that you can't be with this person? That there's something keeping you apart? That there's something about this person that you can connect with? And whenever you're near this person, you don't know what to say, and you say everything that's in your mind and in your heart, and you know that if you could just be together, that this person would help you become the best possible version of yourself?
Amor à primeira vista.
Tema complicado de se abordar ou até mesmo de se sentir. Na vida "real" é muito difícil entender este conceito, e ainda que o tenhamos vivido ou experimentado, é quase impossível aceitar que seja possível. Vamos de encontro ao conceito de Amor. O dicionário Porto Editora diz o seguinte:
amor
nome masculino
1. sentimento que predispõe a desejar o bem de alguém
2. sentimento de afecto ou extrema dedicação; apego
3. sentimento que nos impele para o objecto dos nossos desejos; atracção; paixão
4. afecto; inclinação
5. relação amorosa; aventura
6. objecto da afeição
7. adoração; veneração; devoção
8. coloquial pessoa muito simpática.
Quanto às expressões que dizem, de alguma forma, respeito ao "amor":
amor à primeira vista: paixão súbita;
amor carnal: amor físico;
(provérbio) amor com amor se paga: deve retribuir-se um benefício com outro benefício;
amor livre: ligação amorosa que rejeita o vínculo do casamento;
amor platónico: amor puramente espiritual, sem desejo sexual;
fazer amor: ter relações sexuais;
morrer de amor(es) por: estar apaixonado por, gostar muito de;
não morrer de amores por: não simpatizar com, não gostar de;
por amor à arte: por prazer, desinteressadamente;
por amor de: por causa de, em atenção a;
por amor de Deus: por favor, por caridade;
ter amor à pele: não correr riscos desnecessários, ser prudente
(Do lat. amóre-, «id.»)
É quase impossível conceber a ideia de que se pode ter afeição desmesurada por alguém num só primeiro olhar, ou justificar um enorme apego ou desejar o bem dessa pessoa num singular momento. Não falo, obviamente, de atracção sexual. Falo de amor, esse sentimento que nos faz largar tudo, de repensar as nossas palavras, os nossos actos, a nossa atitude, a nossa vida por inteiro. O amor, para ser forte, genuíno, o amor que nos faz cometer loucuras, o amor que nos impele a ser algo mais, sermos melhores, tem de se justificar a si mesmo como algo que se fundamenta, algo que tem uma base sólida, para se poder perpetuar pelo tempo, para se poder dizer ao mundo que temos as nossas razões para amarmos quem amamos.
Tudo isto é muito certo e mais são as histórias de amor que conhecemos baseadas num conhecimento mútuo, em que a amizade é o ponto de partida para algo mais. Ou não. Também há o reverso da medalha das histórias ditas de "amor", em que "ela faz amor enquanto ele fode", e esse é, a mais das vezes, o ponto de partida para outras histórias de amor que também todos conhecemos. Muitas outras vezes, também de desamor, ódios e maus fígados. Não estivéssemos nós no século XXI e não teríamos esta visão cínica dos factos, porque a realidade é essa. Andamos a foder mais do que a fazer amor, mas isto é motivo para outro post.
São poucas ou raras ou inexistentes as histórias de "amor à primeira vista". A verdade é que elas existem. E podem acontecer a toda a gente, quer se acredite ou não. Penso que depende um pouco do grau de carência versus grau de desconfiança que se tem em relação aos outros. Estar receptivo ao próprio amor também é ponto assente, mas também a ansiedade em se ser surpreendido por algo em que se deixou de acreditar. Penso que tal como "os opostos se atraem", também estados de espírito contrários podem criar grandes surpresas. Ou seja, imaginem a pessoa mais descrente, a pessoa mais desiludida com a sua vida amorosa. Esse descrédito, apatia e desilusão podem ser tão maiores como a própria expectativa que interiormente se cria. ou porque já se viveu demasiado e se deu sempre com a cara na porta, ou porque nunca aconteceu e a pessoa deixa de acreditar que pode viver o tal "grande amor". Isto, falando num mar de condições criadas para que isso aconteça. Quanto à "primeira vista" em si... nunca se sabe quando pode acontecer, por quem, ou porque é que acontece. Há quem fale em destino, quem fale em karma, em sorte, em almas gémeas... eu prefiro dizer que é a ironia do caos, uma terrível coincidência, e que isto anda tudo ligado, já dizia o outro. Uma questão de timming. Por vezes, é errado, mas por vezes... o amor acontece assim, à primeira vista.
Ah pois, o filme... é um filme muito bom. Simples, uma comédia romântica de extremo bom-gosto, mais não seja pela fotografia e pela banda sonora. Bom para se ver no Natal.
